Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2017

Palavras Soltas... O mundo do fotojornalista Steve McCurry em exposição na Alfândega do Porto

 

 

PALAVRAS SOLTAS…

 

O MUNDO DO FOTOJORNALISTA STEVE McCURRY

EM EXPOSIÇÃO NA ALFÂNDEGA DO PORTO

 

Conhecíamos de nome este fotojornalista por uma famosa foto saída na revista «National Geographic».

 

Lemos, da autoria de Dora Mota, no sítio da internet  Evasões, a 13 de outubro de 2017, a seguinte notícia:


A Alfândega do Porto recebe, a partir de 14 de outubro, a exposição "The World of Steve McCurry", com mais de 200 fotografias da autoria do famoso fotógrafo norte-americano. Desvendamos alguns dos segredos.
Mais de 200 fotografias do fotógrafo norte-americano Steve McCurry vão estar em exposição na Alfândega do Porto a partir de amanhã e até ao último dia do ano, numa mostra retrospetiva inédita em Portugal. Nesta exposição “The World of Steve McCurry” pode-se ver imagens e vídeos da primeira reportagem no Afeganistão, há mais de 30 anos, até imagens das expedições e reportagens mais recentes do fotógrafo, com muitas imagens daquele país, da Índia e do Sudoeste Asiático, África e ainda Brasil e Estados Unidos.
Há fotos de conflitos marcantes como o do Afeganistão, da Guerra do Golfo, do 11 de setembro em Nova Iorque, do Japão a seguir ao tsunami e ainda retratos do quotidiano de diferentes lugares do mundo, que podem mostrar quão diferente pode ser cada lugar… ou tão igual, com crianças a brincar. Há, todavia, algumas imagens que podem enganar quem vive neste lado do mundo – pode parecer que uma criança que dá a mão a familiares está a fugir de uma tragédia quando, na verdade, é só um menino muito aborrecido numa festa (…).
Com curadoria da italiana Biba Giaccheti, que trabalha com o fotógrafo há vinte anos, sendo produtora de várias dos seus trabalhos, esta mostra terá, no Porto, uma configuração diferente dos outros lugares por onde já passou, nomeadamente Itália (onde teve mais de um milhão de visitantes no espaço de um ano) e Bruxelas. Em todas as paragens, a exposição é desenhada de acordo com a sala, mantendo o mesmo princípio: uma viagem intimista ao universo do fotógrafo que publicou mais de 30 livros de fotografia, com fotografias que convidam o visitante a criar o seu percurso de acordo com as suas emoções.
«O princípio é que toda a gente deva estar livre para caminhar dentro da exposição da maneira que quiser, não há uma tour específica. Por isso fizemos esta espécie de labirinto dentro do qual há duas exposições a decorrer», explicou Biba Giachetti, durante a montagem da mostra. As imagens vão estar colocadas em estruturas suspensas, de costas uma para as outras, de maneira que uma imagem enternecedora pode ter por trás dela uma imagem perturbadora.
Há ainda uma pequena secção dedicada à primeira reportagem de McCurry no Afeganistão, com uma coleção a preto e branco.
Mesmo assim, há uma organização formal mínima, com uma espécie de praça central a agregar o percurso – aí, encontram-se cinquenta das mais famosas fotografias de Steve McCurry, aquelas que deram capas de revista ou de livros, sendo possível utilizar um audioguia para escutar o autor falar de cada uma delas, no original inglês ou na tradução em português.
Em redor, pode-se circular por coleções de fotografias, uma delas mais dedicada a retratos, outra a fotos de guerras e desastres, outras de paisagens e espiritualidade (que inclui as séries sobre monges e templos budistas) ou ainda de retratos que evocam realidades sociais específicas, como a condição feminina e o drama doa refugiados.

Há ainda uma pequena secção dedicada à primeira reportagem de McCurry no Afeganistão, com uma coleção a preto e branco e ainda um vídeo, para ver numa zona mais confinada. O autor recebeu vários prémios de fotografia, incluindo a Medalha de Ouro Robert Capa, o «National Press Photographers Award» e quatro primeiros prémios no concurso «World Press Photo»”.

 

Não resistimos e fomos ver.

 

A não perder, mesmo. Até porque faltam já poucos dias.

 

Deixamos à vossa visualização, entre outras, as fotos/icons que achamos mais emblemáticas deste fotojornalista americano – Steve McCurry, e que constam do catálogo da exposição.

01.- Menina Afegã, Sharbat Gula, Peshwar, Pakistan, 1984

Claro está, exibe-se, em primeiro lugar, aquela que é provavelmente a fotografia mais famosa de McCurry – a da Menina Afegã, de olhos verdes - Sharbat Gula, que foi capa da revista «National Geographic», em junho de 1985.

 

Diz o autor, a propósito desta rapariga afegã, foto tirada em 1984: “Soube que seria um retrato importante. Vi-o na profundidade dos seus olhos. Eram olhos que traduziam a tristeza do povo afegão, as condições penosas a que estavam submetidos nestes campos de refugiados. Tive apenas uns breves segundos. Depois de um minuto ou dois fugiu a correr e desapareceu. Foi assim que tirei provavelmente a mais importante fotografia da minha vida”.

Passados 18 anos sobre a foto da Menina Afegã, Steve McCurry (em 2002) decide ir procurá-la. E encontrou-a.

 

Na edição de abril de 2002, da «National Geographic», Steve conta toda a sua história. Sharba Gula – a Menina Afegã – vivia numa aldeia e tinha três filhas. Teve ainda uma quarta filha, mas morreu ainda bébé.

 

Estas duas fotografias da Menina Afegã são as mais conhecidas de Sharba Gula, tiradas por Steve McCurry.

02.- A Menina Afegã - 1985 e 2002

Este membro da tribo Kochi, de Srinagar, Kashmir, é o rosto da capa do catálogo da exposição.

03.- Membro da tribo Kochi, Srinagar, Kashmir, 1995

Quanto à sua barba, diz Steve, em conversa com Biba Giacchetti, curadora da exposição: “É comum os homens mais velhos tingirem as suas barbas com henna – o que as torna laranja”. Esta foto foi tirada em 1995.

 

A Guerra do Golfo não escapou a Steve McCurry. E este não ficou imune ao desastre ambiental, dos céus queimados por fogueiras de petróleo, enquanto os animais, os camelos, desesperados, procuram alguma coisa para comer, alguma coisa para beber.

04.- 605772

É uma das imagens preferidas de Steve, tirada no Rajastão, Índia, durante a estação das monções, em 1983. Apesar do primeiro instinto de Steve tenha sido proteger a câmara por causa das poeiras, percebeu que captar aquele grupo de mulheres era um momento que não se iria repetir.

05.- Rajasthan, India, 1983

Trata-se de uma fotografia clandestina, captada numa rua de Kabul, Afghanistan, tirada em 1992. O contraste do cenário e das mulheres afegãs não passou despercebido ao fotógrafo americano.

06.- Kabul, Afghanistan, 1992

 Herat, Afeganistão, 1992. Um bairro bombardeado 12 anos consecutivos pelas forças aéreas afegã e soviética. Aquela família, aquela fogueira, naquele cenário de destruição, foram como um sinal de que a reconstrução era possível.

07.- Herat, Afghanistan, 1992

Huan Province, China, 2004. Esta cena de jovens budistas foi tirada num mosteiro Shaolin. É um exercício do Oriente. Estes moços têm capacidades atléticas e acrobáticas incríveis.. Steve McCurry passou vários dias num mosteiro chinês e captou os exercícios dos jovens que conseguem caminhar nas paredes.

 

Diz Steve McCurry: “Fiquei fascinado com a leveza da sua performance, não me surpreenderia vê-lo num fime, na senda de Jackie Chan ou Bruce Lee!”

08.- Hunan Province, China, 2004

Diz Biba, no catálogo da exposição: “Esta fotografia tornou-se um fenómeno mundial logo após a sua publicação. Esteve na capa do «The Unguarded Moment» e é amada por colecionadores de todo o mundo”. Responde-lhe Steve: “Estive muito tempo neste sítio para capturar este momento preciso (…) Achei o ângulo visualmente interessante e esperei durante horas até que a pessoa certa me preenchesse o enquadramento. A corrida enérgica desta criança durou apenas uma fração de segundo. Tirei a foto e soube logo naquele momento que era por isso que tinha esperado”.

09.- Jodhpur, India, 2007

Esta mulher foi fotografada no Mali, perto de Timbuktu. É uma Tuareg, uma nómada. Trata-se de uma tribo peculiar, diz Steve, na medida em que as mulheres usam a face descoberta e os homens andam tapados, para se protegerem dos espíritos. Um caso único. São os célebres homens e mulheres azuis. Usam corantes naturais nos seus turbantes que são depois absorvidos pela pele dando reflexos azulados às faces, diz Steve.

10.- Mulher tuareg, nómada, Gao, Mali,1996

Esta imagem, de Weligma, Sri Lanka, foi tirada em 1995. Foi mostrada por todo o mundo e tornou estes pescadores famosos.

11.- Weligama, Sri Lanka, 1995

Sobre esta foto, tirada em Porbandar, India, em 1983, conta-nos Steve McCurry: “É uma história muito bonita e divertida. Estava em Porbandar, durante as monções, uma pequena vila indiana cidade-natal de Mahatma Ghandi. O rio transbordava e estava tudo alagado. Fotografei durante dias com água pelo peito. A situação era deveras dramática mas os indianos têm uma atitude incrível perante a vida. Reagem com ironia e raramente perdem a fé.

Este pobre alfaiate salvou o seu único bem: uma velha e ferrugenta máquina de coser. Alguém o avisou de que eu o estava a fotografar e, então, ele sorriu. Quando a foto apareceu na «National Geographic», surgiu a oportunidade de reencontrar o homem e oferecer-lhe uma máquina de coser novinha em folha. Foi, para mim, um enorme privilégio”.

12.- Porbandar, India, 1983

Como privilégio foi para nós apreciarmos a obra desta fotojornalista!

 

E, com muito gosto, em reportagem vídeo, aqui deixamos o nosso «olhar» sobre esta exposição.

 

A menina que dá cara ao vídeo chama-se Shakti. Diz Steve, que tirou a foto em Rajasthan, India, em 2009, e que Shaktirevela claramente o orgulho na independência que sentem os nómadas”.

 

ALFÂNDEGA DO PORTO – UM OLHAR SOBRE A EXPOSIÇÃO DO FOTOJORNALISTA STEVE McCURRY

 

 

nona


publicado por andanhos às 16:52
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