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28
Jan16

Palavras soltas ... «Ser» ou «Ter» nas nossas cidades?

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PALAVRAS SOLTAS...

 

«SER» OU «TER» NAS NOSSAS CIDADES?

 

 

No post de ontem, sob o título «Reino Maravilhoso - Barroso:- Contrastes», o seu autor, citando passagens do último Diário de Miguel Torga, em jeito de lamentação, queixava-se de um mundo (o rural) em completo desaparecimento no que concerne às suas especificidades. Já nem o genuíno Barroso escapa(ou) a esta fúria globalizante, homogeneizadora!

 

Duas expressões citadas por Torga nos chamavam particularmente a atenção: na entrada de 29 de agosto de 1991, em Travassos do Rio, Montalegre, quando, a dado passo, afirma que “o Barroso de hoje é uma caricatura”; contraditoriamente, a 1 de setembro de 1991, em Alturas do Barroso, afirma que, ali, aquela gente “vive, numa palavra, referenciada”.

 

A propósito destas considerações, lembrámo-nos de um artigo que, há poucos dias, acabámos de ler de Maribel Mendes Sobreira, sob a designação «Para uma compreensão da cidade».

 

A autora começa por nos dizer que “com este ensaio [pretende-se entender] o Ser e o Ter da cidade, do território, centrando-nos para isso na ideia de que a problemática da cidade é ontológica, está na esfera da existência”. E justifica que os seus intervenientes/habitantes esqueceram-se do Ser e passaram ao Ter, tornando-se num lugar ou sítio de autêntico anestesiamento. E prossegue, dizendo que as nossas cidades deixaram de “Ser-se cidade ao outro”, transformando-se num sistema que “se fecha sobre si e onde o ter-se como cidade prevalece” (Itálico nosso).

 

Mais adiante a autora afirma: “Hoje as pessoas já não existem nas cidades, são como um produto de consumo, fazem parte da encenação turística que temos da cidade, afastando tudo o que a não embeleza. A cidade foi perdendo o seu direito a ser vivida, usada e utilizada, como elemento orgânico da vivência do seu habitante para passar a ser, também ela, um produto”.

 

Nada melhor do que esta imagem de Tommie Hansen, a que o autor lhe dá o nome de «Empty Street»!

 

Bem asseada, limpa, mas sem vida, logo que a «horda» turística a deixou de frequentar.

Tommie Hansen_Empty Street_YkVjRGI.jpg

E a autora, que vimos citando, prossegue: “É necessário uma nova consciência, uma (re) educação, um voltar à origem, onde o lugar era sentido e apreciado como propriedade coletiva, onde cada indivíduo «trabalha» para a concretização da sacralização da cidade, do lugar que habita”.

 

E interroga-se: “Como recuperar a infância perdida da urbe, que no jogo das escondidas se desiludiu com a qualidade de vida da sua própria casa? Porque os cidadãos se destituíram dos seus deveres centrando-se mais nos seus direitos de usufruto do solo?”.

 

O recuperar hoje a cidade implica “a ideia de apropriação territorial, no sentido da ocupação física e afetiva do espaço” e que leva a que “um grupo procure o que o caracteriza, para que possa distinguir-se do vizinho”.

 

Afinal de contas não é apenas o mundo rural que vive de profundos contrastes e contradições. Há que transformar o território em que nos é dado habitar e viver num lugar ou sítio da construção da nossa própria identidade, preocupados em estabelecer relações humanas e sociais, autênticas, verdadeiramente genuínas, não nos deixando transformar num simples produto, em pura mercadoria, objeto de especulação num mundo em que parece já não existirem valores autenticamente humanos e em que só parece existir o deus Mercado.

 

 

Nona

 

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