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andanhos

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REINO MARAVILHOSO - DOURO - Murça (I)

 

ATIVAMENTE, EXERCENDO O DIREITO À NOSSA PREGUIÇA (I)

 

Não é uma calamidade

não alcançar as estrelas;

é uma calamidade

não ter estrelas para alcançar.

 

(Anónimo)

 

No passado fim-de-semana, Murça foi palco do Congresso Internacional de Animação Sócio Cultural subordinado ao tema «Gerontologia|Educação Intergeracional. Estratégias e Métodos de intervenção para um envelhecimento ativo». A organização do evento foi da responsabilidade da associação Intervenção que, ao longo destes últimos tempos, tem dado provas da sua intervenção e empenhamento sobre a problemática da animação sociocultural na sociedade moderna em ordem a uma sociedade mais livre, democrática e participativa, propiciando uma cidadania mais ativa das pessoas na res publica.

 

Da Sessão Inaugural, a cargo do Meritíssimo Juiz Laborinho Lúcio, ministro da Justiça de um dos governos de Cavaco Silva, fiquei deveras surpreendido, diria mesmo, pasmado! Este Meritíssimo, que insistentemente apelava para que o chamassem velho e não idoso, pois, pelos vistos, já vai na escala dos setenta e tais, na circunstância, proferiu uma intervenção que, se não soubesse quem tinha sido, parecia ter ultrapassado o discurso oficial do PS pela esquerda!...

 

Não é este o lugar para o resumo da sua intervenção. Outros, oficialmente, o farão. Pela nossa parte, apenas gostaríamos de deixar aqui, do conjunto da sua intervenção, o que mais nos «tocou».

 

Em primeiro lugar, quando apelava a todas as pessoas da plateia, a maioria delas jovens, para que, e desde já, se pusessem no lugar de velhos, enfatizando a necessidade de sairmos, metodologicamente, da posição de considerarmos o velho uma classe, um «outro», objeto de intervenção ou estudo. Ao assumirmos o velho como um inter pares, a nossa postura e as nossas atitudes para com os tais ditos velhos vão necessariamente mudar consideravelmente.

 

Em segundo lugar, relevou que o envelhecimento é uma questão problemática, exigindo soluções problemáticas, numa sociedade complexa, diferente, diversa, em que a cooperação e a corresponsabilidade têm, necessariamente, de estar presentes para, em liberdade, vivermos juntos, construindo uma sociedade solidária, num tempo em que o espaço (território) desapareceu, cedendo o terreno à economia e ao mercado, interessado apenas na competição, no ganhar tempo, num tempo que se quer e se constrói só com o instantâneo. Na verdade, hoje, em vez de territórios, de vida e partilha, temos velocidade. E esta velocidade gera novos marginais, que não são os marginais do espaço, mas do tempo, porque estão fora do tempo, do «nosso» tempo. Por isso, os conflitos que hoje vivemos são entre novos e velhos, empregados e desempregados, ricos e pobres. E fez, neste passo da sua intervenção, a seguinte pergunta: quem são os senhores do tempo? A resposta para o Meritíssimo é óbvia: é este mercado que só vive em função do tempo, que a todos despersonaliza e reduz a mercadoria. E, logo de seguida, a segunda pergunta: qual o lugar da pessoa nesta sociedade em que vivemos? Entendendo a cidadania como o reconhecimento de cada pessoa desenvolver as suas capacidades para participar ativamente na vida pública, apelou ao direito ao direito, ou seja, ao direito à voz, à participação. Porque cada um, esteja em que estádio da vida estiver, é protagonista de uma sociedade. De uma sociedade diversa. Em que cada um, porque diferente, deve reivindicar a igualdade (nacional) na diversidade. Se a vida é um continuum, há, pois, que construir uma coesão intergeracional, em ordem a um projeto comunitário, contando com a solidariedade, embora individual, egoísta, de cada um. Mas a solidariedade (individual, egoísta) exige de nós prudência. E essencialmente severidade em não tolerar a hipocrisia que por aí crassa contra os ditos velhos, os idosos...

 

E, lapidarmente, deixamos aqui três frases que mais nos «tocaram»:

  • Não nos devemos apear cedo demais das nossas utopias;
  • A tragédia da vida é não ter objetivo algum para alcançar;
  • Tolerar o idoso é uma indecência social.

 

No Painel que coordenámos, subordinado ao tema «Envelhecimento ativo e Autonomia», causou algumas dúvidas e posições críticas a intervenção do nosso amigo galego Manuel Vieites quando, citando Paul Lafargue (http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Lafargue), apelava ao direito à preguiça do velho, contestando alguns significados do envelhecimento ativo, próprios de uma sociedade consumista que nos reduz, todos, a meros objetos de produção/consumo da sociedade capitalista em que vivemos. Sem querer desprestigiar e por em causa o trabalho dos diferentes técnicos que trabalham para os idosos, principalmente os institucionalizados, pôs, contudo, em causa a sua filosofia de funcionamento, aliás na «onda» da intervenção Inaugural de Laborinho Lúcio.

 

Houve aceso debate. Discutimos e partilhámos diferenças. Temos, cada um, as suas convicções. Respeitamos a diversidade. E, acima de tudo, assumimos que o viver em sociedade não é o partilharmos o mesmo, mas sim vivermos com a diferença e assumirmos o conflito como conatural ao ser humano e às sociedades. É nesta postura de assunção da diferença, do conflito, e da aceitação e respeito pelo outro, que é diferente, que a participação faz todo o sentido.

 

Findo o painel, e, como já empossados do estatuto de velho, recentemente, (embora, em casa, já há mais de vinte anos, sejamos o velhote), seguimos o conselho do amigo Vieites: saímos porta-fora do Congresso e fomos exercitar, livre e ativamente, o direito à nossa preguiça, indo aprofundarmos melhor o território desta linda terra duriense, do vinho e do azeite, que é Murça.

 

Desta feita, aqui vos deixamos quadros desta linda terra, que fomos tirando, e que aqui vos ficam «pendurados» para vossa apreciação estética (?).

 

Antes de chegarmos a Murça, a terra da célebre «Porca»,

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vindos de Chaves, pela estrada Regional 314, três quadros de paisagem:

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(Quadro nº 1)

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(Quadro nº 2)

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(Quadro nº 3) 

Logo, ao chegarmos, se não sabemos, ficamos logo cientes de três coisas: a primeira, que Murça, como boa terra do Douro, é terra de vinho

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 (Sugestiva escultura representando a terra do vinho)06. - Murça (Vila) (45).jpg

 (*ormenor da escultura do vinho)

e de azeite.

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E que daqui, do seu concelho, de Valongo de Milhais, é natural, um mito da Grande Guerra, o lendário Soldado Milhões.

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Mas, tal como a antiguidade da sua «Porca», por aqui passaram (e viveram) muitos povos. Dentre eles, os romanos, que aqui construíram calçadas

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e pontes

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para, do Império, virem a outras paragens, deixando por aqui os seus vestígios de passagem.

 

O símbolo do poder religioso, político e civil dominam o centro da vila, com a Igreja Matriz,

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o Pelourinho,

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com um elegante e bem trabalho ornamento no topo,

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 e o edifício da Câmara Municipal.

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Mas também houve casas senhorias, embora algumas já em ruínas,

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E o seu casario típico destaca-se no aglomerado urbano, com fachadas respeitando a traça própria

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e de cara lavada,

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embora uma

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 ou outra espere recuperação.

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Mas, positivamente, o que põe Murça do Roteiro Regional é a Saúde, com o  seu Hospital,

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prestando Serviços Continuados, através de uma instituição privilegiada, não só em termos locais, mas também, e, pelo menos, regionais - a sua Santa Casa da Misericórdia.

 

Aliás, não foi por acaso quer este Congresso aqui se realizou!...

 

Seguimos a rua do seu centro antigo que vai dar ao Hospital,

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um edifício antigo recuperado para o efeito.

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Na mesma rua está a residência para estudantes e, ao fundo da mesma, a Escola Profissional de Murça.

 

Quer na ida,

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quer no regresso ao centro, não podemos deixar de reparar naquilo a que  chamamos a «joia da coroa» de Murça - a bonita capela da Misericórdia,

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a precisar de intervenção, bem como a sua envolvente.

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Não nos foi possível entrar no seu interior. De fora, fica-nos aqui estes três belos panos da sua frontaria.

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 (Pano de cima)

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 (Pano do meio) 

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 (Pano da base)

 

E os pormenores, lavrados em granito, com temas da videira (parra e cacho de uvas).

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(Pormenor nº 1) 

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 (Pormenor nº 2) 

Regressando ao centro da vila pela mesma rua, com o seu casario típico,

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não se nos escapou a observação da Fonte da Santa,

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e à sua frente, um edifício recente, cuja primeira pedra foi de justiça erguer mas que, nos tempos que correm, não serve para Justiça nenhuma...

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Deixamos os (as ) nossos (as Leitores (as) com o centro emblemático de Murça - «Porca» e Igreja,

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Igreja e Pelourinho.

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E com um adeus até amanhã que, quanto a Murça, há mais um pouco para contar.

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