Terça-feira, 9 de Outubro de 2018

Memória de um andarilho por terras da Ibéria - Caminhada ao Pico Vizcodillo e Lago de Truchillas

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO POR TERRAS DA IBÉRIA

 

PARQUE NATURAL DO LAGO DE SANÁBRIA E ARREDORES

 

CAMINHADA AO PICO VIZCODILLO E LAGO DE TRUCHILLAS

(30.agosto.2018)

01.-

 Desde a nossa subida até ao pico mais alto da SanábriaPeña Trvinca, entre as províncias de Zamora (Castela e Leão) e Ourense (Galiza) -, através do Porto de Sanábria, tínhamos vindo a ser desafiado pelo amigo Pablo Serrano para irmos até Vizcodillo, o 2º ponto mais alto do Parque Natural do Lago Sanábria e Arredores, depois de Peña Trevinca.

 

A não ser uma incursão de pouco mais de oito dias, com Florens, na primavera, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, este ano, pela nossa parte, e por razões imponderáveis, de natureza familiar, foi parco em saídas para efetuar caminhadas pela nossa linda Ibéria.

 

Depois de uma hibernação de quase quatro meses, e um pouco mais descomprimido, definitivamente aceitámos o desafio de Pablo. E fomos, então, no dia 30 de agosto passado até ao Pico de Vizcodillo, passando pelo Lago de Truchillas, ali pertinho.

 

Vizcodillo encontra-se em plena serra da Cabrera, com uma orientação este-oeste, separando a vertente zamorana de Sanábria da leonesa de Baña. Os seus picos mais significativos são o Picón, Faeda e, naturalmente, Vizcodillo, com 2122 metros de altitude, ou seja, com apenas menos cinco metros que o de Peña Trevinca. Todos eles pertencentes ao Maciço Galaico-Leonês.

 

Normalmente, distingue-se a Cabrera Baixa, que corresponde ao traçado ocidental da serra, e que vai desde Peña Vidulante até ao cerro ou colina posterior – o Alto do Peñon ou Alto de Escudero -, sendo a sua elevação maior o Picón, com 2019 metros de altitude.

 

A serra Cabrera Alta ou Serra Negra é onde se situa Vizcodillo, o pico com maior altura desta serra.

 

Embora nos tenhamos levantado cedo, quase de madrugada, o certo é que, de Chaves, passando por Verín, onde fomos ao encontro do amigo Pablo, já passavam das 10 horas e 40 minutos (hora espanhola) quando demos início à nossa caminhada.

 

Estacionámos a viatura num pequeno aparcamento, nas proximidades do Alto do Peñon ou Alto de Escudero, numa altitude de 1841 metros, depois de andarmos por uma estrada de montanha sinuosa e com um piso em fraco estado.

 

O lugar onde estacionámos serve de divisória natural entre as vertentes serranas zamorana e leonesa.

 

Mal nos preparávamos para dar início à nossa caminhada, aparece-nos este simpático motoqueiro, vindo, por terras da montanha leonesa, de Benavente.

02.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (06)

Logo de início, esperava-nos uma pequena subida, na abrupta vertente leonesa sanabresa, até chegarmos ao Alto dos Alamicos.

 

Contudo, nosso intento, mais que efetuar uma caminhada, era fazer um calmo e vagaroso passeio.

 

Daí, aqui e ali, Pablo parava para não só nos indicar as diferentes espécies autóctones, que proliferam por estas bandas, como para apanhar – e comer – pequeninos mirtilos («arandanos») silvestres.

03.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (7)

Ao nosso redor, do lado esquerdo, eis a mole de Teleno.

04.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (10)

O solo, por onde passávamos, num simples e estreito carreiro, de pé posto, coberto de pequenos e rastejantes arbustos típicos destas paragens, era composto por estes blocos de pedra, de rochas soltas.

05.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (13)

Andando um pouco mais, ao longe, já visionávamos a grande mole de Vizcodillo, com dois picos. O da direira é o Vizcodillo.

06.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (14)

Trata-se, como já afirmámos, da segunda montanha mais alta da Sanábria, com perfis suaves, arredondados, aliás, como quase todas as montanhas da zona,

07.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (18)

apresentando as maiores escarpas na vertente leonesa.

 

Pelo caminho, em passo pausado, tínhamos tempo para observar a vegetação autóctone, rasteira, resistente à inclemência do clina, como esta «sabina».

08.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (20)

A certa altura, inopinadamente, Pablo dá conta de uma «rabeca». Ele consegue ainda captá-la com a sua objetiva. Nós não fomos a tempo.

 

Embora a sinalização aqui seja muito fraco, simplesmente composta por uns frágeis paus de madeira e muitas «mariolas» feitas pelos diferentes caminheiros, tendo em conta que estamos num dos parques mais emblemáticos de Espanha, com alguma atenção e cuidado, estando bem atentos a pequenos sinais de trilho, lá nos fomos desenrascando e não nos perdermos.

 

E não descurámos de contemplar a composição rochosa, composta maioritariamente por quartzitos, e a florística de seu solo, bem assim, uma vez mais, a imensa mole do Teleno, que não nos largava, sempre a nossa esquerda, tendo como pano de fundo o vale do rio Truchas.

09.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (23)

Chegou a altura, depois da passagem por esta passadeira verde e lilás,

10.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (26)

e por uma zona mais rochosa,

11.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (28)

agora mais acompanhados por um tapete mais predominantemente lilás,

12.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (29)

de fazer uma paragem. E observarmos os frutos desta «sabina».

13.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (30)

O lugar convidava-nos a uma pausa. De contemplação e de relaxamento. Numa atmosfera saudável, de ar puro, de um agradável cheiro, por entre tanta cor de lilás!

14.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (31)

Olhando para trás, e do nosso lado esquerdo, muito perto da linha do horizonte, a albufeira («embalse») de Valparaíso e, escondida pelo conjunto montanhoso, a de Peña Mira.

15.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (32)

A paisagem que nos rodeava era um regalo para as nossas vistas!

16.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (34)

Começávamos, a partir daqui, a nossa verdadeira subida – se bem que, tendo ultrapassado apenas uma baixada, o trilho era todo a subir – com um piso mais rochoso, levando-nos ao cimo de Vizcodillo,

17.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (36)

ao longo de um entorno a constantemente nos convidar à sua contemplação!

18.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (39)

Sozinhos, sem um único murmúrio, estávamos, positivamente, entre o céu e a terra, respirando e usufruindo de paz e tranquilidade!

19.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (42)

Olhámos uma vez mais para trás. Agora sim, à nossa esquerda, sob plena serra Segundera e Cabrera, o Lago de Sanábria!...

20.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (46)

Estávamos já muito perto de atingir o Pico de Vizcodillo, ali à nossa frente. Vislumbrámo-lo com o «zoom» da nossa objetiva.

21.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (49)

Agora, para lá chegarmos, havia que trepar pelos enormes calhaus que o constituem, com muito cuidado, para não nos magoarmos ou provocarmos qualquer entorse.

 

Eis o nosso companheiro de jornada subindo pela montanha de calhaus, que constituem o Pico, com «ganas» de atingir, como ele dizia – a «cumbre».

22.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (51)

E, assim, chegávamos ao vértice geodésico de Vizcodillo!

23.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (52)

No cimo do Pico, e em jeito de brincadeira, amigo Pablo, apontava para esta pequena cova irregular e rugosa na rocha à nossa frente. E dizia-nos:

- a cama de Luciano!

24.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (54)

Era tempo agora de tirar as fotografias da praxe no cimo do Pico, no marco geodésico.

25.-2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (55)

Ao nosso redor tínhamos o Teleno, as serras Segundera e Cabrera, com a omnipotente e sempre presente Trevinca e seus satélites. Um espetáculo maravilhoso!

26.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (61)

(Perspetiva I – Com o Lago Sanábria, ao longe)

27.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (63)

(Perspetiva II – Com as albufeiras de Valparaíso e Peña Mira, ao longe)

Desde o nosso lugar de partida – o Alto de Peñón –, e até ao Pico de Vizcodillo, tivemos de ultrapassar, sensivelmente, mais de 300 metros de altitude.

 

Era tempo de descer.

 

E descemos ainda com mais cautelas do que quando subimos. As «rodillas», na nossa idade, acusam o desgaste dos anos!

28.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (59)

Depois da cautelosa descida, perdidos por entre o «brejo» anão, olhávamos para trás, observando o objetivo a que hoje nos tínhamos proposto – ter estado lá!

29.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (64)

E, porque tão perto, não podíamos perder de vista o Lago de Truchillas.

 

Para lá chegar, inexplicavelmente, perdemo-nos do trilho, caminhando com dificuldade por cima do duro «brejo», que parecia um imenso colchão duro, picando-nos os pés, e agora sob um sol que, a pique, queimava.

 

O mesmo solo, com as mesmas rochas,

30.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (68)

e a mesma vegetação.

31.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (67)

(Pormenor I)

32.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (82)

(Pormenor II)

Felizmente, em pouco tempo, encarreirámos com o trilho e, em breves minutos, de complicada caminhada para nós, pois, em vez de botas de montanha, calcávamos umas simples e frágeis sapatilhas, chegávamos à vista do Lago de Truchillas. Ei-lo a nossos pés!

33.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (75)

Estávamos, positivamente, cansado. Precisávamos de uma pequena pausa – para descansar; contemplar este maravilhoso espetáculo; hidratarmo-nos e comermos qualquer coisa.

 

Sentámo-nos, pois, quer nós,

34.-

quer o amigo Pablo.

35.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (79)

Pablo apresentava-se mais fresco e, passados uns minutos, subindo a um pedregulho, deu ordens de partida.

36.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (84)

O caminho continuava estreito, indefinido e pedregoso, aqui e ali.

37.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (85)

mas de encher as vistas com as suas paisagens.

38.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (87)

Depressa Pablo se apercebe que, por falta de treino, estávamos em dificuldade para, subindo, rodear o Pico Vizcodillo.

 

Por isso, com algumas pausas, rodeámos apenas o Barranco Malicioso. E não fomos, como seria nosso gosto, até à Lagoa com o mesmo nome. Por nós, porque estávamos cansados, pelo calor e pela subida em solo irregular; pelo Pablo, talvez por solidariedade para connosco e, quem sabe, face ao nome que a lagoa tem, por superstição. Quem sabe?!!!

 

Rodeado o Vizcodillo, acordámos em fazer uma pausa mais demorada para descansarmos um pouco. E sentámo-nos por uns minutos.

 

Depois daquela subida, e desta paragem, como por artes mágicas, para nós, o trilho tornou-se leve e, sem darmos por isso, nossos pés pareciam uma pena, voando. Vá lá entender o comportamento do corpo humano. Ou da nossa cabeça!...

 

Entretanto, pelo caminho, amigo Pablo não se cansava de «caçar» ângulos de paisagem para captar com a sua objetiva.

39.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (88)

Realizado o pequeno desvio de Vizcodillo para irmos ao Lago de Truchillas, voltámos ao nosso trilho inicial, de volta.

40.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (89)

Umas boas centenas de metros andados, olhando para trás, dizíamos adeus a Vizcodillo.

41.2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (90)

Depois de uma pequena descida, começou a nossa última subida até ao cimo do Alto de Peñón.

42.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (91)

À nossa frente, a imensa mole do Maciço Galaico-Leonês de Trevinca. Digno de se ver!

43.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (93)

Chegámos ao aparcamento onde estava a nossa viatura. Mudámo-nos e preparámo-nos para descer até San Martín de Castañeda, onde, ao fim da tardinha, iríamos assistir ao II Encontro Internacional de Mascarada Ibérica.

 

Mas antes, a meio do percurso, parámos aqui.

44.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (95)

Aqui nos hidratámos e comemos o resto da nossa merenda, enquanto, ao longe, vislumbrávamos, de dois, à direita, o Pico de Vizcodillo onde, poucas horas antes, no seu cume, tínhamos estado.

 

Deixámos aos nossos(as) leitores(as) o mapa do nosso trilho, com a nossa ida até ao Pico de Vizcodillo, ponteado a azul, e a nossa ida até às proximidades do Lago de Truchillas, e vinda, a vermelho.

45.- Mapa caminhada Pico Vizcodillo

Segundo a nossa app da SHealth, percorremos a distância de 10 Km 410 metros, em 3 horas e 54 minutos,

46.- IMG-20180831-WA0003

com a velocidade e a elevação constante do gráfico que abaixo se exibe, o qual mostra um erro, em termos de altitude, em cerca de 10 metros, por não estar devidamente aferido o GPS.

47.- IMG-20180831-WA0005


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Quinta-feira, 14 de Junho de 2018

Palavras soltas - Peña Trevinca - Desafios e Divagações (Dar voz aos territórios)

 

PALAVRAS SOLTAS

 

PEÑA TREVINA – DESAFIOS E DIVAGAÇÕES

- DAR VOZ AOS TERRITÓRIOS -

 

02.junho.2018

00.- 2018.- VI TransTrevinca (377)

 

(…) partilhamos (…) uma profunda empatia com a natureza,

 dela obtendo alimento emocional e psicológico”.

 

(…) ‘paisagem’ é um espaço misto de natureza e cultura,

onde o homem projeta ideais,

 necessidades e valores, numa relação de influência mútua”.

 

(…) certas experiencias e (…) certos caminhos nos apontam

 um melhor conhecimento dos outros e sobretudo de nós mesmos”.

 

(…) paisagens (…) nunca surgem apenas como ornamento,

antes como uma força poderosa tão marcante quanto uma personagem (…).

 

Isabel Alves,

«Fragmentos de Memória e Arte

- Os Jardins na ficção de Willa Cather»

 

 

Ao cume de Peña Trevinca já o ano passado, em agosto, tínhamos lá chegado, vindos de Porto de Sanábria. Quanto a esta caminhada os leitores(as) podem, querendo, consultar os seguintes sítios em que vem a reportagem que, na altura, fizemos:

 

  • Por terras da Ibéria – Caminhada do Porto de Sanábria a Peña Trevinca (Ida e Volta)

         I Parte – Ao longo do vale do rio Bibei;

  • Por terras da Ibéria – Caminhada do Porto de Sanábria a Peña Trvinca (Ida e Volta)

          II Parte – Ao encontro do rio Xares, por entre os «Montes mel»

  • Por terras da Ibéria – Caminhada do Porto de Sanábria a Peña Trevinca (Ida e Volta)

          III Parte – Epílogo

 

Naquele agosto de 2017, daquele que os nossos vizinhos galegos (partilhando com os zamoranos e leoneses) chamam o teto da Galiza, podemos observar, deslumbrados, o vale glaciar do rio Tera. Na altura, ficámos com «ganas» de o percorrer, de lés a lés.

01.- 993.- Peña Trevinca

A oportunidade propiciou-nos a VI TransTrevinca, no passado dia 2 de junho – uma caminhada ou percurso de grande curso, que começou à meia-noite em Bragança e, percorrendo-se mais de 90 Km, foi até ao cume de Peña Trevinca, com regresso a Laguna de los Peces, cerca das 20 horas.

02.- 2018.- VI TransTrevinca (47)

Um percurso, na verdade, para jovens, «pesos leves», verdadeiros montanhistas. Nós, os mais velhos, «pesos pesados», ficámos pela etapa que liga a Laguna de los Peces até Peña Trevinca, cerca de 22 Km.

 

Se bem que também o nosso objetivo passasse , uma vez mais, por atingir a «cumbre» de Peña Trevinca, todavia, nosso desiderato maior, como acima referimos, era mais ir até ao encontro do circo glaciar do rio Tera e percorrê-lo, pelo menos, até às faldas de Peña Trevinca.

03.- 2018.- VI TransTrevinca (364)

Ao encetarmos esta caminhada, retinia na nossa memória o eco da leitura, feita na véspera, da obra de Isabel Alves, «Fragmentos de Memória e Arte – os Jardins na ficção de Willa Carther», quando, a dado passo, a autora diz que “partilhamos (…) uma profunda empatia com a natureza, dela obtendo alimento emocional e psicológico”.

 

Para nós, nada mais verdadeiro!

 

Por nós, andaríamos a maior parte do tempo de mochila às costas, embrenhando-nos pelos diferentes trilhos e veredas da Natureza, em especial da nossa Ibéria, indo ao encontro da matriz, das nossas raízes, da nossa história primeva – do território e das suas gentes - por entre o silêncio, a paz e a tranquilidade de espírito que ela nos proporciona. Sempre que trilhamos qualquer caminho da Ibéria, ele representa, a nossos olhos, ao nosso pulsar mais fundo, como um grande lenitivo, que nos faz sentir não só verdadeiramente vivos, como, dentro da pobreza do território que partilhamos, verdadeiramente grandes.

 

Sabemos que, em pleno século XXI, o Homem, na sua fulgurante arrogância de conquista incessante, quase sempre a qualquer custo ou preço, do nosso planeta Terra, poucos lugares deixou incólumes, verdadeiramente selvagens (wilderness, no sentido norte-americano do termo). As paisagens que vemos e os recantos que percorremos, em bom rigor, não é a verdadeira natureza que os nossos antepassados mais remotos conheceram. A natureza que hoje temos é já um «construto» humano. E não só:  um produto dos mais diversos fenómenos naturais que sobre ela, ao longo de milhões de anos, sobre ela atuaram. Mas é, precisamente, nesses pedaços de natureza ainda quase virgens que, percorrendo-os, meditamos, e neles projetando ideias, necessidades e valores, vamos não só informando-nos e conhecendo-os melhor como, consciencializando-nos, criamos e pugnamos por uma verdadeira postura ecológica.

04.- 2018.- VI TransTrevinca (270)

Parafraseando Isabel Alves, uma ética ambiental que apela “sobretudo no que respeita à espoliação dos recursos naturais do planeta e à fragilidade dos ecossistemas, demonstrando a necessidade de preservar a diversidade ecológica e incrementar a coexistência harmoniosa entre as formas naturais e as que são criadas pelo homem”.

 

E quão verdadeira é aquela asserção de Isabel Alves quando olhávamos extasiados o circo glaciar do Tera e o seu entorno, ao afirmar que as paisagens nunca surgem apenas como ornamento mas antes como uma força poderosa tão marcante quanto uma personagem…

05.- 2018.- VI TransTrevinca (164)

Conhecendo, ao longo dos milhões de anos, como se formou este território que pisámos, na verdade, ele, a nossos olhos, impõe-se com uma identidade forte, bem vincada, não deixando nenhum ser humano, que o percorre, indiferente.

 

É, manifestamente, face à nossa pequenez humana, uma poderosa personagem!

06.- 2018.- VI TransTrevinca (183)

E nós tivemos o feliz privilégio de estar com ela. De, com ela, e com quem nos acompanhava, de partilharmos um melhor conhecimento, não só do mundo, como de cada um de nós mesmos. Numa simbiose total entre o Homem e a Natureza. Ambos se influenciando.

07.- 2018.- VI TransTrevinca (116)

Nada melhor como nos encontrarmos connosco próprios. De embrenharmo-nos, profundamente, nos mais escaninhos lugares da mãe-natureza!

 

Lugares como este, da Sanábria, da nossa Ibéria, são, com efeito, lugares privilegiados.

08.- 2018.- VI TransTrevinca (243)

Não vai daí que sejamos um acérrimo iberista, tal como Oliveira Martins, no século XIX.

 

Não vamos falar do iberismo como teoria política, que apela ao unitarismo peninsular.

 

Mas também não estamos com a teoria de António Sardinha, embora concordemos quando ele afirma que nós vemos, a todo o instante, os nossos dois países – Portugal e Espanha - por mais desavindos que andem, regressarem, pela força das circunstâncias e dos acontecimentos, a um princípio de colaboração e entendimento, que antigos fatores de divisão não deixam depois consumar-se em consequências duradouras ou fecundas.

 

Estamos com António Sérgio, Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Fidelino de Figueiredo - entre outros intelectuais - marcados pela perspetiva peninsular de Oliveira Martins. Todos eles estavam bem conscientes da necessidade de situar a história e a cultura portuguesas num contexto peninsular. Todos (exceto Almada) consideraram a diversidade de culturas ibéricas nacionais – a unidade alimenta-se da diversidade -, embora as suas posições fossem bem diversas.

 

Ou seja, estamos, como afirma Sérgio Campos Matos, no seu artigo «Conceitos de Iberismo em Portugal» com aqueles que procuram “valorizar os nexos entre as ibéricas para a afirmação de um ‘nó cultural’ entre autores de Portugal, Brasil, ex-colónias portuguesas, Espanha e América Hispânica; das expressões espirituais e afetivas de Miguel Torga, em diversos passos da sua obra de poeta e prosador, com destaque para o seu Diário (…)”.

 

E, particularmente concordamos com António Sérgio quando afirma que a península Ibérica constitui um todo, dos mais diferenciados e caracterizados; um mundo por si, de diversidades e contrastes.

 

Em suma, no nosso entendimento, o que, positivamente, nos une – pese embora as diversas culturas e línguas que praticamos - é o mesmo território (comum) e as diferentes sagas que, entre nós, e contra terceiros, ao longo da História, tivemos.

 

E temos pena que alguns dos poucos amigos flavienses que temos, acérrimos defensores da sua identidade transmontana – e particularmente barrosã – quando os acompanhamos à descoberta das gentes – pouca, que resta – e do património – pouco, que sobra e do muito em ruína -, nos apelide «depreciativamente» de duriense.

 

Com muito orgulho afirmamos sermos nato nas terras berço da nossa nacionalidade, do Reino Maravilhoso que Torga fala, que é o nosso Trás-os-Montes. Do Portugal que somos, vindo de uma luta contra um inimigo comum - o islão -  e criado na luta principalmente contra os nossos irmãos da Ibéria, mais propriamente na peleja com os donos, senhores das terras e de reinos, da antiga Gallaecia romana.

 

Regressemos, para finalizar, ao nosso circo glaciar do rio Tera, na Sanábria para, em jeito de despedida, deixarmos aqui um pensamento final.

 

Segundo Winters, citado por Isabel Alves, referindo-se à autora sobre a qual analisa a sua obra – Willa Cather – “descriptions of landscape help us to understand freedom, imprisonment, immanence, community, connection, isolation, integrity, authenticity, and incommensurability (…) She truly gives the land a voice”.

 

Magistral!

 

995.- Peña Trevinca

 

 

nona


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Segunda-feira, 14 de Maio de 2018

Memórias de um andarilho por terras da Ibéria - Trilho Interpretativo do Tejedelo-Requejo/Sanábria

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO POR TERRAS DA IBÉRIA

 

TRILHO INTERPRETATIVO DO TEJEDELO (OU TEIXEDELO) – REQUEJO (OU REQEIXO)/SANÁBRIA

28.abril.2018

(Manhã)

 

00.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (301)

 

Introdução

 

O «culpado» desta nossa incursão pelo Tejedelo (ou Teixedelo) do Requejo (ou Reqeixo) foi o nosso amigo Pablo quando, no passado outono, numa deslocação que fizemos às Médulas, não se cansava de gabar os atributos e os encantos deste bosque de teixos milenares.

 

Ficámos, assim, curiosos e de, quando a altura se propiciasse, e o Florens pudesse, de marcar uma visita.

 

Entretanto, dificuldades de articulação com o seu calendário e horários profissionais impediram ao Florens de, nesta primavera, nos acompanhar.

 

Pablo ainda tentou encontrar companheiros(as) para ir connosco. Mas não foi possível, face à data que melhor nos convinha – 28 de abril, pela manhã.

 

Enquanto o dia não chegava, fomos obtendo o maior número de informação sobre este bosque de teixos.

 

Numa sociedade em que as tecnologias da informação e da comunicação imperam, como não podia deixar de ser, o nosso centro privilegiado de obtenção de informação foi a internet, com os seus sítios, quer de entidades institucionais, quer os blogues de pessoas ou grupos, particularmente daqueles que já tiveram – e relataram – a experiência de terem percorrido este «recanto» da Ibéria sanábrica.

 

De alguns sítios consultados, aqueles que mais nos retiveram a atenção, foram os seguintes:

 

Institucionais

     

         artigo da autoria de Carlos Fernández Ramírez

        

        

 

Blogues

         

         

Da informação respigada, vamos destacar alguns elementos que, aqui para este post, nos parecem mais pertinentes.

 

 

1.- O teixo (Taxus baccata)

 

É uma árvore conífera, própria de zonas montanhosas. Vive em ambientes frescos e húmidos, em terremos essencialmente calcários. Alguns deles podem atingir a altura de 20 metros. O seu desenvolvimento faz-se de forma muito desigual. A sua copa termina em pirâmide, com abundantes ramos. O seu tronco, com casca delgada, com tiras de cor pardo-avermelhado ou grisácea, é muito grosso, chegando algumas árvores a atingir alguns metros de diâmetro. As suas folhas são perenes, com 10 a 30 mm, dispostas em fileiras opostas, de uma cor verde escura.

01.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (374)

O teixo tem uma madeira muito dura e, por tal facto, era usada para os eixos dos carros de bois, bem como para cozinhar e aquecer as casas.

 

É uma árvore que dura muito tempo. Algumas delas podem atingir mais de 1 500 anos.

 

Árvore sempre verde, ao longo do ano, no outono exibe os seus característicos frutos vermelhos – as «teixas» -, frutos doces como as cerejas. Mas, cuidado! Tudo no teixo é venenoso, principalmente as suas folhas, à exceção da parte exterior vermelha e carnuda da «teixa», delicioso repasto para as aves nos invernos longos e duros.

 

Por debaixo dos seus ramos, podemos encontrar menos 2 ou 3 graus de temperatura no verão, bem assim mais 2 ou 3 graus no inverno, e 15% de humidade ambiental.

 

As copas do teixo, ao mitigarem o calor do verão e os gelos do inverno, são lugares propícios para refúgio de corsos e javalis.

 

No meio da sua ramagem nascem as martas e os gatos monteses.

 

À sua sombra imensa florescem as mais singulares plantas de montanha.

 

Os bosques de teixos são a pátria de musgos e líquenes.

 

O teixo é uma árvore de grande valor ecológico, biogeográfico e cultural.

 

A pressão humana e o fim do clima suave e húmido acabaram com grande parte dos bosques de teixo. Embora antigamente ocupassem grande parte da Europa, Ásia e norte de África, hoje em dia está relegado para uns poucos lugares. Aninhados entre as zonas rochosas da montanha, o teixo está presente em pequenas zonas de Espanha.

 

Do sítio da A.E.C.A.S., da autoria de Carlos Fernández Ramírez, gostaríamos que o(a) leitor(a) atentasse aos «Valores do teixo» como:

  • Uma relíquia botânica que remonta ao jurássico – mais de 100 milhões de anos;
  • Representante da vegetação primeva da Península Ibérica, há mais de um milhão de anos;
  • Uma árvores que vai crescendo toda a vida, sendo uma das espécies que duram muitos mais anos;
  • Uma árvore de germinação difícil, que leva cerca de 40 anos a desenvolver-se e ser fértil;
  • Encontra-se em perigo de extinção na Europa, Ásia e norte de África, em virtude do seu derrube pelo homem; pelos incêndios e pelo clima atual, mais seco e extremo;
  • Um valor cultural – é um símbolo de eternidade, da vida e da morte. Não é por acaso que encontramos alguns exemplares nas praças, igrejas e cemitérios de muitos povos europeus;
  • De grande importância histórica: a sua madeira é de grande dureza e flexibilidade. Foi utilizada na antiguidade para construir armas de guerra e, no Egito, para fazer sarcófagos. Foi também, e como já fizemos referência, utilizada pelos vikings, na época medieval, para o eixo dos seus carros.

 

2.- O bosque do Tejedelo (ou Teixedelo) em Requejo (ou Requeixo)/Sanábria

 

O bosque do Tejedelo (Teixedelo) encontra-se na localidade de Requejo (Requeixo), na província de zamora/Sanábria, numa zona fronteiriça, onde as serras Cabrera e Segundera a separam de Leão, Galiza e Portugal.

 

O bosque do Tejedelo (Teixedelo) está a 1 350 metros de altitude, numa encosta com uma pendente de 20%, orientada a norte. Está acantonado num vale, entre rochas de granito e xisto, escavado pelos glaciares dos gelos quaternários, numa zona sombria, num pequeno rincão entre a serra da Parada e a Gamoneda, em solo ácido e com pouca matéria orgânica.

 

O bosque do Tejedelo (Teixedelo) é uma pequena área de, somente, 139 hectares, estando nele integradas 100 árvores de teixo com mais de mil anos de idade, por entre outros teixos, seus herdeiros mais jovens. A área dos teixos é somente 7,5 e 0,7 hectares. Mas trata-se de uma das manchas de teixo mais importante e melhor conservadas, dizem, de toda a Península Ibérica.

 

Estes 100 velhos, milenares teixos, habitantes deste bosque, encontram-se resguardados num ambiente fresco e húmido, tendo alternância de frio e seca, e, em muitas ocasiões, cobertos de neve.

 

No Tejedelo (Teixedelo) predominam as plantas de distribuição nortenha. No final de contas, trata-se de um bosque misto, dominado essencialmente por carvalhos (robles) [Quercus robur], convivendo com (poucos) azevinhos (Ilex aquifolium), tramazeiras (Sorbus aucaparia), avelaneiras (Corylus avellana), salgueiros (Salix), sanguinhos ((Rhanmus glandulosa) e amieiros (Alnus glutinosa).

 

Quanto à fauna, neste bosque podemos encontrar, para além da marta e do gato montês, alguns passeriformes, como o tordo, os rubins e a cotovia. A águia real, a cegonha branca e o milhafre também por aqui aparecem.

 

No seu ribeiro, o Tejedelo (ou Teixedelo), afluente do rio Castro, que corre mais ao fundo, no vale, nas proximidades de Requejo (Requeixo), e suas linhas de água, a rã de pata larga e a salamandra, são os seus mais assíduos clientes.

 

Podemo-nos dar conta das pegadas dos corsos, martas e raposas. E, com alguma sorte, e se formos em silêncio, pode acontecer que nos cruzemos com algumas destas espécies. Infelizmente, não foi o que aconteceu connosco naquele dia 28 de maio passado.

 

Ainda quanto à fauna, diz o sítio da A.E.C.A.S., que também se podem encontrar exemplares da raça bovina alistano-sanabresa, declarada em perigo de extinção.

 

Diz-se ainda no mesmo sítio, de acordo com a informação de Carlos Fernández Ramírez, que o aproveitamento do bosque do Requejo (Requeixo) era comunal. Dando aos habitantes do seu entorno, entre outras utilidades, lenha, madeira, alimento e cama para o gado, corantes para tingir os tecidos do vestuário, bem assim proteção contra os raios e mau olhado (pondo os seus ramos em suas casas) e, inclusive, substituindo os ramos de oliveira nas janelas no Domingo de Ramos.

 

3.- Como chegar ao bosque de Tejedelo (ou Teixedelo) em Requejo (ou Requeixo)/Sanábria

 

Para se lá chegar, temos que ir ao município de Requejo (Requeixo) de Sanabria.

 

De Verín, seguimos a autovia A52 e saímos dela na «Saída 91», para Requejo (Requeixo), continuando depois pela N-525. Aproximadamente no Km 95 desta estrada, viramos à esquerda, seguindo por uma estrada local na qual podemos ver a indicação de «El Tejedal».

 

Seguimos esta estrada local durante 1, 5 Km até encontrarmos um cruzamento. Neste cruzamento viramos à direita e vamos encontrar um caminho não asfaltado – que, com o carro, há que seguir com cuidado – pois seu piso é irregular e ficou agora mais deteriorado com o movimento das viaturas dos trabalhos da linha do AVE, que passa por aqui, nas proximidades do túnel de Padronelos.

 

Percorremos sensivelmente 3 Km neste caminho e vamos ter a um pequeno parque de estacionamento, lugar onde precisamente começa o nosso trilho.

 

4.- O nosso trilho

 

Aparcámos a nossa viatura no pequeno parque de estacionamento e, contornando esta enorme cancela,

01a.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (3)

iniciámos o nosso trilho, subindo por cima do vale do rio Castro, atravessando antigas pastagens comunais, constituídas compactamente por urzes (brejos) e giestas.

 

Enquanto subíamos, olhávamos para trás, para a nossa direita, e, debaixo da nossa vista, a velha linha de caminho de ferro «carrilhana» que, aquando da sua construção (particularmente o seu túnel, que leva a Padronelo, tantas mortes, aos trabalhadores da zona que nela labutavam, particularmente os de Requejo (Requeixo), causou.

02.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (9)

A seu lado, a construção de uma nova linha, com o respetivo túnel, - a do AVE.

03.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (55)

Fomos subindo devagar. E, pouco a pouco, do alto em que caminhávamos, íamos tirando fotografias para a paisagem que, às nossas costas, lentamente desaparecia.

 

Quanto à paisagem que íamos avistando à subida deste lugar, o autor do blogue «Mareando La Perdiz», lamentando-se, refere o pouco entusiasmo que se pode ter ao aterrar neste lugar tão castigado pelo progresso, por via da construção da(s) linha(s) de caminho de ferro; os golpes feitos na encosta vizinha para a construção da autovia A-52 e o parque eólico. Um impacto brutal! Não só em termos paisagísticos como também nos enormes gastos que, por via do progresso, aqui se teve de efetuar, diz.

 

Mas depressa realmente estas imagens tão impactantes vão ficando para trás, desaparecendo das nossas vistas, conforme íamos subindo. Para quem é amante da natureza pura, tratou-se apenas de um episódico pesadelo.

 

A certa altura, o nosso trilho abranda na subida.

 

Junto a uma área de repouso, com um merendeiro,, aparece-nos uma ponte de madeira sobre o ribeiro do Tejedelo (Teixedelo), rodeado de bétulas.

04.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (15)

Aproveitámos para fazer uma paragem e descansar um pouco.

 

Pela primeira vez, na margem do ribeiro, à nossa esquerda, encontrámos o primeiro, e jovem, teixo.

05.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (18)

 Este lugar encantou-nos. Não deixámos, por isso, de permanecer aqui mais um bocadinho para tirar fotografias ao ribeiro, com sua ponte e entorno. Lugar encantador!

06.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (40)

Não nos lembrou de tirar uma série de fotografias à pequena cascata para fazermos um «gif». Fica aqui, porém, a do autor do blogue «Mareando La Perdiz», que por aqui também andou.

06a.- 15-(58)-ANIMATION

Continuámos a subir,

08.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (44)

acompanhando o monte de antigas pastagens comunais coberto agora quase exclusivamente de urzes.

09.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (66)

Feito o percurso de encosta, a páginas tantas, começou a suavizar e encontrámos um desvio, à direita, com uma placa sinalizadora, dizendo: “Mirador Las Peñas del Veladero».

10.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (87)

Acabava aqui uma primeira parte (quase exclusivamente a subir) do trilho linear, com 1,5 Km percorrido. Neste lugar, começa agora a parte circular do nosso trilho e temos de fazer uma opção: ou seguirmos em frente ao encontro direto dos velhos e milenares teixos e, visitados que sejam bem como o miradouro de «Las Peñas del Veladero», aqui regressarmos, ou então virarmos à direita e, penetrando no jovem bosque de carvalhos,

11.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (110)

sempre a subir, dirigirmo-nos ao tal miradouro de «Las Peñas del Veladero», seguindo depois para o santuário natural dos velhos teixos.

 

Optámos por virar à direita e subir para o miradouro.

 

No meio deste jovem bosque de carvalhos, uma ou outra bétula, desabrochando,

12.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (95)

e, aqui e ali, um solitário azevinho.

13.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (107)

Um belo e jovem carvalhal onde apenas nos é permitido escutar o ruído das nossas pegadas. No tamanho de tanto silêncio, aqui e ali quebrado pelo chilrear de uma ou outra ave.

 

Até que, após uma esforçada, embora relativa, subida, por meio deste belo carvalhal sem folhas, deixando-nos ver todo o seu esplendor, conjugado com um bonito céu azul, chegámos ao miradouro de «Las Peñas del Veladero».

14.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (112)

Daqui observámos o Alto do Cinseiro ou Teixidelo, com 1609 metros de altitude, destacando-se, no seu sopé, o contrafogo, feito em 1989.

15.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (123)

Mais perto da nossa vista, eis parte do bosque do Tejedelo (Teixedelo). Trata-se de um bosque misto, dominado, na sua grande maioria, por carvalhos. No meio distingue-se bem a mancha de teixos, que apresenta copas com uma cor verde mais escura.

16.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (121)

Lemos atentamente os placards informativos ali colocados para melhor entendermos e interpretarmos a paisagem que à nossa frente estava presente. E descemos em direção aos «nossos» teixos milenares.

 

Enquanto descíamos, um ou outro teixo jovem, estendendo-nos os seus ramos, dava-nos as boas vindas,

17.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (168)

enquanto, por entre outros teixos jovens, descendentes dos velhos que iriamos visitar, ouvíamos os sons da correnteza da água de uma linha de água passando a  seu lado, alimentando-os.

18.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (182)

Na aproximação à ponte de madeira que nos conduziria ao santuário natural dos teixos milenares, Pablo pára para acariciar as folhas de um jovem teixo. Ele, que já é avô de dois jovens rapazes, bem sabe a importância do desvelo que devemos ter com as novas gerações para a propagação das espécies. Não fora ele um profissional da floresta e amante da natureza!

20.-2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (205)

Amigo Pablo aproveita para, aqui, levar imagens do lugar,

20a.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (219)

com os seus regatos espalhando as suas águas pelo bosque.

20b.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (227)

Eis a singela e bem enquadrada ponte de madeira,

21.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (229)

último obstáculo à entrada no átrio deste santuário natural e por onde o amigo Pablo passa,

22.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (198)

e nós também passámos

23.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (212)

para o visitarmos e contemplarmos.

 

Entrámos no recinto.

26.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (235)

Pablo não resiste a aproximar-se de um teixo, num gesto de o querer abraçar.

27.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (241)

A modos de jogar às escondidas connosco, tal com fazem as crianças, vai-nos dizendo: “António, vê que velho é este!”

28.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (331)

E, ao longo da passarela, não cessa de tirar fotos a estas velhas catedrais naturais,

29.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (328)

procurando-nos enquadrar na cena.

30.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (246)

Começámos a percorrer, agora mais em pormenor e a fundo, este santuário natural.

31.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (354)

Mas Pablo, qual criança enfeitiçada, não se cansa de fotografar!

32.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (356)

Subimos o escadório que acompanha estes velhos habitantes do bosque,

33.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (272)

que mais nos parecem figuras fantasmagóricas.

33a.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (319)

(Figura fantasmagórica I)

33b.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (324)

(Figura fantasmagórica II)

33c.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (326)

(Figura fantasmagórica II)

33d.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (291)

(Figura fantasmagórica IV)

De repente, do outro lado do trilho por onde viemos, aparece-nos um casal alemão, vivendo em Corunha, de visita também ao lugar. Metemos conversa, falando do encanto deste lugar. Despediram-se de nós, ao lado de dois velhos e milenários guardiões deste templo, seguindo os dois o seu próprio caminho.

34.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (307)

Antes de nos despedirmos deste um pouco mais jovem

35.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (264)

 

bem assim desta mais velha e vetusta catedral natural, agarrada com tantas raízes a esta terra, que tão bem conhece de séculos,

39.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (303)

Pablo, para recordação perene, pede-nos que lhe tiremos uma fotografia no meio destes dois «colossos».

41.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (335)

Feita a sua vontade, despedimo-nos deste tão encantador santuário de teixos, por entre regatos de água cristalina que os alimenta.

42.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (340)

Uma nota crítica, e construtiva, aqui fica, aliás partilhada por outros amigos com quem falámos e outros que lemos: não será exagerada tanta passarela? Nós sabemos que os teixos são o top model deste lugar, contudo não seria necessário tanta imponência de construção em madeira, ofuscando e competindo com tanta beleza natural!...

 

Descemos agora, dirigindo-nos para o bosque de carvalhos e bétulas, povoado de enorme pedras, cobertas de musgo.

43.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (358)

(Perspetiva I)

44.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (391)

(Perspetiva II)

Atravessada esta pequena ponte de madeira,

45.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (383)

onde, de cada um dos lado, à entrada, dois jovens teixos nos aguardam para agradecer a nossa visita

46.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (372)

Daí a uns poucos metros, estávamos outra vez junto à placa sinalizadora que dizia «Mirador Las Peñas del Veladero». Acabava aqui o nosso percurso circular e dávamos início, outra vez, ao mesmo percurso linear que nos trouxe até aqui, agora em sentido contrário, de ida, sempre a descer até ao parque de estacionamento, onde tínhamos iniciado este nosso trilho pelo “El Bosque del Tejedelo”, percorrida que foi a distancia de 5,2 Km.

 

Apresentação os dados sobre a distância e duração do percurso

2018.- 35.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo 02 SH

bem assim a velocidade elação do trilho.

2018.- 35.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo 03 SH

 Temos a agradecer ao nosso amigo Pablo Serrano Moreno pela sugestão deste trilho e pela sua companhia, com a sua habitual boa disposição e útil informação que, constantemente, nos ia prestando.

 

Bem hajas, pois, amigo Pablo!

 

E, já agora, pela nossa parte, amigo Pablo, deixamos-te aqui, entre outras em carteira, uma sugestão:

 

- Que tal visitarmos, em San Justo de Sanabria, no Santuário de La Alcobilla, os exemplares de castanheiros, com mais de 1 500 anos, no próximo outono?...

 

Deixamos, finalmente, à visualização dos nossos leitores um pequeno diaporama sobre este 

 

TRILHO INTERPRETATIVO DO TEJEDELO - REQUELO/SANÁBRIA

 

Genérico do trilho 01


publicado por andanhos às 09:15
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