Quinta-feira, 19 de Julho de 2018

Palavras soltas - Sistelo:- Maravilha ou pesadelo?

 

 

PALAVRAS SOLTAS…

 

SISTELO:- MARAVILHA OU PESADELO?

01.- Sistelo-1200x782

(Fonte:- http://www.minhodigital.com/news/paisagem-cultural-de-sistelo)

 

Tínhamos conhecimento da Candidatura de Sistelo a 7 Maravilhas de Portugal - Aldeias, na categoria de Aldeias Rurais, no Concurso promovido pela RTP o ano passado e da sua consequente Candidatura ganhadora.

 

Ficámos curioso.

 

Sabíamos da construção da Ecovia do Vez, partindo de Jolda S. Paio e até à aldeia de Sistelo, num total de 32 Km, em três etapas: Jolda S. Paio-Arcos de Valdevez (12. 586 Km); Arcos de Valdevez-Vilela (9. 859 Km) e Vilela-Sistelo (10. 266 Km).

 

Tivemos «ganas» de a percorrer.

 

Tomámos conhecimento da classificação de Sistelo como Paisagem Cultural e Monumento Nacional.

 

Mais espicaçada ficou a nossa curiosidade em conhecer esta aldeia.

 

Finalmente, uma vez que andávamos a fazer trilhos no território do Parque Nacional da Peneda-Gerês, e tendo familiares em Arcos de Valdevez, não deixámos perder esta oportunidade, não só para conhecermos Sistelo, como também efetuarmos o percurso da Ecovia do Vez, desde Sistelo a Arcos de Valdevez (22. 445 Km).

 

Assim, no dia 15 de abril passado, num domingo, levantámo-nos cedo e dirigimo-nos a Sistelo para, a partir dali, percorrermos, a pé, a Ecovia do Vez até Arcos de Valdevez.

 

Todavia, hoje, não é do percurso pedestre na Ecovia que vamos falar. Esse ficará para uma outra altura, noutra rubrica ou num outro nosso blogue. É de Sistelo, a tão propalada Aldeia Rural, como uma das 7 Maravilhas de Portugal e da sua classificação como Paisagem Cultural e Monumento Nacional. Ou seja, do que, a partir daqui, tudo isto tem a ver com o seu futuro.

 

Lê-se no MINHO DIGITAL – Semanário do Alto Minho, de 13 de julho de 2018, da autoria de Armando Fernandes de Brito: “O Conselho de Ministros consumou, no passado dia 7 de dezembro, a classificação da Paisagem Cultural de Sistelo como Monumento Nacional. Trata-se da primeira paisagem a obter tal reconhecimento em Portugal.

 

O decreto que classifica os socalcos agrícolas que moldam a paisagem de Sistelo como Monumento Nacional vem no seguimento da anterior distinção como Paisagem Cultural

02.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (1)

sem esquecer, noutro âmbito, a eleição de Sistelo, em setembro último, como uma das «7 Maravilhas de Portugal», na categoria de «Aldeia Rural» (…).

2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (609)

 

O referido autor, Armando de Brito, na mesma local, faz três perguntas ao Presidente da Junta de Sistelo, o qual considera que, com este decreto, se deu “«mais um passo para a caminhada do desenvolvimento sustentável»”:

 

1 - Os socalcos de Sistelo são a primeira paisagem portuguesa com o estatuto de Monumento Nacional. O que é que representa para a freguesia este reconhecimento?

 

Para nós, que ansiávamos por esta classificação (com um desfecho, talvez, mais célere do que esperávamos), é muito importante. Este reconhecimento vem valorizar o trabalho iniciado há anos e é um marco para Sistelo e para o concelho. É mais um passo para a caminhada do desenvolvimento sustentável.

2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (604)

 

2.- Para além do turismo, que setores podem vir a ser impulsionados com esta classificação inédita?

 

O futuro passa por aliar o turismo à reinvenção da agricultura e dos setores tradicionais para gerar rendimento e combater o isolamento e o despovoamento.

05.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (7)

Digamos que o turismo pode alavancar o setor primário (cultivo do feijão…), a restauração e o alojamento. Com esta nova realidade, será reforçada, por consequência, a oferta turística e as infraestruturas em torno da restauração e do alojamento. Há projetos a germinar que vão criar vários postos de trabalho.

 

3.- A ecovia, a classificação dos socalcos como Paisagem Cultural e a eleição como “Maravilha de Portugal” já tinham colocado Sistelo na ribalta. Quantas pessoas visitam a freguesia por semana?

 

Em média, mesmo em época baixa, há, pelo menos, quinhentas pessoas que visitam Sistelo por semana. Há sempre dois ou três autocarros a cada fim de semana… E o projeto de prolongamento da ecovia até Padrão aumentará a visitação, atraindo ainda mais forasteiros para a sustentabilidade de Sistelo”.

06.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (18)

Que, em pouco menos de meia hora, esvaziaram o Largo.

06a.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (51)

Por sua vez, no Público – Fugas, com data de 1 de maio de 2018, e sob a epígrafe «Sistelo, a aldeia-monumento, vive dias agitados com a "invasão" de turistas», pode ler-se (a citação é aleatório à sequência do artigo):

 

Localizada nos limites do Parque Nacional da Peneda-Gerês [Sistelo] é conhecida como o ‘pequeno Tibete português’,

07.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (12)

devido aos seus socalcos, a aldeia do Sistelo tem cerca de 270 habitantes e é eminentemente rural.

7a.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (25)

Mais de 70% da população, garante o Presidente da Junta, tem mais de 60 anos e habitantes com menos de dez anos são apenas três. O gado anda à solta pelos montes da freguesia e, volta e meia, decide «passear» calmamente pelo meio das estradas, habituado que está à falta de trânsito.

 

Mas aquele é um «passeio» que nos últimos dois ou três anos se tornou mais arriscado, já que Sistelo começou a ser uma das prioridades dos roteiros turísticos dos amantes da natureza, desde logo por causa dos cerca de 10 quilómetros de passadiços, integrados na ecovia do Vez.

 

O risco aumentou depois de, em finais de 2017, em pleno hospital, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter promulgado o diploma que classifica Sistelo como monumento nacional, enquanto paisagem cultural. Sistelo foi, assim, assolada por uma espécie de ‘surto turístico’, que obrigou a aldeia a ‘medidas de contingência’.

 

Os cerca de dez quilómetros de passadiços, primeiro, e, bem recentemente, a classificação como monumento nacional, enquanto paisagem cultural evolutiva viva, tiraram do anonimato a até aqui pacata aldeia do Sistelo, em Arcos de Valdevez, que agora vive dias agitados com a crescente «invasão» de turistas.

08.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (43)

Dantes não se passava nada, mas agora é uma coisa nunca vista. Ainda no domingo era aqui gente que eu sei lá’, atira a «tia» Amélia, dona de uma típica tasquinha instalada bem no coração do Sistelo.

08.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (48)

Para dar vazão à procura, está a remodelar e a ampliar o estabelecimento, que outrora foi mercearia e que agora funciona como café, mas também como restaurante, servindo petiscos e refeições.

 

O problema é que nunca mais me acabam o «diacho» das obras’, queixa-se, numa altura em que na tasquinha entra mais um grupo de turistas, desta vez espanhóis.

 

Além da «tia» Amélia, também o padre Bruno decidiu colaborar, tendo cedido a residência paroquial para ali ser instalado um restaurante, que abre no próximo sábado. ‘Até as minhas missas passaram a ter mais gente e a serem mais animadas’, refere o jovem pároco.

 

A falta de unidades de alojamento é uma das lacunas que a crescente procura turística pôs a nu. No total, diz o Presidente da Junta, há meia dúzia de alojamentos, com oito camas. ‘Mas há já muita gente a manifestar interesse de investir aqui nessa área’, assegura Sérgio Rodrigues [Presidente da Junta de Sistelo].

 

Paralelamente, ao abrigo de uma candidatura ao programa Valorizar, no valor de 250 mil euros, a Casa do Castelo

 

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está a ser transformada em centro interpretativo da paisagem cultural, para acolher os turistas e os «guiar» para os vários recantos da aldeia,

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e um velho moinho está a ser recuperado.

 

À espera de aprovação está mais uma candidatura, de 180 mil euros, para juntar mais meio quilómetro aos passadiços, dar nova vida a uma eira com 31 espigueiros, requalificar um miradouro e construir um parque de merendas.

 

Temos de fazer pela vida e aproveitar a nossa galinha dos ovos de ouro. Se os turistas nos procuram, há que saber prendê-los e fidelizá-los’, remata o Presidente da Junta.

 

Em Sistelo, nas faldas do Parque Nacional da Peneda-Gerês,

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o balir e o mugir ainda são os sons mais ouvidos, mas o roncar dos motores dos automóveis já lhes começa a fazer concorrência. Os mais velhos - a «tia» Amélia é uma das poucas exceções - olham com alguma perplexidade para a violação da pacatez da aldeia, mas os jovens encaram a nova realidade como uma oportunidade para construírem o seu futuro na terra que os viu nascer”.

12.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (26)

E, a partir desta última passagem, gera-se um diálogo, no sítio deste artigo, à volta de dois «mundos», assim protagonizados:

 

manusreis20  02.05.2018 00:35

Turismo é bom mas cuidado é uma faca com dois gumes depois não se lamentem que perderam o sossego os amimais não poderão mais andar livremente por onde lhes agrada. Enfim mais dinheirinho dá cabo de tudo por onde passa”.

 

Um outro leitor, responde:

 

Anjo Caído  do Outro Mundo 02.05.2018 08:29

manus, não se preocupe. O que não falta em Portugal são aldeias muito autênticas, onde o gado só não se passeia porque já não há gente para o criar. Aí não foi o dinheirinho que deu cabo de tudo, foi a falta dele. Se nascer e crescer num dos muitos "Sistelos sem turismo", quer que a sua vida seja só pastorícia e agricultura de subsistência ou vai mas é para um centro urbano?

 

Um terceiro, que entra na discussão, procurando uma outra ordem de pensamentos:

 

A. Luís Fernandes  Edmonton AB Canada 01.05.2018 19:02

Se vamos viver do turismo também aqui em Sistelo há que encará-lo a sério preservando as ricas características que estão na sua génese e o podem justificar, isto é, a topografia natural e a paisagem cultural que é imprescindível manter. A oferta de serviços de qualidade e infraestruturas materiais aos turistas não pode ser feita à margem da rejeição da arquitetura e população locais mas sim fundindo e integrando estas num todo evolutivo que as mantenha vivas e fortes no presente e futuro. Em suma, sustentabilidade é indispensável e obrigatória para não cairmos uma vez mais no erro que se tem repetido vezes sem conta neste país e que acaba na descaracterização local, destruição de riquezas únicas, e no fim numa maior pobreza quando não miséria para a nossa gente!”.

 

Obviamente que não vamos ter a Sistelo dos nossos antanhos. Por duas ordens de razões. A primeira, porque não aceitamos, em pleno século XXI, aquele estilo de vida pobre, miserável, em que então se vivia; em segundo, porque, conforme lemos, já não existem gentes. Estivemos um pouco a observar a dinâmica da aldeia, em hora de missa, ao domingo.

13.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (22)

Pelas suas remodeladas ruas e casario, apenas vemos maiores, como estas duas viúvas.

14.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (23)

Entrámos na igreja. O panorama era idêntico.

 

À saída, as mesmas pessoas, à mistura com um ou outro turista/caminheiro

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para fazer um dos trilhos, anunciados nos placares informativos, logo à entrada da aldeia.

16.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (11)

Ao longo da nossa vida profissional, enquanto no ativo, dedicando-nos à problemática do desenvolvimento local/regional, batíamo-nos pela animação destes territórios, periféricos aos da vida urbana, predominantes na sociedade do século XXI. Sempre dissemos que ninguém desenvolve ninguém a não ser nós próprios. Indo buscar às raízes profundas das nossas comunidades aquilo com que, ao longo das suas histórias mais os identificaram.

 

Fala-se na vertente material da valorização do nosso património rural,

17.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (20)

e em muito outro que há para recuperar.

18.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (32)

Mas onde existe uma política, integrada, de desenvolvimento do mundo rural no nosso país?

 

Já num nosso escrito, em 2008, sob o tema «O Desenvolvimento local e a Animação turística» defendíamos que o turismo sustentável: “é um instrumento de fixação das populações. Mas pensar em estratégias baseadas na sustentabilidade implica um questionamento que não tenha somente em conta o equilíbrio do crescimento turístico ou a proteção do património e das áreas naturais protegidas. Um turismo sustentado é um modelo que apela a uma lógica de autenticidade, porque integrador de sentidos múltiplos e vários agentes, sendo, para isso necessário alargar a noção de experiência turística para além do olhar do visitante e da estratégia do vendedor.

 

A haver uma ética na indústria turística atual, ela deverá passar por uma política que privilegie a relação:

 

            Dos visitantes com as comunidades locais

A indústria turística não pode privilegiar unicamente os turistas, esquecendo que os produtos culturais têm origem em atores sociais, com uma dignidade intrínseca, e uma palavra a dizer do património e dos espaços que partilham com aqueles que os visitam. A qualidade de vida das populações e o enriquecimento mútuo entre população e visitantes deve ser uma preocupação dos modelos turísticos. Nos contactos culturais está sempre presente uma possibilidade de conflito, o qual não pode ser alimentado pela indústria turística.

 

            Dos atores sociais com o meio ecológico e o património histórico e cultural

Não se pode continuar a desenvolver um turismo ecológico meramente com a gestão de visitantes e com a defesa do ambiente. Os atores devem assumir uma experiência de relação com o meio que visitam, em que o próprio processo turístico seja planeado como forma de o preservar e valorizar. A relação com o meio ambiente deverá resultar num sistema sócio natural criativo e em constante renovação.

 

O património, por outro lado, constrói-se, «ativa-se», significando que toda a operação de construção ou de ativação patrimonial comporta em si mesma um propósito ou finalidade, uma idealização construída por uma sociedade sobre quais são os seus próprios valores culturais, revelando, por conseguinte, a sua identidade coletiva, veiculando uma consciência e um sentimento de grupo, para os próprios e para os demais, erigindo, nesse processo, fronteiras diferenciadoras que permitem manter e preservar a identidade coletiva.

19.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (5)

O património, como interpretação do passado, é uma recriação da história, que emana visões essencialistas do passado e neutraliza as contingências históricas.

 

O legado patrimonial é, assim, «um legado falsificado para fins de identificação coletiva, apesar de beber nos factos históricos e na diversidade cultural os motivos para a sua formulação». Tem, assim, um uso de identificação simbólica.

 

Para além dos fins de identificação simbólica, o património serve também, intrinsecamente, os propósitos de quem ativa esses repertórios patrimoniais, ou seja, serve fins políticos, quando fornece os símbolos que «favorecem a coesão social ao mesmo tempo que legitima as instituições sociais que emanam estes mitos ma medida em que suprimem a contradição e as tensões dialéticas desfragmentadoras da realidade e a contestação».

 

Por outro lado o património tem ainda um outro uso. Por via do seu aproveitamento turístico, ou uso económico, «no contexto de uma sociedade ‘pós-tradicional’, nostálgica e carente de elementos de identificação coletiva, confere ao património uma nova vitalidade».

 

A dimensão mais explicitamente utilitária do património, como é a turística, convive com as duas anteriores numa relação de complementaridade e de retroalimentação, pois os referentes simbólicos fornecem os motivos que alimentam a indústria turística e a indústria turística recria os elementos culturais e a própria história, emanando novos referentes simbólicos que dão substância à imaginação coletiva, integrando-se naquilo a que Hobsbawm designa na nova «mitologia retrospetiva» que sobre o património é erigida e acrescentando-lhes novos elementos.

 

Sendo a autenticidade um constructo, o património que é inventado para satisfazer a procura turística não é menos autêntico do que aquele que é resgatado de um «corpus» cultural, nem a cultura que resulta desse processo de recriação será, como refere Santana Talavera, uma cultura «bastarda».

 

Contextualizar o turismo não significa unicamente salientar a dimensão local e estabelecer as relações com os espaços envolventes, no sentido de turismo aberto. Contextualizar significa, aqui, partilhar os «textos» (estratégias e discursos) de realidades diferentes num espaço comum, de modo a que os agentes desta relação de partilha possam entender os vários sentidos presentes.

 

Só dentro desta lógica da relação de partilha se pode compreender hoje o turismo, nas variadas dimensões de que ele se reveste.

 

E, assim, evitar-se aquilo que, como afirma um autor, em que  a preservação da tradição leve, como aconteceu na última década, «ao florescimento de aldeias cenário, fantasmas, propriedade de citadinos, que nos poucos fins de semana que passam na aldeia alentejana, carregados de compras dos hipermercados da capital, se arriscam a ir aliviar o stress, para um Alentejo sem alentejanos».

 

Como diz Anthony Giddens: «Uma tradição que é esvaziada de conteúdo, comercializada, torna-se uma herança ou um kitsch, um berloque sem valor que se compra na loja do aeroporto. Quando tratada pela indústria da herança, a herança é a tradição refeita em termos de espetáculo. Os edifícios reconstruídos em locais de interesse turístico podem parecer esplêndidos, e a reconstrução pode ter sido autêntica até ao mais ínfimo pormenor. Mas a herança assim protegida deixa de ser alimentada pelo sangue vital da tradição, a qual está em conexão com a experiência da vida corrente».

 

Mas aqui devemos também ter em devida conta Augusto Santos Silva quando nos alerta para o carácter dinâmico do património ao nos alertar que «o que definimos hoje como valor patrimonial não é o mesmo que definíamos noutras épocas. E o que valorizamos hoje como referência patrimonial – por exemplo um sítio monumental – é o resultado de múltiplas e, muitas vezes, contrárias intervenções humanas. Não vejo, pois, como haveremos de pensar produtivamente, em matéria de conservação e salvaguarda, se teimarmos em procurar autenticidades e primordialidades imaginárias».

 

Conceitos como inovação e tradição, num contexto de sustentabilidade, pressupõem em primeiro lugar, espaços vividos, habitados, com estratégias realistas de desenvolvimento socioeconómico, onde a fixação de populações é o fator determinante.

 

Entre o liberalismo selvagem, que não reconhece valores ecológicos e culturais, e o ambientalismo radical que só reconhece florzinhas e passarinhos, o desafio para as comunidades locais que queiram apostar no turismo como uma das estratégias para o seu desenvolvimento é o de abrirem-se ao exterior, modernizando-se pela função turística e, ao mesmo tempo, implicarem-se num reinvestimento do seu passado, reestruturação do seu património, na manutenção e revitalização das suas tradições, realçando a topofilia, o elo emocional entre uma pessoa e um lugar ou envolvente física, o mesmo que dizer, o sentimento de pertença a um lugar ou região de origem, de residência, de trabalho ou de lazer.

 

Ora, todo este desafio para um interior sem gentes, não passa de uma quadratura do círculo, transformando a realidade, daqueles que ainda têm esperança numa renovação destes nossos territórios deprimidos, num autêntico e verdadeiro pesadelo.

 

Sistelo é, positivamente, uma maravilha de aldeia, como património, aliás como muitas outras aldeias espalhadas por este nosso Portugal.

 

Falta ainda muito – se é que algum dia acontecerá – para efetivamente ser, como monumento nacional que é, uma maravilha viva. Com gentes frequentando os seus espaços públicos, hoje praticamente vazios!

20.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (46)

Eram estas as reflexões que congeminávamos, enquanto saíamos da aldeia

21.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (57)

para percorrer a Ecovia do Vez até Arcos de Valdevez

22.- 2018.- Ecovia do Vez (Sistelo-Arcos) (50)


publicado por andanhos às 15:53
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