Terça-feira, 30 de Outubro de 2018

Ao Acaso... Caminhar, a pensar na Vida, na Inteligência e Emoções Humanas

 

 

AO ACASO…

 

CAMINHAR, A PENSAR NA VIDA, NA INTELIGÊNCIA E EMOÇÕES HUMANAS

(PELO PEQUENO PERCURSO PEDESTRE DA QUINTA PEDAGÓGICA DO REBENTÃO)

2018.- Quinta do Rebentão (66)

 Frequentemente fazemos este pequeno percurso pedestre pela quinta Pedagógica do Rebentão, em Vila nova de Veiga, freguesia de São Pedro de Agostém, concelho de Chaves, onde, no mesmo espaço, estão instaladas as Piscinas Municipais, a céu aberto, e o Parque de Campismo.

 

Trata-se de um percurso pedestre que é, simultaneamente, circuito de manutenção.

 

Aqui, há poucos meses, pegámos na nossa Fuji e, enquanto fazíamos o pequeno trilho, Ao Acaso…, maia em jeito de um caminhar/reflexão sobre a Vida e a Natureza, «batíamos» umas quantas fotos.

 

Foi o caminhar num dia de primavera que chegou tardia e em que as flores dos prunus se apresentavam com toda a sua exuberância

01.- 2018.- Quinta do Rebentão (27)

bem assim as pequenas e albas flores das cerejeiras bravas,

02.- 2018.- Quinta do Rebentão (45)

dispostas nas margens do trilho, a par de uma imensa variedade de plantas nativas, como este medronheiro,

03.- 2018.- Quinta do Rebentão (88)

e outras espécies exóticas.

 

Apreciador que somos da obra do nosso cientista português António Damásio, levávamos, debaixo do braço, a sua última publicação, que dá pelo nome de «A estranha ordem das coisas – A Vida, os Sentimentos e as culturas humanas».

 

Iniciámos este nosso percurso/reflexão na Receção do Parque de Campismo, subindo a rampa que nos leva até ao Restaurante da Quinta do Rebentão, tendo, do nosso lado esquerdo, a rede e sebe, de várias colorações, que separam o Parque de Campismo das restantes infraestruturas da Quinta, e, do nosso lado direito, as Piscinas Municipais.

04.- 2018.- Quinta do Rebentão (12)

Um velho carvalho, ao cimo da rampa, ainda calvo, sem ramos verdes e folhas, dava-nos as boas-vindas,

05.- 2018.- Quinta do Rebentão (13)

enquanto nos aproximávamos do edifício do Restaurante, onde, já lá vão alguns anos, ali comíamos um bom bacalhau, na companhia de bons amigos.

06.- 2018.- Quinta do Rebentão (23)

Fizemos a curva à direita e continuámos a subir, dando de frente com a velha árvore, guardiã da casa antiga da Quinta, e o seu portal.

07.- 2018.- Quinta do Rebentão (18)

Infletindo agora para a esquerda, continuámos a subir.

 

Por entre o arvoredo que ladeia o trilho, uma panorâmica das Piscinas Municipais.

08.- 2018.- Quinta do Rebentão (31)

Agora, nossa senda começa a ser mais suave e, poucos metros mais à frente, começa a descer um pouco.

09.- 2018.- Quinta do Rebentão (33)

Do nosso lado esquerdo, observamos as casas pré-fabricadas (vulgo, bungalows) do Parque de Campismo.

10.- 2018.- Quinta do Rebentão (34)

O terreno agora é plano.

11.- 2018.- Quinta do Rebentão (38)

À nossa direita umas escadas, com corrimão, que nos leva até ao primeiro «miramontes».

12.- 2018.- Quinta do Rebentão (40)

Não resistimos em subir e, debaixo da sua cobertura, à sombra, sentado no banco, olhando em frente, observávamos a povoação de Vila Nova de Veiga, tende a Este a sua alva igreja e cemitério, onde já jazem os restos mortais dos nossos entes queridos mais próximos. Estamos, por via deles, indelevelmente ligado a este pedaço de terra que, de coração, a adotámos como nossa, embora as nossas raízes mais fundas venham das ancestrais seivas das vinhas do nosso querido Douro.

 

Olhando para Norte, um pequeno cocuruto no termo da aldeia, mesmo nas proximidades do Km 5 da EN 2, dois edifícios, um sobreposto no outro, lembra-nos a vida que por eles repartimos e vivemos, fazendo parte da nossa história pessoal e familiar.

 

Não foram sentimentos de nostalgia aqueles que, naquele instante, nos ocorreram. Tão somente um simples encolher de ombros, num constatar que … é a vida!

 

Pegámos no livro que trazíamos, de António Damásio, e começámos a ler, desde a página donde, na véspera, tínhamos ficado.

 

Foi, seguramente, meia hora de leitura interessante, de um autor com um pensamento inovador. Gratificante, por isso..

 

A certa altura, voltámos atrás na leitura para, relendo uma passagem, fazermos uma pequena pausa para refletir, pensar.

 

Reproduzamos, para os nossos leitores, parte do parágrafo em questão:

 

Não tenho quaisquer dúvidas de que a capacidade intelectual, a sociabilidade e a linguagem desempenharam papéis fundamentais no processo [da humanização], mas julgo que terá sido preciso algo mais para dar início à saga das culturas humanas. Esse «algo mais» foi um motivo poderoso. Estou a referir-me especificadamente aos sentimentos, desde a dor e o sofrimento ao bem-estar e ao prazer”.

 

No final deste capítulo, António Damásio, conclui:

 

A ideia, na essência, é que a atividade cultural teve início nos sentimentos e deles continua a depender. Se quisermos compreender os conflitos e as contradições da condição humana, precisamos de reconhecer a interação, tanto favorável como desfavorável, entre sentimentos e raciocínio”.

 

Ruminando sobre estas palavras, descemos as escadas do «miramontes» para voltarmos ao nosso trilho.

13.- 2018.- Quinta do Rebentão (42)

E começámos a descer para a linha d’água que passa na Quinta.

14.- 2018.- Quinta do Rebentão (46)

Gostamos da vegetação que ladeia o percurso, embora constatemos que, no conjunto, há pinheiro a mais!

 

No fundo da descida, por entre a ramagem de uma cerejeira florida, aparecem-nos os casebres dos suínos monteses e dos póneis.

15.- 2018.- Quinta do Rebentão (48)

Junto à linha d’água, um outro abrigo, a requerer mais uma pequena paragem para mais uma leitura.

16.- 2018.- Quinta do Rebentão (52)

No capítulo, logo imediatamente a seguir, da obra de Damásio, um excerto do texto reteve mais a nossa curiosidade e atenção quando afirma:

 

Na sua necessidade de lidar com o coração humano em conflito, no seu desejo de reconciliar as contradições apresentadas pelo sofrimento, pelo medo e pela fúria, e na busca do bem-estar, os seres humanos optaram pela maravilha e pelo deslumbramento e descobriram a música, a dança e a pintura, e a literatura. Prosseguiram criando as por vezes belas epopeias que dão pelo nome de «crença religiosa», dúvida filosófica e sistemas de governação. Do berço à cova, eis algumas das formas com as quais a mente cultural abordou o drama da condição humana”.

 

Levantámo-nos do banco, onde nos tínhamos sentado e, ultrapassando a linha d’água, qual filigrana fina e prateada no meio das ervas, por um pequeno pontão de madeira, prosseguimos o nosso caminho, ruminando, uma vez mais, agora sobre o parágrafo que acabáramos de ler há instantes,

17.- 2018.- Quinta do Rebentão (53)

enquanto passávamos por estes três troços do trilho.

18.- 2018.- Quinta do Rebentão (54)

(Troço I)

19.- 2018.- Quinta do Rebentão (56)

(Troço II)

20.- 2018.- Quinta do Rebentão (58)

(Troço III)

A certa altura, desviámo-nos à esquerda, para irmos ter com esta pequena represa de água.

21.- 2018.- Quinta do Rebentão (61)

E fizemos mais uma pausa para leitura, olhando as águas mansas deste pequenino lago.

22.- 2018.- Quinta do Rebentão (64)

Dois parágrafos do livro, que vínhamos lendo, ficaram-nos na mente.

 

Aqui os reproduzimos para, conjuntamente com os nossos(as) leitores(as), refletirmos:

 

As nossas vidas atuais e os seus objetivos e práticas culturais podem ser ligados cautelosamente às vidas de outrora, antes de haver sentimentos e subjetividade, antes de haver palavras e decisões. A ligação entre os dois conjuntos de fenómenos percorre um labirinto complexo onde é fácil dar uma volta errada e perdermo-nos. Aqui e além, podemos encontrar o que resta de um fio orientador – o fio de Ariadne, claro – mas a orientação é difícil. A tarefa da biologia, da psicologia e da filosofia é fazer com que esse fio se torne contínuo (…)”

Note-se que as extraordinárias capacidades de vigilância e de espionagem dos Governos modernos, dos colossos dos media e das empresas que espiam por encomenda, são apenas os mais recentes utilizadores desta invenção original da natureza [a homeostasia]. Não podemos culpar a natureza por desenvolver sistemas de vigilância homeostaticamente úteis, pelo contrário, mas podemos por em causa e julgar os Governos e as empresas que reinventaram a fórmula da vigilância unicamente para fortalecer o seu poder e o seu valor monetário. Questionar e julgar são direitos legítimos das culturas”.

 

Saímos do nosso abrigo de leitura e subimos em direção ao trilho.

23.- 2018.- Quinta do Rebentão (71)

À nossa esquerda próxima, as casas pré-fabricadas do Parque de Campismo, ao longe, encobertas pelo pequeno pinhal, um rincão cheio de memórias.

24.- 2018.- Quinta do Rebentão (77)

Prosseguimos a nossa pequena caminhada, passando por esta escolinha,

25.- 2018.- Quinta do Rebentão (78)

e por uma enorme gaiola, cujos aves fizeram greve ao cativeiro, indo à procura da sua Liberdade!

26.- 2018.- Quinta do Rebentão (92)

Estas pequenas cabras, que nada têm a ver com as que pelo nosso «reino» se criam, pacatamente, deixam-nos passar, indiferentes ao nosso caminhar; apenas uma para de procurar erva para olhar, de surpresa, um viandante tão solitário.

27.- 2018.- Quinta do Rebentão (95)

Descemos até ao refúgio dos faisões e outras aves de capoeira. Não demorámos aqui muito, não. Apenas ficou uma olhadela para trás e seguimos caminho.

28.- 2018.- Quinta do Rebentão (106)

Caminho esse já muito perto do términus da nossa caminhada.

29.- 2018.- Quinta do Rebentão (109)

 Continuámos a caminhar, asfalto fora, até às proximidades deste lugar,

30.- 2018.- Quinta do Rebentão (111)

onde se encontrava a nossa viatura, muito próximo do nosso refúgio mata-saudades.

 

Foi apenas uma pequena, simples caminhada. Para arejar ideias…

 

Obviamente que este não é o lugar para fazermos a síntese não só do livro que andámos a ler como também da obra e pensamento de António Damásio! Positivamente não é agora, e aqui, fazer a síntese e sistematização do seu pensamento…

 

Apenas pegámos, para reflexão, em alguns excertos que mais despertaram a nossa curiosidade para partilharmos com quem nos lê. Tão só…

 

Às vezes faz falta fazer uma pausa das viciantes redes sociais, muitas vezes tão cheias de frases feitas e banalidades, dando-nos a ideia que nelas reside toda a sabedoria, e fazermos uma leitura mais aprofundadas de certos temas.

 

Informação, formação e cultura não se aprendem em leituras apressadas de textos e frases que passam a velocidades estonteantes nas milhares de «postagens» das redes sociais. Apenas criam em nós uma ilusão do saber. E, quando vamos dar conta, e bem espremer o que retemos, outra coisa não fica senão a fugaz sensação da fragilidade e pouca consistência desses conhecimentos mal digeridos.

 

Um enorme vazio – diríamos até, inquietação – nos apoquenta.

 

E necessitamos de algo mais consistente. Que só a reflexão autêntica e a dialógica nos pode não só satisfazer como acalmar, nesta inquietude que é a Vida.

 

Gostamos de caminhar – muitas vezes sozinho – pela Natureza. Ela, para nós, não é a imensa mole, a turba que nos persegue todos os dias nas ditas sociedades modernas em que vivemos. Ela nos propicia os momentos de silêncio, de que tanto carecemos, para melhor refletirmos sobre as grandes questões da vida que, não só hoje, mas sempre, apoquentam o Homem, ser vivo portador de Razão e Emoção.


publicado por andanhos às 10:23
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