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Por terras de Portugal:- Porto - Mais uma expressão genuinamente portuguesa nascida no Porto e duas curiosidades

 

 

 

POR TERRAS DE PORTUGAL

 

PORTO

 

MAIS UMA EXPRESSÃO GENUINAMENTE PORTUGUESA

 E DUAS CURIOSIDADES

00.- DSCF1510.jpg

Trata-se de um parque de estacionamento enorme: cobre a área dos Clérigos, o Largo ou Praça dos Leões, o Jardim da Cordoaria e suas zonas adjacentes.


Façamos um pequeno aparte.

 

Era um parque de estacionamento como este que, nos anos 90 do século passado, nós gostaríamos de ver construído em Chaves, na Petisqueira (área adjacente ao Forte de São Francisco), com bons acessos e entradas e saídas para todas as zonas da cidade. Na altura, chamaram-nos «louco» porque teríamos, sempre, à nossa perna, os Serviços de Arqueologia. Venceu na Câmara Municipal a proposta, então defendida pelo vereador do PSD, João Rua, atual Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Chaves, e acolitada, se bem nos lembramos, pelos nossos camaradas na Câmara, em especial pelo seu Presidente, Alexandre Chaves. Aparte a «tentativa» de construir um parque subterrâneo no Largo das Freiras, no consulado do nosso camarada e amigo Altamiro Claro, no «reinado» do PSD, de João Batista, veio ao de cima, e foi por diante, a antiga proposta da construção de um parque de estacionamento em frente ao Tribunal de Chaves, pese embora, nos idos 90, a nossa argumentação da exiguidade quanto ao espaço; de toda a área central da cidade de Chaves ser um «pasto» de achados arqueológicos, tal como a Petisqueira, e, finalmente, pela proximidade do rio, ser uma zona com problemas no que se refere a infiltrações de água, desde que se pensasse em mais de um piso. E, como está evidente para todos os flavienses, foi no que deu: apareceu o «Balneário Romano» e construiu-se um «mamarracho», com uma estética «duvidosa», que nem mostra convenientemente o edifício entretanto construído, e descaracterizando, e ofuscando por completo, o edifício do Tribunal. Tudo quanto a seguir veio, no que a parques de estacionamento para chaves diz respeito, não passaram de remendos...

 

Adiante, que não foi este o assunto que hoje aqui nos trouxe.

 

Quando pretendemos estacionar a viatura na parte alta (ou média) do centro da cidade do Porto é, nomeadamente, debaixo do atual Passeio dos Clérigos, zona hoje iminentemente turística, com a Livraria Lello & Irmão por perto.

DSCF1535.jpg

Debalde procurar lugares de estacionamento gratuito. No Porto não há estacionamento que não se pague. Achá-lo é como procurar uma agulha no palheiro!

 

Vamos ao que nos trouxe à nossa escrita de hoje.

 

Numa das vezes em que tomávamos o nosso cimbalino, num dos cafés do Passeio dos Clérigos, pegámos no «Caminhar pelo Porto na companhia de Germano Silva», olhando para a Igreja dos Clérigos e a sua Torre, que nos fica em frente.

01.- DSCF1825.jpg

A páginas 17 da obra acima citada do jornalista e historiador, Germano da Silva, autor de que já no último post falávamos, lemos: “O conjunto dos Clérigos foi construído num terreno que arrastava consigo uma triste história: era conhecido pelo sítio da Cruz da Cassoa e também por Campo das Malvas. Era nele que se enterravam os cadáveres dos indivíduos que morriam na forca. Aquela expressão popular muito conhecida de «mandar alguém para as malvas» tem que ver com a utilidade que se dava ao terreno. «Mandar para as malvas» significava desejar a morte mais ignóbil. O nome da Cruz da Cassoa tem a ver com uma cruz de pedra que assinalava a existência deste cerro dos enforcados”.

 

De um lugar, quase proscrito, nasceu aqui, do traço de Nicolau Nasoni, a obra barroca mais emblemática do Porto.

 

Do cimo da sua torre, na cruz que a arremata, foi produzido o primeiro filme publicitário português de que se tem conhecimento. No ano de 1917, diz-nos o nosso guia Germano da Silva, “dois galegos, os irmãos Puertollanos (José e Miguel) escalaram a torre por fora até atingirem a cruz já no alto onde, sentados, tomaram chá e fizeram propaganda a uma marca de bolachas da época”.

 

Levantámo-nos da mesa do café com a determinação de comprovar uma curiosidade/desafio que nos havia sido proposto por um grande amigo, apesar de portista até à medula: o de ir ao encontro do prédio mais estreito da cidade do Porto.

 

Assomámos a nossa vista até à Praça Gomes Teixeira, um matemático célebre, mas mais conhecida por Praça dos Leões (pela existência de uma fonte/chafariz, adornada com leões, e construída em 1887),

04.- DSCF1826.jpg

mas arrepiámos caminho e fomos pelas traseiras do edifício da Reitoria da Universidade do Porto, onde também está localizado, entre outros serviços, o Museu de História Natural, pela frescura dos plátanos do Jardim da Cordoaria.

 

Não resistimos a deitar os olhos a estes jovens conversando à fresca das árvores do Jardim, em tarde de canícula, uns deitados e outros sentados,

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bem assim à realização, cremos, de mais um filme publicitário.

DSCF1621.jpg

Contornando o edifício da Reitoria da Universidade do Porto, entrámos na Praça de Parada Leitão (professor catedrático de Física, que combateu no Cerco do Porto pelo liberalismo) e fomo-nos sentar na esplanada do Café Âncora D’Ouro, mais conhecido por «Piolho», defronte destas duas igrejas.

DSCF1749.jpg

Diz-nos ainda Germano da Silva “que de comum [estas duas igrejas] têm somente o estarem ligadas ao culto de Nossa Senhora do Carmo. Na sua conceção arquitetónica são diferentes. [...] A que nos fica à esquerda fazia parte do Mosteiro dos Carmelitas Descalços, cujas instalações (adjacentes, na Rua do Carmo) estão ocupadas por uma Brigada da Guarda Nacional Republicana. A da direita é a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo. A Igreja dos Carmelitas, como é conhecida a primeira, foi construída entre 1619 e 1628. A Igreja do Carmo (designação comum da segunda) teve início em 1756 e ficou concluída em 1768 [...] a torre da Igreja dos Carmelitas estava do outro lado. Mudaram-na para onde está agora em 1754 para facilitar à Ordem do Carmo a construção do seu templo. Externamente, a Igreja dos Carmelitas ostenta uma fachada simples, quase desgraciosa. Ao contrário da do Carmo, que é já um belo exemplo do barroco portuense com uma fachada rasgada por janelas e uma vistosa frontaria, que contou com a colaboração de Nasoni. Em 1912, a parede exterior deste templo foi toda revestida com azulejos do italiano Silvestre Silvestri”.

 

Estou adivinhando no que estará o leitor(a) recocando: a que propósito todo este razoado; que curiosidade guardam estas duas igrejas de que vimos falando?

 

Duas igrejas separadas por...

06.- DSCF1524.jpg

Citemos, uma vez mais, Germano da Silva, respondendo ao repto do nosso amigo e ferrenho portista:

Ao observarmos em pormenor estes dois templos, preste atenção a um edifício, porque de um edifício se trata, que está no meio de ambos. É, sem dúvida, o mais estreito da cidade. Lá está, com a sua porta, protegida por um portal de ferro e duas janelas”.

 

07.- DSCF1523.jpg

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