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Ao Acaso... - A história da expressão «fino como o alho»

 

 

AO ACASO...

 

A HISTÓRIA DA EXPRESSÃO «FINO COMO O ALHO»

 


Vamos frequentemente ao Porto. Umas vezes, por questões de saúde, pois, infelizmente, o nosso interior está cada vez mais desertificado, reestando apenas os nossos «maiores», pois os jovens deslocam-se para o litoral e os grandes centros, onde se concentra tudo o que é de especialidades, nomeadamente as médicas; outras vezes, para «arejar» e sair desta pasmaceira em que estão transformadas a nossas cidades do interior; e, finalmente, visitar amigos e familiares, ou porque vivam na área metropolitana do Porto, ou porque se encontram retidos em diferentes instituições de saúde da Invicta.

 

Nestas nossas deslocações à apregoada capital do Norte, sempre que podemos, aproveitamos para a conhecer melhor, na sua vida quotidiana e na sua história.

 

Há um certo tempo a esta parte, os livros do penafidelense Germano da Silva, jornalista e historiador, profundo conhecedor e amante do Porto e da sua história, normalmente, acompanha-nos.

 

Se bem que vamos a meio dos itinerários propostos pela publicação da Editora Educação Nacional «Porto - Guia Turístico», deste vez, durante estes últimos dias de permanência na área metropolitana do Porto, pegámos no livro «Caminhar pelo Porto na companhia de Germano da Silva» e propomo-nos a fazer dois, dos sete percursos, sugeridos pelo autor.

 

O primeiro deles leva-nos da Praça da Liberdade a São Bento.

 

Enquanto deambulávamos, descendo de São Bento, pela rua das Flores, a determinado passo, à nossa esquerda, deparámos com uma pequena rua, que mais parece uma travessa, e que vai de encontro à monumental rua de Mouzinho da Silveira. Pelos passos nela dados, e segundo os curiosos que a mediram, não deve ter mais de 30 metros.

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O seu nome era-nos totalmente estranho - Rua de Afonso Martins Alho.

 

Abrimos o livro de Germano da Silva e, no final da página 31, o autor, em destaque, escreve: “Rua de Afonso Martins Alho - a mais pequena artéria da cidade. O homem que deu nome à curta artéria foi um rico mercador do século XIV que em 1353, em nome do rei português, assinou, em londres, com Eduardo III da Inglaterra, o primeiro tratado de comércio e pesca entre Portugal e Inglaterra”.

 

Sentámo-nos no café da esquina, que a liga à rua de Mouzinho da Silveira

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e, enquanto tomávamos o nosso «cimbalino», pegámos no telemóvel, ligámos os dados móveis (a internet, via wifi, não está ainda tão generalizada, como gostaríamos, nos nossos estabelecimentos comerciais) e procurámos aprofundar a história do homem que dá o topónimo a esta artéria (rua) mais pequena do Porto.

 

Assim, no sítio da internet «ncultura.pt/a-rua-mais-pequena-do-porto», podemos ler, reproduzindo sucintamente o essencial que vem aqui para o caso:


Afonso Martins alho esteve ligado à administração municipal, chegou a ser Vereador da Câmara mas foi, sobretudo, um negociador nato!“.

 

Com efeito, Afonso Martins Alho, mercador do Porto (século XIV), juntamente com Gomes de Limpas, o mercador Limpas, foi enviado por D. Afonso IV a Londres, em 1353, para negociar e firmar o primeiro tratado comercial anglo-luso. Os dois enviados limitaram-se a obter do soberano inglês um salvo-conduto anual para todos os mercadores e navios portugueses nos portos britânicos.

 

Afonso Martins Alho voltou de novo a Londres como mensageiro e procurador dos mercadores e comunidades das cidades marítimas de Lisboa e Porto para celebrar um tratado de comércio, composto por oito artigos, válido por 50 anos, e assinado em Londres em 20 de outubro de 1353.

 

Segundo José Pedro de Lima-Reis no livro «Algumas notas para a história da alimentação em Portugal» (Campo das Letras), constante no sítio da internet acima citado, o acordo com Eduardo III da Inglaterra trata-se do primeiro tratado comercial firmado entre Portugal e Inglaterra e, uma das trocas que resultou deste entendimento, terá sido referente à importação de bacalhau contra o envio de vinho verde, expedido de Viana do Castelo.

 

Diz-se que, graças à sagacidade e à grande habilidade de negociador de Afonso Martins Alho, a partir de certa altura, começou a usar-se a expressão «fino como o alho» ou «fino que nem um alho», passando, tal expressão, a incorporar-se na língua portuguesa, querendo-se significar com ela que certo indivíduo ou personalidade em questão é muito esperto, muito sagaz e astucioso.

 

Lamenta Germano da Silva: “Um homem tão importante numa artéria tão pequena...

 

Infelizmente, em termos de toponímia, nem sempre damos importância às artérias de uma cidade em função do passado das suas mulheres e homens. Outros interesses se metem pelo meio...

 

Quanto a nós, basta a eternização da expressão para, com ela, eternizar o homem que a ela está ligado.

 

A rua Afonso Martins Alho não tem a monumentalidade da rua de Mouzinho da Silveira, nem a beleza e graciosidade da rua das Flores, contudo, nos seus escassos 30 metros, apresenta a verdadeira, típica arquitetura portuense.

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