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Gallaecia - O Douro dos meus encantos:- Aldeias Vinhateiras do Douro

 
 
ALDEIAS VINHATEIRAS DO DOURO

(Uma breve apreciação a partir do meu «olhar»)

 
 
 

Tal como as pessoas,

não basta apenas ter uma linda cara para sermos felizes,

é necessário que a alma acompanhe esse desejo

 - o de estarmos bem connosco mesmos.

 
 
(Douro - Nadir Afonso)
 

Foram seis as Aldeias Vinhateiras do Douro que visitei durante o passado mês de Setembro: Ucanha e Salzedas, do concelho de Tarouca; Trevões, do concelho de São João da Pesqueira; Favaios, do concelho de Alijó; Provesende, do concelho de Sabrosa e Barcos, do concelho de Tabuaço.

 

Nestes últimos dias, na minha página pessoal do Facebook - António Souza Silva - exibi um diaporama de cada uma delas, apresentando, naquelas visitas, ao longo do percurso nelas feito, o meu «olhar».

 

Não estou por dentro destes projetos ou programa. Nem tão pouco no(s) critério(s) que levou (levaram) à escolha do «lavar de rosto» destas «joias» durienses. Por tal fato, não vou, nem devo, por isso mesmo, entrar em qualquer reflexão, ou sequer polémica, sobre esse(s) mesmo(s) critério(s) de escolha.

 

 

(Ucanha - Ponte e Torre)

 

Tenho, contudo, para mim, que o Douro possui muitas mais «joias», que estas intervencionadas, a necessitarem também de revitalização, pondo-as mais visíveis e também aptas a entrarem no circuito turístico.

 

Presumo estarem envolvidos nestes projetos (ou programa) dinheiros da União Europeia, do país, das autarquias locais e de particulares. É o que se adivinha, nas placas de sinalização, onde consta o nome dos respetivos «patrocinadores».

 

E, sendo os recursos financeiros escassos, teria sido bem difícil a escolha!

 

Vozes discordantes quanto ao(s) critério(s) e «modus operandi» não deveriam ter faltado...

 

São situações comuns e, naturalmente, sempre acontecem. Por isso, já estamos acostumados.

 

(Salzedas - Fachada Principal da Igreja do Mosteiro de Salzedas)

 

Não é, contudo, minha intenção enveredar nas costumeiras querelas bairristas, mesmo entre autarcas, e nos despiques de «campanário».

 

Minha atitude aqui não passa, como acima referi, de apresentar uma breve e despretensiosa reflexão sobre os projectos (ou programa) a partir daquilo que foi o meu «olhar» na visita.

 

E o meu «olhar» viu seis aldeias e/ou vilas que, possuindo um valor histórico e patrimonial assinalável, se apresentavam de «cara lavada», arejadas.

 

Essencialmente quer a nível dos seus arruamentos, da sua sinalética, quer dos seus núcleos e fachadas características, quer, por fim, dos seus mais emblemáticos solares e edifícios históricos (nem todos!).

 

Ou seja, deu gosto percorrer aqueles aglomerados e ver-lhes os rostos, na maior parte dos seus núcleos e nas fachadas dos seus edifícios, bem «maquilhados».

 

(Trevões - Um pormenor do arruamento principal)
 

Contudo, uma povoação, aldeia, vila ou cidade, é verdadeiramente um corpo vivo. Possui dinâmicas que lhes são muito próprias. Têm vida. Nelas habitam pessoas. Por isso mesmo, devem ter, forçosamente têm, uma «alma». É essa vida, essa alma que as caracteriza e as distingue das demais. É nessa diversidade que se encontra a riqueza de um povo e de uma região.

 

Como já disse, e repito, não conheço os projetos (ou programa). Mas, pelo que vi, não é difícil adivinhar que, para além da componente material de «obras» (públicas e privadas) houve (e, porventura, ainda há) a componente imaterial da «animação». A designação genérica de «Festivais» podem-se, pois, incluir nesta rubrica.

 

E é aqui, nesta vertente, que eu mais gostaria de falar, refletir.

 

(Favaios - Antigos Paços do Concelho, atual «Correios»)
 

Animar uma comunidade é, para além do mais, ir ao encontro da sua «alma», e do seu «animus». Animar é, pois, dar alma. E tudo quanto à alma se refere e ao animus, pelo significado profundo da própria palavra, deve vir de dentro. Do interior de cada um de nós, como habitante, como membro de uma comunidade. No conhecer e reavivar da sua história, das suas tradições, do seu património. Vivendo-o e, porque não, (re)inventando-o, de acordo com os tempos que passam.

 

É a partir daqui, por um processo efetivo de «apropriação», que as pessoas e comunidades se identificam e, por via desta identificação, se renovam e se reconstroem.

 

Sem esta vinculação e identificação com o seu «locus», cada um amando-o, não é possível existir, criar-se sinergias que levem a que, contando essencialmente com os recursos endógenos da comunidade, haja mobilização para as tarefas do desenvolvimento de cada lugar, localidade, freguesia, vila, cidade, região ou país.

 

Animar uma localidade não é realizar eventos de fachada. É criar cultura, (re)inventando o passado, projetando-se para o futuro.

 

Uma localidade diz-se animada quando do seu seio - pessoas e instituições - e pegando na sua história e no seu passado, se criam iniciativas portadoras de verdadeiro sentido para elas, pondo-as à partilha e convivência com os demais vizinhos, forasteiros, visitantes ou turistas.

 

 

Uma localidade ou região só com uma massa crítica de pessoas e instituições, repito, portadoras de uma bem vincada identidade, orgulhando-se de si mesma, é que possuirá o pré-requisito necessário para o seu próprio desenvolvimento. Sem ele, tudo quanto se venha a fazer, em termos de valorização desse mesmo local, acabará, mais tarde ou mais cedo, por morrer, ficar ao abandono.

 

Há muitos anos que venho falando - e disto estou mais que convicto - «que ninguém desenvolve ninguém, a não ser nós próprios».

 

(Barcos - Casa típica regional com lousa)
 

O Douro e as suas aldeias (e localidades) necessita de fatores exógenos que as ajudem a concitar o seu próprio desenvolvimento, que o mesmo é dizer, a sua qualidade de vida. Como, nomeadamente, aqueles que ajudaram a «maquilhar», lavando a cara destas seis aldeias emblemáticas.

 

Mas, mais que essas ajudas, obviamente necessárias, necessitamos mais de «alma». De pessoas que nelas habitem. Nelas façam vida. E de instituições que as dinamizem.

 

Mas, não tenhamos ilusões. Há que mudar o paradigma de desenvolvimento em que vivemos! Olhando mais para o território como um todo. Pugnando por uma efetiva descriminação positiva, e incentivando, tal como no início da nossa nacionalidade, que a partir deste rincão duriense começou a formar-se, embora em novos moldes, uma nova «Reconquista», um verdadeiro repovoamento do território. Exigindo-se políticas públicas consentâneas com este desiderato.

 

O ciclo das Descobertas e da Expansão acabou. Regressados ao território, que foi o nosso berço inicial, temos que refletir nas profundas e avisadas palavras do nosso Grande Torga quando, no último poema da sua obra Poemas Ibéricos dizia:

 

                “Venha o Sancho da lança e do arado,

                 e a Dulcineia terá, vivo a seu lado,

                 o senhor D. Quixote verdadeiro!”.

 

Obviamente, com outras «lanças» e outros «arados»! Que o conhecimento, a ciência e a técnica, de gente instruída, e que não imigra, propiciam para que o desenvolvimento integrado e harmonioso do território nacional se faça. Seja uma realidade. Sendo solidários! Prosseguindo políticas solidárias...

 

Só assim é que podemos dizer que esta terra é nossa. E que, tal como os nossos antanhos, com muita labuta, suor, lágrimas, e por vezes muitas mortes, possamos, com orgulho, dizer que esta terra é mesmo nossa porque nós próprios a construímos! E, desta forma, orgulhosos do que criámos, com galhardia recebamos quem nos visita.

 

Doutra forma, outros se encarregarão de tomar conta dela - e infelizmente já não são poucos! - fazendo de nós não os seus senhores, mas os seus vassalos.

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