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Por terras e aldeias de Portugal - Maciço da Gralheira VII

 

  

 

MACIÇO DA GRALHEIRA

 

VII PARTE

 

(Visitando dois geossítios emblemáticos [PR 15 - Viagem à Pré-História])

 

- PEDRAS BOROAS E PEDRAS PARIDEIRAS -

 

Saímos do Restaurante do Parque de Campismo do Merujal seguindo o percurso da PR 15 (Viagem à Pré-História), em direção ao Junqueiro.

 

Quem vem pela estrada, do lado esquerdo, observa este aspeto do planalto.

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Parámos o veículo e percorremos aproximadamente 100 metros

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para nos aproximarmos do local

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onde desejávamos ver as «Pedras Boroas».

 

O geossítio «Pedras Boroas» do Junqueiro, segundo Lúcia Maria de Jesus Vasquez, «Estratégia de Valorização no Geoparque Arouca», da Universidade do Minho, a páginas 57 e 58, “localiza-se num dos relevos residuais graníticos do planalto da serra da Freita, sendo constituído por um conjunto de blocos, um dos quais fendido e deslocado por rotação basal de cerca de 90º da sua posição original, provavelmente devido à ação da gravidade. A superfície que define o plano de fratura encontra-se fortemente fissurada, com estrutura poligonal.

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As fissuras têm apenas alguns centímetros de profundidade e estendem-se por toda a superfície, delineando relevos de forma poligonal, regra geral com 5 a 6 lados irregulares”.

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Sinceramente, gostámos do geossítio e de andar um pouco a pé no planalto. Não gostámos muito foi da estrutura que ali foi implantada para seu acesso e visualização. Poder-se-ia ter realizado uma estrutura com a utilização mais próxima dos materiais líticos ali existentes. Opiniões...

 

Gostámos da envolvente,

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dos riachos que abastecem o Caima que aqui pertinho nasce, dando os seus primeiros passos como rio

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e, mais à frente, em Portelo de Anta, um antigo pontão

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por onde passa a Grande Rota 28 (percurso pedestre).

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O nosso passo seguinte foi chegar à povoação de Castanheira, onde se localiza o geossítio «Pedras Parideiras».

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Enquanto nos dirigíamos para aquela localidade, parámos num dos sítios da estrada. Florens acaba por nos mostrar uma série de «Pedras Parideiras», arranjando-nos, aquilo e ali, alguns «filhotes».

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Antes de chegarmos à aldeia, três quadros de cena rural:

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(Quadro nº1)

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(Quadro nº 2)

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(Quadro nº 3) 

Demos uma visita relâmpago à aldeia vendo o seu casario típico, envelhecido e pouco restaurado,

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mas persistindo em resistir;

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observámos uma cepa velha, resistindo em dar sarmentos;

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Uma habitante com um fardo de carqueja em flor, provavelmente para a «cama» ou aconchego do gado

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e depois fomos ver o geossítio, do qual se alcança uma grande vista para o casario da aldeia, seus campos, serra e ainda, do lado esquerdo, a aldeia da Mizarela.

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Focalizámos mais a nossa atenção numa «recém-parideira», já sem «filhotes»,

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centralizando a nossa atenção num dos «úteros» de uma delas.

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De mesmo autor Carlos Franquinho, acima citado, no sítio da internet - http://carlos.franquinho.info/2011/04/geoparque-arouca-2011/ - com data de 26 de abril de 2011, escreve quanto às «Pedras Parideiras»:Trata-se de um granito com cerca de 320 milhões de anos, que se distingue dos restantes pela presença de nódulos de quartzo-feldspático envolvidos em biotite. Estes nódulos, mais resistentes à meteorização que a rocha encaixante, acabam por se ir libertando lentamente. A este curioso fenómeno se deve o nome por que são habitualmente conhecidos: pedras parideiras.

Se à extrema raridade e interesse científico desta rocha associarmos os ancestrais mitos de fertilidade que lhe são atribuídos, facilmente se encontra explicação para a delapidação a que este património único tem sido sujeito. Compreende-se, assim, que a câmara municipal tenha sido forçada a cercar parte da área onde se verifica este fenómeno. Infelizmente, a cerca diminui consideravelmente o valor estético do local mas parece ser um mal necessário…”.

 

Olhando, do alto do geossítio, para a direita vemos uma estação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), vista de um ângulo

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e de outro;

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De um outro local, e, dirigindo a nossa vista para a esquerda, vemos a Frecha da Mizarela.

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Saímos do geossítio e dirigimo-nos para o fim da aldeia para dar a volta ao nosso veículo e regressarmos a casa.

 

De frente, a Frecha da Mizarela, vista ao longe e

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em aproximação.

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Saímos do carro para dar uma vista de olhos final ao local e, pasme-se, à nossa frente o rio Caima com algumas das suas quedas de água que, de manhã, não conseguimos ver, e o caminho sinuoso, nosso «calvário» de fim de manhã, que tivemos de subir a pé,

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enquanto não «apareceu» a nossa «águia» para nos transportar.

 

E a visão da «Frecha», em primeiro plano, com a aldeia da Mizarela atrás.

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À nossa volta, vacas arouquesas pastando,

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e o senhor Manuel Tavares, seu proprietário, por perto, vigiando.

 

Quisemos meter conversa com ele, pedindo-lhe até autorização para lhe tirar uma foto. Mostrou-se resistente. Aceitámos não se querer ver objeto de exposição para turista ver. De conversa puxa conversa, fomos dar a Chaves, dizendo um dos componentes do grupo que era daquela terra. E foi então ver o senhor Manuel Tavares se transfigurar. Que conhecia muito bem aquela cidade. Dali, do seu BC 10, foi mobilizado para Moçambique. Corria o ano de 1967. Tempos difíceis. Que deixaram marcas e pesadelos que, de vez em quando, lhe aparecem. Enfim, demorámos mais do que esperávamos. Mas é sempre um prazer ouvir outros falar sobre a nossa terra, das saudades com que dela ficaram, ouvindo histórias de vida, passadas, quer naquela que é a nossa cidade, quer na guerra, quer em terras de emigração até que, num certo dia, cansado de tanta diáspora, acaba como o Senhor Ventura do nosso Torga, em terras de fim do mundo de Arouca.

 

Para o fim não só se deixou fotografar

19.- PR 15A.jpg

como, com afeição e bonomia, se despediu de nós com um grande aperto de mão.

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Entretanto, sob já um sol encoberto de nuvens, as arouquesas continuavam pastando,

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sob o olhar atento do seu dono.

 

À saída de Castanheira duas senhoras, aflitas, perguntaram-nos se tínhamos visto um cão, que se perdeu delas. Não resistimos em «roubar» para registo este simpático rosto de mulher da Castanheira.

23.- PR 15A.jpg

Não da Castanheira da Montanha, de Chaves. Mas doutras montanhas. De Arouca. O Portugal que somos faz-se com rostos como este!

 

Não deixámos Arouca sem cumprir outro «Calvário». Mas este foi bem mais suave e reconfortante. De ver.

 

Sob o manto protetor dos galhos de uma árvore multicolor, em fim de tarde,

01.- Calvário de Arouca.jpg

é constituído por diversas cruzes

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e um púlpito, em granito.

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O Calvário assenta numa penedia a norte da vila de Arouca, datando a cruz central de 1627.

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Na Semana Santa é aqui que termina a Procissão dos Fogaréus, uma manifestação religiosa que deve o seu nome aos archotes que iluminavam o caminho de Cristo até ao Calvário.

04.- Calvário de Arouca.jpg

Reconciliados, agraciados e reconfortados com as vicissitudes do dia, em paz, regressámos a nossas casas, em Trás-os-Montes, depois de a família Silva afavelmente nos presentear - a nós e ao Achim - com um jantar à boa maneira transmontana, servido, no fim, obviamente, com o café, a doçaria conventual de Arouca.

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