Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

andanhos

andanhos

Por terras e aldeias de Portugal - Capela visigótica de S. Frutuoso de Montélios

 

 

 

CAPELA DE SÃO FRUTUOSO DE MONTÉLIOS

(Freguesia de Real, Braga)

 

 

Desta vez foi de vez. Havia muito tempo que desejávamos visitar a capela de São Frutuoso de Montélios, situada na freguesia de Real, Braga.

 

Trata-se de um monumento religioso visigótico.

 

Peguemos na obra de D. Fernando de Almeida, Arte Visigótica em Portugal, para definirmos Arte visigótica como o “conjunto de manifestações artísticas surgidas na Península Ibérica entre o período final da dominação romana, desde que nela foi pregado o cristianismo, e a invasão árabe: entre o século IV (antes, portanto, da chegada dos Visigodos ao solo peninsular) e os princípios do século VIII”. O autor afirma que o seu “início parece um contrassenso; mas, efetivamente, para a Arte Visigótica, a contribuição dos visigodos, no surgir de novas formas artísticas foi mínima (...) A designação escolhida tem simplesmente caráter político e não étnico, pois o período em que essa forma de Arte se manifestou corresponde, sensivelmente, ao da existência do reino visigótico e não à produção artística do povo visigodo”.

 

Afirma, a dada altura, nesta sua obra, D. Fernando de Almeida que, “no Congresso Internacional de História de Arte, realizado em Lisboa e Porto em 1949, Manuel Monteiro disse: «A representação da Arte Pré-românica em Portugal é muito fraca, limitando-se, a bem dizer, aos três monumentos acima apontados e às ruínas de Idanha-a-Velha». Os três monumentos referidos eram as igrejas de S. Pedro de Balsemão, Lourosa e Montélios. Notemos que Lourosa é mozárabe e ficamos reduzidos a três ao todo e nada mais: ora a verdade é bem outra (...)”. Na verdade, este historiador aponta as seguintes obras, de caráter visigótico:

  • Monumentos de caráter religioso:
    • O «Batistério da Tróia (Setúbal);
    • Basílica do Arnal (Leiria);
    • Basílica de Odrinhas (entre Sintra e Ericeira);
    • Basílicas da Torre de Palma (entre Monforte do Alentejo e Vaiamonte);
    • Basílica de S. Pedro de Balsemão (Lamego);
    • São Frutuoso de Montélios (freguesia de Real, Braga);
    • São Torcato (Guimarães);
    • Basílica Catedral de Idanha-a-Velha;
    • São Manços (Évora);
    • Santo Amaro (Beja);
  • Monumentos de carácter civil, como as Torres Visigóticas de Évora e outros monumentos ainda pouco estudados;
  • Peças várias de escultura, ourivesaria, bronze, etc..
  1. Fernando Almeida tem a sua obra organizada nos seguintes temas:
  • A Península Ibérica no decair do Império Romano;
  • As Invasões;
  • Os povos Germânicos (Francos, Suevos, Vândalos e Visigodos). E dos Alanos;
  • Do Reino dos suevos e Reino Visigótico;
  • Os Bizantinos na Península;
  • Os antecedentes da Arte Visigótica. Da Ibéria Pré-romana. Das suas influências várias - Escandinávia, Irão, Síria, Egito-copta, Norte de África, Bizâncio, Ravena e Sicília;
  • A arte paleocristã e o seu lugar na Arte Visigótica, para depois entrar no tema da Arte Visigótica, com os seus motivos arquitetónicos e decorativos.
  • De seguida, faz-nos um resumo da Arte Visigótica em Espanha e França para, só então, no capítulo VIII, entrar no tema específico da obra - Arte Visigótica em Portugal.

 

Este historiador de arte enfatiza e refuta que, ao contrário do suposto por autores estrangeiros, em Portugal a Arte medieval não se iniciara com o românico, ao passarem a ser justamente considerados pré-românicos alguns monumentos que até por estarem escondidos, metidos em recantos, haviam passado desapercebidos, e, consequentemente, não devidamente classificados.

E, neste contexto, fala-nos do mais belo monumento bizantino da Península - a capela de São Frutuoso de Montélios -, construída no século VII, envergonhada ao lado da igreja de São Francisco,

01.- S. Frutuoso.jpg

«dez» vezes maior, deturpada, ou melhor, estropiada, nem ao feliz «descobridor» se lhe deparou no verdadeiro significado da planta em cruz grega que tinha à sua frente, de cariz nitidamente visigótico. Aqui a temos vista de um

02.- S. Frutuoso.jpg

 e outro ângulo.

03.- S. Frutuoso.jpg

Abordemos agora um pouca da história de São Frutuoso, através da pena do autor que vimos citando.

São Frutuoso, cheio de zelo religioso, quis seguir o exemplo dos monges do Egito; percorreu, para isso, Leão, Castela, Andaluzia, Lusitânia fundando mosteiros e pregando a fé. O seu zelo apostólico levou o rei Recesvinto a dar-lhe a diocese de Dume e o X Concílio de Toledo, segundo Nuno Valério, seu biógrafo e conterrâneo, a entregar-lhe a de Braga, vaga em 656, pela deposição de Potâmio.

Perto e Braga, na vila romana de Montélios, onde parece ter existido um templo dedicado a Esculápio, fundou um mosteiro beneditino consagrado a São Salvador; na capela, o seu corpo deveria repousar em paz eterna. Para que tal pudesse realizar-se, foi necessário trabalhar dia e noite na construção do pequeno templo, e ali foi efetivamente depositado o corpo de Frutuoso num túmulo colocado em um arco sólio aberto na parede exterior da abside principal.

04.- S. Frutuoso.jpg(Vista interior de um ângulo) 

05.- S. Frutuoso.jpg (Vista interior de um outro ângulo) 

O futuro Beato

06.- S. Frutuoso.jpg

havia sido «desde a meninice, sem mágoa e justo» e tinha tais virtudes que «com sua religião e alteza de vida contemplativa iluminava os segredos dos corações». Não admira, pois, que cedo começasse o povo a considerá-lo Santo e a venerar o seu corpo guardado na pequenina igreja por ele mandada construir e conhecida, «segundo velhas memórias» (...) «pela designação de Torre Capitolina».

Os Árabes chegaram a Braga em 716; mas não destruíram nem a capela, nem o mosteiro.

(...) Para confirmar o não arrasamento da capela de S. Frutuoso [constatámos] ter lá ido o bispo Xelmírez, em 1102, roubar o corpo do Santo.

Em 1522, segundo reza uma inscrição guardada na capela, o grande arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, mandou reconstruir o mosteiro e chamou os Franciscanos para o habitarem. Desejavam os frades uma igreja maior, para o que destruíram a antiga, mas não foram autorizados a fazê-lo pelo arcebispo D. Rodrigo De Moura Teles. Não desistiram do seu intento, guardaram-no para mais tarde: embora com a obrigação de ficar lembrança da velha capela, em 1728 iniciaram a construção da igreja para anexar e destruir parte da capelinha de São Frutuoso. Resistira aos Mouros, mas os Franciscanos tiveram maior fúria. E lá ficou truncado e amesquinhado um dos templos mais antigos do país, no seu género e de maior interesse na Península!”.

07.- S. Frutuoso.jpg (Vista interior virada para a entrada a partir da Igreja de S. Francisco)

07a.- S. Frutuoso.jpg(Entrada a partir da Igreja de S. Francisco, com o órgão da Igraja por cima)  

 

08.- S. Frutuoso.jpg

(Pormenor do 'deselegante' portão de acesso e cadeado) 

Esperamos que, com este pequeno apanhado, tenhamos contribuído para um melhor conhecimento deste valioso património religioso peninsular.

Vamos agora entrar na igreja de S. Francisco, matriz da paróquia de Real.

Comecemos pelo altar-mor;

09.- S. Frutuoso.jpg

tenhamos uma panorâmica da igreja

10.- S. Frutuoso.jpg

e um pormenor do coro alto;

11.- S. Frutuoso.jpg

o Santo António, num dos altares laterais;

12.- S. Frutuoso.jpg

ao lado do acesso da igreja para a capela, uma imagem antiga de S. Frutuoso,

13.- S. Frutuoso.jpg

tendo aos seus pés, numa pequena urna, algumas das suas relíquias.

14.- S. Frutuoso.jpg

O senhor Carvalho, responsável pela igreja e respetiva capela, que nos acompanhou na visita, mostrou-nos a sacristia, na qual se destacam estas duas peças interessantes: um altar encimado com um crucifixo, com talha dourada

15.- S. Frutuoso.jpg

e a parte de cima do móvel dos paramentos, em bonita e trabalhada fina talha.

16.- S. Frutuoso.jpg

Num dos próximos posts falaremos da Basílica de S. Pedro de Balsemão (Lamego) e, conforme a oportunidade de visita dos restantes monumentos acima elencados, deles faremos também um post. Mas só depois de falarmos também de duas, aqui próximas de nós, na vizinha Galiza - a capela de São Miguel, em Celanova, e a igreja de Santa Comba, em Bande.

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

imagem de perfil

StatCounter


View My Stats

rádio

ouvir-radioClique no rádio para sintonizar
blog-logo

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

A espreitar

online