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andanhos

04
Jun20

Memórias de um andarilho - Caminhada nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor - 8ª e última etapa :- Sendim-Duas Igrejas - Destaque - Fim de Linha:- Duas Igrejas - A Estação com os seus azulejos

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

 

8ª ETAPA E ÚLTIMA ETAPA:- SENDIM-DUAS IGREJAS

DESTAQUE – FIM DA LINHA:- DUAS IGREJAS (A ESTAÇÃO COM OS SEUS AZULEJOS)

01.- 2012 - Linha do Sabor (Sendim-Duas Igrejas) 193

A 6 de maio de 2018, no sítio da internet «Sete Mares - Azulejos da estação de comboios de Duas Igrejas (Trás-os-Montes)»,  podemos ler:

No Nordeste Transmontano, com a incúria a que estamos tão (mal) habituados, jaz morta e arrefece a estação de comboios de Duas Igrejas.

Terminal da linha férrea de Trás-os-Montes, quedou-se esta por Duas Igrejas – não chegando a Miranda do Douro por meia dúzia de escassos quilómetros -, por ser ali o local dos silos cerealíferos da conhecida «campanha do trigo» do Estado Novo – sim, que também ocorreu em Trás-os-Montes e não apenas no Alentejo. Enfim, levar pessoas até à capital do concelho não faria falta… Bastava alcançar os cereais.

Por estas e outras razões que a razão vai desconhecendo, antes como agora fazem-se coisas estranhas que se deixam, depois, desfazer estranhamente sem que, entre esses dois tempos, o cidadão se sinta envolvido, participante ou cúmplice.

Chamo a vossa atenção para o curioso do cartaz afixado

02.- 2018-04-28-3

e para a circunstância de todo o interior do edifício estar a ameaçar ruína.

Ou seja, o eventual roubo está acautelado; a mais que provável derrocada, não sabemos… Sem mais comentários (…)”.

 

Nesta Estação de Duas Igrejas (Miranda do Douro), com  ampla estação terminal,

03.- 2012 - Linha do Sabor (Sendim-Duas Igrejas) 204

cais para mercadorias, armazéns diversos,

04.- 2012 - Linha do Sabor (Sendim-Duas Igrejas) 194

placa giratória de inversão de material circulante,

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(Perspetiva I)

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(Perspetiva II)

toma de água

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e carvão, apesar do estado lastimável em que o edifício se encontra, o que nos chamou a atenção foi o conjunto de azulejos que o cobrem.

 

São da autoria de Gilberto Renda

07.- 2018-04-28-7

e resultaram de uma encomenda, feita pela então  CP, à fábrica lisboeta Sant’Anna

 

Os painéis representam cenas de época do quotidiano transmontano,

08.- 2012 - Linha do Sabor (Sendim-Duas Igrejas) 184

(Painel I)

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(Painel II)

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(Painel III)

trajes tradicionais e casa típica transmontana,

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(Painel IV)

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(Painel V)

um aspeto do mundo rural,

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(Painel VI)

dois panoramas da cidade de Miranda do Douro, com a (Co)Catedral como pano de fundo,

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(Painel VII)

(Painel VIII)

as ruínas do antigo Paço Episcopal,

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(Painel IX)

e, naturalmente, a (Co)Catedral de Miranda do Douro.

17.- 2012 - Linha do Sabor (Sendim-Duas Igrejas) 189

(Painel X)

 O comboio – que existiu – nunca chegou a Miranda de Douro. Parou sempre em Duas Igrejas. Esta placa de azulejos, está nesta Estação morta da Linha do Sabor.

 

A catedral, essa nunca ouviu o apito do comboio a chegar! («Mensageiro de Santo António – Revista dos Frades Menores Conventuais») 

2018-04-28-1

 

***

 

Chegados ao término da Linha do Sabor, em Duas Igrejas, nos arredores de Miranda do Douro, façamos um resumidíssimo histórico, utilizando o sítio «Geocaching – Linha do Sabor: Miranda – Duas Igrejas» . 

 

Esta Linha foi construída de forma faseada. O seu longo atraso na conclusão foi ditado por falta de verbas, motivo, segundo este sítio, que nunca chegasse à cidade de Miranda do Douro.

 

A abertura da Linha do Sabor à exploração foi realizada da seguinte forma:

  • Pocinho – Carviçais - em 17 de setembro de 1911;
  • Carviçais – Lagoaça -  em 6 de julho de 1927;
  • Lagoaça – Mogadouro – em 1 de junho de 1930;
  • Mogadouro - Duas Igrejas-Miranda - em 22 de maio de 1938.

Moncorvo foi, de todas as quatro sedes dos concelhos que a linha atravessa, a única a ter estação no próprio povoado. Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e Miranda do Douro tinham as suas respetivas estações longe dos respetivos aglomerados populacionais, o que em último caso condenou a longo prazo a Linha do Sabor ao declínio da sua procura.

 

Acelerado pelo despovoamento que a emigração ditou na segunda metade do século XX, o desinvestimento nesta via-férrea começou. O material tracionado a vapor durou até ao seu encerramento, tanto para os comboios de passageiros, como de mercadorias e mistos.

 

Para os de passageiros surgiu ainda uma pequeníssima automotora, fruto de um projeto nacional, que tinha carroçaria de autocarro e era impulsionada por um motor a gasolina.

 

Ainda existe um exemplar deste peculiar comboio, na Secção Museológica da estação do Arco de Baúlhe, na Linha do Tâmega.

 

Em suma, o material, anacrónico, começou a ser substituído gradualmente por circulações rodoviárias, deixando nos últimos anos de exploração ferroviária apenas uma circulação de comboios em cada sentido, que fizesse integralmente os 105km do Pocinho a Duas Igrejas, e duas que cumprissem apenas o troço Pocinho - Mogadouro. O principal suporte da manutenção da linha (os comboios mineiros da extração de ferro na Serra do Reboredo) acabou, com o declínio rápido da extração do ferro.

 

A 1 de Agosto de 1988, estava tudo acabado na Linha do Sabor, aonde tinha chegado recentemente material a diesel, as locomotivas 9020 da Alstom, que prestaram serviço nas congéneres de via estreita do Douro.

 

Ao longo destas oito reportagens das etapas que fizemos, percorrendo os 105, 291 Km da Linha, viemo-nos queixando do estado deplorável em que estava não só o canal, com o respetivo material fixo, por onde o comboio passava, como as suas respetivas infraestruturas (construções), autênticas obras de arte, como eram as suas estações e apeadeiros. À exceção do troço – à data em que a percorremos, 2012 – entre Torre de Moncorvo e Carviçais, tudo quanto vimos provocou-nos um verdeiro dói de alma!

 

Positivamente houve (há, porventura) um autêntico passa culpas de umas entidades para outras: uns, distantes das terras, pouco sensíveis ao significado afetivo que a Linha representava para as respetivas populações, prenhes de verdadeiro espírito mercantil, numa ótica nitidamente neoliberal, o que viam era apenas o vil metal; outros, que verdadeiramente deveriam lutar mais por um património que eram de todos nós, pago durante dezenas e dezenas de anos com o dinheiro dos impostos de todos nós, foram (e infelizmente ainda são) pouco sensíveis ao valor afetivo e cultural desta infraestrutura, embarcando também no paradigma neoliberal, não foram capazes de, perante um Estado centralizador, omnipresente e todo poderoso, prepotente, «pegar em armas» e lutar por esta «dama»; muitos outros, anónimos, sem verdadeiro sentido e postura cidadã, mercê que tantos anos de ditadura, que lhes entrou «tutano» dentro, desde que não seja coisa ou propriedade sua, o «resto», de todos nós, que se lixe!

 

E, a este propósito, não resistimos em reproduzir a notícia inserta no Jornal Nordeste, de 5 de julho de 2005, sob a epígrafe «Estações caem de podres» 

Cinco estações da antiga linha do Sabor continuam ao abandono, apesar de terem sido incluídas no Programa de Revitalização de Antigas Estações Ferroviárias (PRAEF) lançado em 2001.

Em causa estão as estações de Duas Igrejas, Sendim, Urrós, Bruçó e Freixo de Espada à Cinta, cuja recuperação foi incluída no Plano Nacional de Turismo de Natureza, com vista à criação de cinco unidades de alojamento.

Passados quatro anos, as cinco estações permanecem entregues a si próprias, sem que se vislumbrem investimentos capazes de pôr cobro ao abandono.

O programa chegou, mesmo, a ser alvo de um protocolo entre a REFER, o Instituto de Conservação da Natureza, o Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) e as Câmaras Municipais de Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro e Mogadouro.

Tudo parecia resultar, até os autarcas se aperceberem que o acordo era altamente lesivo para os cofres municipais. [Não houve negociações prévias? Dizemos nós].

«Tínhamos de recuperar as estações com verbas dos municípios e, como se isso não bastasse, ainda éramos obrigados a pagar 250 euros/ano à REFER por cada quilómetro de linha ocupado pelo circuito turístico que íamos criar», recorda o presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Manuel Rodrigo.

Contas feitas, as autarquias teriam de desembolsar 12.500 euros, anualmente, para utilizar o antigo canal ferroviário. Era um péssimo negócio.

No caso do município mirandês, estão em causa as estações de Sendim e Duas Igrejas, onde terminava a linha do Sabor. O autarca garante que o restauro dos dois edifícios não fica em menos de um milhão de euros, além das rendas exigidas pela REFER pelo aluguer da linha. «Era um péssimo negócio para a Câmara e foi por isso que não avançamos com o projeto», recorda o edil.

O autarca, contudo, lamenta o estado de degradação das estações de Sendim e Duas Igrejas, que possuem painéis de azulejos únicos.

Em Freixo de Espada à Cinta, a Câmara Municipal nunca acreditou no projeto, atendendo ao valor do investimento em causa. «Quando se propôs às Câmaras pagar 250 euros por quilómetro de linha via-se logo que era difícil alguém aceitar. O contrário é que seria correto, com as Câmaras a receber para limparem a linha e manterem as estações preservadas», alega o presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta (CMFEC), Edgar Gata.

O presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, Morais Machado, tem uma opinião idêntica. «Tudo o que se refere à REFER nunca pode ir para a frente, porque quer obter mais valias extraordinárias a partir de cadáveres que são as estações abandonadas», critica o autarca.

O edil acusa a empresa de «querer que as Câmaras aluguem a linha e recuperem as estações que a própria REFER deixou degradar de forma irresponsável», acrescentando que o protocolo tinha um prazo de concessão. «Ao fim de 20 ou 25 anos de concessão, tínhamos de entregar as estações à REFER, depois investirmos na recuperação», denuncia o edil.

Na área do município mogadourense situam-se as estações de Bruçó e Urrós, cuja recuperação ascende aos 500 mil euros. «Se a isto somarmos os custos do aluguer da linha e de funcionamento das estações vemos que é incomportável para autarquias como as nossas», recorda Morais Machado.

A pensar na transformação das linhas em unidades de turismo de natureza, o PNDI elaborou um percurso pedestre ao longo do canal ferroviário. O trilho encontra-se devidamente sinalizado, mas o mato dificulta a vida aos caminheiros. «O percurso está definido, mas era preciso recuperar as estações para criar equipamentos de apoio e tornar os trilhos mais atrativos», defende o diretor do PNDI, Victor Batista.

Na antiga linha do Sabor, a exceção é a estação de Lagoaça, [e, acrescentamos nós, a de Torre de Moncorvo, bem assim toda o troço que compreende o território por onde a Linha passa neste concelho] que foi recuperada, em 2001, pela Junta de Freguesia, com o apoio da CMFEC, estando a funcionar como centro de acolhimento, equipado com restaurante-bar e quatro quartos.

Quanto à antiga gare de Freixo, «não está velha, está completamente arruinada e a cair», lamenta o edil.

O Jornal NORDESTE tentou obter uma reação da parte da REFER, através de ofício enviado no passado dia 23 de Junho para o Gabinete de Comunicação e Imagem da empresa. Até ao fecho desta edição, as questões continuavam sem resposta”.

 

Como se vê, apenas «se esgrimia dinheiro» como único argumento!

 

E, face ao que acima se reproduziu, apetecia-nos, chamando a atenção a todas as entidades, particularmente os autarcas,  citar aqui o antigo adágio popular quando diz que «de boas intenções está o inferno cheio»!

 

Até hoje – 2020! -, autarcas, Estado (Administração Central) e cidadãos deixaram cair em ruinas este património nacional, repete-se, pago a peso de ouro por todos nós, e posto às cobiça dos proprietários confinantes que, perante uma propriedade não passível de apropriação privada, por incúria e negligência das entidades estatais e autárquicas, dela se apropri(ar)am como coisa sua!

 

Uma vergonha! Infelizmente nesta Linha e por todas as outras por este país abandonadas.

 

Com raríssimas exceções!

 

Tanto o canal da Linha, como o edificado, bem assim os respetivos azulejos, como verdadeiras obras de arte, são pertença da rede ferroviária nacional. Gerida agora pela IP (Infraestruturas de Portugal), em regime de contrato de serviço publico com Estado português.

 

Flagrante falta de «sentido de estado» e cultura, de uns; de cidadania, de outros…

27
Mai20

Memórias de um andarilho - Caminhadas nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor 5ª etapa - Destaque - Mogadouro

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CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

 

5ª ETAPA:- BRUÇÓ-ESTAÇÃO DE MOGADOURO

DESTAQUE – MOGADOURO

 

(27.junho.2012)

01.- 2012 - Mogadouro 020

A antiga Estação de Caminho de Ferro de Mogadouro dista cerca de 5 Km da vila com o mesmo nome.

 

Enquanto fazíamos o percurso pela Linha, não tivemos oportunidade de a visitar.

 

Num nosso post, neste mesmo blogue, de 26 de janeiro de 2013, subordinado ao título «Gallaecia – Por terras da Gallaecia – Adeus à Ponte de Remondes e rio Sabor!», a determinada altura, dizíamos:

No passado 3 de Maio, vindo dos lados de Miranda do Douro, onde fomos visitar um familiar, depois de termos terminado, a pé, a antiga Linha de Caminho de Ferro do Sabor, passámos por aquele local em direcção a Izeda, onde nunca ainda tínhamos parado, apesar de por lá passarmos uma ou duas vezes (…).

Das nossas caminhadas pelas «Travessas e Linhas Abandonadas» deste nosso Reino Maravilhoso, para além de conhecermos o rio Douro, do Pocinho à Barca d’Alba, o rio Tua e o Corgo, que correm paralelos às respetivas linhas, estávamos ansioso também por conhecermos o Sabor. Razão pela qual nos aventurámos a fazer também aquela linha, desde o Pocinho até Duas Igrejas, término da mesma.

Mas, quando se percorre esta Linha, o rio anda muito afastado de nós, a não ser entre Pocinho e Torre de Moncorvo, nas proximidades daquela vila.

Para quem vinha de fazer uma Linha com o nome de um rio, ainda por cima com a fama, tal como o Tua, que corria em «estilo natural» e sem qualquer intervenção humana que o desfigurasse no seu aspeto e estrutura natural, mas que, praticamente, nunca o tínhamos visto, hoje entendemos aquela nossa atitude de pararmos ali à saída da Ponte de Remondes e «botar» pernas rio acima, num forte impulso para o melhor conhecermos e sentirmos, depois da frustração de termos feito a Linha que levava o seu nome e quase nem sequer termos visto - em toda a sua extensão - as suas águas”.

 

E, tal como já aconteceu em 26 de janeiro de 2013, deixamos aqui aos nossos(as) leitores(as) os excelentes cenários que, então, ali observámos.

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(Cenário I – Na descida de Mogadouro para Macedo de Cavaleiros pela EN 216)

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(Cenário II – Na descida de Mogadouro para Macedo de Cavaleiros pela EN 216)

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(Cenário III – Arquitetura tipicamente transmontana de uma casa)

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(Cenário IV – Rio Sabor nas proximidades da antiga Ponte de Remondes)

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(Cenário V – Foz do rio Azibo perto da antiga Ponte de Remondes e Ponte de Meirinhos sobre o rio Azibo)

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(Cenário VI – Ponte de Meirinhos sobre o rio Azibo)

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(Cenário VII – Rio Sabor e antiga Ponte de Remondes ao fundo)

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(Cenário VIII – rio Sabor e antiga Ponte de Remondes)

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(Cenário IX – Perspetiva I da antiga Ponte de Remondes)

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(Cenário X – Perspetiva II da antiga Ponte de Remondes)

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(Cenário XI – Perspetiva I pelo rio Sabor acima)

11.- 2012 - Mogadouro 078

(Cenário XII – Perspetiva II pelo rio Sabor acima)

Todas as imagens que acima foram exibidas foram tiradas em maio de 2012.

 

Atualmente, a antiga Ponte de Remondes, com a construção do Empreendimento Hidroelétrico do Baixo Sabor, ficou submersa e foi substituída por esta:

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(Perspetiva I da atual Ponte de Remondes)

13.- 2012 - Mogadouro 050

(Perspetiva II da atual Ponte de Remondes)

Desde janeiro de 2016 que deixou de ser possível atravessar a antiga Ponte de Remondes. A atual ponte foi construída a montante da antiga, permitindo desfrutar de todo o panorama a montante e a jusante.

 

Contudo, para nós, não é a mesma coisa!...

 

***

 

Na nossa aproximação à vila de Mogadouro, ei-la alcandorada num morro do Planalto Mirandês.

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Quando, a 3 de maio de 2012, nos aproximámos do centro urbano de Mogadouro, deparámos logo com esta rotunda,

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ao lado da Capela da Senhora do Caminho,

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que fica situada no início da avenida com o mesmo nome. Este templo religioso foi edificado no século XVII, vindo a sofrer alterações no decorrer dos tempos.

 

A atual configuração foi obtida com as obras realizadas no século XIX.

 

De  Mogadouro vamos falar, principalmente, da sua história.

 

Mogadouro é um povoado antigo e anterior à fundação do Condado Portucalense. O topónimo Mogadouro, será de origem árabe - Macaduron.

 

É um concelho eminentemente rural. Agreste, mas doce. A sua gente é sã, afável e laboriosa. E herdeira de um carácter nobre e de uma história rica e antiga. Está situado no Nordeste Transmontano, no Planalto Mirandês, entre os rios Douro e Sabor. Está limitado pelos concelhos de Vimioso, Miranda do Douro, Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta. E também  pelos Ayuntamientos ribeirinhos do Douro, de Salamanca e Zamora.

 

Foi ocupado pelos Romanos. Dominada mais tarde pelos Visigodos, até à conquista por parte dos Muçulmanos.

 

Na Reconquista Cristã, na Península Ibérica, Mogadouro, ainda com D. Afonso Henriques, passa a integrar o Reino de Portugal. O nosso primeiro rei entrega esta terra de Mogadouro à Ordem dos Templários. Por volta de 1145.

 

Em 1272, D. Afonso III concedeu o primeiro foral a Mogadouro, tendo sido renovado no ano seguinte. Mais tarde, em 1512, D. Manuel concedeu novo foral. Em 1433, a vila de Mogadouro é doada a Álvaro Pires de Távora, passando a estar desde então ligada à família dos Távoras.

 

Contudo, só  a partir do século XVI é que Mogadouro teve algum progresso de relevância, quando a família dos Távoras toma o comando da vila e da sua fortaleza e coopera de tal forma que a vila desenvolve-se imenso.

 

Para tal feito contribuíram obras como a fundação da Santa Casa da Misericórdia e também do seu templo, renascentista, cuja portada principal é formada por duas pilastras dóricas

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e frontão tem sobre a arquitrave um nicho em forma de conha – onde se encontra uma bela pietá – e é ladeado por duas aletas,

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bem assim a ponte entre Valverde e Meirinhos ou a ponte de Remondes entre Mogadouro e Macedo de Cavaleiros, de que já acima falámos.

 

Diz-nos «Mogadouro, mais que imagina» que, na vila de Mogadouro, é indispensável uma visita ao seu Centro Histórico, onde encontramos o Castelo, do século XII,

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(Torre do Castelo; ao lado, a Torre do Relógio)

e de que hoje, como podemos ver, do original, apenas existe uma das torres,

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[Sobre o Castelo de Mogadouro, e para quem queira aprofundar mais este tema, recomenda-se a leitura dos sítios da internet «Fortalezas.org – Castelo de Mogadouro» e «Viagem à Natureza – Castelo de Mogadouro» que nos dizem que Mogadouro, localizada na vertente norte da serra de Mogadouro, era uma antiga vila, que, juntamente com seu castelo, constituíram, nos alvores da nacionalidade, um importante ponto estratégico sobre a linha lindeira em Trás-os-Montes, juntamente com os castelos de Algoso, Miranda do Douro, Outeiro, Penas Róias e Vimioso. Comenda da Ordem do Templo, posteriormente foi sucedida pela Ordem de Cristo].

 

a Igreja Matriz, de S. Mamede, de origem românica, apesar de ter sido substituída pelo templo que hoje podemos apreciar

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e cuja fundação remete para as primeiras décadas do século XVII, devendo-se também a D. Luis Álvares de Távora, tal Igreja da Misericórdia (século XVI), o Convento de São Francisco (1620-1682),

22.- Convento de S. Francisco

contíguo à igreja com o mesmo nome, cuja fundação remete para as primeiras décadas do século XVII e, uma vez mais,  se deve a D. Luis Álvares de Távora,

23. Igreja do convento de S. Francisco

(Fonte:- «Mogadouro, mais que imagina»)

e o pelourinho.

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Embora estivéssemos no Castelo e no pelourinho da vila, na altura, não conseguimos, no meio daquelas ruínas, distinguir o antigo Solar dos Pegados, próximo do pelourinho.

DSC00115

(Fonte:- Viagem a Portugal [Janeiro - Trás-os-montes e alto Douro Vinhateiro - O início da aventura])

Se se quiser ver o que resta deste Solar, consulte-se o blogue «Mogadouro (ho mogadoyro)», de 26 de julho de 2011.

 

Diz-nos mais «Mogadouro, mais que imagina» que a Sala Museu de Arqueologia do Município de Mogadouro abriu nos finais década de 80 do século XX, resultante das campanhas arqueológicas realizadas no concelho durante a referida década, e que, no seu interior, conservam-se peças que mostram a história das culturas passadas, que habitaram no atual concelho de Mogadouro. Os artefactos expostos e guardados, antes de se converterem em peças de Museu, foram objetos do quotidiano dos nossos antepassados. E que, das primeiras formas de manifestações dos rituais funerários, chegaram até aos nossos dias os monumentos megalíticos da Pena Mosqueira e do Barreiro, dos quais foram recolhidos artefactos de índole quotidiano e de manifestações artísticas.

 

E continua: dispersos pelo concelho, os castros, as igrejas com, origens românicas, como Algosinho e Azinhoso, os pelourinhos, e as próprias construções tradicionais que podemos descobrir pelas aldeias do concelho são marcas indeléveis de um património vasto e extremamente rico.

 

O concelho vive principalmente da agropecuária.

 

Produz cereais e explora a amendoeira, a vinha, a oliveira, o castanheiro e o sobreiro. E cria gado para produção de carne – bovino, caprino e ovino  - para a produção de lã, leite e também carne.

 

Existem no concelho coutos onde se pode praticar a caça ao coelho, à lebre e à perdiz. O setor secundário é dominado principalmente pela construção civil e pelo fabrico de cerâmica.

 

O turismo começa agora a ganhar alguma relevância em relação a outras épocas, estando o concelho inserido na Região de Turismo do Nordeste Transmontano.

 

A gastronomia é uma das riquezas da região, assim como em todo o Planalto Mirandês, onde se destacam a posta mirandesa, o bulho com cascas, a feijoada à transmontana, a marrã, os chichos, o javali, o cabrito assado, as costeletas de borrego grelhadas, a caça, os peixinhos do rio de escabeche, as sopas de Xis e de Cegada, os queijos de ovelha, o mel e claro o fumeiro.

 

A ocasião ideal para visitar esta região é fevereiro/março, quando as amendoeiras estão em flor cobrindo os campos com um manto branco, podendo-se admirar as belíssimas paisagens, a partir da serra da Castanheira ou do castelo de Penas Róias, nas redondezas.

 

Os bordados e as rendas são sem dúvida o mais vulgarizado artesanato local dada a facilidade com que o podemos encontrar. Nas aldeias, frequentemente encontramos as senhoras sentadas na soleira da porta de suas casas fazendo os seus bordados e rendas, ao mesmo tempo que desfrutam do bom tempo.

 

Uma vez que Mogadouro fica junto do Parque Natural do Douro Internacional, podem-se realizar passeios de barco, num troço do rio Douro, que estabelece a fronteira entre Portugal e Espanha, observando-se as suas imponentes arribas - margens rochosas e abruptas que atingem, em alguns pontos, mais de 200 metros de altura.

 

Remata o sítio que vimos seguindo que, para além do português, nesta região, também se fala o mirandês. Quando por lá passámos não nos demos conta de tal!

 

No coração desta vila transmontana, ao lado do Convento e da torre da Igreja de S. Francisco,

25.- centro_vila_mgd_1_980_2500

está  erigido um monumento a um célebre escritor da terra – (José Francisco) Trindade Coelho.

26.- 2012 - Mogadouro 010

Quem quiser conhecer a detalhe a vida e obra de (José Francisco) Trindade Coelho, descarregue a dissertação de doutoramento de João dos Santos Cabrita de Encarnação - «Trindade Coelho: Estudo Crítico e Arquivo Documental de um polígrafo Finissecular», em pdf.

 

As suas duas obras principais são: o livro de contos - «Os Meus Amores» e «In illo tempore».

 

Do autor do blogue «Letras são papeis – Trindade Coelho», de 31 de março de 2009, a certa altura, diz-nos:

Porque vivi muito tempo a dois passos da casa onde ele nasceu e porque da minha janela, como da dele, se via a torre da igreja do Convento de S. Francisco, cedo despertou em mim o gosto pelo autor.

O primeiro contacto com as palavras do autor veio-me pela boca de uma amiga mais velha, que nos lia, aos que ainda não sabíamos ler, excertos da autobiografia do autor, inserta no volume de contos Os Meus Amores. Só na adolescência, li esse e outros títulos. Deliciei-me com O Senhor Sete, que constitui uma recolha de exemplares da cultura popular (adivinhas, provérbios, lengalengas, superstições), alguns dos quais relacionados com a simbologia do número sete.

Trindade Coelho foi considerado, por alguns homens de letras do seu tempo (e por alguns atuais), um escritor menor, sobretudo pela ruralidade que perpassa nas suas obras (temas, personagens e linguagem), talvez por isso as comemorações dos cem anos da sua morte, em 2008, não tenham tido o eco merecido".

 

É pena, porquanto, na sua obra, perpassa muito do espírito, tradições, usos e costumes do transmontano de antanho, do qual nós, os de cá do Marão, como seus legítimos herdeiros,  temos entranhado(s) no nosso «ADN».

 

Deixamos aqui um pequeno excerto da obra «Os Meus amores» de Trindade Coelho (que não devemos confundir com «Amores Novos», de seu filho, Henrique Trindade Coelho):

 "Desembarcaram num largo. Era o ponto mais central da terra – “a praça”. Aqui e ali, ao acaso, algumas árvores enfezadas, quase tudo olmos brancos, vegetavam a medo, com os troncos protegidos por velhas grades de madeira, desmanteladas. Era um terreiro vasto, muito chato, com casas em volta – o que na vila havia de melhor em construções. Ficava ao meio o pelourinho, exótico, mutilado, de uma pedra grosseira e muito negra. Era uma alta coluna de oito faces, com o seu anel de ferro ao meio e uma argola pendente do anel. A coluna que se elevava sobre um pedestal de três degraus, em hexágono, terminava ao alto num grande X de pedra deitado horizontalmente. Um espigão de ferro, de três gumes como os floretes de esgrima, irrompia hostilmente do meio do X, perfurando o espaço. Em volta, a casaria era triste, sem estilo, sem gosto, sem cal. Algumas pedras de armas em velhas paredes decrépitas, desequilibradas, hidrópicas, atestavam aristocracias remotas, agora de todo extintas. Ao alto, dominando a negrura chamuscada dos telhados, o velho castelo, romano de origem, fazia tristeza com as suas ameias derrocadas e as grossas paredes em ruínas. Ao lado do castelo erguia-se destacadamente a velha torre do relógio, de uma arquitetura primitiva. Tinham dado onze horas, mas eram apenas sete: aquele “estafermo” é que não andava nunca direito. De dia ninguém o entendia, com o seu ponteiro de ferro girando num mostrador sem letras, de uma pedra azulada. De noite fartava-se de badalar, alvoroçando a povoação como se fosse a fogo, ora atrasado, ora adiantado, dando meia-noite quando eram quatro da tarde, e meio-dia mal despontava o Sol.

Eram as sete. Àquela hora é que os «figuros» da terra, quase tudo empregados públicos, vinham para o largo, à fresca".

27.- 2012 - Mogadouro 018

Para finalizar, e para termos uma ideia geral sobre a vila do Mogadouro, visualizemos este interessante vídeo

 

MOGADOURO E OS TEMPLÁRIOS|PORTUGAL

CARICATURA DE (JOSÉ FRANCISCO) TRINDADE COELHO

28.- ThumbnailDownloader

25
Mai20

Memórias de um andarilho - Caminhada nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor - 5ª etapa :- Bruçó-Mogadouro

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO 

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS 

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR 

5ª ETAPA:- BRUÇÓ - MOGADOURO 

(27.junho.2012)

 

01.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 25

(Estação de Mogadouro)

Embora esta etapa apareça como a 5ª na Linha, como referimos no post anterior, o certo é que foi a antepenúltima que realizámos.

 

Feitos este reparo, comecemos então a reportagem da caminhada desta etapa, de 14,8 Km, nesta  Linha abandonada.

 

E façamos já aqui um pequeno reparo. Embora a distância entre Bruçó e Mogadouro seja de 13, 759 Km, contudo, sabendo nós que os amigos companheiros – Florens e Tiago Pinto – que vinham de Duas Igrejas, já se encontravam nas proximidades de Mogadouro, algures entre Variz e Mogadouro, fomos ao seu encontro. Decorrido 1 Km, encontrámo-nos os três.

 

Fica aqui o registo. Primeiro, da nossa paragem, quando, via telemóvel, os dois nos avisavam que estavam perto.

02.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 06

Depois a paragem técnica para descanso dos pés e hidratação, face à canícula que fazia, de Tiago

03.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 12a (3)

 Florens.

04.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 12a (4)

Após uma pequena paragem, mochila às costas,

05.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 12a (5)

voltávamos ao caminho, em direção à Estação de Mogadouro, por onde tínhamos passado há pouco tempo.

 

Acabámos os três na Estação de Mogadouro, onde tirámos uma série de fotos, que aqui deixamos aos nossos(as) leitores(as).

 

Continuámos com a máquina de filmar, por isso, as imagens não apresentam grande qualidade.

 

Das fotos tiradas com os nossos dois amigos – Flores e Tiago -, primeiro, apresentamos uma na nossa aproximação à antiga Estação de Mogadouro, onde, usando o zoom, se vê ao longe Mogadouro, a cerca de 5 Km da Estação;

06.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 22

depois, chegávamos à antiga Estação.

07.- .- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 29

(Perspetiva I)

08.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 27

(Perspetiva II)

09.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 30

(Um pormenor do edifício)

10.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 31

(Estação, tendo por detrás, grandes silos de cereal)

Entrámos no edifício abandonado e em ruínas.

 

Linda arquitetura e bonitos interiores.

 

Mas, ficámos com um verdadeiro «dói de alma».

11.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 34

Que lastimável estado em que estas instalações se encontra(va)m!

12.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 33

 

***

 

Fizemos esta caminhada sozinho, à exceção, como acabámos de referir, do encontro com os doía amigos antes da Estação de Mogadouro.

 

Saíamos, de Bruçó, começava a raiar o sol.

13.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 01

Veja-se a Estação de Bruçó, infelizmente como a totalidade de todas as estações e apeadeiros desta antiga Linha, no estado lastimável em que se encontra(va)!

14.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 02

(Perspetiva I)

15.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 04

(Perspetiva II)

Deixámos a antiga Estação.

16.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 05

O canal da Linha, já não tem qualquer estrutura que indicie algum material fixo da mesma. Todo ele é tomado pela vegetação autóctone.

 

Tudo ao completo abandono!

 

Estamos no verão. No planalto transmontano é tempo da colheita do cereal. Aqui os campos não apresentam qualquer incúria ou abandono. Produzem e são úteis!

 

Eis, entre muitos, os cenários captados ao longo do percurso de hoje.

17.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 07

(Cenário I)

18.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 08

(Cenário II)

19.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 09

(Cenário III)

20.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 10

(Cenário IV)

21.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 11

(Cenário V, com um característico pombal)

22.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 12

(Cenário VII)

Aproximávamo-nos,

23.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 12a (1)

a passos largos,

24.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 12a (2)

da modesta povoação de Vilar do Rei, onde impera a sua Igreja.

25.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 13

Nesta aldeia, chamou-nos a atenção este pombo, de entre muitos que víamos enquanto caminhávamos, em cima do telhado de uma casa.

26.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 15

Embora caminhássemos com pé estugado, não deixámos de comtemplar esta linda flor,

27.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 16

bem assim esta viçosa flor de cardo que, uma vez seca, dado o seu poder coagulante, é utilizada para o fabrico de queijo.

28.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 17

O Apeadeiro de Vilar do Rei, um pouco mais à frente, aparece-nos.

29.-  2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 19

Passámos por ele, mas não pudemos entrar, tal a quantidade de silvedo que o envolvia!

30.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 18

Continuámos o nosso percurso, num canal de linha, deplorável, onde não se podia passar, e totalmente votado ao abandono,

31.- 2012 - Linha do Sabor - Bruçó-Mogadouro) 21

até que chegávamos à Estação de Mogadouro.

 

A partir daqui, já os nossos(as) leitores(as) conhecem a nossa história do restante da etapa de hoje.

 

Apresentamos o diaporama desta etapa realizado em março de 2013.

 

LINHA DO SABOR – 5ª ETAPA:- BRUÇÓ-MOGADOURO

 

11
Mai20

Memórias de um andarilho - Caminhada nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor - 4ª etapa :- Lagoaça-Bruçó

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

  

4ª ETAPA:- LAGOAÇA - BRUÇÓ

(28.junho.2012)

01.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 058

(Estação de Lagoaça)

 

A reportagem desta caminhada pelas «Travessas da linha do Sabor» está sendo, para nós, um parto difícil.

 

A razão é simples de explicar.

 

Esta linha abandonada foi feita a pé na primavera e princípio de verão de 2012.

 

Mas não foi uma caminhada, por etapas, feitas todas de seguida. Foi realizada em três fases. A primeira fase, composta de três etapas -  do Pocinho a Lagoaça, acompanhado pelo nosso amigo Neca e pelo Edu, nosso sobrinho neto, com apoio de viatura do nosso cunhado -, foi efetuada em três dias seguidos.

 

Por via de compromissos, deixámos as restantes etapas até Duas Igrejas, término da linha, para uma outra ocasião.

 

De 30 de abril a 2 de maio de 2012, aproveitando a estadia de nosso filho, em serviço no Picote, Miranda do Douro, aproveitámos para fazer a segunda fase, ou seja, as etapas – Mogadouro-Sanhoane, Sanhoane-Sendim e Sendim-Duas Igrejas.

 

Por questões logísticas, uma vez que a caminhada é linear, de manhã íamos até ao início da cada etapa com a nossa viatura e, à tarde, nosso filho, com a sua,  ia ter connosco ao término da mesma para nos levar ao início, a fim que pegarmos no nosso carro.

 

Para completarmos todo o troço da linha, faltava-nos fazer agora as etapas, que constituíam a terceira fase – Lagoaça –Bruçó e Bruçó – Mogadouro.

 

No dia 27 de junho de 2012, o nosso companheiro de muitas caminhadas, Florens, nosso sobrinho, juntamente com um amigo e colega de trabalho, Tiago Pinto, tentaram fazer a linha, via descendente, começando por Duas Igrejas.

 

Assim, no dia 27 de junho, iniciámos sozinho a etapa Bruçó até Mogadouro, via ascendente, ao encontro do Florens e do Tiago.

 

Entretanto Florens lesionou-se, nas proximidades de Mogadouro. Os dois amigos interromperam a caminhada por toda a Linha até ao Pocinho.

 

E como a nós apenas nos faltava fazer na Linha escassos 9,4 Km, de Lagoaça a Bruçó, Tiago e Florens esperaram por nós, para nos dar apoio, ou seja, nos ajudar a ir a Bruçó para irmos buscar a nossa viatura.

 

Em Lagoaça, na sua estação, almoçámos os três, do farnel que levávamos. A etapa Bruçó-Lagoaça foi a única que fizemos em sentido descendente, embora a apresentemos neste post como se fosse ascendente. E foi feita sozinho.

 

Na segunda quinzena de março de 2013, efetuámos um conjunto de oito diaporamas – um por cada etapa – oito etapas realizadas ao longo desta Linha do Sabor, que batizámos como «Pelas Travessas da linha do Sabor», apresentando-se agora a respetiva programação e os sítios da internet (Youtube), onde se podem visualizar.

 

PELAS TRAVESSAS DA LINHA DO SABOR

 

* 02.abril.2012:

- 1ª etapa:- Pocinho-Torre de Moncorvohttps://www.youtube.com/watch?v=TxoTf91PTAs

 

* 03.abril.2012 :

- 2ª etapa:- Torre de Moncorvo-Freixo de Espada à Cintahttps://www.youtube.com/watch?v=CK00-Qw4-BE

 

* 04.abril.2012

3ª etapa:- Freixo de Espada à Cinta-Lagoaçahttps://www.youtube.com/watch?v=mKTxkvzCJ7o

 

* 28.Junho.2012

- 4ª etapa:- Lagoaça-Bruçó - https://www.youtube.com/watch?v=iiV-pwC-Ofc

 

* 27.Junho.2012

5ª etapa:- Bruçó-Mogadourohttps://www.youtube.com/watch?v=X7EQJbP9rMM&feature=youtu.be

 

* 30.Abril.2012

- 6ª etapa:- Mogadouro-Sanhoanehttps://www.youtube.com/watch?v=jdpMuv0ragg&feature=youtu.be

 

* 01.Maio.2012

- 7ª etapa:- Sanhoane-Sendimhttps://www.youtube.com/watch?v=1yD4dihrpKU&feature=youtu.be

 

02.Maio.2012

- 8ª e última etapa:- Sendim-Duas Igrejashttps://www.youtube.com/watch?v=mWnsanAOmjI&feature=youtu.be

 

Para uma melhor visão da antiga Linha do Sabor, com o seu início e respetivo término, bem assim as suas estações e apeadeiros e quilómetros, apresenta-se a Legenda da mesma, obtido através da Wikipédia.

01a.- Linha do Sabor

Acresce a esta «via crucis» desta caminhada, na antiga Linha do Sabor, e no que respeita à sua reportagem, a circunstância de termos perdido o Bloco de Notas, no qual apontámos a impressões que para ele vertemos sobre cada etapa que realizámos, nomeadamente da segunda e terceira fase da caminhada nesta Linha, aliás como é nosso hábito fazermos em todas as caminhadas que efetuámos. Depois de tanto procurarmos, não conseguimos dar com ele!

 

Fica, aqui, assim, a reportagem apenas com as memórias que, passados oito anos, as imagens que captámos, nos suscitam!...

 

Embora esta etapa apareça como a 4ª na Linha, como se pode ver pela programação acima apresentada, o certo é que foi a última que realizámos. Embora as imagens que apresentamos apareçam no sentido Lagoaça-Bruçó, na verdade, elas foram tiradas – e, por isso, devem ser vistas – como realizadas enquanto caminhávamos no sentido descendente, ou seja, Bruçó para Lagoaça, aliás como acima informámos.

 

Feitos estes reparos, e dadas estas informações, vamos então começar a reportagem da caminhada desta linha abandonada que foi interrompida a 19 de fevereiro do corrente ano e iniciada a 22 de janeiro de 2017 com a 1ª etapa Pocinho-Torre e Moncorvo.

 

Esclarecendo que as imagens que vão ser exibidas não serem de boa qualidade: foram realizadas com uma máquina de filmar, em vez da máquina fotográfica que habitualmente usamos quando caminhamos.

 

***

 

Partimos de Bruçó ainda não eram bem oito horas da manhã. E, nesta etapa, percorremos apenas 9, 4 Km.

 

Num dia de verão.

 

Passada uma hora de caminho, começava-se já a sentir os efeitos do calor para estas paragens.

 

Tivemos que nos hidratar várias vezes.

 

Apresentam-se 4 imagens do trilho, um pouco antes da Estação de Lagoaça.

02.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 056

(Troço I)

03.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 055

(Troço II)

05.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 052

(Troço III)

06.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 049

(Troço IV)

Como se pode verificar, um total abandono a que este canal da antiga linha foi votado!

 

Bem patente no derrube deste poste de informação da antiga linha.

04.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 054

A povoação de Lagoaça começou a ficar-nos para trás.

07.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 045

E começávamos a entrar em pleno meio rural, numa zona que começava a antecipar o planalto.

08.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 043

Em relativamente pouco tempo, passávamos ao lado da subestação de Lagoaça.

09.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 041

E o planalto, configurando-se, cada vez mais, nítido,

10.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 039

começa-nos a aparecer, cortado pelo traço da antiga Linha.

11.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 038

(Perspetiva I)

11a.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 030

(Perspetiva II)

12.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 035

(Perspetiva III)

Seria esta ruina de construção um antigo abrigo de pastor(es)?

13.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 034

O tempo de que dispúnhamos, dava-nos azo à contemplação da Natureza e dos muitos elementos que a compõem.

14.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 033

Até que, a determinada altura, o canal, por onde caminhávamos, é interrompido.

15.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 031

Tivemos de contornar todo este lugar, transformado em pedreira,

17.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 022

Bons blocos de granito!

18.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 023

Do outro lado da pedreira, um grande bloco de granito a interromper a antiga Linha.

19.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 019

Abuso ou permissão? Neste reino português, vai-se lá saber como é que as coisas acontecem (ou se tecem)!...

 

Uma paisagem quente e rochosa, esta por onde passávamos.

 

Onde apenas medram os pequenos arbustos. E o zimbro que começa a aparecer.

20.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 018

(Cenário I)

20a.-2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 012

(Cenário II)

20b.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 011

(Cenário III)

Deixámos a pedreira com os seus amontoados de pedra

21.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 015

e seguimos caminho. Num dia de caminhada solitária, dado a muitas reflexões, à contemplação de pequenos insetos

21b.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 007

que a Natureza nos ia proporcionando.

21a.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 009

E com o calor a apertar cada vez mais. Bem diz o adágio popular que, para estas paragens, são «nove meses de inverno e três de inferno»! Estávamos no primeiro dos três.

 

Nas proximidades de Bruçó, esta sinalização de «Pare, Escute e Olhe»

26.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 006

Parar, parámos: estávamos no fim (isto é, os leitores sabem, no princípio) da nossa jornada de hoje; Escutar, já não ouvíamos, infelizmente, o estridente apito das antigas locomotivas; Olhar, olhamos – este estado desolador em que a estação/apeadeiro de Bruçó se tinha transformado!

 

Tanto dinheiro de todos nós ao desbarato! Uma tristeza.

27.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 001

Como tristes e solitários, sem encontrar viv’alma, foram todos os trechos por onde hoje passámos. A não ser os pouco trabalhadores da pedreira, que nos olhavam como se fossemos um extraterrestre. Mais os nossos dois companheiros – Florens e Tiago – que nos esperavam na Estação de Lagoaça.

 

Pobres e abandonadas terras, estas!!!

 

Apresentamos o diaporama desta etapa realizado em março de 2013.

 

4ª ETAPA:- LAGOAÇA-BRUÇÓ

29
Abr20

Memórias de um andarilho - Caminho de Santiago - Epílogo (2019) - 6ª e última etapa:- Lires-Muxía

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO

 

6ª E ÚLTIMA ETAPA – LIRES-MUXÍA

(19.abril.2019)

01.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (82)

Quando se trata da última etapa de um Caminho, sejam quais forem os quilómetro, bem assim a dificuldade em percorrê-los – e hoje apenas percorremos 15, 5 Km -, os mesmos não representam qualquer obstáculos para o caminheiro/peregrino, mesmo que venha muito cansado e, porventura, com feridas: o fim do Caminho está ali; e isso, é o que importa!

 

Apesar de, no calendário cristão, hoje  ser Sexta-Feira Santa, contudo, a nossa etapa não foi nenhuma via crucis.

 

Gostaríamos de, neste post, deixarmos aqui o escrito/poema de um peregrino anónimo que, algures, no fim da 1ª etapa deste Caminho, encontrámos em Negreira.

02.- CS - Epílogo - Poema de Negreira

No quarto/apartamento do Hotel Millan, onde nos hospedámos, naquele dia, enquanto líamos o poema acima exposto, Antón, lembrando-se da Catedral de Santiago que de manhã tinha deixado para trás, no seu caderno de desenhos, entretinha-se a desenhá-la.

03.- Desenho nº 1 do Antón

Ao sairmos do albergue, onde ficámos alojados, em Lires, fomos tomar o pequeno almoço no Bar/Restaurante, onde, ontem, quando chegámos, de Cabo (Faro) Fisterra, almoçámos.

 

E, de pronto, pusemos pés a caminho, andando pelas proximidades do rio Castro e passando por Vaosilveiro, Frixe e Guisamonde.

 

Deixamos aqui três cenário daquele troço percorrido.

04.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (1)

(Cenário I)

05.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (2)

(Cenário II)

06.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (4)

(Cenário III)

07.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (5)

(Cenário IV)

Em pouco tempo, estávamos a passar por Morquintián, ao lado deste Cruzeiro e de uma fonte.

08.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (12)

Morquintián é paróquia já muxiana.

 

Olhando um pouco para o nosso lado esquerdo, aparece-nos o campanário da velha igreja matriz.

09.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (17)

Cerca de 1,5 Km, com as eólicas no alto,

10.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (21)

dirigimo-nos até às imediações do Facho de Lourido. Aqui Antón «requisitou-nos» para uma foto da praxe.

11.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (21a)

Por um largo caminho, chegávamos até ao cimo.

12.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (24)

A partir daqui, começámos a descer,

13.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (27)

sempre a descer,

14.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (32)

até que chegávamos a Xurarantes,

15.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (33)

onde, mesmo aqui, os célebres espigueiros (hórreos) não podiam faltar!

16.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (36)

Saímos de Xurarantes, através de um caminho vicinal – sempre a descer – até que desembocávamos em estrada asfaltada. Já mesmo no fim da descida, virámos à direita e, andando umas centenas de metros, vislumbrávamos a praia de Lourido.

17.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (39)

Chegados aqui, Muxía já não nos fugia – estávamos perto! Mas ainda tínhamos um bom troço a percorrer à beira-mar.

18.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (46)

(Cenário I)

19.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (51)

(Cenário II)

Repare-se, aqui, no rendilhado dos terrenos de cultivo à beira-mar, protegendo-os da inclemência do clima marítimo para o uso agrícola, essencialmente dos ventos.

20.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (56)

(Cenário I)

21.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (58)

(Cenário II)

Enquanto andávamos no passeio, ao longo da costa, não podíamos deixar de imobilizar este momento.

22.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (62)

As gaivotas acompanhavam-nos e começámos a avistar casario.

23.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (61)

 

Entrávamos agora no aglomerado urbano,

24.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (65)

atravessando este largo passeio

25.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (68)

e, sem grandes preocupações agora de seguirmos o trilho oficial do Caminho, deixávamos o bairro limítrofe de Muxía,

26.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (69)

uma zona semiurbana, de agricultores e pescadores,

27.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (71)

e, por este trilho,

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fomos direitos à zona onde se localiza o Santuário de Nossa Senhora da Barca. Quase ao chegar ao cimo deste percurso,

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veja-se a alegria do nosso companheiro/peregrino Florens, fazendo-nos uma careta para a fotografia.

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Antes, porém, de nossos olhos se virarem para o Santuário, à nossa frente, no nosso caminho, eis este monólito – A Ferida – uma escultura de Alberto Bañuelos-Fourier, com mais de 11 metros de alturas, dividida em duas partes, simbolizando a rutura, o impacto que, em 2002, representou o náufrago do petroleiro Prestige, em termos ambientais, para a costa galega, considerado o maior desastre ambiental da história de Espanha. Através da sua fenda, podemos observar o mar. E os barcos, quando se aproximam da terra, podem ver esta obra, lembrando-lhes que não se esqueçam do impacto da maré negra e da enorme solidariedade em que se empenharam tantos voluntários, para que o mar voltasse a ter a cor que hoje, quando por aqui passamos tem e vemos.

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Da Ferida, em frente ao mar, fomos até ao Santuário de Nossa Senhora da Barca.

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No meio da Costa da Morte encontra-se Muxia, uma aldeia pesqueira por excelência com uma infinidade de histórias por trás ligadas ao mar, aos celtas e também à Santiago. Esta parte da atual Galiza, Espanha, apesar de tudo, foi resistente à conversão ao cristianismo e, só mais tarde convertida, no século XII.

 

A história mais primitiva de Muxia está ligada à existência de um conjunto de pedras situadas na Ponta de Barca ou também designada Ponta Xaviña.

 

Chegados ao Santuário, Florens quis ver as suas famosas pedras. Mas, chegados aqui, um pouco de História, que é o mesmo que dizer, falemos da(s) lenda(s) que anda(m) associada(s) a este lugar e a estas pedras. Se é bem certo que lenda não é História, isto é, não consta de factos comprovados, é, contudo,  através das lendas que, muitas vezes, ou quse sempre, a História se tece. História de um lugar e, com ela, a vida de muitas localidades e povos.

 

Contemos então a versão mais comum e conhecida da lenda ligada a este lugar.

 

No «Narradores del Misterio», podemos ler que em muitos lugares do mundo existiu um culto pagão ligado a algumas pedras assim como a elementos da natureza. Numerosas lendas atestam estas situações e a Costa da Morte, onde estamos, reúne uma série de lugares em relação aos quais se pode afirmar que, efetivamente, esses cultos se praticavam. O facto de estas paragens serem consideradas o fim do mundo (finis terrae), para os celtas e os romanos propiciava essas crenças. Um dos factos que nos mostra a força destas antigas divindades está no interesse que a Igreja Católica teve em cristianizar estes lugares, o que, tal circunstância, deu origem a santuários tão importantes como o Cristo de Fisterra, de que no post de ontem falávamos, ou a Virgem da Barca, de Muxía.

A cristianização da pedra que abanava (abalar, em galego) vem na sequência da dita aparição da Virgem ao Apóstolo (Santiago), numa barca de pedra, quando por estas paragens evangelizava. Depois da aparição da Virgem Maria, Santiago abandona a região norte na qual estava pregando e desloca-se em direção às cidades célticas do Centro e em seguida volta para Jerusalém acompanhado de seus dois discípulos mais próximos, Teodoro e Atanásio, dando por encerrada sua pregação na Península Ibérica, deixando, no entanto, plantada nestas terras distantes, a primeira semente que viria a florescer pelos séculos futuros. Quando a Virgem desaparece, a barca, em que vinha, ficou depositada neste lugar. A barca era constituída pela embarcação (Pedra de Abalar),

33.- Pedra de Abalar

(Fonte:- Leyendas y piedras en Muxía)

que Florens e Antón – pecadores insensíveis – estão pisando-a,

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a vela (Pedra de Cadrís)

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(Perspetiva I)

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(Perspetiva II)

e o leme (Pedra do Timón)

36.- Pedra do Timón

(Fonte:- Leyendas y piedras en Muxía)

A pedra é um símbolo de invariabilidade, que a diferencia de outros elementos da natureza, os quais estão sujeitos a mudança. E relaciona-se com o facto transcendente, que lhe outorga uma certa «sacralização», passando, desta forma, a ser objeto de culto e adoração.

 

É pela forma, tamanho e origem que decorre a sua simbologia, particularmente nas pedras que se movem (abalan, em galego). A Pedra de Abalar move-se com a ajuda de uma pessoa. Todavia, há uma crença popular que que a Pedra de Abalar só se move quando quer, ou seja, quando se move, pressagia desgraça. Esta qualidade de pressagiar ou adivinhar é atribuída também a outras pedras.

 

Ainda segundo o «Narradores del Misterio», e chamando à colação Manuel Murguía, diz que a pedra foi usada na antiguidade como elemento probatório, nomeadamente de fidelidade conjugal, à semelhança de outras pedras celtas.

 

A Pedra de Abalar, que, apesar de tudo, não parou de balançar por muitas centenas de anos, em dezembro de 1978, por via de uma forte tempestade, que sofreu toda a costa da Galiza,  teve fortes danos, que afetou e a fez deslocar do seu lugar original, quebrando-a em parte. Foi depois reparada em várias ocasiões. A última vez foi em 06 de janeiro de 2014, dias depois de um grande incêndio no próprio Santuário da Virgem da Barca.

 

Por sua vez, a Pedra dos Cadrís tem uma forma de rins ou osso helíaco, conforme a perspetiva com que se vê. A ela são atribuídas propriedades curativas. Acredita-se que, se as pessoas passarem nove vezes por debaixo dela, doenças renais, costas e cabeça são curadas.

 

Perto destas três pedras, situa-se a Pedra ou Furna dos Namorados. É um lugar reconhecido, sem qualquer conexão de tipo religioso, onde os namorados juram o amor eterno.

37.- Pedra-dos-namorados1

(Fonte:- Leyendas y piedras en Muxía )

Falemos agora do Santuário da Virgem da Barca.

 

Segundo Ana Wanke – Turismo e Aventura,  estima-se que o Santuário da Nossa Senhora da Virgem da Barca, de Muxia, incrustada em um costão de pedras, era originalmente um santuário celta pré-cristão.

 

Estima-se que a origem do santuário data dos séculos XI ou XII, mas foi reconstruída várias vezes até chegar ao templo atual, que data do início do século XVIII. As torres foram construídas em meados do século XX.

 

O Santuário foi restaurado em 2012, porém no dia 25 de dezembro de 2013 um raio atingiu a construção.

Segundo o Jornal de Notícias, de 26 de dezembro de 2013, as chamas dentro da igreja começaram, na madrugada do dia de Natal, na sacristia e rapidamente alastraram pelas traves de madeira da nave central, deixando o edifício do século XII "totalmente destruído", contou o presidente da câmara de Muxía, Félix Porto, ao jornal "El Mundo".

 

Apesar dos esforços dos bombeiros de vários municípios vizinhos, pouco se conseguiu fazer para travar as chamas e evitar a destruição da igreja situada junto ao mar, naquela que é conhecida como a Costa da Morte.

 

Apesar dos estragos, a importância da igreja levou Junta da Galiza a anunciar que vai tentar reconstruir o histórico templo "custe o que custar", afirmou o presidente Alberto Núñez Feijoo, de visita ao monumento atingido pelas chamas.

 

Infelizmente, apesar de todo o esforço dos bombeiros, todo o seu interior foi queimado, inclusive o lindo retábulo barroco.

 

Após uma inspeção mais profunda ao templo incendiado, as primeiras indicações apontavam que não havia danos graves na cúpula e nas paredes. Foi rapidamente reconstruído, mantendo a aparência exterior anterior.

 

O santuário da Virgem de Barca é lugar de peregrinações desde o século XII e local de celebração de uma das romarias mais emblemáticas da Galiza.

 

Entrámos no seu interior.

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Dá a ideia que está tudo como dantes, contudo, o original retábulo barroco desapareceu.

 

Estivemos ainda na sacristia, pergunto ao «cura» onde poderíamos obter a «Muxiana», uma vez que a Oficina de Turismo, no centro de Muxía, por ser Sexta-Feira Santa, se encontrar fechada. Não obtivemos resposta cabal, umas vez que ali no Santuário não a passarem.

 

Saímos deste local de peregrinação,

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tirando uma foto ao Florens e ao Antón numa das paredes do Templo.

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Seguindo pela rua Manuel Lastres e rua Real, deixávamos, à nossa direita, a Igreja de Santa Maria.

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Não subimos ao Monte Corpiño, onde a mesma Igreja está implantada. Em 2008 já lá tínhamos estado e, do seu alto, admirado a formosa paisagem sobre o porto de Muxía, de um lado, e, de outro, a norte, a ria de Camariñas, com o  Cabo Vilán, no seu extremo, o parque eólico e, à direita,  o Monte Farelo.

 

Como tínhamos chegado relativamente cedo a Muxía – passava muito pouco do meio dia – entrámos num café junto à Oficina de Turismo. Reforçámos o nosso pequeno almoço, enquanto aguardávamos que Isa, mulher do Florens, e Marth, seu irmão mais novo, chegassem de Vila Real (Portugal). Isa havia-se prontificado a ir-nos buscar a Muxía.

 

E magicávamos como poderíamos obter a «Muxiana». Num assomo de lembrança, demo-nos conta que o albergue Bela Muxia se encontrava por estes lados. Tentámos a nossa sorte e fomos até lá. Identificámo-nos. Referimos ao rececionista que, em 2013, já ali tínhamos ficado alojados e perguntámos-lhe se nos podia passar três «Muxianas». Recalcitrante, dizendo-nos que tinha poucas e que as mesmas eram para os clientes do albergue – e que podiam não chegar. No final, lá acabou por nos passar as três «Muxianas», mediante a exibição dos Cartões de Cidadão e das três respetivas Credenciais.

 

Feliz, vimos ter com os nossos companheiro/peregrinos, explicando-lhes como as tinha obtido.

 

Tomado o reforço do pequeno almoço e com as «Muxianas» na mão, saímos do café para darmos uma volta ao porto, donde se pode avistar o Monte Corpiño,

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e ao centro de Muxía.

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Apresentamos apenas dois cenários que fomos captando.

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(Cenário I)

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(Cenário II)

Enquanto percorríamos o centro desta vila pesqueira, apercebemo-nos que hoje era a XXIII Festa do Congro de Muxía.

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Na zona do Mercado e da Lota,

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Serviam, sem qualquer pagamento, a todos os residentes e visitantes, congro à discrição.

 

Estávamos para entrar na «fila». Mas acabámos por desistir e dirigimo-nos para a zona noroeste da vila, local, onde calculávamos, que Isa aparecesse com Marth.

 

Por estas paragens, numa das pontas do porto e entrada da vila,

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por aqui andámos.

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E, porque se trata de uma zona abundante em restauração, muito simplesmente escolhemos o restaurante onde, naturalmente, iríamos comer, logo que chegassem Isa e Marth. Congro, pois então!

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Neste pequeno jardim, à beira-mar e perto do restaurante, chamou-nos a atenção este pequeno arbusto, vergado pelos ventos marítimos.

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E este monumento a Gonzalo Lopez Abente, poeta muxiano.

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Gonzalo L. Abente é considerado «o poeta do mar», das Irmandades da Fala. Em 1971, foi-lhe dedicado o Dia das Letras Gallegas, oito anos após a sua morte. No mesmo dia do Dia das Letras Gallegas, em 1971, foi este monumento inaugurado, em frente ao «seu» mar.

Não resistimos em deixar aqui um seu poema, exatamente com o nome

 

O MEU MAR

 

Unha nube de chumbo a tapar todo o ceu;

borraxeira e orballo que revoan no ar;

os inxentes penedos, xa tristeiros de seu,

espallando queixumes con dorido fungar;

os montes envolveitos na brétema sotil;

e as bocas desdentadas das furnas no cantil.

 

Escumas, ardentías,

atruxante balbor,

e, cal apocalípticas porfías

de cíclopes, vestiglos e xigantes

das vellas e varís mitoloxías,

os ecos trepidantes

do líquido elemento bruador.

¡O mar!

¡O meu mar!

¡O mar que eu vexo,

nestes días de inverno

gris, abalante,

inquedo, forte e rexo,

 

a cólera a roubar do fondo do averno

e a bater nas orelas, escumante

de rabia e de furore, nun épico loitar!

 

Este mar que derruba coas paredes das hortas,

desfaise contra os cons e sobe polos cabos;

que corre polas rúas ribeiranas e tortas

antre as casas homildes dos mariñeiros bravos

Este mar belicoso que a costa brava asedia,

que as ondas esnaquiza nunha branca fervenza

e en escumas de prata no cantil as destrenza...

é o gran creadore dunha eterna traxedia.

 

E, finalmente, Isa e Marth chegavam a Muxía!

 

Fomos, de imediato, para o restaurante, que estava «à pinha» e, apesar de uma pequena espera, lá nos serviram o tão afamado congro de Muxía.

 

Confessamos que não somos muito fã deste peixe, todavia, este soube-nos muito bem.

 

Antes de partirmos rumo a Portugal, fomos ainda dar uma voltinha à beira-mar – para ajudar a fazer a digestão.

 

Depois entretivemo-nos nestas escadas,

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em amena cavaqueira.

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A certa altura, isolámo-nos um pouco e, em jeito de despedida, ficámos a contemplar este mar e este lugar – da Costa da Morte.

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Eram horas de partir para chegarmos a Portugal, e a Vila Real, ainda de dia.

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Subindo estas escadas,

57.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (102)

dirigimo-nos para a viatura. E partimos…

 

Florens, Isa e Marth deixaram-nos – a nós e ao Antón – em Chaves, antes de se dirigirem para Vila Real.

 

Aqui fica a foto dos três caminheiros/peregrinos, na Casa dos pais do Antón.

58.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (103)

Apresentamos o mapa da nossa etapa e respetivo perfil

59.-Percuros e perfil da 6ª etapa

(Fonte:- Eroski Consumer, adaptado)

Andámos, nesta etapa 15 Km 550 metros.

60.- Percuros 6ª etapa CS - Epílogo (2019)

Deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) o diaporama da etapa para visualização e mais um desenho de uma ponte, vista algures numa das etapas do Caminho.

 

CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO – 6ª E ÚLTIMA ETAPA:- LIRES-MUXÍA

DESENHO DE UMA PONTE DO ANTÓN

61.- Desenho nº 2 do Antón

PS – Federico Garcia Lorca este na Galiza. Durante a sua estada, escreveu 6 poemas. Deixamos um bem impressivo, relacionado com a Virgem da Barca, bem assim a letra de uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola, cantada por Amancio Prada.

 

¡AY RUADA, RUADA, RUADA

¡Ay ruada, ruada, ruada

da Virxen pequena

e a súa barca!

 

A Virxen era pequena

e a súa coroa de prata.

Marelos os catro bois

que no seu carro a levaban.

 

Pombas de vidro traguían

a choiva pol-a montana.

Mortos e mortas de néboa

pol-as congostras chegaban.

 

¡Virxen, deixa a túa cariña

nos doces ollos das vacas

e leva sobr'o teu manto

as froles da amortallada!

 

Pol-a testa de Galicia

xa ven salaiando a i-alba.

A Virxen mira pr'o mar

dend'a porta da súa casa.

 

¡Ay ruada, ruada, ruada

da Virxen pequena

e a súa barca!

AMANCIO PRADA – NOSSA SENHORA DA BARCA (GARCIA LORCA)

27
Abr20

Memórias de um andarilho - Caminho de Santiago - Epílogo (2019) - 5ª etapa:- Faro (Cabo) de Fisterra-Lires

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO

 

5ª ETAPA – FARO DE FISTERRA - LIRES

(18.abril.2019)

 

01.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (38) 

Quando, no dia 14 do corrente mês, dávamos início à reportagem deste Caminho neste blogue, dizíamos que já em 2008 havíamos feito este Caminho entre Santiago de Compostela e Muxía; contudo, quando a 5 de setembro daquele ano de 2008 pretendíamos efetuar a etapa entre Muxía e Fisterra, começou a cair uma tal borrasca – chuva que caía a cântaros – que desistimos, deixando a etapa, com os mesmos protagonistas, para outra altura.

 

A 25 de março de 2013, os mesmos caminheiros/peregrinos de 2008, fizeram a etapa Muxía-Fisterra, conforme documentário de 7 de abril de 2013 neste mesmo blogue. E, para azar dos azares, foi uma etapa feita sempre debaixo de intensa chuva, apesar de no dia anterior, quando chegámos a Muxía e nos albergámos no albergue Belamuxía, estar um dia lindo.

 

Completamente alagados em água, ao chegarmos ao albergue de Fisterra, apenas mudámos de roupa, levantámos a nossa «Fisterrana» e viemo-nos embora para Chaves.

 

O irmos ao Cabo (Faro) Fisterra – o verdadeiro fim do Caminho – naquela altura, nem sequer se pôs. Em resumo, nunca tínhamos ido ao Faro (Cabo) Fisterra.

 

Na etapa deste nosso segundo Caminho de Santiago (Epílogo), que partiu de Hospital, tínhamos intenção de ir ao Cabo Fisterra. Mas, como relatámos já, chovia – mais uma vez! – tanto que acabámos por desistir. Ficámos, assim, por Fisterra. E combinámos que, no dia a seguir, início da nossa última etapa que nos levaria a Muxía, partiríamos do Faro (Cabo) Fisterra.

 

E foi o que sucedeu.

 

Conforme nosso Bloco de Notas, às 7 horas e 30 minutos, estávamos no Centro de Fisterra,

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no Bar «A Pedra» para tomarmos o pequeno almoço. Um pequeno almoço igual a todos os outros que costumamos tomar pelo Caminho – à base de cá com leite, pão torrado, manteiga e compotas.

 

Saímos do Bar

03.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (7)

e esperámos 20 minutos para que, na praça de táxi, aparecesse um táxi para nos levar ao Faro (Cabo) Fisterra.

 

Enquanto esperávamos, aproveitámos para tirar umas quantas fotografias à escultura do Emigrante, cujo projeto é de Agustín de la Herrán Matorras, inaugurado em 1993. Apresenta-se um pormenor da escultura.

04.-

Felizmente que o dia de hoje nada tinha a ver com o de ontem! Prometia sol…

 

Largados pelo taxista no Faro, fomos explorá-lo.

05.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (17)

O Cabo Finisterra (em galego: cabo Fisterra; em castelhano: cabo Finisterre) é um promontório de granito com 3 km de comprimento e 600 metros de altura, situado no concelho de Fisterra, província da Corunha, na Galiza, Espanha.

 

O cabo serve de linha divisória entre as Rias Baixas e as Rias Altas galegas.

 

O emblemático cabo obteve a distinção de Património Europeu em 19 de março de 2007, tornando-se um dos trinta bens escolhidos pela União Europeia como elementos com um "papel essencial na história e na identidade da Europa".

 

Diz-nos o sítio do Turismo da Galiza, sob a rubrica Cabo Finisaterra, este lugar foi considerado durante séculos como o limite das terras conhecidas, a fronteira do Além, o Fim do Mundo.

Os romanos pensavam que este era o ponto mais ocidental da terra e, portanto, era aqui que o mundo acabava. Era o "finis terrae".

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A ponta é uma falésia em ascensão desde os temíveis ilhotes de O Petonciño e A Centola até ao monte de O Facho (242 m) onde parece que se encontrava o Ara Solis da Antiguidade para a celebração dos ritos solares. Tradicionalmente, é considerado o ponto mais ocidental do continente, embora esse título não lhe corresponda, - porquanto pertence ao Cabo da Roca, em Portugal.  O Caminho de Santiago prolonga-se até aqui para os peregrinos que, segundo a tradição, queimam as roupas na orla do mar antes de iniciarem o regresso a casa.

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Desde o princípio dos tempos, Finisterra evoca um mistério indecifrável na alma dos homens. As raízes da aura lendária destas paragens, abertas à imensidão do Oceano Atlântico, descansam na mitologia dos primeiros povoadores da Europa.

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Os antigos acreditavam que o mundo terrenal dava lugar, com a chegada da morte, a outra existência numa ilha situada a oeste, onde o sol se punha. Nas lendas celtas, é frequente encontrar imagens de heróis que fazem a sua última viagem até este paraíso numa barca de pedra. Esta união de pedra, mar e espiritualidade pervive em diversas formas ao longo da Costa da Morte. Quando os romanos chegaram a este lugar, presenciaram pela primeira vez o espetáculo grandioso do sol que se afuna nas águas. Encontraram um altar dedicado ao astro rei, o Ara Solis (culto do sol), erguido pelas tribos celtas da zona. Diversas fontes encontram um paralelismo direto entre a imagem do sol a afundar-se no mar e a hóstial e o cálice que formam o escudo da Galiza. Hoje, uma praça da localidade recebe o nome de Ara Solis.

 

Há, todavia, autores que identificam o cabo Finisterra com o antigo Promontório Nerio dos geógrafos romanos.

 

O Cabo Finisterra esconde o verdadeiro segredo da Costa da Morte: paisagens agrestes e praias impressionantes, umas (ao abrigo do cabo) de águas tranquilas

09.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (34)

e outras de forte ondulação, como a Mar de Fora, uma das praias mais selvagens da Galiza. E a grande atração de todos os tempos: o por-do-sol sobre a imensidão do oceano,

10.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (18)

(Aqui, no caso, o nascer do sol)

o mar do fim do mundo.

 

O ponto mais concorrido é o miradouro do farol.

11.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (11)

O farol foi construído em 1853. A torre mede 17 metros, é octogonal

12.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (23)

e a sua luz, situada a 143 metros de altura acima do nível do mar, alcança mais de 30 milhas náuticas. A constante névoa do Inverno provocou que lhe fosse acrescentada uma sirene em 1888, a Vaca de Finisterra,

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para avisar os navegantes do perigo existente. Ainda assim, foi palco de naufrágios, como em 1870, quando o Monitor Captain se afundou levando 482 pessoas da sua tripulação, no acontecimento mais trágico desta costa.

 

A torre, feita de cantaria, é de base octogonal, e acaba numa cornija sobre a qual se apoia a varanda. Em cima fica a abóbada, com uma lanterna poligonal.

É, muito provavelmente, o mais visitado da Europa

14.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (16)

e um dos mais próximos da América.

 

É considerado como o cabo do fim do mundo (Finis Terrae). Durante milhares de anos pensou-se que para além deste ponto existia apenas uma sima aquosa onde o sol se apagava todas as noites e através da qual se chegava a uma região de trevas, povoada por monstros marinhos.

15.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (51)

(Antón Junto da bandeira Argentina, na ravina, junto ao mar)

16.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (43)

(Pormenor)

Diz-se que, nos dias claros, é possível observar a fronteira com Portugal. É conhecido por todos os navegantes do mundo, pela sua importância como meio de aviso da proximidade de uma costa muito perigosa (a sua luz chega a atingir 65 Km de comprimento), assim como pela fama de traiçoeira que esta zona marítima tem.

 

Na verdade, o farol de Fisterra é o lugar onde «o silêncio esconde algo mais que palavras”!

17.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (15)

Antes da chegada do Cristianismo, os europeus já viam na Finisterra um ponto de peregrinação obrigatório. Mas, depois da descoberta do túmulo do Apóstolo, a rota para o ocidente atlântico atingiu o seu máximo esplendor. O Caminho de Santiago, guiado pelas luzes da Via Láctea, termina aqui, em frente ao oceano.

18.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (40)

Assim, o visitante que deixe o seu olhar voar desde este promontório, não só desfrutará de vistas de grande beleza; estará também a participar num mito que intimida e atrai os homens há milhares de anos.

19.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (27)

O historiador romano Lucius Florus conta como os legionários de Roma contemplaram com sagrado temor o por-do-sol sobre o oceano quando alcançaram a Finis Terrae, no século II a. C. A Finis Terrae, Finisterra, ou Fisterra, como se denomina na Galiza, converteu-se desde então num ponto de visita obrigatória para qualquer pessoa que faça o Caminho Jacobeu.

 

Quando fazemos um Caminho, e somos acompanhado por Florens, normalmente este, numa das etapas, faz-nos um cajado de um pedaço de pau que encontra pela Caminho. Quando fizemos o Caminho Português Interior de Santiago, íamos acompanhados por seu filho Rod e por mais um amigo. Neste, esqueceu-se de nos fazer um; todavia, na última etapa, num muro de uma propriedade, estava um cajado, de bambu. O Caminho acabou por nos dar um. Neste, Florens, entretido com Antón, também se esqueceu de nos fazer um cajado. No promontório do Faro de Fisterra, estava um cajado à nossa espera. O Caminho havia-nos dado outro!

 

Explorado o Faro de Fisterra e o seu promontório, saímos deste lugar

20.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (62)

demos então início à nossa jornada de hoje até Lires.

21.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (21)

Descemos, por asfalto, até Fisterra. Ao longo deste percurso, parámos uns poucos minutos para tirarmos uma foto

22.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (66)

a esta moderna escultura de um peregrino medieval,

23.-2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (70)

contemplado daqui, pela última vez, a escarpa do Cabo Fisterra.

24.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (71)

Já nas proximidades de Fisterra, passámos ao lado da Igreja de Santa María das Areas.

25.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (76)

Trata-se de uma Igreja do século XII e, segundo consta, alberga a talha gótica do Cristo de Fisterra – uma imagem envolta em lenda; tem também esta Igreja uma Porta Santa e um Santiago Peregrino do século XVII.

 

Em pouco tempo estrávamos no bairro de San Roque, passando pela Cruz de Baixar, um cruzeiro em granito do século XVI, que tem, numa face, o Cristo Crucificado e, noutra, Maria Imaculada, com o Menino Jesus.

26.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (79)

Atravessámos o aglomerado urbano de Fisterra e, a partir daqui, demos início ao percurso que nos levaria até Muxía,

27.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (81)

deixando para trás o seu casario

28.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (84)

E o areal da praia de Langosteira.

29.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (82)

Até que chegávamos a San Martiño de Duio e a sua igreja paroquial.

30.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (87)

Trata-se de uma igreja barroca de 1717, de uma só nave e com sacristia adossada. O nome de Duio reporta-nos à legendária cidade de Dugium, submersa nas águas e ao lugar que os discípulos de Santiago visitaram para solicitar o enterro do Apóstolo, segundo nos relata o Códice Calixtino, do século XII.

 

Apresentamos alguns aspetos dos trechos do Caminho que, de San Martiño de Duio, nos levou até perto do areal e praia do Rostro e Padrís, passando por Escaselas, Hermedesuxo de Baixo, Rial, Buxán, Suarriba, Castrexe, todas estas povoações pertencentes à paróquia finisterrana do Sardiñeiro, num percurso quase todo ele efetuado por asfalto, entre pinheirais, e sem nenhum bar ou café.

31.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (90)

(Um tanque no trecho I)

32.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (94)

(Paisagem no trecho II)

33.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (95)

(Espigueiro no trecho III)

34.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (97)

(Florens e Antón fotografando no trecho IV)

35.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (98)

(Ciclistas rodando pelo pinheiral no trecho V)

36.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (103)

(Espigueiros em terra de milho no trecho VI)

37.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (104)

(Bar Aurora, fechado e quinqulharias em Buxán no trecho VII)

38.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (105)

(Trecho VIII)

Até que, nas proximidades do areal do Rostro, oceano Atlântico,

39.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (108)

Parámos para descansar um bocadinho, hidratarmo-nos e comermos umas barritas de cereais.

40.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (112)

Depois desta pausa, mochila às costas, continuámos o nosso percurso, passando por uma paisagem idêntica à anterior, com pinheiro e plantações de milho, e com o mar por perto.

41.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (116)

(Cenário I)

42.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (117)

(Cenário II)

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(Cenário III)

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(Cenário IV)

45.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (119)

(Cenário V)

Antes de entramos em Canosa, atravessámos um lindo trecho do nosso traçado.

46.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (133)

Em poucos minutos entrávamos nos limites de Lires,

47.-2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (135)

(Trecho I)

48.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (137)

(Trecho II)

onde a sua ria, por estas paragens, faz toda a diferença.

49.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (138)

Pelas 13 horas entrávamos em Lires.

 

Na parte baixa da povoação, a Igreja de San Estevo, dos princípios do século XVII.

50.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (139)

Subimos a povoação de Lires até ao cimo e parámos aqui neste Bar/Restaurante onde, ao lado, tem um hotel e um albergue privado. Ficámos aqui. Já não há albergues públicos!

51.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (140)

Como já anotámos, agora proliferam os albergues privados. Antes de tratarmos de todas as burocracias no albergue, sentámo-nos na esplanada deste Bar/Restaurante. Estava uma linda tarde de sol.

 

Depois de comermos fomos então para o albergue, depois de carimbarmos as credenciais e pagarmos a estadia, no valor de 12€ cada pessoa. Tomámos banho. Mandámos mensagens para os familiares. Descemos outra vez à esplanada para tomarmos um sumo. E fomos para o albergue. Deitados, uns liam; outro, dormia.

 

Ainda desafiámos Florens para irmos explorar Lires. Não quis. Só o conseguimos arrancar do albergue já quase ao fim da tarde.

 

Descemos a povoação e fomos até às proximidades da ria de Lires.

52.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (141)

Aqui fomos encontrar um sítio bem aprazível,

53.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (149)

onde existe um Restaurante & Bar - «A Braña».

54.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (142)

Veja-se um aspeto do seu interior.

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Bem assim este pormenor, que encantou o Florens.

56.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (145)

Aqui mesmo fizemos uma longa pausa e esperámos pela hora do lanche/jantar.

57.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (148)

Comemos.

58.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (152)

E, sorrindo, porque a vida voa, sol posto, saímos deste aprazível lugar até aos nossos aposentos. Amanhã seria a nossa última etapa, com a chegada a Muxía.

 

Apresentamos o mapa da nossa etapa e respetivo perfil

59.- 2019.- 05.- CS (Epílogo) - Faro de Finisterra-Lires (155)

(Fonte:- Eroski Consumer, adaptado)

 

Andámos, nesta etapa 17 Km 360 metros.

60.- Wikiloc - Km

Deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) o diaporama da etapa para visualização.

CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO – 5ª ETAPA:- FARO  DE FISTERRA-LIRES

18
Abr20

Memórias de um andarilho - Caminho de Santiago - Epílogo (2019) - 2ª etapa:- Negreira-Santa Mariña

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO

 

2ª ETAPA – NEGREIRA-SANTA MARIÑA

(15.abril.2019)

 

Vamos, uma vez mais, servirmo-nos do nosso Bloco de Notas para nos avivar a memória quanto a esta etapa.

 

Saídos do Hotel Millan, depois de ali tomarmos o pequeno-almoço, dirigimo-nos para a receção para, dali, pormos pé a caminho. Mas, aqui, estancámos, já com as mochilas às costas: estava a chover! Há que abrir a mochila e tirar o poncho para nos protegermos da chuva que, embora miudinha, molhava.

 

Atravessámos toda a localidade, porquanto nos hospedámos quase logo à entrada, e dirigimo-nos para a saída.

 

Embora com chuva – mas não querendo molhar a nossa máquina fotográfica – com a objetiva do nosso telemóvel, deixámos Negreira, despedindo-nos do Monumento ao Emigrante, fotografando-o em dois ângulos

01.- 20190415_083247

(Ângulo I)

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(Ângulo II)

e dando de frente com o Pazo Cotón.

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Demos uma rápida olhadela ao Pazo e saímos da urbe de Negreira por debaixo de um dos seus arcos.

03.- 9242350Master

Saídos do aglomerado de Negreira, e atravessado o rio Barcala, afluente do Tambre, passámos pela pequena aldeia de Negreiroa.

 

Decorrido sensivelmente 1 Km, estávamos junto da Igreja de San Julián, do século XVII.

04.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (1)

No Alto da Cruz, víamos, ao longe, Negreira.

05.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (2)

Em cerca de dois quilómetros, deixávamos este espigueiro,

06.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (4)

Nas proximidades de Zas, passando pela Igreja de San Mamede de Zas.

 

Por estas paragens, a chuva começa a cair mais intensamente. Mas há que continuar. A meteorologia, segundo Florens, estava certa: dava chuva abundante entre as 10 e as 12 horas. E estávamos exatamente nas 10 horas e 30 minutos!

 

Apenas tivemos tempo, mesmo sob esta chuva intensa, para, tirando do bolso a nossa máquina fotográfica, arriscar três ou quatro fotos. Ficam aqui dois registos de uma paisagem muito verde e das suas aldeias entre grandes lameiros.

07.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (6)

(Registo I)

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(Registo II)

Até que, ao Km 4,6, nos embrenhávamos no Camiño Real

09.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (9)

Bem agradecíamos uma pequena aberta, mas, andando pelos altos, a chuva não nos dava tréguas.

 

Passámos por Rapote e pelo monte de Espiñareiro praticamente sem nos darmos por isso.

10.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (13)

Até que, nas proximidades de A Pena começou a chover que mais parecia um dilúvio. Corremos até às proximidades de um bar, situado num alto do Caminho.

 

O bar estava completamente cheio de gente, peregrinos que aqui também se acolheram para se abrigarem, beberem ou tomarem algo.

 

Meia hora passada, a chuva começou a abrandar um bocadinho. Botámos mochila às costas e continuámos a nossa jornada, por piso asfaltado, seguindo por Piaxe (Km 8, 4), Portocamiño (Km 8,9) e Cornovo (Km 9,3).

À saída de Cornovo, desembocámos em piso de terra batida. Íamos completamente encharcados.

11.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (14)

Em pouco tempo, estávamos a atravessar o rego de Forxán.

12.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (16)

Depois da paragem do Altiño do Cotón, a paisagem intercala-se com várias espécies arbustivas e arbóreas, nomeadamente, desde o tojo, eucaliptos e pinheiros, por entre campos de milho e trigo.

13.-2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (19)

(Cenário I)

14.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (24)

(Cenário II)

15.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (27)

(Cenário III)

Passámos por Vilaserío e Cornado, última aldeia do concello de Negreira, eram decorridos 15 quilómetros, como se fôramos «cães por vinha vindimada». A partir de Cornado, devido à concentração parcelária, a paisagem rural modifica-se significativamente: amplos caminhos abertos, cortando propriedades, campos verdejantes e muito, muito verde. Aqui e ali, pequenas manchas florestais. Tudo em plena bacia do rio Barbeira. Vejamos alguns cenários, numa aberta, sem chuva.

16.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (30)

(Cenário I)

17.-

(Cenário II)

18.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (38)

(Cenário III)

19.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (39)

(Cenário IV)

20.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (40)

(Cenário V)

21.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (43)

(Cenário VI)

22.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (45)

(Cenário VII)

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(Cenário VIII)

Há uma grande abundância de campos de milho e trigo. Estamos em plena bacia do rio Maroñas.

24.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (55bb)20190415_125143

Em cerca de 40 minutos, entrávamos no concello de Mazaricos (Km 19,8). Os tradicionais espigueiros por aqui proliferam.

25.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (55aa)20190415_125541

(Espigueiro I)

26.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (55)20190415_125531

(Espigueiro II)

Até que, seguindo pelo asfalto, chegávamos a Santa Mariña, com mais uma carga de água sobre o pelo.

 

Chegávamos ao Café-Bar Gallego.

27.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (55d)20190415_195747

Perguntámos ao dono como é que era com o albergue ali ao lado. Era exatamente ele o proprietário do mesmo que, juntamente com sua esposa, o geria. 

28.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (56a)20190415_195732

Trata-se de um albergue modesto, onde apenas existem 6 camas. Ainda bem que tinha aquecimento: uma caldeira que funcionava com «pellets».

 

Tirámos toda a roupa encharcada que trazíamos e pusemo-la a lavar e a enxugar em duas máquinas aqui existentes. Foram 8€ por lavar e enxugar toda a roupa dos três. Levámos os três pares de botas, juntamente com os ponchos e os impermeáveis,  para junto da caldeira: estavam todas encharcadas, por dentro e por fora. E, depois, fomos tomar banho.

 

Ainda bem que as botas ficaram bem secas para a etapa do outro dia!

 

Com o tempo tão instável e com poucas escolhas nesta localidade, fomos almoçar ao Café-Bar Gallego.

29.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (55e)20190415_145320

Comemos massa «spaghetti» com panados de porco e batas fritas. Foram 30€ pelo almoço dos três, mais 30€ também pelo alojamento no albergue.

À noite, no mesmo estabelecimento, comemos tortilha. E a «chapa» foi 30€. 

O albergue

30.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (56)

até ao final do dia, ficou com as camas todas ocupadas: dois «velhotes», de língua francesa, que chegaram já junto à noite, e, chegada um pouco antes de nós, uma jovem portuguesa, de Matosinhos (Porto), bailarina – a Cláudia. Aqui fica apresentada. Até porque foi nossa companheira de jornada na etapa seguinte.

 

Uma nota quanto a esta peregrina no nosso Bloco de Notas: “A bailarina, Cláudia, é uma moça simpática e muito sociável”.

31.- 2019.- 02.- CS (Epílogo) - Negreira-Santa Mariña (57)20190416_123049

Apresentamos o percurso da etapa bem assim o perfil da mesma

32.- CS - Epílogo - 2ª etapa

(Fonte:- Eroski Consumer, adaptado)

Andámos 22Km 230 metros.

 

E deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) o diaporama da etapa para visualização.

 

CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO – 2ª ETAPA:- NEGREIRA-SANTA MARIÑA

14
Abr20

Memórias de um andarilho - Caminho de Santiago - Epílogo (2019) - 1ª etapa:- Santiago-Negreira

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO

 

1ª ETAPA – SANTIAGO DE COMPOSTELA-NEGREIRA

(14.abril.2019)

01.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (98)

Preâmbulo

 

Faz hoje exatamente um ano que demos início a este Caminho, efetuando a 1ª etapa entre Santiago de Compostela e Negreira.

 

É a segunda vez que o fizemos. Em 2008, entre os dias 1 e 4 de setembro, com um então amigo e seus dois filhos, fizemos as etapas Santiago-Negreira; Negreira-Olveiroa e Olveiroa-Muxía.

 

Na reportagem que, sobre este Caminho, a 7 de abril de 2013, fazíamos neste mesmo blogue, a determinada altura, dizíamos que, quando, naquele dia 5 de setembro, nos preparávamos para fazer a etapa Muxía-Fisterra, sobre Muxía caiu uma tal borrasca, que parecia um dilúvio. Chovia autenticamente a cântaros e, daquele jeito, nem sequer nos atrevemos a por pé a caminho para a última etapa que tínhamos planeado fazer até Fisterra. Naquela altura, cada um arranjou a sua mochila e, esperando por uma pequena aberta, fomos à procura de um meio de transporte que nos levasse até Santiago de Compostela. Só a 25 de março de 2013 é que, os mesmos caminheiros, tal como então havíamos prometido, fizemos a etapa Muxía-Fisterra, conforme documentário feito a 7 de abril de 2013, também neste blogue. E, azar dos azares, também foi uma etapa feita sempre debaixo de intensa chuva, apesar de no dia anterior o céu estar limpo. Tinha de ser!...

 

Costumamos afirmar que somo pouco adepto de fazermos  os mesmos caminhos. Gostamos de variar. E de preferência, com pouca gente a acompanhar-nos. Ao efetuarmos, pela segunda vez, este Caminho, fomos levado mais pela excelente companhia e pelo gosto em partilhar quatro jornadas com o nosso habitual companheiro/sobrinho, Florens – que nos mostrou grande vontade em fazê-lo – e com o neófito, nestas andanças, Antón, nosso sobrinho neto.

 

Só que, a exemplo do que fizemos com o Caminho Sanabrês, que também o repetimos com o Florens, fizemos uma ligeira alteração, ou seja, para além de dividirmos em duas a tradicional etapa entre Negreira e Olveiroa, em vez de irmos diretos a Muxia, fomos a Fisterra e, daqui, acabámos o Caminho em Muxía.

 

 

Vamos pegar no nosso Bloco de Notas sobre este Caminho para nos rememorarmos a nossa ida para Santiago de Compostela e a nossa 1ª etapa deste Caminho.

 

Saímos de Chaves dia 13 de abril em direção a Ourense. Quem nos levou foi o pai de Antón que veio acompanhado do Pê, irmão mais novo do Antón.

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Chegados à Estação de Caminho de Ferro de Ourense,

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tomámos os três o Avant em direção a Santiago de Compostela. Levámos 38 minutos a chegar. Foi uma viagem rápida e agradável, apesar de o dia estar «plúmbeo» e com chuviscos, principalmente em Santiago de Compostela.

 

Chegados a Santiago de Compostela, Florens mostrou interesse em ir a uma loja do «Coronel Tapioca». Pelo que apurámos na web, haveria duas: uma, no Casco (Centro) Histórico – rua Rosalia de Castro? – e outra, na rua da República Argentina. Depois de andarmos às voltas, chegámos à conclusão que já não havia nenhuma!

 

Dirigimo-nos ao Albergue The Last Stamp (El Último Sello),

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na rua do Preguntoiro,

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perto da praça Cervantes,

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onde tínhamos feito a reserva. As camaratas são mais pequenas do que as dos albergues tradicionais do Caminho, mas é tudo muito limpinho e bonitinho.

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Deixamos aqui a decoração de uma parede.

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Por outro lado, a rececionista Mónica era um doce de simpatia.

 

Acomodámo-nos e depois fomos dar uma volta pelo Casco Histórico,

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(Um aspeto da Prala Cervantes)

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(Pormenor de uma rua)

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(Aproximando-nos da praça do Obradoiro - Pormenor I)

04.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (2)

(Mosteiro de San Martin Pinario)

em direção à praça do Obradoiroonde impera a Catedral,

05.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (7)

o Palácio Raxoi

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sede da Xunta da Galicia,

06.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (6)

(Pormenor)

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o Hotel/Parador dos Reis Católicos (antigo Hospital de Peregrinos),

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(Pormenor da fachada principal do hotel)

e, do outro lado oposto, a fachada principal do edíficio da Vice-Reitoria da Universidade de Santiago de Compostela.

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Num dos recantos do Centro, sentámo-nos para beber uma cerveja e, depois, perto do Albergue El Último Sello, na praça Cervantes, fomos jantar à Casa Monolo.

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A Casa Manolo é a nossa Casa favorita para comer. A preços cómodos e com alguma qualidade. Depois de comermos, não deixámos de tomar o nosso café (solo!), dirigindo-nos para os nossos aposentos para dormir.

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1ª etapa:- Santiago de Compostela-Negreira

 

Não vamos descrever todos os diferentes trechos do itinerário desta etapa. Para o efeito, no post de 6 de abril de 2013,  já o fizemos. Destacamos aqui somente o que registámos no nosso Bloco de Notas.

 

Saímos do Albergue já passava das 9 horas da manhã.

 

Neste Caminho é obrigatório passar pela praça do Obradoiro e, depois, descendo, ao lado do Parador/Hotel dos Reis Católicos,

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dirigimo-nos à rua das Hortas.

07.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (10)

Mas, antes, tivemos de ir à Oficina do Peregrino, que agora se encontra localizada nesta zona, para obtermos as nossas credenciais.

 

Estava um tempo «murcho», muito nublado e com chuva.

08.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (13)

Encontrámos muita gente na Oficina do Peregrino.

 

Saímos de Santiago

09.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (17)

em direção aos seus arredores ao encontro da ponte sobre o rio Sarela.

10.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (18)

Em Sarela de Baixo, com templo nubloso e chuvoso, eis a perspetiva das três Torres da Catedral.

11.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (22)

Um pouco mais à frente, junto ao ribeiro (rio) Roxos,

12.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (34)

Fizemos uma curta pausa para comermos uma pitada de frutos secos, chocolate e hidratarmo-nos.

13.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (41)

E continuámos o nosso percurso, depois de passarmos por uma ponte medieval, completamente reformada.

14.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (42)

Ao chegarmos ao Alto do Vento, parámos neste restaurante para fazermos o reforço do nosso pequeno almoço.

15.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (44)

E continuámos caminho

16.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (47)

(Pormenor I)

17.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (50)

(Pormenor II)

até Aguapesada.

18.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (60)

A partir daqui começa o troço mais complicado e difícil desta etapa – uma subida de 2Km, vencendo um desnível de 270 metros de altitude, pisando o Caminho Real até ao Alto do Mar de Ovellas e seguindo por Trasmonte, Reino e Burgueiros.

 

Neste troço parámos uma data de vezes, descansando nos bancos espalhados pelo percurso. Na verdade, estes troços já não são bem adequados para a nossa idade. Mas, com mais vagar e paciência, lá conseguimos chegar até ao lugar de Carballo

19.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (65)

e, finalmente, começámos a descer

20.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (74)

até à Ponte Maceira.

21.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (83)

Aqui procurámos um restaurante para almoçarmos. O nosso almoço foi peixe – sargo assado. Num fogão a lenha. Estava uma delícia.

 

Depois de uma manhã húmida, a tarde começou a compor-se. Embora não clareando o sol, deu para nos espalharmos por este maravilhoso recanto, onde o rio Tambre passa,

22.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (114)

apreciarmos a sua ponte, chamada de Vella, dos finais do século XIV, mas com várias reparações por vias das intempéries ao longo do tempo,

23.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (85)

e os seus diferentes e maravilhosos cenários.

24.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (102)

(Cenário I)

25.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (105)

(Cenário II)

26.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (112)

(Cenário III)

27.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (117)

(Cenário IV)

28.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (120)

(Cenário V)

E, após uma ligeira pausa, para falarmos sobre este local,

29.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (115)

continuámos nossa jornada.

30.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (122)

Deixámos aos(às) nossos(as) leitores(as) três imagens deste bonito trecho percorrido,

31.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (126)

(Imagem I)

32.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (127)

(Imagem II)

33.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (125)

(Imagem III)

ao longo do rio Tambre

34.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (129)

e mais duas imagens, de uma propriedade, depois de passada a povoação da Barca.

35.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (131)

(Imagem I)

36.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (132)

(Imagem II)

A partir de Ponte Maceira, o percurso do Caminho foi um passeio até Negreira,

37.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (134)

embora apanhássemos alguns chuviscos.

 

Em Negreira fomos ter ao Hotel Millan, onde ficámos num apartamento com três camas. Dormimos confortavelmente. E não houve roncos perturbadores.

 

Depois de instalados no hotel e de resolvermos alguns problemas que os nossos telemóveis tinham com a captação do wi-fi, fomos para o Centro, onde impera a figura do Santiago peregrino,

38.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (135)

e a célebre escultura da Vaqueira.

39.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (138)

Percorremos as principais ruas do Centro e observámos a Casa do Concello.

40.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (145)

(Aspeto geral)

41.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (144)

(Pormenor da fachada principal)

Parámos na cervejaria O Cotón

42.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (149)

onde bebemos cada um a sua cerveja, 

20190414_192115

dando dois dedos de conversa

20190414_192255

e, saindo daqui, dando mais uma pequena volta, observando um ou outro pormenor,

43.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (146)

Fomos a um restaurante/pizzaria. Optámos por comer pizza: um, comeu uma havaiana; outro, uma carbonara e o nosso Florens, uma de queijos.

20190414_205623

Tomado o café da praxe, regressámos ao hotel.

 

Tínhamos a roupa, molhada pela chuva ao longo do percurso, enxuta, porquanto o aquecimento estava ligado. Escrevemos as nossas impressões da jornada no nosso Bloco de Notas. Contactámos com os familiares. Demos uma vista de olhos à etapa do dia seguinte. E deitámo-nos.

 

Apresentamos o percurso da etapa bem assim o perfil da mesma

ru1

SantiagoNegreiraRE

(Fonte:- Mundicamino)

E deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) o diaporama da etapa para visualização.

CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO – 1ª ETAPA:- SANTIAGO – NEGREIRA

PANORÂMICA DE PONTE MACEIRA

45.- 2019.- 01.- CS (Epílogo) - Santiago-Negreira (1)

 

10
Abr20

Memórias de um andarilho - Ecovia do Rabaçal - PR 3 VLP - Tinhela - Praia Fluvial do Rabaçal - Parte III - Fornos do Pinhal - Praia Fluvial do Rabaçal e Ponte do Arquinho

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

ECOVIA DO RABAÇAL

(VALPAÇOS-ALTO TÂMEGA/NORTE DE PORTUGAL)

 

PR3 VLP – TINHELA-PRAIA FLUVIAL DO RABAÇAL

 

PARTE III

(FORNOS DO PINHAL – PRAIA FLUVIAL DO RABAÇAL)

 

01.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (328)

Logo à entrada da aldeia, e passada a respetiva rotunda, à nossa direita, um aspeto do casario de Fornos do Pinhal, em dia de se fazerem queimadas nas terras.

02.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (264)

Na nossa pesquisa sobre Fornos do Pinhal, no sítio da web «Fornos do Pinhal», da responsabilidade da Câmara Municipal de Valpaços, podemos ler que Fornos do Pinhal é uma freguesia/povoação, sem aldeias anexas, do concelho de Valpaços, distrito de Vila Real. Faz fronteira com o distrito de Bragança. Situa-se muito perto da margem esquerda do rio Calvo, afluente do rio Rabaçal.

Segundo o mesmo sítio «Fornos do Pinhal», esta povoação foi um curato de apresentação do abade de Santa Valha, no termo da vila e concelho de Monforte de Rio Livre. Em 1527, segundo o Cadastro da População do Reino, tinha cerca de 30 fogos, sendo o “seu senhor”, nessa altura, D. Afonso de Ataíde, conde de Atouguia. Nesse documento, é referida a freguesia de Fornos do Pinhal. No entanto, apenas em 1755 a povoação foi descrita com algum pormenor pela primeira vez, sendo caracterizada pelo parágrafo que a seguir se apresenta:

Fornos do Pinhal, província de Trás-os-Montes, bispado de Miranda, comarca da Torre de Moncorvo, termo de Monforte de Rio Livre, anexa ao benefício de Santa Valha. É de donatário que é o conde de Atouguia. Tem 104 vizinhos, 324 pessoas de sacramentos (…)”.

 

Ainda segundo o sítio da web acima referido, “Do prisma eclesiástico, pertenceu primitivamente à Arquidiocese de Braga, passando depois para o de Miranda do Douro. Aquando da criação da diocese de Bragança, em 1770, passou à jurisdição desse prelado. Em 1885 voltou à Arquidiocese e, em 1992, ao tempo da criação da diocese de Vila Real, passou para a nova diocese, à qual pertence na atualidade”.

 

Ao nível do património edificado, merece destaque a Igreja Matriz. Construída em 1682 por ordem do abade Martim Velho Barreto. É um templo humilde, reconstruído depois do incêndio que, em 1928, praticamente o reduziu a cinzas.

 

Quanto à etnografia mais pura desta população, ficou célebre, em tempos, uma festa que todos os anos, pelo S. João, se realizava – “mouriscada” ou “mouriscadas”, que tinham uma forte componente militar embora se caracterizassem por ter também carácter religioso: simulavam combates a pé e a cavalo entre frações rivais, desfilando depois de finda a luta, diante dos “mordomos” e demais população. Tratava-se de um evento que atraía a Fornos do Pinhal milhares de forasteiros. Uma evocação, afinal, do carácter rural desta freguesia e do seu passado histórico.

 

Tentámos investigar um pouco mais sobre Fornos do Pinhal. Em termos da sua etnografia, não encontrámos nada que hoje, em termos de continuidade, se aperceba existir. Morreram, simplesmente, parece-nos. Apenas fomos dar com o lançamento de um livro da autoria de Jorge Alves Ferreira, natural de Chaves, «Fornos do Pinhal – Valpaços – História e Tradiçoes». 

03.- Fornos do Pinhal - Hístória e Tradições

Florens tinha pressa em chegar à Praia Fluvial do Rabaçal. Atravessámos, por isso, muito depressa a aldeia, deixando para trás a sua Igreja Matriz, não vendo, em pormenor, alguns dos seus edifícios.

 

Apenas deu para ver o seu bonito jardim, no qual se destaca o busto de Francisco do Nascimento Rua, homenagem da sua filha, Susana Rua,

04.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (267)

o Coreto e,

05.-2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (268)

no topo do mesmo, impera a Casa Grande ou Solar dos Calaínhos.

06.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (269)

Falemos um pouco sobre a

 

CASA GRANDE OU SOLAR DOS CALAÍNHOS 

 

A «Casa Grande», nome pela qual é conhecido o Solar dos Calaínhos, foi edificada em 1795. Possui brasão registado no Cartório da Nobreza. A família desta Casa deu generais e outros oficiais superiores da carreira de armas.

 

Na fachada principal abre-se uma varanda que assenta sobre colunas ladeando a porta principal, de decoração rocaille. Nos cunhais e no frontão subsistem fogaréus de cunho joanino.

07.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (266)

Em «Solares e Casas Antigas de Portugal», diz-se que o Solar dos Calaínhos, na Aldeia de Fornos do PinhalValpaços, servia como residência sazonal da família.

 

O apelido dos Calainhos foi dado a um dos antigos membros da família por se assemelhar fisicamente ao tipo de homem de Calais.

 

Continuando a atravessar a aldeia, passámos por esta bonita Capela da Senhora do Prado (?),

08.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (270)

pelo Largo de S. João Batista

09.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (272)

e pela Casa dos Arcos.

10.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (274)

Encostada a uma das suas paredes, um fontenário da década 60 do século passado.

11.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (273)

Deixámos Fornos do Pinhal, rodeada de olival.

12.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (275)

Por entre vinhas, olivais e pinhal, sempre em constante e razoável descida,

13.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (277)

a certa altura, infletindo por um estrito caminho,

14.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (280)

começámos a avistar a Praia Fluvial do rio Rabaçal.

15.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (280a)

(Perspetiva I)

16.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (281)

(Perspetiva II)

Uma vez na estrada, não nos dirigimos à Ponte romana do Arquinho. Optámos por ir buscar a viatura, estacionado no Parque da Praia Fluvial e, subindo até ao cruzamento para a Ponte, estacionámos a viatura e fizemos a pé os 500 metros que nos separavam da Ponte do Arquinho.

 

Assim, entrámos no espaço da Praia Fluvial do Rabaçal.

17.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (283)

Chegados ao carro, verificámos, através da nossa aplicação Wikiloc, quanto quilómetros andámos: 19 Km e 420 metros, com uma altura acumulada de 138 metros. Faltava-nos ainda a ida e volta à Ponte do Arquivo, com mais, sensivelmente 1 Km.

18.- Wikiloc - PR 3 VLP - Ecovia do Rabaçal

Deixemos aqui o Mapa das três partes parte do percurso deste PR 3 VLP da Ecovia do Rabaçal

19.- Mapas Ecovia do Rabaçal III

Descemos umas dezenas de metros até à

 

PONTE DE VALTELHAS

O sítio do «Porto e Norte de Portugal» diz-nos que a Ponte sobre o Rio Rabaçal, é de provável construção seiscentista, mas, ao que parece, substituiu uma outra, visto que o seu aparelho integra alguns silhares com marca de "forfex" romanos e outros siglados, de origem medieval. Possivelmente, integrava-se na via romana que ligava León e Astorga a Zamora e Salamanca. O tabuleiro forma rampa muito suave em apenas metade da sua secção e desenvolve-se sobre cinco arcos de amplitude desigual. Possui talha-mares de secção triangular, formados por degraus escalonados, encimados por gárgulas para escoamento de água, o que é pouco comum. A sua altura levou-a a receber o epíteto de Ponte do Diabo.

Ponte de tabuleiro quase plano, orientado sensivelmente no sentido O. - E., formando rampa suave em metade da sua secção, assente em cinco arcos de volta perfeita, o central de maior amplitude, com um raio de 8,7 m, e os laterais sucessivamente de menores dimensões, tendo os intermédios um raio de 4,15 m e os dos extremos 3,1 m. Os arcos possuem aduelas largas e pouco compridas, com o extradorso regular, e, no intradorso dos três centrais, uma série de agulheiros para encaixe dos cimbros. O aparelho dos paramentos é regular, em silhares de granito, em fiadas pseudo-isódomas, mas documenta os sucessivos arranjos ao incorporar silhares com marca de "fórfex" e outros siglados. Apresenta os pegões reforçados, de ambos os lados, por quatro talha-mares triangulares, altos, escalonados e de remate piramidal, à exceção de um dos talha-mares, que não é escalonado, possivelmente devido a uma reconstrução mais recente. Sobre estes e encimando os dois arcos extremos, surgem seis gárgulas para escoamento de água. Pavimento formado por lajes de granito dispostas regularmente, protegido por guardas plenas em cantaria, colocadas horizontalmente, sobre cornija avançada, e possuindo num ritmo regular, pequenos vãos retangulares, para escoamento do excesso das águas.

20.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (291)

A pé,

20a.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (297)

dirigimo-nos para a

 

PONTE (ROMANA) DO ARQUINHO

Utilizemos, uma vez mais, o sítio da web do Município de Valpaços, que, quanto à Ponte romana do Arquinho nos diz:

A Ponte Romana do Arquinho, também conhecida por Pontão de Possacos localiza-se na freguesia de Possacos, no concelho de Valpaços, situada num encantador vale do rio Calvo.

21.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (317)

Esta histórica construção data provavelmente do século I d.C., na altura de ocupação Romana do território, e integraria a Via XVII do Império Romano, que ligaria "Bracara Augusta" (Braga) a "Asturica Augusta" (Astorga, Espanha).

No local foram encontrados marcos miliários atribuídos aos imperadores Maximino e Máximo, atestando a importância histórica e arqueológica do monumento.

A Ponte caracteriza-se pelo seu tabuleiro plano com 7,5 metros de largura,

22.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (312a)

assente no seu único arco de volta perfeita.

23.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (309a)

(…) A partir da ponte, ainda é visível um troço de calçada formada por lajes de grandes dimensões, com marcas de rodados e relativamente bem preservada.

24.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (312)

O troço da via dirige-se para a aldeia de Possacos, contornando um relevo com forte declive”.

25.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (343)

Florens e Antón, em anema cavaqueira, apreciavam

26.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (309)

e conversavam a propósito deste Monumento e da sua História,

27.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (307)

Enquanto nós, apreciando esta vegetação autóctone e este lugar tão aprazível, num dos placares informativos, liamos: “A sólida Ponte do Arquinho é um testemunho fiel da transumância dos romanos pelo concelho de Valpaços. Caracteriza-se pela tosquicidade do talhe dos seus silhares, singular pela arquitetura e sublime pelo esplendor que emana. O eixo da Via Augusta na Ponte do Arquinho corresponde a 495 metros lineares”.

28.- 2020.- Ecovia do Rabaçal (PR3-VLP) - Nikon (305)

Ficámos devidamente informado.

 

Andámos mais 500 metros até à nossa viatura estacionada na berma da  estrada.

 

Dirigimo-nos depois até Tinhela para ir buscar a outra viatura e, por volta das 18h30m, estávamos em Chaves.

 

Aguardemos que este distanciamento social a que somos forçados neste tempos complicados acabe para, assim, podermos fazer os outros dois Percursos Pedestres de Pequena Rota que constituem, com este que acabámos de fazer, a Grande Rota da Ecovia do Rabaçal.

 

Deixámos à visualização dos(as) nossos(as) leitores(as) este pequeno diaporama desta terceira parte do

 

PR 3 VLP – PARTE III (FORNOS DO PINHAL – PRAIA FLUVIAL DO RABAÇAL E PONTE DO ARQUINHO) ECOVIA DO RABAÇAL

02
Abr20

Memórias de um andarilho - Vale do Lima (Límia) - Parte V - As Torres da Límia

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

VALE DO LIMA (LÍMIA) – OURENSE/GALIZA

 

AS TORRES DA LÍMIA

01.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (58)

Com este 5º post, damos por finda a nossa incursão no Vale da Límia (Lima), na província de Ourense, Comunidade Autónoma da Galiza.

 

E o seu tema anda à volta das Torres da Límia (Lima), grande parte delas construídas durante o período da Idade Média, durante a era histórica designada da Reconquista Cristã e coetânea com a fundação da nacionalidade portuguesa.

 

É popularmente conhecida a existência na Límia (vale do Lima galego) de 4 Torres medievais, que flanqueavam e defendiam a Lagoa de Antela

02.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (27)

 e, consequentemente, toda a designada Alta Límia.

 

Todavia, segundo Carlos G. Salgado, no seu artigo, escrito em 2010,  «As Cen Torres da Límia – Portelam de Sanctio Iohannis – O Castelo de Portela de Pena», não seriam apenas as Torres (e castelos) de Sandiás,

03.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (87)

Portela de Pena,

04.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (46)

Porqueira (ou da Forxa)

05.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (54)

e Celme, que existiam na Límia. Havia muitas mais. Cerca de uma centena.

 

Peguemos, então no artigo de Carlos G. Salgado e escalpelizemos a sua tese.

 

Em termos de organização e estrutura defensiva, a Límia (vale do Lima), desde os seus primeiros povoados, teve os mesmos problemas que qualquer outro território do noroeste peninsular, derivados da orografia do seu terreno.

 

Na época castreja, foram os cumes dos montes e as vertentes agrestes e pendentes as mais procuradas e escolhidas para assentamentos populacionais, por serem estes os lugares mais privilegiados para a construção de estruturas defensivas e fortificações.

 

Com a ocupação romana, optou-se preferentemente por espaços cuja acessibilidade privilegiasse o controlo defensivo e estratégico do território, ou seja, terrenos mais planos, próximos de redes fluviais e vias de comunicação romanas ou autóctones. Os romanos aplicaram, assim, novos princípios nos conceitos estratégicos de defesa. Situação esta que os povos bárbaros seguiram e, mais tarde, os árabes.

 

Elza Maria Gonçalves Rodrigues de Carvalho, na sua tese de doutoramento «Lima Internacional: Paisagens e Espaços de Fronteira», diz que, apesar dos novos conceitos estratégicos trazidos pelos romanos e seguidos pelos povos que se lhes seguiram, a insegurança e instabilidade daquele tempo, levou a que os habitantes dos novos povoados voltassem a ocupar os antigos assentamentos de altitude, que nunca deixaram de ser abandonados.

 

Mas certo é que o território da Límia (vale do Lima), depois dos romanos, foi-se despovoando, por via das várias razias e saques a que o mesmo esteve submetido durante séculos. Foram, primeiro, as invasões bárbaras, com os suevos e visigóticos e, mais tarde, as incursões árabes que, em 716, com o caudilho Abdelaziz, em 825, com Al Abbas e, a mais conhecida, a do célebre Almanzor, que arrasou o burgo de Santiago de Compostela, em 997.

 

Logo imediatamente a seguir à invasão árabe, como é que se organizou defensivamente o território da então chamada Limiam?

 

Nos últimos séculos do primeiro milénio, com a chamada Reconquista Cristã, que começou nas Astúrias, em 722, apareceram no noroeste peninsular os primeiros castelos, com uma nova estrutura arquitetónica, exclusivamente militar, concebida não para acolher um povoado, mas uma pequena guarnição de soldados cuja missão era a segurança e defesa do território que lhe estava contíguo, em coordenação com outros limítrofes, que estavam inseridos na mesma estratégia, e, em muitas ocasiões, ligados uns aos outros por torres de vigilância ou atalaias.

 

Diz-nos Carlos G. Salgado que, do castelo ou atalaia, saíam as forças que percorriam os campos, dando segurança aos povos e trabalhadores do campo, os quais revertiam o fruto do seu trabalho para o próprio castelo.

 

Segundo Elza Maria Gonçalves Rodrigues de Carvalho,  esta nova conceção de defesa explica a mudança no tipo de povoamento, com uma nítida e decisiva distribuição dos povoamentos por vales agrícolas, já iniciada com a ocupação romana e, mais intensamente, nas centúrias seguintes, ficando concluída praticamente nos séculos XI e XII.

 

Na perspetiva de M. J. Barroca, referido por Carlos G. Salgado, na obra que vimos seguindo, é a partir do momento em que as populações se distribuem pelas áreas de vale, que as fortificações começam a aparecer em maior quantidade, na medida em que os amuralhamentos apenas podiam garantir a segurança apenas a uma parte do território e das suas respetivas populações. Assim, surgiu a necessidade dos Senhores da Idade Média de erguerem muralhas ao redor dos aglomerados humanos e de construir uma rede de castelos que apoiasse o sistema defensivo do seu território.

 

Deste feita, estas estruturas militares foram, portanto, os elementos fundamentais do ordenamento do território, que tiveram como princípio de localização um conjunto de fatores de âmbito geográfico: em primeiro lugar, os cumes  dos montes, muitos deles ocupados anteriormente por antigos Castros, que permitiam a visualização de extensos horizontes e, em segundo lugar, o traçado das redes fluviais e viárias, que facilitariam o controlo e vigilância de vastos territórios, tendo como missão a proteção e defesa dos mesmos.

 

Neste contexto, damos conta, na Idade Média, que o território do vale do Lima era designado por Limiam. E era uma área que pouco tinha a ver com a atual Límia, porquanto se espalhava pelo sul da província de Ourense e mais, nomeadamente, a sul do rio Arnoia, ainda que alguns autores o façam alongar, em tempos do Imperador Afonso VII, até às portas de Ribadávia e, inclusive, até à própria cidade de Ourense.

 

Tinha, muito provavelmente, a capital na vila e fortaleza de Allariz, a partir da qual se organizava a defesa do complexo e conflitivo espaço, cuja principal característica seria ainda um povoamento incipiente e disperso.

 

Foi, assim, neste período, que se tomaram as primeiras e determinantes medidas, no âmbito da organização administrativa local e regional, depois da época romana, ao aparecerem os castelos como verdadeiros centros de poder (senhorial, feudal).

 

Até à independência e fundação da nacionalidade portuguesa, os territórios do vale do Lima sempre estiveram sobre a mesma coordenação política e económica e, fundamentalmente, religiosa da diocese de Braga. Com a independência e fundação de Portugal, o território do vale do Lima passa a ser um território de fronteira e, por isso mesmo, transforma-se num teatro de complexas estratégias bélicas, que se prolongariam por muito tempo depois, com reajustes políticos e estratégicos, causando, às populações locais limianas uma dolorosa separação social, política e administrativa.

 

Apesar de todas as fronteiras (políticas e militares) criadas, os vínculos culturais das gentes da Gallaecia galaico-lusitana continuam vivos até aos nossos dias.

 

A partir do século XII, a Límia será cenário e palco de guerras entre D. Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal, e Afonso VII, filho de Dona Urraca, de Castela, litigando ambos os contentores pela posse da parte meridional do Reino da Galiza.

 

Afonso Henriques encetou uma estratégia, tentando convencer os nobres da Galiza Lucense a apoiarem-no, no sentido da conquista de mais território para a sua causa Bracarense.

 

A longa raia fronteiriça, que compreendia o então Condado de Limiam e o Condado Portucalense, numa extensão de 170 Km, foi palco de frequentes lutas e disputas pelo seu domínio.

 

Afonso Henriques chegou a ocupar o sul da Galiza em várias ocasiões, entre 1130 e 1169. Concretamente, em 1130, D. Afonso Henriques, tentando recuperar as terras que eram de sua mãe, D. Teresa, comandou uma ofensiva, no sul da Galiza, e, depois de tomar Tui, encaminhou-se para a Limiam, onde, com a ajuda do tenente da Limiam – Conde Rodrigo Pérez – incorporou-a na sua Coroa, construindo, acima da atual aldeia de Congostro, o castelo de Celme, do qual apenas hoje existe um simples silhar.

06.- Silhares de Celme

Face a esta situação, na opinião de Carlos G. Salgado, na então designada Limiam, não existiam 4 castelos, mas sensivelmente meia centena de fortalezas, entre castelos e atalaias.

Microsoft Word - A FORTALEZA DE PENA DA PORTELA As torres do Val do Limia.d…

Concretamente, refere, na bacia da Lagoa de Antela,

07.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (25)

condicionada pela rede hidrográfica e pelos caminhos, ainda hoje se podem ver as imponentes Torres de Portela de Pena,

08.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (43)

Sandiás

09.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (72)

Porqueira (ou da Forxa).

10.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (60)

E incita-nos a imaginar as muralhas e torreões do Castelo Celme, nas proximidades de Ponteliñares.

11.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (130)

Mas também, continua Carlos G. Salgado, olhando a Lagoa,

12.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (53)

podemos imaginar erguida a Torre de Homenagem do Castellum Sancti Ihoannis de Barra, em Padreda, perto de Vilar de Barrio; o de Cimo de Ribeira (séc. X), construído pelo Conde Gutierre Mendez, pai de San Rosendo; a Torre de Abavides, em Trasmiras; o Castelo de Vila de Rei, no Monte Castelo; a provável atalaia de Penaverde, divisória do vale de Monterrei com o vale do Límia.

 

Mais a sudeste, estava o impressionante Castelo de Aguiar de Moa, conhecido pelos Penedos da Raíña Loba, no concello dos Blancos, parróquia de Santiago de Covas. No mesmo espaço da planura de Antela, podemos ainda citar a Torre de Xinzo de Limia.

 

Em direção a Allariz, encontramos os castelos de Malpasos, no Monte de San Salvador dos Penedos, perto de Guimaraes, a fortaleza de Allariz, que «artilhava», militar e administrativamente, o Território, assim como outras atalaias ou castelos como a Torre de a Cal, Toran e a Mezquita, que ainda conservam importantes vestígios.

 

Na parte meridional de Limiam, encontramos importantes castelos como os de Vilanova dos Infantes, Milmanda, Sande e o Castelo de Santa Cruz, em Quintela de Leirado.

 

Finalmente, prossegue Carlos G. Salgado, a jusante do rio Lima, encontramos outra meia dúzia de castelos: os de Lobeira, Calvos de Randín, Entrimo, Lobios, Aceredo e o Castelo de Araúxo. E, com uma certa reserva, no extremo do território de Limiam, o Castelo de Maceda de Límia.

 

Não se podem esquecer os Mosteiros de Celanova e de San Martín de Grou, tendo em conta que, embora os castelos sejam o símbolo material de natureza militar e administrativa, os mosteiros e as igrejas constituíam-se como grandes protagonistas no quadro religioso. Nomeadamente, o Mosteiro de Celanova é um bom exemplo da capacidade organizativa e dinamizadora das comunidades sob a sua área de influência.

 

Assim, para darmos por concluído este post, na opinião de Carlos G. Salgado, autor, cujo texto acima citado, vimos seguindo, nos alvores da Baixa Idade Média, existia na Limiam um complexo «entramado» de fortalezas defensivas/ofensivas, dependentes da Coroa de León, debaixo da autoridade da figura do Tenentem Limiam, todos eles de suma importância para o controlo da fronteira com Portugal e para «artilhar» o território.

 

Frisemos que o centro de operações desta vasta rede de fortalezas deveria ser o Castelo de Allariz da Límia.

 

Os castelo, com exceção do caso de Porqueira (ou da Forxa),

13.- 2020.- Ponte Porqueira+Ponteliñares (A Limia-Galiza) (70)

eram, no geral, de titularidade real, mas, perante a impossibilidade dos monarcas controlarem diretamente todas as suas fortalezas, optaram por cedê-las ou doá-las a nobres ou pessoas de confiança, com a finalidade de garantirem a sua segurança, administrar o território e fazer a justiça em seu nome.

 

O controlo e a defesa deste Território (Limiam) estava, como se disse, acometido a um notável (nomeadamente, nobre e da confiança do Rei), com a designação de Tenentem Limiam, o qual exercia a máxima autoridade e podia delegar poderes.

 

Esta figura mantém-se em funções, pelos menos, até 1270.

14.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (96)

(Torre de Sandías, desde a veiga e ao cair do dia)

22
Mar20

Por terras da Ibéria - Hermisende (Ermesende) e seus povos de fronteira na Alta Sanábria - A Fraga (ou Penedo) dos Três Reinos

andanhos

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

HERMISENDE E SEUS POVOS DE FRONTEIRA NA ALTA SANÁBRIA

 

- A FRAGA DOS TRÊS REINOS - 

 

01a.- 2019.- Fraga dos três reinos (14)

Em distanciamento social forçado, e em estado de emergência nacional, em virtude da pandemia provocada pelo SARS- CoV-2 (Coronavírus 19) , que está flagelando a quase totalidade dos países do nosso Planeta, resta agora tempo para reflexão sobre a(s) nossa(s) vida(s) e a vida que, em sociedade, todos nós vivemos.

 

Olho para os livros que, ordenadamente, se encontram na estante à espera de uma primeira leitura, e cuja vida apressada em que vivemos, não nos deu grande oportunidade de ainda os ler. Mas perguntamo-nos: será de depois disto tudo por que estamos passando, estes temas que versam, verdadeiramente terão importância, terão alguma utilidade para os tempos daqueles que conseguirem escapar deste inimigo invisível e para o tempo futuro que nos espera?

 

Para além das tarefas urgentes e imediatas que esta pandemia nos obriga a atuar, criemos, todos, neste prolongado tempo de espera, um espaço para, com profundidade e seriedade, pensarmos na vida que todos vivemos e na sociedade que verdadeiramente estávamos construindo e na que devemos construir.

 

Neste compasso de espera, e enquanto se fala em isolamento e restabelecimento do fecho de fronteiras, pensemos nas «fronteiras» que fomos criando e falemos daquelas, reais, que, ao longo da nosso história comum peninsular, fomos criando e delimitando.

 

Vem, assim, hoje ao caso, numa rota que demos no passado mês de dezembro do ano passado com o nosso amigo Pablo Serrano – amigo indispensável nos périplos pela Ibéria galega e castelhana – a um concello da Alta Sanábria: Hermisende ou Ermesende, em galego.

 

Depois de termos estado no Santuário da Virgem de “La Alcobilla” e no seu secular souto, que lhe está adjacente, tomámos conhecimento que, pelas bandas de Hermisende (Zamora) existiam alguns soutos com castanheiros possivelmente até mais antigos que o da Virgem de “La Alcobilla”, embora não tão concentrados como aqui. E, ao tomarmos conhecimento que havia um pequeno percurso pedestre que propiciava a contemplação deste castanheiro,

02.- Ruta de los castaños y prados de Hermisende

propusemos a Pablo que, logo que o tempo – sem muito frio e neve – propiciasse, fizéssemos aquela rota.

 

Ficámos encantado com o texto e fotografias de Javier Prieto Gallego, sob o título «El castañar de Hermisende (Zamora)», bem assim do seu subtítulo «Los árboles que soñaban en três idiomas», no seu blogue «Siempre Paso», de 21 de novembro de 2017.

 

Simultaneamente, dada a proximidade, mostrámos também gosto em ir até à Fraga dos Três Reinos que, por motivos da nossa agenda e afazeres pessoais e familiares, não tivemos oportunidade de visitar, aquando do XIX Encontro de Fotógrafos e Blogues, realizado a 8 de junho de 2013 (veja-se a reportagem no blogue «Chaves»).

03.- XIX Encontro de Fotógrafos e Blogues

 Assim, a 4 de dezembro do mês e ano passado, dirigimo-nos a Hermisende (Ermesende).

 

Pablo logo noa avisou que fazer o percurso a pé e conhecer San Ciprian e Castromil e ir à Fraga dos Três Reinos não era possível fazer tudo num só dia.

 

Aceitámos não fazer a pé a «Ruta de los castanhos y prados de Hermisende» e, de carro, percorrer parte do território do concello de Hermisende e irmos ao Penedo ou Fraga dos Três Reinos.

04.- Ruta de los castaños y prados de Hermisende 01

Chegámos a Hermisende por volta das 10: 30 minutos e ainda se fazia sentir os efeitos da geada que tinha formado de noite.

05.- 2019.- Hermisende (46)

Parámos nas proximidades do cemitério da povoação de Hermisende, sede do concello. Ao lado, um souto.

06.- 2019.- Hermisende (19)

Penetrámos nele.

07.- 2019.- Hermisende (23)

(Perspetiva I)

08.- 2019.- Hermisende (26)

(Perspetiva II)

09.- 2019.- Hermisende (34)

(Perspetiva III)

10.- 2019.- Hermisende (40)

(Perspetiva IV)

11.- 2019.- Hermisende (43)

(Perspetiva V)

12.- 2019.- Hermisende (39)

(Pormenor I)

13.- 2019.- Hermisende (37)

(Pormenor II)

14.- 2019.- Hermisende (28)

(Pormenor III)

16.- 2019.- Hermisende (42)

(Pormenor IV)

Saímos do souto e, junto à placa da localidade, avistámos uma anexa do concello de HermisendeSan Ciprian.

18.- 2019.- Hermisende (47)

Antes de nos dirigirmos ao centro de Hermisende, falemos um pouco deste pequeno concello da Alta Sanábria, pertencente à província de Zamora, e integrado na Comunidade Autónoma de Castilla y León.

 

A Alta Sanábria é formada pelos municípios de Porto, Pías, Lubián e Hermisende, conforme mapa de que mostra.

19.- Municipios_de_la_Alta_Sanabria

Diz-nos a Wikipedia (Hermisende) que é um dos municípios bilingues da província de Zamora, dado que os seus habitantes utilizam habitualmente tanto o idioma espanhol (castelhano) como o galego-português.

 

Positivamente, um dos aspetos mais chamativos deste município é a singularidade da sua fala, surgida em consequência de fatores históricos e socioculturais derivados da sua posição fronteiriça com a Galiza e Portugal e que atualmente mostra clara evidência de uma notável influência recebida da língua galega e portuguesa. A sua localização geográfica gerou uma fala cuja procedência criou, mesmo nos seus habitantes, dúvidas, e surpresas aos visitantes, face à sua notável singularidade, resultante de um cruzamento de influências das três línguas – galega, portuguesa e castelhana.

 

Poder-se-á dizer que se trata de um outro idioma ou um dialeto?

 

Deixemos esta questão para os linguistas, no que respeita ao enquadramento e peculiaridade da fala dos ermesindenses, bem assim dos habitantes das suas anexas (La Tejera, San Ciprián, Castrelos e Castromil).

 

A existência de um castro da época tardo antiga em Hermisende confirma que a localidade esteve também ocupada no período final da época de dominação romana e a chegada dos visigodos. A origem do seu topónimo é germânica, da época visigótica.

 

A mesma Wikipédia (Hermisende) elucida-nos que a existência de nomes femininos similares nas casas reais asturiana e leonesa, na alta Idade Média, poderia relacionar a origem do nome da localidade de Hermisende com alguma das mulheres assim chamadas, como Ermesinda, esposa de Afonso I das Astúrias ou Ermesenda, segunda esposa de Ordonho II de León.

 

Ainda segundo a mesma Wikipédia (Hermisende), após o nascimento do Reino de León, em 910, Hermisende ficou integrada neste reino, sendo depois disputada a sua pertença, no século XII, por Portugal, quando se tornou independente. Perante este facto, em algumas épocas da sua historiografia, não se encontra uma adscrição territorial clara de Hermisende.

 

Por isso, alguns autores dizem que Hermisende pertenceu a Portugal até à Guerra da Restauração Portuguesa (1640-1668). E, a partir desta altura, com D. João IV, português, e com o consentimento dos habitantes da província de Trás-os-Montes, transferiu a soberania do território deste concello para Espanha, ficando, assim, até aos dias de hoje.

 

Uma outra fileira de autores afirma que Hermisende sempre pertenceu ao Reino de León, mesmo antes da Guerra da Restauração Portuguesa. Comprovam a sua tese com a circunstância da existência de documentação coetânea no que respeita à existência de pleitos na Real Chancelaria de Valladolid, na qual se reconhece explicitamente a pertença de Hermisende ao Reino de León.

 

Independentemente das teses dos autores em pleito, o certo é que, depois da Guerra da Restauração Portuguesa, não há qualquer dúvida que Hermisende pertence a Espanha e, aos criarem-se as atuais províncias, em 1833, integra a província de Zamora, dentro da Região Leonesa, sem que, nessa altura, sobre este concello, exista qualquer tipo de competência ou órgão comum que o agrupasse.

 

Com a Constituição espanhola de 1978, e mais propiamente com a legislação reguladora da mesma, Hermisende faz parte da Comunidade Autónoma de Castela e León e o seu município ficou adstrito à província de Zamora.

 

Hermisende concello é um território encravado na raia seca. Em 1900, a sua população era, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística espanhol,  de 1487 habitantes; a partir da década de 50 do século passado, veio perdendo ininterruptamente população, ao ponto de, hoje em dia, possuir apenas 228 habitantes.

 

Fomos descendo para o fundo do povo, onde se localiza a Igreja Matriz, deixando a viatura no largo contíguo à Igreja.

 

E dirigimo-nos, subindo a pé, até à Casa do Concello.

 

Ali fomos encontrar apenas duas funcionárias, uma delas técnica superior (assistente social). Vêm de outras localidades. Não habitam em Hermisende. E a Casa do Concello não está aberta ao público todos os dias da semana, nem, obviamente, está presente o seu alcaide.

 

Prestaram-nos toda a informação solicitada; deram-nos os panfletos e mapas ali disponíveis e ficámos com os respetivos endereços das suas redes sociais.

 

Voltámos ao largo contíguo à Igreja Matriz, não deixando de captar um ou outro pormenor do seu casario.

20.- 2019.- Hermisende (57)

(Pormenor I do Casario de Hermisende)

21.- 2019.- Hermisende (67)

(Pormenor II do Casario de Hermisende)

22.- 2019.- Hermisende (59)

(Pormenor III do Casario de Hermisende)

E, outra vez chegados ao largo adjacente à Igreja Matriz, não deixámos de ficar com uma imagem exterior deste belo exemplar,

23.- 2019.- Hermisende (62)

bem assim do pormenor do seu campanário.

24.- 2019.- Hermisende (60)

Reparámos que nos arredores da Igreja a geada ainda se fazia sentir na encosta de um souto

25.- 2019.- Hermisende (71)

e, de pronto, entrámos no café da localidade para tomarmos um café e uma água.

26.- Hermisende+S. Ciprian+3 Reinos (4)

Pouca gente, por estas paragens!

 

Saímos do café e, da povoação de Hermisende, fomos ao encontro de uma sua anexa – San Ciprián.

 

Mas antes tínhamos de passar um obstáculo – o rio Tuela, afluente do rio Tua, cuja foz de encontra a 4 Km a montante da cidade de Mirandela, Portugal,

27.- 2019.- Hermisende (93)

(Pormenor I)

28.-.2019.- Hermisende (87)

(Pormenor II)

29.- 2019.- Hermisende (77)

(Pormenor III)

bem assim a sua ponte, de talha medieval,

30.- 2019.- Hermisende (83)

(Pormenor I)

31.- 2019.- Hermisende (80)

(Pormenor II)

32.- 2019.- Hermisende (76)

(Pormenor III)

por onde,

33.- 2019.- Hermisende (90)

recentemente, uma viatura pesada, por aqui tinha passado, danificando duas pedras incrustadas com duas inscrições.

34.- 2019.- Hermisende (91)

(Inscrição I)

35.- 2019.- Hermisende (92)

(Inscrição II)

Em escassos minutos, por uma estrada que corria entre soutos, chegávamos, subindo, a San Ciprián.

 

Situada no meio de uma ladeira, logo que chegámos, damos de caras com a sua Igreja.

36.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (1)

Subimos a um dos seus soutos.

37.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (13)

(Pormenor I)

38.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (25)

(Pormenor II)

39.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (29)

(Pormenor III)

40.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (7)

(Pormenor IV)

41.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (37)

(Pormenor V)

O alto do souto oferece-nos esta panorâmica: a Igreja de San Ciprián, com o seu orago – San Ciprián – na fachada principal; o seu casario e, lá ao fundo, o casario de Hermisdende.

42.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (26)

Saímos de San Ciprián, continuando a subir estrada, deixando, definitivamente, no horizonte, o casario de Hermisende.

43.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (55)

Já se fazia tarde. E Castromil esperava-nos.

 

Mal chegámos às suas proximidades, Pablo sugeriu que aqui parássemos.

44.- 2019.- Castromil (4)

Olhámos para a nossa esquerda e vimos um aglomerado nitidamente dividido em dois bairros: o de baixo, samorano (castelhano) e o de cima, galego, embora administrativamente toda a localidade pertença à província de Zamora (Castela e León).

45.- 2019.- Castromil (1)

O amigo Pablo, enquanto não entravamos na aldeia, explicou-nos as particularidades e especificidades desta terra e destas suas gentes. Mas deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) para, numa deslocação a um destes recônditos lugares desta nossa Ibéria, as descubra. Nós, infelizmente, pelo adiantado da hora e porque ainda queríamos ir à Fraga dos Três Reinos, não tivemos oportunidade e explorar e trocar impressões, nos dois bairros que compõem esta localidade, com as suas – poucas – gentes para aquilatar deste modo peculiar de falar e viver em conjunto.

 

Teremos, por isso, de um dia aqui regressar e, na volta, fazer também uma visita à aldeia raiana portuguesa de Moimenta, concelho de Vinhais, que não lhe fica muito longe daqui.

 

Aos amigos Lumbudus de boa cepa, que em 2013 não tiveram oportunidade de se integrarem no XIX Convívio de Fotógrafos e Blogues, deixamos-lhes o endereço da reportagem que Fernando DC Ribeiro fez no seu blogue «Chaves», a 17 de junho de 2013. 

 

Entrámos em Castromil pelo bairro zamorano.

46.- 2019.- Castromil (5)

Foi uma passagem muito rápida. Apenas um velho carvalho, uma horta e, entre as ramos do carvalho, vislumbrámos um pouco do seu casario remodelado.

47.- 2019.- Castromil (7)

De pronto, fomos ter a um largo do bairro galego. E aqui fizemos uma pequena paragem.

48.- 2019.- Castromil (8)

Conversámos com esta senhora,

49.- 2019.- Castromil (9)

que, na varanda de sua casa, tinha a roupa a secar.

50.- 2019.- Castromil (10)

Não reparamos diferenças significativas no linguajar desta senhora na conversa que entabulou connosco.

 

Enquanto o amigo Pablo continuava a conversar com a senhora, dirigimo-nos à Igreja.

51.- 2019.- Castromil (14)

Se tivermos em conta a Igreja do bairro de baixo (zamorano) – a de Santa Marina, que não fomos visitar – esta não nos parece tão primorosamente trabalhada, mas, se compararmos as suas respetivas imagens (veja-se Igreja de Santa Marina em Castromil [Zamora]), as suas respetivas «talhas» não andam muito longe. Poderá o cruzeiro da Igreja de Santa Marina samorano ter mais «fama», mas à Igreja do bairro galego também o mesmo não lhe falta!

52.- 2019.- Castromil (15)

Foi mesmo uma passagem relâmpago, esta que fizemos em Castromil

 

Deixámos o largo deste bairro galego, onde Pablo continuava a falar com a senhora, com esta «carantonha», na parede de uma casa, a olhar para nós.

53.- 2019.- Castromil (17)

E, de imediato, entrámos em território galego para nos dirigirmos à Fraga dos Três Reinos.

 

De Cádavos fomos até Monzalvos. Em Monzalvos, no Café António tomámos outro café e uma água. O seu proprietário, de nome Antón (António), casado com uma portuguesa, cremos, oriunda de uma das aldeias portuguesas da Castanheira, concelho de Chaves, é um velho conhecido madeireiro de Pablo, com quem contactou quando este esteve no ativo. Falaram um pouco das suas vidas dessa altura e indicou-nos o melhor caminho para chegarmos até à Fraga (ou Penedo) dos Três Reinos.

 

Tomando um estradão, e atravessando a aldeia, caminhámos mais de 3/5 do percurso, de viatura, até ao local que pretendíamos visitar. Mas, a partir de certa altura, os terrenos começaram a aparecer encharcadas por via da chuva caída nos últimos dias. E geada também. Tornando-se complicado seguirmos por este meio, parámos a viatura no meio do estradão e seguimos caminho a pé.

54.- 2019.- Fraga dos três reinos (1)

Caminhávamos em território galego,

55.- 2019.- Fraga dos três reinos (4)

dando-nos a indicação do local que pretendíamos visitar.

56.- 2019.- Fraga dos três reinos (3)

E, quanto mais nos aproximávamos do local, mais o caminho se apresentava encharcado de água, denotando a sua abundância deste elemento por estas paragens.

57.- 2019.- Fraga dos três reinos (9)

(Perspetiva I)

58.- 2019.- Fraga dos três reinos (10)

(Perspetiva II)

Ao longe, mas não muito distante, começa a desenhar-se a Fraga (ou Penedo) perante os nossos olhos, por entre um terreno que denunciava ter sido vítima de incêndio recente.

59.- 2019.- Fraga dos três reinos (12)

Eis a primeira impressão com que ficámos da silhueta da Fraga (ou Penedo).

60.- 2019.- Fraga dos três reinos (18)

Aproximámo-nos da Fraga, onde no seu topo, se encontra o marco de delimitação de fronteiras: o marco fronteiriço nº 350, que estabelece os limites do território português,

61.- 2019.- Fraga dos três reinos (25)

vislumbrando-se à sua frente os terrenos de Moimenta, do concelho de Vinhais, Portugal.

62.- 2019.- Fraga dos três reinos (21)

Do outro, o marco fronteiriço nº 350 aponta-nos para Espanha,

63.- 2019.- Fraga dos três reinos (16)

com os terrenos zamoranos de Castromil à nossa frente.

64.- 2019.- Fraga dos três reinos (36)

Ás nossas costas, as terras ou território galego, por onde viemos para aqui chegar.

 

Aqui chegados, falemos então um pouco sobre esta Fraga (ou Penedo) dos Três Reinos.

 

E vejamos o que a história e a tradição nos dizem quanto a esta Fraga (ou Penedo), denominado dos Três Reinos.

 

Segundo o sítio da web do Concello de A Mezquita, quando se refere em «O Penedo dos Três Reinos», diz-nos que se trata de uma elevação de 1 025 metros de altitude, integrada no sistema montanhoso da serra de Marabón, na fronteira entre os três velhos reinos medievais Portugal, Castela e Galiza. Existe uma fonte chamada de “Os três Reinos”, onde o gado das três localidades limítrofes vão beber.

 

A Fraga (ou Penedo) situa-se na fronteira entre a freguesia de Moimenta, no concelho português de Vinhais, o concello de A Mezquita, na província de Ourense (Comunidade Autónoma da Galiza) e o concello de Hermisende, na província de Zamora (Comunidade Autónoma de Castela e León)

 

Em 1864, com o traçado definitivo, realizado pela Comissão de Limites, das fronteiras entre Portugal e Espanha, manteve-se a fronteira de séculos nesta região. Apesar de hoje em dia os três reinos, que deram o nome à Fraga ou Frágua (ou ainda Penedo) já não existam, porquanto Portugal tornou-se uma república e a Galiza e León foram integrados no reino de Espanha, a sua velha e secular designação manteve-se inalterada.

 

O vocábulo fraga é equivalente a penedo, no dito dialeto galego do sul oriental, tal como em português. Fragua corresponde a uma deformação popular.

 

Ainda segundo o blogue Tovi, no seu post «Penedo dos Três Reinos», de 8 de maio de 2012, reza a tradição que, em tempos mais remotos, o rei português D. Afonso III passou pela localidade Moimenta, onde se hospedou por alguns dias.  Aí deixou uma carta de “foro” e outros privilégios escritos em pergaminho. Não se sabe ao certo quando foi, mas supõe-se que foi em 1253, ano em que foi dado foral á vila de Vinhais e Bragança. Conta ainda a tradição que havia “questões” fronteiriças com as aldeias de Moimenta, em Portugal, Cádavos, na Galiza, e Castromil, em Castela e León. Tudo em consequência da existência das fontes que nascem junto à linha da Raia e se estendem para Portugal. Os reinos da atual Espanha reclamavam a sua posse.

 

 A Fonte do Moço, por exemplo, que nasce bem abaixo da Raia, em terreno português, no verão secava, mas a Fonte dos Três Reinos nunca secava e era de grande importância para os gados beberem.


Quando o rei português veio à Moimenta, convocou uma reunião - os três reis - para solucionarem esse problema. Chegaram então a um acordo, criando uma área de aproximadamente 1 000m2, com um bebedouro comum aos três povos. Ainda hoje existe na povoação espanhola de A Mesquita e na de Moimenta, portuguesa, um documento escrito pelas autoridades fronteiriças, aquando da colocação dos “marcos intermédios”, a fazer referência ao dito bebedouro.


Por outro lado, na aldeia de Moimenta, encontra-se um rochedo conhecido por A Fraga dos Três Reinos, onde existem três cruzes esculpidas numa rocha, cada qual voltada para o seu reino, e que teriam sido mandadas contruir pelos três monarcas. Na documentação encontrada faz-se ainda referência a uma merenda dos monarcas, onde se teria dito: “bebemos da mesma fonte, comemos na mesma mesa” - Fraga dos Três Reinos -, cada um voltado para o seu reino.

 

Tendo em conta este facto histórico e/ou tradição, Portugal, junto à Fraga ou Penedo dos Três Reinos, mandou erigir um modesto monumento, em pedra de granito, simbolizando, os três maiores blocos, os três reis; os 11 blocos mais pequenos, a linha de fronteira, e o bebedouro comum, como se pode ver na imagem que abaixo se mostra.

65.- 2019.- Fraga dos três reinos (55)

Saciada a nossa curiosidade quanto à Fraga (ou Penedo) dos Três Reinos, fomos até à nossa viatura e, do local onde a deixámos, dirigimo-nos, no concello de A Mezquita, a um restaurante, no Pereiro.

 

Ali comemos a tão desejada posta chachena.

 

De seguida, tomámos rumo a Verín, de retorno a nossas casas, com mais uma página da nossa história comum observada e registada.

 

E hoje, dia em que redigimos esta reportagem, deixamos uma singela reflexão.

 

Os nossos antepassados, mesmo em momentos de luta quanto ao alargamento dos territórios sob o seu domínio, os sensantos, nunca deixaram de ser solidários para com aqueles que, para viverem, necessitavam de bens essenciais para que as suas vidas prosseguissem. Sendo a pastoricia e o lavor da terra a base da sua sobrevivência, apesar do estabelecimento de fronteiras, nunca deixaram que, à falta de recursos, os mesmos - mesmo que escassos - pudessem ser utilizados em benefício de todos os habitantes de um mesmo território. Apesar das barreiras que fizeram para os separarem - que eles constantemente quebravam, porque filhos do mesmo território e da mesma Humanidade, criaram espaços comuns de sã cooperação.

 

Assim foi, em certos períodos, na nossa Ibéria.

 

Hoje somos obrigados a voltar a estabelecer, cerrar barreiras, fronteiras, perante um inimigo comum e invisível para a toda a Humanidade que, ferindo-nos de morte, a todos nos traz aterrados, cheios de medo.

 

Repetimos, que este momento por que passamos sirva para refletirmos sobre a vida que nós, individualmente e como comunidades, levamos. Ergamos fronteiras à falta de solidariedade, à prepotência, aos egoismos, à desenfreada procura e exploração dos recursos parcos do nosso Planeta, sem cuidarmos da vida das gerações futuras, aos ódios, vinganças, xenofobias e sede desmedida de poder.

 

Usemos este fechamento a que estamos sujeitos e obrigados, em nossas casas e nos mais diversos lugares de acolhimento, para, quando for a hora da saída, saiamos todos mais rebostucedios, lúcidos, empenhados e solidários na construção, com lealdade e espírito de cooperação, de uma sociedade outra, de um outro Homem, num outro Mundo, mais respeitador da Humanidade e do nosso Planeta, berço que nos acolhe. 

 

20
Mar20

Por terras da Ibéria - uma viagem a Portugal com as obras de José Rodrigues no espaço público - A lenda de Santa Comba (dos Vales)

andanhos

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

UMA VIAGEM A PORTUGAL COM AS OBRAS DE JOSÉ RODRIGUES NO ESPAÇO PÚBLICO

 

A LENDA DE SANTA COMBA (DOS VALES)

VALPAÇOS – ALTO TÂMEGA – NORTE DE PORTUGAL

 

01.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (06)

 

Senhora Santa Combinha,

Rei Mouro te perseguiu.

Não triunfando de Vós,

A fraga se vos abriu.

 

Aldeia de Vales,

José Joaquim Pereira (Sr. Zezinho),

recolhida Por Medeiros Freitas

 

No último post subordinado a esta rubrica, prometíamos que, logo que nos deslocássemos a Valpaços, publicaríamos a obra do falecido escultor José Rodrigues, patente naquela cidade.

 

Feita a deslocação, vamos, então, apresentar a obra.

 

Mas, para o efeito, necessitamos de fazer o seu enquadramento.

 

Na obra «Valpaços – Joia de Trás-os-Montes», de José António Silva, pode ler-se:

“Na literatura, uma figura maior do Classicismo português, António Ferreira, autor da «Tragédia Castro», foi o primeiro a verter em escrita a lenda de S.ta Comba dos Vales [nos «Poemas Lusitanos»].

 

Nascido em Lisboa em 1528, o discípulo de Sá de Miranda, introdutor do soneto em Portugal, tomou conhecimento da referida lenda, que verteu em versos, após ter contraído segundas núpcias com D. Maria Leite, natural de Lamas de Orelhão, concelho de Mirandela, embora o Santuário de S.ta Comba se situe na parte do monte que pertence ao concelho de Valpaços.

 

Resumidamente, quando o território ainda se encontrava sob a domínio Mouro, ainda antes da fundação da nacionalidade, Comba era uma jovem e belíssima pastora que, com seu irmão Leonardo, apascentava os rebanhos na encosta do monte. Possuidora de rara beleza, de imediato despertou o interesse do rei Mouro que reinava na região de Lamas, que poe ela se apaixonou perdidamente. Porém, o rei era medonho e feio, com uma orelha de asno e outra de cão, a quem chamavam «Orelhão».

 

A bela Comba ficava horrorizada só de pensar no rei e, cheia de fé, implora auxílio divino para permanecer pura e casta.  O rei Mouro completamente cego de desejo ameaça a pobre pastorinha, e esta, indiferente às súplicas e ameaças, refugia-se mais na dedicação a Deus. Ferido no orgulho, o rei persegue Comba de lança em punho. Perseguida e encurralada entre a lança e um penedo, a pastorinha implora pelo auxílio dos Céus, ao que, miraculosamente, a fraga abre recolhendo a pastorinha e fechando-se de seguida, numa manifestação de poder Divino.

 

Enraivecido, o Rei vinga-se no inocente irmão de Comba, estripando-o e lançando-o a um charco.. António Ferreira assegura que a ferradura do cavalo com que o Rei perseguiu a pastorinha, bem como a lança com que matou Leonardo, ficaram marcadas na fraga, e a água em que foi lançado o corpo de Leonardo, tornou-se numa fonte milagrosa que ainda hoje brota água fresca”.

 

Há vários autores que nos apresentam esta lenda. Contudo, todos eles, dão-nos o essencial da mesma. Não existem diferenças significativas no seu conteúdo essencial. Para além da obra acima citada, podemo-la constatar no blogue «Clube de História de Valpaços (Para a divulgação do património histórico e cultural)», no post subordinado ao tema «As serras e as lendas – a lenda de São Leonardo e Santa Comba dos Vales», publicado a 3 de março de 2012; no post «Lendas do Rei de Orelhão», publicado no blogue «AVIDAGOS», a 9 de abril de 2013; no «Montejunto Portugal – Lenda de Santa Comba dos Vales»; no post «Serra de Santa Comba», publicado no blogue «Farol da nossa terra»,  a 17 de junho de 2014, de Teixeira da Silva; no post «Santa Comba e o rei Orelhão», no blogue «Memórias… e outras coisas… Bragança», publicado a 10 de outubro de 2016  entre outros.

 

No post, acima referido, «As serras e as lendas – a lenda de São Leonardo e Santa Comba dos Vales», a certa altura, diz-se que  “se há lendas que desde há séculos têm merecido a atenção de insignes escritores etnólogos [como José Leite de Vasconcelos (1858 – 1941), na sua grandiosa obra “Religiões da Lusitânia”] e historiadores e ainda continuam a andar de boca em boca entre os versejadores populares, uma das mais belas é a Lenda de Santa Comba dos Vales e do Rei Mouro “Orilhão” de Lamas, religiosamente guardada pela população da atual aldeia e freguesia de São Nicolau dos Vales, concelho de Valpaços que está situada nas faldas da serra de Santa Comba (…), paróquia de antiquíssima fundação, provavelmente pré-nacional (como admite Veloso Martins) que nos séculos XII e XIII ainda era designada por Santa Comba de Orelhão ou dos Vales, contemporânea e vizinha, mas distinta, da paróquia de Santa Cruz de Lamas de Orelhão, que é atualmente freguesia de Mirandela. Como bem anotou A. Veloso Martins na sua Monografia de Valpaços, é uma ‘das mais belas lendas fixadas a ouro fino na história da literatura portuguesa’”.

 

E podemos ainda ler, naquele post acima citado, que “de tal modo a força da tradição veio impondo a indissociabilidade das duas lendas [de Santa Comba e de São Leonardo] que elas se fundiram numa só, o que se vê pela forma como foram contadas, em 1999, na cerimónia de inauguração da Ampliação e Remodelação dos Paços do Concelhos,

02.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (5)

na entrada de cujo edifício foi erigida uma bela escultura em bronze da autoria de José Rodrigues representando o Rei Orelhão e pastora Comba”.

03.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (08)

E, mais à frente, este post prossegue, dizendo que “este ato evocativo, celebrado pela Câmara Municipal de Valpaços, com o apoio da «Árvore, Cooperativa das Atividades Artísticas C. R. L.» [da qual o escultor José Rodrigues era um dos sócios cooperantes mais ativo] constitui a materialização do orgulho há muito sentido pelos valpacenses em possuir «intramuros o cenário [a serra de Santa Comba] e o motivo [o trágico fim dos pastores irmãos] de uma das mais belas lendas» de Portugal – parafraseando o autor da “Monografia de Valpaços”, A. Veloso Martins no que já havia observado, em 1990, data da 2.ª edição desta sua obra”.

 

A obra, escultura figurativa em bronze patinado e polido em alto relevo, adossada ao muro do átrio da Câmara Municipal de Valpaços, começou em 1997 e José Rodrigues

04.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (07)

contou com o contributo de José Emídio no revestimento dos muros do átrio.

 

Assim, esta obra de José Rodrigues deve entender-se associada ao conjunto de pinturas cerâmicas murais de José Emídio, as quais nos conta a lenda de Santa Comba (dos Vales), que, de seguida, apresentamos aos(às) nossos(as) leitores(as), sob a forma de «painéis».

05.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (11)

(Painel I)

06.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (12)

(Painel I – Pormenor)

07.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (18)

(Painel II)

09.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (14)

(Painel II – Pormenor)

10.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (09)

(Painel III)

11.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (10)

(Painel III – Pormenor)

12.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (19)

(Painel IV)

13.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (17)

(Painel IV – Pormenor)

14.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (13)

(Pormenor I)

15.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (15)

(Pormenor II)

Como os(as) nossos(as) leitores(as)0 poderão verificar, não conseguimos apresentar-lhes o conjunto de painéis de uma forma sequencial – com os seus respetivos pormenores – nos quais pudéssemos seguir a «história» da lenda.

 

Naturalmente que tem a ver com a nossa competência como fotógrafo, bem assim dos meios que, naquela altura, tínhamos ao nosso dispor.

 

Contudo, julgamos que a maior razão não apenas reside aqui.

 

Louvamos a iniciativa da autarquia em plasmar em obra de arte e na Casa do Concelho de Valpaços uma tão bonita lenda cujo palco é o seu território.

 

Mas não podemos aplaudir o que fomos encontrar, neste ano da graça de 2020, no átrio da Câmara.

 

No nosso modesto entendimento, trata-se de um confrangedor mau gosto, ou melhor, uma enorme falta de sensibilidade para as coisas da arte.

 

É um átrio no qual está aposta uma obra de arte, que muito tem a ver com a cultura, o património e a religiosidade das gentes do concelho de Valpaços.

 

Que deve ser contemplada e bem apreciada.

 

E tal contemplação é possível?

 

A nosso ver, não!

 

Colocar ao centro do átrio uma estrutura (gabinete) metálica com vidro para colocar um funcionário(a) que vai atender os munícipes, é uma clara falta de gosto e de sensibilidade para a arte.

 

Porventura, nas dependências laterais do átrio, não se podia cumprir essa função?

 

Compreendemos que sejam dadas aos funcionários(as) as melhores condições de trabalho. Mas desta forma?

 

Aquela obra é para se contemplar e apreciar livre de entraves visuais.

 

Assim, a obra não «brilha».

 

E é pena!...

 

16.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (1)

19
Mar20

Memórias de um andarilho - Vale do Lima (Límia) - Parte IV - A Lagoa de Antela (ou Lago Beón)

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

 

VALE DO LIMA (LIMIA) – GALIZA

 

 

PARTE IV

 

A LAGOA DE ANTELA (OU LAGO BEÓN)

 

01.- Lagoa de Antela

(Fonte:- «A Lagoa de Antela reclama o seu lugar 60 anos depois»)

 

A grande e pestilenta poça da lagoa de Antela,

 inimigo declarado da indústria agrícola,

da pecuária e da mesma humanidade ...

 (...), poça inútil e prejudicial, germe de podridão e mortalidade…

 

Cardeal Juan Manuel Bedoya (1831)

 

 

Introdução

 

Quando, a 17 de novembro do ano passado, efetuámos a caminhada, com os amigos Sendeiristas de Monterrei, pelas «areeiras» da Límia, e disso dávamos conta, neste blogue, no dia 5 de fevereiro passado, estávamos convencido de que no sítio daquelas «pozas» teria estado a tão falada Lagoa de Antela (ou Lago Beón), razão pela qual, passados 10 dias, no dia 27 de novembro de 2019, juntamente com o nosso amigo Pablo Serrano, subimos até à ermida/capela de São Bieito, no monte de Uceira, para, dali, observarmos e termos uma panorâmica não só do vale da Límia, como também das «areeiras», conforme demos também conta no nosso post de 8 de fevereiro do corrente ano.

 

Contudo, na conversa que, entretanto, entabulávamos com Pablo, este nosso amigo afirmava-nos que a antiga Lagoa de Antela não se situava no território onde se encontram as atuais «areeiras»,

02a.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (116)

outrossim um pouco mais a norte e, daquele ponto, não poderíamos ver o «centro geográfico» da antiga Lagoa de Antela. Havia que penetrar pelo vale da Límia e subir até à Torre da Portela ou de Pena para termos uma perspetiva exata do local onde se situava a Lagoa.

03.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (34)

A 5 de fevereiro do corrente ano foi o que fizemos.

 

Deixamos, aqui, aos(às) nossos(as) leitores(as) o que a nossa objetiva captou do lugar em que outrora estava localizada a Lagoa de Antela (ou Lago Beón).

04.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (1)

(Panorâmica)

05.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (21)

(Perspetiva I)

06.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (6)

(Perspetiva II)

07.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (29)

(Perspetiva III)

Feita esta pequena Introdução/explicação sobre a localização da antiga Lagoa de Antela, falemos, agora, sobre a origem (ou história) da Lagoa.

 

 

1.- História de uma lagoa

 

Na comarca da Límia situa-se um grande vale, através do qual corre o rio Lima. A ele vão desaguar uma quantidade de afluentes, como o rio Piñera, o Trasmiras e o Padroso, entre outros.

 

Porque será que esta zona é (era) importante e interessante?

 

Primeiro, porque historicamente, na Idade Média, esta zona foi muito disputada pelo recém criado reino de Portugal e pelo reino de Castela; por outro, e é este o assunto que hoje mais nos interessa abordar, porque aqui existe – diga-se, existia – uma Lagoa, uma zona onde a água se encontrava estancada: era a célebre Lagoa de Antela, que se tipifica como uma bacia semi endorreica.

08.- Mapa de las Laguna en 1866

(Fonte:- Lagoa de Antela – Pesquisa de Trabalho https://blaslandscape.wordpress.com/2018/10/08/assignment-research/)

Como se formou esta Lagoa?

 

A sua origem ocorreu há cerca de 66 milhões de anos. E pensa-se que se deve à fragmentação dos materiais de substrato, propiciada por um choque entre placas tectónicas que deu origem à formação de montanhas - a serra de São Mamede, a norte; o Larouco, a sudeste -, ocorrido durante o período de orogenia alpina.

09.- A história da Lagoa de Antela 01

(Adaptado do obra «Introdução ao património geológico de Espanha»)

Como podemos ver na infografia supra, blocos fraturados de substrato fundiram-se, formando uma fossa tectónica e outros (blocos) elevaram-se, formando montanhas. Posteriormente, a erosão das montanhas causou a decomposição das rochas e a sua deposição nas águas mais abaixo, na fossa tectónica. Na zona mais profunda da fossa, o lento decorrer do rio e o caráter impermeável dos sedimentos do fundo, determinaram a formação da Lagoa de Antela.

 

A Lagoa de Antela chegou a alcançar uma superfície aproximada de 3.600 hectares, considerando-se uma das maiores lagoas da Península Ibérica.

 

Os materiais que preencheram a Lagoa de Antela não são contínuos em profundidade, o que originou que esta massa de água, subterraneamente, se divida em dois aquíferos diferentes: um superior, de regime livre; outro, inferior, confinado, e separado por uma formação semipermeável, constituída por argilas, limos, plaquetas carbonosas e lenhitos.

 

Foram inúmeros os intentos para dessecar a Lagoa. No primeiro terço do século II, o Imperador romano Adriano mandou construir um canal para retirar as águas da Lagoa,

10.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (114)

(Local de uma «areeira»)

11.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (118)

(Local de desague do antigo canal romano, perto da «areeira» que se mostra acima)

 

mas, com o tempo, a própria natureza devolveu a água ao seu leito natural (original).

 

Houve outros intentos nos séculos XVIII e XIX.

 

Um decreto do ano de 1956 fez com que se levasse a cabo um processo de dessecação intensivo, levado a cabo nos finais dos anos 50 e começo dos anos 60 do século passado pela administração do Estado franquista que propôs um plano de colonização da Lagoa e cujo objetivo principal era, por um lado, obter novas terras de cultivo e, por outro, erradicar o suposto foco de insalubridade, que provocaria surtos de paludismo e febres, como a tifoide e a amarela, ainda que não seja de todo certo que se tenha estabelecido a relação direta da Lagoa com o suposto foco de insalubridade. Segundo muitos autores, qualquer desculpa era boa para dessecar a Lagoa, particularmente esta zona húmida e pantanosa!

 

Os primeiros trabalhos de canalização começaram no ano de 1958.

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(Fonte:- «A Lagoa de Antela reclama o seu lugar 60 anos depois»)

Precisando melhor, a Lagoa de Antela possuía, aproximadamente, 7 Km de longitude e 6 de largura, tendo uma profundidade que oscilava entre os 0,60 cm e os 3 metros.

 

Nesta Lagoa existia uma grande variedade de espécies, tanto animais, como vegetais.

 

Da sua riqueza biológica destaca-se um enorme número de aves aquáticas, que a utilizavam durante o ano. Muitos autores comparavam esta zona húmida com Doñana, no sul da Península.

 

Alguns técnicos agrícolas valorizam negativamente a dessecação da Lagoa, porquanto deixou a terra seca e sem a humidade necessária para a fertilidade da mesma.

 

A Lagoa, depois de dessecada, ficou como um canal.

 

Tem uma comporta como a das albufeiras, que controla o caudal. Esta comporta situa-se no Km 202 da N-525.

13.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (44)

Apesar de dessecada, na época das chuvas, todas as zonas da antiga Lagoa encharcam-se.

 

Na parte sul da Lagoa, instalaram-se, a partir de 1972, várias empresas dedicadas à extração de areia, muito apreciada para a construção civil e para a indústria do vidro.

 

A exploração de arreias no Concello de Sandiás criou posteriormente pequenas lagoas que, uma vez cessada a exploração, ficaram abandonadas.

 

Por via da exploração das «areeiras», formaram-se grandes «pozas», poços artificiais. Ao seu redor, estendem-se amplos campos de batatas e cereais. As «pozas», poços, originadas pela exploração de areia, acabaram-se por permanecer no terreno, acolhendo agora uma grande variedade de aves. Mais de 70 espécies.

 

Neste momento, as «areeiras» encontram-se numa extensão de terreno propício ao turismo, ao mesmo tempo que se estão criando zonas acondicionadas para a criação de aves, como as cegonhas.

 

Neste outono/inverno, a Límia, a água reclama o seu reino.

 

Nem a dessecação da Lagoa nem a concentração parcelária frearam a natureza. A água vinga-se.

Marcos Pérez Pena, no passado dia 26 de dezembro, sob o título «A Lagoa de Antela reclama o seu lugar 60 anos depois», escrevia na PRAZA:

“Uma das consequências que deixou a sucessão de temporais que, nas últimas semanas, afetaram a Galiza foi o renascimento da Lagoa de Antela, na Límia, 61 anos depois da sua dessecação.

As imagens de amplas zonas da veiga limiana cobertas pelas águas, por volta de 2.000 hectares, trouxeram de volta a recordação da velha Lagoa de Antela, precisamente quando acabam de se cumprir 60 anos do início dos trabalhos de dessecação, que começaram a 8 de setembro de 1958, por impulso das autoridades franquistas. Anos mais tarde já não restava nada da maior extensão de água do interior da Galiza e o terceiro maior espaço lacustre de toda a Península, logo a seguir a Doñana e à Albufeira de Valência.

14.- OA8C4F2_2

(Fonte:- «A Lagoa de Antela, 60 años de añoranza»)

‘Era uma enorme massa de água que ajudava a regular o clima da Límia: tínhamos verões menos quentes e invernos menos duros”, assinalava no ano passado o historiador André Taboada Casteleiro, vice-presidente do Padroado do Museu da Límia, quando falava para a PRAZA, concluindo que a «agressão» deste meio ambiente não se viu compensada com uma melhor produção no setor agropecuário’.

No ano passado, coincidindo com o 60º aniversário do início das obras de dessecação, organizaram-se distintas atividades para lembrar a Lagoa e os trabalhos para a fazer desaparecer. O Concello de Xinzo organizou uma homenagem aos trabalhadores que trabalharam no terreno para fazer desaparecer dos mapas futuros a Lagoa de Antela. O Museu da Límia, por seu lado, organizou uma jornada de debate sobre o presente e o futuro da Lagoa, procurando ‘impulsionar uma reflexão coletiva sobre as consequências daquela decisão dos governantes franquistas’, alertando de que, no que diz respeito à Lagoa,’houve uma espécie de amnésia coletiva, no sentido em que não se podia tocar no tema’. A melhor forma de trazer à atualidade a própria Lagoa, bem assim as reflexões e debates sobre a sua história foi a própria recuperação temporal da mesma. A natureza reclamou o que era dela e, por uns dias, a Lagoa de Antela voltou a existir para além das violentas margens que a aprisiona(ra)m.

Contudo, a Límia conta de forma permanente com zonas húmidas e, neste sentido, a Lagoa de Antela, de alguma forma, sobrevive. Zonas essas que, nos últimos anos estão a experimentar um crescimento, graças ao trabalho ativo de entidades como a Sociedade Galega de História Natural (SGHN). Esta entidade leva quase uma década lutando para recuperar as zonas húmidas da comarca limiana desaparecidas com a Lagoa de Antela e que, hoje em dia, têm continuidade em lugares como na Poza dos arieiros, a veiga de Vilaseca, o humedal Antonio Villarino ou a Veiga de Gomareite.

Assim, a SGHN aposta na recuperação das veigas e chãs assoladas que desapareceram (e que reaparecem a cada temporada de chuvas), assim como das massas arbóreas e a atividade de pastoreio. Especialmente o importante trabalho desenvolvido na Veiga de Gomareite (Vilar de Barrio), uma antiga veiga assolada pelas águas da Lagoa de Antela e que, nas últimas décadas, ficou convertida num vazadouro de entulho e lixo.

Agora, numa parte dessa veiga, está a desenvolver-se um projeto de  pastorícia extensiva, procurando recuperar-se a flora e a fauna preexistente.

Delmar Blasco, secretário-geral da Convenção de Ramsar, entre 1994 e 2001, afirmou há anos que ‘só falta que alguém, com capacidade de liderança e aglutinação de vontades, lance o processo que devolva à Galiza e aos galegos, ainda que seja em parte, os valores e funções que se perderam quando se dessecou a Lagoa de Antela”.

 

Por outro lado, Sindo Martínez, a 8 de abril de 2018, na A Voz de Galícia, sob o título «A Lagoa de Antela, 60 anos de saudade», dizia no seu artigo:

“Faz agora seis décadas, em 1958, o governo franquista começo a executar uma lei iluminada, com um par de anos antes, que pôs fim a um ecossistema com milénios de história.

Os de Franco declararam o «alto interesse nacional» da dessecação e colonização do pântano e decretaram  o fim da Lagoa de Antela. Este foi o quadro legal de uma obra cujos trabalhos foram levados a cabo durante quatro anos. A superfície afetada pelos trabalhos de dessecação do pântano e a sua canalização foi enorme. Afetou 3.165 hectares.

Os trabalhos tiveram um custo de 92 milhões de pesetas, que supunham a habilitação de uma superfície fértil que agora acolhe a principal zona produtora de cereal e batata da Galiza. Moveram-se mais de dois milhões de metros cúbicos de terra e criaram-se mais de 28 Km de canais. A preços de hoje em dia, esta faraónica obra teve um investimento superior a 70 milhões de euros, a maior atuação pública do passado na comarca antelana.

A obra foi equiparável, para não dizer superior, à construção da autovia das Rías Baixas, na década de 90.

14a.- grafico

(Fonte:- «Lagoa de Antela – Pesquisa de Trabalho»)

A nova zona colonizada foi alugada a um preço módico aos colonizadores, vizinhos dos cinco concellos que a Lagoa abarcava – Xinzo de Límia, Sarreaus, Sandiás, Vilar de Barrio e Xunqueira de Ambia (…).

Para trás ficou o beón, - daí também o nome que se dá à Lagoa: Lago Beón - uma espécie de junco que ladeava as margens da Lagoa, para além de muitas outras espécies, uma história milenária que alimentou mitos, como o do Galo de Antioquia, ou realidades como a proliferação de palafitos ou pequenas ilhotas construídas pelo ser humano no interior da Lagoa. No esquecimento ficaram também as viagens em barca de milhares de limianos durante séculos para pescar no pântano.

15.- Pescador na Lagoa

(Fonte:- «Lagoa de Antela – Pesquisa de Trabalho»)

Sessenta anos depois, a decisão de dessecação continua sendo valorada de formas muitos diversas. Para alguns, tal obra foi um desastre ecológico e o fim de um ecossistema formado na época do terciário, milhões de anos atrás. Para outros, foi a possibilidade de poder lavrar novas terras, evitando que uma geração continuasse na miséria, na dura época do pós franquismo, numa zona muito subdesenvolvida nos finais dos anos 50 do século passado.

Um octogenário de Xinzo, José Martínez, que viveu a sua meninice e juventude na época do esplendor da Lagoa, rememora: «Havia gente que retirava da Lagoa o beón e deitava-o nas cortes do gado para depois o usar como esterco nas terras (…)»”.

O presidente da Sociedade Galega de História Natural, Serafín González, tem uma opinião muito negativa daquela obra feita nos anos 50 e 60 do século passado. Foi um desastre ecológico enorme, com consequências demográficas, económicas e sociais negativas, acrescentando que se extinguiram dez espécies de aves na Límia e uma a nível Ibérico – o ganso comum. Muitas outras espécies ficaram muito «tocadas» a nível da Galiza, já que, em tempos, o número delas era muito mais abundante, como o caso da cegonha ou o sapo de esporas, assim como uma grande quantidade de peixes e invertebrados que viviam nessa Lagoa de água doce, diz Serafín González ao jornalista Sindo Martínez.

 

No «Lagoa de Antela - Pesquisa de Trabalho»podemos ler que “O modelo de agricultura e pecuária intensivo está causando uma crise hidrológica e ambiental na região, a ponto de afetar a potabilidade da água: Os pântanos da Baixa Límia sofrem uma invasão de cianobactérias tóxicas devido ao mau gerenciamento da quantidade gigantesca de resíduos de gado, equivalentes a metade do esgoto da Galiza, mas concentrados em 1% da superfície”.

 

Na opinião de Carmen Cid Manzano, cujo  seu vídeo «A Lagoa de Antela», seguimos atentamente, a dessecação da Lagoa foi um ato de terrorismo ambiental, numa das maiores zonas húmidas e pantanosas da Península Ibérica.

 

Infelizmente hoje é impossível recuperar por completo a Lagoa de Antela!

 

 

2.- Lendas, mitos e tradições à volta da Lagoa de Antela (ou Lago Beón)

 

À volta da Lagoa de Antela circulam algumas lendas, mitos e tradições.

 

Obviamente não vamos falar deles todos. Naturalmente apenas os mais falados, que nos foram transmitidos por colonos que viviam em «palafitas», antes da chegada dos romanos.

 

A uma das lendas já acima nos referimos: a cidade de Antioquia. Uma cidade mágica e esplêndida, que existiu há 3 000 anos, com grandes ruas e edifícios altos. Por tal circunstância, era objeto de cobiça dos seus inimigos. Um deles, um «caudilho» Galo, quis conquistá-la, mas, quando chegou a noite e teve que descansar com o seu exército, às portas da cidade, ao despertar, à sua frente, só viu um imenso lago. Conta ainda a lenda que, ao amanhecer, ainda se podem ouvir os sinos da cidade.

 

Uma outra versão conta que Jesus, um dia baixou à Terra e, ao comprovar que a cidade estava cheia de gente arrogante e infiel, decidiu transformá-la em lago. Apenas se salvou uma velhinha que o ajudou, quando se aproximou de Antioquia, sob a aparência de um mendigo.

 

Aqui esta lenda tem fortes semelhanças com a que se conta quanto ao Lago de Sanábria.

 

Também se diz que, quando as tropas do general romano Brutus, chegaram às margens do rio Lima (rio Lethes ou rio do Esquecimento), recusaram-se a atravessá-lo, por medo de perderem a memória. Para provar o contrário, o general atravessou o rio em primeiro lugar e, das suas margens, chamou cada um de seus soldados pelo nome. Desde 2001, o festival Esquecemento (Olvido) é celebrado na cidade de Xinzo de Límia.

 

 Os exércitos do rei Arthur também vagavam por estes lugares em busca do Santo Graal, mas um encantamento transformou os seus soldados em mosquitos.

 

Outra lenda conta que sob a Lagoa há um túnel, que une duas das torres da região (Pena

16.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (17)

e Sandiás).

17.- 2020.- Pedra Alta (Antela)+Torre Sandiás (87)

Veja-se, desde a Torre de Sandiás, a Torre de Pena.

18.- 2020.- Pedra Alta (Antela)+Torre Sandiás (71)

e que é cheio de tesouros, mas é protegido, nada menos que pelos cavaleiros-mosquitos do rei. Arthur.

 

 

3.- Razão do nome «Antela»

 

Segundo «O menhir da Pedra Alta de Antela»,  por definição, entende-se que um menir é um monumento megalítico formado por uma pedra assente no chão. À cultura megalítica pertence o menir achado nas imediações da Lagoa de Antela,

19.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (40)

conhecido como Pedra Alta.

20.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (29)

Hoje situa-se fora da sua localização original, que se desconhece qual seja. É um dos mais altos do Noroeste Peninsular. É formado por uma pedra de grandes dimensões incrustada no chão: um bloco de granito de 3,47 metros de altura. Tem diversas inscrições, sobrepostas umas sobre as outras, que não conseguimos decifrar bem. Apenas detetámos nitidamente uma cruz de braços com 25 cm.

 

Tomás Vega, que consegui detetar algumas inscrições, referido no artigo supra citado, diz que pode tratar-se de uma inscrição cristã e que – aquele cruz – pode ter sido feita entre os séculos IX e XII. As inscrições, segundo este autor, podem assim ser interpretadas: I(n) D(omini) N(ostri) IHESU VIMARA EBURONI. Na parte posterior tem outras três cruzes mais pequenas e a letra E, inscrições estas que parecem mais recentes. A superposição das inscrições indica a possível dedicação da Pedra a dois fins: a função que tinha como menir na época megalítica; as cruzes podem ser indiciadoras de diversas paróquias, função essa desempenhada pela Pedra e anterior à delimitação dos termos municipais. A fórmula cristã da inscrição faz-nos pensar na possibilidade de se  por fim a um anterior e ancestral culto indígena, cuja origem, ainda segundo Tomás Veja, pode situar-se na época megalítica.

 

Sobre este menir correm algumas lendas, que podemos ler no artigo citado acima e que vimos seguindo.

 

A Pedra Alta, deslocada durante a dessecação da Lagoa, foi colocada na sua localização atual no dia 27 de janeiro de 1987.

21.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (32)

No blogue «Dolmenes», sob o post «Pedrafita – menir a Pedra Alta. Xinzo de Límia, Ourense», é-nos fornecida a informação como chegar à Pedra Alta de Antela. Assim como nos é mostrada uma imagem do local onde a Pedra, antes da dessecação da Lagoa, se localizava.

22.- Antiga pedrafita Pena Alta

(Fonte:- «Pedrafita – menir a Pedra Alta. Xinzo de Limia, Ourense»)

Mas, repete-se, desconhece-se a sua localização original.

 

Aqui se afirma que os habitantes que viviam à volta da Lagoa conheciam-na como «anta» ou «antela» e, como acontece com quase todas as pedras galegas (e do Norte de Portugal), a Pedra Alta serve (serviu) de marco aos termos dos concellos de Xunqeira de Ambia, Vilar de Barrio e Sarreaus.

 

Não teria sido este menir que deu o nome à Lagoa?

 

Não encontramos resposta explicita na pequena pesquisa que fizemos, mas não nos repugna aceitar que assim seja.

 

Deixamos ao(á) leitor(a) um conjunto de sítios da web, caso queira aprofundar melhor toda a história relacionada com a Límia e sua antiga Lagoa de Antela (ou Lago Beón).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

13
Mar20

Por terras da Ibéria - IV Festa do Bolo Podre (Animação) - Santa Maria de Émeres - Valpaços

andanhos

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

IV FESTA DO BOLO PODRE (ANIMAÇÃO)

 

SANTA MARIA DE ÉMERES – VALPAÇOS

ALTO TÂMEGA – NORTE DE PORTUGAL

 

08.março.2020

01a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (459)

Antes de entrarmos nos três «pratos» principais que constituiu a Animação da tarde, vamos falar de outros «pratos».

 

Segundo supomos saber, este evento pretende divulgar os produtos da terra de Santa Maria de Émeres.

 

Já falámos, no post anterior, do Bolo Podre – a coqueluche da Festa – e do mel. Mas, pelos vistos, a caça – e os seus produtos – também por aqui não faltam. Particularmente o javali. Parece que os caçadores da zona

02.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (367)

presentearam os caminheiros com uns tantos javalis. E as exímias(os) cozinheiras(os) com eles fizeram uma «esquisitíssima» caldeirada.

03.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (351)

Os nossos(as) amigos(as) galegos(as) não se fartavam de a gabar.

 

Fazer de comer para cerca, ou mais, de 600 pessoas foi obra!

04a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (327)

A refeição foi servida nas instalações da Junta de Freguesia e numa tenda ao lado, montada para o efeito.

04.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (346)

Antes da «janta», começaram a atuar os da «Bandinha – Amigos da música», de Óbidos.

05.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (324)

E, de imediato, o nosso pessoal, o galego, em que nos integrávamos, ao som da «Bandinha», começa por dar o seu pé de dança.

06.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (342)

(Momento I)

07.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (329)

(Momento II)

08.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (335)

(Momento III)

A seguir à caldeirada de javali, veio o «rancho». Também muito bem apaladado.

 

Após o almoço deixámos o espaço da Junta de Freguesia

09.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (338)

para assistirmos a outros «pratos», no Largo da aldeia, acompanhando o Grupo de Gaitas,

09a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (364)

que ali começou a atuar.

10.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (372)

A certa altura, alguns elementos do Grupo fazem um baile com algumas «dançarinas» presentes. Vejamos alguns momentos da atuação do Grupo de Gaitas.

11.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (375)

(Momento I)

11a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (396)

(Momento II)

11b.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (408)

(Momento III)

11c.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (407)

(Momento IV)

11d.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (406)

(Momento V)

11e.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (411)

(Momento VI)

11f.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (405)

(Momento VII)

Enquanto isso, a pequenada «mascara-se».

12.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (386)

(«Educadora» pintando)

13.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (389)

(Menina exibindo o seu «enfeite»)

Junto ao Largo, um «senhor reco», com cerca de 80 Kg, dizia-nos Pablo, começava a assar no espeto.

14.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (358)

Logo após a atuação do Grupo de Gaitas no Largo, entra em ação a «Bandinha».

15.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (320)

Enquanto a «Bandinha» atuava, os «Ás da Concertina» esperavam pela sua hora.

16.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (412)

Atentemo-nos a seis momentos da sua atuação.

17.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (421)

(Momento I)

18.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (461)

(Momento II)

19.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (473)

(Momento III)

20.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (417)

(Momento IV)

21.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (429)

(Momento V)

22.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (468)

(Momento VI)

No final da atuação, amigo Pablo segredava-nos ao ouvido, no seu galego peculiar, que uma das instrumentistas «tocava com paixão».

 

A tarde já ia longa. Havia que partir. Mas, antes, tínhamos que levar algum produto da terra emerense . Obviamente que, no nosso pequeno cabaz, não podia faltar o bolo podre!

23.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (488)

Deixámos a repórter Ana, da RTP, entrevistando pessoas das barraquinhas da Feira

23a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (550)

fazendo reportagem, em conjunto com outros seus colegas, em direto, e de outras partes deste nosso pequeno Portugal.

24.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (526)

Despedindo-nos desta vizinha anciã,

25.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (535)

saímos daquele recinto de Animação.

 

Mas ainda deu para darmos uma espreitadela ao «reco» do espeto,

26.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (483)

donde grande número de visitantes e vizinhos aproveitavam para comer um «papo seco» com aquela deliciosa carne, dizia-nos um amigo, servindo-se de dois «bijous», depois de ter estado 20 minutos na bicha («cola»).

 

Terras fartas, estas de Valpaços!

 

Apresenta-se, para visualização dos nossos(as) leitores(as), um vídeo sobre a Animação da tarde.

IV FESTA DO BOLO PODRE (ANIMAÇÃO)

PS.- Segundo um nosso leitor desconhecido, afinal a carne para a caldeirada foi comprada e os comensais foram 1 300 pessoas. Aqui fica a retificação e um muito obrigado ao nosso Leitor Desconhecido.

12
Mar20

Memórias de um andarilho - Caminhada - Rota da Amendoeira em flor, IV Festa do Bolo Podre, Santa Maria de Émeres-Valpaços

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADA – ROTA DA AMENDOEIRA EM FLOR

INSERIDA NA IV FESTA DO BOLO PODRE

 

SANTA MARIA DE ÉMERES – VALPAÇOS

 

08.março.2020

00.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (98)

Quando tomámos conhecimento da «Convocatória» do Clube de Sendeiristas de Monterrei para a caminhada «Rota da amendoeira em flor», em Santa Maria de Émeres, Valpaços, Alto Tâmega-Norte de Portugal, a realizar no dia 8 de março passado, estávamos bem longe de calcular a dimensão – projeção – que esta pequena Rota já tinha alcançado fama.

00a.-

É certo, que no cartaz que nos foi enviado, nele se dizia que a caminhada estava inserida na IV Festa do Bolo Podre – uma promoção dos produtos da freguesia de Santa Maria de Émeres, em especial do seu célebre Bolo podre e do mel – e que a caminhada tinha um percurso com duas versões: uma, mais pequena, de um pouco mais de 8 Km; e outra, maior, com mais de 12 Kim. Nela está incluído: pequeno almoço; almoço, t-shirt e animação.

 

Prometia-se uma melhor logística.

 

Tudo bem. Tratando-se de uma organização levada a cabo por uma Junta de Freguesia e, ainda por cima, com o apoio da sua Câmara Municipal, contávamos com um evento vocacionado para o seu sucesso.

 

Todavia, pelo cartaz não calculávamos a dimensão da «coisa». Fundamentalmente, no que respeitava à caminhada.

 

Para o efeito, para se ter acesso à t-shirt e almoço, exigia-se prévia inscrição.

02.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (7)

Inscrição que se fazia exatamente no local ao lado da Junta de Freguesia, onde, no seu interior, impera a imagem da Santa.

02a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (322)

No Largo, ao lado, começaram-se a juntar os caminheiros,

03.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (53)

destacando-se, naquela multidão que se ia formando, os Sendeiristas de Monterrei e de Xinzo.

04.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (46)

O pequeno almoço foi variado e farto, não faltando o célebre folar, as bebidas e a fruta, que iam desaparecendo num ápice.

05.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (45)

O nosso galego da Chaves TV não faltou, associando-se à comezaina.

06.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (24)

E, para arrematar o lauto pequeno almoço, uma bifana, para quem quisesse.

07.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (33)

Com tanta fartura e tanta gente, não admira que o início da caminhada se tivesse atrasado mais de uma hora. Até que, eram sensivelmente 10h e 15 m, ao sinal dos membros da organização, toda a minha gente se preparou para a partida.

 

Sensibilizou-nos este casal, que não faltou à «Convocatória», levando, o pai, seu filho às costas.

08.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (49)

Bem assim, este jovem, devidamente apetrechado com a equipagem de suporte para transportar o petiz durante a caminhada.

09.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (60)

A partida foi do Largo da aldeia. Rostos felizes, está-se vendo!

10.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (70)

Na verdade, uma freguesia em movimento...

10a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (72)

Pelos dados que a Junta de Freguesia de Émeres nos forneceu, inscreveram-se nesta Rota 554 caminheiros. Isto, números oficiais; mas alguém alvitrava que eram mais de 610, pois alguns não se inscreveram.

 

Eles aqui vão, espalhando-se ao longo do trilho devidamente sinalizado,

11.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (103)

ladeado por campos de amendoeiras,

12.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (110)

monte e vinhas

13.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (149)

e oliveiras.

14.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (153)

Decorridos cerca de 2,5 Km, um primeiro abastecimento de água e fruta.

15.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (158)

E a serpente humana, contando com várias gerações de caminheiros, percorria o trilho da Rota da Amendoeira em flor, por terras de Santa Maria de Émeres.

16.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (173)

(Pormenor I)

17.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (171)

(Pormenor II)

A certa altura, o nosso sendeirista Adelino, qual pastor atento ao seu rebanho, ao lado de um campo de amendoeiras, estava a contemplar (ou contar?) a multidão dos aficionados, tal como ele, pelo caminhar.

18.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (95)

E nós perseguíamos os campos, captando as amendoeiras em flor.

19.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (93)

(Pormenor I)

20.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (96)

(Pormenor II)

22.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (117)

(Pormenor III)

23.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (122)

(Pormenor IV)

24.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (165)

(Pormenor V)

25.-- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (172)

(Pormenor VI)

Até que, a determinada altura, o percurso, por um trilho cascalhento, começa a descer em direção ao pequeno vale,

26.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (183)

para, em poucos minutos, entre os caminheiros, se formar uma fila indiana.

27.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (191)

Tentámos averiguar a razão de tal facto e a resposta foi pronta: uma descida e passagem de um pequeno ribeiro, na qual se exigia um pouco mais de cuidado para evitar quedas.

29.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (220)

(Pormenor I)

30.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (221)

(Pormenor II)

Logo a seguir, há que ultrapassar outro.

31.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (225)

(Pormenor I)

32.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (223)

(Pormenor II)

E mais outro.

33.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (233)

(Pormenor I)

34.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (235)

(Pormenor II)

E, finalmente, o último.

35.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (237)

(Pormenor I)

36.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (241)

(Pormenor II)

Ultrapassados os ribeiros do estreito e cingido vale, há que subir agora.

38.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (246)

Depois de feito mais um pequeno esforço, veio a recompensa de mais um abastecimento de água e fruta,

39.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (255)

exatamente no sítio em que se tem de fazer uma opção: ou se vira à direita e fazemos o percurso mais longo de 12 quilómetros e tal; ou, então, continuamos em frente, cumprindo apenas pouco mais de 8 Km.

40.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (258)

Seguimos a segunda opção, conforme registo do nosso app SHealth.

IMG-20200308-WA0001

Uma centena de metros mais à frente, em pleno meio rural, ao cimo, avistámos o casario da freguesia de Santa Maria de Émeres.

41.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (261)

Nesta parte do percurso, começam a aparecer-nos, mais assiduamente, os amendoais floridos,

42.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (264)

(Pormenor I)

43.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (272)

(Pormenor II)

44.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (274)

(Pormenor III)

45.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (285)

(Pormenor IV)

46.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (291)

(Pormenor V)

entremeados por olivais, plantados em tapetes de flores.

47.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (270)

Estávamos perto do nosso ponto de chegada e da aldeia de Santa Maria de Émeres.

 

Mas, antes, tínhamos um pequeno troço de caminho público a percorrer, ladeado por muros de xisto.

48.-2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (295)

Em poucos minutos, entrávamos no aglomerado urbano de Santa Maria de Émeres, onde, a par desta casa brasonada,

49.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (303)

e da sua singela igreja,

50.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (305)

Impera algum casario tradicional,

51.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (306)

(Pormenor I)

52.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (308)

(Pormenor II)

E, agora sim, chegávamos ao centro da aldeia e junto do seu coreto,

53.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (309)

onde, a partir daqui, damo-nos conta das barracas da Feira Franca, que agora estava montada.

 

Depois de um início de caminhada ora ameaçando chuva, ora chovendo miudinho, acabámos o nosso percurso com um bonito dia de sol. São Pedro estava «abençoando» este dia para estes mais de 600 caminheiros.

 

Deixamos aos nossos(as) leitores(as) algumas imagens/paisagens do entorno do nosso percurso,

54a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (192)

(Paisagem I)

55.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (116)

(Paisagem II)

56.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (125)

(Paisagem III)

57.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (166)

(Paisagem IV)

58.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (175)

(Paisagem V)

59.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (251)

(Paisagem VI)

Bem assim de alguns «rostos» com quem nos cruzámos e andámos.

60.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (179)

(Rostos I)

61.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (189)

(Rostos II)

62.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (197)

(Rostos III)

63.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (203)

(Rostos IV)

64.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (224)

(Rostos V)

65.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (228)

(Rostos VI)

66.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (230)

(Rostos VII)

67.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (231)

(Rostos VIII)

68.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (232)

(Rostos IX)

69.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (300)

(Rostos X)

70.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (299)

(Rostos XI)

71.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (301)

(Rostos XII)

Mas não só de sorrisos se fez o percurso. Também houve um ou outro percalço. Embora de pouca monta.

72.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (205)

E com a presença constante dos Bombeiros Voluntários.

Na chegada, não apenas aves de rapina nos esperava. Também este lindo sorriso de Ana, repórter da RTP presente, acompanhando, neste domingo o evento, em Santa Maria de Émeres.

73.- .- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (316)

A tarde prometia…

 

Mas deixemos agora o almoço e a animação para um outro post e demos por finda esta reportagem, que já vai longa em imagens, principalmente, e concluamos.

 

Habitualmente não gostamos de caminhar com muita gente. Acima de 4 pessoas, para nós, já é uma multidão. Mas dá-se o caso, e bem vistas as coisas, esta até foi interessante e agradável. Não apenas pela boa comida e pela sua abundância, mas pela quebra, no nosso modo de caminhar, de rotinas. Ás vezes faz falta!

 

Parabéns a Santa Maria de Émeres pela organização deste evento!

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