Memórias de um andarilho - Caminho de Santiago - Epílogo (2019) - 2ª etapa:- Negreira-Santa Mariña
MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO
CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO
2ª ETAPA – NEGREIRA-SANTA MARIÑA
(15.abril.2019)
Vamos, uma vez mais, servirmo-nos do nosso Bloco de Notas para nos avivar a memória quanto a esta etapa.
Saídos do Hotel Millan, depois de ali tomarmos o pequeno-almoço, dirigimo-nos para a receção para, dali, pormos pé a caminho. Mas, aqui, estancámos, já com as mochilas às costas: estava a chover! Há que abrir a mochila e tirar o poncho para nos protegermos da chuva que, embora miudinha, molhava.
Atravessámos toda a localidade, porquanto nos hospedámos quase logo à entrada, e dirigimo-nos para a saída.
Embora com chuva – mas não querendo molhar a nossa máquina fotográfica – com a objetiva do nosso telemóvel, deixámos Negreira, despedindo-nos do Monumento ao Emigrante, fotografando-o em dois ângulos

(Ângulo I)

(Ângulo II)
e dando de frente com o Pazo Cotón.

Demos uma rápida olhadela ao Pazo e saímos da urbe de Negreira por debaixo de um dos seus arcos.

Saídos do aglomerado de Negreira, e atravessado o rio Barcala, afluente do Tambre, passámos pela pequena aldeia de Negreiroa.
Decorrido sensivelmente 1 Km, estávamos junto da Igreja de San Julián, do século XVII.

No Alto da Cruz, víamos, ao longe, Negreira.

Em cerca de dois quilómetros, deixávamos este espigueiro,

Nas proximidades de Zas, passando pela Igreja de San Mamede de Zas.
Por estas paragens, a chuva começa a cair mais intensamente. Mas há que continuar. A meteorologia, segundo Florens, estava certa: dava chuva abundante entre as 10 e as 12 horas. E estávamos exatamente nas 10 horas e 30 minutos!
Apenas tivemos tempo, mesmo sob esta chuva intensa, para, tirando do bolso a nossa máquina fotográfica, arriscar três ou quatro fotos. Ficam aqui dois registos de uma paisagem muito verde e das suas aldeias entre grandes lameiros.

(Registo I)

(Registo II)
Até que, ao Km 4,6, nos embrenhávamos no Camiño Real

Bem agradecíamos uma pequena aberta, mas, andando pelos altos, a chuva não nos dava tréguas.
Passámos por Rapote e pelo monte de Espiñareiro praticamente sem nos darmos por isso.

Até que, nas proximidades de A Pena começou a chover que mais parecia um dilúvio. Corremos até às proximidades de um bar, situado num alto do Caminho.
O bar estava completamente cheio de gente, peregrinos que aqui também se acolheram para se abrigarem, beberem ou tomarem algo.
Meia hora passada, a chuva começou a abrandar um bocadinho. Botámos mochila às costas e continuámos a nossa jornada, por piso asfaltado, seguindo por Piaxe (Km 8, 4), Portocamiño (Km 8,9) e Cornovo (Km 9,3).
À saída de Cornovo, desembocámos em piso de terra batida. Íamos completamente encharcados.

Em pouco tempo, estávamos a atravessar o rego de Forxán.

Depois da paragem do Altiño do Cotón, a paisagem intercala-se com várias espécies arbustivas e arbóreas, nomeadamente, desde o tojo, eucaliptos e pinheiros, por entre campos de milho e trigo.

(Cenário I)

(Cenário II)

(Cenário III)
Passámos por Vilaserío e Cornado, última aldeia do concello de Negreira, eram decorridos 15 quilómetros, como se fôramos «cães por vinha vindimada». A partir de Cornado, devido à concentração parcelária, a paisagem rural modifica-se significativamente: amplos caminhos abertos, cortando propriedades, campos verdejantes e muito, muito verde. Aqui e ali, pequenas manchas florestais. Tudo em plena bacia do rio Barbeira. Vejamos alguns cenários, numa aberta, sem chuva.

(Cenário I)

(Cenário II)

(Cenário III)

(Cenário IV)

(Cenário V)

(Cenário VI)

(Cenário VII)

(Cenário VIII)
Há uma grande abundância de campos de milho e trigo. Estamos em plena bacia do rio Maroñas.

Em cerca de 40 minutos, entrávamos no concello de Mazaricos (Km 19,8). Os tradicionais espigueiros por aqui proliferam.

(Espigueiro I)

(Espigueiro II)
Até que, seguindo pelo asfalto, chegávamos a Santa Mariña, com mais uma carga de água sobre o pelo.
Chegávamos ao Café-Bar Gallego.

Perguntámos ao dono como é que era com o albergue ali ao lado. Era exatamente ele o proprietário do mesmo que, juntamente com sua esposa, o geria.

Trata-se de um albergue modesto, onde apenas existem 6 camas. Ainda bem que tinha aquecimento: uma caldeira que funcionava com «pellets».
Tirámos toda a roupa encharcada que trazíamos e pusemo-la a lavar e a enxugar em duas máquinas aqui existentes. Foram 8€ por lavar e enxugar toda a roupa dos três. Levámos os três pares de botas, juntamente com os ponchos e os impermeáveis, para junto da caldeira: estavam todas encharcadas, por dentro e por fora. E, depois, fomos tomar banho.
Ainda bem que as botas ficaram bem secas para a etapa do outro dia!
Com o tempo tão instável e com poucas escolhas nesta localidade, fomos almoçar ao Café-Bar Gallego.

Comemos massa «spaghetti» com panados de porco e batas fritas. Foram 30€ pelo almoço dos três, mais 30€ também pelo alojamento no albergue.
À noite, no mesmo estabelecimento, comemos tortilha. E a «chapa» foi 30€.
O albergue

até ao final do dia, ficou com as camas todas ocupadas: dois «velhotes», de língua francesa, que chegaram já junto à noite, e, chegada um pouco antes de nós, uma jovem portuguesa, de Matosinhos (Porto), bailarina – a Cláudia. Aqui fica apresentada. Até porque foi nossa companheira de jornada na etapa seguinte.
Uma nota quanto a esta peregrina no nosso Bloco de Notas: “A bailarina, Cláudia, é uma moça simpática e muito sociável”.

Apresentamos o percurso da etapa bem assim o perfil da mesma

(Fonte:- Eroski Consumer, adaptado)
Andámos 22Km 230 metros.
E deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) o diaporama da etapa para visualização.
CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO – 2ª ETAPA:- NEGREIRA-SANTA MARIÑA


