Domingo, 23 de Setembro de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês:- Trilho de Germil

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

 

TRILHO DE GERMIL

 

16.abril.2018

(De tarde)

 

01.- 2018.- Trilho de Germil (8)

Subo ao alto da serra, olho em redor,

e até me parece impossível que nas pupilas tão pequenas do homem

possam caber tantas grandezas.

Mas cabem.

E mais: é nelas que tais grandezas adquirem sentido.

O movimento que têm nas minhas, agora, as chãs, as lombas,

os píncaros e os abismos onde a inércia da morte parece habitar!

Dessa imagem dinâmica à palavra que a significa, vai um palmo.

E a palavra reveladora pode ser o introito de um verso.

E o verso a eterna e ritmada pulsação audível

dum imenso e oculto coração de granito.

 

Gerês, 2 de Agosto de 1965

Diário X, Miguel Torga

 

 

Foi o último trilho, feito esta primavera, com o Florens, em altitudes amenas, que não ultrapassaram os 650 metros, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, na serra Amarela.

 

Tratou-se (e trata-se) de um percurso circular de Pequena Rota, que se inicia na aldeia de Germil, do concelho de Ponte da Barca, circundando as encostas da serrania, perto da aldeia, por onde passa o rio Germil, que crava um pequeno vale, e feito por entre caminhos empedrados, que guardam gravadas as marcas do tempo e dos tempos em que o homem tirava da terra (e da serra) praticamente todo o seu sustento.

 

Trata-se, portanto,  de um percurso de natureza ambiental, paisagístico e cultural, decorrendo no flanco norte da serra Amarela, em que o vale do rio Germil, os bonitos bosques de carvalho e soutos, enfim, a típica paisagem rural, associada à agricultura de subsistência e à criação de gado, tendo, defronte, mais ao longe, o vale do Lima e as encostas das serras do Gerês e do Soajo, viradas a sul, fazem (fizeram) o cenário desta nossa caminhada.

 

Entre os Km 0,3 e 2,5, este trilho coincide, no seu percurso, com o de Grande Rota (GR 34) – Trilho Interpretativo da Serra Amarela.

 

Este trilho encontra-se bem sinalizado e a sua dificuldade em percorrê-lo é relativamente fácil.

 

Recomenda-se cuidados durante o verão pois, nos primeiros 5,5 Km, face à escassa cobertura vegetal, a exposição solar é significativa.

 

Germil é uma típica aldeia de montanha, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, incrustada na serra Amarela, conservando o ambiente rural e a vivência comunitária de outros tempos.

 

Isto é o que os folhetos informativos e os locais nos dizem. Observando melhor, in loco, deteta-se uma aldeia envelhecida, de pessoas e bens, pese embora o grande esforço que se está fazendo para reconverter esta aldeia e este território para a função turística, em especial para o turismo de natureza.

 

Segundo o sítio do Portugal Profundo - «Germil - uma ideia de natureza» está “concentrada em dois aglomerados de casas típicas de granito, com portas e janelas de um castanho avermelhado”, possuindo ruas estreitas, na sua maior parte cobertas de vinhas, com calçada em pedra, e água que jorra por todos os cantos.

 

Incita-nos, pois, a percorrê-la a pé!

 

Foi o que nós fizemos. E constatámos. Mas somente na parte específica do percurso do nosso trilho.

 

Refere ainda o sítio acima citado que Germil é marcada por um vale, com socalcos de vinha, demostrando o domínio hábil do homem naquele lugar e ladeado por vegetação autóctone, onde se distinguem carvalhos e castanheiros.

 

Foi, positivamente, o que constatámos.

 

Comecemos, então, a reportagem sumária deste nosso trilho.

 

Á entrada dos limites da aldeia, somos recebidos por esta linda placa sinalizadora, em granito.

02.- 2018.- Trilho de Germil (170)

E, nela mal entrámos, os sempre omnipresentes espigueiros.

03.- 2018.- Trilho de Germil (14)

E, como não podia deixar de ser, a capela da aldeia.

04.- 2018.- Trilho de Germil (17)

Iniciámos o nosso trilho nas proximidades do forno do povo e do cruzeiro da terra.

05.- 2018.- Trilho de Germil (23)

De imediato, com a pequena mochila às costas e as respetivas máquinas fotográficas, demos início ao Trilho de Germil, passando por mais um espigueiro, com uma porta na fachada de entrada principal trabalhada primorosamente,

06.- 2018.- Trilho de Germil (27)

aliás, como muitos outros que por aqui se encontram.

07.- DSCF7643

Logo no início, o trilho está repleto de placas sinalizadoras e com uma fonte farta de água.

08.- 2018.- Trilho de Germil (28)

Começámos a atravessar a parte alta da aldeia - ou Germil de Cima.

 

E deparámo-nos com as eternas latadas de vinha, sempre presentes por estas bandas.

09.- 2018.- Trilho de Germil (34)

Mas, desta feita, pouco nos serviram para nos proteger do sol que, a esta hora, ia a pique. A primavera, este ano, veio tardia!

 

A meio da encosta, à saída da povoação, por um antigo caminho pedrado, que nos levava, ao cume da serra Amarela, encontrámos os sapadores florestais a limpar as bordas do caminho.

10.- 2018.- Trilho de Germil (40)

Ao cimo da povoação, e antes de entrarmos em plena serra, saindo do nosso trilho, fizemos um desvio de cerca de meio quilómetro. E descemos,

11.- 2018.- Trilho de Germil (41)

para nos dirigirmos ao Miradouro do Fragão.

 

Eis uma das vistas do lugar.

12.- 2018.- Trilho de Germil (89)

Descendo mais duzentos metros, de pronto, estávamos na Cascata Portavênse.

13.- 2018.- Trilho de Germil (83)

Não se trata de uma cascata vistosa e imponente como as que já tínhamos visto e observado em outros trilhos palmilhados nesta altura pelos trilhos percorridos no Parque Nacional da Peneda-Gerês!

 

Mas algum condão estas paragens têm para, sob a proteção da calmia do lugar e das águas do rio Germil, passando, gemendo, por enormes penedos,

14.- 2018.- Trilho de Germil (82)

aqui, na pontelha, se exercitar das mais variadas técnicas de relaxe ou… de «exorcismos» psíquico.

15.- 2018.- Trilho de Germil (53)

Voltámos ao nosso trilho, e agradecendo à Associação Péd’Rios por se ter de lembrar de incluir no percurso este miradouro e esta cascata e tratar do seu acesso.

16.- 2018.- Trilho de Germil (88)

Agora, sim, começámos a embrenharmo-nos em plena serra Amarela,

17.- 2018.- Trilho de Germil (91)

continuando por um velho caminho empedrado, ladeado de muro, tendo a serra como pano de fundo – a Calçada da Carvalha.

18.- 2018.- Trilho de Germil (94)

Aqui e ali, nos cocurutos, aparecem-nos velhas e carcomidas árvores. Uma delas, à nossa passagem, afigurou-se-nos um peregrino da Idade Média, passando, com seu cajado, por estas paragens, em direção ao túmulo de Santiago de Compostela…

19.-2018.- Trilho de Germil (96)

Continuando o nosso percurso, passámos pelo Prado Relva.

20.- 2018.- Trilho de Germil (100)

Em pouco tempo, estávamos noutra pontelha - a do Ribeiro de Chão da Ponte.

21.- 2018.- Trilho de Germil (104)

A partir daqui, continuando pelo mesmo empedrado espetacular – a Calçada de Germil -,

22.- 2018.- Trilho de Germil (109)

sentindo-nos em pleno céu,

23.- 2018.- Trilho de Germil (112)

presenciámos um dos melhores panoramas da serra Amarela e da aldeia de Germil.

 

Florens parou para, durante uns minutos, contemplar.

24.- 2018.- Trilho de Germil (124)

Nós, por entre dois velhos carvalhos, captávamos a aldeia de Germil.

25.- 2018.- Trilho de Germil (116)

E parámos, por uns breves minutos, a observar, admirando, os patamares verdes da aldeia.

26.- 2018.- Trilho de Germil (117)

Num outro cocuruto, uma formação rochosa assemelhando à cabeça de uma serpente.

27.- 2018.- Trilho de Germil (119)

E, a páginas tantas, eis uma espetacular curva do caminho.

28.- 2018.- Trilho de Germil (122)

Ultrapassada a Costa do Eido,

29.- 2018.- Trilho de Germil (128)

estávamos no ponto mais alto do nosso percurso.

 

Daqui as panorâmicas são vastas.

 

O Fojo do Lobo de Germil, uma antiga construção para apanhar lobos, impunha-se-nos com toda a sua imponência.

30.- 2018.- Trilho de Germil (156)

Ao lado, a queda de água da ribeira da Caçorelha (?), onde, perto da estrada, se pode, em dias de verão, passar uma boa tarde, tomando banho, nas suas águas.

31.- 2018.- Trilho de Germil (168)

E o rio Lima, com o seu vale e casario, rodeado pelas serras do Parque Nacional.

32.- 2018.- Trilho de Germil (161)

Há agora que descer até à estrada, que nos levou a Germil, atravessando-a. Destaca-se, na descida, este apiário bem perto da fonte de «alimentação» das incansáveis obreiras abelhas.

33.- 2018.- Trilho de Germil (165)

Ultrapassada e estrada, e já na margem direita do rio Germil, ainda pensámos ir até à cova do Fojo do Lobo de Germil. Desistimos, pois começava a fazer-se tarde. O essencial estava visto!

 

E continuámos por um lindo e espetacular caminho que tão bem as gentes do lugar o souberem conservar para nosso puro deleite. Porventura, ao longo dos anos, o seu difícil acesso, facilitaram a conservação destas ancestrais infraestruturas. Mas nota-se também aqui o carinho das suas gentes por tudo aquilo que é seu!

34.- 2018.- Trilho de Germil (182)

Entrámos na cota mais baixa do nosso percurso, caminhando ao lado das águas do rio Germil.

35.- 2018.- Trilho de Germil (188)

Agora começávamos a subir para Germil. A senda é espetacular.

36.- 2018.- Trilho de Germil (211)

Cada passada dada, uma surpresa. E a presença constante do carvalho!

37.- 2018.- Trilho de Germil (218)

A certa altura, mais uma paragem. Estávamos na confluência do ribeiro da Broca com o rio Germil.

38.- 2018.- Trilho de Germil (238)

Por estas paragens deteta-se a presença de velhos moinhos.

39.-2018.- Trilho de Germil (244)

Infelizmente, em ruínas, já sem serventia…

40.- 2018.- Trilho de Germil (255)

Na pontelha, entre o ribeiro da Broca e o rio Germil, captámos o remoinhar da água.

41.- 2018.- Trilho de Germil (271)

Olhando para o alto, para a copa dos carvalhos, o céu apresentava-se de um azul brilhante, à mistura com as nuvens.

42.- 2018.- Trilho de Germil (266)

E continuámos, subindo, por este lindo trilho,

43.- 2018.- Trilho de Germil (274)

ladeado pelo bosque de carvalhos,

44.- 2018.- Trilho de Germil (287)

denotando-se, em alguns, pela passagem do tempo, a decrepitude a chegar.

45.- 2018.- Trilho de Germil (289)

Sempre subindo, chegávamos a Germil de Baixo. O calor apertava e o reservatório de água tinha-se esgotado. Mesmo aqui, fizemos uma paragem para descansar um pouco e hidratar-nos.

46.- 2018.- Trilho de Germil (296)

Na aproximação à aldeia, deparámos com os espigueiros da Eira de Germil de Baixo.

47.- 2018.- Trilho de Germil (302)

Deixamos aqui alguns cenários do casario e das estritas ruas empedradas de Germil, cobertas de vinha de latada, enquanto nos dirigíamos para a Eira de Germil de Baixo.

48.- 2018.- Trilho de Germil (303)

(Cenário I)

49.- 2018.- Trilho de Germil (305)

(Cenário II)

50.- 2018.- Trilho de Germil (308)

(Cenário III)

51.- 2018.- Trilho de Germil (309)

(Cenário IV)

52.- 2018.- Trilho de Germil (314)

(Cenário V

Deparámos com uma placa informativa moderna, num empedrado a precisar de restauro.

54.- 2018.- Trilho de Germil (315)

Entrámos na eira.

55.- 2018.- Trilho de Germil (323)

E começámos a tirar fotos aos seus espigueiros.

56.- 2018.- Trilho de Germil (329)

Enquanto procedíamos a este levantamento, ora a um conjunto,

57.- 2018.- Trilho de Germil (318)

ora a um ou outro individual, fomos metendo conversa com estas duas senhoras.

58.- 2018.- Trilho de Germil (316)

Nota-se que a vida aqui continua com a sua rotina de sempre, ancestral, num território, tal como muitos outros deste Parque e deste nosso interior, onde falta juventude e a cor preta, na vestimenta das senhoras, é praticamente dominante.

 

Pese embora a moderna sinalética da Eira, a mesma está praticamente em ruína. Mas em reconstrução. Para turista ver, pois a sua tradicional serventia foi-se com as suas gentes…

 

Saímos deste emblemático lugar do nosso mundo rural, atravessando o seu casario até ao lugar onde deixámos a viatura.

59.- 2018.- Trilho de Germil (332)

(Cenário I)

60.- 2018.- Trilho de Germil (333)

(Cenário II)

61.- 2018.- Trilho de Germil (335a)

(Cenário III)

62.- 2018.- Trilho de Germil (342)

(Cenário IV)

Dados mais dois dedos de conversa a duas mulheres de preto, que estavam à sombra protetora do velho espigueiro, no Largo do Cruzeiro, ouvindo sempre a mesma conversa – de uma dia a dia de constante trabalho, isolados, abandonados a si próprios, com saudades da gente que partiu: uns, que nunca mais voltam; outros, labutando lá fora, e que só vêm poucos dias no ano para matar saudades, enquanto os seus forem vivos.

63.- 2018.- Trilho de Germil (347)

 Dirigimo-nos para a nossa viatura, rumo estrada de Terras de Bouro.

 

Foi, sem dúvida, um dos trilhos mais bonitos que, nesta primavera, percorremos na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês, em plena serra Amarela.

 

A entrada do Diário de Miguel Torga, para o início deste post, não poderia ser a mais adequada, face ao que acima vertemos.

 

Neste trilho, circular, andámos, de acordo com o nosso aplicativo móvel Health Samsung, 8 Km e 350metros, em 2h e 50 minutos,

64.- IMG-20180416-WA0003

com a velocidade e a elevação que o gráfico abaixo nos mostra.

65.- IMG-20180416-WA0005

 

Aconselha-se a leitura dos seguintes sítios da internet, quanto a este Trilho de Germil:

 

Esperamos, na próxima primavera, percorrer mais novas sendas neste nosso Parque Nacional da Peneda-Gerês.

 

Ou, quem sabe!, não será o Parque Natural de Montesinho que falará mais alto?

 

Veremos…

 


publicado por andanhos às 16:05
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