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Reino Maravilhoso - Barroso - Realidade e utopia

 

 

REINO MARAVILHOSO - BARROSO

 

00.- 2017.- Montalegre (236)

(Fafião) 

 

REALIDADE E A UTOPIA

 

Temos vindo a acompanhar, juntamente com mais um ou dois amigos, o Fernando DC Ribeiro, no seu afã de fazer a cobertura de todas as aldeias do Barroso, da parte de Montalegre.

 

Admiramos este seu entusiasmo - e enlevo - na recolha daquilo que, na sua ótica, considera o mais genuíno do Barroso.

 

Já há um tempo atrás fez idêntico trabalho em relação ao concelho onde nasceu e passou a residir, constituindo família e aqui desenvolvendo a sua vida - Chaves.

 

Muitas vezes damos connosco a perguntarmo-nos o que nos leva a seguir um aficionado pela fotografia quando pretende fazer o levantamento daquilo que considera o mais genuinamente barrosão.

 

A resposta vem fácil e está relacionada com uma sua costela barrosã, que herdou de sua mãe.

 

Como o compreendemos tão bem!

 

Vivendo há mais de 50 anos em Chaves, nunca perdemos a ligação com o terrunho que nos viu nascer. E, recorrentemente, descemos até ao Douro. Para matar saudades. Carregar baterias. Numa peregrinação, não de fé, mas de amor e carinho por aqueles horizontes que sempre nos ficaram cravados na memória desde a nossa meninice. A saudade. Termo tão próprio do ser português e do Homem Transmontano!

 

No passado dia 14 do corrente mês, levantámo-nos cedo para acabar de cobrir uma ou outra aldeia, cujo levantamento estava incompleto, e de completar mais umas 3 ou 4 que ainda restavam. Na verdade, em cada aldeia, não há cantinho que não seja “coscuvilhado”!

 

Neste post, nosso intuito não é fazer a reportagem das aldeias por que passámos e visitámos. Esse desiderato pertence a Fernando DC Ribeiro, no seu Blogue “CHAVES”.

 

Hoje queremos apenas aqui deixar uma ou outra reflexão sobre as nossas deslocações até às terras barrosãs.

 

Quem já foi lendo e vendo os posts que Fernando DC Ribeiro publicou no seu blogue sobre algumas aldeias barrosãs (da parte de Montalegre, pois Boticas, creio, virá a seguir), à parte as informações que, da sua lavra, nos vai dando, e dos autores em que se apoia cita, as suas imagens, tecnicamente bem tratadas, não nos deixam indiferentes pela sua beleza cénica.

 

Contudo, depois de observarmos e analisarmos cada post, no final, fica-nos um misto de tristeza e de melancolia.

 

Fernando DC Ribeiro não “capta” já o Barroso genuíno

 

1.- 2017.- Montalegre (36)

(Codeçoso, de Padornelos)

- pois hoje tal lhe é impossível - mas tão só a sua miragem.

 

2.- 2017.- Montalegre (48)

(Codeçoso, de Padornelos - Reflexo num lavadouro público)

Miragem na qual abundam a falta de gentes, o abandono das terras para cultivo e os tratos de polé a que a sua arquitetura tradicional foi votada.

3.- 2017.- Montalegre (41)

(Codeçoso, de Padornelos - Forno do povo)

Diz Fernando DC Ribeiro, entre um clique de uma fotografia e o enquadramento de outra, que o que lhe interessa é “captar” a essência barrosã.

Compreendemos o que ele pretende. Mas, na verdade, essa essência, positivamente, já não existe.

 

Desapareceu.

4.- 2017.- Montalegre (71)

(Mourilhe - Espigueiro em ruínas)

Porque desapareceu, está desaparecendo aceleradamente, quem dava vida ao Barroso, que tão nostalgicamente recorda da sua infância - as pessoas.

5.- 2017.- Montalegre (63)

(Gorda - Uma das poucas casas habitadas, em tempo de férias de emigrantes)

Restam algumas histórias de vida, que autores barrosões tão magistralmente nos souberam transmitir, como Bento da Cruz,

6.- 2017.- Montalegre (80)

(Peirezes - Casa que foi de Bento da Cruz)

uma ou outra construção recuperada, com os confortos modernos, mantendo a traça tradicional.

 

Tudo o resto é ruína e desolação,

7.- 2017.- Montalegre (7)

embora os esforços feitos em sede da dinamização dos diferentes núcleos do Ecomuseu do Barroso...

8.- 2017.- Montalegre (217)

(Fafião)

adotando - e servindo-se - de gente jovem.

9.- 2017.- Montalegre (212)

(Fafião - Ecomuseu do Barroso - a Mariana)

É uma realidade dura a que o Barroso, a exemplo de outras terras interiores do nosso país, a que já nos acostumamos a aceitar, sem que surja um grito de revolta consistente que inverta este estado de coisas, que está matando, e fazendo desaparecer, a parte mais genuína e mais significativa da identidade e da realidade do ser português!

10.- 2017.- Montalegre (207)

(Fafião - Ecomuseu de Barroso - Vezeira e Serra)

Obviamente que não estamos a fazer a apologia do regresso ao passado. Um passado duro, de pobreza, fome e miséria, que lançou tantos barrosões (como, aliás, tantos portugueses) na emigração, na diáspora de braços jovens que construíram outros países, enquanto o nosso marcava passo e definhava.

 

O barrosão precisa, assim como o nosso país, é de uma outra visão do futuro.

 

Essencialmente no interior, o que os nossos autarcas fazem e executam - grande parte deles muito bem - é dos que cá restam...

 

Mas isso só não basta!

 

O barrosão de hoje, a exemplo dos meados do século passado, precisa de uma nova “colonização”, de um novo repovoamento. Com outros emigrantes. Com os seus emigrantes. E outros imigrantes que para aqui queiram vir, imbuindo-se do verdadeiro "espírito do lugar". E que apostem nos ricos recursos destas terras e num novo modelo de desenvolvimento. Respeitador das suas tradições; 

11.- 2017.- Montalegre (216)

(Fafião - Ecomuseu do Barroso - Roda do moinho e "mariola")

orgulhoso da(s) sua(s) história(s) de vida; reconstruindo a arquitetura tradicional adaptada aos confortos dos tempos modernos.

 

Desenvolver este território e estas aldeias, em suma, este mundo rural,

000.- 2017.- Montalegre (180)

(Fafião - Proximidades do rio Toco)

tão rico, embora selvagem e inóspito,

001.- 2017.- Montalegre (187)

 (Rio Toco)

é, repetimos, adotar uma outra postura, apostando num outro modelo de desenvolvimento, respeitador da história,

13.- 2017.- Montalegre (154)

(Cabril - A ponte velha [romana])

das culturas locais,

14.- 2017.- Montalegre (147)

(Cabril - Igreja Matriz e envolvente)

e mais compaginável com a proteção da natureza ( e que rica natureza nós temos!),

14.- 2017.- Montalegre (141)

 e no respeito pelas diferentes diferenças e identidades e pela genuidade do modo de vida do ser barrosão, que é o mesmo que dizer, português.

 

Será que, perante esta realidade que, a nossos olhos, se nos apresenta tão deprimente, estamos a pugnar simplesmente por uma utopia?

 

Possivelmente para a maioria dos leitores que nos lê, assim será.

 

Mas, verdadeiramente, sem sonho, que seria da vida?

15.- 2017.- Montalegre (211)

E que futuro preparamos para as gerasções futuras?...

 

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