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Por terras de Portugal - A Casa de Fresco do Bom Jesus do Monte (Braga)

 

POR TERRAS DE PORTUGAL

 

A CASA DE FRESCO NO BOM JESUS DE BRAGA

 

AZS_1516.jpg

O exemplar cuja imagem acima apresentamos já, por algumas vezes, quando deambulamos pelo parque do Bom Jesus do Monte, de Braga, nos chamou a atenção: o que estaria ali uma estrutura daquelas, num lugar tão fresco, a caminho do pequeno lago que lhe está acima, a fazer?

 

De vez em quando vamos a Braga por razões familiares. E, quando àquela cidade nos deslocamos, no intervalo das obrigações familiares, gostamos de conhecer, um pouco mais a fundo, a, porventura, mais antiga cidade portuguesa. Cidade de arcebispos e tendo o «selo» da cidade do barroco.

 

Numa altura passámos pela livraria do centro de Braga e um livro nos despertou a curiosidade. Seu título é «Segredos de Braga - Braga Top Secret», da autoria de Eduardo Pires de Oliveira (texto e coordenação) e de Libório Manuel silva (fotografia). São cinquenta e seis (56) segredos que apresenta. E o primeiro tem a ver com a imagem que, logo no início, apresentámos.

 

Chamam-lhe «Casa de fresco».

 

E como veio parar ao Bom Jesus do Monte de Braga?

 

Segundo o Diário do Minho, de 28 de dezembro de 1919, referido pelo autor da obra citada, esta «casa» “foi comprada pela confraria do Bom Jesus do Monte para ser levada e montada no parque do Bom Jesus do Monte”.

 

E, então, onde antes estava?

 

Segundo Eduardo Pires de Oliveira, D. José de Bragança, membro da realeza, foi arcebispo de Braga (1741-1756). Enquanto arcebispo, mandou fazer um palácio, por não querer habitar o palácio arquiepiscopal para, assim, usufruir de um edifício totalmente à sua vontade. A título informativo, esse palácio é hoje sede da Biblioteca Pública e do Arquivo Distrital de Braga.

 

O palácio, mandado construir por D. José de Bragança, tinha um grande jardim que, em 1919, foi destruído para dar lugar a duas ruas - as atuais Dr. Justino Cruz e Eça de Queirós. O jardim estendia-se desde as traseiras da Igreja dos Terceiros e das casas da rua do Castelo até à praça do Município.

 

Normalmente, a «Casa de fresco» era “um pequeno edifício, em geral feito em pedra, que existe no meio de um jardim e que serve para aquilo que o seu nome diz: proporcionar um local abrigado do sol para quem quiser estar no jardim do seu palácio num dia de sol quente”.

 

Ainda segundo Eduardo Pires de Oliveira esta «Casa de fresco» era do jardim do palácio de D. José de Bragança e encontrava-se no extremo nascente do referido jardim.

AZS_1521.jpg

A data da construção desta «Casa de fresco» anda associada ao ano de 1752 e, segundo o historiador de arte Reinaldo dos Santos, referido por Eduardo P. Oliveira, esta obra é “a mais trabalhada da arte portuguesa desde a famosa janela manuelina da Sala do Capítulo do Convento de Cristo, em Tomar”, sendo “de um lirismo floral, de um rococó intenso, sem par na arte portuguesa”.

AZS_1522.jpg

 (Pormenor)

Ainda segundo Eduardo Pires de Oliveira, o seu mais que possível autor, e que concebeu o palácio do arcebispo D. José de Bragança, Foi André Soares.

 

Mas, sobre a Braga barroca e o arquiteto amador André Soares falaremos mais para diante...

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