Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018

Reino Maravilhoso - Barroso:- S. Sebastião-Couto de Dornelas

 

 

REINO MARAVILHOSO – BARROSO

 

O S. SEBASTIÃO DA VILA GRANDE-COUTO DE DORNELAS

 

- CUMPRIMENTO A TRADIÇÃO -

 

 

Uma vez mais, no dia 20 de janeiro, fomos em «romagem» até à «Mesinha de S. Sebastião», na Vila Grande, freguesia de Couto de Dornelas, concelho de Boticas.

 

Se os leitores querem que lhes diga, nem sabemos bem porque, todos os anos desde há um tempo a esta parte, o fazemos.

 

Provavelmente estamos indo “na onda” de seguir e acompanhar uma tradição.

 

E, todos os anos, registamos, com a nossa máquina fotográfica, os mesmos gestos desta tradição secular, que, infelizmente, já não é o que era.

 

Esta tradição tinha muito significado para os barrosões destas paragens, mas hoje interrogamo-nos: que tradição esta gente do lugar cumpre e as que ocorrem à «Mesinha»?

 

E o que leva tanto carro e autocarro a entupir as ruelas desta singela e bonita aldeia barrosã?

 

Contudo, não são assim tantos, comparando com as que ocorrem a este lugar neste dia, os que frequentam e assistem à missa em honra do orago do lugar, dado o que vimos na igreja e no adro.

00.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (194)

Os elementos fundamentais da «Mesinha» estão presentes.

 

Desde a «Mesa» propriamente dita,

01.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (8)

até ao pão,

02.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (43)

aos potes,

03.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (23)

onde é cozida a carne e arroz.

 

Registámos todos estes elementos e, como não podia deixar de ser, das mãos desta simpática cozinheira,

04.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (25)

antes de partirmos para visitarmos duas aldeias próximas, não deixámos de comer o "nosso" caldo.

 

Não é que fizesse assim tanto frio para nos aquecer o corpo…

 

Trata-se já de um velho costume nosso.

 

Ultrapassada a enorme lareira da cozinha, para tirarmos uma foto às centenas de broas de pão empilhadas nas estantes, não fomos tentados pelo saboroso pão e vinho e o naco de carne cozida, que estava ao nosso dispor numa mesa. Na nossa idade há que fazer já um pouco de contenção…

 

Ainda assim assistimos às chegadas em levas dos «romeiros» que, com o seu farnel, iam ocupando os seus lugares na «Mesa».

 

E partimos para visitar as aldeias de Lousas e Casal.

 

Quando voltámos à Vila Grande, a missa ainda estava a meio.

 

Nas proximidades da igreja aproveitámos para tirar uma foto à senhora do capuz (capa) – que hoje, dizia, não trazia a de burel, pois o frio não era assim tanto -, junto do pelourinho.

05.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (206)

,Naturalmente não vamos relatar todos os passos do cerimonial deste dia, todos os anos repetido, logo que a missa é dita.

 

Sucinta e simplesmente referimos quatro apontamentos que, neste dia, nos ficaram na retina.

 

Em primeiro lugar, o cerimonial de estender a toalha de linho branco pela «Mesa»,

06.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (244)

as broas de pão que se põem na mesa, à distancia, cada uma, da vara do mordomo,

07.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (239a)

e a carne e o arroz, que vem logo a seguir, para os comensais.

08.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (276a)

Mas estes são os elementos da tradição; assim como o terceiro aspeto – o beijar do Santo.

09.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (257)

E veja-se o fervor com que alguns crentes o fazem!

 

E, como não podia deixar de ser, a passagem da cestinha da Esmola.

10.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (255a)

O quarto e último elemento tem a ver com a animação que, naturalmente, em «romarias» não pode faltar. Já, noutros anos, assistimos a desgarradas que, verdadeiramente, nos encantaram. Este ano faltaram!...

 

Os grupos e concertinas estiveram presente.

11.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (277)

Mas, para nós, não é a mesma coisa.

 

Não faltaram os cantares espontâneos dos populares que, com as suas vozes e seus diferentes instrumentos, dando asas às suas artes e habilidades, contagiavam os restantes «romeiros» de boa disposição.

12.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (298)

Não faltou também um “toque” de originalidade deste tocador de bombo!

12.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (300)

Mas o que verdadeiramente nos emocionou nesta sui generis «romaria» não foram os cantares espontâneos das gentes do Minho que aqui ocorrem em grande número, principalmente os de Cabeceiras

 

O que nos emocionou foi, ao som de um gravador, ver estes “jovens” maiores dançarem.

13.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (176)

Veja-se a felicidade deles estampada nos seus rostos!

14.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (180)

É bem verdade que não há uma só idade para amar e ser feliz!!!

 

Não ficámos para o repasto. Apenas nos quisemos certificar que a tradição se cumpria uma vez mais, apesar da que hoje presenciamos não passar já de uma corruptela da verdadeira e genuína.

 

Mas que dizer quanto à cultura, as tradições e os costumes se transformarem em pura e verdadeira mercadoria no mercado turístico de uma sociedade que apenas reconhece o valor do dinheiro e mede tudo e todos pelo que têm e não pelo que são ou deveriam ser?!...

 

Sinal dos tempos…

 

Em que nós próprios, como centenas deles, diriamos, com máquinas fotográficas e de filmar e telemóveis em punho entramos em cena para sermos os novos atores, intervenientes de uma tradição que os antanhos do lugar, se cá estivessem, jamais entenderiam os caminhos por que seguimos.

 

Porém, que mais estas gentes podiam (ou podem) fazer, quando são a periferia da periferia, esquecidas positivamente pelos diferentes poderes públicos. Por calculismo, uns; por negligência, outros; e por falta de saber ou ignorância, ainda muitos outros!

 

O que aqui se faz, com esta gente entregue efetivamente a si própria, é um verdadeiro ato de coragem, de bravura. É autêntica resiliência de um povo que, a seu jeito, e como melhor sabe, procura manter o que de verdadeiramente genuíno têm – as suas tradições – num mundo com uma sociedade que a todos nos quer homogeneizar.

 

Há elementos espúrios, é ceto, mas Vila Grande, mesmo assim, quer estar no mapa do Barroso e do Mundo. E atuam, sem o saberem, emitindo-nos um apelo ingente para uma nova postura quanto a encarar o desenvolvimento das nossas comunidades rurais, do nosso Interior.

 

Deixámos esta linda aldeia de Vila Grande

15.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (289)

em direção a Vilarinho Seco, Alturas de Barroso e Atilhó.

 

E fazemos finca pé, tal como a vontade firme deste homem que,

16.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (58a)

apesar da idade, agarrado à sua bengala, fez questão de aqui marcar a sua presença, como querendo-nos dizer que outros dias hão de vir para estes territórios; que mais bailaricos vão haver; que mais caras sorridentes e felizes aqui hão de viver nestas terras e povos barrosões – um dos poucos redutos de paz, em contato puro com a Natureza numa sociedade e civilização que vive sem “alma”.


Não queremos ser o Velho do Restelo. Nem tão pouco ingénuos.

 

Mas jamais prescindiremos daquela dose de utopia consubstancial à raça humana.


publicado por andanhos às 10:10
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