Sábado, 1 de Março de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago na Galiza - Caminho (Central) Português:- 4ª etapa - Briallos (Portas)-Padrón - Destaque

 

 

CAMINHO (CENTRAL) PORTUGUÊS DE SANTIAGO

 

- 17. Junho. 2008 -

 

4ª etapa:- Briallos (Portas) - Padrón

 

Destaque:- Breve história e passeio pelo centro de Padrón

 

 

Reza, assim, o Guia que nos acompanhava:

 

“Segundo a lenda, depois de uma grande e perigosa viagem através do Mediterrâneo e da costa Atlântica peninsular, a barca em que os discípulos do Apóstolo transladaram o seu cadáver desde a Palestina [hoje Jaffa, Israel], onde foi decapitado, no ano 42, a mando de Heródes Agripina, entrou pela ria de Arousa,

 

 

subiu o rio Sar e deteve-se neste lugar. A barca foi amarrada a um pedrón - uma grande pedra cilíndrica - enterrada na beira do rio, perto do lugar onde hoje está a Igreja de Santiago. [Do templo românico apenas resta uma pedra. A Igreja atual é de meados do século XIX, que substituiu, por sua vez, uma outra em estilo gótico]. Uma vez desembarcado o sarcófago com o corpo incorrupto do Apóstolo, a comitiva dirigiu-se ao monte Libradón, atual Compostela, para lhe dar sepultura na terra onde em vida havia pregado.

 

O suposto pedrón (padrão) original, que dá origem ao topónimo da cidade encontra-se debaixo do altar-mor da Igreja de Santiago.

 

 

Tem uma inscrição romana, de tradução incerta, e um anagrama de Cristo gravado posteriormente. Segundo alguns autores, poderia tratar-se de um menir pré-romano ao qual se acrescentou uma confusa inscrição em latim “.

 

Mas, por outro lado, atentemo-nos no que diz O Caminho Portugués - Os Caminhos de Santiago na Galiza, de 2010, publicado pela Junta da Galiza por ocasião do Ano Jacobeu:

 

“A igreja de Santiago de Padrón, de austero neoclassicismo, guarda testemunhos dos templos precedentes, uma inscrição dos tempos de Gelmírez, patrocinador da igreja românica, e um púlpito gótico, com a imagem de Santiago Peregrino, pertencente à igreja do século XV que mandou construir o arcebispo Rodrigo de Luna en 1456. Estes templos medievais, vencidos pela passagem do tempo, já guardavam no seu presbitério a peça mais jacobeia da vila: o Pedrón, interpretada como ara romana dedicada a Neptuno e na qual, segundo a Tradição, se amarrou a Barca de Pedra que tinha transportado o corpo do Apóstolo e os seus dois discípulos Teodoro e Atanásio. Na Alta Idade Média usou-se o Pedrón como base da ara de altar da primitiva igreja dedicada a Santiago, levantada pelo bispo Teodomiro no século IX”.

 

Pontos de vista nem sempre totalmente coincidentes. Mas é assim: a história, a interpretação dos factos históricos, muitas das vezes, fazem-se por tentativas, hipóteses ou suposições, sujeitas a provas que a técnica vai apurando ao longo dos anos por forma a dar uma maior aproximação à realidade. Isto, no campo das ciências, porque, no da religião, é todo um outro mundo aberto à imaginação, criatividade e fé de quem vive as suas próprias crenças.

 

Mas continuemos com o nosso Guia:

 

“Padrón é uma localidade agradável de ruas empedradas. O seu protagonismo como capital da comarca é mais tardio já que a população primitiva tinha assento em Iria Flávia, onde esteve sede episcopal visigoda e onde confluíam as calçadas romanas.

 

Um delicioso ambiente urbano é formado pela Praça Maciás, com numerosos edifícios tradicionais galegos, de galerias de vidro nas suas fachadas.

 

 

A melhor vista de Padrón e dos seus arredores é a partir do átrio do Convento do Carmen,

 

 

na margem direita do Sar, ao pé do albergue.

 

O Convento é uma obra do século XVIII, contruído à custa das doações de Alonso de la Peña, bispo de Quito.

 

Perto do albergue encontra-se a Fonte do Carmen,

 

 

com numerosos motivos jacobeus (...)

 

(Pormenor nº 1 da Fonte do Carmen)
(Pormenor nº 2 da Fonte do Carmen)

 

Outro dos lugares de visita imprescindível em Padrón é a Casa-Museu de Rosalía de Castro,

 

 

a vivenda onde a genial poetisa [que nasceu em Santiago] passou largas temporadas da sua vida e na qual morreu de cancro, aos 48 anos de idade.

 

Uma estátua no Passeio do Espolón,

 

 

paga por padroneses do Uruguay, recorda a filha mais famosa do povo”.

 

 (Pormenor cimeiro da estátua)

 

Padrón, segundo Gronze.com, tem uma profunda vinculação ao mundo da literatura através não só de Rosalia de Castro como também de Camilo José Cela, nobel da literatura, que nasceu em Iria Flávia e aqui se encontra sepultado.

 

Apesar de Camilo José Cela ter «honras» quanto Rosalía de Castro, ao ponto de Cela também ter, no Passeio do Espolón,

 

 

uma estátua,

 

 

positivamente, minhas preferências vão para a poetisa. Há coisas do coração que a razão desconhece. Rosalía, e seu marido, nasceram galegos, viveram em galego e morreram galegos - é uma galeguista pura. Camilo Cela nasceu na Galiza e está enterrado na Galiza. Simplesmente. E não é por acaso que a cidade mais importante do Norte de Portugal, o Porto, deu o nome de Galiza a uma das suas praças e, no meio dela, está uma escultura,

 

 

de Barata Feyo, com a poetisa galega.

 

Aqui está, assim, caros (as) leitores (as), a razão pela qual abri o post/reportagem da 4ª etapa com um poema desta autora retirado da sua obra «Cantares Gallegos».

 

Padrón, no âmbito gastronómico, é famosa pelos seus pimentos.

 

Quanto a estes pimentos, um pouco da sua história que, naturalmente, nos remete para o Mosteiro ou Convento de Santo António de Herbón.

 

 

O Mosteiro Franciscano de Herbón foi fundado em 1396 por Gonzalo Mariño e Pedro De Nemancos graças aos donativos de Fernando Bermúdez de Castro e dos cónegos da Colegiata de Iria Flávia.

 

É de estilo austero e funcional e a sua arquitetura, igualmente majestoso como a de muitos outros, está encoberta pela enorme quantidade de árvores no fundo do vale. No exterior estão os resistentes e autóctones carvalhos ou robles, mudos testemunhos da celebração anual da «Festa do Pemento».

 

 

No interior encontramos árvores frutais de grande qualidade. Consta de vários edifícios rodeados por alto muro de pedra. A igreja é de meados do século XVIII, na qual se destaca o seu campanário. O resto do edifício sofreu vária reformas, que ainda continuam. O conjunto é rodeado por um muro com uma longitude de 825 metros. Sobressai o seu Claustro, a dependência do Arcebispo, a Fonte de São Bento, assim como o formoso retábulo, obra de Jacinto Barrios.

 

No interior da sua igreja destacam-se as talhas escultóricas de Gambino, que conserva o retábulo do altar-mor realizado por Benito Collazo.

 

Para chegar até ao mosteiro tem de se ir por uma larga e empinada rampa, de várias escadas, e, desta forma, vamos ao encontro da sua sóbria fachada com uma formosa torre campanário.

 

Ao longo dos tempos o mosteiro teve diferentes usos. Num primeiro momento, dedicou-se à observância franciscana; posteriormente, funcionou como colégio/seminário de missionários e também como prisão para os (monges) liberais.

 

Hoje em dia, e após várias vicissitudes, que não vêm para aqui contar o caso, todo o conjunto constituído pelo Convento foi declarado em 2013, pela Junta da Galiza, como Bem de Interesse Cultural (BIC), graças ao bom entendimento entre os representantes da Ordem Franciscana, do Seminário Galego de Educação para a Paz e a Associação Galega de Amigos do Caminho de Santiago, falando também em nome de uma outra instituição - Viravolta.

 

O Convento, numa das suas dependências, serviu em tempos, para hospital de peregrinos. E hoje tem um albergue gerido pela Associação Galega de Amigos do Caminho de Santiago. Quem passar pela Igreja de Pontecesures e antes de entrar na ponte, como já referimos no post anterior, há um desvio de 2, 5 ou 2,7 Km que nos leva até este Mosteiro.

 

Não resistimos em reproduzir aqui as impressões de um peregrino, de nome Milio, citado pelo Eroski Consumer, quando por lá passou:

  • Salud, para mi el albergue mas emblemático del Portugués, pasear por los claustros y jardines, beber de las fuentes, la bendición de los peregrinos por parte de los hermanos franciscanos y la acogida de los hospitaleros voluntarios de la Agacs, conforman una experiencia inolvidable. Milio”.

Os monges franciscanos não o reclamam, mas a história conta que foram eles quem trouxeram da América a planta dos pimentos, nos finais do século XV. Provavelmente do México ou do sudoeste dos Estados Unidos.

 

O Mosteiro de Herbón foi um dos primeiros lugares da Galiza a cultivar este pimento, tal como a batata para consumo doméstico.

 

Este pimento é pequeno, de forma alargada e sabor intenso. Pode ser muito ou pouco picante. Esta característica está na origem de um ditado popular galego: «Coma os pementos de Padrón: uns pican e outros non».

Atualmente são cultivados na bacia formada pelos rios Ulla e Sar, especialmente nas estufas de Herbón.

 

Apesar da fama destes pimentos, contudo, aqui em Padrón,  uma vez que os tínhamos provado em Caldas de Reis, não os comemos. As nossas preferências gastronómicas em Padrón, ao jantar, foram mais para os «frutos do mar».

 

Para finalizar a reportagem desta etapa, e neste Destaque, não queríamos terminar sem aludir aqui a três monumentos de significado vernáculo na cultura e tradição galega.

  • Para além da célebre «Pimenteira»;
  • O monumento ao «Carro de bois»;
  • O monumento à «Castanheira» e, na tradição jacobeia,
  • O monumento ao «Peregrino», localizados em artérias importantes do seu centro urbano.

 

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta 4ª etapa e do nosso passeio pela cidade de Padrón.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blog].

 

publicado por andanhos às 15:29
link do post | comentar | favorito
2 comentários:
De julio vasques a 1 de Março de 2014 às 23:15
Reportagem com grande classe. Sinceramente gostei do que vi.Parabens.


De andanhos a 29 de Março de 2014 às 14:45
Obrigado, amigo!


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