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Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 2.4)

 

Foi a etapa mais longa do Caminho.

 

Quando cheguei ao albergue de Laxe, que alguns dizem ser vanguardista, inaugurado em 2004, mas que nem sequer me apercebi de tal, estava todo “roto”. As bolhas doíam-me “tamaninho” e sobreveio-me febre.

 

Depois de tomar banho, deitei-me, e cuidei que o meu caminho tinha acabado ali. Não comi nada, estava tiritando de frio, por causa da febre. Pedi ao Fabios e ao Mito(k), que entretanto foram comer ao centro da povoação, que me trouxessem uma peça de fruta. Quando chegaram, Mito(k) informou-me que não conseguiu arranjar fruta nenhuma. Comi uma bolachas, enquanto Mito(k), numa das máquinas automáticas que havia no albergue, me preparou um chã para tomar comprimidos para a febre, que trazia no meu kit de medicamentos. Estava num estado deplorável, suando muito, pela febre alta que tinha. Praticamente, despedi-me dos meus companheiros do caminho, tal o estado em que estava. Mito(k), via-lhe nos olhos, não só carinho, mas também tristeza. Doces 14 anos…

 

Contudo, de manhã, qual “Fénix renascida”, estava pronto, e bem disposto, não fora as incomodativas bolhas dos pés, também fruto de um mau planeamento da escolha (compra) das sapatilhas. Para além de serem demasiado frágeis, tinha andado pouco tempo com elas para me adaptar. Enfim, coisas de “maçarico”.

 

Nesta etapa, para mim interminável, dissemos adeus à província de Ourense para nos embrenharmos na de Pontevedra, em A Grouxa, passando por Castro Dozón, mais adiante, no alto de São Domingos (700 metros de altitude), nas imediações de Lalin, o maior concelho da província de Pontevedra, e o quarto da Galiza, situando-se mesmo no centro geográfico da Comunidade Autónoma da Galiza.

 

Mas vamos falar um bocadinho do itinerário desta etapa que, como digo, foi um osso duro de roer.

 

Como disse, optámos por não ir por Oseira para ver o Mosteiro.

 

Saímos de San Cristovo de Cea, como sempre de madrugada, para não apanharmos muito calor pelo caminho.

 

O sítio do Mundicamino refere que, ao sair da povoação, pela rua de San Lourenzo, encontramos um “monumento à mulher que amassa no seu forno de lenha”. Infelizmente não o vi. De qualquer dos modos a sua imagem aqui fica: a internet para estas coisas sempre vem ao nosso socorro para completar o que o descuido ou a falta de lembrança deixaram para trás.

 

 

Bem assim a Igreja da Virgem da Saleta.

 

 

Seguimos depois em direcção a Porto do Souto, Cotelas e Piñor. Entre Cea e Porto Souto, não deu para ver o Pazo de Reda, junto do rio Silvaboa. Nem em Piñor, ver o seu Mosteiro. Fabios, que, invariavelmente, imprime o ritmo das jornadas, é um autêntico “papa léguas”. É de invejar a sua pedalada!...

 

De qualquer das formas, aqui fica o testemunho da nossa passagem ao longo do rio Silvaboa, com imagens do seu curso e respectiva ponte.

 

(Rio Silvaboa)
(Ponte sobre o rio Silvaboa)

 

Passámos por O Reino, Carballeda e A Corna.

 

Aqui ainda deu tempo para tirar uma fotografia à igreja de Santa Maria do Desterro. Ela aqui fica na sua singeleza, a testar a enorme influência que o Mosteiro de Oseira tinha por estas paragens. Um dos escudos, apostos na parede da fachada principal, do seu lado direito, é do Mosteiro de Oseira. Trata-se de uma construção dos finais do século XVIII. No seu interior, que não vimos, por se encontrar fechada, encontram-se imagens, quer barrocas, quer rococó, do Santo Cristo.

 

 

Entre Vidueiros e Castro Dozón, em pleno vale do rio Deza, a paisagem mescla-se entre o verde e uma profusão de povoações, onde não faltam os respectivos “hórreos” (espigueiros ou canastros).

 

(Paisagem do vale do Deza)
(Dois dos muitos espigueiros "hóreos" disseminados pela paisagem)

 

Nas proximidades de Castro Dozón, no lugar de Mosteiro, encontra-se a igreja conventual de São Pedro de Vila Nova de Dozón, jóia do românico galego do século XII, que pertenceu a um cenóbio beneditino feminino que, a partir do século XVI, passou a depender de San Paio de Antealtares.

 

Nas minhas deambulações pela Galiza com a Ni, percorrendo a Ribeira Sacra, e fazendo a rota do românico, tirei algumas fotografias desta igreja que ponho três delas à partilha com o leitor. A primeira é de perfil, por falta de ângulo, em virtude do cemitério que lhe está contíguo.

 

 

É pena a construção ao lado da única abside da igreja lhe tirar grande parte da visibilidade desta jóia românica.

 

 

Chamou-me a atenção, ao lado da portada principal, uma pequena imagem da virgem com o menino.

 

 

O progresso, que traz consigo as modernas infra-estruturas de comunicação, causam algum transtorno ao peregrino que anda a pé. Entre Dozón e A Xesta, o ziguezaguear do caminhante é constante, devido à construção da AP-53, entre Ourense e Santiago, que naquela altura estava em fase de acabamento. Do alto de um dos seus viadutos, deslumbra-se o serpentear desta moderna infra-estrutura rodoviária.

 

 

Nas proximidades de Doxión, descansámos um pouco junto de uma ermida. Fazia calor já. O alpendre da ermida convidava a um pequeno descanso.

 

Em Puxallos, Balcabado, num dos jardins de uma moradia, uma impressiva e bem executada estátua do Apóstolo Peregrino, e respectivo cruzeiro, chamou a minha atenção.

 

 

Depois de A Xesta, parámos um bocadinho da estação de Caminho de Ferro de Lalin, em Botos. Bebida uma refrescante “canã”, continuámos caminho.

 

 

O Caminho, contudo, por estas paragens era duro para as minhas bolhas, com demasiada gravilha. Foi um verdadeiro sacrifício percorrer esta parte final.

 

Após passarmos o rio Cabirtas e de mais um atravessamento da AP-53, a 100 metros da Estrada Nacional 525, depois de uma pequena subida,

encontrámos o albergue.

 

 

Estava, positivamente, todo “roto” e num estado lamentável.

 

Deixo, finalmente, aqui duas imagens de impressivas paisagens das redondezas do caminho de hoje.

 

(Carvalheira de Crespin)
(Fraga de Catasós)

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