Terça-feira, 22 de Maio de 2018

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda)

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

11.maio.2017

 

8ª etapa:- Castro de Dozón-Silleda

00.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (124)

 Não vamos fazer o relato circunstancial de todos os trajetos por onde passámos nesta etapa. Para o efeito, recomenda-se a consulta de dois sítio da internet:

 

Para este post verteremos simplesmente o que o nosso Bloco de Notas registou quando, no albergue de Silleda, escrevíamos sobre as partes que, para nós, foram mais significativas e de realce nesta etapa.

 

 

***

 

 

De noite choveu torrencialmente. Enquanto não entrámos em sono profundo, pensávamos que o dia a seguir iria correr mal com este tempo assim.

 

Levantámo-nos passava pouco das seis da manhã.

 

Feitas as abluções matinais, descemos para o refeitório do albergue para tomarmos o nosso pequeno-almoço. Na véspera, Florens e Zé tinham comprado no mini local os mantimentos para o nosso repasto matinal (manteiga, sumo de laranja, queijo, compotas e fruta – laranjas e maçãs), contando ainda com o pão de Cea.

 

Saímos do albergue. E chovia…

 

Passámos o Alto de Santo Domingo.

01.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (13)

Olhando à nossa direita, lá está a capelinha que leva o mesmo nome de Santo Domingo.

02.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (15)

Continuava a chover. E foi praticamente assim até ao final desta 8ª etapa.

 

Depois do Alto de Santo Domingo, em pouco tempo, acedemos à pequena aldeia de Puxallos, da paróquia de Santiago de Catasos (concello de Lalín). Como, dez anos volvidos, ainda nos lembrávamos deste cruzeiro

03.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (24)

e deste Santiago.

04.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (23)

Obviamente, tal como nós, mais velhos 10 anos!

 

Entrámos em pleno vale do Deza, com amplas vistas e campos verdejantes.

04a.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (17)

E aparece-nos o primeiro lindo bosque por onde passámos.

05.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (35)

Cruzámos a autopista AP-53, indo ao encontro da aldeia de Pontenoufe. Cruzámos uma ponte sobre o rio Asneiro, passámos por A Xesta, Medelos e Baxán, onde passa a linha do AVE (o comboio de alta velocidade espanhol). Subindo ao nível da linha, este lindo cruzeiro, perto da igreja de San Xoán, paróquia de Botos.

05a.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (39)

Aproximadamente 15 Km volvidos, aparecer-nos Doinsón. No Rincon de Deza parámos.

06.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (45)

Bebemos a «mixórdia» do café que nos serviram, acompanhado com queijo, presunto e embutidos locais. Como a fome, quando aperta, é negra, tudo nos serviu. Mas a «chafarica» não nos pareceu ser de grande limpeza. Paciência… Nestas andanças do Caminho não se espera tratamento VIP ou cinco estrelas. E o que há!

 

Pouco tempo depois de ali estarmos, aparece-nos um casal, ou seja, uma senhora e um cavalheiro, o tal que se tornou amigo do Rod. Confraternizámos. E tiramos umas tantas fotos.

07.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (55)

(Selando as Credenciais do Peregrino)

08.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (61)

(O Rod na sua «praia»)

Saímos do Rincon de Deza.

 

Logo à frente do Rincon de Deza, a Igreja do lugar, dedicada a Santa Eulália, em estilo barroco.

09.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (64)

Os campos, desta Galiza interior tão verde, não nos largavam!

10.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (66)

Continuava a chover.

 

A partir daqui, nosso Caminho penetrou por uma outra trilho muito bonito. Essencialmente constituído por bosque de carvalhos (Quercus robur).

11.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (72)

Aproximámo-nos de Laxe. Vimos o seu albergue, onde, há dez anos, pernoitei com uma grande «febrina». Os dois companheiros de altura foram inexcedíveis no carinho e trato que me dedicaram para poder continuar o Caminho. Outros tempos…

12.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (82)

 E o verde omnipresente…

13.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (90)

Até que chegámos a Taboada , passando pelas suas três pontes,

14.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (96)

 (Primeira ponte)

Foi um momento agradável, aquele que passámos entre as duas primeiras pontes, com uma vereda excecional, constituída por uma sinfonia dos pássaros, cantando à porfia no bosque de carvalhos e o murmurar da água no rio Deza,

15.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (99)

Até que nos aparece a segunda ponte, do caminho de ferro, vendo-se no meio de um arco, a primeira.

16.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (109)

Continuando neste bosque de fadas,

17.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (113)

alegres e felizes,

18.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (116)

mesmo caindo-nos água no «cerro», eis a passarela

19.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (120)

que  nos encaminhou até à terceira ponte – a medieval. E a um dos lugares mais icónicos da Via de la Plata, no seu trajeto galego.

 

A passagem pela ponte medieval mereceu um momento de pausa – para contemplar não só esta vetusta construção, e o local, bem estreito, onde foi construída bem assim o rio que, por debaixo dela passa – o Deza.

20.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (122)

Esta milenária ponte, “testemunho mudo da história”, une os municípios de Lalín e Silleda. Construída no ano  912, em abril do 2012, fez 1.100 anos de existência.

21.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (123)

 (Rio Deza – Pormenor I)

Esta ponte tem um só arco de meio ponto. Foi construída aproveitando a passagem estreita entre as rochas, como a imagem acima mostra.

22.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (129)

(Rio Deza – Pormenor II)

À sua saída,

23.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (130)

à esquerda, uma pedra com a seguinte inscrição:

Laboraverunt ista pontem era DCCCL fuit perfecta pridie kalendas aprilis” (Tradução livre:- Trabalharam esta ponte na era 950 e foi concluída a 31 de março). A  era 950 corresponde ao ano 912.

24.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (136)

Mais à frente, depois de passarmos um bocadinho pelo asfalto, voltámos, outra vez, a pisar mais uma bonita vereda.

24.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (138)

A paisagem, antes de entrarmos em Silleda, torna-se muito agradável: quer quanto ao trilho e seu entorno,

25.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (152)

(Pormenor I)

26.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (157)

(Pormenor II)

27.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (165)

(Pormenor III)

quer quanto ao seu casario.

28.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (162)

Chegados a Silleda, fomos, de imediato, comer. Estávamos encharcados. Qualquer coisa nos serviu. Desta vez foi uma tortilha, acompanhada de pão e cerveja. No final, um café («solo»). Numa pequena esplanada do Café/Bar Porta.

29.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (167)

Num recanto da esplanada, que, cremos, dava para um estabelecimento de ensino, estavam três jovens. Metemos conversa com eles, a propósito de apanhar rede wi-fi. Um dos rapazes deu-nos a senha. E, caso interessante, quando depois de comermos, viemos para o albergue e perguntámos ao albergueiro se no albergue havia wi-fi, este diz-nos que não! Obviamente, tal circunstância, encheu de gáudio o Florens e a nós de alguma tristeza. Contudo, depois de acomodados, de tomarmos banho e pormos as nossas roupas a lavar e a secar, em maquinaria parecida à do albergue de Viladerrei, deitados na cama a descansar um pouco, pegámos no telemóvel. Afinal havia rede! A mesma que utilizámos no Café/Bar Porta! E estava a uma certa distância.

 

Antes de irmos para o albergue, e esperarmos um pouco que o albergueiro chegasse, passando por esta linda pérgola,

30.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (172)

tirámos uma fotos à Igreja local, de Santa Olaia,

31.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (174)

bem assim ao cruzeiro que lhe está num seu recanto,

32.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (177)

Fixando-nos no pormenor da sua imagem.

33.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (179)

Olaia é o nome que, por sinal, leva também o albergue onde ficámos.

34.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (180)

Trata-se de um albergue com bastantes compartimentos, levando, cada um, entre três a cinco camaratas. Infelizmente pouca gente passa por aqui, disse-nos a albergueiro. Era um albergue que antes era pertença da Xunta da Galicia, mas, agora, é da paróquia de Santa Olaia. Tem 3 pisos: no primeiro, sala de estar, comer, cozinha e lavandaria; no segundo, dependências para a Catequese; no terceiro, compartimentos de camaratas para os peregrinos. O albergueiro foi muito atencioso connosco: arranjou-nos um compartimento só para nós os quatro e ensinou-nos como por as máquinas de lavar e secar roupa a funcionar.

 

Foi enquanto a roupa lavava e enxugava que pegámos no nosso Bloco de Notas para rabiscar as linhas que os(as) leitores(as) estão neste preciso momento a ler.

 

Roupa limpa, pronta e arrumada nas mochilas, saímos para irmos à farmácia, levantar dinheiro e, naturalmente, à procura de restaurante para comermos.

 

O nosso itinerário

35.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (181a) (1)

passou pela Casa da Cultura local.

36.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (181a) (3)

Estávamos nas proximidades do Dia das Letras Galegas. Um dia de celebração em torno da língua galega, que começou a celebrar-se no ano de 1963, coincidindo com a celebração do centenário da primeira edição dos Cantares Galegos de Rosalía de Castro (17 de maio). Este ano, no Dia das Letras Galegas, fala-se de Carlos Casares e a este autor se presta uma homenagem.

 

Comemos num restaurante juntamente com outros peregrinos, alojados noutros estabelecimentos.

37.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (181a) (5)

Boa companhia e confraternização, a que não faltou o contacto com os nossos familiares em Portugal.

 

E, do restaurante, fomos para albergue.

 

A etapa de amanhã não tem mais de 24 Km. Vamos ficar no Outeiro. Sábado, a última etapa, não tem mais de 17 Km. Agora, já bem rodados, e com o fim do Caminho à vista, os quilómetros a percorrer até nos pareciam verdadeiras passeatas!

 

Dizíamos no final dos apontamentos do nosso Bloco de Notas que, apesar de termos feito estas duas etapas últimas debaixo de chuva - e, às vezes, bastante – acompanhados de alguns troços menos interessantes pelo asfalto, valeu a pena o «sacrifício»: passámos por veredas de excecional beleza!

 

Neste ponto, tem razão o sítio do Vive el Camino quando nos diz que  entre os pontos favoráveis desta etapa, são os três bosques de carvalho (robles) que nos permitem admirar a beleza desta Galiza verde do interior. Qual o filho que diz mal de sua mãe?!

 

Apresentam-se os dados desta 8ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

38.- 8ª etapa 01

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

39.- 8ª etapa 02

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) do diaporama sobre esta

 

8ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (CASTRO DE DOZÓN-SILLEDA)


publicado por andanhos às 17:06
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