Memórias de um andarilho - PR6 CHV - Trilho de Quinta do Rebentão - Parte I - O percurso
MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO
PR6 CHV - TRILHO DE QUINTA DO REBENTÃO
PARTE I - O PERCURSO
(18.junho.2020)
O OFÍCIO SUBTIL DA FIRMEZA
Viver é um ofício de subtil firmeza.
Este ano vingativo está repleto de signos astrais que indiciam a feliz fragilidade das manhãs que sustentam os dias vagos.
Invento para ti a forma perfeita do sentido.
Empreendo o ritmo azul da paciência.
Apuro o ouvido para uma audição atenta da verdade incorruptível.
Estou exposto à infidelidade invisível da nudez.
Permanece incandescente a mutação ténue da eternidade onde a memória da tristeza tende para o infinito.
Sou subjugado pela penitência da viagem, eu o escrivão surdo da melancolia. (…)
João Madureira, in O Poema Infinito
Este Trilho inicia-se junto ao Parque de Campismo da Quinta do Rebentão, Vila Nova de Veiga, São Pedro de Agostém.
Depois de subirmos a rampa que nos leva ao Restaurante «Quinta do Rebentão»,

tendo ao nosso lado direito as Piscinas Municipais,

virámos à direita e, depois, à esquerda, entrando no Circuito de Manutenção.

Percorridas umas dezenas de metros, deparamos com placas de sinalização.

Seguimos a indicação recomendada, que nos manda para «Ventuzelos - 7,6 Km».
Neste sentido, depois de subirmos o escadório que nos levou até um Miramontes, ali, virámos à direita e, imediatamente, à esquerda.
Continuámos a subir, ziguezagueando por meio de um pinhal, onde se faz exploração intensiva da resina.

É certo que começámos a nossa caminhada ao princípio da tarde de um dia de sol de junho, mais propriamente no dia 18. Por tal facto, quando estiverem estas condições atmosféricas, não se recomenda fazer este Trilho no verão. Será mais aconselhado fazê-lo na primavera ou no outono. Pelo menos, a estas horas. Por entre os pinheiros faz uma autêntica «brasa». Muito calor, mesmo!
A certa altura, fomos dar a um troço com o perfil de estradão florestal. Mas descampada. E, depois deste troço, e desta vinha,

já nos começa a aparecer mais sombra, por via dos carvalhos, plantados na borda dos muros dos troços.

Aqui e ali, troços mantidos «às três pancadas», pouco cuidados e rodeados de abundantes silvedos. Parecem não serem muito frequentados.

Em autêntico «tobogã», sempre perseguindo um perfil de relativa subida, o pinhal não nos larga.

Cremos que poderíamos, por estas paragens, encontrar um outro percurso que nos levasse ao Cimo do Povo de Bóbeda, seguindo depois para Redial. No final, em «Considerações e apreciações finais», explicaremos a razão de ser desta nossa opção.
Estamos agora no termo de Redial, da freguesia de Vilela do Tâmega. É por todos sabido que esta freguesia, juntamente com as de Redondelo (povoação e termo de Rebordondo) e Anelhe, do outro lado do rio Tâmega, têm a uma das maiores manchas de pinheiro bravo do Alto Tâmega, em terrenos baldios, e que representa uma boa maquia para as finanças de cada uma das freguesias, quer na lenha, quer na resina.
Durante este primeiro terço do nosso trajeto – que o fizemos sozinho, numa espécie de romagem ou de saudade dos tempos da nossa adolescência tardia, quando percorríamos este caminhos - entre as terras de Vilela do Tâmega e de São Pedro de Agostém - na companhia do nosso falecido irmão, exercendo o seu múnus apostólico, e nós o acompanhávamos, quando vínhamos de férias, não encontrámos vivalma. Apenas este casebre em total ruínas, no meio de um pinhal, onde, aqui e ali, aparecia um solitário carvalho.

À borda de um troço, descaindo sobre um muro de pedra alto, aparece-nos um jovem castanheiro em plena floração, com cachos de flores, como este.

Mais à frente, em Redial, passa o Caminho Português Interior de Santiago.

Tal circunstância significa que, por estas bandas, desde tempos remotos, este lugar(ou zona) era caminho de passagem para outros destinos. Possivelmente de uma via ou calçada romana, que ligava Aquae Flaviae ao Douro. Vestígios, talvez por inadvertência nossa, não os vimos. Nem tão pouco qualquer placa sinalizadora, com qualquer informação, que nos dissesse que, com certeza, por aqui os romanos passaram, em direção ao sul, quer seguindo o Itinerário a) Chaves - serra do Alvão - Torgueda - Régua, via por alturas da serra do Alvão a poente de Vila Pouca de Aguiar, passando nas proximidades de Lamas de Olo, rumo às travessias do rio Douro em Caldas de Moledo (ligando a Lamego) e, em Peso da Régua, (ligando a Moimenta da Beira) ou b) via Chaves - Tresminas - Moimenta da Beira, via por alturas da serra da Padrela, cruzando a região mineira de Treminas e seguindo por Panóias, rumo à travessia do Douro em Covelinhas e daqui pelo Castro de Goujoim e Moimenta da Beira ou, finalmente, c) via Chaves - Numão - Celorico da Beira, eixo NO-SE, derivando da anterior na serra da Padrela, rumo ao Alto do Pópulo (Murça) e ao Carlão (Alijó), para depois cruzar o rio Douro junto do vicus mineiro da Sra. da Ribeira/Vesúvio, continuando para sul do Douro, por Meda e Trancoso até Celorico da Beira. («Vias Romanas em Portugal»)
Em poucos minutos, estávamos a chegar a Redial. A primeira construção que nos aparece são estas ruínas deste casebre.

Num abrir e fechar de olhos, estávamos já nas imediações da povoação de Redial. E a primeira construção que nos aparece é este Cruzeiro.

Aqui, em vez de seguirmos em frente para nos dirigirmos para o centro da povoação, onde aí podemos apreciar dois grandes solares,

(Solar I)

(Solar II)
pertença, outrora, da Família Pizarro, e que, no primeiro, podemos observar, quer um bonito brasão,

quer um relógio do sol,

virámos à esquerda, indo ter ao Cimo do Povo.
No cruzamento do Cimo do Povo de Redial, as placas de sinalização mandam-nos imediatamente para Ventuzelos. Quem quiser visitar Redial, terá de fazer um pequeno percurso suplementar.
Assim, passado todo o Cimo do Povo de Redial, torcemos à esquerda para Ventuzelos - se o fizéssemos para a direita e depois à esquerda, iríamos para Vidago -.
Agora, e a partir daqui,

é sempre cada vez mais a subir. Olhando à nossa direita, no alto, lá está o Alto do Castro ou Monte de Santa Bárbara, onde se posiciona a modesta capelinha de Santa Bárbara.

Sensivelmente a meio da subida de Redial para Santa Bárbara (Ventuzelos), em terreno praticamente descampado, aparecendo-nos no meio do mato rasteiro um outro pinheiro, quais «D. Quixotes»,

Virámo-nos para trás. Eis que Chaves se nos apresenta a nossos pés!

Com algum esforço, atendendo à nossa idade, caminhando por um troço sem qualquer árvore a fazer sombra, num dia de intenso calor, finalmente, chegámos ao termo de Ventuzelos.
Em vez de nos dirigirmos para a aldeia, virámos à direita e, em trezentos metros, chegávamos ao Alto do Castro, onde, como referimos, está localizada a capelinha de Santa Bárbara.
Na subida, a primeira construção que se vislumbra é a Casa das Esmolas, protegida por um antigo sobreiro.

Neste sobreiro, no qual tantas vezes, à sua sombra, dormimos sesta,

tem-se uma bela vista para a cidade de Chaves e toda a sua envolvente.

Num banco de pedra, debaixo do telheiro da Casa das Esmolas, sentámo-nos um pouco para descansar, depois de mudarmos a roupa do tronco, pois vínhamos completamente encharcados de suor, e de hidratar-nos.
Retemperadas forças, mais uma, das vezes sem conta, decidimos subir até à singela capelinha.

Quando olhávamos para a escadaria,

e nos preparávamos para subir, demos conta que, aqui, não estávamos sozinho. As duas bicicletas, no início da escadaria, denunciava gente nas redondezas.

Mas antes de subirmos os patamares da escadaria, que nos levaria até a capelinha,

deitámos uma vista de olhos para o placar informativo, no lado esquerdo. Reza assim:
“No Alto do Castro, ou Alto do Monte de Santa Bárbara, a 775 metros de altitude, a vista panorâmica cobre as serras do Barroso e da Galiza, e as terras de Chaves, de Boticas, de Vidago e de Vila Pouca de Aguiar.
Santa Bárbara, para além de um miradouro e lugar de culto religioso, é um lugar histórico: durante a Segunda Invasão Francesa, no ano de 1809, o General Silveira retirou-se com as suas tropas para as encostas do Monte de Santa Bárbara antes de reconquistar Chaves. Foi também neste local que, no ano de 1823, foram travadas lutas entre miguelistas e liberais”.
Cremos que o placar diz, na essência, tudo.
Como miradouro, mostremos algumas panorâmicas, tiradas de diferentes ângulos do Largo da capelinha.

(Panorâmica I)

(Panorâmica II)

(Panorâmica III)

(Panorâmica IV)
Deixemos de falar aqui do palco das lutas entre miguelistas e liberais.
E não alimentemos mais a polémica, quanto ao General Silveira e o então tenente-coronel Pizarro, natural e com casa em São Pedro de Agostém, povoação de Bóbeda, que já tivemos com o nosso amigo Fernando DC Ribeiro. Fernando DC Ribeiro considera o então tenente coronel Pizarro um dos heróis de Chaves, aquando das Segundas Invasões Francesas. [Veja-se posição de Fernando DC Ribeiro em «Flavienses ilustres - Francisco Pizarro, o Maranhão» e «O Muro da vergonho do General Silveira» e, em resposta, o nosso ponto de vista expresso num nosso blogue «Voila é Zassu», num post sob a designação «Desencontro(s) – Cena 6:- Francisco de Magalhães Pizarro versus Francisco da Silveira», publicado a 18 de setembro de 2013 ].
E deixemo-nos ficar por aqui, porquanto esta reportagem não serve para continuar a alimentar polémicas. Enquanto não encontrarmos provas em contrário, defenderemos acerrimamente, independentemente do valor do nosso «Maranhão», de Bóbeda, cuja sua prole acabou por se consorciar com a do General Silveira, o nosso ponto de vista; quanto ao ponto de vista dos outros, embora discordemos abertamente, respeitamos. Somos, manifestamente, pelo princípio do contraditório e a favor da refutabilidade em ciência.
Fiquemo-nos simplesmente com o Monte de Santa Bárbara ou Alto do Castro como lugar de culto, agora cristão, para aqueles que são crentes, e como um lugar recheado de recordações familiares, para nós. Mas estas não fazem também parte desta reportagem. Pertencem às nossas memória pessoais, que aqui não vêm ao caso.
Quando subimos até ao marco geodésico do Alto de Santa Bárbara, do outro lado do recinto da capelinha, apercebemo-nos que os donos das duas bicicletas, «estacionadas» no início da escadaria, eram de uma mãe e seu filho, que andavam perscrutando o solo daquelas paragens. Naturais e residentes em Ventuzelos, pertencem à família de José Gomes, nosso conhecido.
Como não pedimos autorização para publicar as suas fotos, por respeito à sua privacidade e identidade, não as publicaremos, apesar de constarem do nosso arquivo da caminhada neste Trilho. Pararam para falar connosco, descendo das respetivas bicicletas, mesmo aqui, ao pé deste Cruzeiro, quando nos dirigíamos para Ventuzelos.

No interior do Cruzeiro, para além do Crucificado, no teto, estão as figuras de S. Sebastião, Santo António, Santa Bárbara e o Arcanjo.

Da última vez que estivemos em Santa Bárbara, foi com o nosso falecido irmão, então ainda pároco de São Pedro de Agostém, em 27 de junho de 2018, a ver o eclipse da lua vermelha.
Atravessámos a povoação de Ventuzelos pelo Cimo do Povo. Não encontrámos ninguém, a não ser um adolescente, andando de bicicleta.
Começámos a descer em direção a Agostém. Andávamos por asfalto.

Quando pensávamos que nos dirigíamos para a povoação de Agostém, temos a indicação para virarmos à esquerda, por um antigo caminho público, que vai ter ao Cimo do Povo de São Pedro.
Enquanto percorríamos este troço de caminho, podemos observar, à nossa frente, em pano de fundo, a cidade de Chaves, com toda a sua envolvente e, na linha do horizonte, as serras de Portugal e da Galiza; no primeiro plano, a aldeia de São Pedro, destacando-se a torre e o teto da Igreja Matriz de São Pedro de Agostém.

(Perspetiva I)

(Perspetiva II)
À nossa direita, a serra do Brunheiro, e, no cimo de um cocuruto, o telhado das duas últimas casas do Peto de Lagarelhos.

Antes de entrarmos em São Pedro, pelo Cimo do Povo, demos com um conjunto de estufas, com plantações de feijões e tomates.

Por este caminho, entrámos na povoação de São Pedro.

A «Cortinha de S. Pedro», do casal Viçoso, que transformou a velha casa em sua casa de habitação e em turismo no espaço rural. Casal simpático. Grandes amigos do nosso falecido irmão padre.

Entrámos em pleno Cimo do Povo.

Quantas horas passámos aqui sentado, neste banco de pedra, à conversa com o então proprietário desta casa! Éramos ainda adolescente…

Faleceu pouco tempo depois de termos chegado a São Pedro.
A antiga Residência Paroquial, onde veio a falecer o Padre Leonardo Augusto Nina Coelho, pároco que nosso irmão veio a substituir, por manifesta doença incapacitante – reumatismo gotoso.

Quando nosso irmão aqui chegou, como pároco de São Pedro de Agostém, nos anos 60 do século passado, deixou que o Padre Leonardo aqui permanecesse até ao seu passamento, e foi habitar uma casa velha, cedida por um paroquiano de São Pedro – o senhor Duarte Maia -, porventura um dos homens, juntamente com a sua família, mais amigo de nosso irmão.

E continuámos a nossa caminhada pelo meio do povo de São Pedro.

Não deixámos de fazer um curto desvio para vermos em que estado se encontra a antiga casa do Capitão Maia,

que tem ao lado esta singela capelinha.

Até que chegámos à Igreja Matriz de São Pedro de Agostém, cujo orago é São Pedro.

No placar informativo que se encontra à entrada da Igreja, consta:
“Num documento da primeira metade do século XII faz-se referência à freguesia de São Pedro de Agostém e seu couto, como pertencentes ao arcebispado de Braga. Foi vigariaria da apresentação da mitra bracarense ou, segundo a estatística paroquial de 1862, do cabido, tornando-se posteriormente reitoria. A paróquia pertence, desde 22 de abril de 1922, ao arciprestado de Chaves e à diocese de Vila Real
No ano de 1721 foi descoberta uma pedra com uma inscrição dedicada a Lares Erredici (LA[R]IBVS/ERREDI[CI] RVFVS E/X VOTO) que, segundo fonte da época, terá aparecido no adro da Igreja, desconhecendo-se atualmente o seu paradeiro (CNS 24421)”.
Aqui fica o registo com a imagem exterior da Igreja, com um pouco da sua história, pois, doutra mais coeva, infelizmente pouco se sabe.
Prosseguimos o nosso Trilho, olhando para trás, para os lados da Igreja Matriz.

Era por aquele portão verde, na altura de castanho velho, que também entrávamos para a primeira casa que habitámos em São Pedro, mesmo ao lado daquela, de bonita arquitetura transmontana. Antes o casario era mais pobre. Hoje está um pouco mais cuidado, a par de uma ou outra «aberração», pouca, que se encontra nesta quase desertificada povoação/sede da freguesia.
Aqui continua o Fontenário mandado fazer no tempo da Ditadura Nacional.

Antes de nos encaminharmos para a rua da Senhora da Saúde, fomos dar uma espreitadela à casa do Coronel Sequeira,

casa onde habitou o senhor Duarte Maia e sua esposa, que hoje é ocupada por uma das filhas do Coronel. Foram apenas uma dezena de metros até que regressámos à casa do falecido Barroco, genro do célebre «Cego» de São Pedro. Porque o senhor era mesmo cego. E, quando vínhamos de férias, quantas histórias (de vida), e da sua vida, nos contou!...
Em frente, a antiga casa da «Nízida».

Agora, já na rua da Senhora da Saúde, apreciávamos, com mais detalhe, o seu casario: um, velho;

(Casario I)

(Entrada para a casa do casal Alberto e Maria Sá)
outro, nem tanto, e que outrora, o primeiro, era a casa da professora, D. Amélia, e seu marido, o senhor Alves,

o segundo, a nova e atual Residência Paroquial, onde vivemos quase uma dezena de anos, situada em pleno Largo da Senhora da Saúde.

(Perspetiva I)

(Perspetiva II)
Olhando para trás, uma perspetiva do casario e da torre da Igreja Matriz.

E estamos no Largo da Senhora da Saúde, onde impera o Santuário com a sua Igreja.

No placar informativo, postado à sua entrada, podemos ler:
“Nossa Senhora da Saúde é um dos santuários marianos de Portugal, com uma capela e um coreto. No seu recinto festeja-se o culto mariano com celebração de missa, feira com comes e bebes, e arraial com fogo de artifício, bandas filarmónicas e conjuntos musicais. É uma das romarias mais concorridas do concelho de Chaves, realizando-se anualmente no mês de maio”.
A informação vertida neste placar peca por três inexatidões e uma falha, a saber: a primeira inexatidão, é de que não se trata de um Santuário capela, outrossim de um Santuário igreja; a segunda, e conforme imagem que abaixo se exibe, o recinto do Santuário possui não um, mas dois coretos;

a terceira, a Festa da Senhora da Saúde não se realiza anualmente no mês de maio. Embora seja o mês de maio em que a Festa mais ocorre, todavia, nem sempre é assim. A Festa da Senhora da Saúde é uma festa móvel, que tem como referência a Festa do Divino Espírito Santo, que é 50 dias após o Domingo de Páscoa. Ou seja, na segunda feira a seguir ao Domingo do Divino Espírito Santo – 51º dia – é que se realiza a Festa da Senhora da Saúde. Por exemplo, este ano foi a 1 de junho; em 2017, foi a 5 de junho.
Juntamente com o Natal e a Páscoa, o Dia do Divino Espírito Santo forma o tripé comemorativo mais importante do Ano Litúrgico.

A falha diz respeito à não referência a esta impressiva coluna, que apresenta símbolos astrais, ligados à mitologia religiosa e pagã: do lado norte, fica o sol, de 12 pontas; do lado sul, a lua cheia; a nascente e poente, há quartos crescentes. Está situada em frente à fachada principal do Santuário. Para se «transformar» num Cruzeiro, falta-lhe o «Crucificado» no seu topo. Data de 1801. Se bem repararmos nesta «obra» e a compararmos com o relógio de sol do Solar de Redial, e atendendo aos poucos anos que separam estas duas obras, tudo nos leva a crer ser da mesma «fábrica» ou do mesmo artista.

Aqui, neste recinto do Santuário da Senhora da Saúde, olhando, quer para a Igreja, quer para a Residência Paroquial, vieram-nos à lembrança muitas recordações. De um passado que já lá vai longe, de pessoas queridas, muitas queridas, que, agora, apenas andam dentro de nosso «coração».
A vida é apenas um instante. E nós tão pouco a sabemos aproveitar!
Sentado num dos bancos de pedra do recinto, tantos anos de recordações se nos tornaram vivos, presentes. Esta terra e estas gentes moldaram-nos, como pessoa que hoje somos. E nós tão pouco, desde que daqui saímos, as (re)visitámos!
Começava a fazer-se tarde. Levantámo-nos e apressámo-nos a descer para a Quinta do Rebentão, Vila Nova de Veiga.
Quando pensávamos que seguíamos estradão asfaltado abaixo, eis que, logo na primeira curva da descida, logo à saída do Santuário, nos «mandam» virar à esquerda. Confessamos que não gostámos deste troço (ou alternativa) para chegarmos ao inicio do Trilho, na Quinta do Rebentão.

Foi um ziguezaguear constante, por entre um pinhal mal cuidado e ordenado. E com que intenção?
- Para irmos dar ao Circuito de Manutenção!

Não havia necessidade. Valeria a pena se tivéssemos uma cobertura vegetal «decente» e uma autêntica Quinta Biológica. Nada disso sucede! Do que está fora de vista do Parque de Campismo, do Circuito de Manutenção e das Piscinas Municipais, é uma verdadeira desolação! A autarquia, proprietária deste espaço, tem de cuidar melhor dele e destas infraestruturas. Há que investir mesmo, a sério, numa cobertura vegetal autóctone, digna. Não apenas ficarmos por «fogos de vista». Costuma-se dizer – e muito bem – «o exemplo vem de cima»!
Apresenta-se agora o percurso do Trilho

e respetiva altimetria.



