Memórias de um andarilho - Caminhadas nas vias férreas portuguesas abandonadas - linha do Sabor - 6ª etapa - Mogadouro-Sanhoane
MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO
CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS
LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR
6ª ETAPA:- MOGADOURO-SANHOANE
(30.abril.2012)

(Estação de Variz)
Como já demos conta, estamos a seguir esta Linha do Sabor no sentido ascendente, do Pocinho para Duas Igrejas. Embora esta etapa - de apenas 9 Km -, apareça como a 6ª, na verdade, em termos reais, ela foia a 4ª, depois de termos efetuado Pocinho-Torre de Moncorvo; Torre de Moncorvo- Freixo de Espada à Cinta e Freixo de Espada à Cinta-Lagoaça, feitas, respetivamente, de 2 a 4 de abril de 2012. As etapas Bruçó-Lagoaça e Mogadouro-Bruçó, feitas respetivamente a 28 e 27 de junho, no sentido descendente, mas que aparecem nas reportagens feitas em sentido ascendente, ou seja, Lagoaça-Bruçó e Bruçó-Mogadouro, pelas razões expostas nas respetivas reportagens neste blogue, embora aparecem como 4ª e 5ª, porque feitas posteriormente, deveriam aparecer com 5ª e 6ª, respetivamente.
Não acontece assim, porquanto – e como já explicámos – estamos a seguir a lógica da Linha percorrida em sentido ascendente, tal como a iniciámos.
Como também já demos conta, estas últimas três etapas, que percorremos de Mogadouro até Duas Igrejas, foram realizadas sozinho e com o apoio logístico de nosso filho que, nesta altura estava em serviço na Barragem de Picote e alojado em Miranda do Douro.
***
Foi uma caminhada feita em pleno Planalto mirandês na qual não nos cruzámos com viv’alma de gente. Apenas a primavera em plena força.
Num silêncio profundo apenas quebrado pelos sons dos animais – principalmente aves – percorrendo os céus e embrenhando-se nas árvores e arvoredos.
Uma caminhada convidando à paz e tranquilidade de espírito. E a reflexão. Sobre a Natureza. Sobre o Homem. Sobre o que o homem faz na Natureza. Sobre o pouco respeito que temos pelo legado dos nossos antepassados. Pelo suor que tiveram de verter para que o dito Progresso aqui também chegasse, pago a peso de ouro pelos – sempre os mesmos – coitados. Os quais, a páginas tantas, em desespero de causa, outro remédio não tiveram senão que abandonar as poucas e parcas leiras que trabalhavam. Saíram do «berço» onde nasceram, procurando uma vida melhor noutras paragens por esse Mundo fora, principalmente dessa Europa dita rica, e que, invariavelmente, todos os anos aqui regressam para matar saudades da terra que deixaram e dos seus entes queridos – pouco e já idosos – que ainda aqui resistem em viver.
Pobre país este!
Cada quilómetro percorrido era como uma espécie de fita de cinema que, no nosso íntimo, íamos observando ao longo dos diferentes cenários por onde passávamos, depois de deixarmos a Estação de Mogadouro para trás

e, à medida que dela nos afastávamos, a observávamos de longe.

Em pouco tempo, e compenetrado nas nossas cogitações, só interrompidas por um ou outro obstáculo,

passávamos pela estação de Variz.
Deixamos aqui quatro perspetivas desta bonita, embora singela, Estação,

(Perspetiva I)

(Perspetiva II)

(Perspetiva III)

(Perspetiva IV)
e mais dois pormenores da mesma, nos quais, aqui, é o bonito azulejo que sobressai.

(Pormenor I)

(Pormenor II)
Fizemos uma pequena paragem técnica em Variz para nos hidratarmos, comermos frutos secos e ver a sua Igreja.

E continuámos: ora observando os diferentes cenários do planalto,

(Cenário I)

(Cenário II)

(Cenário III)

(Cenário IV)

(Cenário V)

(Cenário VI)
ora o trilho percorrido do canal da Linha.

(Trilho I)

(Trilho II)

(Trilho III)

(Trilho IV)
O tempo das giestas floridas, por estas paragens, e nesta altura, já tinha passado.
No meio do silêncio do planalto, chegávamos a Sanhoane.

Combinámos com o Tópê, nosso filho, que nos encontraríamos nesta paragem de autocarros.

Enquanto Tópê não chegava, demos uma pequena volta à aldeia. Nela se destaca a sua Igreja Matriz.

Observámos o seu velho e casario tipicamente transmontano,

(Perspetiva I)

(Perspetiva II)
despedindo-nos deste quadro rural, enquanto íamos para a «Paragem» ao encontro de nosso filho.

Foi, positivamente, uma caminhada suave, em pleno planalto, sentindo-nos do topo do mundo, e em completa reflexão sobre nós, a Natureza e a condição Humana.
Apresentamos o diaporama desta etapa realizado em março de 2013.
LINHA DO SABOR – 6ª ETAPA:- MOGADOURO-SANHOANE


