Sábado, 19 de Maio de 2018

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago:- 6ª etapa (Ourense-Oseira)

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

09.maio.2017

 

6ª etapa:- Ourense-Oseira

 

45.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (405A)

 Saímos muito cedo do albergue de São Francisco. Começava o sol a raiar.

01.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (4)

 (Edifício do Auditório de Ourense)

No primeiro café que encontrámos aberto, tomámos o pequeno-almoço. Ainda não havia pão.

 

Fomos direitos à praça Concepción Arenal e dirigimo-nos para a ponte medieval ou Ponte Vella.

02.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (10)

Da Ponte Vella, olhando à esquerda, aparece-nos, com toda a sua beleza arquitetónica, a Ponte do Milenium.

03.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (9)

Já da outra margem do rio Minho, caminhámos pela avenida de As Caldas, até encontrarmos um cruzamento com um marco em pedra, de Nicanor Carballo.

04.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (20)

Aqui tivemos de tomar uma decisão importante: ou virávamos para a avenida de Santiago, seguindo depois o Caminho Real, ou então, seguindo em frente, optávamos pela alternativa de Quintela. Aos nossos companheiros de Caminho era-lhes indiferente qualquer alternativa. Como já no passado ano de 2007, quando fizemos o Caminho, fomos pelo Caminho Real, sugeri Quintela. E fomos em frente, passando pela Estação de caminhos-de-ferro de Ourense.

05.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (24)

A partir de Cachaxuas, lá tivemos de enfrentar aquela pronunciada subida da costa de Canedo, entre Requeixo e Castro de Beiro e até Amoeiro, depois de passarmos debaixo de um velho viaduto (ponte),

06.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (36)

enquanto observávamos o novo, e bem mais comprido.

07.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (33)

Todo o percurso em asfalto.

08.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (41)

No ar havia fumo intenso e, por cima das nossas cabeças, periodicamente, passavam helicópteros. Algures, próximo, havia incêndio florestal.

09.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (39)

O Caminho Real sabemos que não é pêra fácil. Mas este pedaço de Caminho em nada lhe fica atrás. Nas paragens que íamos fazendo para descansar, houve momentos em que nos arrependemos de tomar esta opção. Contudo, como diz o ditado, “não há mal que sempre dure…”. Com a língua de fora cegámos ao alto da estrada.

 

No final da sua via crucis, eis o nosso Zé, um dos mais frescos, em posição de crucificado.

10.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (61)

A partir daqui, o Caminho, com as suas diferentes veredas, encantou-nos, ao ponto de, enquanto por elas caminhávamos, pensarmos que tinha valido a pena o esforço.

 

Na passagem por Liñares, uma pausa na «Pausa do Peregrino», do amigo César, amante de Portugal e dos portugueses, dizia-nos. No seu humilde bar, em destaque, um placar com estes dizeres:  “non se prohibe falar galego”.

 

É um lugar todo ele recheado de recordações, lembranças e ofertas dos peregrinos que por aqui passam.

11.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (80)

Não bebemos qualquer espécie de bebida alcoólico, apesar de alguns ditos apostos naquele exíguo espaço, como este:

o vinho branco

é meu primo

e o tinto meu parente

non hay millor cousa

que beber

com boa gente”.

 

Limitámo-nos a beber simplesmente café com leite, preparado à «maneira» do ti César…

12.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (91)

Aqui se juntou a nós um amigo, cremos ser natural da Bretanha ou da Provença (?), com quem o jovem Rod  fez amizade.

13.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (102)

Antes de sairmos daquela típico barzinho, um outro dito nos chamou a atenção. Citemo-lo:

A vida é curta

a morte é eterna

hay que morrer

na taberna”.

 

Por estes ditos podemos ver o teor do bar do nosso anfitrião neste bar do nosso Caminho.

 

Feitas as despedidas, com a fotografia da praxe com o ti César,

14.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (96)

Partimos,

15.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (103)

caminhando por uma vereda/avenida lindíssima de carvalhos (robles)

16.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (116)

em direção a Mandrás, onde nos chamou a atenção a sua ponte medieval

17.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (135)

 e a sua fonte, com a cantarinha no cimo.

18.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (142)

À saída desta aldeia, do BNG (Bloco Nacionalista Galego) este «memorial» a Xosé Manuel Quintela González (1957-2007).

19.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (148)

Ultrapassadas as aldeias de Pulledo e Casas Novas, chegámos a Anllo, passando por este, entre outros recantos,

20.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (174)

onde a variante do Caminho Real se encontra com a nossa.

 

Aqui parámos para tomar uma cerveja e comer frutos secos.

 

San Cristovo de Cea estava já muito perto. E esperava-nos.

21.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (191)

Quando, em 2007, fizemos este Caminho ficámos em Cea.

22.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (207)

Chegados a Cea, o que desejávamos era comer. E, no único restaurante do lugar, almoçámos.

23.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (203)

No largo do Relógio (Praça Maior) parámos um bocadinho.

24.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (212)

Havia que, nas proximidades, numa caixa automática, levantar dinheiro.

 

Ao sairmos de Cea em direção a Oseira,– uns bons 8,5 Km ainda –, pela rua Lodairo, não faltou a fotografia tirada à escultura dedicada às padeiras e aos padeiros de Cea, inaugurada na XII Festa da exaltação do pão de Cea, a 6 de julho de 2003, e muito afamado principalmente na galega província de Ourense.

25.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (226)

Não nos arrependemos optar pela variante de Oseira, em vez de irmos pela de Piñor.

26.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (235)

Por esta variante encontrámos veredas muito lindas, não deixando de as captar com a nossa pequena objetiva.

27.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (241)

28.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (260)

(Perspetiva II)

29.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (267)

(Perspetiva III)

Zé, um neófito nestas coisas dos Caminhos de Santiago, feliz pelo que percorria e via!

30.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (266)

Ultrapassado a linda vereda com o seu bosque, entrámos em Silvaboa e passámos por Pieles.

31.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (277)

Entre Silvaboa e Pieles, à borda da estrada, fizemos uma pequena pausa para comermos fruta.

33.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (299)

Florens e Rod andavam felizes.

34.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (324)

Faltava já pouco para chegarmos a Oseira. Era só passar por A Ventela, com a sua igreja matriz à vista da estrada,

34.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (324)

e poucas centenas de metros mais à frente, depois de passarmos por esta fonte,

35.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (330)

com o escudo de Ourense e da Ordem de Cister, entrávamos em Oseira. O «Monasterio de Santa María la Real de Oseira» apresentava-se-nos com toda a sua opulência de oito séculos de história.

36.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (336)

Foram momentos de alegria, espanto e alívio, aqueles que vivemos, junto a esta pequena queda de água do rio Oseira, antes de nos dirigirmos para o albergue, sito numa das dependência do mosteiro.

37.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (342)

Mas confessemos: chegámos, uma vez mais, tal como ontem, todos rotos. Foram 12 longas horas pelo Caminho, embora só 7 horas e 46 minutos a andar.

 

Já conhecíamos Oseira e o seu célebre mosteiro. Inclusive até já aqui nos deslocámos e ficamos na sua Pousada três dias para o conhecer melhor - mosteiro e igreja - e todo o seu entorno, usufruindo da sua paisagem e do seu silêncio. Naquela altura, ainda não havia albergue. Este, foi recentemente aberto.

38.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (358)

É um albergue humilde, aliás como o de Samos, no Caminho Francês, e o de Sobrado dos Monxes, no Caminho do Norte. Mas deu para pernoitar. O termos feito esta variante e os nosso companheiros peregrinos conhecerem este  mosteiro valeu bem o sacrifício!

 

Ficámos 8 no albergue: dois casais, que, segundo nos pareceu, apenas fizeram meia dúzia de quilómetros e, depois, andaram de táxi, e nós os quatro «mosqueteiros».

 

Depois de acomodados, tomado banho e descansarmos um pouco, fomos dar uma volta pelo pequeno lugar. Não entrámos dentro do mosteiro: só com visitas e nós já estávamos já fora das horas de visita. Apenas vimos muito de relance o interior da sua igreja.

 

O mosteiro foi fundado em 1137 pela Ordem de São Bento. Para além do incêndio que o assolou no século XVI, após a desamortização, com o Liberalismo, este enorme complexo, considerado o Escorial galego, sofreu uma enorme devassa e entrou em ruínas. Dada a sua antiguidade, teve, por isso, períodos de luzes e sombras. Nele se podem encontrar vários estilos arquitetónicos, idealizados por reis e abades, com obras executadas pelos artistas mais virtuosos da época.

Dentro dos seus muros escondem-se verdadeiros tesouros.

 

A reabilitação que foi feita, para além de muitos contributos e vontade, deve-se também à circunstancia de, a partir de 1930, os monges voltarem a habitá-lo.

 

Séculos atrás, foi lugar de passagem dos peregrinos para Santiago de Compostela. E os seus monges, para além de cuidarem da alma, ajudavam a curar os pé dos caminhantes, com diversos unguentos ou emplastros, elaborados na «botica» (farmácia) monástica.

 

Mostremos alguns aspetos mais significativos e importantes do exterior, com os seus estilos arquitetónicos, quer do mosteiro, quer da sua igreja.

39.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (391)

(Entrada)

40.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (364)

(Fachada principal do mosteiro)

41.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (369)

(Fachada Principal da Igreja)

42.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (374)

(Entrada para o mosteiro com o escudo da Ordem de Cister)

43.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (383)

 (Pormenor da Fachada da igreja com o escudo da Coroa Espanhola)

Tiradas as fotos da praxe a este belo património, fomos ter a um modesto café/bar «Venezuela», onde jantámos.

44.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (397)

Logo após o jantar, fomos para o albergue.

 

Em 2012, quando fazíamos a reportagem deste Caminho, levado a cabo já em 2007, quanto ao «Monasterio de Santa María la Real de Oseira», fizemos um Destaque, com 2 posts. A exemplo do que aconteceu com o «Destaque» quanto a Ourense, referido na última etapa, entre Allariz e Ourense, temos imensa pena que algumas fotografias  tenham desaparecido dos posts!  Os assuntos abordados foram os seguintes:

 

Se o leitor(a) quiser ter uma informação mais detalhada sobre a variante que vai de Cea até Oseira, aconselha-se a leitura do sítio do Vivecamino, etapa Cea-Castro de Dozón. https://vivecamino.com/etapas/cea-castro-de-dozon/ , particularmente no que se refere ao Mosteiro de Santa Maria de Oseira.

 

Apresentam-se os dados desta 6ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

46.- 6ª etapa 01 (1)

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

47.- 6ª etapa 01 (2)

 

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) do diaporama sobre esta

 

6ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (OURENSE-OSEIRA)

 

 

00.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (188)


publicado por andanhos às 11:19
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