Memórias de um andarilho - Caminho de Santiago - Epílogo (2019) - 5ª etapa:- Faro (Cabo) de Fisterra-Lires
MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO
CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO
5ª ETAPA – FARO DE FISTERRA - LIRES
(18.abril.2019)
Quando, no dia 14 do corrente mês, dávamos início à reportagem deste Caminho neste blogue, dizíamos que já em 2008 havíamos feito este Caminho entre Santiago de Compostela e Muxía; contudo, quando a 5 de setembro daquele ano de 2008 pretendíamos efetuar a etapa entre Muxía e Fisterra, começou a cair uma tal borrasca – chuva que caía a cântaros – que desistimos, deixando a etapa, com os mesmos protagonistas, para outra altura.
A 25 de março de 2013, os mesmos caminheiros/peregrinos de 2008, fizeram a etapa Muxía-Fisterra, conforme documentário de 7 de abril de 2013 neste mesmo blogue. E, para azar dos azares, foi uma etapa feita sempre debaixo de intensa chuva, apesar de no dia anterior, quando chegámos a Muxía e nos albergámos no albergue Belamuxía, estar um dia lindo.
Completamente alagados em água, ao chegarmos ao albergue de Fisterra, apenas mudámos de roupa, levantámos a nossa «Fisterrana» e viemo-nos embora para Chaves.
O irmos ao Cabo (Faro) Fisterra – o verdadeiro fim do Caminho – naquela altura, nem sequer se pôs. Em resumo, nunca tínhamos ido ao Faro (Cabo) Fisterra.
Na etapa deste nosso segundo Caminho de Santiago (Epílogo), que partiu de Hospital, tínhamos intenção de ir ao Cabo Fisterra. Mas, como relatámos já, chovia – mais uma vez! – tanto que acabámos por desistir. Ficámos, assim, por Fisterra. E combinámos que, no dia a seguir, início da nossa última etapa que nos levaria a Muxía, partiríamos do Faro (Cabo) Fisterra.
E foi o que sucedeu.
Conforme nosso Bloco de Notas, às 7 horas e 30 minutos, estávamos no Centro de Fisterra,

no Bar «A Pedra» para tomarmos o pequeno almoço. Um pequeno almoço igual a todos os outros que costumamos tomar pelo Caminho – à base de cá com leite, pão torrado, manteiga e compotas.
Saímos do Bar

e esperámos 20 minutos para que, na praça de táxi, aparecesse um táxi para nos levar ao Faro (Cabo) Fisterra.
Enquanto esperávamos, aproveitámos para tirar umas quantas fotografias à escultura do Emigrante, cujo projeto é de Agustín de la Herrán Matorras, inaugurado em 1993. Apresenta-se um pormenor da escultura.

Felizmente que o dia de hoje nada tinha a ver com o de ontem! Prometia sol…
Largados pelo taxista no Faro, fomos explorá-lo.

O Cabo Finisterra (em galego: cabo Fisterra; em castelhano: cabo Finisterre) é um promontório de granito com 3 km de comprimento e 600 metros de altura, situado no concelho de Fisterra, província da Corunha, na Galiza, Espanha.
O cabo serve de linha divisória entre as Rias Baixas e as Rias Altas galegas.
O emblemático cabo obteve a distinção de Património Europeu em 19 de março de 2007, tornando-se um dos trinta bens escolhidos pela União Europeia como elementos com um "papel essencial na história e na identidade da Europa".
Diz-nos o sítio do Turismo da Galiza, sob a rubrica Cabo Finisaterra, este lugar foi considerado durante séculos como o limite das terras conhecidas, a fronteira do Além, o Fim do Mundo.
Os romanos pensavam que este era o ponto mais ocidental da terra e, portanto, era aqui que o mundo acabava. Era o "finis terrae".

A ponta é uma falésia em ascensão desde os temíveis ilhotes de O Petonciño e A Centola até ao monte de O Facho (242 m) onde parece que se encontrava o Ara Solis da Antiguidade para a celebração dos ritos solares. Tradicionalmente, é considerado o ponto mais ocidental do continente, embora esse título não lhe corresponda, - porquanto pertence ao Cabo da Roca, em Portugal. O Caminho de Santiago prolonga-se até aqui para os peregrinos que, segundo a tradição, queimam as roupas na orla do mar antes de iniciarem o regresso a casa.

Desde o princípio dos tempos, Finisterra evoca um mistério indecifrável na alma dos homens. As raízes da aura lendária destas paragens, abertas à imensidão do Oceano Atlântico, descansam na mitologia dos primeiros povoadores da Europa.

Os antigos acreditavam que o mundo terrenal dava lugar, com a chegada da morte, a outra existência numa ilha situada a oeste, onde o sol se punha. Nas lendas celtas, é frequente encontrar imagens de heróis que fazem a sua última viagem até este paraíso numa barca de pedra. Esta união de pedra, mar e espiritualidade pervive em diversas formas ao longo da Costa da Morte. Quando os romanos chegaram a este lugar, presenciaram pela primeira vez o espetáculo grandioso do sol que se afuna nas águas. Encontraram um altar dedicado ao astro rei, o Ara Solis (culto do sol), erguido pelas tribos celtas da zona. Diversas fontes encontram um paralelismo direto entre a imagem do sol a afundar-se no mar e a hóstial e o cálice que formam o escudo da Galiza. Hoje, uma praça da localidade recebe o nome de Ara Solis.
Há, todavia, autores que identificam o cabo Finisterra com o antigo Promontório Nerio dos geógrafos romanos.
O Cabo Finisterra esconde o verdadeiro segredo da Costa da Morte: paisagens agrestes e praias impressionantes, umas (ao abrigo do cabo) de águas tranquilas

e outras de forte ondulação, como a Mar de Fora, uma das praias mais selvagens da Galiza. E a grande atração de todos os tempos: o por-do-sol sobre a imensidão do oceano,

(Aqui, no caso, o nascer do sol)
o mar do fim do mundo.
O ponto mais concorrido é o miradouro do farol.

O farol foi construído em 1853. A torre mede 17 metros, é octogonal

e a sua luz, situada a 143 metros de altura acima do nível do mar, alcança mais de 30 milhas náuticas. A constante névoa do Inverno provocou que lhe fosse acrescentada uma sirene em 1888, a Vaca de Finisterra,

para avisar os navegantes do perigo existente. Ainda assim, foi palco de naufrágios, como em 1870, quando o Monitor Captain se afundou levando 482 pessoas da sua tripulação, no acontecimento mais trágico desta costa.
A torre, feita de cantaria, é de base octogonal, e acaba numa cornija sobre a qual se apoia a varanda. Em cima fica a abóbada, com uma lanterna poligonal.
É, muito provavelmente, o mais visitado da Europa

e um dos mais próximos da América.
É considerado como o cabo do fim do mundo (Finis Terrae). Durante milhares de anos pensou-se que para além deste ponto existia apenas uma sima aquosa onde o sol se apagava todas as noites e através da qual se chegava a uma região de trevas, povoada por monstros marinhos.

(Antón Junto da bandeira Argentina, na ravina, junto ao mar)

(Pormenor)
Diz-se que, nos dias claros, é possível observar a fronteira com Portugal. É conhecido por todos os navegantes do mundo, pela sua importância como meio de aviso da proximidade de uma costa muito perigosa (a sua luz chega a atingir 65 Km de comprimento), assim como pela fama de traiçoeira que esta zona marítima tem.
Na verdade, o farol de Fisterra é o lugar onde «o silêncio esconde algo mais que palavras”!

Antes da chegada do Cristianismo, os europeus já viam na Finisterra um ponto de peregrinação obrigatório. Mas, depois da descoberta do túmulo do Apóstolo, a rota para o ocidente atlântico atingiu o seu máximo esplendor. O Caminho de Santiago, guiado pelas luzes da Via Láctea, termina aqui, em frente ao oceano.

Assim, o visitante que deixe o seu olhar voar desde este promontório, não só desfrutará de vistas de grande beleza; estará também a participar num mito que intimida e atrai os homens há milhares de anos.

O historiador romano Lucius Florus conta como os legionários de Roma contemplaram com sagrado temor o por-do-sol sobre o oceano quando alcançaram a Finis Terrae, no século II a. C. A Finis Terrae, Finisterra, ou Fisterra, como se denomina na Galiza, converteu-se desde então num ponto de visita obrigatória para qualquer pessoa que faça o Caminho Jacobeu.
Quando fazemos um Caminho, e somos acompanhado por Florens, normalmente este, numa das etapas, faz-nos um cajado de um pedaço de pau que encontra pela Caminho. Quando fizemos o Caminho Português Interior de Santiago, íamos acompanhados por seu filho Rod e por mais um amigo. Neste, esqueceu-se de nos fazer um; todavia, na última etapa, num muro de uma propriedade, estava um cajado, de bambu. O Caminho acabou por nos dar um. Neste, Florens, entretido com Antón, também se esqueceu de nos fazer um cajado. No promontório do Faro de Fisterra, estava um cajado à nossa espera. O Caminho havia-nos dado outro!
Explorado o Faro de Fisterra e o seu promontório, saímos deste lugar

demos então início à nossa jornada de hoje até Lires.

Descemos, por asfalto, até Fisterra. Ao longo deste percurso, parámos uns poucos minutos para tirarmos uma foto

a esta moderna escultura de um peregrino medieval,

contemplado daqui, pela última vez, a escarpa do Cabo Fisterra.

Já nas proximidades de Fisterra, passámos ao lado da Igreja de Santa María das Areas.

Trata-se de uma Igreja do século XII e, segundo consta, alberga a talha gótica do Cristo de Fisterra – uma imagem envolta em lenda; tem também esta Igreja uma Porta Santa e um Santiago Peregrino do século XVII.
Em pouco tempo estrávamos no bairro de San Roque, passando pela Cruz de Baixar, um cruzeiro em granito do século XVI, que tem, numa face, o Cristo Crucificado e, noutra, Maria Imaculada, com o Menino Jesus.

Atravessámos o aglomerado urbano de Fisterra e, a partir daqui, demos início ao percurso que nos levaria até Muxía,

deixando para trás o seu casario

E o areal da praia de Langosteira.

Até que chegávamos a San Martiño de Duio e a sua igreja paroquial.

Trata-se de uma igreja barroca de 1717, de uma só nave e com sacristia adossada. O nome de Duio reporta-nos à legendária cidade de Dugium, submersa nas águas e ao lugar que os discípulos de Santiago visitaram para solicitar o enterro do Apóstolo, segundo nos relata o Códice Calixtino, do século XII.
Apresentamos alguns aspetos dos trechos do Caminho que, de San Martiño de Duio, nos levou até perto do areal e praia do Rostro e Padrís, passando por Escaselas, Hermedesuxo de Baixo, Rial, Buxán, Suarriba, Castrexe, todas estas povoações pertencentes à paróquia finisterrana do Sardiñeiro, num percurso quase todo ele efetuado por asfalto, entre pinheirais, e sem nenhum bar ou café.

(Um tanque no trecho I)

(Paisagem no trecho II)

(Espigueiro no trecho III)

(Florens e Antón fotografando no trecho IV)

(Ciclistas rodando pelo pinheiral no trecho V)

(Espigueiros em terra de milho no trecho VI)

(Bar Aurora, fechado e quinqulharias em Buxán no trecho VII)

(Trecho VIII)
Até que, nas proximidades do areal do Rostro, oceano Atlântico,

Parámos para descansar um bocadinho, hidratarmo-nos e comermos umas barritas de cereais.

Depois desta pausa, mochila às costas, continuámos o nosso percurso, passando por uma paisagem idêntica à anterior, com pinheiro e plantações de milho, e com o mar por perto.

(Cenário I)

(Cenário II)

(Cenário III)

(Cenário IV)

(Cenário V)
Antes de entramos em Canosa, atravessámos um lindo trecho do nosso traçado.

Em poucos minutos entrávamos nos limites de Lires,

(Trecho I)

(Trecho II)
onde a sua ria, por estas paragens, faz toda a diferença.

Pelas 13 horas entrávamos em Lires.
Na parte baixa da povoação, a Igreja de San Estevo, dos princípios do século XVII.

Subimos a povoação de Lires até ao cimo e parámos aqui neste Bar/Restaurante onde, ao lado, tem um hotel e um albergue privado. Ficámos aqui. Já não há albergues públicos!

Como já anotámos, agora proliferam os albergues privados. Antes de tratarmos de todas as burocracias no albergue, sentámo-nos na esplanada deste Bar/Restaurante. Estava uma linda tarde de sol.
Depois de comermos fomos então para o albergue, depois de carimbarmos as credenciais e pagarmos a estadia, no valor de 12€ cada pessoa. Tomámos banho. Mandámos mensagens para os familiares. Descemos outra vez à esplanada para tomarmos um sumo. E fomos para o albergue. Deitados, uns liam; outro, dormia.
Ainda desafiámos Florens para irmos explorar Lires. Não quis. Só o conseguimos arrancar do albergue já quase ao fim da tarde.
Descemos a povoação e fomos até às proximidades da ria de Lires.

Aqui fomos encontrar um sítio bem aprazível,

onde existe um Restaurante & Bar - «A Braña».

Veja-se um aspeto do seu interior.

Bem assim este pormenor, que encantou o Florens.

Aqui mesmo fizemos uma longa pausa e esperámos pela hora do lanche/jantar.

Comemos.

E, sorrindo, porque a vida voa, sol posto, saímos deste aprazível lugar até aos nossos aposentos. Amanhã seria a nossa última etapa, com a chegada a Muxía.
Apresentamos o mapa da nossa etapa e respetivo perfil

(Fonte:- Eroski Consumer, adaptado)
Andámos, nesta etapa 17 Km 360 metros.

Deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) o diaporama da etapa para visualização.
CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO – 5ª ETAPA:- FARO DE FISTERRA-LIRES


