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Gallaecia - Pelo Alto Tâmega e Barroso:- «Ronda» pelo termo de Soutelo, por Calvão e Sera Velha

 
 
 

CAMINHADA

 

(«Ronda» pelo termo de Soutelo, por Calvão e Seara Velha)

 

21. Setembro. 2013

 

 

1.- Considerações gerais a propósito desta caminhada

 

Aqueles trinta e tal quilómetros percorridos pelas terras de afeto do médico e escritor, João de Araújo Correia, por entre uma enorme e abrupta subida, seguida de uma descida quase a pique, deixaram-nos um pouco maltratados. Não é que nos tivesse custado muito, simplesmente, e em face do nosso contexto físico, há certos exercícios que, pela sua dureza, não são muito recomendáveis, por nos poderem trazer alguma «mossa». Há que ter cuidado, pois…

 

E foi o que fizemos nestas últimas três semanas. Deixámos as grandes caminhadas e tivemos de optar por pequenos percursos.

 

Mas não deixámos o Douro!

 

A nossa curiosidade levou-nos a percorrer os aglomerados das seis ditas aldeias durienses classificadas como «Aldeias Vinhateiras»: Ucanha, Salzedas, Trevões, Favaios, Provesende e Barcos. Brevemente, na nossa página pessoal do Facebook, apresentaremos seis diaporamas/reportagens sobre cada uma delas.

 

Neste ínterim ainda tivemos tempo para fazer uma visita ao Museu do Côa, passar por Vila Nova de Foz Côa e dar uma «espreitadela» à terra natal do Padre Manuel da Nóbrega, fundador da cidade de São Paulo, Brasil – Sanfins do Douro.

 

Regressando ao nosso norte, as saudades de fazer uma caminhada com outro folgo vieram-nos e a curiosidade de, face à praga de um verão seco e ardente, com a desgraça dos incêndios, dar uma «ronda» para ver os «estragos».

 

Quanto a incêndios. Não seria necessariamente assim se tivéssemos uma planificada e correta política de desenvolvimento florestal. Que, obviamente, leva muitos anos a implementar. E que mexe com muitos e poderosos poderes e interesses, instalados. Porque não é só mão criminosa que aqui anda metida. É a desertificação a que votamos praticamente todo o nosso interior. É a pouca valorização que damos à floresta como um regulador ecológico e um recurso económico nacional. É a consequente incúria da limpeza das matas e montes. É a enorme divisão da propriedade em que vale mais o império da propriedade privada em detrimento do valor e da função social da terra. É, por fim, e porventura mais importante, a falta de coragem para levar por diante uma autêntica e verdadeira política de reflorestamento do país. Que mexe com tudo isto e que, por tal circunstância, em nada se toca, não vá o diabo tecê-las e, também por aqui, lá nos vão os nossos votinhos e as eleições não serão ganhas nem «por uma cano»…

 

Entre cidadãos e partidos falta a discussão, o consenso e o entendimento comum daquilo que deve ser prioritário e urgente para todos nós como comunidade. E, tal como dizia, há uns anos atrás, um ilustre e esclarecido político da nossa praça, que estávamos «num pântano», por isso, não sabemos senão navegar à vista.

 

 

2.- Mapa do percurso

 

Após este pequeno interlúdio, vamos, então, à nossa caminhada de hoje e começamos pelo mapa do percurso.

 

 

 

 

3.- Considerações sobre a «ronda» do termo de Soutelo, Calvão e Seara Velha

 

Ao entrarmos na povoação de Soutelo duas coisas mais nos despertaram a atenção: umas «alminhas», logo à entrada para a Rua da Igreja

 
(Soutelo - «Alminhas»)
 
(Soutelo - «Alminhas» - pormenor)
 

e, no meio da povoação, no cruzamento para Seara Velha, um Cruzeiro, todo ele renovado. Não sei bem porquê mas estes dois símbolos de religiosidade tão característico do nosso povo despertou-nos uma certa atenção! Vá lá a gente compreender, muitas vezes, o nosso subconsciente…

 
 
(Soutelo - Cruzeiro - vista geral)
 
 
 
(Soutelo - Cruzeiro - pormenor)
 

Seria a figura das «alminhas»?

 

Cá para nós, agora refletindo um pouco mais sobre o assunto, naqueles símbolos estavam os temas que, depois ao longo do percurso, nos preocuparam a mente: as almas, o inferno (as labaredas de fogo), o crucificado, a saúde.

 

Com um sol a brilhar,
 
 
mostrando-nos um bonito e brilhante horizonte,
 
 
 

o caminho por onde passávamos, em mais de metade do seu percurso, era uma verdadeira desolação!

 
 
(Trecho nº 1 do percurso)
 
 
(Trecho nº 2 do percurso)
 
 
(Trecho nº 3 do percurso)
 
 
(Trecho nº 4 do percurso)
 
 
(Trecho nº 5 do percurso)
 
 
(Trecho nº 6 do percurso)
 
 
(Trecho nº 7 do percurso)
 
 
(Trecho nº 8 do percurso)
 

Terras sem saúde, mortas, cheias de cinza, tal como as almas penadas, queimadas pelo brasume das chamas provocadas pelo fogo.

 

Nunca vimos, em tão pouco percurso, tanto cruzeiro e «alminhas» juntas! Premonitório?

 
 
(Capelinha e cruzeiro-«alminhas» no alto de Seara Velha)
 
 
(Alto de Seara Velha - pormenor das «alminhas»)
 

É certo que aqueles elementos de fé e religiosidade se referem a outras chamas e a outras almas! Mas a associação dos cruzeiros e «alminhas» com as terras, tal qual almas, chisnadas pelo fogo, não nos saia da cabeça.

 

Calvão já se vê ao longe.

 
 
 

Chegados a Calvão mais um cruzeiro à saída da povoação, reforçando mais ainda esta nossa ideia…

 
 
 
Em Calvão, embora recheada de algumas casas bonitas e de uma moderna sede da Junta de Freguesia,
 
 
 
dois edifícios chamaram-nos mais a atenção: a sua escola, certamente quase sem crianças para continuar a dar significado e razão de ser a esta terra
 
 
 
e o «Lar do Bom Caminho», certamente pejado de gente, gerindo, como podem, o seu tempo, à espera da sua «vez»…
 
 
 

E não é talvez por acaso que estas «alminhas» estão na confluência da rua que leva aquele lar!...

 
 
(Calvão - «Alminhas» - vista geral)
 
 
(Calvão - «Alminhas» - pormenor)
 
Será que a Senhora da Aparecida, tão bem recatada no seu recinto, de paz e tranquilidade,
 
 
 
com o seu Santuário
 
 
 
e capelinhas, algum dia «aparecerá» aos «grandes crânios» da nossa ilustre Pátria, que dirigem os nossos destinos,
 
 
 
alimentados por estas águas cristalinas, iluminando-os, abrindo-lhes os olhos, e abrilhantando-os com outra postura para,
 
 
 

com trabalho e honradez, fazerem destas terras, montes e pedregulhos, o «Paraíso Perdido» que, com o nosso «pecado» da avidez e da gula, perdemos?

 
 
 

Mas, se o estado de coisas que hoje em dia vivemos, percorrido pelos nossos passos, sob a batuta do «chico espertismo» reinante neste País, tão fustigado por oportunismos e corrupção, persistir, estamos em crer que só com um milagre é que nos salvamos.

 

Só que, infelizmente,  não acreditamos em milagres!...

 

Temos mais fé nos homens, na sua coragem face a objetivos que, com determinação e bravura, se perseguem!

 

E o nosso desejo é que não surjam «salvadores da pátria» ou um qualquer D. Sebastião, saído das brumas de um qualquer campo de batalha, onde aquele outro ficou e nunca mais apareceu, para nos salvar!

 

Nosso desejo é que surjam líderes audazes, competentes, honestos, sábios, que, em diálogo e partilha constante com os seus concidadãos, sejam capazes de acabar com a política de campanário, (sejam quais forem as «igrejas»!) que durante tantos anos nos subjugou, reconstruindo nossas terras, voltando a dar uma nova vida às nossas «almas», afastando delas o espetro do «inferno» em que vivemos, personificado neste cruzeiro e nestas «alminhas» de Seara Velha.

 
 
(Seara Velha - Cruzeiro-«alminhas»)
 
 
(Seara Velha - Cruzeiro-«alminhas»- pormenor)
 
Para que um dia, quando olharmos para trás, possamos ver uma terra rejuvenescida, cheia de esperança e alegria, enfim, renovada,
 
 
 

e não o espetáculo de desolação que, ao sairmos de Seara Velha, ficou bem patente aos nossos olhos.

 
 

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