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28
Nov19

Por terras da Gallaecia - A Carvalla da Rocha - A Saínza - Rairiz de Veiga

andanhos

 

POR TERRAS DA GALLAECIA

 

A CARVALLA DA ROCHA

 

(A SAÍNZA – RAIRIZ DE VEIGA)

 

 

01.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (28)

 

A.1.- CARACTERÍSTICAS DO QUERCUS ROBUR L.,

SEGUNDO O CARTAZ AFIXADO NAS PROXIMIDADES DA «CARVALLA DA ROCHA»

 

O carvalho Quercus robur L.,  ou Quercus pendunculata Ehrh, é uma árvores robusta, de porte majestoso, podendo superar os 40 metros de altura. Possui copa ampla, redondeada ou irregular e é de folha caduca.02.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (84)

Tem o tronco direito, curto e muito grosso nos exemplares isolados, com ramas grossas e algo tortuosas. Possui casca grisácea ou esbranquiçada, muito rachada e de tonalidade parda nos exemplares mais velhos.

01b.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (66)

Possui folhas grandes, simples, em disposição alternada, com estípulas alongadas que caiem muito cedo. São lampinhas pelas duas faces, de cor verde intensa pelo feixe e mais pálidas, com nervos bem marcados pela parte inferior. A sua forma é ovalada, com pecíolo muito curto (2 a 7 mm), com bordo mais ou menos profundamente lobulado, desiguais e redondeados, medindo uns 6 a 12 cm de comprimento por uns 3 a 6 cm de largura.

04.- 28814

Têm flores masculinas em amentos suspensos, verde-amarelados, que nascem solitários ou em grupos de raminhos do ano anterior.

28807

As sua bolotas são suspensas sobre um longo pedúnculo, ovado, com carapaça ou cascavilho de escamas quase planas, «empizarradas».

05a.- 28802

O nome específico «Linneo» para esta espécie de Robur era já utilizado pelos romanos, ao designarem os carvalhos e a qualquer tipo de madeira dura e de grande solidez.

 

A madeira deste carvalho é de cor pardo-leonado, muito dura, de grão fino, com anéis de crescimento bem marcados, bastante pesada e muito resistente à podridão, mesmo que debaixo de água.

 

O uso da sua madeira para tonéis e barricas de vinho ou licores é muito antiga. Também é utilizada a sua madeira para a construção de barcos e produção de carvão

 

Trata-se de uma árvore com longa vida. Alguns exemplares podem superar mais de mil anos.

 

Floresce muito tarde, por volta dos 40 a 50 anos.

 

Os seus nomes comuns são: carvalho-alvarinho, carvalho-comum, carvalho-roble, carvalheira, roble- alvarinho, alvarinho.

 

 

A.2.- CARACTERÍSTICAS DO QUERCUS ROBUR L.,

SEGUNDO O JARDIM BOTÂNICO DA UTAD (UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO)

 

Distribuição geral: Esta espécie ocupa uma extensa área na Europa, com especial relevo ao Norte e uma parte da região mediterrânica. Apresenta, contudo, alguma tendência à hibridação com outras espécies do mesmo género, o que dificulta o estabelecimento claro das suas áreas de distribuição.

 

Caracterização geral: No Inverno tolera baixas temperaturas e geadas tardias de certa intensidade. Abunda essencialmente em zonas de vales.

06a.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (19)

 Necessita geralmente de climas de tendência atlântica com um mínimo de precipitação anual de 600 mm, não tolerando secas estivais fortes (requer um mínimo de 150 mm de precipitação estival). É considerada uma espécie de luz. Tolera solos pesados e argilosos, inclusive com um certo encharcamento estacional. É uma espécie plástica quanto ao pH do solo, desde que haja algum fundo de fertilidade. Possui uma boa capacidade regenerativa por semente (apesar de irregular), ainda melhor por cepa, não rebentando ou rebentando mal de raiz. Inicia a frutificação aos 35-40 anos e regista safra e contrassafra.

 

Pode alcançar os 30-35 m de altura.

07.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (89)

Apresenta uma copa ampla e globosa, não muito densa.

08.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (50)

O fuste é regular nas formas, ausente de ramificações,

09.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (27)

chegando a atingir grandes diâmetros. O sistema radicular é forte e profundo com raiz principal pivotante e secundárias extensas.

10.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (61)

O crescimento é lento nas primeiras idades, e tem tendência a aumentar ligeiramente. Desenvolve produtividades de 4 a 6 m3/ha/ano. Poderá alcançar 500 a 600 anos de idade e já foram encontrados exemplares milenares. A regeneração é muito abundante e fácil de obter por via seminal. Frutifica a partir dos 25-30 anos e com abundância a partir dos 50 anos. Rebenta bem e vigorosamente por cepa, mesmo após um incêndio. Não rebenta de raiz.

 

Propriedades e utilizações: A madeira apresenta borne de cor branco amarelado, enquanto o cerne é mais escuro. Apresenta grão fino ou medianamente fino. O cerne é bastante resistente à intempérie, ao ataque de fungos de podridão e de insetos (salvo as térmitas), enquanto o borne é sensível. É uma madeira pouco estável e seca lentamente, pelo que, necessita de uma secagem ao ar ou artificial muito cuidadosa, de modo a evitar deformações e fendas. Regista uma grande duração dentro e fora de água. Em geral, o lenho é de muito boa qualidade quando a árvore foi bem conduzida. Utiliza se em marcenaria, revestimentos de excelência para a construção, tanoaria, folheados, soalhos e utensílios diversos, sendo também um combustível de excelente qualidade. A espécie tem interesse na proteção contra incêndios, sendo utilizada para compartimentação, essencialmente de resinosas.

 

Apresenta-se a Ficha desta espécie.

 

 

A.3.- CARACTERÍSTICAS DO QUERCUS ROBUR L.,

SEGUNDO  O SÍTIO DA WEB DA FUNDAÇÃO SERRALVES (PORTO)

 

Nome Comum: carvalho-alvarinho, carvalho-comum, carvalho-roble, carvalheira, roble- alvarinho, alvarinho.

 

Origem: Europa e Ásia Ocidental. É espontânea no norte e centro de Portugal e também em zonas do litoral. É a espécie de carvalho mais abundante em toda a Europa.

 

Descrição: O carvalho-alvarinho é uma árvore de grande porte, podendo atingir 35 a 40 m de altura. Possui ramos vigorosos, é monoica e caducifólia. O tronco é grosso, a casca cinzento‑acastanhada, escurecendo com a idade, com sulcos longitudinais profundos. Folhas alternas, simples, glabras e verde-claras quando jovens, penatifendidas ou sinuado-lobadas, com os segmentos obtusos e pecíolo curto.

11.- 28810

Inflorescência em amentilhos, os masculinos agrupados, pendentes, de 5 a 13 cm de comprimento, cada flor com um perianto de 4 a 7 lóbulos e 6 a 12 estames. Amentos femininos em grupos de 2 a 3 flores, sobre um largo pedúnculo e com um invólucro escamoso. Fruto, glande ovoide‑cilíndrica (bolota), de 2 a 4 cm de comprimento, encerrada numa cúpula com escamas planas e imbricadas.

05.- 28801

Espécie fitófila de raízes profundas.

 

Habitat: Dominante em carvalhais e acompanhante em bosques caducifólios, marginando matagais e linhas de água, de preferência em regiões de clima temperado, em solos profundos e secos.

 

Aplicações: Ao carvalho-alvarinho são atribuídas propriedades adstringentes (contrai os tecidos, os capilares, os orifícios e tende a diminuir as secreções das mucosas), antissépticas (destrói os germes ou inibe o seu desenvolvimento, serve para desinfetar as feridas e certos órgãos), febrífugas (combate a febre) e tónicas (exerce uma ação fortificante e estimulante sobre o organismo, diminuindo a fadiga).

 

A sua madeira, de excelente qualidade, é utilizada no fabrico de mobiliário e na construção civil (vigas e traves). As bolotas são usadas na alimentação do gado suíno.

 

Observações: A área natural de Quercus robur é muito vasta abrangendo o norte de Portugal e praticamente toda a Europa, tendo como limite a nascente os Montes Urais, a norte a Noruega e Suécia, e a sul da Sicília. Outrora ocupava vastas extensões contínuas, que a cultura agrícola e os derrubes para o aproveitamento das suas madeiras de ótima qualidade e duração, vieram a reduzir drasticamente a sua área. No entanto ainda existem povoamentos de uma certa grandeza, pela sua extensão e qualidade da sua madeira, como seja a floresta de Slovana, na Jugoslávia, no vale do rio Save (afluente do rio Danúbio), situada em terrenos de aluvião de grande fertilidade. Em Portugal, o carvalho-alvarinho, abrange praticamente o norte litoral, desde o rio Minho até ao rio Mondego, incluindo assim na sua quase totalidade as bacias hidrográficas destes 2 rios. Normalmente esta espécie aparece em pequenos povoamentos ou núcleos, raramente constituindo matas duma certa extensão, como se verifica no Parque Nacional da Peneda Gerês em pelo menos 2 locais.

 

Os “bugalhos” que aparecem vulgarmente nos ramos e folhas do carvalho, são excrescências produzidos por um desenvolvimento anormal dos tecidos vegetais em pontos que sofreram a picada de certos insetos. A forma, tamanho, cor e a composição dos bugalhos variam não só de acordo com as espécies de árvores afetadas, mas também consoante o tipo de inseto que as provoca. Muitos bugalhos são ricos em taninos, substância usada na curtição do couro e no fabrico de certas tintas. Por essa razão, muitos são exportados industrialmente. É a espécie de carvalho mais abundante em toda a Europa.

 

O vale da Limia, na nossa vizinha Galiza, outrora estava repleto desta espécie, constituindo um enorme bosque, em articulação com a Lagoa de Antela, hoje completamente desaparecida, pela drenagem das suas águas para fins agrícolas, nomeadamente o plantio da batata. A par deste tipo de agricultura, destinada, a maior parte da produção para as grandes multinacionais da alimentação, também parte significativa desta riquíssima extensão de território fértil foi apropriado pelos areeiros para fazerem extração (ilegal) de areais para diversos fins, fundamentalmente, a construção civil.

 

Quem percorra este enorme território rural da Limia é confrontado com mais de 40 lagoas, de diferentes dimensões, lugar habitado pelas mais diversas espécies de aves, que aqui vivem, umas, e outras, nidificam. Estas lagoas artificiais são agora objeto de proteção pelas diferentes autoridades que, de uma maneira ou de outra, são responsáveis e superintendem neste território.

 

 

 

B.- A «CARVALLA DA ROCHA» OU A «CARVALLA DA SAÍNZA»

 

Mas foi para ver uma espécie destas – o Quercus róbur L. - que, andando pelas Terras de Limia, e pelas bandas do traçado da Via Nove (romana), que, ontem, o nosso amigo Pablo Serrano nos levou até às terras de Rairiz de Veiga, onde há mais de 30 anos ali tínhamos estado, nas festas do 24 de Setembro, festas patronais, que acolhe uma importante romaria -  uma das poucas recriações na Galiza das batalhas entre mouros e cristãos - o denominado “ataque” -, representado no Campo do Castelo, declarada Festa de Interesse Turístico.

 

Mas, naquela altura não fui ver a célebre «CARVALLA».  Nem dela se falou e onde habitava.

 

O amigo Pablo levou-nos lá.

11a.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (12)

A «Carvalla da Rocha» ou também chamada «Carvalla da Saínza» está situada na Freguesia de Rairiz de Veiga (San Xoán), lugar de  A Saínza de Arriba. [Coordenadas:42º 04' 19.3" N - 7º 49' 51.7" W].

13.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (23)

 A Saínza, pertence à comarca de A Limia (Ourense).

 

A «Carvalla da Rocha» foi declarada monumento natural pelo Decreto 45/2007.

2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (105)

É uma árvores da espécie Quercus robur L.

14.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (36)

É um elemento da natureza constituído por uma formação arbórea de notória singularidade e beleza que merece, por isso, ser objeto de uma proteção especial, reunindo especial interesse científico, cultural e paisagístico. Trata-se de uma das árvores mais esplêndidas integrada num  mosaico constituído por prados, sebes e carvalhos mais novos,

15.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (68)

com grande valor florístico – veja-se que, à sombra dos carvalhos, abrigam-se azevinhos.

 

É pertença de particulares.

16.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (92)

Diz-se que é uma árvores «linde», ao estabelecer o limite – ser marco - dos terrenos de três proprietários, outrora desavindos, quanto aos limites dos seus terrenos.

 

Apresenta um fuste impressionante com um perímetro que vai de 1, 30 m a 6, 9 m. Aos 7 m.

17.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (99)

bifurca-se em dois galhos (hastes) de grandes dimensões até alcançar a excecional altura de 33 metros.

18.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (21)

Além do seu interesse botânico, a árvore de A Saínza possui um notável valor cultural. As suas raízes fundem-se na história onde está plantada,

19.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (78)

perto da capela da Virgem das Mercês, e em memória das pessoas do lugar.

 

Foi uma tarde bem passada na companhia do amigo Pablo.

 

E ainda se tem dúvidas que estamos em terras celtas, possuidores de verdadeiro sangue celta?...

 

Mas, em bom abono da verdade, os nossos irmãos galegos são mais devotos destas árvores autóctones do que nós portugueses, transmontanos…

20.- 2019.- A Carvalla da Saínza (ou da Rocha) (83)

A «CARVALLA DA ROCHA» - A SAÍNZA-RAIRIZ DE VEIGA (OURENSE-GALIZA)

 

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