Sábado, 30 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Os Moinhos de Folón e de Picón

 

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ADARILHO

00.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (74)


- «Andaina» pelos Moinhos de Folón e Picón -

20.maio.2018

 

1.- Os Moinhos de O Folón e O Picon

 

Estamos no Baixo Minho galego.

 

Os moinhos de que vamos falar estão situados nos lugares de Martín e Picón, paróquia de Santa Mariña, município de O Rosal, na encosta do Monte Campo do Couto, por onde corre o rio Cal, (afluente do Tamuxe ou Carballas), que, nas proximidades do Alto dos Olleiros, já no caminho de San Martiño, no Nivel, se divide em dois regatos - o Folón e o Picón.

 

O município de O Rosal, sob o ponto de vista geográfico, está situado entre o oceano Atlântico, o rio Minho e flanqueado por montanhas - a serra do Argallo e o Pico de Poza dos Corvos, que o delimitam e lhe dão a forma de uma vieira.

 

Diz a lenda de que quando Himicón, chefe dos Cartagineses, chegou a este vale de O Rosal, acreditou ter chegado ao Éden, ao Paraíso Terreal.

 

Apesar de O Rosal ser rico em vestígios pré-históricos, o que lhe dá mais fama é o conjunto etnográfico dos Moinhos de Folón e de Picón.

 

Trata-se de um conjunto de 67 moinhos hidráulicos, dispostos em cascata, em duas vertentes: 36, servidos pelas águas do Folón e, noutra vertente, 31 servidos pelas águas do Picón.

 

É considerada a maior concentração de moinhos hidráulicos em toda a Galiza e, porventura, uma das mais importantes concentrações de moinhos fluviais da Europa.

 

A orografia da zona permite-nos disfrutar de uma bonita paisagem e vistas para o Monte de Santa Tecla, para as localidades de Portugal, ribeirinhas com o Minho e com a foz, no Atlântico, do rio Minho.

 

A maioria destes moinhos estruturam-se em dois pisos de pedra, com o moinho situado na parte supeior e, no piso inferior, está localisada toda a maquinaria que move o moinho. Alguns deles possuem um bebedouro para os animais.

 

A maior parte dos moinhos datam dos séculos XVIII e XIX, embora existam referências quanto à sua existência já no século XVII.

 

Este moinhos tinham a função principal de moer o grão do milho maiz, trigo e centeio, embora, excecionalmente, tenha sido utilizado para moer mineral, tendo, por isso, sido mantidos a funcionar até ao século XX, altura em que se dá o quase seu total abandono.

 

Francisco Javier Torres Goberna, a 1 de maio de 2013, no seu blogue «Historia y arqueología. Naturaleza: Flora y fauna. Rutas e itinerarios», quanto a estes moinhos diz-nos que durante muito tempo pensou-se que a sua construção de deveu originalmente aos monjes do Mosteiro de Santa Maria a Real de Oia; contudo, na extensa bibliografia sobre este mosteiro não aparece nenhum documento que o confirme, o que faz pensar que, muito provavelmente, a sua edificação se deve a vizinhos ricos ou às «juradías» (uma forma de organização e distribuição da população durante a Idade Média) de Fornelos e Martín.

 

Aconselha-se vivamente os leitores a que se reportem ao blogue de Francisco Javier Torres Goberna para, aí, se inteirarem de como funcionam estes moinhos hidráulicos.

 

Em 1991, os alunos da Casa de Ofícios de O Rosal começaram os trabalhos de reabilitação dos moinhos de «Rogelio» e «A Duca». no ano de 1996, a Escuela Taller del Concello de O Rosal começou a reabilitação dos moinhos de Folón, que estavam totalmente abandonados.

 

Hoje em dia os moinhos estão cedidos, pelos seus proprietários, ao concelho de O Rosal para a sua exploração turística durante um período de 25 anos.

 

Em 1998, por Decreto 27/1998, de 22 de janeiro, a Consellería de Cultura, Comunicación Social e Turismo, da Xunta da Galicia, declarou este conjunto de moinhos com um BIC (Bem de Interesse Cultural). No diploma que o decreta diz-se que se consideram partes integrantes do lugar de valor etnográfico, para além das próprias edificações, que são os moinhos, também os sistemas hidráulicos para captação, retenção e distribuição das águas, em especial as de lugar de pesca, assim como os canais e regatos que conduzem a água até aos «cubos»; ao mesmo tempo, a ermida de San Martiño também será protegida, bem assim os caminhos tradicionais, em especial o de San Martiño, no qual ainda se conserva algum «posadero» e uma parte de pavimento aberto pela própria pedra com fundas rodeiras dos carros de bois. Sendo, desta feita, também parte integrante da proteção BIC - em termos de conservação, funcionalidade e localização - os caminhos de Martín e Cereixeira (onde estão situados e dispostos, em escada, no primeiro e segundo lanço, os moinhos do Folón).

 

Como nota final, o incêndio que assolou O Rosal, em 2013, após a posterior limpeza da zona, acometida à comunidade de montes, deixou a descoberto as pedreiras onde foi extraída a pedra para o conjunto de moinhos que estamos tratando. As primeiras pedras encontram-se perto do rio Cal, entre o Alto da Carboeira e o Rego da Enxubligada. São duas pedreiras donde se extrairam as pedras para os pés e para as mós dos moinhos, desde o século XVII até meados do século XX, quando deixaram de funcionar.

 

2.- O percurso


Saímos já um pouco tarde do Parque Natural do Monte Aloia e, o nosso percurso circular, entre 3,5 a 4 Km, com 205 metros de desnível, ao longo dos Moinhos de Folón e de Picón não se pode fazer com o tempo e a calma que mais desejaríamos para apreciar não só este belo conjunto como todo o seu entorno. Nomeadamente, e infelizmente, não tivemos tempo de ir visitar a capela de San Martiño bem assim, no rio Cal, as poças e saltos (cascatas de água).

 

Apresenta-se o Plano do nosso circuito.

01.- Plano-del-circuito

Esclarece-se que este trilho está homologado pela Federação Galega de Montanhismo como «ruta de senderismo» PR-G 94.

 

De autocarro, chegámos ao parque de estacionamento da «Ponte das Penas».

02.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (5)

 De imediato, começámos o nosso percurso, iniciando-o pelo lado esquerdo, no sentido dos Moinhos do Folón.

 

Imediatamente aparece-nos o Moinho das Laxes, onde se localiza o Posto de Informação Turística, que estava fechado.

03.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (2)

No início do nosso percurso,

04.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (10)

que corre paralelo ao ribeiro de Padín, começam a aparecer os moinhos,

05.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (9)

designados como Moinhos de Padín.

06.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (11)

Num deles, - explorado como bar, que não estava em funcionamento -, identificado como o nº 5, deste vertente do Folón, possui(a) uma estrutura para guarda ou recolha de animais.

07.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (13)

Cruzada uma pequena ponte de madeira,

08.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (21)

vamos ao encontro dos Moinhos de Maceira.

09.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (19)

O local, com o regato do Folón acompanhando-nos, com sua vegetação autóctone

10.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (31)

e suas pequenas cascatas, é encantador.

 

Vamos, agora, subindo mais um pouco.

11.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (33)

E os Moinhos de Maceira continuam a acompanhar-nos.

12.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (36)

Veja-se o rego de água que leva ao «cubo» do moinho que vimos na imagem anterior.

13.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (38)

Ultrapassada mais uma pequena ponte de madeira e uma pequena cascata de água, entrámos no Chan de Martín e

14.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (53)

eis os célebres Moinhos de O Folón, em cascata, no seu primeiro lanço!

15.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (49)

O nosso pessoal começa a trepar pelas escadas.

16.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (60)

 (Cenário I)

17.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (66)

(Cenário II)

Passámos pelo moinho nº 16, do conjunto de 36 desta vertente. Na ombreira da sua porta uma data - 1715.

18.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (58)

Ultrapassado o primeiro lanço de moinhos em cascata, e atravessado o Folón, com a sua pequena cascata,

19.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (78)

enfrentámos o segundo lanço de moinhos, também em cascata, no Chan da Cereixeira.

20.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (72)

Sensivelmente a meio deste segundo lanço, há uma espécie de miradouro. Deste miradouro, captámos, um primeiro cenário, com uma perspetiva dos seus moinhos;

21.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (80)

 um segundo cenário, tendo, ao fundo, a passagem do primeiro lanço de moinhos para o segundo lanço, ultrapassando o Folón;

22.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (91)

um terceiro cenário, com a perspetiva de alguns dos nossos companheiros a subirem esta ladeira pedregosa;

23.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (100)

um quatro cenário - uma pausa para descanso, pois a subida não é «pêra doce»!

24.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (101)

Deste miradouro, virando um pouco o nosso olhar para a esquerda - o Monte de Santa Tecla -, envolto em nevoeiro; ao fundo o vale de O Rosal.

25.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (109)

Continuámos trepando pelo Chan da Cereixeira acima, passando pelos últimos moinhos deste segundo lanço.

26.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (110)

Este moinho, datado, cremos, de 1848, tem uma inscrição, mas não sabemos o que seja.

27.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (116)

Estes são os dois últimos moinhos do segundo lanço de O Folón, no Chan da Cereixeira, já muitíssimo perto do Alto dos Olleiros.

28.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (120)

Muito perto deste último moinho do segundo lanço de Moinhos de O Folón,

29.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (145)

aproveitámos para descansar e esperar pelos mais retardadores, ainda, em dificuldades, subindo esta íngreme encosta.

30.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (143)

(Perspetiva I)

31.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (151)

(Perspetiva II)

32.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (153)

 (Perspectiva III)

Enquanto esperávamos e descansávamos, nossa objetiva não parava de trabalhar: veja-se, do Alto dos Olleiros, o primeiro lanço, em cascata, dos Moinhos de O Folón. Um espetáculo!

33.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (138)

Foi pena não termos virado à esquerda e, como já referido, não termos ido visitar a capela ou ermida de San Martiño...

 

Todos chegados ao Alto, e um pouco mais revigorados pelo descanso no fresco da erva, virando à direita, começámos a percorrer a segunda vertente do Monte Campo do Couto, indo ao encontro do caminho de San Martiño e aos 31 Moinhos de O Picón, também em cascata, mas mais dispersos, pelo meio de um pinhal.

34.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (155)

Por aqui passa o rio Cal e, exatamente neste local, perto destes dois moinhos, é o conhecido Nivel, onde, num pequeno depósito, e com o mesmo nível, são divididas as águas - para evitar as disputas dos vizinhos -, que vão formar o regato do Folón, para a esquerda, e o do Picón, para a direita.

35.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (157)

Vejamos mais em pormenor:

35a.- WDS.

O companheiro Adelino, à saída do pequeno depósito do regato do Picón, aproveita para beber água fresca e abastecer-nos.

36.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (162)

Já alguém dizia que este trajeto, por onde agora passamos, é de uma grande beleza. Concordamos. Não só pelo caminho em si, mas, fundamentalmente, pelas vistas que nos oferece, entre as quais, o vale de O Rosal e o Monte de Santa Tecla neste dia envolto de nuvens.

37.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (168)

Começámos a descer

38.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (173)

pelo caminho de San Martiño, uma antiga via por onde transitaram os carros de bois que transportavam o grão e a farinha,

39.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (182)

deixando gravadas na rocha as marcas das suas rodas (rodeiras).

40.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (180)

Uma nota. Em cada 11 de novembro, por este caminho,

41.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (194)

sobem os crentes de San Martiño, que vão em romaria até à sua capela/ermida.

 

Deixamos aos nossos leitores dois cenários referentes aos Moinhos de O Picón,

42.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (191)

(Cenário I)

43.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (198)

(Cenário II)

bem assim o término do caminho mais declivoso de San Martiño,

44.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (203)

no final do qual, o nosso amigo e companheiro Lucas, ao lado de Adelino, já vem com uma certa dificuldade.

45.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (210)

Mesmo quase no final do percurso, em frente à Casa da Pintora, o atleta Luís espera pelo grupo.

46.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (213)

Eis o grupo chegando.

47.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (217)

Rosa, feliz, embeleza-se ainda mais com as flores de uma sebe.

48.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (218)

Registámos, neste lugar, estas pinturas murais, referentes aos Moinhos.

49.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (215)

(Pintura I)

50.-. Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (216)

(Pintura II)

51.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (219)

(Pintura III)

Estávamos todos com pressa. Não só porque já se fazia tarde, mas também porque as empadas que o Lucas nos ofereceu para comermos no final do nosso dia, comemorando o seu dia de «cumpleaños», estavam impacientes para serem comidas. E que delíca estavam!

52.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (228)

Contas feitas: neste trilho, percorremos a distância de 3, 540 Km, numa hora e 13 minutos,

53.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (228)a

à velocidade e com a elevação que o quadro abaixo mostra.

54.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (228)b

 

 

3.- Notas finais

 

Este trilho, apesar de ser pequeno, merece um dia inteiro a ele dedicado, não só pelo conjunto de moinhos em si e pelo percurso, mas também pelo seu entorno e pelas paisagens que dele disfrutamos.

 

Para os amantes de fotografia é um local ideal para se captarem boas imagens: com calma e paciência.

 

E estamos com o autor do post PR - G 94 - Muíños de Folón e Picón [Galiza] (darasola), quando lhe dá 5 estrelas e considera este PR um "must do".

 

Para a elaboração deste post, servimo-nos da seguinte literatura:


* De Francisco Xavier Torres Goberna - Muíños de O Folón y O Picón (O Rosal) no seu blogue «Historia y arqueología. Naturaleza: Flora y fauna. Rutas e itinerarios», foi o texto mais consultado. E depois:

Cultura de Galicia - Todos los molinos do Folón y do Picón (O Rosal) son ya Lugar de Interés Etnográfico

Destino Infinito

El País - La ladera de los molinos

Galicia Máxica - Molinos de O Folón | GALICIA MAXICA

PR - G94 - Muíños de Folón e Picón [Galiza] (darasola)

Geocaching - Muiños de Folón-Picón

La Ruta de los Muiños do Folón e do Picón - Paisajes bucólicas e historia viva

La Voz de Galicia - Una reparadora escalada a los molinos de O Picón e O Folón

La Voz de Galicia - Localizan las canteras de las ruedas de los molinos del Folón y el Picón


Unarutacadadia - Molinos del Folón y del Picón

* Vigo en Familia - Muiños do Folón e do Picón. Una ruta única en Europa

VISITA A LOS MOLINOS DE O FOLÓN Y DE O PICÓN

Wikipedia - Molinos del Folón y del Picón

55.- WDS 02.- Molinos_del_Folón_y_del_Picón_-_Folón_&_Picón_watermills


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Sexta-feira, 29 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Parque Natural do Monte Aloia (III)

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

49a.- Rota do Monte Aloia (498)

 

- «Andaina» pelo Parque Natural Monte Aloia -


20.maio.2018

 

"Unha paisaxe chamativa
é o esqueleto que aproveitan
moitos pobos primitivos
para ergue-los seus mitos de importancia social".

 

KevinLynch

 


C.- TROÇOS («TRAMOS») DA PARTE DE TARDE


6.- Trilho Botânico

 

Este troço («tramo») da nossa «andaina» atravessa o «arboreto ilustrado» do Parque Natural,

50.- Rota do Monte Aloia (441)

onde a mão do Eng. Rafael Areses aqui teve mais intervenção, como seja, a introdução de espécies exóticas.

51.-Rota do Monte Aloia (451)

Percorrendo este troço, onde os regos de água não faltam,

52.- Rota do Monte Aloia (527)

em especial o ribeiro Tabernas,

53.- Rota do Monte Aloia (484)

 com as suas pequenas quedas de água e poças.

54.- Rota do Monte Aloia (513)

Através dos placares informativos, podemos identificar e conhecer as diversas espécies exóticas, à mistura com as autóctones.

55.- Rota do Monte Aloia (456)

Percorrido o pequeno trilho botânico, com o calor a apertar, apesar das sombras, um ou outro caminheiro(a) aproveita, nos vários bancos pelo percurso espalhados, para descansar.

56.- Rota do Monte Aloia (532)

No final do trilho, vamos ao encontro da Casa dos Engenheiros Florestais (do Monte)

57.- Rota do Monte Aloia (511)

bem assim do Centro de Receção e de Interpretação do Parque - «Casa Engenheiro Rafael Areses».

58.- Rota do Monte Aloia (501)

Aqui nos demoramos um bocadinho a ver este edifício tão característico e, saindo definitivamente do bosque botânico,

59.- Rota do Monte Aloia (539)

juntámo-nos para percorrer um outro troço («tramo») - o trilho do Rego de Pedra.

60.- Rota do Monte Aloia (537)

Mas os nossos amigos caminheiros de AndaTui não nos deixaram sair deste local sem, com um pequeno desvio, ir ver uma das «joias da coroa» do «seu» Parque - a Faia.

61.- Rota do Monte Aloia (553)

Estará muito perto dos 100 anos, dizem. A sua copa cobre mais de 40 metros de superfície. O seu tronco, é o que se vê,

62.- Rota do Monte Aloia (556)

com, estas duas caminheiras, entre muitas outras, a abraçarem o seu tronco.

 

7.- Trilho do Rego de Pedra


O Rego da Pedra

63.- Rota do Monte Aloia (589)

 que dá o nome a este troço, bem assim a um trilho, foi construído entre 1955 e 1958. A sua finalidade era o transporte de água para os campo de cultivo de Frinxo.

64.- Rota do Monte Aloia (592)

Hoje em dia, é apenas uma memória. Percorrendo este trilho,

65.- Rota do Monte Aloia (600)

quer o seu «rego»,

66.- Rota do Monte Aloia (593)

quer os pequenos «embalses», que o constituíam,

67.- Rota do Monte Aloia (605)

(«Embalse» I)

68.- Rota do Monte Aloia (603)

(«Embalse» II)

estão totalmente secos.


Gostámos de ver, no final da descida, em Frinxo, a sua bonita capela, com uma linda oliveira, por perto.

69.- Rota do Monte Aloia (608)

 

8.- Trilho dos Moinhos de Tripes


O rio Tripes, conhecido geograficamente como o «Rego Cotarel»,

70.- Rota do Monte Aloia (748)

 nasce no Monte Aloia, no Alto de San Xiao. É um afluente do rio Minho e divide as paróquias tudenses de Pazos de Reis e Randufe.

 

Os Moinhos de Tripes estão situados na parte inferior do Parque Natural do Monte Aloia, perto do Castro do Monte dos Castros (que, infelizmente, não tivemos tempo de visitar).

 

As suas margens estão salpicadas de moinhos

71.- Rota do Monte Aloia (668)

atravessando bosques,

72.- Rota do Monte Aloia (623)

com vegetação variada.

73.- Rota do Monte Aloia (671)

Fizemos este percurso, a partir de Frinxo, descendo.

 

A maior parte destes moinhos tê mais de 200 anos,

74.- Rota do Monte Aloia (647)

bem como uma ou outra casa, que fomos encontrando, - são casas-moinho.

75.- Rota do Monte Aloia (714)

Valeu a pena fazermos uma ou outra paragem - apesar da pressa e da horas tardia -, pois ainda tínhamos um percurso pedestre para fazer, para contemplarmos a beleza destes moinhos,

76.- Rota do Monte Aloia (710)

pelos quais correm águas cristalinas,

77.- Rota do Monte Aloia (684)

as suas pontes de madeira e passarelas

78.- Rota do Monte Aloia (627)

e as suas cascatas.

79.- Rota do Monte Aloia (662)

Na parte final do nosso troço («tramo») - início oficial do trilho dos Moinhos de Tripes -, existe esta curiosa varanda («balcón»). Nela, uma imagem.

80.- Rota do Monte Aloia (734)

Em frente a esta varanda, um moinho, casario, campos de cultivo, vinhedo e uma ponte.

81.- Rota do Monte Aloia (718)

(Perspetiva I)

82.- Rota do Monte Aloia (732)

(Perspetiva II)

Feito o troço («tramo») dos Moinhos de Tripes, há que regressar ao autocarro

83.- Rota do Monte Aloia (755)

para, conforme Mapa abaixo, sairmos do ponto 1 - Parque Natural do Monte Aloia - nos deslocarmos ao ponte 2 - O Rosal -, para, em final de dia, ainda fazermos um pequeno percurso de 4 Km, para visitarmos e contemplarmos um conjunto de moinhos espetaculares - os Moinhos do ribeiro O Folón e os Moinhos do ribeiro O Picón.

84.- Mapa das andainas Monte Aloia e Molinos O Folón e O Picón

O nosso percurso pelo Parque Natural do Monte Aloia foi de 17, 8 Km, conforme app do nosso S Health indica,

85.- IMG-20180619-WA0003

com uma velocidade e um desnível que o quadro abaixo exibe.

86.- IMG-20180619-WA0005

 


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Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Parque Natural do Monte Aloia (II)

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

00.-

 (Fonte:- https://spotlight.it-notes.ru/images/eaaeab9bfd03bb68bb9a1835b51b6882)


- «Andaina» pelo Parque Natural Monte Aloia -


20.maio.2018

 

 

"Hoy el Monte Aloia es una sinfonía de color en las alturas
que cambia con cada estación:
el amarillo del tojo y la retama, el blanco de la jara, el lilaz del brezo...".

 

 


B.- TROÇOS («TRAMOS») DA PARTE DA MANHÃ

 

Os percursos pedestres, no Parque Natural Monte Aloia, na sua maior parte, partem da Casa do Engenheiro Rafael Areses Vidal ou Casa Forestal Enxeñeiro Areses, construída em 1921, atual Centro de Receção de Visitantes e Centro de Interpretación de la Naturaleza.

 

Oficialmente são conhecidos os seguintes:


* Trilho de Cabaciñas - Poza de Cabanas: uma pequena subida ao miradouro de Cabaciñas;
* Trilho dos Moinhos de Paredes: parte da Casa Florestal Eng. Rafael Areses, visitando o lugar de Paredes.
* Trilho do Rego da Pedra: atravessamento do sulco ou Rego de Pedra e pela «Senda» Botânica.
* Trilho do Castro Alto dos Cubos: vai desde Frinxo, subindo até às excavações do Castro.
* Trilho dos Moinhos de Tripes: percurso paralelo ao rio Tripes, visitando seus moinhos.
* «Senda» Botánica: em 400 metros, e mediante jogos, mostra-se a variedade da flora do Parque.
* PR-G1 Galiñeiro: desde este pico Galiñeiro (709 m) domina-se um extenso panorama do sul da província de Pontevedra.
* PR-G2 Aloia: bonito e fácil percurso que nos conduz, de norte a sul, pelas encostas da serra do Galiñeiro, finalizando no Monte Aloia ou de San Xiao (São Julião).

 

O Club de Sendeiristas de Monterrei, em colaboração com os amigos(as) caminheiros(as) do Club Deportivo AndaTui RegodaPedra, no passado dia 20 de maio, organizou um conjunto de troços («tramos») que nos permitiu, a pé, conhecer, na sua glabalidade, o essencial do Parque Natural Monte Aloia.

 

Neste sentido, vamos dar a conhecer aos nossos leitores - muito esquematicamente - o que foi o nosso percurso («andaina»), por troços («tramos») ao longo do Parque Natural Monte Aloia:

 

01.- Rota do Monte Aloia (4)

 

1.- Trilho dos moinhos de Paredes ou de O Deique

 

02.- Rota do Monte Aloia (6)

 Começámos o nosso percurso pedestre no Parque Natural do Monte Aloia seguindo este trilho, que se desenvolve por um conjunto de 7 moinhos,

03.- Rota do Monte Aloia (18)

 (Aspeto de um dos moinhos)

04.- Rota do Monte Aloia (28)

 (Aspeto de outro moinho)

ao longo do ribeiro O Deique, um afluente do rio Louro, que nasce no Monte Aloia,

05.- Rota do Monte Aloia (25)

correndo por entre uma abundante vegetação, em que primam, pela sua presença, estes fetos endémicos.

06.- Rota do Monte Aloia (16)

Mas com subidas de meter respeito!

07.- Rota do Monte Aloia (15)

 

2.- Dos moinhos de Paredes à capela de San Fins


Foi um percurso menos aliciante.

08.- Rota do Monte Aloia (53)

A vegetação era pouco apelativa para o nosso gosto. Neste troço, a vertente da exploração do monte, para fins vincadamente económicos, é bem patente, imperando, particularmente, as espécies como o eucalipto e o pinheiro bravo.

09.- Rota do Monte Aloia (64)

Seria de todo bem melhor continuarmos ao longo das margens de O Deique. Para o efeito, seria necessário o seu desmate e limpeza. Aqui fica uma sugestão.

 

Valeu, contudo, a boa disposição

10.- Rota do Monte Aloia (78)

e a camaradagem das gentes do Club de AndaTui,

11.- Rota do Monte Aloia (55)

bem assim, à chegada, por uma estrada local asfaltada,

12.- Rota do Monte Aloia (98)

o reencontro com o ribeiro de O Deique, com a sua água cristalina

13.- Rota do Monte Aloia (87)

e a zona de lazer, onde se encontra a capela de San Fins.

14.- Rota do Monte Aloia (114)

 

3.- Da capela de San Fins à Pedra do Acordo


Saindo da aprazível zona de lazer da capela de San Fins,

15.- Rota do Monte Aloia (121)

há que, atravessando a estrada local, saltar para o monte.

16.- Rota do Monte Aloia (125)

este troço foi mais aprazível, não só quanto ao esforço

17.- Rota do Monte Aloia (138)

como à paisagem envolvente, acompanhada de curiosas formações rochosas.

18.- Rota do Monte Aloia (151)

Num «tiro»,

19.- Rota do Monte Aloia (141)

fomos ter à Pedra do Acordo.

20.- Rota do Monte Aloia (158)

Nesta Pedra

21.- Rota do Monte Aloia (162)

se estabelecem os limites de 3 concelhos - Gondomar, Porriño e Tui - e de 5 paróquias - Malvas, Pazos de Reis, Rebordans, Morgadans e Chenlo. As informações que obtivemos dos amigos caminheiros de AndaTui apontavam para as seguintes paróquias: Rebordans, Malvas, Randufe, Pazos de Reis e San Xosé de Prado.

 

Esta Pedra, que parece insignificante, tem 10 séculos de história.

 

4.- Percurso dos Miradouros


4.1.- Miradouro Cabaciñas


Da Pedra do Acordo, o nosso percurso agora decorre pela zona dos miradouros. Decidiu-se não fazer todos os miradouros, mas apenas três, percorrendo um trilho a subir, no qual, para além de formações rochosos tão peculiares como esta,

22.- Rota do Monte Aloia (168)

à nossa direita, encontrávamos o pico mais alto da serra do Galiñeiro.

23.- Rota do Monte Aloia (177)

Até que, numa ligeira subida, vamos ao encontro do miradouro natural de Cabaciñas.

24.- Rota do Monte Aloia (188)

(Perspetiva I)

25.- Rota do Monte Aloia (208)

 (Perspetiva II)

Ao longe, o encontro de terras portuguesas e galegas, através da ponte internacional, tendo como fronteira natural o rio Minho.

26.- Rota do Monte Aloia (189)

À saída deste promomtório, uma figura granítica sui generis, aparentada com uns socos holandeses.

27.- Rota do Monte Aloia (226)


4.2.- Miradouro Eng. Areses


Em breve trecho, naproximámo-nos do Miradouro do Engenheiro Rafael Areses Vidal.

28.- Rota do Monte Aloia (265)

Gravada na enorme rocha que o suporta, esta citação:

 

"El arbol es la belleza en las cumbres,
Es la abundancia y la fertilidad en los valles,
Es pan y riqueza en las regiones"


                                                       Acervino

29.- Rota do Monte Aloia (248)

Eis o miradouro, trabalhado, artisticamente, em cimento.

30.- Rota do Monte Aloia (259)

E algumas das «belezas» do grupo aqui possando para a objetiva.

31.- Rota do Monte Aloia (254)

Deste miradouro, a panorâmica não é grande coisa. Possivelmente, a frondosa vegetação que o rodeia tirou-lhe as vistas.

32.- Rota do Monte Aloia (261)

 

4.3.- Miradouro Grande Cruz de Pedra

 

É o mais conhecido. Nele se encontra uma grande cruz, construída em 1900, para celebrar, naquele ano, o Ano Santo.

33.- Rota do Monte Aloia (302)

Daqui pode-se contemplar, numa ampla panorâmica, todo o vale do rio Minho.

34.- Panorâmica desde o Miradouro da Cruz - Monte Aloia

(Cenário I)

35.- Rota do Monte Aloia (350)

(Cenário II)

Antes de aqui chegarmos, temos de fazer a nossa via crucis,

36.- Rota do Monte Aloia (294)

ladeada de variado arvoredo.

37.- Rota do Monte Aloia (300)

E, como não podia deixar de ser, num lugar como destes, a fotografia da praxe do grupo.

38.- Rota do Monte Aloia (344)

À saída do miradouro, não faltaram as incrições, na pedra granítica, de exaltação à árvore.

39.- Rota do Monte Aloia (355)

E, à vinda para o Santuário/Ermida de San Xiao, de Nossa Senhora das Angústias e de San Fins, onde, numa das suas dependências, se realizou o nosso almoço, não deixámos de dar uma olhadela para a «cama de San Xiao».

40.- Rota do Monte Aloia (360)


5.- Santuário de San Xiao, San Fins e Nossa Senhora das Angústias


Este lugar é o mais conhecido e visitado no Parque Natural Monte Aloia. Não só por ser um recinto de peregrinação, festa e romaria , mas por ser também uma área recreativa, com apoio de serviços, nomeadamente, restaurante com café/bar.

41.- Rota do Monte Aloia (433)

Como já aludimos, é um Santuário/Ermida,simples, de origem românica, reconstruido no século XVIII, e no qual se veneram três santos: San Xiao (São Julião), a Virgem das Angúatias e San Fins.

42.- Rota do Monte Aloia (393)

Vejamos agora dois pormenores desta Ermida, como a sua fachada principal,

43.- Rota do Monte Aloia (401)

e, na mesma, lateralmente, um relógio de sol.

44.- Rota do Monte Aloia (408)

Nas suas proximidades, e nas imediações da área de serviços, umas largas e longas escadas levam-nos à Fonte do Santo (San Xiao) ou, como também é mais conhecida, a Fonte do Bispo.

45.- Rota do Monte Aloia (369)

Perante o porte de algumas das suas árvores neste lugar, algumas das nossas companheiras/caminheiras não resistiram em abraçá-las.

46.- Rota do Monte Aloia (377)

Foi numa das dependências do Santuário /Ermida que foi servido o nosso repasto.

47.- Rota do Monte Aloia (411)

No fim do mesmo, cantámos os parabéns ao companheiro/caminheiro Lucas que neste dia fazia anos.

48.- Rota do Monte Aloia (423)

Quantos? Não sabemos. Melhor, sabemos, mas não dizemos. A partir de certa altura, a idade já não conta. A experiência é que vale tudo. E, no nosso club, as funções de ecónomo e de amunuense é com ele. Não tem rival!

49.- Rota do Monte Aloia (418)


publicado por andanhos às 10:48
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Parque Natural do Monte Aloia (I)

 

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

B.- Foto 3

 (Fonte:- https://wall.alphacoders.com/big.php?i=777992&lang=German)


- «Andaina» pelo Parque Natural Monte Aloia -
20.maio.2018

 

A.- Rota do Monte Aloia (276)

 

"Quero morrer
fundirme no chan
pudirme todo
antre a terra.

 

Esquecerme da lus
e da choiva,
non lembrar xa
os solpores vermellos
e que de min
o que antes fora eu
naza un carvallo..."

 

Xan Bouzada
Poemas Xóvenes galegos

 

 

A.- PALAVRAS PRÉVIAS

 

Era uma vez...

 

É assim que invariavelmente começamos qualquer história que queremos contar aos nossos filhos e/ou netos pequeninos, quandos os queremos adormecer.

 

Nosso intento de hoje não é adormecer o leitor. É mesmo contar uma breve e simples história. De um lugar galego, fronteiriço com terras portuguesas que, entre muitas das suas atrações, dá para, em certos dias, aproveitar para, num dos seus muitos recantos, adormecer.

 

Mas não só.

 

Vamos então à história.

 

Era uma vez uma elevação montanhosa que faz parte, a sul, da serra do Galiñeiro, no concelho de Tui, província de Pontevedra, declarada Parque Natural a 4 de dezembro de 1978 - o primeiro da Galiza. Está também declarado LIC (Lugar de Interesse Comunitário) e Sítio Natural de Interesse Nacional (1935), Zona de Especial Proteção de Valores Naturais e espaço da Rede Natura 2000.

 

Pergunta natural: a que se deve tantos apodos?

 

Comecemos pelo monte. Nele encontramos vegetação com valores naturais destacáveis, uma flora autóctone, misturada com espécies atlânticas e mediterrâneas, algumas espécies endémicas e espécies florestais exóticas, alheias a este meio ambiente, como os ciprestes e os cedros do Líbano, entre outras, dando, desta feita, a este lugar uma enorme diversidade arbórea.

 

O responsável por este estado de coisas, ou seja, pela circunstância de 746, 29 ha do monte, propriedade da Comunidad Veciñal de Montes en Man Común de Rebordáns e de la Entidad local Menor de Pazos de Reis, 81% estar coberto de árvores, foi o engenheiro de Montes (florestal), natural de Tui, Rafael Areses Vidal, membro do Distrito Florestal de Pontevedra-A Coruña, que, a partir de 1910, o mandou repovoar, mudando por completo a antiga fisionomia rochosa que este monte apresentava.

 

Convém, desde já, informar o leitor que o engenheiro tudense, Rafael Areses Vidal, não era um fervoroso adepto da dita silvicultura gernâmica, teoria predominante na 2ª metade do século XIX, que considerava as árvores como elementos fundamentais de um equilíbrio natural, numa visão humboldtiana; pelo contrário, Areses Vidal foi, enquanto responsável florestal, o intérprete do monte ou bosque como fornecedor de madeira (função essencialmente económica, com poucas preocupações sociais), na esteira do pensamento todo poderoso de Otavio Elorrieta, Diretor Geral dos Montes na Ditadura de Primo de Rivera, que fazia a apologia da plantação na floresta de espécies de crescimento rápido, aplicando-se e defedendo-se, assim, para a silvicultura «mediterrânea» uma gestão privada do monte face à pública, compatibilizando os diferentes usos (agricultura e pastorícia) no mesmo espaço florestal.

 

Contudo, apesar de se saber que Rafael Areses Vidal era um defensor do predomínio das explorações florestais de espécies de crescimento rápido, como o pinheiro bravo, não esqueceu, todavia, as espécies tradicionais, como o carvalho e o castanheiro, propondo, para o efeito, uma repovoação seletiva nos sítios mais apropriados, defendendo o valor das massas arbóreas mistas, de um ponto de vista ecológico e sanitário.

 

É exatamente esta visão que verificamos quando, percorrendo o Parque Naural Monte Aloia, nele vemos espelhada. O Monte Aloia tem um predomínio absorvente da silvicultura intensiva, com intuito de trazer rendimentoa a curto prazo.

 

Os endemismos, as espécies autóctones e as exóticas não passam de simples «nichos» no Monte Aloia, apesar de constatarmos, no pensamento final do engenheiro Rafael Areses, uma maior sensibilidade para as funções sociais do bosque, ao mesmo tempo que defendia a valorização estética do mesmo, propondo que, nas repovoações, se harmonizasse o «útil com o belo».

 

Em suma, há que ver o Monte Aloia, sob o ponto de vista florestal, não só no pensamento vigente à época da sua intervenção, em particular da do seu principal agente «criador».

 

Concordando-se ou não com o engenheiro Rafael Areses Vidal, e particularmente com aquilo que o Parque Natural Monte Aloia hoje é, sob o ponto de vista florestal, para os nossos vizinhos galegos, ele constitui uma paisagem de singular beleza.

 

E quem somos nós, meros e simples curiosos da natureza, para discordar?...

 

O Parque Natural Monte Aloia apresenta hoje em dia uma grande diversidade arbustiva que, em conjunto com os seus regatos, criaram uma importante fauna e flora.

D.- Foto

 (Fonte:- http://www.turismo.gal/que-visitar/espazos-naturais/parques-naturais/monte-aloia?langId=pt_PT)


No que respeita à flora, o Monte contém cerca de 450 espécies, das quais, 30 são endemismos da Península Ibérica. Nos matagais, destacam-se a Linaria saxatalis, Halimium lasianthum e a centaura aloiana. Quanto a árvores, destacam-se o pinheiro (bravo), o azevinho, o carvalho (robur), o castanheiro, o sobreiro, o salgueiro, o amieiro, o vidoeiro e o loureiro, entre outras, para além das espécies exóticas introduzidas pelo engenheiro Rafael Areses Vidal, como já referido.

 

Também é interessante a abundância de «hongos» (Tricholoma pseudoalbum gallaecicum), como é só conhecido na Galiza. Os líquens estão representados por 10 espécies.

 

Um dos grupos de animais que são únicos em Aloia são os anfíbios e reptéis, presentes nas rochas, regos e charcos, face à abundância de precipitação durante grande parte do ano. Enumeramos alguns: o sapo corredor (Bufo calamita), o tritão ibérico e jaspeado, a salamandra rabilarga, comúm, a rã ibérica (Rana iberica), a salamandra lusitânica (Chioglossa lusitanica) o largarto de água (Lacerta schreiberi), o licranço (Anguis fragilis), a cobra-de-pernas-pentadáctila (Chalcides bedriaga), a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), a cobrade-água-viperina (Natrix maura), de colar, o lagarto ocelado, o verde e negro, e a lagartixa de Bocage (Podarcis bocagei) são as espécies mais destacadas. Face à abundância destes animais, esta zona foi considerada como de interesse herpetológico.

 

Entre as aves destacam-se o gavião, o açor, o milhafre , o búteo, o mocho e a coruja.

 

Quanto aos mamíferos, vemos a Desmana moschata pirenáica, a rata de água, o ésquilo, o javali, a raposa, a fuinha, o morcego, o cavalo selvagem, entre outros.

E.- Foto

 (Fonte:- http://www.turismo.gal/que-visitar/espazos-naturais/parques-naturais/monte-aloia?langId=pt_PT)


No que respeita a peixes, são abundantes as bogas (Chondostroma arcasii).

 

Mas o Parque Natural Monte Aloia não é só massa arbórea, monte ou floresta, com a sua específica flora e fauna.

C.- Foto 1

 (Fonte:- http://www.nonstop.es/acercate-contemplar-el-parque-natural-monte-aloia/)


É um lugar onde podemos disfrutar de amplas vistas, nos seus mais diversos miradouros, em que o Monte de Santa Tecla, as serras de Groba e do Galiñeiro, o vale do rio Louro, os montes de Budiño e a Paranta e, no seu pólo sul, o rio Minho e as terras fronteiriças portuguesas, com Tui a nossos pés, são lugares de eleição para nossa contemplação.

 

Mas também não é só de espaço natural e de belas panorâmicas, de que Monte Aloia é feito. É repositório de restos históricos e etnográficos, desde moinhos, com condução de águas, povoados pré-históricos (Castro do Alto de Cubos), achados arqueológicos, uma muralha ciclópica de 1 250 metros de longitude - uma citânia com 20 000 anos -, que rodeia a meseta superior do Pico de San Xiao, onde se localiza o Santuário/Ermida de San Xiao (São Julião), San Fins e Nossa Senhora das Angústias.

 

No Parque Natural Monte Aloia não faltam as lendas. As mais conhecidas são a da cama de San Xiao, onde, ao seu redor, a erva não medra, e a que se conta acerca das éguas do Monte Aloia que são fecundadas pelo vento. Este é também conhecido como o mítico Monte Medulio, cenário da coletiva das tribos celtas, que preferiram o suicídio a cairem nas mãos dos romanos.

 

O Parque Natural Monte Aloia, no seu alto, é um lugar de peregrinação. No Alto de San Xiao, à altitude de 631 metros, e no seu Santuário ou Ermida, de origem românica, reconstruída no século XVIII, celebram-se três festas ou romarias tradicionais: em 27 de janeiro, em honra de San Xiao (São Julião), em que a tradição manda os crentes virem a pé, desde a cidade de Tui até à Ermida; no primeiro domingo de julho, à Virgem das Angústias e, finalmente, no primeiro de agosto, a San Fins.

 

Nas proximidades deste Santuário encontra-se umas longas e largas escadas que nos conduzem até à Fonte do Santo (San Xiao) - também chamada Fonte do Bispo, de Tui - ladeadas de mesas merendeiras e árvores de grande porte.

 

Por último, o Parque Natural Monte Aloia, situado numa zona densamente povoada da Galiza e do Norte de Portugal, orienta-o para atividades de educação ambiental e, como não podia deixar de ser, para atividades de ócio ao ar livre, destacando-se, fundamentalmente, os percursos pedestres.


Para os leitores que queiram informar-se mais pormenorizadamente, e a fundo, sobre este primeiro Parque Natural da Galiza, e que por nós foram atentamente lidos, segue-se uma lista de sítios da internet, que, também, podem consultar para o efeito:


Parque Natural Monte Aloia/Galicia, o bom camino - Xunta da Galicia

Parque Natural Monte Aloia

O Monte Aloia, Vida y Naturaleza

Galicia, Natural e Única

DescubreCadaDía

Galicia Mágica.eu

Entidad local Menor - Pazos de Reis


Plan Reitor de Uso e Xestión - Parque Natural do Monte Aloia


 Do homem que deixou ligado o seu nome ao Parque Natural do Monte Aloia, Eng. de Montes (Florestal), o tudense Rafael Areses Vidal, eis também os sítios, onde podem obter um maior conhecimento da sua vida e da sua atividade profissional:


Os comezos da repoboación forestal en Galicia

Rafael Areses Vidal - Wikipédia

Pazos de Reis - Monte Aloia


publicado por andanhos às 12:30
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