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Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago na Galiza - Caminho (Central) Português:- 5ª e última etapa - Destaque

 

 

CAMINHO (CENTRAL) PORTUGUÊS DE SANTIAGO

 

 - 18 e 19 de Junho de 2008 -

 

Destaque:- Retalhos de um deambular por Santiago de Compostela

 

 

 

Santiago de Compostela fez-se à volta dos sinos, dizia Torrente Ballester. Os sinos inundam a cidade de tons de bronze e a pedra das igrejas, conventos e palácios, animados por este tinir interminável, destila humidade e a nostalgia de uma cidade submersa em nevoeiro.

 

Compostela, segundo o Guia que, ao longo deste Caminho vimos referindo, é única. É a pátria da contradição. A cidade velha, nascida de um caminho de peregrinação, na mais longínqua Idade Média, é a que faz «balir», ainda hoje, a nova Galiza. Uma mescla do mais novo e do arcaico. Como refere o galego Suso del Toro, «parece que lhe faltou o século XIX e parte do século XX».

 

Deixadas para trás as últimas paisagens do campo galego, o peregrino entra na cidade moderna - a do viver diário -, dos bairros como o Ensanche, Pelamios ou o corredor de Morón e a Alameda - pulmão verde compostelano. As novas edificações dão lugar a uma Santiago velha, a do bispo Xelmírez e a pedra gasta de tanta chuva e de tantas mãos pousadas no parteluz do Pórtico da Glória: é a Santiago eterna, que leva séculos pisando as ruas de Vilar e Francos,

 

 

a Praça das Praterías,

 

 

a Porta do Caminho - a principal das sete -, quando esta cidade estava muralhada. Por esta porta acediam os peregrinos do Caminho Francês, o mais transitado, o que levou Aymeric Picaud, monge francês que escreveu o primeiro Guia do Caminho, em 1139, a chamar-lhe «prius introitus» de Compostela. É a Santiago da Via Sacra, uma ruela empinada que ladeia o muro maciço do Convento de San Paio Antealtares e a Praça Quintana

 

 

que, na realidade, são dois espaços separados por uma escadaria: Quintana dos Vivos, por cima da escadaria; Quintana dos Mortos, por debaixo, em recordação de um cemitério que ocupou este lugar até que a picareta barroca, da última reforma urbana, mudou o perfil da praça. Ou a Porta Santa,

 

 

o portão catedralício que dá a esta praça e que se abre nos anos santos, com a sua cúpula

 

 

e, ao lado, a Torre do Relógio.

 

 

Consciente da sua condição de eixo da cristandade, o clero compostelano nunca escamoteou esforços nem influências para engrandecer a sua cidade. Primeiro foi o bispo Xelmírez (Gelmírez) quem, em 1100, impulsionou a construção de uma catedral românica

 

 

e a organização urbana de Santiago; séculos depois, a mão redentora do barroco caiu sobre Santiago para a transformar pela enésima vez numa urbe conservadora que, sem o querer, é vai para 10 séculos.

 

Construiu-se então a fachada barroca

 

 

que agora vemos e que tem na praça do Obradoiro a sua máxima expressão. O Obradoiro é o coração coperniciano de Compostela.

 

 

Um espaço desmedido, pensando mais para acolher o humilde peregrino e lhe mostrar as desmesuras do poder arcebispal do que intercomunicador de tráfego urbano.

 

De entre os edifícios que delimitam esta praça - a fachada do Hotel dos Reis Católicos

 

 

e um pormenor da fachada do antigo Colégio de São Jerónimo,

 

 

hoje dependências da Universidade de Santiago de Compostela.

 

Quando o nevoeiro pousa sobre a cidade e uma chuva mansa «borra» seus perfis, as suas medidas estendem-se até ao infinito. É o momento perfeito para que o peregrino, desprovido de toda a referência humana ante o celestial, deste espaço urbano, suba os 33 degraus da fachada principal,

 

 

passe por debaixo do Pórtico da Glória e renda ou preste, por fim, contas da sua longa viagem ante o Apóstolo.

 

 

Cumprido este deambular (peregrinação) e após obtida «a compostela», de imediato, nos dirigimos para o nosso alojamento, sito na Plaza Galicia.

 

 

Aí tomámos banhos; mudámos de roupa e descansámos um pouco.

 

 Muito perto fica a célebre e histórica cafetaria Derby. Um pormenor da sua vidraria:

 

 

Para ali fomos parar, bebendo uma «caña

 

 

antes de, mais cuidadamente, nos confrontarmos com a velha cidade que acabámos de fazer referência.

 

 

Tino, numa das ruas mais históricas de Compostela - Rua do Vilar -, sugeriu que entrássemos na loja «Coronel Tapioca».

 

 

E, daqui, passando por uma livraria, onde adquiri um livro de bolso sobre Santiago de Compostela, fomos outra vez para o hotel. Enquanto descansávamos na cama, e com «literatura» adquirida, na livraria Encontros, sobre Santiago, assim passámos o tempo até à hora do jantar.

 

Estava já caindo o dia quando saímos da Praça da Galiza

 

 

e atravessámos a animada Praça do Toural

 

 

para irmos jantar.

 

Deambulando ao acaso pela velha cidade, um contraluz da esquina da Catedral

 

 

e um pormenor da sua fachada barroca. 

 

 

O cansaço, de tantos dias de Caminho, não nos deu na «pachorra» para nos «engalfinharmos» na «movida» noturna de Santiago. Este epílogo noturno ficaria para uma outra ocasião!...

 

Pacatamente regressámos à Praça da Galiza, ao nosso quarto, para dormirmos uma noite tranquila e bem repousante.

 

Ao outro dia, não muito cedo, depois de tomado o pequeno-almoço, sem pressas, descemos até à estação de caminhos-de-ferro de Santiago de Compostela

 

 

para aí tomarmos o comboio que nos trouxe até Ourense, onde familiares nos esperavam para nos trazerem para as terras da «Galiza do sul».

 

 

 

«O neno das piñas»: obra para a Exposição de Arte Galega em Santiago (1926)

 

Alfonso Daniel Rodríguez Castelao (Rianxo, 30 de Janeiro de 1886 – Buenos Aires, 7 de Janeiro de 1950), é uma figura fundamental da cultura galega, que tanto prezo e que tanto fez pelo desenvolvimento de um ideário sociopolítico e económico, pensando por e para a Galiza. Face aqueles que procurem capitalizar o seu legado ideológico, cumpre dizer que ninguém - quer a título individual quer coletivo - possui o monopólio de o citar. Honra-se a sua obra, trazendo-a até ao presente.

 

Morreu, exilado, na Argentina. Aqui se deixa um «pedaço» do amor pela sua pátria galega, representado na obra «O Neno das Piñas»:

 

«Chegando, procuras un pino e daslle por min unha aperta e un bico» dixéralle Castelao ao paisano que vixiaba a Terra. Ou «vale máis unha terra con árbores nos montes, que un Estado con ouro nos bancos», deixou dito tamén quen soñaba co idílico concepto de «cidade-xardín».

 

O mal que hoje está entranhado na sociedade que nos é dado viver é que olhámos demasiado para o futuro, esquecendo, tantas vezes, as lições que poderíamos, na construção desse futuro, tirar do passado. Porque... aprende-se até morrer... E os «nossos maiores» são uma fonte inesgotável de sabedoria para «beber»!

 

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