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Amadora - Congresso Internacional de ASC - À conversa com Padre Fontes

 

 

AMADORA - CONGRESSO INTERNACIONAL DE ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL


Mais uma vez a Associação Intervenção nos «presenteou» com um Congresso sobre Animação Sociocultural, desta vez, sobre o tema «Globalização, Multiculturalidade, Educação Intercultural e Intervenção Comunitária».

 

Nos últimos anos de docência universitária, antes da nossa aposentação, lecionámos disciplinas que sensibilizavam os alunos(as) para o desenvolvimento dos territórios, particularmente na vertente turística. E, paulatinamente, fomo-nos apercebendo da importância da animação (sociocultural) como instrumento (e condição) fundamental para a prossecução de um verdadeiro e autêntico desenvolvimento: equilibrado, justo e sustentável. Enfatizando a participação cidadã na construção dos seus próprios territórios, sempre guiados pelo lema de que “ninguém desenvolve ninguém, a não ser nós próprios”.

 

Ao sermos convidado pelos amigos(as) da Associação Intervenção para coordenar o Painel VIII - Multiculturalidade, Educação Intercultural, Turismo, Ócio e Tempo Livre, não podíamos recusar tal pedido. Tanto mais que o mesmo vinha acompanhado de um outro: o de apresentar um homem, transmontano e barrosão, nosso amigo há mais de 50 anos, e que, durante todo o seu percurso de vida, outra coisa não fez senão que intervenção comunitária, promovendo o Barroso, a cultura barrosã e as suas gentes.

 

Aqui fica, assim, a minha pequena e improvisada intervenção, aquando da apresentação do «À conversa com o Senhor Padre Fontes»:

 

PALAVRAS DE APRESENTAÇÃO «À CONVERSA COM O SENHOR PADRE FONTES»

asc-amadora (444)

 (Foto gentilmente cedida por Fernando DC Ribeiro)


Vimos do Reino Maravilhoso de que nos fala Torga: eu, mais a sul, das terras onde Baco é adorado como seu deus, numa cíclica e penosa penitência do homem em cuidar do jardim donde sai o fino e dourado néctar, apreciado por deuses, príncipes e plebeus; António Lourenço Fontes, mais a norte, é filho criado entre um mar de pedras, a paisagem gélida e o rugido dos ventos que deus Larouco comanda.

 

Reino Maravilhoso muitas vezes - ou quase sempre - esquecido.

 

Mas que, à custa da têmpera e vontade indomável dos seus nativos, persiste em viver e afirmar que é parte integrante de um Portugal que ajudou a criar. E que jamais se esqueceu dos seus vizinhos que as vicissitudes da História, erguendo-lhe muros (fronteiras) deles os queriam separar, mas nunca desistiram da partilha do encontro e da convivência com os seus irmãos galegos.

 

É tendo presente esta realidade que, em poucas palavras, vos queria falar de um homem, pertencente a uma parcela bem específica desse Reino Maravilhoso - o Barroso - para, a partir daqui, puderdes ir à conversa com ele.

 

Nasceu em Cambeses do Rio, concelho de Montalegre, Barroso, distrito de Vila Real, Trás-os-Montes.

 

Nos finais dos anos 50 do século passado tirou o curso de Teologia no Seminário Diocesano de Vila Real, com 22 anos de idade.

 

Na década de 80 do século passado, licenciou-se em História.

 

Ordenado presbítero, o seu bispo deu-lhe as freguesias de Tourém, Pitões das Júnias e Covelães para paroquiar. Nestas paróquias exerceu o seu múnus sacerdotal de 1963 a 1971, deixando nesse ano aquelas paróquias, passando, a partir daí, a paroquiar Vilar de Perdizes, Meixide e Soutelinho da Raia. De 2002 até 2005 é-lhe entregue também a paróquia de Mourilhe.

 

Em 2015, acossado severamente pela doença de Parkinson, que tomou conta do seu corpo, abandonou todo o múnus sacerdotal que o seu bispo lhe destinou. Mas não parou. Continua ativo nas áreas que sempre lhe foram queridas e às quais, a par da sacerdotal, dedicou todo o melhor da sua vida.

 

Foi vasta e diversificada a sua atividade, para além da sacerdotal.

 

I.- Como escritor


a).- Escreveu Etnografia Transmontana (em 2 volumes). E em parceria:
b.01).- Usos e costumes do Barroso;
b.02).- Milenário de S. Rosendo;
b.03).- Antropologia da Medicina popular Barrosã;
b.04).- Chega de bois;
b.05).- Raça Barrosã;
b.06).- Las fronteras invisibles;
b.07).- Contos da Raia;
b.08).- Crenzas e mitos da raia ourensana;
b.09).- Ponte da Misarela, ponte do diabo;
b.10).- Roteiro dos Castros de Montalegre;
b.11).- Roteiro dolménico de Montalegre.
c).- Colaborou em vários jornais e revistas regionais.

 

II.- Como conferencista


• Fez centenas de conferências por todo o país e no estrangeiro, em universidades, grupos culturais, escolas e autarquias, versando as mais variadas temáticos do seu Barroso.

 

III.- Fundou e dirigiu o mensário «Notícias de Barroso», de 1971 a 2006.

 

IV.- Foi colaborador permanente da


• Rádio Televisão Portuguesa (RTP), da Televisão Espanhola (TVE) e da Televisão Galega (TVG).

 

V.- Participou, como ator, em filmes rodados no seu Barroso:


1.- Terra de Abril;
2.- Terra Fria;
3.- 5 dias e 5 noites;
4.- Não cortes o cabelo que meu pai penteou.

 

VI.- Participou nos documentários


• Para a BBC, TV da Holanda e França, UNESCO e Odisseia sobre a rubrica «Os Demónios».

 

VII.- Organizou vários congressos nacionais e internacionais, destacando-se:


Milenário de S. Rosendo (1977);
Centenário de S. Bento (1981);
Caminhos de Santiago (1982);
Arquitetura popular (1984)
• 2 sobre Religiosidade popular (1984 e 1985).
• Mas, de todos, o que lhe deu mais projeção, pondo Vilar de Perdizes e as suas gentes no roteiro das medicinas não convencionais, ou alternativas, e do turismo, em Barroso, particularmente em Vilar de Perdizes, foi o «Congresso de Medicina Popular», que iniciou em 1983 e que, com muito poucas falhas, se vem realizando todos os anos até à presente data.

 

VIII.- Promoveu


• Mais de 30 Encontros de Cantadores ao Desafio e Concertinas, pelo Natal;
• Mas o que traz milhares de forasteiros e turistas a Montalegre, e ao seu Castelo, são as «Sextas 13».

 

IX.- Empresário turístico e promotor de eventos


• Em 2000-2001 reconstruiu, em Mourilhe, o Solar do Outão, do século XVII, agora Hotel Rural Senhora dos Remédios, que o transformou num centro cultural de promoção e divulgação das terras e cultura Barrosã, onde acolhe turistas, visitantes, docentes, universidades, estudantes, artistas e comunicação social.

 

Olhando para o número de atividades que desenvolveu e, hoje ainda, com certas limitações, é certo, continua a desenvolver, podemos afirmar que António Lourenço Fontes - o Padre Fontes - é o exemplo vivo de um verdadeiro Animador Sociocultural:


• No saber ouvir, observar e compreender a diversidade do ser barrosão no contexto da região de Trás-os-Montes e Galiza;
• No identificar o território, as suas gentes e a sua história;
• No divulgar, no essencial, a sua alma, com as suas crenças e tradições;
• No promover os seus recursos essenciais, específicos, tendo como base as pessoas, as suas pessoas, em particular os seus paroquianos;
• No dinamizar os recursos, pondo os seus paroquianos a sentirem-se importantes, e valorizando o seu papel na comunidade,
• Enfim, repete-se, a sua vida é um exemplo vivo de um ator/autor participante na construção e desenvolvimento do seu território e das pessoas que nele habitam, dando-lhes dignidade e contribuindo para a sua qualidade de vida.


Infelizmente o modelo de desenvolvimento que Portugal tem vindo a seguir, encostou e encalhou o Barroso para a periferias das periferias, impedindo, assim, que esta cultura viva, que o Barroso representa, não contribua ainda mais para a compreensão e (re)construção da identidade do ser português.

 

O que prevalece no perfil de Padre Fontes não é a predominância da sua atividade sacerdotal no sentido estrito do termo. Da sua formação seminarística, o que prevaleceu foi a grande cultura humanística que dela soube extrair, pondo a sua formação e múnus sacerdotal ao serviço do Homem (das mulheres e homens) das comunidades que, ao longo da sua vida, foi servindo.

 

António Lourenço Fontes foi padre não por uma opção profundamente sentida que o ligasse ao Além, especialmente no sentido místico. Como ele muito bem diz, a sua opção como sacerdote foi ditada por um acaso: a escolha de um de dois papéis dobrados num copo de água, em que um, dizia ser padre, e o outro, não ser.

 

Na verdade, o que, de essencial, Lourenço Fontes aprendeu é que o seu destino era servir o Homem. A sua vocação foi por a sua vida e saber ao serviço desse mesmo Homem, que vive, aqui e agora, num determinado contexto histórico. E o seu contexto foi sempre o Barroso.

 

X.- Não admira, pois, que as suas gentes e instituições o tenham homenageado, premiado e agraciado:


• Prémio abade de Vassal pelos Escritores e Jornalistas de Trás-os-Montes e Alto Douro;
• Troféu do aluno do ano da associação dos Antigos Alunos do Seminário Diocesano de Vila Real;
• Arraiano-mor da Raia Seca (2010);
• Juiz Honorário do Couto Misto;
• Prémio Humanidades e Comunicação, de Ponteares, Vigo/Galiza-Espanha;
• Medalha de Prata da Casa dos Poetas Curros Enriques, Celanova, Galiza, Espanha;
• Diploma de Animação de Soto Chao, Galiza, Espanha;
• Medalha de Prata da Câmara Municipal de Montalegre pelos serviços prestados à Cultura;
• Diploma de Mérito Municipal do Município de Montalegre;
• Duas Comendas de Mérito Cultural da Universidade Sénior, de Barcelos e Esposende (UMATI);
• Atribuição do nome ao Ecomuseu de Barroso, em Montalegre, como Espaço Padre Fontes, selando a sua vida e obra, e integrando nele o seu busto em cera;
• Busto de granito em Vilar de Perdizes.


XI.- Como padre que é, a boa mesa e o bom beber, para ele, não podia estar ausente. Por isso é:


• Confrade Honorário dos Sabores de Beja;
• Confrade Honorário da chanfana, de Vila Nova de Poiares;
• Confrade Honorário do Enófilos e Gastrónomos de Trás-os-Montes;
• Confrade da Ortiga, de Fornos de Algodres;
• Confrade Honorário das Carnes Barrosãs;
• Grão-mestre dos Amigos do Repasto.

 

Pede-me agora o Padre Fontes que vos deixe espaço para usardes da palavra e puderdes interrogá-lo sobre o que entenderdes sobre a sua história de vida, das suas gentes e do seu Barroso.

 

António de Souza e Silva

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