Quinta-feira, 12 de Julho de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês:- Trilho dos Currais

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

01.- 2018.- Trilho dos Currais (97)

 

TRILHO DOS CURRAIS

(Percurso de âmbito cultural e paisagístico)

 

13.abril.2018

 

 

 

Sou, na verdade, um geógrafo insaciável,

Necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição.

Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal,

e atiro-me às serranias como à broa da infância.

É fisiológico, isto.

Comer terra é uma prática velha do homem.

Antes que ela o mastigue, vai mastigando ele.

O mal, no meu caso particular, é que exagero.

Empanturro-me de horizontes e de montanhas,

e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal.

Uma província ainda mais pobre do que as outras,

que apenas produz uns magros e tristes versos...

 

Gerês, 17 de Agosto de 1958

Diário VIII, Miguel Torga

 

 

Na preparação deste Trilho dos Currais, os sítios da internet e os blogues consultados, invariavelmente, na descrição do percurso, apoiam-se todos no prospeto – PR 3-Trilho dos Currais (Património Histórico e Cultural), do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)  e o PR 3 – Trilho dos Currais (Património Histórico e Paisagístico), do município de Terras do Bouro/Adere Peneda-Gerês.

 

Quanto à fauna.

 

Diz este último panfleto ou brochura: “Ao calcorrear este trilho de admiráveis paisagens naturais, observam-se os animais em pastoreio; as cabras (Capra), as vacas (Bos taurus) e os cavalos (Equus caballus), as aves de rapina e outros animais. Selvagens.

As aves são de fácil observação e destacam-se na paisagem natural. Desta espécie podem ser observadas a águia-de asa-redonda (Buteo buteo), o falcão peregrino (Falco peregrinus), o penereiro (Falco tinnunculus) e a gralha-de-bico vermelho (Pyrrochorax pyrrochorax).

Destaca-se, ainda, o corço (Capreolus capreolus), o lobo (Canis lupus), o javali (Sus scrofa), o esquilo (Sciurus vulgaris). Devido aos seus hábitos mais esquivos, torna-se difícil a sua observação, contudo deve dar-se atenção aos seus indícios – as pinhas roidas, os dejetos, as tocas, as pegadas, os vestígios de alimentação – que traduzem a sua presença”.

 

Acreditamos sinceramente que esta fauna possa ser oncontrada neste trilho. Nós, por pouca sorte, ou talvez falta de hábitos de observação, nem sequer indícios vimos!

 

Porventura, ao chegarmos a Pedra Bela, nos arredores da Casa Florestal e Posto de Vigia, por entre aquelas pequenas pinhas,

02.-2018.- Trilho dos Currais (73)

algum esquilo fugitivo tenha passado por nós sem, contudo, nos tenhamos apercebido.

 

De quem nos apercebemos, isso sim, foi, depois de treparmos aquela «dolorosa» subida do primeiro terço do percurso, e quando chegámos ao estradão florestal, foi destas duas simpáticas jovens norte-americanas.

03.- 2018.- Trilho dos Currais (188)

Trocámos apenas meia dúzia de palavras. As chacopas, de pronto, continuaram, continuando o estradão por onde vinham, o seu percurso, com que levadas pelo vento!

 

Portanto, de presença, e fugitivas, apenas estas duas meninas norte-americanas. Mais nemhuma vivalma vimos até que chegámos a Pedra Bela!

 

É possível que os animais indicados no panfleto andem por aqui... às horas do dia em que efetuámos o trilho, precaveram-se de aparecer... vá lá o diabo tecê-las!...

 

No ar, vimos uma ou outra ave, voando rapidamente. Mas não deeu para as identificarmos. E infelizmente também não ouvimos o trinar ou as lindas sinfonias dos passariformes. O tempo para eles não estava convidativo, preferindo arranjar os ninhos ou, talvez, nos ninhos, cuidando das suas crias.

 

Agora quanto à flora.

 

Diz o mesmo documento que vimos citando que “é rico em valores florísticos, quer a nível arbóreo, quer arbustivo. Na área envolvente do trilho estão representadas as espécies de resinosas: pinheiro silvestre (Pinus Sylvestris), pinheiro bravo (Pinus pinaster) e pinheiro negral (Pinus nigra). Das folhosas destancam-se os carvalhos (Quercus robur) e (Quercus pyrenaica), o azevinho (Ilex aquifolium), o medronheiro (Arbustus unedo), a pereira brava (Pytrus pyraster), o padreiro (Acer pseudoplatanus) e o cornogodinho ou tramazeira (Sorbus aucuparia).

A sua composição florística diversifica-se conforme a altitude e os microclimas. À medida que se sobe em altitude as espécies de mato tornam-se dominantes. Observam-se os tojais (Ulex minor) e (Ulex europaeus), a torga (Calluna vulgaris), carqueja (Chamaespartium tridentatum) e as urzes (Erica arborea) e (Erica cinerea), encontrando-se em zonas de maiores altitudes o zimbro (Juniperus)”.

 

Quanto à flora, apesar da maior expansão das espécies resinosas, o trilho é, como mais adiante mostraremos, rico em apresentação de outras espécies arbóreas e arbustivas.

 

Falemos agora do trilho propriamente dito. Tomemos as palavras, quer do prospeto da ADERE Peneda-Gerês, quer do ICNF. Ambos, ipsis verbis, dizem:

O Trilho dos Currais, inserido na temática «tradições comunitárias», percorre uma área de singular beleza natural da Serra do Gerês.

Percorre-se ao longo de três currais do Baldio de Vilar da Veiga: o Curral da Espinheira, o Curral da Carvalha das Éguas e o Curral da lombaq do Vidoeiro, constituindo um percurso de pequena rotaq (PR) cuja distância a percorrer é de 10 Km, sendo o grau de dificuldade médio a elevado.

Inserido no âmbito Cultural e Paisagístico, o Trilho dos Currais proporciona um contacto direto com o espírito e tradições comunitárias locais, a partir da organização silvopastoril na forma de vezeira.

Esta prática comunitária, peculiar da Serra do Gerês, decorre de Maio a Setembro, sendo o gado bovino da comunidade emcaminhado pelos caminhos carreteiros até à serra alta, onde se situam os currais.

Os vezeiros – proprietários do gado – acompanham durante dias ou semanas o gado, consoante o número de cabeças que possuem, transportando os utensílios para a alimentação e estadia nas cabanas dos currais.

A manutenção destas estruturas comunitárias é assegurada anualmente. Todos os anos, previamente à subida do gado para a serra, no dia dos cubais, os proprietários limpam os caminhos carreteiros, arranjam as cabanas e as fontes”.

 

Este ano a primavera veio mais tardia e o verão, por isso, vai fazer-se mais tarde.

 

O nosso percurso por este trilho fez-se em meados de abril. Por isso, nem o gado nos currais e os seus vezeiros, nem tão pouco o arranjo dos caminhos carreteiros, vimos: apenas as infraestruturas permanentes dos currais!

 

Descrevamos, agora sumariamente, o nosso percurso no Trilho dos Currais.

 

1.- Primeiro terço do percurso – a beleza do bosque e o enorme esforço da subida

 

O trilho inicia-se junto da estrada nacional não muito longe do Centro de Interpretação Ambiental do Vidoeiro.

04a.- 2018.- Trilho dos Currais Samsung) (1)

Após passar ao lado do parque de merendas do Vidoeiro

05.- 2018.- Trilho dos Currais (3)

e de algumas casas,

06.- 2018.- Trilho dos Currais (10)

 inicia-se a subida.

07.- 2018.- Trilho dos Currais (19)

(Troço I)

08.- 2018.- Trilho dos Currais (27)

(Troço II)

09.- 2018.- Trilho dos Currais (46)

(Troço III)

10.- 2018.- Trilho dos Currais (52)

(Troço IV)

11.- 2018.- Trilho dos Currais (61)

(Troço V)

Ficou na nossa retina os seguintes cenários.

12.- 2018.- Trilho dos Currais (50)

(Cenário I)

13.- 2018.- Trilho dos Currais (55)

(Cenário II)

14.- 2018.- Trilho dos Currais (62)

(Cenário III)

A certa altura, uma pequena pausa. Era necessário hidratar-nos: o esforço da subida e o calor, que começava a surgir, assim o exigiam.

15.- 2018.- Trilho dos Currais (76)

Até que chegámos ao estradão florestal, percorridos sensivelmente cerca de 4 Km, onde encontrámos as duas norte-americanas já referidas.

16.- 2018.- Trilho dos Currais (81)

Mas o percurso continuava a subir

 

2.- Os três currais

2.1.- Curral da Espinheira

 

até que chegámos ao Curral da Espinheira, no vale de Teixeira.

17.- 2018.- Trilho dos Currais (89)

Aqui, água não faltava.

18.- 2018.- Trilho dos Currais (90)

Percorremo-lo todo para o conhecermos,

19.- 2018.- Trilho dos Currais (94)

indo até ao singelo e apertado abrigo, encimado por uma mariola, e todo construído com a pedra local – o granito.

20.- 2018.- Trilho dos Currais (96)

Não podíamos abandonar o local sem uma fotografia da praxe, junto a este abrigo do Curral da Espinheira.

21.- 2018.- Trilho dos Currais (96a) (Samsung)

Depois, já com um percurso mais confortável para andar, sem aquela desconfortável subida para gente da nossa idade, entrando no vale do Ribeiro da Lomba do Vidoeiro, rapidamente chegámos ao segundo curral.

 

2.2.- Curral da Carvalha das Éguas

 

Este curral tem um enorme lameiro, todo cercado.

22.- 2018.- Trilho dos Currais (111)

Deixamos aqui duas perspetivas do abrigo – contrução recente –

23.- 2018.- Trilho dos Currais (102)

enquanto, continuando caminho, ultrapassavamos o cercado,

24.- 2018.- Trilho dos Currais (107)

e, penetrando no nosso trilho, fomos em direção ao Varejeiro.

25.- 2018.- Trilho dos Currais (116)

Aqui ficam, à visualização dos nossos leitores, partes dos troços e respetivos cenários,

26.- 2018.- Trilho dos Currais (119)

 (Troço e cenário I)

27.- 2018.- Trilho dos Currais (123)

(Troço e cenário II)

28.- 2018.- Trilho dos Currais (124)

(Troço e cenário III)

29.- 2018.- Trilho dos Currais (128)

(Troço e cenário IV)

30.- 2018.- Trilho dos Currais (130)

(Troço e Cenário V)

31.- 2018.- Trilho dos Currais (131)

(Troço e cenário VI)

32.- 2018.- Trilho dos Currais (133)

(Troço e cenário VII)

33.- 2018.- Trilho dos Currais (144)

(Troço e cenário VIII)

34.- 2018.- Trilho dos Currais (146)

(Troço e cenário IX)

até ao

 

2.3.- Curral da Lomda do Vidoeiro.

 

É um lugar bastante húmido.

35.- 2018.- Trilho dos Currais (156)

(Perspetiva I)

36.-2018.- Trilho dos Currais (154)

(Perspetiva II)

37.- 2018.- Trilho dos Currais (158)

(Perspetiva III)

38.- 2018.- Trilho dos Currais (159)

(Perspetiva IV)

39.- 2018.- Trilho dos Currais (160)

(Perspetiva V)

40.- 2018.- Trilho dos Currais (161)

(Perspetiva VI)

Mas, aqui não vislumbrámos qualquer estrutura de abrigo ou alojamento.

 

Continuámos caminho.

41.- 2018.- Trilho dos Currais (162)

Em poucos metros, depois de ultrapassada esta mariola,

42.- 2018.- Trilho dos Currais (167)

e percorridos os últimos metros deste estradão,

43.- 2018.- Trilho dos Currais (165)

Entrávamos no cruzamento do caminho florestal que, a partir daqui, ia para a Ermida do Gerês e à cascata do Arado, num sentido, e, noutro, à Pedra Bela.

 

Nosso percurso era seguir até à Pedra Bela. Mas, antes, tínhamos de fazer uma pequena paragem. O lugar justificava.

 

3.- A Casa da Floresta e o Miradouro da Pedra Bela

 

Tratava-se de dar uma vista de olhos a esta Casa da Floresta e Posto de Vigia,

44.- 2018.- Trilho dos Currais (177)

(Perspetiva frontal)

45.- 2018.- Trilho dos Currais (183)

(Perspetiva posterior)

seus anexos,

46.- 2018.- Trilho dos Currais (186)

(Anexo I)

47.- 2018.- Trilho dos Currais (190)

(Anexo II)

Seu tanque e escadas para um posto de observação e miradouro.

48.- 2018.- Trilho dos Currais (180)

À saida do lugar, ainda demos uma vista de olhos aos arredores. Este enorme tanque e sistema de rega indiciava outrora, aqui, a existência de viveiros de alguma importância.

49.-2018.- Trilho dos Currais (168)

Decorridas duas ou três cdentenas de metros, estávamos na Pedra Bela.

50.- 2018.- Trilho dos Currais (193)

A primeira coisa que nos chamou a atenção foi este poema de Miguel Torga, cinzelado em chapa de ferro, por detrás de uma fraga granítica. Seu nomé é Pátria.

51.- Trilho dos Currais

Nada mais apropriado o poema para o lugar!

 

Subimos ao Miradouro de Pedra Bela, um dos mais bonitos do país.

 

A nossos pés, a linda barragem da Caniçada

52.- 2018.- Trilho dos Currais (200)

e parte da sua panorâmica envolvente.

53.- 2018.- Trilho dos Currais (196)

Descemos do Miradouro, ainda com a Caniçada na retina.

54.- 2018.- Trilho dos Currais (214)

 

 

4.- O regresso à Vila do Gerês

 

Agora tínhamos pela frente uma descida vertiginosa até às proximidades da Vila de Gerês,

55.- 2018.- Trilho dos Currais (217)

até que chegámos ao asfalto, nas proximidades da Fonte do Curral do Gaio.

56.- 2018.- Trilho dos Currais (219)

A omnipresença do verde e... do carvalho!

57.- 2018.- Trilho dos Currais (221)

Asfalto, água escorrendo pelo monte, pedra e, encoberto por um muro, coberto de musgo, o parque público da Vila do Gerês, decrépito, mas com tantas memórias de vidas passadas para contar...

58.- 2018.- Trilho dos Currais (223)

Descemos até ao vale cavado pela Falha do Gerês-Lobios, com cenários fantásticos,

59.- 2018.- Trilho dos Currais (225)

(Cenário I)

60.- 2018.- Trilho dos Currais (233)

(Cenário II)

61.- 2018.- Trilho dos Currais (234)

(Cenário III)

que não resistimos a captar.

62.- 2018.- Trilho dos Currais (231)

Até que chegámos

63.- 2018.- Trilho dos Currais (236)

ao fim do nosso percurso do Trilho dos Currais.

64.- 2018.- Trilho dos Currais (237)

Agora era apenas uma pequena subida, passando por esta antiga Casa Florestal

65.- 2018.- Trilho dos Currais (240)

para chegarmos ao lugar onde tím«nhamos estacionado a nossa viatura.

 

E descansar dos 11, 810 Km, feitos em 3 horas e 54 minutos,

66.- Sem título-1

à velocidade e com a elevação de o gráfico abaixo mostra.

67.- Sem título-2

Na despedida, deixamos aos nossos leitores esta mariola.

68.- 2018.- Trilho dos Currais (152)


publicado por andanhos às 16:48
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