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Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz)

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

07.maio.2017

 

4ª etapa:- Xinzo de Limia - Allariz

00.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (311)

Tomámos o pequeno-almoço no hotel de Xinzo.

 

Saímos do hotel e percorremos quase, de uma ponta à outra, a vila.

01.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (2)

Foi quase um quilómetro para sair de Xinzo.

 

Andámos, durante quatro quilómetros, em asfalto, para chegarmos a Vilariño das Poldras, já no concello de Sandiás.

 

Este território, em que acabávamos de entrar, é constituído por uma extensa zona de concentração parcelária, constituída por terrenos daquilo que outrora foi a Lagoa de Antela. É um território com casas senhoriais (paços), torres antigas e castelos, que se vislumbram no horizonte, conforme passamos. O percurso de ontem e de hoje é todo ele feito, na sua maior parte, em planura. Na maior planura de toda a Galiza, a par da Terra Chá lucense. E também de antigas calçadas.

 

Em Vilariño das Poldras subimos até ao cimo da aldeia e fizemos uma pequena pausa para descansarmos e fazermos o reforço do nosso pequeno-almoço, junto de um forno do povo ou comunitário.

02.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (58)

Sempre a subir agora, chegávamos a Conso de Limia. Aqui, num café, tomámos meia de leite cada um dos três, uma vez que o reforço do pequeno-almoço tinha sido a seco. A senhora do café, simpática, ofereceu, a cada um, uma «bica», um pequeno bolo com massa muito parecida com o nosso pão-de-ló. Aliás, tal como se usa em Laza, por ocasião do seu Entroido.

 

Seguindo o Caminho, fomos até Sandiás, sede do concello.

 

Por Sandiás cruzava-se a Via Nova romana ou Via XVIII, que comunicava Chaves com Lugo, passando por Ourense. Aqui, em Sandiás, estava localizada uma «mansion» romana – a Geminis da Via Nova.

 

As planícies que rodeiam este território foram palco de importantes lutas entre os nobres e os «irmandiños». E também território disputado por Portugal, que o invadiu várias vezes.

 

Aqui passámos pelo albergue, pela casa do concello, observando o seu pequeno centro urbano.

03.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (95)

Descemos agora. Virando à direita, fomos ver a Igreja Matriz, dedicada a Santo Estêvão, com nítidas influências portuguesas (século XVI).

04.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (122)

Não deixámos de dar uma vista de olho à sua Reitoral

05.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (132)

e ao seu cruzeiro.

06.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (114)

(Pormenor)

Ao longe, mas não muito, a Torre, roqueira, do castelo de Sandiás, onde segundo diz o Vivecamino, se pode ver toda a Lagoa de Antela, a maior de Espanha, com 6x7 Km, com um sapal.

 

07.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (151)

Estávamos para ir lá. Acabámos por não ir. Ainda havia Caminho para andar e o sol já começava a apertar. Ficou para um passeio, noutra ocasião.

 

Pelo asfalto, com o sol apertando, chegávamos a Novaiño, passando pelo Restaurante que leva o mesmo nome.

 

Não demorou muito tempo a chegarmos a Piñeira de Arcos.

 

Aqui fizemos uma paragem para beber água, refrescando-nos. Até porque o que víamos merecia verdadeiramente uma pausa. Não só a sua igreja, com o cemitério e todas as suas construções anexas,

08.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (196)

 principalmente o panorama do entorno que aqui observávamos, tendo sempre a permanente presença da torre roqueira do concello.

09.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (201)

Eram horas para ir à missa.

 

A partir desta localidade deixávamos o concello de Sandiás, embrenhando-nos na zona mais rural e de bosque do concello de Allariz,

10.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (279)

passando pelos limites de Corras del Coedo, Outeiro de Torneiros, Paradiñas, Torneiros e Pegas do Cotorro. Após a passagem por uma vasta zona, com os seus interessantes bosques de carvalho,

11.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (218)

 chegámos a San Salvador de Penedos (e como o nome lhe fica tão bem!).

12.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (298)

Fizemos aqui, nesta aldeia, mais uma pausa. Por dois motivos: o primeiro, porque necessitávamos de nos hidratar, (e estávamos sem água), o que, para o efeito, tivemos de pedir a uma habitante, dos poucos que vimos, que nos desse água da sua torneira de casa;

13.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (312)

 o segundo, porque o seu núcleo habitacional, com o seu casario de pedra, merecia a pena perdermos uns bons minutos para o observarmos. Até a sua singela capela

14.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (317)

e recinto…

15.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (319)

A partir daqui, e até à localidade de Paicordeiro, já nas «barbas» de Allariz, foi um deslumbramento para a vista e um extraordinário prazer caminhar por esta antiga, extraordinária e bela vereda,

16.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (341)

 entre penedias e um espetacular bosque de carvalhos,

17.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (369)

a quem não faltou os sinais antigos das rodeiras dos carros de bois,

18.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (360)

tendo ainda, no seu percurso, um lugar afamado e de tradição – a Fonte do Santo.

19.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (349)

Rod subiu até à nascente.

21.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (357)

Ultrapassado o lugar de Paicordeiro, em poucos minutos, estávamos em Allariz, uma vila galega e das mais belas e conservadas.

 

Diz-nos o blog Toprural  e  a Wikipédia que Allariz fica a 20 Km de Ourense. Tem 6 000 habitantes e é portadora de uma beleza arquitetónica e um encanto, que delicia a todos que por aqui passem.

 

Foi vila medieval e residência de reis, como Alfonso X, o Sábio. Depois de muitos séculos de grandeza, foi perdendo o seu prestígio, particularmente ao longo do século XX, com o declínio das grandes indústrias: primeiro, a do linho; mais tarde, a do couro.

 

Nos finais da década de 70 do século passado, os seus autarcas levaram a cabo um plano de desenvolvimento que converteu esta terra num «idílico» destino turístico.

 

Allariz foi distinguida com dois prémios: Conjunto histórico Artístico, em 1971 e Prémio Europeu de Urbanismo, em 1944. O seu território concelhio está incluído na Reserva da Biosfera.

 

Entretanto o telefone tocava. Tínhamos visitas, esperando-nos em Allariz. E não foi só o prazer da sua presença que nos alegrou. Trouxeram algo que, um bom flaviense, em certas ocasiões, não dispensa de comer, particularmente para quem vinha esfomeado – os nossos pastéis de Chaves.

 

As «madames»

21a.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (402)

convidaram-nos para comer num restaurante, na Praça Maior de Allariz. Enquanto apreciávamos a comida galega, púnhamos-lhes em dia as nossas peripécias das etapas do nosso Caminho.

 

Como diz o ditado, “merenda feita, companhia desfeita”. As nossas visitantes foram para as lojas do «outlet» de Allariz e nós, uma vez que não há albergue de peregrinos em Allariz, pois o único que havia, mesmo ao lado, ou nas dependências do Real Convento de Santa Clara, fechou, fomos ter à Torre Lombarda, o nosso poiso previamente marcado para ficarmos hoje e pernoitarmos e onde, descansando um pouco, esperávamos a vinda do nosso companheiro peregrino que, aqui, se iria juntar a nós e, juntos, caminharmos até Santiago de Compostela – o Zé.

 

O Zé chegou a meio da tarde. Recebemo-lo condignamente numa casa de turismo rural das mais bonitas de Allariz que, em tempos, esteve ligada à indústria de curtumes.

21b.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (414)

Pusemos a escrita em dia e depois fomos à descoberta de Allariz.

 

Nós já somos mais que repetentes, em visita, a esta pequena e linda cidade galega. Nossos companheiros peregrinos nada, ou quse nada, conheciam desta terra. Mas também não era em meia tarde que se conhece, a fundo, Allariz

 

Comigo como cicerone, fomos vagueando com os nossos «compagnons de route», mostrando-lhes o que nos pareceu o essencial, mais significativo e mais importante de Allariz.

 

Aqui fica, pois, os elementos do património natural e construído que nos pareceu mais sugestivo mostrar.

 

Agora, com o Zé como companheiro,

21c-.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (464)

dirigimo-nos ao Campo de la Berreira. Aqui se situam quatro elementos arquitetónicos de grande interesse artístico: o Real Mosteiro de Santa Clara,

22.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (397)

fundado em 1268 pela mulher de Alfonso X, o Sábio; a fonte circular

23.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (387)

 de Ferro Caaveiro, de 1783; a Igreja de São Bento (Benito ou Bieito),

25.- CPIS - 4ª etapa 24.- (Xinzo de Limia-Allariz) (470)

de estilo barroco, e os dois cruzeiros que se encontram à entrada da fachada principal da supra Igreja de São Bento.

26.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (398)

(Pormenor de uma face de um deles)

Se o leitor quiser mais completa informação, descendo a pormenores sobre este património, bem como outro, de Allariz, aconselha-se que se consulte a publicação do Concello de Allariz, que dá pelo nome «Cultura e Tradición no tempo».

 

Continuando o nosso passeio urbano, fomos ter a uma outra igreja, de raiz românica, do 1º terço do século XII, modificada em 1581 – a Igreja Paroquial de Santo Estêvão.

27.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (469)

Diz a página do concello acima citada que a obra da Igreja de Santo Estêvão está feita em silhares vinda do Campo de los Blancos, “com os quais se inicia uma correlação entre a reconstrução das igrejas românicas de Allariz e a destruição das suas fortificações”.

 

Descendo para a rua do Cárcel, encontramos a Igreja de Santiago, situada na Praça Maior. Esta igreja iniciou-se em 1119. E, dizem as nossas fontes de informação consultadas, é um exemplar fundamental do românico popular galego.

28.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (465)

Da Praça Maior, descemos para as margens do rio Arnoia, pelo meio do seu antigo e histórico casario,

29.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (448)

antes de atravessarmos a velha ponte romana – a Ponte de Vilanova.

30.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (438)

À entrada da ponte, mais uma igreja, das seis existentes em Allariz – a Igreja de Vilanova.

31.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (445)

Atravessada a ponte, iniciámos um pequeno passeio ribeirinho, ao longo do Arnoia.

 

No final deste passeio pelo parque fluvial, Florens e Zé detiveram-se a olhar para este cruzeiro.

32.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (472)

Em Allariz não faltam cruzeiros. Foi entre 1575 e 1580, por ocasião da peste bubónica, que mais cruzeiros se construíram, principalmente nas proximidades e à frente das igrejas.

 

Atravessámos a estrada e, mais uma vez, fomos para as margens do Arnoia, indo ter até uma antiga fábrica de curtumes, hoje transformada em restaurante e museu dos curtumes, num espetacular enquadramento com o rio, transformando-se este espaço no Parque Etnográfico do Rio Arnoia.

33.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (421)

Estava feito o nosso périplo. Voltámos para trás. Atravessámos a ponte de Allariz por onde se efetua o seu trânsito rodoviário e, antes de irmos para a Torre Lombarda, o nosso alojamento, passámos pelo edifício do Mercado, e, como não podia deixar de ser, não dispensámos uma visita ao conjunto escultórico que representa a maior festa de Allariz – a Festa do Boi – na praça do Eiró, e que todos os anos, por ocasião do Corpo de Deus, aqui se celebra durante 10 dias.

34.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (477)

Porque estando muito perto, ainda fomos dar uma espreitadela à Igreja de São Pedro, também de raiz românica.

 

Deixamos à consideração do leitor(a) um sitio da internet que nos relata a Festa do Boi e as suas origens.

 

Para aqueles que queiram conhecer um pouco mais Allariz e a sua história, recomenda-se o sítio da internet que nos elucida sobre a História de Allariz.

 

E na praça do Eiró, com o conjunto escultórico da Festa do Boi, terminámos o nosso passeio de fim de tarde por Allariz.

 

Muito mais havia que ver, como o Museu de Arte Sacra, sito no Real Mosteiro de Santa Clara, com as duas mais famosas peças – a Virgem Abrideira e a Cruz de Cristal de Roca; o Museu Galego do Brinquedo (Juguete); a Casa Museu Fundação Vicente Risco; parte das suas antigas muralhas; os bairros judeu e de Socastelo; o Museu Iconográfico Aser Seara; Castro Torre de Castro Oxea; a Paneira, mesmo ao lado do edifício do concello, na Praça Maior e, naturalmente, o Penedo da Vella e o Castelo (ou simplesmente o sítio onde ficava), onde se tem uma bel vista sobre Allariz.

 

Finalmente, quanto a lendas que por aqui correm, há a do homem-lobo Manuel Blanco Romasanta  e as «andanças» do Gigante Monchiño de Corvillón.

 

Aconselho vivamente a quem se interesse por Allariz que leia Allariz 25 Miradas.

 

Apresentam-se os dados desta 4ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

35.- 4ª etapa 01

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

36.- 4ª etapa 02

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) do diaporama sobre esta

 

4ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (XINZO DE LIMIA-ALLARIZ)

 

 

37.- - CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (179)

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