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18
Jul20

Memórias de um andarilho - PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia

andanhos

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PR 8 CHV – TRILHO DE VILARELHO DA RAIA

(Coragem – Terras de fronteira)

(3.julho2020)

01.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (56)

Com a alteração das condições do mundo rural,

mitigada que foi a sua função de produção de alimentos,

assiste-se à proliferação de museus etnográficos

e ao aparecimento de novas modalidades de fruição

com a busca de “autenticidade”

e com um ênfase simultâneo na vida ao ar livre,

num ambiente “puro”, que restaura o corpo,

numa construção cultural

sobre a proximidade e a identificação com a natureza.

A forma itinerante de conhecer a ruralidade do passado

está a ser dinamizada nesta fatia da raia,

através de circuitos pedestres que percorrem a fronteira

e certos aspetos da sua história

(episódios da guerra civil de Espanha),

da sua organização objetificada

(o Couto Mixto e os “povos promíscuos”),

e das suas práticas

(o contrabando, as festas, os ritos, a gastronomia).

A apropriação e a reapropriação da fronteira

fazem-se através de agentes e mediadores culturais,

que atuam em diferentes escalas, entre o local,

o regional, a nação subestatal e o transnacional.

Paula Godinho, FCSH/UNL e CRIA

In «Processos de emblematização: Fronteira e aceções de “Património”»

 

No passado 14 de junho, com o amigo Rui Queirós, e mais quatro amigos, levámos a cabo a variante (mais curta) deste Trilho «PR8.1 CHV – Vilarelho da Raia», que perto do lugar do Pisão-Rousso, vira, um pouco antes, para se fazer a visitação a dois moinhos e um lagar de azeite, movidos a água.

Na altura, tínhamos combinado com o amigo Rui que, num dia, relativamente próximo, haveríamos de o fazer todo.

02.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (176)

Foi o que aconteceu no passado dia 3 de julho.

Temos de confessar que gostámos mais deste Trilho – que o fizemos em sentido contrário ao recomendado no respetivo folheto – do que da variante dos Moinhos e Lagar. Sinceramente, até nos pareceu um Trilho completamente diferente. E, obviamente, não foi apenas a companhia, que foi maior, e mais variada!

À exceção dos troços, a mais, decorridos ao longo da raia, o percurso é, manifestamente, o mesmo. Contudo, vistos, ou percorridos no sentido inverso, possuem uma outra perspetiva e imprimem uma outra dinâmica ao andar. É bem verdade que, mesmo que seja o mesmo caminho, quando o percorremos por mais de uma vez, não é apenas a geografia que conta: é a história dos que o percorrem, são os diferentes sentires, observações, sensações e a própria vivência e estado de espírito presente. Não há, pois, um caminho que se faça, idêntico. Cada trilho pisado tem a sua história. Uma história diferente e única para contar.

Continuamos a «embirrar» com o nome dado ao Trilho. Mas que se há-de fazer? Já está assim… E a nossa «embirração» vai no sentido de que todas as «falas», recolhidas na obra «avivar – Nos Trilhos das Memórias de Chaves», referentes a este Trilho, vão todas, sem exceção, no sentido de uma única palavra – contrabando!

É certo que as restantes aldeias que compõem a Freguesia de Vilarelho da RaiaVila Meã e Vilarinho da Raia – também estão na raia e, naturalmente, por lá também havia caminhos por onde o contrabando passava. E porque não fazer uma outra variante – o PR 8.2 CHV – que as englobasse, dando possibilidade aos possíveis caminheiros de fazer este Trilho ou de uma só vez, ou por duas, ou três etapas, todas elas, circulares, e todas começando em Vilarelho da Raia? Aqui fica a sugestão para o futuro.

A apresentação da nossa reportagem de hoje obedece a 11 pontos, tantos quantos os placares informativos apostos ao longo do Trilho. Assim:

Ponto 1 - Centro Social e Cultural de Vilarelho da Raia

03.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (1)

Aqui foi o ponto de encontro, o  início e o fim do Trilho. No placar, aqui fixado, pode ler-se:

É o palco principal das atividades recreativas e culturais da freguesia e instituições do concelho e sede da Associação e Junta de Freguesia.

Obra iniciada em 1987, bem concebida e devidamente enquadrada, revestida a pedra por escrutínio popular, construída por administração direta pelas sucessivas Direções do Centro Social e Cultural, onde dois elementos da Junta de Freguesia estiveram inseridos.

Com o apoio técnico da Câmara Municipal, mão-de-obra grátis da população residente, pedra doada pelos amigos de San Cibrao (Galiza), mobiliário da Direção Geral do Património do Estado, apoio financeiro do Câmara municipal, do IPJ e essencialmente das comunidades migrantes dos EUA, FRANÇA e BRASIL, conclui-se em Agosto de 1995.

Conta com uma biblioteca, um auditório, um centro comunitário de assistência social, camarata para os peregrinos do Caminho de Santiago, sede da Junta de Freguesia e Museu Etnográfico da Freguesia”.

Fomos rua abaixo, até ao

Ponto 2 - Capela de Nossa Senhora das Neves

05.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (14)

Nesta Capela, no placar informativo ali aposto, diz-se:

Há na aldeia três capelas, cada uma nas entradas/saídas de Vilarelho: Santa Catarina, mais antiga e junto à estrada do Cambedo; Senhor das Almas, à saída para Chaves; e Nossa Senhora das Neves, à saída para Espanha. Esta, edificada em 1771 (ver pedras), pela família fidalga de Manuel da Silva, proprietária do atual largo do campo e residente no casario em frente. Em tempos os edifícios eram ligados por um passeio.

Para possibilitar a construção do polidesportivo e dar à capela uma posição de destaque, fronteira à urbanização, foi deslocada e reconstruída em 1994/95 pelo Centro Cultural e Desportivo, com a colaboração da Junta de Freguesia e com o apoio financeiro dos irmãos Ramos (Ginjos) e Direção Geral dos Desportos.

Todos os anos, a 5 de Agosto, o povo venera esta Santa”.

Mesmo ao lado da Capela de Nossa Senhora das Neves, o

Ponto 3 - Tronco Comunitário

06.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (17)

com a seguinte informação:

Armação em madeira, coberta com zinco, de uso comunitário, construída em 1920, por Clemente Sanches, Filipe silva e Manuel Ferreira. Era usado para imobilizar os animais da espécie bovina, cavalar e outras, que antes eram levados à povoação de Vilela Seca, para lhes cortar e ferrar as unhas, capar, curar ferimentos, compor os cornos dos bois, etc. Os animais eram presos pela cabeça, na travessa redonda e amovível que atravessava o tronco. Passavam-se duas correias com argolas pela parte inferior da barriga do animal e prendia-se à parte roliça lateral. Nesta trave perfurada metiam-se dois ferros para andar à volta até o animal ficar suspenso no ar.

Os profissionais tradicionais que desempenhavam estas tarefas eram, sobretudo, os ferradores e capadores, por vezes da aldeia vizinha de Mandin, auxiliados por dois ou mais homens, conforme a bravura dos animais”.

A partir daqui, saímos da aldeia e embrenhámo-nos pelos campos da veiga de Vilarelho, onde, a par do cultivo da batata

07.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (28)

e da produção de morangos,

09.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (38)

também aparece o cultivo de centeio.

10.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (34)

Começámos a subir. Olhando para trás, a aldeia de Vilela Seca.

12.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (46)

Até que chegámos ao

Ponto 4 - Marco 231 - Penedo Redondo

13.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (54)

Ao nos dirigirmos para o local onde se situa o Marco 231, temos a seguinte informação:

Designado pelo povo como o marco dos três reinos, está situado no Penedo Redondo, perto do povoado romano do vale da Ermida. No penedo estão esculpidas as armas dos reinos da Galiza e de Portugal. As cruzes e os símbolos nacionais dos dois reinos estão, nesta zona, gravados em vários monólitos que serviam como demarcação natural da raia, antes da colocação de marcos artificiais.

Pela importância simbólica e monumentalidade deste monólito, em 2014 foi colocada a placa comemorativa dos 150 anos do Tratado de Limites de 1864.

14.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (61)

A raia foi e é um espaço geográfico de partilha de valores históricos, linguísticos, culturais e económicos entre as populações dos dois lados da fronteira, emergindo delas um sentimento raiano, construído ao longo dos séculos, que as distingue das populações de outras localidades”.

Não ficámos a perceber como este Marco é designado pelo povo como dos três reinos…

Aproximámo-nos dele.

15.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (60)

Daqui para a frente é o «reino» de Portugal.

Há que continuar. Subindo. Mas coisa que não obriga a muito esforço. Olhando para trás, lá está, imóvel, o Penedo Redondo, com o seu Marco.

16.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (66)

Agora, olhando para a nossa direita, damos de caras com terras da Galiza (Espanha) – Oimbra (?).

17.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (69)

E, mais uns metros acima, o

Ponto 5 - Marco 229 - Portella de Wamba

18.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (76)

Reza assim o seu placar informativo:

Contrariamente a outros lugares, em que parte da linha demarcada pelo Tratado de Limites de 1864 coincidiu com a descrita nos antigos tombos dos séculos XV e XVI, nos povos promíscuos, como Cambedo, no artigo XI do novo Tratado, é alterada a antiga marcação da raia seca de Vilarelho da Raia, desde o regato do Valle de Ladera (Marco 215) até à Portella de Wmba (Marco 229), para se dirigir, a cerca de 700 metros de distância, à Penha ou Fraga da Raia (Marco 230), em direção ao rio Tâmega. De salientar que, para dirimir conflitos, foram colocados mais três marcos intermédios com o nº 229.

Situa-se na fraga das cruzes, como o povo a designa, junto ao caminho do Cambedo para S. Cibrao, em direção à «Ruta do BTT do Concello de Oimbra» e à «Ruta dos Lagares de Oimbra»”.

Se olharmos para o Mapa do itinerário que apresentamos no fim deste post, é bem visível esse «ganho» de terreno que, com o Tratado de Limites de 1864, conseguimos. Um terreno inóspito, de calhaus, onde quase nada medra!

Eis o Marco 229 em cima de um penedo.

19.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (79)

Virámos aqui mesmo à esquerda, deixando um último olhar para aquele Marco 229.

20.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (83)

À nossa esquerda, os terrenos da veiga de Vilarelho da Raia.

21.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (85)

Logo imediatamente a seguir o

Ponto 6 - Castro de Wamba

22.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (93)

Vejamos o que o placar informativo no local nos diz:

Castro amuralhado, com santuário proto-histórico de planta retangular e circular, duas cinturas de muralhas e um fosso escavado no afloramento.

No século XVII foi o lugar escolhido para aqui se levantar uma capela evocativa do «santo» rei Wamba, cuja onomástica viria a impor-se ao topónimo anterior, tal eram as auréolas de virtudes e milagres deste rei, escolhido por Deus, de entre os humildes agricultores, mediante o milagroso sinal de fazer florir, num ápice, a própria aguilhada (rosal), apesar da seca.

Monte de mistério e solidão, onde vários povos se fixaram, alimentando o imaginário popular de histórias, lendas e feitos que ainda hoje perduram na memória coletiva.

Dentro da sua muralha existiam, nos princípios dos naos 60 do século XX, três cabanas circulares que foram demolidas para servirem de entulho na estrada em construção de Cambedo. Dos achados, destaca-se uma Ara (altar votivo ou funerário) constituído por capitel, fuste e base, dedicada a Iuppiter Optimus”.

Com boa disposição, caminhava-se, a passos largos, para Cambedo.

24.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (107)

É sempre reconfortante, para um caminheiro, de uma varanda que seja, o sorriso de uma residente, habituada, com certeza, à frequência de forasteiros, mesmo que nestes confins da raia.

25.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (109)

Sobre «A Guerra do Cambedo, 1946», hoje em dia, existe uma quantidade enorme de publicações. A começar por Paula Godinho, que fez um trabalho exaustivo e excelente sobre este povo, a raia, e esta «guerra», já no longínquo 20 de dezembro de 1946, aqui travada. Mas que nunca se esquece…

Um bloguista da nossa praça, nosso amigo – Fernando DC Ribeiro – proprietário do blogue «(Cidade de) Chaves – Olhares sobre o “Reino Maravilhoso”», vulgo «CHAVES», até criou um blogue  - «Cambedo Maquis» - para nos relatar e elucidar sobre esta história, este povo e esta terras.

Por sua vez, em 2016, surge um filme - «Silêncio» -, de António Loja Neves (infelizmente já falecido) e José Alves Pereira, que também nos contam a história, dos seus protagonistas, aqui ocorrida, em 1946, em Cambedo.

Pela nossa parte, e para não sermos demasiado exaustivo, porquanto este lugar, em boa verdade, não é para aprofundamentos históricos – tão somente relatos de caminhadas – deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) a recomendação da leitura do texto, ínsito no sitio da web «Caminhos de Memória», sob o título  - «Cambedo da Raia, 1946», de Paula Godinho, em que, neste resumo, se pode aquilatar do que foi aquele dia de sofrimento e morte, (e nos dias que depois se lhe seguiram) nas proximidades do dia de Natal de 1946, em Cambedo.

Não resistimos, contudo, em vos deixar aqui este pequeno texto, que encontramos no sítio da web «Portal Anarquista», sob o título - «(Memória) a Batalha de Cambedo, Trás-os-Montes (20 de Dezembro de 1946)»  - e, ínsito no mesmo artigo,  o vídeo «Cambedo documentário completo»:

Um dos últimos maquis criados no final da Guerra Civil Espanhola situou-se na zona raiana entre Trás-os-Montes e a Galiza. Os guerrilheiros – anarquistas, socialistas e comunistas – procuravam refúgio nas aldeias do lado português, atacando os alvos franquistas do outro lado da fronteira. Uma dessas aldeias era Cambedo da Raia. Devido a uma denúncia, a aldeia foi cercada por centenas de efetivos  militares portugueses e espanhóis, Pides, GNR, Guarda Fiscal, etc., no dia 20 de Dezembro de 1946.

Da Batalha do Cambedo, resultou a morte de dois guerrilheiros – Juan Salgado Rivera e Bernardino Garcia, que terá preferido suicidar-se a render-se; a morte de dois guarda-republicanos, José Joaquim e José Teixeira Nunes; alguns feridos, incluindo uma menina; e foram presos oito galegos e 55 portugueses, dezoito dos quais de Cambedo.

A história foi quase ocultada na altura. Hoje vão-se conhecendo pormenores. É mais um momento importante da solidariedade raiana entre o povo português e os resistentes espanhóis, tal como aconteceu noutros lugares fronteiriços, como, por exemplo, Barrancos”.

CAMBEDO DOCUMENTÁRIO COMPLETO

Da nossa parte – portuguesa – nunca fizemos jus àquele ato de solidariedade que as gentes de Cambedo tiveram para com os seus amigos e vizinhos (enfim, «irmãos») galegos, sacrificando-se por eles, ficando com bens e vidas destruídas.

Nós, portugueses, esquecemos. E como esquecemos tão facilmente!

Mas os galegos – em abono da verdade, alguns galegos -, não se esqueceram do que as gentes do Cambedo fizeram por elas.

Num dia  de 1996, estivemos em Cambedo,

26.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (110)

representando a autarquia flaviense, para inaugurar|colocar esta singela placa que os nossos «irmãos» galegos fizeram questão de a colocar aqui, nas costas da Capela de São Gonçalo, e na antiga linha de fronteira,

27.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (111)

como reconhecimento e «Lembranza do voso sufrimento».

Face ao que acima se disse e relatou, não compreendemos que o este Trilho não entrepela  povoação dentro e mostre aquele «palco» de guerra e ainda as ruínas das casas que restam após aquele tiroteio, de caça ao homem, em que nada se acautelou. Nem uma placa indicativa do acontecimento! Há coisas que não vale apenas esquecer: são verdadeiras feridas, embora cauterizadas com o tempo; mas que marcam!…

Meia dúzia de passos dados, e estamos em frente do

Ponto 7 - Capela de São Gonçalo

28.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (114)

Aqui um placar informativo esclarece-nos:

Capela de invocação a São Gonçalo de Amarante e local de devoção dos peregrinos de São Tiago, onde existiam dois São Gonçalos, o novo e o velho. Não se sabe a data da construção, tendo beneficiado com melhoramentos e um aumento de área de implantação em finais dos anos 50, do século XX. A capela original tinha um adro murado, demolido com as obras de beneficiação.

Situada, antes do Tratado de Limites de 1864, na parte portuguesa, era usada pelos vizinhos galegos e portugueses. Com o Tratado, civilmente, as pessoas do bairro galego pertenciam a Portugal e, espiritualmente, obedeciam ao Bispo de Ourense”.

Atravessada a parte alta da aldeia,

29.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (119)

passando pela antiga Escola Primária,

30.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (121)

e ultrapassado o cemitério de Cambedoem poucas centenas de metros, virando à direita, por um troço mal amanhado,

32.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (126)

dirigimo-nos ao

Ponto 8 - Pisão

33.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (137)

Aqui existe um placar informativo, que nos descreve este ponto:

Outrora uma unidade fabril composta por duas dependências, localizada no lugar do Rousso, na margem esquerda da ribeira de Cambedo e junto à antiga linha da raia que separava Portugal e Espanha até 1864, é hoje uma pequena edificação em ruínas.

Nos tempos em que nada havia de mais apropriado para suportar as intempéries, especialmente nos rigorosos invernos, era nesta pequena unidade industrial que, com técnicas ancestrais, se procedia à impermeabilização das capas que os pastores e as pessoas em geral utilizavam para se protegerem do frio e da chuva.

Estas instalações pertenciam a uma família de apelido Fernandes, mais conhecidos por pisoeiros, da qual ainda há muitos descendentes, como o Sr. Licínio Inocentes, colaborador na implementação deste trilho. O seu bisavô António, pisoeiro, foi o último homem a trabalhar no pisão; a sua esposa era tecedeira e fazia cobertores de lã, liteiros e as já referidas capas que, tratadas no pisão, eram idênticas às atuais capas de burel”.

Mas, pela fotografia que acima se exibiu, pouco ou nada de jeito se vê. Aquela pequena unidade fabril está sobranceira à ribeira de Cambedo. Não tem acesso, nem por este troço, nem pelo do açude da ribeira, mais abaixo, neste lugar chamado de Pisão ou Rousso, nem tão pouco se pode ver em termos, dado ser tomada pela vegetação espontânea. É pena. Bem podia ter outro trato esta artesanal e antiga unidade fabril!

Mesmo junto do placar informativo do Pisão está o

Ponto 9 - Marco 215 - Valle da Ladera

34.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (130)

Junto a este Marco 215, um outro placar diz:

O Marco 215 está situado no Regato do «Valle de Ladera» ou Vale da Adreira, ladeado de sobreiros e medronheiros, à direita do caminho que liga os dois povos ex-promíscuos de Cambedo e Soutelinho da Raia.

A raia, antes do Tratado dos Limites de 1864, seguia em direção ao atual marco da «Portella de Wamba», atravessando e separando a aldeia em dois bairros, portugueses e galegos, transformando-a em povo misto. Com o Tratado, a direção da linha raiana é alterada para norte, subindo às alturas do regato do «Valle da Ladera» e continuando pelo limite do termo de Cambedo até à «Portella de Wamba», abrangendo uma área quadrada delimitada por dezenas de marcos principais e secundários, ficando a povoação de Cambedo, desde então, totalmente em território português”.

35.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (143)

Feito este pequeno desvio para vermos (?) o Pisão e o Marco 215 – Valle da Ladera, voltámos ao troço principal e, logo na pequena e ligeira descida, estamos na área de descanso do Pisão ou Rousso.

Já na variante deste Trilho, que nos leva aos dois moinhos e a um lagar de azeite – ou do que deles resta – aqui parámos para descansar um pouco; hidratarmo-nos; comermos e… convivermos um pouco.

36.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (144)

Antes de voltarmos a caminho, tirámos a foto da praxe do grupo. Ela aqui se apresenta.

37.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (145)

Da esquerda para a direita da foto: Paco Gisbert; Rui Queirós; Carmen Riveiro; Natan (filho de Neide Nunes); Neide Nunes; Nicolas (filho de Neide Nunes); Cecílias Vieira; Augusto simões e Natália Marlene Moura. O autor destas linhas, que gosta pouco de «selfies», está por detrás da câmara.

Mochila às costas, deixámos este lugar, despedindo-nos da povoação de Cambedo,

38.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (151)

e, um pouco mais ao longe, do Castro de Wamba.

39.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (153)

Em poucos minutos, por este troço de caminho,

40.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (156)

Encontrávamo-nos no

Ponto 10 - Barragem do Rêgo do Milho

41.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (157)

No placar informativo, aqui colocado, somos informado que a

Barragem em terra e enrocamento, concluída em 2005, promovida pela DRATM, no âmbito do quadro comunitário AGRIS, com as seguintes características: Volume do aterro – 260 000 m3; Altura máxima – 33 m; Área da bacia hidrográfica – 2,1 Km2; Área inundada ao NPA (Nível de Pleno Armazenamento) – 184 000 m2; Volume útil de armazenamento à cota do NPA – 1 880 000 m3.

Situada no território de Vilela Seca, é abastecida pelos caudais da Ribeira do Rêgo do Milho e Ribeira de Cambedo, através de uma conduta fechada com cerca de 2 Km de extensão.

Fornece água às culturas de regadio da Associação de Regantes de Vilela Seca, vilarelho e Cambedo, reconhecida, desde 2009, como gestora do Aproveitamento Hidroagrícola, com sede em Vilarelho da Raia”.

42.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (178)

Perante um dia de calor, e com uma água tão límpida, quem não resistiu a dar um mergulho, mesmo com a roupa que trazia, foi o amigo Augusto Simões.

43.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (158)

Eis o nosso «parreco» na água, enquanto Natália Marlene se ocupava em atender um familiar, ao telemóvel.

44.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (159)

Enquanto isto, o restante grupo descansava, junto a estas límpidas e refrescantes águas, sob o olhar atento do «pastor» Rui.

45.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (170)

E, como diz o provérbio, «não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe…», outro remédio não tivemos que acabar com este momento de lazer refrescante, botando-nos a caminho, sob o olhar atento do condutor deste jeep, na outra margem da Barragem.

46.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (181)

Começámos a descer,

47.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (196)

para a base da Barragem do Rêgo do Milho.

48.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (193)

Ao longo deste troço do Trilho, começámos a avistar o casario da aldeia,

49.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (197)

enquanto passámos por campos que «ofereciam» as «novidades» ao seu proprietário.

50.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (199)

Já mesmo perto de Vilarelho da Raia, esta mesa de pedra, com estes bancos, face ao calor que já se começava a sentir,

51.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (202)

tendo ao lado uma fonte de água,

52.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (203)

convidavam a mais um pequeno descanso, uma pequena cavaqueira e a exercícios acrobáticos,

54.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (206)

nas árvores, por algumas das nossas companheiras de «route».

55.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (211)

Ultrapassado o cemitério da aldeia,

56.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (215)

adentrámo-nos pelo casario velho de Vilarelho da Raia

57.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (218)

(Cenário I)

59.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (220)

(Cenário II)

60.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (221)

(Cenário III)

(Cenário V)

62.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (236)

(Cenário IV)

63.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (237)

(Cenário V)

até que alcançámos o

Ponto 11 - Igreja Paroquial de São Tiago

64.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (228)

(Perspetiva I)

65.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (227a)

(Perspetiva II)

66.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (231)

(Pormenor do campanário, típico da zona)

À entrada da Igreja, o respetivo placar dá-nos a seguinte informação:

Vilarelho foi sempre ponto de passagem em épocas de conflitos. Um dos alvos era a igreja paroquial, sendo várias vezes saqueada nas guerras da Restauração.

Na sequência de um incêndio, perpetrado em 1661, pelos espanhóis, foi reedificada em 1698 (ver inscrição mural). Aquando da segunda invasão francesa, em 1808, o sino que tocava quando havia trovoadas, com a imagem de Santa Bárbara gravada, foi roubado pelos franceses e deixado em Tamaguelos.

A igreja é um edifício sólido, de estilo românico, bem conservado, com altar principal e dois colaterais de estilo barroco e torre sineira típica da região. Envolve-a um conjunto de cruzeiros simples que foram um calvário.

67.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (235)

Santiago, com culto muito remoto, é o orago da igreja e da paróquia. A paróquia de São Tiago é posterior ao arrolamento dionisino de 1320/1321. Vilarelho da Raia, em 1706, foi abadia da apresentação da mitra”.

Cumprido todo o Trilho e exaurida toda a informação dos placares distribuídos ao longo do percurso, regressámos à base, ao início do nosso Trilho.

2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (242)

Na esplanada do Centro Social e Cultural de Vilarelho da Raia, aproveitámos para mais um momento de convívio, acompanhado de uma cerveja fresquinha e, depois…, aproximando-se a hora do almoço, cada um, em viatura própria ou dos amigos, regressou a «penates».

Foi uma manhã de verão bem passada, revivendo histórias e a nossa História. Em terras de fronteira.

Para finalizar esta nossa reportagem, apresenta-se o itinerário do Trilho,

2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (242a)

bem assim o Perfil da sua Altimetria.

2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (242b)

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