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14
Jun18

Palavras soltas - Peña Trevinca - Desafios e Divagações (Dar voz aos territórios)

andanhos

 

PALAVRAS SOLTAS

 

PEÑA TREVINA – DESAFIOS E DIVAGAÇÕES

- DAR VOZ AOS TERRITÓRIOS -

 

02.junho.2018

00.- 2018.- VI TransTrevinca (377)

 

(…) partilhamos (…) uma profunda empatia com a natureza,

 dela obtendo alimento emocional e psicológico”.

 

(…) ‘paisagem’ é um espaço misto de natureza e cultura,

onde o homem projeta ideais,

 necessidades e valores, numa relação de influência mútua”.

 

(…) certas experiencias e (…) certos caminhos nos apontam

 um melhor conhecimento dos outros e sobretudo de nós mesmos”.

 

(…) paisagens (…) nunca surgem apenas como ornamento,

antes como uma força poderosa tão marcante quanto uma personagem (…).

 

Isabel Alves,

«Fragmentos de Memória e Arte

- Os Jardins na ficção de Willa Cather»

 

 

Ao cume de Peña Trevinca já o ano passado, em agosto, tínhamos lá chegado, vindos de Porto de Sanábria. Quanto a esta caminhada os leitores(as) podem, querendo, consultar os seguintes sítios em que vem a reportagem que, na altura, fizemos:

 

  • Por terras da Ibéria – Caminhada do Porto de Sanábria a Peña Trevinca (Ida e Volta)

         I Parte – Ao longo do vale do rio Bibei;

  • Por terras da Ibéria – Caminhada do Porto de Sanábria a Peña Trvinca (Ida e Volta)

          II Parte – Ao encontro do rio Xares, por entre os «Montes mel»

  • Por terras da Ibéria – Caminhada do Porto de Sanábria a Peña Trevinca (Ida e Volta)

          III Parte – Epílogo

 

Naquele agosto de 2017, daquele que os nossos vizinhos galegos (partilhando com os zamoranos e leoneses) chamam o teto da Galiza, podemos observar, deslumbrados, o vale glaciar do rio Tera. Na altura, ficámos com «ganas» de o percorrer, de lés a lés.

01.- 993.- Peña Trevinca

A oportunidade propiciou-nos a VI TransTrevinca, no passado dia 2 de junho – uma caminhada ou percurso de grande curso, que começou à meia-noite em Bragança e, percorrendo-se mais de 90 Km, foi até ao cume de Peña Trevinca, com regresso a Laguna de los Peces, cerca das 20 horas.

02.- 2018.- VI TransTrevinca (47)

Um percurso, na verdade, para jovens, «pesos leves», verdadeiros montanhistas. Nós, os mais velhos, «pesos pesados», ficámos pela etapa que liga a Laguna de los Peces até Peña Trevinca, cerca de 22 Km.

 

Se bem que também o nosso objetivo passasse , uma vez mais, por atingir a «cumbre» de Peña Trevinca, todavia, nosso desiderato maior, como acima referimos, era mais ir até ao encontro do circo glaciar do rio Tera e percorrê-lo, pelo menos, até às faldas de Peña Trevinca.

03.- 2018.- VI TransTrevinca (364)

Ao encetarmos esta caminhada, retinia na nossa memória o eco da leitura, feita na véspera, da obra de Isabel Alves, «Fragmentos de Memória e Arte – os Jardins na ficção de Willa Carther», quando, a dado passo, a autora diz que “partilhamos (…) uma profunda empatia com a natureza, dela obtendo alimento emocional e psicológico”.

 

Para nós, nada mais verdadeiro!

 

Por nós, andaríamos a maior parte do tempo de mochila às costas, embrenhando-nos pelos diferentes trilhos e veredas da Natureza, em especial da nossa Ibéria, indo ao encontro da matriz, das nossas raízes, da nossa história primeva – do território e das suas gentes - por entre o silêncio, a paz e a tranquilidade de espírito que ela nos proporciona. Sempre que trilhamos qualquer caminho da Ibéria, ele representa, a nossos olhos, ao nosso pulsar mais fundo, como um grande lenitivo, que nos faz sentir não só verdadeiramente vivos, como, dentro da pobreza do território que partilhamos, verdadeiramente grandes.

 

Sabemos que, em pleno século XXI, o Homem, na sua fulgurante arrogância de conquista incessante, quase sempre a qualquer custo ou preço, do nosso planeta Terra, poucos lugares deixou incólumes, verdadeiramente selvagens (wilderness, no sentido norte-americano do termo). As paisagens que vemos e os recantos que percorremos, em bom rigor, não é a verdadeira natureza que os nossos antepassados mais remotos conheceram. A natureza que hoje temos é já um «construto» humano. E não só:  um produto dos mais diversos fenómenos naturais que sobre ela, ao longo de milhões de anos, sobre ela atuaram. Mas é, precisamente, nesses pedaços de natureza ainda quase virgens que, percorrendo-os, meditamos, e neles projetando ideias, necessidades e valores, vamos não só informando-nos e conhecendo-os melhor como, consciencializando-nos, criamos e pugnamos por uma verdadeira postura ecológica.

04.- 2018.- VI TransTrevinca (270)

Parafraseando Isabel Alves, uma ética ambiental que apela “sobretudo no que respeita à espoliação dos recursos naturais do planeta e à fragilidade dos ecossistemas, demonstrando a necessidade de preservar a diversidade ecológica e incrementar a coexistência harmoniosa entre as formas naturais e as que são criadas pelo homem”.

 

E quão verdadeira é aquela asserção de Isabel Alves quando olhávamos extasiados o circo glaciar do Tera e o seu entorno, ao afirmar que as paisagens nunca surgem apenas como ornamento mas antes como uma força poderosa tão marcante quanto uma personagem…

05.- 2018.- VI TransTrevinca (164)

Conhecendo, ao longo dos milhões de anos, como se formou este território que pisámos, na verdade, ele, a nossos olhos, impõe-se com uma identidade forte, bem vincada, não deixando nenhum ser humano, que o percorre, indiferente.

 

É, manifestamente, face à nossa pequenez humana, uma poderosa personagem!

06.- 2018.- VI TransTrevinca (183)

E nós tivemos o feliz privilégio de estar com ela. De, com ela, e com quem nos acompanhava, de partilharmos um melhor conhecimento, não só do mundo, como de cada um de nós mesmos. Numa simbiose total entre o Homem e a Natureza. Ambos se influenciando.

07.- 2018.- VI TransTrevinca (116)

Nada melhor como nos encontrarmos connosco próprios. De embrenharmo-nos, profundamente, nos mais escaninhos lugares da mãe-natureza!

 

Lugares como este, da Sanábria, da nossa Ibéria, são, com efeito, lugares privilegiados.

08.- 2018.- VI TransTrevinca (243)

Não vai daí que sejamos um acérrimo iberista, tal como Oliveira Martins, no século XIX.

 

Não vamos falar do iberismo como teoria política, que apela ao unitarismo peninsular.

 

Mas também não estamos com a teoria de António Sardinha, embora concordemos quando ele afirma que nós vemos, a todo o instante, os nossos dois países – Portugal e Espanha - por mais desavindos que andem, regressarem, pela força das circunstâncias e dos acontecimentos, a um princípio de colaboração e entendimento, que antigos fatores de divisão não deixam depois consumar-se em consequências duradouras ou fecundas.

 

Estamos com António Sérgio, Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Fidelino de Figueiredo - entre outros intelectuais - marcados pela perspetiva peninsular de Oliveira Martins. Todos eles estavam bem conscientes da necessidade de situar a história e a cultura portuguesas num contexto peninsular. Todos (exceto Almada) consideraram a diversidade de culturas ibéricas nacionais – a unidade alimenta-se da diversidade -, embora as suas posições fossem bem diversas.

 

Ou seja, estamos, como afirma Sérgio Campos Matos, no seu artigo «Conceitos de Iberismo em Portugal» com aqueles que procuram “valorizar os nexos entre as ibéricas para a afirmação de um ‘nó cultural’ entre autores de Portugal, Brasil, ex-colónias portuguesas, Espanha e América Hispânica; das expressões espirituais e afetivas de Miguel Torga, em diversos passos da sua obra de poeta e prosador, com destaque para o seu Diário (…)”.

 

E, particularmente concordamos com António Sérgio quando afirma que a península Ibérica constitui um todo, dos mais diferenciados e caracterizados; um mundo por si, de diversidades e contrastes.

 

Em suma, no nosso entendimento, o que, positivamente, nos une – pese embora as diversas culturas e línguas que praticamos - é o mesmo território (comum) e as diferentes sagas que, entre nós, e contra terceiros, ao longo da História, tivemos.

 

E temos pena que alguns dos poucos amigos flavienses que temos, acérrimos defensores da sua identidade transmontana – e particularmente barrosã – quando os acompanhamos à descoberta das gentes – pouca, que resta – e do património – pouco, que sobra e do muito em ruína -, nos apelide «depreciativamente» de duriense.

 

Com muito orgulho afirmamos sermos nato nas terras berço da nossa nacionalidade, do Reino Maravilhoso que Torga fala, que é o nosso Trás-os-Montes. Do Portugal que somos, vindo de uma luta contra um inimigo comum - o islão -  e criado na luta principalmente contra os nossos irmãos da Ibéria, mais propriamente na peleja com os donos, senhores das terras e de reinos, da antiga Gallaecia romana.

 

Regressemos, para finalizar, ao nosso circo glaciar do rio Tera, na Sanábria para, em jeito de despedida, deixarmos aqui um pensamento final.

 

Segundo Winters, citado por Isabel Alves, referindo-se à autora sobre a qual analisa a sua obra – Willa Cather – “descriptions of landscape help us to understand freedom, imprisonment, immanence, community, connection, isolation, integrity, authenticity, and incommensurability (…) She truly gives the land a voice”.

 

Magistral!

 

995.- Peña Trevinca

 

 

nona

14
Mai18

Memórias de um andarilho por terras da Ibéria - Trilho Interpretativo do Tejedelo-Requejo/Sanábria

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO POR TERRAS DA IBÉRIA

 

TRILHO INTERPRETATIVO DO TEJEDELO (OU TEIXEDELO) – REQUEJO (OU REQEIXO)/SANÁBRIA

28.abril.2018

(Manhã)

 

00.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (301)

 

Introdução

 

O «culpado» desta nossa incursão pelo Tejedelo (ou Teixedelo) do Requejo (ou Reqeixo) foi o nosso amigo Pablo quando, no passado outono, numa deslocação que fizemos às Médulas, não se cansava de gabar os atributos e os encantos deste bosque de teixos milenares.

 

Ficámos, assim, curiosos e de, quando a altura se propiciasse, e o Florens pudesse, de marcar uma visita.

 

Entretanto, dificuldades de articulação com o seu calendário e horários profissionais impediram ao Florens de, nesta primavera, nos acompanhar.

 

Pablo ainda tentou encontrar companheiros(as) para ir connosco. Mas não foi possível, face à data que melhor nos convinha – 28 de abril, pela manhã.

 

Enquanto o dia não chegava, fomos obtendo o maior número de informação sobre este bosque de teixos.

 

Numa sociedade em que as tecnologias da informação e da comunicação imperam, como não podia deixar de ser, o nosso centro privilegiado de obtenção de informação foi a internet, com os seus sítios, quer de entidades institucionais, quer os blogues de pessoas ou grupos, particularmente daqueles que já tiveram – e relataram – a experiência de terem percorrido este «recanto» da Ibéria sanábrica.

 

De alguns sítios consultados, aqueles que mais nos retiveram a atenção, foram os seguintes:

 

Institucionais

     

         artigo da autoria de Carlos Fernández Ramírez

        

        

 

Blogues

         

         

Da informação respigada, vamos destacar alguns elementos que, aqui para este post, nos parecem mais pertinentes.

 

 

1.- O teixo (Taxus baccata)

 

É uma árvore conífera, própria de zonas montanhosas. Vive em ambientes frescos e húmidos, em terremos essencialmente calcários. Alguns deles podem atingir a altura de 20 metros. O seu desenvolvimento faz-se de forma muito desigual. A sua copa termina em pirâmide, com abundantes ramos. O seu tronco, com casca delgada, com tiras de cor pardo-avermelhado ou grisácea, é muito grosso, chegando algumas árvores a atingir alguns metros de diâmetro. As suas folhas são perenes, com 10 a 30 mm, dispostas em fileiras opostas, de uma cor verde escura.

01.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (374)

O teixo tem uma madeira muito dura e, por tal facto, era usada para os eixos dos carros de bois, bem como para cozinhar e aquecer as casas.

 

É uma árvore que dura muito tempo. Algumas delas podem atingir mais de 1 500 anos.

 

Árvore sempre verde, ao longo do ano, no outono exibe os seus característicos frutos vermelhos – as «teixas» -, frutos doces como as cerejas. Mas, cuidado! Tudo no teixo é venenoso, principalmente as suas folhas, à exceção da parte exterior vermelha e carnuda da «teixa», delicioso repasto para as aves nos invernos longos e duros.

 

Por debaixo dos seus ramos, podemos encontrar menos 2 ou 3 graus de temperatura no verão, bem assim mais 2 ou 3 graus no inverno, e 15% de humidade ambiental.

 

As copas do teixo, ao mitigarem o calor do verão e os gelos do inverno, são lugares propícios para refúgio de corsos e javalis.

 

No meio da sua ramagem nascem as martas e os gatos monteses.

 

À sua sombra imensa florescem as mais singulares plantas de montanha.

 

Os bosques de teixos são a pátria de musgos e líquenes.

 

O teixo é uma árvore de grande valor ecológico, biogeográfico e cultural.

 

A pressão humana e o fim do clima suave e húmido acabaram com grande parte dos bosques de teixo. Embora antigamente ocupassem grande parte da Europa, Ásia e norte de África, hoje em dia está relegado para uns poucos lugares. Aninhados entre as zonas rochosas da montanha, o teixo está presente em pequenas zonas de Espanha.

 

Do sítio da A.E.C.A.S., da autoria de Carlos Fernández Ramírez, gostaríamos que o(a) leitor(a) atentasse aos «Valores do teixo» como:

  • Uma relíquia botânica que remonta ao jurássico – mais de 100 milhões de anos;
  • Representante da vegetação primeva da Península Ibérica, há mais de um milhão de anos;
  • Uma árvores que vai crescendo toda a vida, sendo uma das espécies que duram muitos mais anos;
  • Uma árvore de germinação difícil, que leva cerca de 40 anos a desenvolver-se e ser fértil;
  • Encontra-se em perigo de extinção na Europa, Ásia e norte de África, em virtude do seu derrube pelo homem; pelos incêndios e pelo clima atual, mais seco e extremo;
  • Um valor cultural – é um símbolo de eternidade, da vida e da morte. Não é por acaso que encontramos alguns exemplares nas praças, igrejas e cemitérios de muitos povos europeus;
  • De grande importância histórica: a sua madeira é de grande dureza e flexibilidade. Foi utilizada na antiguidade para construir armas de guerra e, no Egito, para fazer sarcófagos. Foi também, e como já fizemos referência, utilizada pelos vikings, na época medieval, para o eixo dos seus carros.

 

2.- O bosque do Tejedelo (ou Teixedelo) em Requejo (ou Requeixo)/Sanábria

 

O bosque do Tejedelo (Teixedelo) encontra-se na localidade de Requejo (Requeixo), na província de zamora/Sanábria, numa zona fronteiriça, onde as serras Cabrera e Segundera a separam de Leão, Galiza e Portugal.

 

O bosque do Tejedelo (Teixedelo) está a 1 350 metros de altitude, numa encosta com uma pendente de 20%, orientada a norte. Está acantonado num vale, entre rochas de granito e xisto, escavado pelos glaciares dos gelos quaternários, numa zona sombria, num pequeno rincão entre a serra da Parada e a Gamoneda, em solo ácido e com pouca matéria orgânica.

 

O bosque do Tejedelo (Teixedelo) é uma pequena área de, somente, 139 hectares, estando nele integradas 100 árvores de teixo com mais de mil anos de idade, por entre outros teixos, seus herdeiros mais jovens. A área dos teixos é somente 7,5 e 0,7 hectares. Mas trata-se de uma das manchas de teixo mais importante e melhor conservadas, dizem, de toda a Península Ibérica.

 

Estes 100 velhos, milenares teixos, habitantes deste bosque, encontram-se resguardados num ambiente fresco e húmido, tendo alternância de frio e seca, e, em muitas ocasiões, cobertos de neve.

 

No Tejedelo (Teixedelo) predominam as plantas de distribuição nortenha. No final de contas, trata-se de um bosque misto, dominado essencialmente por carvalhos (robles) [Quercus robur], convivendo com (poucos) azevinhos (Ilex aquifolium), tramazeiras (Sorbus aucaparia), avelaneiras (Corylus avellana), salgueiros (Salix), sanguinhos ((Rhanmus glandulosa) e amieiros (Alnus glutinosa).

 

Quanto à fauna, neste bosque podemos encontrar, para além da marta e do gato montês, alguns passeriformes, como o tordo, os rubins e a cotovia. A águia real, a cegonha branca e o milhafre também por aqui aparecem.

 

No seu ribeiro, o Tejedelo (ou Teixedelo), afluente do rio Castro, que corre mais ao fundo, no vale, nas proximidades de Requejo (Requeixo), e suas linhas de água, a rã de pata larga e a salamandra, são os seus mais assíduos clientes.

 

Podemo-nos dar conta das pegadas dos corsos, martas e raposas. E, com alguma sorte, e se formos em silêncio, pode acontecer que nos cruzemos com algumas destas espécies. Infelizmente, não foi o que aconteceu connosco naquele dia 28 de maio passado.

 

Ainda quanto à fauna, diz o sítio da A.E.C.A.S., que também se podem encontrar exemplares da raça bovina alistano-sanabresa, declarada em perigo de extinção.

 

Diz-se ainda no mesmo sítio, de acordo com a informação de Carlos Fernández Ramírez, que o aproveitamento do bosque do Requejo (Requeixo) era comunal. Dando aos habitantes do seu entorno, entre outras utilidades, lenha, madeira, alimento e cama para o gado, corantes para tingir os tecidos do vestuário, bem assim proteção contra os raios e mau olhado (pondo os seus ramos em suas casas) e, inclusive, substituindo os ramos de oliveira nas janelas no Domingo de Ramos.

 

3.- Como chegar ao bosque de Tejedelo (ou Teixedelo) em Requejo (ou Requeixo)/Sanábria

 

Para se lá chegar, temos que ir ao município de Requejo (Requeixo) de Sanabria.

 

De Verín, seguimos a autovia A52 e saímos dela na «Saída 91», para Requejo (Requeixo), continuando depois pela N-525. Aproximadamente no Km 95 desta estrada, viramos à esquerda, seguindo por uma estrada local na qual podemos ver a indicação de «El Tejedal».

 

Seguimos esta estrada local durante 1, 5 Km até encontrarmos um cruzamento. Neste cruzamento viramos à direita e vamos encontrar um caminho não asfaltado – que, com o carro, há que seguir com cuidado – pois seu piso é irregular e ficou agora mais deteriorado com o movimento das viaturas dos trabalhos da linha do AVE, que passa por aqui, nas proximidades do túnel de Padronelos.

 

Percorremos sensivelmente 3 Km neste caminho e vamos ter a um pequeno parque de estacionamento, lugar onde precisamente começa o nosso trilho.

 

4.- O nosso trilho

 

Aparcámos a nossa viatura no pequeno parque de estacionamento e, contornando esta enorme cancela,

01a.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (3)

iniciámos o nosso trilho, subindo por cima do vale do rio Castro, atravessando antigas pastagens comunais, constituídas compactamente por urzes (brejos) e giestas.

 

Enquanto subíamos, olhávamos para trás, para a nossa direita, e, debaixo da nossa vista, a velha linha de caminho de ferro «carrilhana» que, aquando da sua construção (particularmente o seu túnel, que leva a Padronelo, tantas mortes, aos trabalhadores da zona que nela labutavam, particularmente os de Requejo (Requeixo), causou.

02.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (9)

A seu lado, a construção de uma nova linha, com o respetivo túnel, - a do AVE.

03.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (55)

Fomos subindo devagar. E, pouco a pouco, do alto em que caminhávamos, íamos tirando fotografias para a paisagem que, às nossas costas, lentamente desaparecia.

 

Quanto à paisagem que íamos avistando à subida deste lugar, o autor do blogue «Mareando La Perdiz», lamentando-se, refere o pouco entusiasmo que se pode ter ao aterrar neste lugar tão castigado pelo progresso, por via da construção da(s) linha(s) de caminho de ferro; os golpes feitos na encosta vizinha para a construção da autovia A-52 e o parque eólico. Um impacto brutal! Não só em termos paisagísticos como também nos enormes gastos que, por via do progresso, aqui se teve de efetuar, diz.

 

Mas depressa realmente estas imagens tão impactantes vão ficando para trás, desaparecendo das nossas vistas, conforme íamos subindo. Para quem é amante da natureza pura, tratou-se apenas de um episódico pesadelo.

 

A certa altura, o nosso trilho abranda na subida.

 

Junto a uma área de repouso, com um merendeiro,, aparece-nos uma ponte de madeira sobre o ribeiro do Tejedelo (Teixedelo), rodeado de bétulas.

04.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (15)

Aproveitámos para fazer uma paragem e descansar um pouco.

 

Pela primeira vez, na margem do ribeiro, à nossa esquerda, encontrámos o primeiro, e jovem, teixo.

05.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (18)

 Este lugar encantou-nos. Não deixámos, por isso, de permanecer aqui mais um bocadinho para tirar fotografias ao ribeiro, com sua ponte e entorno. Lugar encantador!

06.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (40)

Não nos lembrou de tirar uma série de fotografias à pequena cascata para fazermos um «gif». Fica aqui, porém, a do autor do blogue «Mareando La Perdiz», que por aqui também andou.

06a.- 15-(58)-ANIMATION

Continuámos a subir,

08.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (44)

acompanhando o monte de antigas pastagens comunais coberto agora quase exclusivamente de urzes.

09.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (66)

Feito o percurso de encosta, a páginas tantas, começou a suavizar e encontrámos um desvio, à direita, com uma placa sinalizadora, dizendo: “Mirador Las Peñas del Veladero».

10.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (87)

Acabava aqui uma primeira parte (quase exclusivamente a subir) do trilho linear, com 1,5 Km percorrido. Neste lugar, começa agora a parte circular do nosso trilho e temos de fazer uma opção: ou seguirmos em frente ao encontro direto dos velhos e milenares teixos e, visitados que sejam bem como o miradouro de «Las Peñas del Veladero», aqui regressarmos, ou então virarmos à direita e, penetrando no jovem bosque de carvalhos,

11.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (110)

sempre a subir, dirigirmo-nos ao tal miradouro de «Las Peñas del Veladero», seguindo depois para o santuário natural dos velhos teixos.

 

Optámos por virar à direita e subir para o miradouro.

 

No meio deste jovem bosque de carvalhos, uma ou outra bétula, desabrochando,

12.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (95)

e, aqui e ali, um solitário azevinho.

13.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (107)

Um belo e jovem carvalhal onde apenas nos é permitido escutar o ruído das nossas pegadas. No tamanho de tanto silêncio, aqui e ali quebrado pelo chilrear de uma ou outra ave.

 

Até que, após uma esforçada, embora relativa, subida, por meio deste belo carvalhal sem folhas, deixando-nos ver todo o seu esplendor, conjugado com um bonito céu azul, chegámos ao miradouro de «Las Peñas del Veladero».

14.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (112)

Daqui observámos o Alto do Cinseiro ou Teixidelo, com 1609 metros de altitude, destacando-se, no seu sopé, o contrafogo, feito em 1989.

15.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (123)

Mais perto da nossa vista, eis parte do bosque do Tejedelo (Teixedelo). Trata-se de um bosque misto, dominado, na sua grande maioria, por carvalhos. No meio distingue-se bem a mancha de teixos, que apresenta copas com uma cor verde mais escura.

16.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (121)

Lemos atentamente os placards informativos ali colocados para melhor entendermos e interpretarmos a paisagem que à nossa frente estava presente. E descemos em direção aos «nossos» teixos milenares.

 

Enquanto descíamos, um ou outro teixo jovem, estendendo-nos os seus ramos, dava-nos as boas vindas,

17.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (168)

enquanto, por entre outros teixos jovens, descendentes dos velhos que iriamos visitar, ouvíamos os sons da correnteza da água de uma linha de água passando a  seu lado, alimentando-os.

18.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (182)

Na aproximação à ponte de madeira que nos conduziria ao santuário natural dos teixos milenares, Pablo pára para acariciar as folhas de um jovem teixo. Ele, que já é avô de dois jovens rapazes, bem sabe a importância do desvelo que devemos ter com as novas gerações para a propagação das espécies. Não fora ele um profissional da floresta e amante da natureza!

20.-2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (205)

Amigo Pablo aproveita para, aqui, levar imagens do lugar,

20a.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (219)

com os seus regatos espalhando as suas águas pelo bosque.

20b.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (227)

Eis a singela e bem enquadrada ponte de madeira,

21.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (229)

último obstáculo à entrada no átrio deste santuário natural e por onde o amigo Pablo passa,

22.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (198)

e nós também passámos

23.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (212)

para o visitarmos e contemplarmos.

 

Entrámos no recinto.

26.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (235)

Pablo não resiste a aproximar-se de um teixo, num gesto de o querer abraçar.

27.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (241)

A modos de jogar às escondidas connosco, tal com fazem as crianças, vai-nos dizendo: “António, vê que velho é este!”

28.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (331)

E, ao longo da passarela, não cessa de tirar fotos a estas velhas catedrais naturais,

29.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (328)

procurando-nos enquadrar na cena.

30.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (246)

Começámos a percorrer, agora mais em pormenor e a fundo, este santuário natural.

31.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (354)

Mas Pablo, qual criança enfeitiçada, não se cansa de fotografar!

32.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (356)

Subimos o escadório que acompanha estes velhos habitantes do bosque,

33.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (272)

que mais nos parecem figuras fantasmagóricas.

33a.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (319)

(Figura fantasmagórica I)

33b.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (324)

(Figura fantasmagórica II)

33c.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (326)

(Figura fantasmagórica II)

33d.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (291)

(Figura fantasmagórica IV)

De repente, do outro lado do trilho por onde viemos, aparece-nos um casal alemão, vivendo em Corunha, de visita também ao lugar. Metemos conversa, falando do encanto deste lugar. Despediram-se de nós, ao lado de dois velhos e milenários guardiões deste templo, seguindo os dois o seu próprio caminho.

34.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (307)

Antes de nos despedirmos deste um pouco mais jovem

35.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (264)

 

bem assim desta mais velha e vetusta catedral natural, agarrada com tantas raízes a esta terra, que tão bem conhece de séculos,

39.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (303)

Pablo, para recordação perene, pede-nos que lhe tiremos uma fotografia no meio destes dois «colossos».

41.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (335)

Feita a sua vontade, despedimo-nos deste tão encantador santuário de teixos, por entre regatos de água cristalina que os alimenta.

42.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (340)

Uma nota crítica, e construtiva, aqui fica, aliás partilhada por outros amigos com quem falámos e outros que lemos: não será exagerada tanta passarela? Nós sabemos que os teixos são o top model deste lugar, contudo não seria necessário tanta imponência de construção em madeira, ofuscando e competindo com tanta beleza natural!...

 

Descemos agora, dirigindo-nos para o bosque de carvalhos e bétulas, povoado de enorme pedras, cobertas de musgo.

43.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (358)

(Perspetiva I)

44.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (391)

(Perspetiva II)

Atravessada esta pequena ponte de madeira,

45.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (383)

onde, de cada um dos lado, à entrada, dois jovens teixos nos aguardam para agradecer a nossa visita

46.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (372)

Daí a uns poucos metros, estávamos outra vez junto à placa sinalizadora que dizia «Mirador Las Peñas del Veladero». Acabava aqui o nosso percurso circular e dávamos início, outra vez, ao mesmo percurso linear que nos trouxe até aqui, agora em sentido contrário, de ida, sempre a descer até ao parque de estacionamento, onde tínhamos iniciado este nosso trilho pelo “El Bosque del Tejedelo”, percorrida que foi a distancia de 5,2 Km.

 

Apresentação os dados sobre a distância e duração do percurso

2018.- 35.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo 02 SH

bem assim a velocidade elação do trilho.

2018.- 35.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo 03 SH

 Temos a agradecer ao nosso amigo Pablo Serrano Moreno pela sugestão deste trilho e pela sua companhia, com a sua habitual boa disposição e útil informação que, constantemente, nos ia prestando.

 

Bem hajas, pois, amigo Pablo!

 

E, já agora, pela nossa parte, amigo Pablo, deixamos-te aqui, entre outras em carteira, uma sugestão:

 

- Que tal visitarmos, em San Justo de Sanabria, no Santuário de La Alcobilla, os exemplares de castanheiros, com mais de 1 500 anos, no próximo outono?...

 

Deixamos, finalmente, à visualização dos nossos leitores um pequeno diaporama sobre este 

 

TRILHO INTERPRETATIVO DO TEJEDELO - REQUELO/SANÁBRIA

 

Genérico do trilho 01

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