Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Parque Natural do Monte Aloia (I)

 

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

B.- Foto 3

 (Fonte:- https://wall.alphacoders.com/big.php?i=777992&lang=German)


- «Andaina» pelo Parque Natural Monte Aloia -
20.maio.2018

 

A.- Rota do Monte Aloia (276)

 

"Quero morrer
fundirme no chan
pudirme todo
antre a terra.

 

Esquecerme da lus
e da choiva,
non lembrar xa
os solpores vermellos
e que de min
o que antes fora eu
naza un carvallo..."

 

Xan Bouzada
Poemas Xóvenes galegos

 

 

A.- PALAVRAS PRÉVIAS

 

Era uma vez...

 

É assim que invariavelmente começamos qualquer história que queremos contar aos nossos filhos e/ou netos pequeninos, quandos os queremos adormecer.

 

Nosso intento de hoje não é adormecer o leitor. É mesmo contar uma breve e simples história. De um lugar galego, fronteiriço com terras portuguesas que, entre muitas das suas atrações, dá para, em certos dias, aproveitar para, num dos seus muitos recantos, adormecer.

 

Mas não só.

 

Vamos então à história.

 

Era uma vez uma elevação montanhosa que faz parte, a sul, da serra do Galiñeiro, no concelho de Tui, província de Pontevedra, declarada Parque Natural a 4 de dezembro de 1978 - o primeiro da Galiza. Está também declarado LIC (Lugar de Interesse Comunitário) e Sítio Natural de Interesse Nacional (1935), Zona de Especial Proteção de Valores Naturais e espaço da Rede Natura 2000.

 

Pergunta natural: a que se deve tantos apodos?

 

Comecemos pelo monte. Nele encontramos vegetação com valores naturais destacáveis, uma flora autóctone, misturada com espécies atlânticas e mediterrâneas, algumas espécies endémicas e espécies florestais exóticas, alheias a este meio ambiente, como os ciprestes e os cedros do Líbano, entre outras, dando, desta feita, a este lugar uma enorme diversidade arbórea.

 

O responsável por este estado de coisas, ou seja, pela circunstância de 746, 29 ha do monte, propriedade da Comunidad Veciñal de Montes en Man Común de Rebordáns e de la Entidad local Menor de Pazos de Reis, 81% estar coberto de árvores, foi o engenheiro de Montes (florestal), natural de Tui, Rafael Areses Vidal, membro do Distrito Florestal de Pontevedra-A Coruña, que, a partir de 1910, o mandou repovoar, mudando por completo a antiga fisionomia rochosa que este monte apresentava.

 

Convém, desde já, informar o leitor que o engenheiro tudense, Rafael Areses Vidal, não era um fervoroso adepto da dita silvicultura gernâmica, teoria predominante na 2ª metade do século XIX, que considerava as árvores como elementos fundamentais de um equilíbrio natural, numa visão humboldtiana; pelo contrário, Areses Vidal foi, enquanto responsável florestal, o intérprete do monte ou bosque como fornecedor de madeira (função essencialmente económica, com poucas preocupações sociais), na esteira do pensamento todo poderoso de Otavio Elorrieta, Diretor Geral dos Montes na Ditadura de Primo de Rivera, que fazia a apologia da plantação na floresta de espécies de crescimento rápido, aplicando-se e defedendo-se, assim, para a silvicultura «mediterrânea» uma gestão privada do monte face à pública, compatibilizando os diferentes usos (agricultura e pastorícia) no mesmo espaço florestal.

 

Contudo, apesar de se saber que Rafael Areses Vidal era um defensor do predomínio das explorações florestais de espécies de crescimento rápido, como o pinheiro bravo, não esqueceu, todavia, as espécies tradicionais, como o carvalho e o castanheiro, propondo, para o efeito, uma repovoação seletiva nos sítios mais apropriados, defendendo o valor das massas arbóreas mistas, de um ponto de vista ecológico e sanitário.

 

É exatamente esta visão que verificamos quando, percorrendo o Parque Naural Monte Aloia, nele vemos espelhada. O Monte Aloia tem um predomínio absorvente da silvicultura intensiva, com intuito de trazer rendimentoa a curto prazo.

 

Os endemismos, as espécies autóctones e as exóticas não passam de simples «nichos» no Monte Aloia, apesar de constatarmos, no pensamento final do engenheiro Rafael Areses, uma maior sensibilidade para as funções sociais do bosque, ao mesmo tempo que defendia a valorização estética do mesmo, propondo que, nas repovoações, se harmonizasse o «útil com o belo».

 

Em suma, há que ver o Monte Aloia, sob o ponto de vista florestal, não só no pensamento vigente à época da sua intervenção, em particular da do seu principal agente «criador».

 

Concordando-se ou não com o engenheiro Rafael Areses Vidal, e particularmente com aquilo que o Parque Natural Monte Aloia hoje é, sob o ponto de vista florestal, para os nossos vizinhos galegos, ele constitui uma paisagem de singular beleza.

 

E quem somos nós, meros e simples curiosos da natureza, para discordar?...

 

O Parque Natural Monte Aloia apresenta hoje em dia uma grande diversidade arbustiva que, em conjunto com os seus regatos, criaram uma importante fauna e flora.

D.- Foto

 (Fonte:- http://www.turismo.gal/que-visitar/espazos-naturais/parques-naturais/monte-aloia?langId=pt_PT)


No que respeita à flora, o Monte contém cerca de 450 espécies, das quais, 30 são endemismos da Península Ibérica. Nos matagais, destacam-se a Linaria saxatalis, Halimium lasianthum e a centaura aloiana. Quanto a árvores, destacam-se o pinheiro (bravo), o azevinho, o carvalho (robur), o castanheiro, o sobreiro, o salgueiro, o amieiro, o vidoeiro e o loureiro, entre outras, para além das espécies exóticas introduzidas pelo engenheiro Rafael Areses Vidal, como já referido.

 

Também é interessante a abundância de «hongos» (Tricholoma pseudoalbum gallaecicum), como é só conhecido na Galiza. Os líquens estão representados por 10 espécies.

 

Um dos grupos de animais que são únicos em Aloia são os anfíbios e reptéis, presentes nas rochas, regos e charcos, face à abundância de precipitação durante grande parte do ano. Enumeramos alguns: o sapo corredor (Bufo calamita), o tritão ibérico e jaspeado, a salamandra rabilarga, comúm, a rã ibérica (Rana iberica), a salamandra lusitânica (Chioglossa lusitanica) o largarto de água (Lacerta schreiberi), o licranço (Anguis fragilis), a cobra-de-pernas-pentadáctila (Chalcides bedriaga), a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), a cobrade-água-viperina (Natrix maura), de colar, o lagarto ocelado, o verde e negro, e a lagartixa de Bocage (Podarcis bocagei) são as espécies mais destacadas. Face à abundância destes animais, esta zona foi considerada como de interesse herpetológico.

 

Entre as aves destacam-se o gavião, o açor, o milhafre , o búteo, o mocho e a coruja.

 

Quanto aos mamíferos, vemos a Desmana moschata pirenáica, a rata de água, o ésquilo, o javali, a raposa, a fuinha, o morcego, o cavalo selvagem, entre outros.

E.- Foto

 (Fonte:- http://www.turismo.gal/que-visitar/espazos-naturais/parques-naturais/monte-aloia?langId=pt_PT)


No que respeita a peixes, são abundantes as bogas (Chondostroma arcasii).

 

Mas o Parque Natural Monte Aloia não é só massa arbórea, monte ou floresta, com a sua específica flora e fauna.

C.- Foto 1

 (Fonte:- http://www.nonstop.es/acercate-contemplar-el-parque-natural-monte-aloia/)


É um lugar onde podemos disfrutar de amplas vistas, nos seus mais diversos miradouros, em que o Monte de Santa Tecla, as serras de Groba e do Galiñeiro, o vale do rio Louro, os montes de Budiño e a Paranta e, no seu pólo sul, o rio Minho e as terras fronteiriças portuguesas, com Tui a nossos pés, são lugares de eleição para nossa contemplação.

 

Mas também não é só de espaço natural e de belas panorâmicas, de que Monte Aloia é feito. É repositório de restos históricos e etnográficos, desde moinhos, com condução de águas, povoados pré-históricos (Castro do Alto de Cubos), achados arqueológicos, uma muralha ciclópica de 1 250 metros de longitude - uma citânia com 20 000 anos -, que rodeia a meseta superior do Pico de San Xiao, onde se localiza o Santuário/Ermida de San Xiao (São Julião), San Fins e Nossa Senhora das Angústias.

 

No Parque Natural Monte Aloia não faltam as lendas. As mais conhecidas são a da cama de San Xiao, onde, ao seu redor, a erva não medra, e a que se conta acerca das éguas do Monte Aloia que são fecundadas pelo vento. Este é também conhecido como o mítico Monte Medulio, cenário da coletiva das tribos celtas, que preferiram o suicídio a cairem nas mãos dos romanos.

 

O Parque Natural Monte Aloia, no seu alto, é um lugar de peregrinação. No Alto de San Xiao, à altitude de 631 metros, e no seu Santuário ou Ermida, de origem românica, reconstruída no século XVIII, celebram-se três festas ou romarias tradicionais: em 27 de janeiro, em honra de San Xiao (São Julião), em que a tradição manda os crentes virem a pé, desde a cidade de Tui até à Ermida; no primeiro domingo de julho, à Virgem das Angústias e, finalmente, no primeiro de agosto, a San Fins.

 

Nas proximidades deste Santuário encontra-se umas longas e largas escadas que nos conduzem até à Fonte do Santo (San Xiao) - também chamada Fonte do Bispo, de Tui - ladeadas de mesas merendeiras e árvores de grande porte.

 

Por último, o Parque Natural Monte Aloia, situado numa zona densamente povoada da Galiza e do Norte de Portugal, orienta-o para atividades de educação ambiental e, como não podia deixar de ser, para atividades de ócio ao ar livre, destacando-se, fundamentalmente, os percursos pedestres.


Para os leitores que queiram informar-se mais pormenorizadamente, e a fundo, sobre este primeiro Parque Natural da Galiza, e que por nós foram atentamente lidos, segue-se uma lista de sítios da internet, que, também, podem consultar para o efeito:


Parque Natural Monte Aloia/Galicia, o bom camino - Xunta da Galicia

Parque Natural Monte Aloia

O Monte Aloia, Vida y Naturaleza

Galicia, Natural e Única

DescubreCadaDía

Galicia Mágica.eu

Entidad local Menor - Pazos de Reis


Plan Reitor de Uso e Xestión - Parque Natural do Monte Aloia


 Do homem que deixou ligado o seu nome ao Parque Natural do Monte Aloia, Eng. de Montes (Florestal), o tudense Rafael Areses Vidal, eis também os sítios, onde podem obter um maior conhecimento da sua vida e da sua atividade profissional:


Os comezos da repoboación forestal en Galicia

Rafael Areses Vidal - Wikipédia

Pazos de Reis - Monte Aloia


publicado por andanhos às 12:30
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