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29
Abr20

Memórias de um andarilho - Caminho de Santiago - Epílogo (2019) - 6ª e última etapa:- Lires-Muxía

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO

 

6ª E ÚLTIMA ETAPA – LIRES-MUXÍA

(19.abril.2019)

01.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (82)

Quando se trata da última etapa de um Caminho, sejam quais forem os quilómetro, bem assim a dificuldade em percorrê-los – e hoje apenas percorremos 15, 5 Km -, os mesmos não representam qualquer obstáculos para o caminheiro/peregrino, mesmo que venha muito cansado e, porventura, com feridas: o fim do Caminho está ali; e isso, é o que importa!

 

Apesar de, no calendário cristão, hoje  ser Sexta-Feira Santa, contudo, a nossa etapa não foi nenhuma via crucis.

 

Gostaríamos de, neste post, deixarmos aqui o escrito/poema de um peregrino anónimo que, algures, no fim da 1ª etapa deste Caminho, encontrámos em Negreira.

02.- CS - Epílogo - Poema de Negreira

No quarto/apartamento do Hotel Millan, onde nos hospedámos, naquele dia, enquanto líamos o poema acima exposto, Antón, lembrando-se da Catedral de Santiago que de manhã tinha deixado para trás, no seu caderno de desenhos, entretinha-se a desenhá-la.

03.- Desenho nº 1 do Antón

Ao sairmos do albergue, onde ficámos alojados, em Lires, fomos tomar o pequeno almoço no Bar/Restaurante, onde, ontem, quando chegámos, de Cabo (Faro) Fisterra, almoçámos.

 

E, de pronto, pusemos pés a caminho, andando pelas proximidades do rio Castro e passando por Vaosilveiro, Frixe e Guisamonde.

 

Deixamos aqui três cenário daquele troço percorrido.

04.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (1)

(Cenário I)

05.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (2)

(Cenário II)

06.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (4)

(Cenário III)

07.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (5)

(Cenário IV)

Em pouco tempo, estávamos a passar por Morquintián, ao lado deste Cruzeiro e de uma fonte.

08.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (12)

Morquintián é paróquia já muxiana.

 

Olhando um pouco para o nosso lado esquerdo, aparece-nos o campanário da velha igreja matriz.

09.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (17)

Cerca de 1,5 Km, com as eólicas no alto,

10.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (21)

dirigimo-nos até às imediações do Facho de Lourido. Aqui Antón «requisitou-nos» para uma foto da praxe.

11.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (21a)

Por um largo caminho, chegávamos até ao cimo.

12.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (24)

A partir daqui, começámos a descer,

13.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (27)

sempre a descer,

14.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (32)

até que chegávamos a Xurarantes,

15.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (33)

onde, mesmo aqui, os célebres espigueiros (hórreos) não podiam faltar!

16.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (36)

Saímos de Xurarantes, através de um caminho vicinal – sempre a descer – até que desembocávamos em estrada asfaltada. Já mesmo no fim da descida, virámos à direita e, andando umas centenas de metros, vislumbrávamos a praia de Lourido.

17.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (39)

Chegados aqui, Muxía já não nos fugia – estávamos perto! Mas ainda tínhamos um bom troço a percorrer à beira-mar.

18.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (46)

(Cenário I)

19.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (51)

(Cenário II)

Repare-se, aqui, no rendilhado dos terrenos de cultivo à beira-mar, protegendo-os da inclemência do clima marítimo para o uso agrícola, essencialmente dos ventos.

20.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (56)

(Cenário I)

21.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (58)

(Cenário II)

Enquanto andávamos no passeio, ao longo da costa, não podíamos deixar de imobilizar este momento.

22.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (62)

As gaivotas acompanhavam-nos e começámos a avistar casario.

23.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (61)

 

Entrávamos agora no aglomerado urbano,

24.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (65)

atravessando este largo passeio

25.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (68)

e, sem grandes preocupações agora de seguirmos o trilho oficial do Caminho, deixávamos o bairro limítrofe de Muxía,

26.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (69)

uma zona semiurbana, de agricultores e pescadores,

27.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (71)

e, por este trilho,

28.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (73)

fomos direitos à zona onde se localiza o Santuário de Nossa Senhora da Barca. Quase ao chegar ao cimo deste percurso,

29.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (74)

veja-se a alegria do nosso companheiro/peregrino Florens, fazendo-nos uma careta para a fotografia.

30.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (75)

Antes, porém, de nossos olhos se virarem para o Santuário, à nossa frente, no nosso caminho, eis este monólito – A Ferida – uma escultura de Alberto Bañuelos-Fourier, com mais de 11 metros de alturas, dividida em duas partes, simbolizando a rutura, o impacto que, em 2002, representou o náufrago do petroleiro Prestige, em termos ambientais, para a costa galega, considerado o maior desastre ambiental da história de Espanha. Através da sua fenda, podemos observar o mar. E os barcos, quando se aproximam da terra, podem ver esta obra, lembrando-lhes que não se esqueçam do impacto da maré negra e da enorme solidariedade em que se empenharam tantos voluntários, para que o mar voltasse a ter a cor que hoje, quando por aqui passamos tem e vemos.

31.-2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (75a)

Da Ferida, em frente ao mar, fomos até ao Santuário de Nossa Senhora da Barca.

32.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (74a)

No meio da Costa da Morte encontra-se Muxia, uma aldeia pesqueira por excelência com uma infinidade de histórias por trás ligadas ao mar, aos celtas e também à Santiago. Esta parte da atual Galiza, Espanha, apesar de tudo, foi resistente à conversão ao cristianismo e, só mais tarde convertida, no século XII.

 

A história mais primitiva de Muxia está ligada à existência de um conjunto de pedras situadas na Ponta de Barca ou também designada Ponta Xaviña.

 

Chegados ao Santuário, Florens quis ver as suas famosas pedras. Mas, chegados aqui, um pouco de História, que é o mesmo que dizer, falemos da(s) lenda(s) que anda(m) associada(s) a este lugar e a estas pedras. Se é bem certo que lenda não é História, isto é, não consta de factos comprovados, é, contudo,  através das lendas que, muitas vezes, ou quse sempre, a História se tece. História de um lugar e, com ela, a vida de muitas localidades e povos.

 

Contemos então a versão mais comum e conhecida da lenda ligada a este lugar.

 

No «Narradores del Misterio», podemos ler que em muitos lugares do mundo existiu um culto pagão ligado a algumas pedras assim como a elementos da natureza. Numerosas lendas atestam estas situações e a Costa da Morte, onde estamos, reúne uma série de lugares em relação aos quais se pode afirmar que, efetivamente, esses cultos se praticavam. O facto de estas paragens serem consideradas o fim do mundo (finis terrae), para os celtas e os romanos propiciava essas crenças. Um dos factos que nos mostra a força destas antigas divindades está no interesse que a Igreja Católica teve em cristianizar estes lugares, o que, tal circunstância, deu origem a santuários tão importantes como o Cristo de Fisterra, de que no post de ontem falávamos, ou a Virgem da Barca, de Muxía.

A cristianização da pedra que abanava (abalar, em galego) vem na sequência da dita aparição da Virgem ao Apóstolo (Santiago), numa barca de pedra, quando por estas paragens evangelizava. Depois da aparição da Virgem Maria, Santiago abandona a região norte na qual estava pregando e desloca-se em direção às cidades célticas do Centro e em seguida volta para Jerusalém acompanhado de seus dois discípulos mais próximos, Teodoro e Atanásio, dando por encerrada sua pregação na Península Ibérica, deixando, no entanto, plantada nestas terras distantes, a primeira semente que viria a florescer pelos séculos futuros. Quando a Virgem desaparece, a barca, em que vinha, ficou depositada neste lugar. A barca era constituída pela embarcação (Pedra de Abalar),

33.- Pedra de Abalar

(Fonte:- Leyendas y piedras en Muxía)

que Florens e Antón – pecadores insensíveis – estão pisando-a,

33a.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (75b)

a vela (Pedra de Cadrís)

34.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (76)

(Perspetiva I)

35.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (76a)

(Perspetiva II)

e o leme (Pedra do Timón)

36.- Pedra do Timón

(Fonte:- Leyendas y piedras en Muxía)

A pedra é um símbolo de invariabilidade, que a diferencia de outros elementos da natureza, os quais estão sujeitos a mudança. E relaciona-se com o facto transcendente, que lhe outorga uma certa «sacralização», passando, desta forma, a ser objeto de culto e adoração.

 

É pela forma, tamanho e origem que decorre a sua simbologia, particularmente nas pedras que se movem (abalan, em galego). A Pedra de Abalar move-se com a ajuda de uma pessoa. Todavia, há uma crença popular que que a Pedra de Abalar só se move quando quer, ou seja, quando se move, pressagia desgraça. Esta qualidade de pressagiar ou adivinhar é atribuída também a outras pedras.

 

Ainda segundo o «Narradores del Misterio», e chamando à colação Manuel Murguía, diz que a pedra foi usada na antiguidade como elemento probatório, nomeadamente de fidelidade conjugal, à semelhança de outras pedras celtas.

 

A Pedra de Abalar, que, apesar de tudo, não parou de balançar por muitas centenas de anos, em dezembro de 1978, por via de uma forte tempestade, que sofreu toda a costa da Galiza,  teve fortes danos, que afetou e a fez deslocar do seu lugar original, quebrando-a em parte. Foi depois reparada em várias ocasiões. A última vez foi em 06 de janeiro de 2014, dias depois de um grande incêndio no próprio Santuário da Virgem da Barca.

 

Por sua vez, a Pedra dos Cadrís tem uma forma de rins ou osso helíaco, conforme a perspetiva com que se vê. A ela são atribuídas propriedades curativas. Acredita-se que, se as pessoas passarem nove vezes por debaixo dela, doenças renais, costas e cabeça são curadas.

 

Perto destas três pedras, situa-se a Pedra ou Furna dos Namorados. É um lugar reconhecido, sem qualquer conexão de tipo religioso, onde os namorados juram o amor eterno.

37.- Pedra-dos-namorados1

(Fonte:- Leyendas y piedras en Muxía )

Falemos agora do Santuário da Virgem da Barca.

 

Segundo Ana Wanke – Turismo e Aventura,  estima-se que o Santuário da Nossa Senhora da Virgem da Barca, de Muxia, incrustada em um costão de pedras, era originalmente um santuário celta pré-cristão.

 

Estima-se que a origem do santuário data dos séculos XI ou XII, mas foi reconstruída várias vezes até chegar ao templo atual, que data do início do século XVIII. As torres foram construídas em meados do século XX.

 

O Santuário foi restaurado em 2012, porém no dia 25 de dezembro de 2013 um raio atingiu a construção.

Segundo o Jornal de Notícias, de 26 de dezembro de 2013, as chamas dentro da igreja começaram, na madrugada do dia de Natal, na sacristia e rapidamente alastraram pelas traves de madeira da nave central, deixando o edifício do século XII "totalmente destruído", contou o presidente da câmara de Muxía, Félix Porto, ao jornal "El Mundo".

 

Apesar dos esforços dos bombeiros de vários municípios vizinhos, pouco se conseguiu fazer para travar as chamas e evitar a destruição da igreja situada junto ao mar, naquela que é conhecida como a Costa da Morte.

 

Apesar dos estragos, a importância da igreja levou Junta da Galiza a anunciar que vai tentar reconstruir o histórico templo "custe o que custar", afirmou o presidente Alberto Núñez Feijoo, de visita ao monumento atingido pelas chamas.

 

Infelizmente, apesar de todo o esforço dos bombeiros, todo o seu interior foi queimado, inclusive o lindo retábulo barroco.

 

Após uma inspeção mais profunda ao templo incendiado, as primeiras indicações apontavam que não havia danos graves na cúpula e nas paredes. Foi rapidamente reconstruído, mantendo a aparência exterior anterior.

 

O santuário da Virgem de Barca é lugar de peregrinações desde o século XII e local de celebração de uma das romarias mais emblemáticas da Galiza.

 

Entrámos no seu interior.

38.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (84a)

Dá a ideia que está tudo como dantes, contudo, o original retábulo barroco desapareceu.

 

Estivemos ainda na sacristia, pergunto ao «cura» onde poderíamos obter a «Muxiana», uma vez que a Oficina de Turismo, no centro de Muxía, por ser Sexta-Feira Santa, se encontrar fechada. Não obtivemos resposta cabal, umas vez que ali no Santuário não a passarem.

 

Saímos deste local de peregrinação,

39.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (84b)

tirando uma foto ao Florens e ao Antón numa das paredes do Templo.

40.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (85)

Seguindo pela rua Manuel Lastres e rua Real, deixávamos, à nossa direita, a Igreja de Santa Maria.

41.-2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (86)

Não subimos ao Monte Corpiño, onde a mesma Igreja está implantada. Em 2008 já lá tínhamos estado e, do seu alto, admirado a formosa paisagem sobre o porto de Muxía, de um lado, e, de outro, a norte, a ria de Camariñas, com o  Cabo Vilán, no seu extremo, o parque eólico e, à direita,  o Monte Farelo.

 

Como tínhamos chegado relativamente cedo a Muxía – passava muito pouco do meio dia – entrámos num café junto à Oficina de Turismo. Reforçámos o nosso pequeno almoço, enquanto aguardávamos que Isa, mulher do Florens, e Marth, seu irmão mais novo, chegassem de Vila Real (Portugal). Isa havia-se prontificado a ir-nos buscar a Muxía.

 

E magicávamos como poderíamos obter a «Muxiana». Num assomo de lembrança, demo-nos conta que o albergue Bela Muxia se encontrava por estes lados. Tentámos a nossa sorte e fomos até lá. Identificámo-nos. Referimos ao rececionista que, em 2013, já ali tínhamos ficado alojados e perguntámos-lhe se nos podia passar três «Muxianas». Recalcitrante, dizendo-nos que tinha poucas e que as mesmas eram para os clientes do albergue – e que podiam não chegar. No final, lá acabou por nos passar as três «Muxianas», mediante a exibição dos Cartões de Cidadão e das três respetivas Credenciais.

 

Feliz, vimos ter com os nossos companheiro/peregrinos, explicando-lhes como as tinha obtido.

 

Tomado o reforço do pequeno almoço e com as «Muxianas» na mão, saímos do café para darmos uma volta ao porto, donde se pode avistar o Monte Corpiño,

42.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (90)

e ao centro de Muxía.

43.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (88)

Apresentamos apenas dois cenários que fomos captando.

44.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (89)

(Cenário I)

45.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (92)

(Cenário II)

Enquanto percorríamos o centro desta vila pesqueira, apercebemo-nos que hoje era a XXIII Festa do Congro de Muxía.

46.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (105)

Na zona do Mercado e da Lota,

47.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (104)

Serviam, sem qualquer pagamento, a todos os residentes e visitantes, congro à discrição.

 

Estávamos para entrar na «fila». Mas acabámos por desistir e dirigimo-nos para a zona noroeste da vila, local, onde calculávamos, que Isa aparecesse com Marth.

 

Por estas paragens, numa das pontas do porto e entrada da vila,

48.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (94)

por aqui andámos.

49.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (93)

E, porque se trata de uma zona abundante em restauração, muito simplesmente escolhemos o restaurante onde, naturalmente, iríamos comer, logo que chegassem Isa e Marth. Congro, pois então!

50.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (97)

Neste pequeno jardim, à beira-mar e perto do restaurante, chamou-nos a atenção este pequeno arbusto, vergado pelos ventos marítimos.

51.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (95)

E este monumento a Gonzalo Lopez Abente, poeta muxiano.

52.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (91)

Gonzalo L. Abente é considerado «o poeta do mar», das Irmandades da Fala. Em 1971, foi-lhe dedicado o Dia das Letras Gallegas, oito anos após a sua morte. No mesmo dia do Dia das Letras Gallegas, em 1971, foi este monumento inaugurado, em frente ao «seu» mar.

Não resistimos em deixar aqui um seu poema, exatamente com o nome

 

O MEU MAR

 

Unha nube de chumbo a tapar todo o ceu;

borraxeira e orballo que revoan no ar;

os inxentes penedos, xa tristeiros de seu,

espallando queixumes con dorido fungar;

os montes envolveitos na brétema sotil;

e as bocas desdentadas das furnas no cantil.

 

Escumas, ardentías,

atruxante balbor,

e, cal apocalípticas porfías

de cíclopes, vestiglos e xigantes

das vellas e varís mitoloxías,

os ecos trepidantes

do líquido elemento bruador.

¡O mar!

¡O meu mar!

¡O mar que eu vexo,

nestes días de inverno

gris, abalante,

inquedo, forte e rexo,

 

a cólera a roubar do fondo do averno

e a bater nas orelas, escumante

de rabia e de furore, nun épico loitar!

 

Este mar que derruba coas paredes das hortas,

desfaise contra os cons e sobe polos cabos;

que corre polas rúas ribeiranas e tortas

antre as casas homildes dos mariñeiros bravos

Este mar belicoso que a costa brava asedia,

que as ondas esnaquiza nunha branca fervenza

e en escumas de prata no cantil as destrenza...

é o gran creadore dunha eterna traxedia.

 

E, finalmente, Isa e Marth chegavam a Muxía!

 

Fomos, de imediato, para o restaurante, que estava «à pinha» e, apesar de uma pequena espera, lá nos serviram o tão afamado congro de Muxía.

 

Confessamos que não somos muito fã deste peixe, todavia, este soube-nos muito bem.

 

Antes de partirmos rumo a Portugal, fomos ainda dar uma voltinha à beira-mar – para ajudar a fazer a digestão.

 

Depois entretivemo-nos nestas escadas,

53.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (98)

em amena cavaqueira.

54.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (100)

A certa altura, isolámo-nos um pouco e, em jeito de despedida, ficámos a contemplar este mar e este lugar – da Costa da Morte.

55.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (99)

Eram horas de partir para chegarmos a Portugal, e a Vila Real, ainda de dia.

56.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (101)

Subindo estas escadas,

57.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (102)

dirigimo-nos para a viatura. E partimos…

 

Florens, Isa e Marth deixaram-nos – a nós e ao Antón – em Chaves, antes de se dirigirem para Vila Real.

 

Aqui fica a foto dos três caminheiros/peregrinos, na Casa dos pais do Antón.

58.- 2019.- 06.- CS (Epílogo) -Lires-Muxía (103)

Apresentamos o mapa da nossa etapa e respetivo perfil

59.-Percuros e perfil da 6ª etapa

(Fonte:- Eroski Consumer, adaptado)

Andámos, nesta etapa 15 Km 550 metros.

60.- Percuros 6ª etapa CS - Epílogo (2019)

Deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) o diaporama da etapa para visualização e mais um desenho de uma ponte, vista algures numa das etapas do Caminho.

 

CAMINHO DE SANTIAGO – EPÍLOGO – 6ª E ÚLTIMA ETAPA:- LIRES-MUXÍA

DESENHO DE UMA PONTE DO ANTÓN

61.- Desenho nº 2 do Antón

PS – Federico Garcia Lorca este na Galiza. Durante a sua estada, escreveu 6 poemas. Deixamos um bem impressivo, relacionado com a Virgem da Barca, bem assim a letra de uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola, cantada por Amancio Prada.

 

¡AY RUADA, RUADA, RUADA

¡Ay ruada, ruada, ruada

da Virxen pequena

e a súa barca!

 

A Virxen era pequena

e a súa coroa de prata.

Marelos os catro bois

que no seu carro a levaban.

 

Pombas de vidro traguían

a choiva pol-a montana.

Mortos e mortas de néboa

pol-as congostras chegaban.

 

¡Virxen, deixa a túa cariña

nos doces ollos das vacas

e leva sobr'o teu manto

as froles da amortallada!

 

Pol-a testa de Galicia

xa ven salaiando a i-alba.

A Virxen mira pr'o mar

dend'a porta da súa casa.

 

¡Ay ruada, ruada, ruada

da Virxen pequena

e a súa barca!

AMANCIO PRADA – NOSSA SENHORA DA BARCA (GARCIA LORCA)

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