Sábado, 17 de Março de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.1.2)

 

4.- Outras Igrejas e Capelas

 

4.1.- Asilo-igreja do Santo Anjo

 

O Asilo-igreja do Santo Anjo – hoje colégio – forma um conjunto construído em estilo neogótico.

 

 

A obra foi projectada e dirigida pelo arquitecto Daniel Vásquez Gulías.

 

 

Na fachada destaca-se o Anjo da Guarda, obra do escultor Daniel Piñeiro.

 

4.2.- Capela do Seminário Menor da Imaculada

 

Expoente da arte religiosa ourensana dos finais do século XIX.

 

 

Aqui domina o neogótico, o classicismo, o historicismo e o eclectismo: uma sinfonia de elementos e formas diacrónicas.

 

 

O projecto é do professor de arquitectura D. Javier Cantón.

 

No adro, 15 estátuas, de estilo italianizante.

 

 

Está situada na Vista Fermosa, logo abaixo do Seminário Maior.

 

4.3.- Igreja de Santiago das Caldas

 

Possui três naves. É de estilo neogótico.

 

(Fachada Principal)

 

O seu arquitecto foi José María Basterra, de Bilbao.

 

(Interior)

 

A obra foi concluída em 1925.

 

4.4.- Igreja de Nossa Senhora de Fátima

 

Está situada no Bairro do Couto, em terrenos doados em 1941 por duas senhoras devotas de Fátima.

 

(Fachada principal)

 

Em 1962 foi esta igreja consagrada por D. Francisco Blanco Nájera, bispo de Ourense.

 

(Adro - pastorinhos de Fátima)

 

 

4.5.- Seminário Maior

 

O Seminário Maior de Ourense, começou a funcionar em Novembro de 1803, no pontificado de D. Pedro Quevedo e Quintano, no edifício do Convento da Companhia de Jesus, entretanto expulsos.

 

Com as invasões francesas, aquelas instalações foram sucessivamente ocupadas pelos militares, como quartel, passando o seminário a funcionar em diversas instalações, desde o Paço Episcopal e o convento de S. Francisco. Até que em Maio de 1952, foi inaugurado novo edifício, na Vista Fermosa, pelo bispo, D. francisco Blanco Nájera.

 

É de linhas austeras, como se pode ver:

 

 

4.6.- Igreja dos Salesianos

 

(Exterior)
(Interior)

 

 

Enumeremos mais alguns edifícios, de carácter religioso:

  • Capela das Irmãs Carmelitas, sita na Praça do Correxidor, do arquitecto – Antonio Crespo Lopes
  • Capela das Irmãs dos Desamparados, sita na Estrada de Ourense a Ponferrada - hoje Avenida de Buenos Aires, do arquitecto – José Antonio Queralt
  • Igreja de Santa Teresinha de Vinteum;
  •  Igreja de Trás Hospital;
  •  Igreja do Sagrado Coração (sita na Carballeira);
  • São Pio X (sita na Mariñamansa);
  •  Igreja de Santa Luzia de Rairo, todas construídas na década de 60 do século passado e do traço do mesmo arquitecto – José Barreiro
  • Igreja de Santa Ana do Pino, construída em 1968
  • Igreja da Cruz Alta, construída na década de 70 no século passado
  • Igreja da Vista Fermosa e
  • Igreja do Cristo Rei de Lagoas, construídas na década de 80 do século passado, pelo traço dos arquitectos Chao e Garayzabal.

 

5.- Capela de São Cosme e Damião (“Belén" de Arturo Baltar ou "Belén" de Ourense)

 

Na década de 90 do século passado tive, pela primeira vez, e pela mão do então alcaide de Ourense, o privilégio de conhecer, na capela de São Cosme e Damião, o Presépio (ou Belén, como se diz pela Galiza) do escultor ourensano Arturo Baltar. Fiquei fascinado por aquela obra e pelo mundo que a mesma representava. Por isso, hoje, ao se falar dos valores artísticos e monumentais de Ourense, não resisto a vos apresentar o Presépio de Arturo Baltar, também conhecido por Belén de Ourense.

 

Na altura foi-me oferecido o livro “Belén de Baltar, Belén de Ourense – Capela de San Cosme e San Damian”, Concello de Ourense, 1992, o qual aqui nos vai servir de guia.

 

 

Assim, no livro cuja capa vos mostramos, pode ler-se, na apresentação que o então alcaide de Ourense, Manuel Veiga Pombo, fazia, o seguinte: «No ano de 1980, o concelho reabilitou a velha capela dos santos Cosme e Damião, fundada e doada à cidade, no século XVI, pelo cirurgião Xoan de Lares e sua mulher, Tareixa García de Nogueira, situada na praça que hoje leva o seu nome,

 

 

(…) para instalar o Belén de Baltar, considerando as especiais características do mesmo, sendo inaugurado, uma vez reconstruída a capela, pelo alcaide de Ourense, D. Xosé Luís López Iglésias, no ano de 1982».

 

(Parte Parcial da Fachada)

 

O edifício é de pequenas proporções, que mantem a sua unidade dentro de esquemas platerescos. Destaca-se a porta de acesso, ampla e em arco, tendo, no cimo da mesma, esculturas, em alto relevo, com as figuras dos santos patronos dos médicos, em atitude de recolherem a poção que lhe traz um anjo.

 

 

Dos lados laterais, uma escultura de cada lado, vestidos à época, e podem estar a representar doentes.

 

 

E continua, na sua apresentação Veiga Pombo: «O Belén, obra do escultor ourensano Arturo Baltar, compõe-se figuras de barro cozido que mostram as edificações religiosas, militares e civis mais representativas da nossa província, assim como os núcleos urbanos tradicionais da nossa geografia que com oleiros, lagares, fornos de pão, espigueiros e cabaceiros, palheiros, pombais, lavouras agrícolas, tradições populares, personagens populares, do primeiro quarto do século passado, já desaparecidos, mostra-nos um conjunto de tradições e formas de viver próprias do nosso povo, de singular beleza, num cenário singular, como o correr romântico de um rio entre castanheiros, pontes e moinhos, dando vida às cenas quotidianas numa formosa recordação da nossa terra».

 

(Presépio de Baltar - Panorâmica Geral)

 

«O conjunto é adornado com uma série de murais do nosso pintor Xaime Quessada que nos mostra paisagens entre o realismo e o abstraccionismo, num ambiente de castanheiros centenários. As tábuas e o friso são pintadas também por outro dos nossos pintores, Virxilio, com cenas ourensanas da paisagem urbana da nossa cidade».

 

«Baltasar, Quessada e Virxilio, nesta obra, formam uma completa trilogia das belas artes ourensanas contemporâneas (…) O Belén de Baltar, exposto de forma permanente, faz parte da cultura mais tradicional do ocidente desde o século XIII, com a representação feita de imagens com figuras populares, na encenação deste formoso acontecimento que o Natal»

 

(O autor e a sua obra)

 

José Luís López Cid, no prólogo, pergunta: «donde saem estas minúsculas figuras de matéria e da matéria mais elementar – o barro – que nos levam ao mais simples e mais desordenado dos mundos da aparência ou ao mais ordenado mundo dos sonhos (…)?» E depois continua «eliminada a agressão do cinzel e do escopo, os seres de Arturo Baltar nascem das mãos, imediatas, frágeis e carregadas de futuro, como no princípio (…) Estamos ante uma concepção post-moderna e, por sua vez, livremente encerrada numa fidelidade à terra, de onde estas criaturas vêm a nascer, o barro maternal da Galiza, que nunca foi tão amorosamente vivificado».

 

 

Segundo Alvarado Feijoo-Montenegro, em Janeiro de 1990, no jornal “La Region”, dizia: «O Belén de Baltar é algo mais que um presépio, no sentido lato do termo. Pode-se afirmar que constitui a mais fiel e emocionada cenografia do ambiente rural aldeão ourensano, pondo em evidência diversos tipos populares, alias com os quais o escultor partilhou e vivenciou. Para além disso, é antes de mais um museu de antropologia, um estudo acabado de personagens, costumes, ritos, ofícios, misturados com uma sábia eleição paisagística, adornada pela arte pictórica de Virxilio, nos seus painéis laterais e com o fundo imaginativo de Jaime Quessada. É, em suma, uma obra de arte cénica, pelo menos em Galiza; é um presépio elevado à categoria de monumento, de um conjunto escultórico de singular importância».

 

 

Vicente Risco, em Fevereiro de 1962, a propósito do seu grande amigo e da sua obra, dizia: «(…) Baltar modela figuras vivas, que são preferentemente ermitões, penitentes, peregrinos, alquimistas, bruxas, máscaras, seres, sem dúvida, deste mundo mas que procuram o outro, por boas ou más razões. (…) Baltar revive o humor com o mistério, e este é o barro mental que tem na cabeça e que depois leva ao outro barro com as mãos, convertido em massa humanizada, em pequenos volumes de curvas precisas e superfícies esboçadas, com luzes e sombras que lhes dão efeito de uma requintada expressividade».

 

 

Aqui ficam algumas das “figurinhas”, que mais me impressionaram, acompanhadas, aqui e ali, ora com o comentário/anotação do autor Arturo ora com uma quadra (poesia), de poetas e amigos galegos, apresentados, tal como no livro, por quadros ou painéis, quais retábulos de vida, em “busca da infância perdida”.

 

5.1.- Painel “Vila das Infantes” – Com o seu Castelo

 

 

A Aldea

 

No médio dun souto, ao pé dunha serra,

na cume dun monte, no fondo dun val,

coas chouzas de seixos telladas de colmo,

están as aldeas, o mundo rural.

 

Por riba das casas, a torre da eirexa

destácase airosa mostrando unha cruz:

abaixo, tristuras, misérias e loito,

nos ceos, feitizos, espranzas e luz.

 

(Valentin Lamas Carvajal, A musa das aldeas, 1890)

 

5.2.- Painel “Cena dos Campos” – Sucalcos de Toubes

 

 

 

5.3.- Painel “Cenas dos Campos” – Lavradores na vinhas

 

 

Garda o tesouro das pingas

en bolsas de araña o toxo,

pois quere aforrar dinheiro

Para por dentamia de ouro.

 

O serán, que pillou frío

ten un zaluco dos demos,

e por tirarllo, a coruxa,

anda metendolle medo.

 

(Florencio Delgado Guarriaran, Bebedeira, 1934)

 

5.4.- Painel “Cenas dos Campos” – Espantalho e leiteira

 

 

Anotação de Arturo Baltar:

“(…) A Rosa do Regueiro, nos anos da fome, com o leite para os senhores da cidade

 

5.5.- Painel “Caminho do forno” – Mulher com a pita

 

 

Comentário de Arturo Baltar:

“(…) Mas não vai para o Portal de Belén, mas sim para a casa do médico (…)”. Lá, como cá. Era tudo a mesma coisa! Simplesmente delicioso.

 

5.6.- Painel “Caminho do forno” – O oleiro

 

 

Anotação de Arturo Baltar:

“(…) O Manolo de Toira fez milhentas púcaras (…) noutro forno cozia o pão para os seus filhos que eram muitos. Há muito tempo que a roda está calada e a olaria vazia (...)”.

 

5.7.- Painel “Caminho do forno” – Forno “Das Quintás”

 

 

Anotação de Arturo Baltar:

“(…) Nas longas noites de inverno, eram os fornos refúgio de moços e velhos. Neles se fiava, cantavam e contavam lendas da Santa Campaña (…)”

 

5.8.- Painel “Caminho do forno” – Peregrino

 

 

Anotação de Arturo Baltar:

“(…) Os velhos caminhos, noutros tempos percorridos por um número sem conta de romeiros, encheram-se agora de silvas e cobras (…)” Felizmente que alguns, poucos ainda, estão sendo recuperados para outros fins.

 

5.9.- Painel “Caminho do rio” – Pastor tocando a Requinta

 

 

Anotação de Arturo Baltar:

“(…) Os rapazes do povo, noutro tempo, guardavam o gado, faziam gaitas, de canas da índia, e pequenos moinhos, nos regatos dos lameiros (…)”

 

5.10.- Painel “Caminho do rio – O carro

 

 

 

5.11.- Painel “Caminho do rio” – Meninos pescando na Pontella

 

 

 

5.12.- Painel “Aldeia de fundo de vila” – “Noalla” e “Nonó"

 

 

Comentário de Arturo Baltar:

“(…) A Nónó” e mais a “Noalla” eram duas peruas, boas moças e muito conhecidas no ambiente… A primeira teve um fim trágico, lá pelos anos trinta e tantos. A “Noalla”, já velha, montou taverna na rua Pelaio e dela viveu até que morreu, que foi quase aos cem anos. A lamparina de azeite que ilumina a imagem da Nossa Senhora do Carmo, que está perto das Burgas, manteve-se acesa, graças à sua generosidade, nos difíceis tempos do racionamento (…)”

 

5.13.- Painel “Aldeia de fundo de vila” – Par de namorados

 

 

 

5.14.- Painel “Aldeia de fundo de vila” – Casa do Passadiço

 

 

Anotação de Arturo Baltar:

“(…) Desde a varanda da Casa da Requiana, três meninos assistem ao passar dos Reis Magos (…)”

 

5.15.- Painel “Aldeia de fundo de vila” – Casa do Passadiço

 

 

NADAL

 

Hai unha estrela no ceo

meu amor!;

nos beizos unha canzón

doce ben!

Mainos arboredos

de froitos tan doces,

con homildes voces

vinde à vela frol

e tamén ó sol.

Neves das montañas,

augas dos regatos

que enchedes as lañas

de verdes follatos,

froiliñas dos matos

vinde à vela frol

é tamén ó sol.

Dende cotovía

que canta ó meñecer,

ata bicharía

que dá noxo ver,

todo vivo ser

vinde à vela frol

é tamén ó sol.

E vós, homes todos,

fozantes na terra,

as veces mais lobos

que lobos da serra,

esquecede a guerra,

vinde à vela frol

é tamém ó sol

 

(Avelino Gómez Ledo)

 

5.16.- Painel “Caminho de trás do rio” – O Fotografo é o “Rizo” (Foto de Família)

 

 

Anotação de Arturo Baltar:

“(…) Minha mãe sempre desejou ter um retrato connosco – os três irmãos. Os tempos eram muito maus e, ou por uma coisa ou por outra, nunca se fez. Eu sinto muito... (…)”. Por isso, neste presépio, Arturo Baltar cumpre, de forma embora póstuma, i desejo de sua mãe.

 

5.17.- Painel “Praça dos Ponxo” – Velhinha rezando às almas

 

 

Não resisto a transcrever os últimos parágrafos do conto “O Peto das Ánimas”, de Antón Risco, filho de Vicente Risco, e a propósito destas “alminhas”:

Cando cheguei daba (Arturo Baltar) os derradeiros toques a súa escultura en arxila. Representaba un peto de ánimas, mais con animiñas nada arrepiantes, por certo, con facianas de nenos ben inocentes e tranquilos. Unha delas tiña nas mans algo no que cuidei ver, alternativamente, unha bola de futebol ou un cráneo. Pregunteille:

- Que é isso?

- Pois non cho sei ben. Pode que non sexa outra cousa que un froito desses que maduram na outra banda.

- Xa me decato. Eu ben puidera que o seu gusto fora moito mais saborido do que a xente pensa.

 

O abraio nos seus ollos:

Abofé que o é! Pero é que o dis dun xeito…

Probáchello ti quizais algunha vez?

- Quen sabe! E ti?

Sorriume.”

 

5.18.- Painel “Casa dos Ponxo” - Espigueiro

 

 

5.19.- Painel “O Portal de Belén” - Pormenor

 

 

Anotação de Arturo Baltar:

“(…) Dois anjinhos velam o sono do Deus Menino (…) Segundo Segundo Alvarado Feijoo-Montenegro, o Anjo da Anunciação foi inspirado na bela figura que então tinha a D. Romanita Mosquersa, que vivia na rua Alba, e por quem Vicente Risco sentia uma grande admiração (vá lá cada um saber…)

 

5.20.- Painel “O Portal de Belén” – Pormenor

 

 

O Verbo

 

Recompoñer o mundo

para mais ir poñendo

sobre unha morte outra

até atinxir o tempo

que se vai polo ollo

de luz da ponte.

 

Bandeiras sulagadas

Noite

e señardá.

Latexa o Verbo.

 

(José Ángel Valente – Cantigas de alén, 1989)


publicado por andanhos às 01:45
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