Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

andanhos

06
Jun20

Memórias de um andarilho - Caminhada nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor -Destaque II - Património de Miranda do Douro

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

  

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR 

DESTAQUE  II– PATRIMÓNIO DE MIRANDA DO DOURO

 

O mirandês é o caso flagrante para não dizer espectacular

- e se o dissesse não mentiria -

em que um idioma conseguiu sobreviver quase no fim do prazo da sua aceitação.

Ora isso deveu-se, por muito que custe a muito boa gente,

não só ao direito consuetudinário do povo mirandês,

mas sobretudo a um homem teimoso,

sacerdote não só da Igreja Católica como da própria Cultura Mirandesa,

que passou a maior parte da sua vida a entrincheirar elementos

e argumentos para garantir o raio dessa sobrevivência.

E aguentou-se no barco até ao desespero.” 

 

José Viale Moutinho

57.- Pauliteiros de Miranda 01

Antes de penetrarmos no cerne ou Centro Histórico desta cidade, fiquemos com uma panorâmica aérea da urbe e seus arredores.

MIRANDA DO DOURO, "CIDADE MUSEU" DE TRÁS-OS-MONTES!

Penetremos agora no interior desta cidade, descobrindo os seus tesouros. Para o efeito, servimo-nos de três «guias» ou cicerones digitais:

Acessoriamente, utilizámos:

***

Com vestígios de presença humana desde remotos tempos, Miranda tem fortes raízes Celtas e foi mesmo ocupada pelos Romanos.

 

A vila de Miranda surge mais claramente com o Rei D. Dinis, alcandorada sobre as arribas do Douro e era banhado pelos rios Douro e Fresno.

 

Com uma origem eminentemente medieval, Miranda do Douro cresceu orgulhosa da sua categoria de fronteira multicultural.

 

É aquando do Tratado de Alcanices – celebrado entre D. Dinis, rei de Portugal, e Fernando IV, de León y Castilla, que esta foi elevada à categoria de vila e aumentando-lhe os seus privilégios. Um dos privilégios deste foral era Miranda nunca sair da coroa.

 

Com uma posição estratégica importante, fronteiriça com Espanha, foi uma importante localidade na Idade Média.

 

A partir desta altura, Miranda torna-se progressivamente na mais importante das vilas cercadas de Trás-os-Montes.

 

Esta cidade, sede do concelho, está situada num espigão que domina a pique a margem direita do rio Douro, no troço internacional que separa a província portuguesa de Trás-os-Montes da província espanhola de Castilla y León, no conhecido Parque Natural do Douro Internacional.

 

É considerada a “Cidade Museu” de Trás-os-Montes, mantando a sua traça medieval e renascentista.

 

A atribuição do título de cidade a Miranda remonta a 1545, no reinado de D. João III, altura em que se tornou também sede episcopal. A antiga , também designada Concatedral é, naturalmente, o ex libris da cidade.

09.- 2012 - Miranda do Douro 136

Destacando-se num dos extremos do Centro Histórico da cidade, a vista da é irresistível, com as suas feições severas, plasmadas na fachada granítica, concluído na última década do século XVI.

10.- 2012 - Miranda do Douro 138

A Concatedral de Miranda do Douro, antiga de Miranda do Douro, é um templo católico cuja construção teve início em 1552, inserindo-se na tipologia de sés mandadas construir por D. João III, com uma fachada harmónica, em que um corpo central é ladeado por duas poderosas torres, e um interior em três naves abobadadas à maneira gótica, com cruzaria de ogivas de nervuras visíveis. O templo foi concluído na última década do século XVI. O projeto foi feito por Gonçalo de Torralva e de Miguel de Arruda.

10a.- 2012 - Miranda do Douro 216

(Perspetiva I)

10b.- 2012 - Miranda do Douro 221

(Perspetiva II)

10c.- 2012 - Miranda do Douro 217

(Pormenor de uma das torres)

Em 1566 o bispo D. António Pinheiro consagrou o altar-mor e em 1609, D. Diogo de Sousa informa o Papa que a construção fora concluída.

 

Foi  classificação como Monumento Nacional pelo Decreto de 16-06-1910, Diário do Governo n.º 136, de 23-06-1910.

 

Entremos e observemos no  interior da Catedral, que nos guarda algumas surpresas.

Conforme vimos acima, na antiga ou Catedral, pode apreciar-se o retábulo da capela-mor com esculturas em madeira,  de alto relevo, considerado pela Revista «Varia de Arte» e por alguns historiadores da Arte como um dos melhores conjuntos de escultura policromada de toda a Península Ibérica.

12.-Retábulo

E não esquecer a “loja maçónica” demarcada na área do cadeiral do cabido por ladrilhos negros e brancos.

15.- Cadeiral

O órgão, com a sua «carranca».

16.- 1Órgão - Carranca

És mais feio do que a carranca da Sé”, diz-se por estas paragens.

 

Mas a sua maior atenção irá, certamente, para o curioso Menino Jesus da Cartolinha, Menino Jesus do Chapéu Alto, ou ainda, o Nino Jasus de la Cartolica, peça única da iconografia cristã. Trata-se de uma verdadeira preciosidade, esta imagem única no mundo cristão.

17.- Menino Jesus da Cartolinha

A figura de pequeno tamanho dá corpo à lenda que conta que durante um cerco espanhol à cidade, (Guerra dos Sete Anos ou Mirandum), quando a população exaurida pela fome e pelas doenças se preparava para a rendição, começou a surgir um menino em vários pontos da muralha a instilar ânimo aos habitantes. Foi bem-sucedido, mas nunca foi encontrado. O milagre foi atribuído ao menino Jesus e em sua honra esculpiu-se uma imagem vestida com trajes fidalgos — atualmente, as roupas em miniatura que compõem o seu vasto guarda-roupa (a tradição diz que raparigas solteiras devem dar as meias e as camisas) são também parte da curiosidade.

 

A Catedral ou , ou ainda Concatedral, foi edificada, ao que parece, no mesmo sítio onde antes se erguia a antiga Igreja de Santa Maria, mandada construir por D. Dinis. Com três naves, esta catedral possui uma arquitetura majestosa e um interior de grande riqueza e elegância.

 

A Catedral ou Sé é “exagero” para estas paragens, como comenta alguém. “Ninguém espera isto aqui.” Mas “isto”, agora a Igreja Matriz de Miranda, foi a antiga Sé de Miranda do Douro, herança do período em que a cidade foi sede de diocese, entre 1545 e 1780.

 

A  Concatedral de Miranda do Douro, que levou de vencida às Igrejas de Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta, no tempo de D. João III, pelo que se diz, mercê da vontade de sua esposa, D. Catarina, que, pela primeira vez que veio a Portugal, para se consorciar com o Rei, entrou por aqui,  exibe-se orgulhosa num extremo do pequeníssimo planalto, no seu Centro Histórico.

18.- 2012 - Miranda do Douro 047

Por detrás da Igreja, antiga ou Concatedral, as Ruínas do Paço Episcopal, destruído por um incêndio há 200 anos, dão ideia da importância de Miranda desde o século XIV. O privilégio episcopal foi perdido em 1764, em favor de Bragança.

19.-2012 - Miranda do Douro 186

(Perspetiva I)

20.- 2012 - Miranda do Douro 184

(Perspetiva II)

22.- 2012 - Miranda do Douro 193

(Perspetiva III)

24.- 2012 - Miranda do Douro 212

(Perspetiva IV)

Perto da Catedral, do outro lado do rio Douro, encontramos o Penedo Amarelo,

25.- 2012 - Miranda do Douro 178

uma magnífica paisagem, de um amarelo bem vivo, quase a cair no Douro. No penedo, com 690 metros de altura, erguido como se fosse o diabo a olhar para Castela, para parafrasear Miguel Torga, sujeito a as vertigens, conseguimos observar um enorme número 2, que mantém um dos mistérios das redondezas, que parece ter ido picado por uma mão humana.

 

A explicação é clara: a cor do 2 deve-se aos líquenes, aqui em grande quantidade e variedade, que é sinónimo de ar, livre de contaminação. Vê-se à primeira, embora não tão visível ou óbvio de outras perspetivas.

 

Corre, quanto a este número, uma certa maldição: os solteiros, que não o vêm, não casarão; os casados, que não o vêm, estão a ser traídos.

 

A imaginação do povo é fértil!...

 

Na Praça D. João III,

26.- 2012 - Miranda do Douro 135a

está o Museu da Terra de Miranda. Instalado num edifício do século XVII. O Museu oferece-nos um rápido olhar sobre a etnografia mirandesa e dá-nos ricas informações sobre a casa tradicional, o artesanato e o vestuário.

27.- 2012 - Miranda do Douro 107

Na altura em que estivemos em Miranda do Douro, a cidade, os seus espaços públicos estavam todos em obras de novas pavimentações das ruas.

 

Rodeando a Praça de D. João III, o Edifício da Câmara Municipal

28.- 2012 - Miranda do Douro 111

e o Solar dos (de is) Ordazes.

29.- 2012 - Miranda do Douro 112

No meio da praça, encontramos duas estátuas em tamanho real de um casal mirandês:

30.- 2012 - Miranda do Douro 102

ele envergando uma Capa de Honras, uma peça única do vestuário tradicional português e ainda usada em várias cerimónias, inclusive pelo Presidente da Câmara que assim recebe os convidados oficiais.

31.- 2012 - Miranda do Douro 103

As Ruínas das Muralhas. Eis o que resta preservado delas.

32.- 2012 - Miranda do Douro 068

A sua construção teve início nos finais do séc. XIII. Conserva apenas, parcialmente uma torre do séc. XV, a Porta da Traição, da Senhora do Amparo e o Postigo.

33.- 2012 - Miranda do Douro 062

Não podemos deixar de falar da antiga Igreja setecentista dos Frades Trinos. Agora imprevisivelmente profana, e transformada na Biblioteca Municipal.

34.- 2012 - Miranda do Douro 197

(Perspetiva I – Vista lateralmente)

35.- 2012 - Miranda do Douro 199

(Perspetiva II – Vista de frente)

O Castelo que foi melhorado pelos primeiros reis portugueses. Contudo, com as diversas lutas, que se travaram nos anos seguintes, arruinaram-no, sendo necessária a sua reedificação no reinado de D. Dinis, por volta de 1280. A boa construção deste castelo fez com que resistisse aos sucessivos ataques castelhanos, no reinado de D. Fernando, que mandou cunhar moedas com um «M», sobre o escudo das quinas.

 

Miranda do Douro foi-se à Guerra dos Sete Anos - que, aqui, ficou conhecida por Guerra do Mirandum - e o seu castelo foi-se pelos ares.

36.- 2012 - Miranda do Douro 208

Na refresga espanhola à cidade muralhada, um projétil caiu sobre um armazém onde se guardava pólvora: as muralhas e a torre de menagem do castelo ruíram, 400 pessoas morreram. Hoje, o que resta da alcáçova do castelo de Miranda é uma bela ruína a mirar o Fresno, o segundo rio de Miranda, a seguir ao Douro.

37a.- 2012 - Miranda do Douro 237

(Perspetiva I)

38.- 2012 - Miranda do Douro 235

(Perspetiva II)

38a.- 2012 - Miranda do Douro 240

(Pormenor)

O antigo pátio de armas é um parque de estacionamento a dois passos da Rua Mouzinho de Albuquerque, espinha dorsal do núcleo histórico, onde o comércio mais abunda.

39.- 2012 - Miranda do Douro 229

Nas proximidades do Castelo, a Casa de Música Mirandesa.

39a.- 2012 - Miranda do Douro 232

A mais importante das ruas de Miranda é a Rua da Costanilha, de origem medieval. A sua antiguidade remonta ao séc. XV. Aqui se acantonava a colónia judaica.

40.- 2012 - Miranda do Douro 076

É na Rua Costanilha,

41.- 2012 - Miranda do Douro 079

e suas satélites, particularmente a Rua Nova,

42.- 2012 - Miranda do Douro 090

que o carácter medieval de Miranda parece irredutível,  quando fica banhado pela luz amarela dos candeeiros de ferro forjado.

43.- 2012 - Miranda do Douro 083

O casario quinhentista,

44.- 2012 - Miranda do Douro 080

(Pormenor I)

46.- 2012 - Miranda do Douro 095

(Pormenor II)

47.- 2012 - Miranda do Douro 088

(Pormenor III)

de pormenores manuelinos, forma um entramado mais ou menos conservado, às vezes inesperadamente erótico, como a Casa das Quatro Esquinas

48.- 2012 - Miranda do Douro 269

medieval, com quatro janelas a fazer esquina - duas em cada andar -.

 

Porém o destaque vai para os dois cachorros: um simbolizando a Luxúria;

50.- 2012 - Miranda do Douro 270

o segundo, Cronos, o deus grego do tempo.

51.- 2012 - Miranda do Douro 271

Este cachorro ou modilhão, erótico, ou da Luxúria, na Casa das 4 Esquinas, encontra-se documentada no livro «Judeus em Trás-os-Montes» (A Rua da Costanilha), de António Júlio Andrade e de Maria Fernanda Guimarães, que nos dizem que é também um ex-libris da cidade.

 

Quanto ao cachorro ou modilhão erótico, referem-se estes dois autores que: «Quereriam os construtores marranos da Casa das 4 Esquinas dizer que se estavam c… para os homens da governança da terra e administradores da Sé episcopal, hipócritas zeladores da ordem social cristã estabelecida e que os metia na Inquisição? Deveremos ler na pedra esculpida um grito de revolta e de sátira dos marranos de Miranda contra os seus inimigos e perseguidores?»

 

Outra interpretação diz-nos que, esta casa do século XVI, com cachorros eróticos, que revelam os segredos da cama medieval.

 

O modilhão da Luxúria é representado por um cão que, com a língua, toca os órgãos genitais de uma mulher.

 

Pela Ponte dos Canos ou Ponte da Fonte dos Canos foi por onde entraram os espanhóis na Guerra do Mirandum. É tabuleiro plano, dos fins do século XVI, assenta sobre três arcos quebrados e desiguais. Tem três talha-mares, dois a montante e um a jusante.

52.- 2012 - Miranda do Douro 057

 A Fonte dos Canos,

53.- 2012 - Miranda do Douro 052

de  estrutura barroca, de tipo relicário, com telhado piramidal em escama, recebeu no séc. XVIII o painel das Almas do Purgatório. No interior, podemos ver os apoios dos cântaros.

 

Sobre a cornija, as Almas continuam a lembrar-nos em latim que "a nossa água não se vende de graça. Rezai por nós, pois a oração é o seu preço. Pai Nosso, Ave Maria, 1768".

 

No que respeita ao património religioso construído de Miranda do Douro não podemos deixar de falar da sua Igreja da Misericórdia.

53a.- 2012 - Miranda do Douro 117

Está situada no largo com o mesmo nome, desde o século XVI. A sua construção ocorreu entre os anos de 1554 e 1559, a mando do Bispo D. Rodrigo de Carvalho, tendo ficado pronta no ano de 1589.

 

De construção clássica, a sua fachada, em empena truncada por uma sineira, é ladeada por pináculos. Também na fachada, o portal maneirista enquadrado por duas colunas suportando uma arquitrave decorada e duas janelas de recorte barroco.

 

O seu interior é merecedor de ser visitado, com um recheio digno no que respeita à parte arquitetónica, igualmente com um conjunto de talha clássica e barroca nacional e rococó, bem como o retábulo do altar-mor, também de talha barroca nacional.

 

A fundação da Santa Casa da Misericórdia de Bragança deve remontar ao ano de 1518 e “fundou-se em uma igreja que havia dedicada ao Espírito Santo" (que dava nome à rua). O templo foi reconstruído em 1539, para servir como Igreja da Misericórdia.

 

O que mais nos impressionou, no seu interior, foram os seus altares, que poderemos ver no sítio da internet – «Portugal em 360º - Igreja da Misericórdia de Miranda do Douro»  e que aqui deixamos três imagens dos três altares: altar-mor, altar da capela do lado da Epístola e da capela do lado do Evangelho.

53b.- 2012 - Miranda do Douro 127

(Altar-mor)

53c.- 2012 - Miranda do Douro 124

(Altar do lado da Epístola)

53d.- 2012 - Miranda do Douro 123

(Altar do lado do evangelho)

Não podíamos de deixar de falar na Casa dos Távoras nesta cidade.

52a.- casa-tavoras

(Fonte:- Enciclopédia das Localidades Portuguesas

Está situada na Rua Abade de Baçal, este solar citadino pode estar compreendido entre os séculos XV e XVI. Pertencente à família dos Távoras, uma das mais importantes, nobres e poderosas de Portugal a partir do século XV. Elementos da família foram alcaides do Castelo de Miranda e senhores do Mogadouro, tendo um forte prestígio na política.

 

Contudo, o prestígio alcançado na política, possivelmente, e como reza a história, foi motivo para todos os elementos, ou quase todos, serem eliminados por enforcamento, a mando do Marquês de Pombal, considerando a família Távora traidores ao regime.

 

Vê-se aqui a obsessão, ou talvez não, do Senhor Marquês de Pombal por esta Família, de que mandou raspar as armas.

52b.- casa-tavoras

(Fonte:- Enciclopédia das Localidades Portuguesas

Dizem-nos que em Miranda, se espera ouvir falar mirandês. Após a sua descoberta pelo filólogo Leite de Vasconcelos, o mirandês despertou um interesse crescente ao longo do século XX. Em 1999, foi reconhecido oficialmente o seu estatuto de língua. Atualmente, os estudos sobre o mirandês multiplicam-se.

 

o mirandês é a 2ª língua oficial de Portugal desde os finais dos anos 90. É a única língua reconhecida em Portugal para alem do português, com afinidades com Leão e Astúrias. A sobrevivência deste idioma demonstra uma idiossincrasia muito própria e apaixonada pelas tradições e modos de vida ancestrais.

 

Com a proximidade de Espanha, não é de admirar que muitas destas palavras façam lembrar o próprio castelhano.

 

Mas nós, durante o tempo em que lá estivemos, em 2012, não ouvimos falar muito o mirandês, não! Talvez em círculos mais fechados…

 

Além da língua, também na música e na dança se afirma a identidade de Miranda do Douro. Na área geográfica do concelho, os pauliteiros fazem perdurar uma tradição antiga, que toca o viajante pela espetacularidade e pelo colorido do som e do movimento.

 

Miranda do Douro é célebre pelo seu folclore colorido e animado – os Pauliteiros de Miranda - com o seu trajo típico de saias, executam a dança do pau acompanhada pelo toque da gaita de foles, cuja origem remonta à ocupação Celta da região, na Idade do Ferro.

 

A dança guerreira, de raízes greco-romanas - segundo algumas teorias – (mas inclinamo-nos serem mais celtas) -  é um ritual quase hipnótico e tão ritmado que é difícil controlar os pés que teimam em acompanhar o compasso dos paulitos ao som de gaita-de-foles e caixa. Cada dança é um lhaço, a que corresponde uma música e uma letra, “normalmente em mirandês”.

 

Há cerca de 50 lhaços. E, alguns, parecem mesmo retratar momentos de uma batalha; outros, estão mais ancorados nas realidades da terra, como o “la yerba” ou “la rosa”; ou são, ainda, históricos, como o Mirondum, Mirondum, Mirondela/ Mirondum se fúe a la guiêrra (...).

54.- pauliteiras

Situada numa região árida e de difíceis acessos durante muitos anos, a região, ou Terra de Miranda, do Douro, soube preservar as suas tradições e modos de vida num mundo cada vez mais desenvolvido.

 

Nada melhor, para acabar este post, como apresentar este programa da RTP, de 2000, da autoria de José Hermano Saraiva – «Horizontes da Memória – A Guerra do Mirandum». 

 

Aqui se fala do apogeu de Miranda, da importância da comunidade judaica marrana, da sua antiga Catedral, bem assim da sua queda, com a decisão do Bispo D. Aleixo de mudar a sede da diocese para Bragança, logo após os acontecimentos que levaram à destruição do Castelo, na Guerra do Mirandum, no contexto da Guerra (europeia) dos Sete Anos.

 

Opinião idêntica – a decisão do 23º Bispo de Miranda, D. Aleixo; a explosão do paiol do Castelo, matando cerca de 400 pessoas,  pelos espanhóis, e a saída da colónia dos judeus marranos – tem também o insigne e ilustre mirandês, filho da Terra de Miranda – António Maria Mourinho – numa entrevista dada, em 1973, à RTP Memória, sob o título «Em Terra de Miranda»,  exibida já no post anterior.

 

Após esta época, durante muitas décadas e décadas, a queda de Miranda foi, cada vez mais acentuando-se.

 

Só após a década de 50 e 60 d0 século passado, com a construção da Barragem de Miranda

55.- 2012 - Miranda do Douro 219

e a ligação a Zamora, a 40 Km, e Salamanca, com a valorização dos seus mais vincados elementos identitários, com comércio e a sua gastronomia, baseada na posta, carne da raça bovina autóctone (mirandesa) e com os enchidos (fumeiro) é que Miranda se começou a revitalizar um pouco. Fundamentalmente com o turismo espanhol.

 

Isto, por outro lado; por outro, o Parque Natural do Douro Internacional, com o rio, e sempre com Portugal de um lado e Espanha de outro, as suas enormes escarpas, com a sua avifauna e os seus passeios de barco – cruzeiros ambientais, promovidos pela Estação Biológica Internacional (EBI) de Miranda do Douro – bem assim os diferentes percursos pedestre, fazem de Miranda, altaneira no topo das arribas, e das suas terras, palco privilegiado para o Turismo de Natureza e «Birdwatching».

56.- 2012 - Miranda do Douro 280

Estamos de acordo com aqueles que dizem que o que o passado separou, o presente e o futuro juntam neste projeto, em marcha, transfronteiriço, onde se olham dois parques naturais que têm o Douro como epicentro.

 

Tal como uma guia dos cruzeiros ambientais um dia dizia, afirmando que era do rio, porquanto filha de pai português e mãe espanhola.

 

Havemos de lá voltar… em breve. Para  ver o Aqueduto de Vilarinho e para frequentar os seus belos miradouros e percorrer, caminhando, os seus mais recônditos escaninhos.

 

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Eu dirigi-me directamente aos serviços da Câmara.

  • Anónimo

    Boa tardeSabe dizer-me onde posso encontrar as des...

  • Anónimo

    Na verdade...Um grande abraço,A. Souza e Silva

  • Vagueando

    Concordo plenamente consigo quando refere que a pa...

  • Joaquim Machado

    TERRA DE MEUS PAIS[

A espreitar

online

rádio

ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
blog-logo