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andanhos

03
Jan20

Ano Novo... Renovando

andanhos

 

ANO NOVO... RENOVANDO

 

Nasci com os olhos postos na Fraga do Marão.

Comecei a olhar e a aprender o mundo

tendo sempre omnipresente aquele cenário,

rodeado de casas brancas,

dispersas pela paisagem,

e pelos socalcos de vinhedos;

ao fundo, como chamando por nós para outras paragens,

o rio Douro.

                                                                              ***                                      

Vi a sombra antes de ver a luz.

Há uma tarde de novembro que ficou,

em mim para sempre.

É num fundo roxo e dourado,

que o meu perfil de criança

me aparece, ao longe,

tão triste

mais um sentimento vago

que uma forma definida.

Nos primeiros tempos,

vivemos mas não existimos.

Eu era então uma alma

a esvoaçar um corpo,

e tudo era alma,

diante de meus olhos.

Teixeira de Pascoaes

 

Quando escrevíamos o primeiro post deste blogue, a certa altura, dizíamos que, após o capítulo “RAÍZES”, desenvolveríamos os seguintes blocos temáticos:

  • Memórias da minha infância;
  • Gallaecia, dividida nas seguintes rubricas:
    • Por Terras da Gallaecia
    • Pelos Caminhos de Santiago na Galiza
    • O Douro dos meus encantos
    • Por terras do Alto Tâmega e Barroso
  • Por terras de Portugal
  • Encontros com a História e o Património
  • Áreas Naturais
  • Eventos e Passeios
  • Férias.

 

Convenhamos que, para um autor só – sem qualquer colaborador – era deveras um projeto ambicioso!

 

A 25 de janeiro de 2016, decorridos mais de cinco anos da criação deste blogue, no post «Renovando», decidimos, face à demasiada ambição do desenvolvimento das temáticas que nos propúnhamos desenvolver neste blogue, renová-lo, tendo em conta a avaliação do trabalho que, neste mesmo blogue, tínhamos realizado até àquele momento. E, assim, a partir daquela altura, foram estas as rubricas que começaram a aparecer:

  • Reino Maravilhoso, com os seguintes subtemas:
    • Douro
    • Barroso
    • Alto Tâmega
    • Trás-os-Montes
  • Palavras Soltas
  • Memórias de um andarilho
  • Ao Acaso…
  • Chaves através da Imagem
  • Versejando com a imagem.

Entretanto, em 2012, criámos mais dois blogues: Voilá é Zassu, cujo objetivo da sua criação era o que se apresentava no seu primeiro post «Encontros(s) - Cena zero - Encontro prévio» mas que, também, ao longo da sua existência, foi sofrendo alterações, conforme escrevíamos no post «Poesia e Arte 79 – Poemas nos Diários de Miguel Torga – Epílogo»; e nona, um blogue subordinado às rubricas mais frequentes deste Andarilho de Andanhos, mas, exclusivamente, dedicado à apresentação das nossas fotografias.

 

É agora, passados quase mais de cinco anos, de proceder a nova renovação.

 

Desta feita, este blogue passará a contar apenas com reportagens de passeios e escapadas no nosso

 

  • Reino Maravilhoso, que continuará a contar com os subtemas: 
    • O Douro dos meus encantos
    • Barroso
    • Alto Tâmega e
    • Alto Trás-os-Montes. 

Faremos reportagens das nossas caminhadas em:

  • Memórias de um andarilho.

Faremos também reportagens de passeios e escapadas levadas a efeito em

  • Por Terras da Ibéria, quer sejam levadas a cabo em Portugal, com exclusão do Reino Maravilhoso, quer nas diferentes províncias e/ou regiões da nossa vizinha Espanha, na nossa Península Ibérica (Ibéria).

Finalmente, uma última rubrica,  

  • Ocasionais, quando o tema não se enquadre em nenhuma das reportagens acima mencionadas.

 

O blogue nona continuará a dedicar-se à exposição das nossas fotografias, segundo o esquema temático deste blogue, que, abreviadamente, designamos de Andanhos.

 

O blogue Voilá é Zassu, ou simplesmente Zassu, «viverá» a custa das restantes rubricas que faziam parte deste blogue, ou seja,

  • Palavras Soltas
  • Ao Acaso…
  • Versejando com imagem.

 

Como os leitores(as) dos nossos três blogues já repararam, alterámos o visual, «cabeçalho» dos mesmos.

 

Agradecemos ao nosso grande amigo Fernando DC Ribeiro, autor do blogue «CHAVES», que nesta data cumpre 15 anos de existência, o trabalho de «design» que neles realizou. Quer o nona, quer o Voilá é Zassu apresentam «caras» totalmente novas.

 

Andarilho de Andanhos, embora mantenha a sua matriz essencial, sofreu também algumas alterações. A primeira tem a ver com uma citação, da autoria de Miguel Torga, de que muito gostamos; a segunda, com a junção, na imagem base, da Ponte Romana de Chaves e o rio Tâmega.

 

É de todo justo que Chaves aqui apareça. Vão para mais de 55 anos que aqui residimos e fizemos vida nesta cidade e concelho. Aqui nasceram os amores da nossa vida, nesta terra onde «ganhámos» o pão de cada dia, simbolizado numa espiga, no canto direito do «cabeçalho».

 

Mas se Chaves, a Aquae Flaviae antiga, é «A Terra dos Meus Amores», tal como o título do pequeno opúsculo – uma coletânea de poesias -, de Artur Maria Afonso, pai de Nadir Afonso, que a Camara Municipal de Chaves deu à estampa, quando éramos responsável pelo Pelouro da Cultura, em 1993, e que aqui transcremos um dos poemas:

 

AQUAE FLAVIAE

AQUAE FLAVIAE é no Mundo

Uma estrela rutilante!

Teu ar alegre e jocundo

Cantasse-o Camões ou Dante!

 

De graça e sonho me inundo

Ao contemplar teu semblante.

Teu valor não tem segundo

Por toda a Terra adiante.

 

Eu ando enamorado

Há muito, desde o passado,

Por ti, Princesa d’Honor!

 

Faz espelho do teu rio,

Panteia as tranças com brio,

E dá-me um beijo d’amor.

Maio de 1957

Do livro de poesias “ORAÇÕES AO VENTO” (1982),

acompanhado de uma ilustração de seu filho, Nadir Afonso,

Aquae Flaviae

(Ilustração de Nadir Afonso)

contudo, a terra onde nascemos, (Santa Maria de) Oliveira, concelho de Mesão-Frio, onde o Alto Douro Vinhateiro – a mais antiga região vinhateira demarcada do Mundo – começa, continuará a ser a terra a que o nosso coração pertence e reside, ao longo da diáspora da nossa vida.

 

Ela aqui está, guardada pela imponente Serra do Marão, com a Fraga da Ermida a protegê-la e, por vezes, ameaçando-a.

 

Por esta circunstância, uma vez mais, não resistimos a citar um pequeno excerto do grande poeta da saudade, na sua obra Marânus:

 

SERRA DO MARÃO

Amo-te, ó serra, em tudo do que tu és!

Amo-te, desde a rocha que em ti sofre

Ao tojo bravo e à urze tão mesquinha

De que sempre te revestes, porque, enfim,

Tu és grande e, portanto, pobrezinha!

Teixeira de Pascoaes

 

O cacho de uvas que aparece neste novo «cabeçalho», do lado esquerdo, e sobre (Santa Maria de) Oliveira representa todo o Douro, feito de trabalho árduo, suor e pelas mãos ossudas e calosas do Homem que trabalhou aqueles montes de geios e pedra dura, numa atividade que teve o seu quê não só  de grandioso como de trágico, tal como tão bem o nosso saudoso e querido António Cabral o cantava neste poema:

 

AQUI, O HOMEM

Nem Baco nem meio Baco!:

                Aqui é o homem,

desde as mãos ossudas e calosas,

desde o suor

ao sonho que transpõe as nebulosas.

 

Montes de pedra dura,

               gólgotas

onde os geios são escadas!

Venham ver como sobe o desespero

 e a esperança, de mãos dadas.

 

É o homem.

         Isso é o homem.

– Nem sátiro nem fauno –

Uma vontade erguida em rubro gládio

que ganha a terra, palmo a palmo.

 

Vinhas que são o inferno,

                    o único

em que o fogo é a taça da alegria!

Venham ver um senhor

grandioso como o sol ao meio-dia.

 

Nem Baco nem meio Baco!:

           Aqui é o homem

que nada há que não suporte

mas suporta e persiste.

Aqui é o homem até à morte.

António Cabral, Poemas Durienses., 1963

 

E é tudo por hoje.

 

A todas as nossas amigas e amigos leitores(as) deste blogue,

 

UM BOM ANO 2020

 

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