Terça-feira, 9 de Outubro de 2018

Memória de um andarilho por terras da Ibéria - Caminhada ao Pico Vizcodillo e Lago de Truchillas

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO POR TERRAS DA IBÉRIA

 

PARQUE NATURAL DO LAGO DE SANÁBRIA E ARREDORES

 

CAMINHADA AO PICO VIZCODILLO E LAGO DE TRUCHILLAS

(30.agosto.2018)

01.-

 Desde a nossa subida até ao pico mais alto da SanábriaPeña Trvinca, entre as províncias de Zamora (Castela e Leão) e Ourense (Galiza) -, através do Porto de Sanábria, tínhamos vindo a ser desafiado pelo amigo Pablo Serrano para irmos até Vizcodillo, o 2º ponto mais alto do Parque Natural do Lago Sanábria e Arredores, depois de Peña Trevinca.

 

A não ser uma incursão de pouco mais de oito dias, com Florens, na primavera, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, este ano, pela nossa parte, e por razões imponderáveis, de natureza familiar, foi parco em saídas para efetuar caminhadas pela nossa linda Ibéria.

 

Depois de uma hibernação de quase quatro meses, e um pouco mais descomprimido, definitivamente aceitámos o desafio de Pablo. E fomos, então, no dia 30 de agosto passado até ao Pico de Vizcodillo, passando pelo Lago de Truchillas, ali pertinho.

 

Vizcodillo encontra-se em plena serra da Cabrera, com uma orientação este-oeste, separando a vertente zamorana de Sanábria da leonesa de Baña. Os seus picos mais significativos são o Picón, Faeda e, naturalmente, Vizcodillo, com 2122 metros de altitude, ou seja, com apenas menos cinco metros que o de Peña Trevinca. Todos eles pertencentes ao Maciço Galaico-Leonês.

 

Normalmente, distingue-se a Cabrera Baixa, que corresponde ao traçado ocidental da serra, e que vai desde Peña Vidulante até ao cerro ou colina posterior – o Alto do Peñon ou Alto de Escudero -, sendo a sua elevação maior o Picón, com 2019 metros de altitude.

 

A serra Cabrera Alta ou Serra Negra é onde se situa Vizcodillo, o pico com maior altura desta serra.

 

Embora nos tenhamos levantado cedo, quase de madrugada, o certo é que, de Chaves, passando por Verín, onde fomos ao encontro do amigo Pablo, já passavam das 10 horas e 40 minutos (hora espanhola) quando demos início à nossa caminhada.

 

Estacionámos a viatura num pequeno aparcamento, nas proximidades do Alto do Peñon ou Alto de Escudero, numa altitude de 1841 metros, depois de andarmos por uma estrada de montanha sinuosa e com um piso em fraco estado.

 

O lugar onde estacionámos serve de divisória natural entre as vertentes serranas zamorana e leonesa.

 

Mal nos preparávamos para dar início à nossa caminhada, aparece-nos este simpático motoqueiro, vindo, por terras da montanha leonesa, de Benavente.

02.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (06)

Logo de início, esperava-nos uma pequena subida, na abrupta vertente leonesa sanabresa, até chegarmos ao Alto dos Alamicos.

 

Contudo, nosso intento, mais que efetuar uma caminhada, era fazer um calmo e vagaroso passeio.

 

Daí, aqui e ali, Pablo parava para não só nos indicar as diferentes espécies autóctones, que proliferam por estas bandas, como para apanhar – e comer – pequeninos mirtilos («arandanos») silvestres.

03.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (7)

Ao nosso redor, do lado esquerdo, eis a mole de Teleno.

04.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (10)

O solo, por onde passávamos, num simples e estreito carreiro, de pé posto, coberto de pequenos e rastejantes arbustos típicos destas paragens, era composto por estes blocos de pedra, de rochas soltas.

05.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (13)

Andando um pouco mais, ao longe, já visionávamos a grande mole de Vizcodillo, com dois picos. O da direira é o Vizcodillo.

06.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (14)

Trata-se, como já afirmámos, da segunda montanha mais alta da Sanábria, com perfis suaves, arredondados, aliás, como quase todas as montanhas da zona,

07.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (18)

apresentando as maiores escarpas na vertente leonesa.

 

Pelo caminho, em passo pausado, tínhamos tempo para observar a vegetação autóctone, rasteira, resistente à inclemência do clina, como esta «sabina».

08.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (20)

A certa altura, inopinadamente, Pablo dá conta de uma «rabeca». Ele consegue ainda captá-la com a sua objetiva. Nós não fomos a tempo.

 

Embora a sinalização aqui seja muito fraco, simplesmente composta por uns frágeis paus de madeira e muitas «mariolas» feitas pelos diferentes caminheiros, tendo em conta que estamos num dos parques mais emblemáticos de Espanha, com alguma atenção e cuidado, estando bem atentos a pequenos sinais de trilho, lá nos fomos desenrascando e não nos perdermos.

 

E não descurámos de contemplar a composição rochosa, composta maioritariamente por quartzitos, e a florística de seu solo, bem assim, uma vez mais, a imensa mole do Teleno, que não nos largava, sempre a nossa esquerda, tendo como pano de fundo o vale do rio Truchas.

09.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (23)

Chegou a altura, depois da passagem por esta passadeira verde e lilás,

10.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (26)

e por uma zona mais rochosa,

11.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (28)

agora mais acompanhados por um tapete mais predominantemente lilás,

12.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (29)

de fazer uma paragem. E observarmos os frutos desta «sabina».

13.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (30)

O lugar convidava-nos a uma pausa. De contemplação e de relaxamento. Numa atmosfera saudável, de ar puro, de um agradável cheiro, por entre tanta cor de lilás!

14.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (31)

Olhando para trás, e do nosso lado esquerdo, muito perto da linha do horizonte, a albufeira («embalse») de Valparaíso e, escondida pelo conjunto montanhoso, a de Peña Mira.

15.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (32)

A paisagem que nos rodeava era um regalo para as nossas vistas!

16.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (34)

Começávamos, a partir daqui, a nossa verdadeira subida – se bem que, tendo ultrapassado apenas uma baixada, o trilho era todo a subir – com um piso mais rochoso, levando-nos ao cimo de Vizcodillo,

17.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (36)

ao longo de um entorno a constantemente nos convidar à sua contemplação!

18.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (39)

Sozinhos, sem um único murmúrio, estávamos, positivamente, entre o céu e a terra, respirando e usufruindo de paz e tranquilidade!

19.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (42)

Olhámos uma vez mais para trás. Agora sim, à nossa esquerda, sob plena serra Segundera e Cabrera, o Lago de Sanábria!...

20.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (46)

Estávamos já muito perto de atingir o Pico de Vizcodillo, ali à nossa frente. Vislumbrámo-lo com o «zoom» da nossa objetiva.

21.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (49)

Agora, para lá chegarmos, havia que trepar pelos enormes calhaus que o constituem, com muito cuidado, para não nos magoarmos ou provocarmos qualquer entorse.

 

Eis o nosso companheiro de jornada subindo pela montanha de calhaus, que constituem o Pico, com «ganas» de atingir, como ele dizia – a «cumbre».

22.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (51)

E, assim, chegávamos ao vértice geodésico de Vizcodillo!

23.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (52)

No cimo do Pico, e em jeito de brincadeira, amigo Pablo, apontava para esta pequena cova irregular e rugosa na rocha à nossa frente. E dizia-nos:

- a cama de Luciano!

24.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (54)

Era tempo agora de tirar as fotografias da praxe no cimo do Pico, no marco geodésico.

25.-2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (55)

Ao nosso redor tínhamos o Teleno, as serras Segundera e Cabrera, com a omnipotente e sempre presente Trevinca e seus satélites. Um espetáculo maravilhoso!

26.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (61)

(Perspetiva I – Com o Lago Sanábria, ao longe)

27.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (63)

(Perspetiva II – Com as albufeiras de Valparaíso e Peña Mira, ao longe)

Desde o nosso lugar de partida – o Alto de Peñón –, e até ao Pico de Vizcodillo, tivemos de ultrapassar, sensivelmente, mais de 300 metros de altitude.

 

Era tempo de descer.

 

E descemos ainda com mais cautelas do que quando subimos. As «rodillas», na nossa idade, acusam o desgaste dos anos!

28.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (59)

Depois da cautelosa descida, perdidos por entre o «brejo» anão, olhávamos para trás, observando o objetivo a que hoje nos tínhamos proposto – ter estado lá!

29.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (64)

E, porque tão perto, não podíamos perder de vista o Lago de Truchillas.

 

Para lá chegar, inexplicavelmente, perdemo-nos do trilho, caminhando com dificuldade por cima do duro «brejo», que parecia um imenso colchão duro, picando-nos os pés, e agora sob um sol que, a pique, queimava.

 

O mesmo solo, com as mesmas rochas,

30.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (68)

e a mesma vegetação.

31.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (67)

(Pormenor I)

32.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (82)

(Pormenor II)

Felizmente, em pouco tempo, encarreirámos com o trilho e, em breves minutos, de complicada caminhada para nós, pois, em vez de botas de montanha, calcávamos umas simples e frágeis sapatilhas, chegávamos à vista do Lago de Truchillas. Ei-lo a nossos pés!

33.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (75)

Estávamos, positivamente, cansado. Precisávamos de uma pequena pausa – para descansar; contemplar este maravilhoso espetáculo; hidratarmo-nos e comermos qualquer coisa.

 

Sentámo-nos, pois, quer nós,

34.-

quer o amigo Pablo.

35.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (79)

Pablo apresentava-se mais fresco e, passados uns minutos, subindo a um pedregulho, deu ordens de partida.

36.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (84)

O caminho continuava estreito, indefinido e pedregoso, aqui e ali.

37.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (85)

mas de encher as vistas com as suas paisagens.

38.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (87)

Depressa Pablo se apercebe que, por falta de treino, estávamos em dificuldade para, subindo, rodear o Pico Vizcodillo.

 

Por isso, com algumas pausas, rodeámos apenas o Barranco Malicioso. E não fomos, como seria nosso gosto, até à Lagoa com o mesmo nome. Por nós, porque estávamos cansados, pelo calor e pela subida em solo irregular; pelo Pablo, talvez por solidariedade para connosco e, quem sabe, face ao nome que a lagoa tem, por superstição. Quem sabe?!!!

 

Rodeado o Vizcodillo, acordámos em fazer uma pausa mais demorada para descansarmos um pouco. E sentámo-nos por uns minutos.

 

Depois daquela subida, e desta paragem, como por artes mágicas, para nós, o trilho tornou-se leve e, sem darmos por isso, nossos pés pareciam uma pena, voando. Vá lá entender o comportamento do corpo humano. Ou da nossa cabeça!...

 

Entretanto, pelo caminho, amigo Pablo não se cansava de «caçar» ângulos de paisagem para captar com a sua objetiva.

39.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (88)

Realizado o pequeno desvio de Vizcodillo para irmos ao Lago de Truchillas, voltámos ao nosso trilho inicial, de volta.

40.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (89)

Umas boas centenas de metros andados, olhando para trás, dizíamos adeus a Vizcodillo.

41.2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (90)

Depois de uma pequena descida, começou a nossa última subida até ao cimo do Alto de Peñón.

42.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (91)

À nossa frente, a imensa mole do Maciço Galaico-Leonês de Trevinca. Digno de se ver!

43.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (93)

Chegámos ao aparcamento onde estava a nossa viatura. Mudámo-nos e preparámo-nos para descer até San Martín de Castañeda, onde, ao fim da tardinha, iríamos assistir ao II Encontro Internacional de Mascarada Ibérica.

 

Mas antes, a meio do percurso, parámos aqui.

44.- 2018.- Vizcodillo e Lago de Truchillas (95)

Aqui nos hidratámos e comemos o resto da nossa merenda, enquanto, ao longe, vislumbrávamos, de dois, à direita, o Pico de Vizcodillo onde, poucas horas antes, no seu cume, tínhamos estado.

 

Deixámos aos nossos(as) leitores(as) o mapa do nosso trilho, com a nossa ida até ao Pico de Vizcodillo, ponteado a azul, e a nossa ida até às proximidades do Lago de Truchillas, e vinda, a vermelho.

45.- Mapa caminhada Pico Vizcodillo

Segundo a nossa app da SHealth, percorremos a distância de 10 Km 410 metros, em 3 horas e 54 minutos,

46.- IMG-20180831-WA0003

com a velocidade e a elevação constante do gráfico que abaixo se exibe, o qual mostra um erro, em termos de altitude, em cerca de 10 metros, por não estar devidamente aferido o GPS.

47.- IMG-20180831-WA0005


publicado por andanhos às 19:33
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