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Chaves através da imagem - O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

 

 

CHAVES ATRAVÉS DA IMAGEM

 

O MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA NADIR AFONSO

2015 - Chaves I Olympus (59).jpg

Durante o ano transato, na nossa página pessoal do Facebook, por um certo período de tempo, sob a designação «Chaves: Um dia - uma foto», fomos publicando imagens de Chaves, incidindo, fundamentalmente, sobre aspetos particulares da arquitetura, pública e privada, (ou ruínas) do seu casario.

 

Com a abertura desta rubrica, «Chaves através da imagem», neste nosso blogue, nosso desiderato mudou um pouco.

 

Se bem que os aspetos estéticos particulares do casario e dos monumentos da nossa cidade continuem a ser a nossa preocupação, agora, nosso objetivo ou finalidade pretende ir um pouco mais além. Ou seja, se bem que certos aspetos do casario e dos monumentos persistam na nossa mente como ideia clássica do seu património cultural material, na promoção de monumentos e outros testemunhos de legitimação do passado, mesmo quando se mostram ruínas, nossa atenção vai virar-se, predominantemente, para a imagem da cidade como um todo, nas suas diferentes vertentes: desenho urbano, arquitetura, arte pública e participação cidadã, entre outras.

 

Desta forma, o espaço público flaviense é o nosso palco de eleição, em termos de observação e reflexão. No tipo de desenho que lhe demos e estamos dando; na arquitetura que o envolve; nos passeios, ruas, rotundas, jardins, estatuária ou escultura que o ocupa, enfim, na organização e ocupação que, ao longo do tempo, dele fazemos. É a imagem que temos da nossa cidade, e que a habitamos, como aquela que queremos deixar como legado aos nossos vindouros.

 

Nesta vertente imagiológica, que desejamos agora inaugurar, o que vamos, muitas vezes, questionar é o tipo de desenho urbano que temos e que desejamos (ou deveríamos desejar) para o espaço da nossa urbe, entendida como polis, numa relação dialética entre o espaço público e privado, onde os agiotas e os especuladores imobiliários (e seus «intermediários» das mais diversas proveniências) estejam arredados ou, quando muito, para eles, existam regras bem definidas.

 

E, nesta perspetiva, estamos com Pedro de Andrade quando, na Introdução à obra «Arte pública e cidadania - novas leituras da cidade criativa», afirma que “mais atenção deveria ser dada, por parte das instituições públicas, e igualmente organizações privadas e associações e movimentos de cidadãos, às novas formas do património cultural, como o chamado «património imaterial» (tradições populares, performances e outras imersões artísticas) ou a obras de arte propostas por artistas de vanguarda”.

 

Ao apresentarmos neste post uma imagem do edifício onde se vai instalar o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso - ele um pintor com formação básica em arquitetura - não o fazemos de um modo inocente.

 

Não sabemos o que os decisores políticos locais pretendem que função ou funções esta instituição venha a desempenhar. Contudo, temos para nós, que esta instituição - que de certa forma é semipública, porquanto as suas obras de arte e as suas diferentes ações culturais se vão desenvolver dentro das suas quatro paredes -, deve ser um espaço que deve desempenhar uma nova e inédita conceção ou função cultural: para além da exibição e dinamização do património e herança culturais, deverá propiciar debates sobre o desenho urbano e o espaço público da nossa cidade e inspirar políticas culturais mais consequentes, e cujo primeiro destinatário, mas também seu autor e ator, é o cidadão.

 

Tal conceção da função do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso implica e exige que esta instituição deixe de ser um «cárcere» da política cultural dos protagonistas político-partidários que, em dado momento, ocupam o poder da Praça de Camões, e que seja capaz de descer à rua, invadindo-a, dinamizando-a, movimentando-a, dando preferentemente a voz, a ação e o protagonismo ao cidadão que vive quotidianamente nos diferentes espaços da urbe flaviense.

 

Será que os nossos os nossos decisores políticos locais terão a humildade, a coragem, o entendimento e o jogo de cintura suficiente para entenderem que, nos tempos por que passamos, a democracia representativa cada vez mais deve dar o lugar à democracia participativa e, através da dinamização e animação sociocultural, transformemos o cidadão em verdadeiro ator e autor do seu próprio desenvolvimento, assumindo, aqueles que elegemos, o dever e a ação cívica de coadjuvarem quem os elegeu nesta tarefa?

 

É nesta dialética representativa e participativa que se vê a qualidade dos políticos que temos e a valia dos cidadãos que somos na construção de uma verdadeira polis.

20151214_161532.jpg

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