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Por terras de Portugal - Portugal em ruínas (1)

 

 

PORTUGAL EM RUÍNAS

- Igreja gótico-manuelina de Santa Maria do Bispo -

 

Ir ao Porto e, de vez em quando, despreocupadamente, passar por uma livraria e aí ficar sentado a ver um ou outro título, é uma das atividades que mais gosto de fazer. Infelizmente, pela nossa urbe flaviense, já não há um espaço convidativo que se preste a este prazer!...

Um dos livros que peguei com um certo interesse foi o que leva o título «Portugal em ruínas», editado em 2014, de Gastão de Brito e Silva (fotografias). Começa por nos mostrar a Igreja gótico-manuelina de Santa Maria do Bispo, na fortaleza de Montemor-o-Novo,

2013 - Momtemor-o-Novo (2ª Parte) 390.jpg

(Igreja de Santa Maria do Bispo, na Fortaleza de Momtemor-o-Velho e enquadrada pelo seu entorno)

e que, ao longo deste post abundantemente mostraremos.

A Introdução ao referido livro é de Vitor Serrão, que também leva o título «Portugal em ruinas - Uma história cripto-artística do património construído». Vitor Serrão, a dado passo, afirma:

2013 - Momtemor-o-Novo (2ª Parte) 452.jpg

 (Fachada Principal da Igreja de Santa Maria do Bispo)

“As ruinas, com o acúmulo do tempo de abandono, deixam de ser recuperáveis e passam a ser «não-lugares sem memória». Para muitos, tais não-lugares passam a não ter sentido e a ser desnecessários, o que legitima o ato destruidor como condenação inevitável. (...)

2013 - Momtemor-o-Novo (2ª Parte) 447.jpg

 (Igreja de Santa Maria do Bispo - Paisagem alentejana vista da Fachada Principal)  

Tornam-se massa disforme, obsoleta, inóspita, por vezes até agressiva da paisagem envolvente: isto é, retiram-lhe as valências que lhe justificavam o ser, antes de razões-outras conduzirem ao abandono e à inevitável transformação. É um método infalível para se decretar a morte.

2013 - Momtemor-o-Novo (2ª Parte) 439.jpg

(Igreja de Santa Maria do Bispo - Corpo da Igreja e Fachada Principal)

Estas memórias fragmentadas de um passado prestes a desvanecer-se sem remissão, permitem seguir uma espécie de narrativa subterrânea de um país condenado pelo abandono da memória”.

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 (Igreja de Santa Maria do Bispo - Zona da capela-mor)

Para este autor, o que está em causa é, prevalente mente, o património dito «mais nobre». Contudo, se olharmos naquilo que se estão transformando os nossos aglomerados rurais tradicionais, então é toda uma memória, fazendo parte da identidade de um país como um todo, que estamos a deixar transformar em ruínas, transformando-se em cinzas. E, das cinzas, que memória se pode recuperar?...

Mas deixemos este subtema para outra altura. Continuemos com Vitor Serrão:

“Quanto trabalho existe neste campo para a história da arte portuguesa - está em jogo um trabalho contra o esquecimento identitário e o apagamento dos patrimónios, que abre campo à resistência contra os atentados e a possibilidade de salvaguardar muitas destas ruínas, quando a perceção dos mecanismos de gosto e o primado estético que nelas se fixou as torna documento patrimonial de relevância. O contrário seria colaborar num verdadeiro retrocesso civilizacional (...)

2013 - Momtemor-o-Novo (2ª Parte) 491.jpg

 (Igreja de Santa Maria do Bispo - Pormenor 1 da capela-mor) 

Será imperioso não esquecermos, portanto, que é no âmbito do «saber ver em globalidade» que tudo se inicia e que a consciência da salvaguarda dos patrimónios se reforça sem preconceitos excludentes - vistos não mais como a «parcela morta» no campo da Cultura (dicotomizada, como erradamente se faz, em relação à «outra parcela», a chamada «cultura viva dos agentes contemporâneos») -, mas como algo que importa preservar, nem que seja pelo registo cripto-artístico, quando a recuperação se torna já impossível.

2013 - Momtemor-o-Novo (2ª Parte) 492.jpg

 (Igreja de Santa Maria do Bispo - Pormenor 2 da capela-mor) 

Trata-se, em suma, de parcelas de um «corpo único, coerente e vivo», tão importante quanto os grandes monumentos do tecido patrimonial reconhecível, e que por isso impõem respeito, desvelo de olhares, estudo integrado, inventariação rigorosa e cuidados preventivos inadiáveis”.

Conselho que os nossos responsáveis culturais, políticos nacionais e autarcas devem ter em devida conta!

2013 - Momtemor-o-Novo (2ª Parte) 457a.jpg 

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