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Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago na Galiza - Caminho (Central) Português:- 3ª etapa - Pontevedra-Briallos (Portas) - Destaque

 

 

CAMINHO (CENTRAL) PORTUGUÊS DE SANTIAGO

 

- 16. Junho. 2008 -

 

3ª etapa:- Pontevedra - Briallos (Portas)

 

 

Destaque:- Incursão a Caldas de Reis

 

Caldas de Reis deve o seu topónimo, essecialmente, a três fatores: aqui nasceu Afonso VII de Leão e Castela, filho de D. Urraca e de Raimundo da Borgonha, conde da Galiza [o pupilo de Diego Gelmírez]; aqui nasceu a Casa de Borgonha, e, passando por aqui, segundo o Itinerário Antonino, no seu mapa rodoviário do Império Romano, do século III, a via XIX, [também conhecida como «Loca Marítima», pelo seu traçado se fazer pela costa] os romanos instalarem uma mansion, por possuir águas termais, tão apreciadas por eles, passando, assim, a chamar-se a este lugar Aqua Celenae, nome derivado não só em razão das suas águas, mas também por os habitantes da antiga Gallaecia, que aqui habitavam, se chamarem Cilenos ou Celenos.

 

Desde o Império Romano e até à Idade Média, Caldas de Reis foi centro administrativo e religioso importante, com sede episcopal na Espanha visigótica, até que o seu bispado se mudou para Iria Flavia.

 

Na época medieval, nobres e arcebispos ou viviam aqui ou aqui passavam longas temporadas, aproveitando as suas águas termais.

 

D. Urraca era uma das suas assíduas frequentadoras. Por isso, seu filho, futuro Afonso VII, nasceu aqui. Num paço/fortaleza.

 

Caldas de Reis foi declarada «vila reguenga» por Filipe II (1556-1598).

 

E situa-se na confluência dos rios Umia e Bermaña.

 

Apeámo-nos do táxi, nas redondezas da Igreja Paroquial de São Tomás da Cantuária (Canterbury), arcebispo-mártir inglês que, antes do seu assassinato em 1170, peregrinou até Santiago de Compostela.

 

 

Diz-se que a Igreja foi dedicada a este santo por o mesmo por aqui ter passado, e pernoitado, quando fazia o seu Caminho.

 

E, nos anais da história, também se diz-se que o paço/fortaleza, onde nasceu Afonso VII, foi derrubado, e que as suas pedras foram usadas na construção desta Igreja da São Tomás.

 

Aqui fica uma «foto de arquivo» da torre do dito paço/fortaleza.

 

 

Entrámos, eu e o Tino, dentro da Igreja.

 

(O crucifixo do seu interior)
Como não podia deixar de ser, fomos até à fonte das «Burgas», de águas termais, construída nos finais do século XIX.

 

e, aqui «mui cerquiña», o Tino entrou numa farmácia para comprar uma pomada para os pés.

 

Hoje em dia apenas se mantêm dois balneários abertos: Acuña, edifício dos princípios do século XX, e Dávila, rodeados de grandes jardins.

 

Como a fome já apertasse, um bar/taverna, mesmo junto da ponte debaixo da qual passa o rio Umia, despertou-nos a atenção.

 

 

Entrámos. Aqui comemos umas «tapas», acompanhadas de um bom pão

 

 

e bebemos. Cerveja, pois claro! Vinho, na nossa boca, só entra o do «nosso Douro». E poucos outros mais. Mas só em dias especiais, devidamente justificados! Mas o que mais me deliciou foi o pão e as «xoubas» (em português, petingas). E os pimentos de Padrón, que dizem, «uns picam e outros non». E, por sinal, nenhum «picou» aos dois.

 

Foi um bocado de tarde ali bem passado, na companhia de alguns galegos, «copofónicos», em amena cavaqueira, tendo como pano de fundo a ponte

 

 

e o som da cascata que o rio Umia ali faz. Só a música é que nada tinha a ver com o ambiente. Cá para os nossos botões, seria mais adequada uma música tradicional galega ou de raiz celta. «Andaluziadas» como aquelas, na nossa modesta opinião, estava fora de contexto. Enfim, contradições dos tempos pelos quais passamos!

 

Saímos da «Taberna O Moíño» e fomos dar uma volta pela Carballeira e Parque (Jardim) das Caldas. Muito bonito, mesmo. Trata-se de um parque botânico centenário, na margem do rio Umia, com uma grande variadade de espécies, destacando-se quatro árvores centenárias e uma coleção de exemplares de camélias.

 

Saídos da Carballeira e Parque das Caldas, fomos até à zona da Biblioteca Pública Municipal P. Martínez Ferro.

 

 

Tudo muito pertinho.

 

No esterior da Biblioteca, a escultura de um livro com sábias palavras:

 

 

Aqui se mostram duas das estátuas que, por estes sítios, mais nos ficaram nos olhos:

 

 (Escultura da «Escuela de Canteros»)

  

 (Pererigmo, de Domato, no Parque do Jardim)

 

Depois penetrámos no centro urbano com as suas casas típicas, características, de arcadas.

 

Numa casa, já velha, à beira da estrada, um graffiti que cobre todo um pano da mesma.

 

Fazendo-se já tarde, voltámos a apanhar um táxi e dirigimo-nos, de volta, para o albergue de Briallos.

 

No retorno ainda nos lembrámos que deixámos para trás por ver a Casa de Dona Urraca, a Casa dos Campaneiros (indústria artesanal de sinos, bem como irmos até «Fervenza» de Segade lugares, também emblemáticos de Caldas de Reis para, assim, a visita ter sido completa. Pela Ponte Romana de Bermaña passaríamos por ela no dia seguinte. Paciência! Haverá outras oportunidades, pensávamos enquanto o taxista nos levava para Briallos.

 

O tempo tinha aliviado um pouco, mas mostrava-se um pouco instável.

 

Dormimos bem, apesar das duas «bolhas» que começavam a «apertar» connosco demais.

 

Mas lá conseguimos dormir - apesar da «cacofonia» estrondosa de «roncos», das mais diversas tonalidades e sainetes, espalhados pela camarata -, de uma assentada, até ao outro dia de manhã cedo.

 

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta 3ª etapa e da «incursão» a Caldas de Reis.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 

 

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