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Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - Duas palavras, apenas

  

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

THE SLOW ENGLISH WAY (*)

 

5 a 10. Abril. 2014

  

 

O Caminho Inglês é, de todos os Caminhos de Santiago, o menos conhecido. Consequentemente, o menos frequentado.

 

Representa, no cômputo das estatísticas, apenas 2% do total dos peregrinos que chegam a Santiago de Compostela. Daqui resulta, porventura, o seu encanto em termos de alternativa ideal para aqueles que procuram uma experiência autêntica, longe das filas de peregrinos e caminheiros para chegar a um albergue para pernoitar, que outros, por via desta massificação, não apresentam.

 

Se quisermos falar das origens deste Caminho, teremos de ir até aos inícios do século XI. É, desta altura, conhecida a primeira documentação sobre a chegada de muitos peregrinos às costas da Galiza, vindos da Escandinávia, Escócia, Irlanda, Inglaterra e França.

 

Durante séculos, os peregrinos da Europa Atlântica encontravam nas rotas marítimas o melhor caminho, porventura o mais seguro, para chegar a Santiago de Compostela, a bordo de barcos fretados com mercadorias, especialmente para as peregrinações dos anos jubilares, quando o 25 de Julho coincidia com um domingo.

 

Os portos de Ferrol e A Coruña eram os portos de chegada para se iniciar a peregrinação a Santiago de Compostela, embora outros, como Viveiro, Neda, Ribadeo e Noia, também cumprissem a mesma função.

 

Historicamente, contudo, o Caminho Inglês tem dois ramais para chegar a Santiago de Compostela: um que parte de Ferrol; outro, de A Coruña. Encontram-se nas proximidades do Hospital de Bruma.

 

É apenas o que parte de Ferrol aquele que é mais seguido. Tal facto prende-se com a circunstância deste percurso ser superior a 100 Km, distância mínima que a Igreja Compostelana exige para se obter a «Compostelana» a pé. O Caminho que parte de A Coruña tem apenas uns escassos 72 Km. Há, contudo, muitas vozes que reclamam que, atendendo à importância histórica deste traçado que se inicia n’A Coruña, os peregrinos que fazem esta variante deveriam também obter a «Compostelana».

 

O Caminho Inglês permite-nos conhecer, em poucos dias, o melhor da Galiza urbana e rural, costeira e interior, ao arrancar do mar - parte essencial da vida do povo galego - para, depois, penetrar na Galiza rural, mais profundamente genuína.

 

Possui, também, um singular atrativo histórico, simbólico e monumental, assim como um enorme potencial eno-gastronómico, que se deve saborear com calma, lentamente, com tranquilidade.

 

É daqui que nasce o termo «slow way». A aplicação deste movimento «slow» ao mais autêntico e desconhecido de todos os Caminhos foi enfatizado pelo autor da «Ilha do Tesouro»

 

 

- Robert Louis Stevenson - grande viajante,

 

 

ao afirmar que “o caminhante afastar-se-á, despreocupadamente, do Caminho não só para ir à procura de examinar algo mais formoso ou embalado na promessa de uma vista mais ampla, de modo que até um roseiral silvestre possa «deformar», de forma permanente, o Caminho”.

 

Na verdade, o relativamente curto trajeto - uma semana é suficiente para o completar com calma - permite saborear o Caminho com mais tranquilidade e profundidade, a quem o queira ver como algo mais que um percurso de obstáculos a ultrapassar para chegar à meta de Santiago de Compostela - a praça do Obradoiro.

 

A solidão, apenas interrompida por um ou outro encontro ocasional com outros peregrinos - mais provável no Verão e na Semana Santa, como viemos a confirmar, é um dos atributos diferenciais desta rota que permite aprofundar a viagem interior que todo o peregrino/caminhante experimenta, pelo simples facto de ter a perspetiva, que lhe é proporcionada, ver a vida ao ritmo que marcam os nossos passos.

 

Tudo convida, como pude, com o meu companheiro Tino, constatar, a um caminho bem disfrutado, mas sempre «cozinhado» a fogo lento, bem apaladado, mastigado, quer seja quando estamos perante o ambiente urbano, quer marítimo, quer terrestre.

 

Em conclusão, este Caminho confronta-nos com o significado da própria «peregrinação» aos nos «encorajar» a não segui-lo à risca e ir ao encontro mais profundo do território que atravessamos ou cruzamos para o melhor conhecermos, para nele «emergirmos». Não poucas vezes é grande a tentação de nos «perdermos», de nos deixar levar, desviando-nos uns poucos metros ou alguns quilómetros para podermos entender e aproveitar melhor a experiência única que é caminhar.

 

 

 

 

(*) Texto adaptado do guia «El pousado Camino Inglés», bilingue, espanhol e inglês, coordenado por Aser Álvarez, Edição da Deputacion Provincial de A Coruña e as Associações Hoteleiras de Ferrol, A Coruña e Santiago de Compostela e Hospeco, Tórculo, Artes Graficas, SA, 2012.

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