Sábado, 30 de Janeiro de 2016

Por terrras de Portugal - Casa da Gandarela (de Basto)

 

POR TERRAS DE PORTUGAL

 

CASA DA GANDARELA

 


CELORICO DE BASTO - BASTO (S. Clemente) - Vila da Gandarela de Basto


Ao longo de anos, enquanto Chaves não esteve ligada por autoestrada ao Porto, foram dezenas, senão mesmo centenas, as vezes que percorremos a Estrada Nacional nº 206 que, de Vila Pouca de Aguiar, passando pela serra do Alvão, ultrapassava a vila de Gandarela (de Basto).

 

Nesta localidade, sempre nos fascinou uma casa solarenga, com o seu bonito jardim de camélias (japoneiras), buxo e ciprestes. Mas nunca nos deu para, numa daquelas viagens, aí fazer uma pausa para tomarmos um café e depois «metermos o nariz» naquele espaço composto por uma quinta, com campos agrícolas em socalcos, vedada por um muro de alvenaria de pedra, uma casa,

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Com o brasão numa das suas esquinas,

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um jardim, uma capela com uma torre sineira, rematada por cúpula,

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bem assim anexos agrícolas.

 

Pelo que lemos na internet, e segundo a Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), a Casa da Gandarela, na vila de Gandarela de Basto, concelho de Celorico de Basto, está em vias de classificação. Trata-se de uma Casa, com Quinta incorporada, que foi organizada ao longo dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX.


Hoje, para fazermos esta sucinta reportagem, largámos a autoestrada A7, que lhe veio desfigurar todo o seu impacto no conjunto do casario da vila, através de uma solução, no mínimo, duvidosa e porventura pouco estética, e tomámos a antiga EN nº 206, conforme se pode ver pelo mapa da Google Earth, que abaixo se apresenta.

Quinta e Casa da Gandarela A - Google Earth.jpg

No passado fim-se-semana, parámos a viatura nas imediações e entrámos por este portão,

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que dá a um largo arborizado com plátanos, tílias e áceres de grande porte, tendo, sob a sua proteção uma construção que, supomos, ser a de apoio ao jardim.

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Virando à direita, deparámos com o jardim.

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Segundo a literatura consultada, o jardim é do início do século XX, segundo uma tipologia típica dos jardins de Basto do século XIX.

 

Diz-se que este jardim, e os seus desenhos arbustivos, foram concebidos por um jardineiro da escola de Fermil, fundada pelas irmãs Pinto Basto.

 

Ainda segundo a nossa literatura consultada, é a senhora D. Sofia da Cunha Mourão que continua a primar pela manutenção deste jardim, que diz, a dado passo:

 

Um jardim único, criado no início do século passado por um antepassado cheio de imaginação. Cenário da infância da Sofia, foi fonte de tantos prazeres que o quis preservar para os seus netos e bisnetos. De fora é um pequeno jardim murado, situado junto a uma estrada nacional com grande movimento e de uma das tantas autoestradas deste país mas, passado o portão, entramos num mundo diferente, sem tempo, num jardim de Alice do país das maravilhas, e esquecemos o exterior.

 

Entramos num labirinto feito de esculturas em que os materiais não são a pedra, mas as plantas. Camélias, magnólias, buxos, azáleas e ciprestes esculpidos ao longo das décadas até tomarem formas extraordinárias. A qualquer momento pode aparecer o coelho apressado, o gato Cheshire ou a rainha de copas...

 

São colunas,

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pássaros, pirâmides, guarda-sóis,

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túneis

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que despertam os sentidos e a fantasia de crianças e de adultos. A profusão de formas,

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volumes, texturas,

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flores e verdes, sol, brilhos e sombras cria a ilusão de um grande jardim, um jardim onde nos podemos perder.

 

O seu desenho é rebuscado, o traçado dos caminhos não obedece a uma lógica cartesiana, é ao sabor do acaso, criando a sensação de clausura e de conforto. A cada passo uma nova perspetiva espanta-nos e diverte-nos, um novo elemento surge entre a folhagem. Uma fonte, uma escultura, uma flor a nascer ou uma camélia caída.

 

Apetece ser criança e aí passar as tardes de Verão, entre personagens fantásticas. Apenas o restolhar das folhas e o cantar dos muitos pássaros que ainda nidificam nesta região agrícola. É o cenário ideal para jogar às escondidas... ou para beijos roubados.

 

Jardim de influências setecentistas, com sebes altas e murta, ciprestes, buxos e cameleiras que se apresentam em contornos cilíndricos, em espiral e em insólitas composições. No centro do jardim existe um lago

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e a antiga casa nobre

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liga-se a esta zona verde de visita obrigatória” (http://lifestyle.sapo.pt/casa-e-lazer/viagens-e-turismo/artigos/jardim-da-casa-da-gandarela).

 

Demorámos neste local uma boa hora.

 

Apreciamos algumas das sua bonitas camélias, das várias espécies de que lhe não conhecemos o nome.

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 (Camélia I)

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 (Camélia II)

 

No largo da portada principal da Casa, em cima de um muro, rodeada de sebe, uma «Pietá».

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E, porque o sol já se ia metendo, saímos daquele espaço encantado.

 

Por fora dos seus muros, num pequeno relvado, sob a proteção de Nossa Senhora da Oliveira, ficámos com a última impressão ou perspetiva desta Casa.

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Finalmente, acabámos por ver a Casa da Gandarela e, como diz o velho ditado, “vale mais tarde do que nunca!”.

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publicado por andanhos às 03:15
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