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18
Jul20

Memórias de um andarilho - PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia

andanhos

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PR 8 CHV – TRILHO DE VILARELHO DA RAIA

(Coragem – Terras de fronteira)

(3.julho2020)

01.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (56)

Com a alteração das condições do mundo rural,

mitigada que foi a sua função de produção de alimentos,

assiste-se à proliferação de museus etnográficos

e ao aparecimento de novas modalidades de fruição

com a busca de “autenticidade”

e com um ênfase simultâneo na vida ao ar livre,

num ambiente “puro”, que restaura o corpo,

numa construção cultural

sobre a proximidade e a identificação com a natureza.

A forma itinerante de conhecer a ruralidade do passado

está a ser dinamizada nesta fatia da raia,

através de circuitos pedestres que percorrem a fronteira

e certos aspetos da sua história

(episódios da guerra civil de Espanha),

da sua organização objetificada

(o Couto Mixto e os “povos promíscuos”),

e das suas práticas

(o contrabando, as festas, os ritos, a gastronomia).

A apropriação e a reapropriação da fronteira

fazem-se através de agentes e mediadores culturais,

que atuam em diferentes escalas, entre o local,

o regional, a nação subestatal e o transnacional.

Paula Godinho, FCSH/UNL e CRIA

In «Processos de emblematização: Fronteira e aceções de “Património”»

 

No passado 14 de junho, com o amigo Rui Queirós, e mais quatro amigos, levámos a cabo a variante (mais curta) deste Trilho «PR8.1 CHV – Vilarelho da Raia», que perto do lugar do Pisão-Rousso, vira, um pouco antes, para se fazer a visitação a dois moinhos e um lagar de azeite, movidos a água.

Na altura, tínhamos combinado com o amigo Rui que, num dia, relativamente próximo, haveríamos de o fazer todo.

02.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (176)

Foi o que aconteceu no passado dia 3 de julho.

Temos de confessar que gostámos mais deste Trilho – que o fizemos em sentido contrário ao recomendado no respetivo folheto – do que da variante dos Moinhos e Lagar. Sinceramente, até nos pareceu um Trilho completamente diferente. E, obviamente, não foi apenas a companhia, que foi maior, e mais variada!

À exceção dos troços, a mais, decorridos ao longo da raia, o percurso é, manifestamente, o mesmo. Contudo, vistos, ou percorridos no sentido inverso, possuem uma outra perspetiva e imprimem uma outra dinâmica ao andar. É bem verdade que, mesmo que seja o mesmo caminho, quando o percorremos por mais de uma vez, não é apenas a geografia que conta: é a história dos que o percorrem, são os diferentes sentires, observações, sensações e a própria vivência e estado de espírito presente. Não há, pois, um caminho que se faça, idêntico. Cada trilho pisado tem a sua história. Uma história diferente e única para contar.

Continuamos a «embirrar» com o nome dado ao Trilho. Mas que se há-de fazer? Já está assim… E a nossa «embirração» vai no sentido de que todas as «falas», recolhidas na obra «avivar – Nos Trilhos das Memórias de Chaves», referentes a este Trilho, vão todas, sem exceção, no sentido de uma única palavra – contrabando!

É certo que as restantes aldeias que compõem a Freguesia de Vilarelho da RaiaVila Meã e Vilarinho da Raia – também estão na raia e, naturalmente, por lá também havia caminhos por onde o contrabando passava. E porque não fazer uma outra variante – o PR 8.2 CHV – que as englobasse, dando possibilidade aos possíveis caminheiros de fazer este Trilho ou de uma só vez, ou por duas, ou três etapas, todas elas, circulares, e todas começando em Vilarelho da Raia? Aqui fica a sugestão para o futuro.

A apresentação da nossa reportagem de hoje obedece a 11 pontos, tantos quantos os placares informativos apostos ao longo do Trilho. Assim:

Ponto 1 - Centro Social e Cultural de Vilarelho da Raia

03.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (1)

Aqui foi o ponto de encontro, o  início e o fim do Trilho. No placar, aqui fixado, pode ler-se:

É o palco principal das atividades recreativas e culturais da freguesia e instituições do concelho e sede da Associação e Junta de Freguesia.

Obra iniciada em 1987, bem concebida e devidamente enquadrada, revestida a pedra por escrutínio popular, construída por administração direta pelas sucessivas Direções do Centro Social e Cultural, onde dois elementos da Junta de Freguesia estiveram inseridos.

Com o apoio técnico da Câmara Municipal, mão-de-obra grátis da população residente, pedra doada pelos amigos de San Cibrao (Galiza), mobiliário da Direção Geral do Património do Estado, apoio financeiro do Câmara municipal, do IPJ e essencialmente das comunidades migrantes dos EUA, FRANÇA e BRASIL, conclui-se em Agosto de 1995.

Conta com uma biblioteca, um auditório, um centro comunitário de assistência social, camarata para os peregrinos do Caminho de Santiago, sede da Junta de Freguesia e Museu Etnográfico da Freguesia”.

Fomos rua abaixo, até ao

Ponto 2 - Capela de Nossa Senhora das Neves

05.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (14)

Nesta Capela, no placar informativo ali aposto, diz-se:

Há na aldeia três capelas, cada uma nas entradas/saídas de Vilarelho: Santa Catarina, mais antiga e junto à estrada do Cambedo; Senhor das Almas, à saída para Chaves; e Nossa Senhora das Neves, à saída para Espanha. Esta, edificada em 1771 (ver pedras), pela família fidalga de Manuel da Silva, proprietária do atual largo do campo e residente no casario em frente. Em tempos os edifícios eram ligados por um passeio.

Para possibilitar a construção do polidesportivo e dar à capela uma posição de destaque, fronteira à urbanização, foi deslocada e reconstruída em 1994/95 pelo Centro Cultural e Desportivo, com a colaboração da Junta de Freguesia e com o apoio financeiro dos irmãos Ramos (Ginjos) e Direção Geral dos Desportos.

Todos os anos, a 5 de Agosto, o povo venera esta Santa”.

Mesmo ao lado da Capela de Nossa Senhora das Neves, o

Ponto 3 - Tronco Comunitário

06.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (17)

com a seguinte informação:

Armação em madeira, coberta com zinco, de uso comunitário, construída em 1920, por Clemente Sanches, Filipe silva e Manuel Ferreira. Era usado para imobilizar os animais da espécie bovina, cavalar e outras, que antes eram levados à povoação de Vilela Seca, para lhes cortar e ferrar as unhas, capar, curar ferimentos, compor os cornos dos bois, etc. Os animais eram presos pela cabeça, na travessa redonda e amovível que atravessava o tronco. Passavam-se duas correias com argolas pela parte inferior da barriga do animal e prendia-se à parte roliça lateral. Nesta trave perfurada metiam-se dois ferros para andar à volta até o animal ficar suspenso no ar.

Os profissionais tradicionais que desempenhavam estas tarefas eram, sobretudo, os ferradores e capadores, por vezes da aldeia vizinha de Mandin, auxiliados por dois ou mais homens, conforme a bravura dos animais”.

A partir daqui, saímos da aldeia e embrenhámo-nos pelos campos da veiga de Vilarelho, onde, a par do cultivo da batata

07.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (28)

e da produção de morangos,

09.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (38)

também aparece o cultivo de centeio.

10.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (34)

Começámos a subir. Olhando para trás, a aldeia de Vilela Seca.

12.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (46)

Até que chegámos ao

Ponto 4 - Marco 231 - Penedo Redondo

13.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (54)

Ao nos dirigirmos para o local onde se situa o Marco 231, temos a seguinte informação:

Designado pelo povo como o marco dos três reinos, está situado no Penedo Redondo, perto do povoado romano do vale da Ermida. No penedo estão esculpidas as armas dos reinos da Galiza e de Portugal. As cruzes e os símbolos nacionais dos dois reinos estão, nesta zona, gravados em vários monólitos que serviam como demarcação natural da raia, antes da colocação de marcos artificiais.

Pela importância simbólica e monumentalidade deste monólito, em 2014 foi colocada a placa comemorativa dos 150 anos do Tratado de Limites de 1864.

14.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (61)

A raia foi e é um espaço geográfico de partilha de valores históricos, linguísticos, culturais e económicos entre as populações dos dois lados da fronteira, emergindo delas um sentimento raiano, construído ao longo dos séculos, que as distingue das populações de outras localidades”.

Não ficámos a perceber como este Marco é designado pelo povo como dos três reinos…

Aproximámo-nos dele.

15.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (60)

Daqui para a frente é o «reino» de Portugal.

Há que continuar. Subindo. Mas coisa que não obriga a muito esforço. Olhando para trás, lá está, imóvel, o Penedo Redondo, com o seu Marco.

16.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (66)

Agora, olhando para a nossa direita, damos de caras com terras da Galiza (Espanha) – Oimbra (?).

17.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (69)

E, mais uns metros acima, o

Ponto 5 - Marco 229 - Portella de Wamba

18.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (76)

Reza assim o seu placar informativo:

Contrariamente a outros lugares, em que parte da linha demarcada pelo Tratado de Limites de 1864 coincidiu com a descrita nos antigos tombos dos séculos XV e XVI, nos povos promíscuos, como Cambedo, no artigo XI do novo Tratado, é alterada a antiga marcação da raia seca de Vilarelho da Raia, desde o regato do Valle de Ladera (Marco 215) até à Portella de Wmba (Marco 229), para se dirigir, a cerca de 700 metros de distância, à Penha ou Fraga da Raia (Marco 230), em direção ao rio Tâmega. De salientar que, para dirimir conflitos, foram colocados mais três marcos intermédios com o nº 229.

Situa-se na fraga das cruzes, como o povo a designa, junto ao caminho do Cambedo para S. Cibrao, em direção à «Ruta do BTT do Concello de Oimbra» e à «Ruta dos Lagares de Oimbra»”.

Se olharmos para o Mapa do itinerário que apresentamos no fim deste post, é bem visível esse «ganho» de terreno que, com o Tratado de Limites de 1864, conseguimos. Um terreno inóspito, de calhaus, onde quase nada medra!

Eis o Marco 229 em cima de um penedo.

19.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (79)

Virámos aqui mesmo à esquerda, deixando um último olhar para aquele Marco 229.

20.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (83)

À nossa esquerda, os terrenos da veiga de Vilarelho da Raia.

21.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (85)

Logo imediatamente a seguir o

Ponto 6 - Castro de Wamba

22.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (93)

Vejamos o que o placar informativo no local nos diz:

Castro amuralhado, com santuário proto-histórico de planta retangular e circular, duas cinturas de muralhas e um fosso escavado no afloramento.

No século XVII foi o lugar escolhido para aqui se levantar uma capela evocativa do «santo» rei Wamba, cuja onomástica viria a impor-se ao topónimo anterior, tal eram as auréolas de virtudes e milagres deste rei, escolhido por Deus, de entre os humildes agricultores, mediante o milagroso sinal de fazer florir, num ápice, a própria aguilhada (rosal), apesar da seca.

Monte de mistério e solidão, onde vários povos se fixaram, alimentando o imaginário popular de histórias, lendas e feitos que ainda hoje perduram na memória coletiva.

Dentro da sua muralha existiam, nos princípios dos naos 60 do século XX, três cabanas circulares que foram demolidas para servirem de entulho na estrada em construção de Cambedo. Dos achados, destaca-se uma Ara (altar votivo ou funerário) constituído por capitel, fuste e base, dedicada a Iuppiter Optimus”.

Com boa disposição, caminhava-se, a passos largos, para Cambedo.

24.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (107)

É sempre reconfortante, para um caminheiro, de uma varanda que seja, o sorriso de uma residente, habituada, com certeza, à frequência de forasteiros, mesmo que nestes confins da raia.

25.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (109)

Sobre «A Guerra do Cambedo, 1946», hoje em dia, existe uma quantidade enorme de publicações. A começar por Paula Godinho, que fez um trabalho exaustivo e excelente sobre este povo, a raia, e esta «guerra», já no longínquo 20 de dezembro de 1946, aqui travada. Mas que nunca se esquece…

Um bloguista da nossa praça, nosso amigo – Fernando DC Ribeiro – proprietário do blogue «(Cidade de) Chaves – Olhares sobre o “Reino Maravilhoso”», vulgo «CHAVES», até criou um blogue  - «Cambedo Maquis» - para nos relatar e elucidar sobre esta história, este povo e esta terras.

Por sua vez, em 2016, surge um filme - «Silêncio» -, de António Loja Neves (infelizmente já falecido) e José Alves Pereira, que também nos contam a história, dos seus protagonistas, aqui ocorrida, em 1946, em Cambedo.

Pela nossa parte, e para não sermos demasiado exaustivo, porquanto este lugar, em boa verdade, não é para aprofundamentos históricos – tão somente relatos de caminhadas – deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) a recomendação da leitura do texto, ínsito no sitio da web «Caminhos de Memória», sob o título  - «Cambedo da Raia, 1946», de Paula Godinho, em que, neste resumo, se pode aquilatar do que foi aquele dia de sofrimento e morte, (e nos dias que depois se lhe seguiram) nas proximidades do dia de Natal de 1946, em Cambedo.

Não resistimos, contudo, em vos deixar aqui este pequeno texto, que encontramos no sítio da web «Portal Anarquista», sob o título - «(Memória) a Batalha de Cambedo, Trás-os-Montes (20 de Dezembro de 1946)»  - e, ínsito no mesmo artigo,  o vídeo «Cambedo documentário completo»:

Um dos últimos maquis criados no final da Guerra Civil Espanhola situou-se na zona raiana entre Trás-os-Montes e a Galiza. Os guerrilheiros – anarquistas, socialistas e comunistas – procuravam refúgio nas aldeias do lado português, atacando os alvos franquistas do outro lado da fronteira. Uma dessas aldeias era Cambedo da Raia. Devido a uma denúncia, a aldeia foi cercada por centenas de efetivos  militares portugueses e espanhóis, Pides, GNR, Guarda Fiscal, etc., no dia 20 de Dezembro de 1946.

Da Batalha do Cambedo, resultou a morte de dois guerrilheiros – Juan Salgado Rivera e Bernardino Garcia, que terá preferido suicidar-se a render-se; a morte de dois guarda-republicanos, José Joaquim e José Teixeira Nunes; alguns feridos, incluindo uma menina; e foram presos oito galegos e 55 portugueses, dezoito dos quais de Cambedo.

A história foi quase ocultada na altura. Hoje vão-se conhecendo pormenores. É mais um momento importante da solidariedade raiana entre o povo português e os resistentes espanhóis, tal como aconteceu noutros lugares fronteiriços, como, por exemplo, Barrancos”.

CAMBEDO DOCUMENTÁRIO COMPLETO

Da nossa parte – portuguesa – nunca fizemos jus àquele ato de solidariedade que as gentes de Cambedo tiveram para com os seus amigos e vizinhos (enfim, «irmãos») galegos, sacrificando-se por eles, ficando com bens e vidas destruídas.

Nós, portugueses, esquecemos. E como esquecemos tão facilmente!

Mas os galegos – em abono da verdade, alguns galegos -, não se esqueceram do que as gentes do Cambedo fizeram por elas.

Num dia  de 1996, estivemos em Cambedo,

26.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (110)

representando a autarquia flaviense, para inaugurar|colocar esta singela placa que os nossos «irmãos» galegos fizeram questão de a colocar aqui, nas costas da Capela de São Gonçalo, e na antiga linha de fronteira,

27.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (111)

como reconhecimento e «Lembranza do voso sufrimento».

Face ao que acima se disse e relatou, não compreendemos que o este Trilho não entrepela  povoação dentro e mostre aquele «palco» de guerra e ainda as ruínas das casas que restam após aquele tiroteio, de caça ao homem, em que nada se acautelou. Nem uma placa indicativa do acontecimento! Há coisas que não vale apenas esquecer: são verdadeiras feridas, embora cauterizadas com o tempo; mas que marcam!…

Meia dúzia de passos dados, e estamos em frente do

Ponto 7 - Capela de São Gonçalo

28.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (114)

Aqui um placar informativo esclarece-nos:

Capela de invocação a São Gonçalo de Amarante e local de devoção dos peregrinos de São Tiago, onde existiam dois São Gonçalos, o novo e o velho. Não se sabe a data da construção, tendo beneficiado com melhoramentos e um aumento de área de implantação em finais dos anos 50, do século XX. A capela original tinha um adro murado, demolido com as obras de beneficiação.

Situada, antes do Tratado de Limites de 1864, na parte portuguesa, era usada pelos vizinhos galegos e portugueses. Com o Tratado, civilmente, as pessoas do bairro galego pertenciam a Portugal e, espiritualmente, obedeciam ao Bispo de Ourense”.

Atravessada a parte alta da aldeia,

29.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (119)

passando pela antiga Escola Primária,

30.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (121)

e ultrapassado o cemitério de Cambedoem poucas centenas de metros, virando à direita, por um troço mal amanhado,

32.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (126)

dirigimo-nos ao

Ponto 8 - Pisão

33.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (137)

Aqui existe um placar informativo, que nos descreve este ponto:

Outrora uma unidade fabril composta por duas dependências, localizada no lugar do Rousso, na margem esquerda da ribeira de Cambedo e junto à antiga linha da raia que separava Portugal e Espanha até 1864, é hoje uma pequena edificação em ruínas.

Nos tempos em que nada havia de mais apropriado para suportar as intempéries, especialmente nos rigorosos invernos, era nesta pequena unidade industrial que, com técnicas ancestrais, se procedia à impermeabilização das capas que os pastores e as pessoas em geral utilizavam para se protegerem do frio e da chuva.

Estas instalações pertenciam a uma família de apelido Fernandes, mais conhecidos por pisoeiros, da qual ainda há muitos descendentes, como o Sr. Licínio Inocentes, colaborador na implementação deste trilho. O seu bisavô António, pisoeiro, foi o último homem a trabalhar no pisão; a sua esposa era tecedeira e fazia cobertores de lã, liteiros e as já referidas capas que, tratadas no pisão, eram idênticas às atuais capas de burel”.

Mas, pela fotografia que acima se exibiu, pouco ou nada de jeito se vê. Aquela pequena unidade fabril está sobranceira à ribeira de Cambedo. Não tem acesso, nem por este troço, nem pelo do açude da ribeira, mais abaixo, neste lugar chamado de Pisão ou Rousso, nem tão pouco se pode ver em termos, dado ser tomada pela vegetação espontânea. É pena. Bem podia ter outro trato esta artesanal e antiga unidade fabril!

Mesmo junto do placar informativo do Pisão está o

Ponto 9 - Marco 215 - Valle da Ladera

34.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (130)

Junto a este Marco 215, um outro placar diz:

O Marco 215 está situado no Regato do «Valle de Ladera» ou Vale da Adreira, ladeado de sobreiros e medronheiros, à direita do caminho que liga os dois povos ex-promíscuos de Cambedo e Soutelinho da Raia.

A raia, antes do Tratado dos Limites de 1864, seguia em direção ao atual marco da «Portella de Wamba», atravessando e separando a aldeia em dois bairros, portugueses e galegos, transformando-a em povo misto. Com o Tratado, a direção da linha raiana é alterada para norte, subindo às alturas do regato do «Valle da Ladera» e continuando pelo limite do termo de Cambedo até à «Portella de Wamba», abrangendo uma área quadrada delimitada por dezenas de marcos principais e secundários, ficando a povoação de Cambedo, desde então, totalmente em território português”.

35.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (143)

Feito este pequeno desvio para vermos (?) o Pisão e o Marco 215 – Valle da Ladera, voltámos ao troço principal e, logo na pequena e ligeira descida, estamos na área de descanso do Pisão ou Rousso.

Já na variante deste Trilho, que nos leva aos dois moinhos e a um lagar de azeite – ou do que deles resta – aqui parámos para descansar um pouco; hidratarmo-nos; comermos e… convivermos um pouco.

36.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (144)

Antes de voltarmos a caminho, tirámos a foto da praxe do grupo. Ela aqui se apresenta.

37.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (145)

Da esquerda para a direita da foto: Paco Gisbert; Rui Queirós; Carmen Riveiro; Natan (filho de Neide Nunes); Neide Nunes; Nicolas (filho de Neide Nunes); Cecílias Vieira; Augusto simões e Natália Marlene Moura. O autor destas linhas, que gosta pouco de «selfies», está por detrás da câmara.

Mochila às costas, deixámos este lugar, despedindo-nos da povoação de Cambedo,

38.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (151)

e, um pouco mais ao longe, do Castro de Wamba.

39.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (153)

Em poucos minutos, por este troço de caminho,

40.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (156)

Encontrávamo-nos no

Ponto 10 - Barragem do Rêgo do Milho

41.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (157)

No placar informativo, aqui colocado, somos informado que a

Barragem em terra e enrocamento, concluída em 2005, promovida pela DRATM, no âmbito do quadro comunitário AGRIS, com as seguintes características: Volume do aterro – 260 000 m3; Altura máxima – 33 m; Área da bacia hidrográfica – 2,1 Km2; Área inundada ao NPA (Nível de Pleno Armazenamento) – 184 000 m2; Volume útil de armazenamento à cota do NPA – 1 880 000 m3.

Situada no território de Vilela Seca, é abastecida pelos caudais da Ribeira do Rêgo do Milho e Ribeira de Cambedo, através de uma conduta fechada com cerca de 2 Km de extensão.

Fornece água às culturas de regadio da Associação de Regantes de Vilela Seca, vilarelho e Cambedo, reconhecida, desde 2009, como gestora do Aproveitamento Hidroagrícola, com sede em Vilarelho da Raia”.

42.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (178)

Perante um dia de calor, e com uma água tão límpida, quem não resistiu a dar um mergulho, mesmo com a roupa que trazia, foi o amigo Augusto Simões.

43.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (158)

Eis o nosso «parreco» na água, enquanto Natália Marlene se ocupava em atender um familiar, ao telemóvel.

44.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (159)

Enquanto isto, o restante grupo descansava, junto a estas límpidas e refrescantes águas, sob o olhar atento do «pastor» Rui.

45.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (170)

E, como diz o provérbio, «não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe…», outro remédio não tivemos que acabar com este momento de lazer refrescante, botando-nos a caminho, sob o olhar atento do condutor deste jeep, na outra margem da Barragem.

46.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (181)

Começámos a descer,

47.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (196)

para a base da Barragem do Rêgo do Milho.

48.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (193)

Ao longo deste troço do Trilho, começámos a avistar o casario da aldeia,

49.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (197)

enquanto passámos por campos que «ofereciam» as «novidades» ao seu proprietário.

50.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (199)

Já mesmo perto de Vilarelho da Raia, esta mesa de pedra, com estes bancos, face ao calor que já se começava a sentir,

51.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (202)

tendo ao lado uma fonte de água,

52.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (203)

convidavam a mais um pequeno descanso, uma pequena cavaqueira e a exercícios acrobáticos,

54.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (206)

nas árvores, por algumas das nossas companheiras de «route».

55.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (211)

Ultrapassado o cemitério da aldeia,

56.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (215)

adentrámo-nos pelo casario velho de Vilarelho da Raia

57.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (218)

(Cenário I)

59.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (220)

(Cenário II)

60.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (221)

(Cenário III)

(Cenário V)

62.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (236)

(Cenário IV)

63.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (237)

(Cenário V)

até que alcançámos o

Ponto 11 - Igreja Paroquial de São Tiago

64.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (228)

(Perspetiva I)

65.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (227a)

(Perspetiva II)

66.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (231)

(Pormenor do campanário, típico da zona)

À entrada da Igreja, o respetivo placar dá-nos a seguinte informação:

Vilarelho foi sempre ponto de passagem em épocas de conflitos. Um dos alvos era a igreja paroquial, sendo várias vezes saqueada nas guerras da Restauração.

Na sequência de um incêndio, perpetrado em 1661, pelos espanhóis, foi reedificada em 1698 (ver inscrição mural). Aquando da segunda invasão francesa, em 1808, o sino que tocava quando havia trovoadas, com a imagem de Santa Bárbara gravada, foi roubado pelos franceses e deixado em Tamaguelos.

A igreja é um edifício sólido, de estilo românico, bem conservado, com altar principal e dois colaterais de estilo barroco e torre sineira típica da região. Envolve-a um conjunto de cruzeiros simples que foram um calvário.

67.- 2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (235)

Santiago, com culto muito remoto, é o orago da igreja e da paróquia. A paróquia de São Tiago é posterior ao arrolamento dionisino de 1320/1321. Vilarelho da Raia, em 1706, foi abadia da apresentação da mitra”.

Cumprido todo o Trilho e exaurida toda a informação dos placares distribuídos ao longo do percurso, regressámos à base, ao início do nosso Trilho.

2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (242)

Na esplanada do Centro Social e Cultural de Vilarelho da Raia, aproveitámos para mais um momento de convívio, acompanhado de uma cerveja fresquinha e, depois…, aproximando-se a hora do almoço, cada um, em viatura própria ou dos amigos, regressou a «penates».

Foi uma manhã de verão bem passada, revivendo histórias e a nossa História. Em terras de fronteira.

Para finalizar esta nossa reportagem, apresenta-se o itinerário do Trilho,

2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (242a)

bem assim o Perfil da sua Altimetria.

2020.- PR8 CHV - Trilho de Vilarelho da Raia (242b)

16
Jul20

Memórias de um andarilho - PR 7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PR7 CHV – TRILHO DE SEARA VELHA-CASTELÕES

(01.julho.2020)

01.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (12)

Desde a sua origem, o Homem

tem necessidade de acreditar, de ter fé,

de poder explicar aquilo que não consegue perceber.

 

Durante milhares de anos

muitas dessas crenças ficaram escondidas

e apagadas pelo Tempo.

Outras, ficaram levemente gravadas

na natureza, como é o caso

da serpente gravada num penedo

do Santuário da Senhora do Engaranho,

mais tarde, em tempos cristãos, sacralizado,

transformando-se num dos principais

santuários desta região.

 

Esta intimidade e continuidade

dos espaços de culto são sentidos de uma forma

muito acentuada nestes territórios.

 

«Avivar - Nos Trilhos das Memórias de Chaves»

In Tradição - «Entre pagãos e cristãos»

Na linha de «avivar – Nos Trilhos das Memórias de Chaves», «Tradição – Entre pagãos e cristãos» deveria ser este o subtítulo deste nosso Trilho. Condiz mais com a realidade dos lugares que o percurso nos proporciona visitar e contemplar. Até porque não visitamos apenas Castelões e Seara Velha. O Trilho também passa por Calvão. Todos estes lugares, antigamente, integravam o concelho de Ervededo. Com a extinção deste concelho, passaram para alçada do concelho de Chaves. Com a reforma administrativa de 2013, Castelões e Calvão, juntamente com Soutelinho da Raia, constituíram a União de Freguesias de Calvão e Soutelinho da Raia, da qual Calvão é a sede, e Seara Velha juntou-se a Soutelo, constituindo a União de Freguesias de Soutelo e Seara Velha, com sede em Soutelo.

 

A referida publicação «avivar - Nos Trilhos das Memórias de Chaves», quando se refere a Castelões, local da nossa partida para realizar o Trilho PR 7 CHV – Seara Velha-Castelões,

02.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (3)

informa-nos:

O topónimo de Castelões apela à nossa imaginação a viajar no tempo, até ao momento em que cada pedaço de território era disputado por reis e senhores e os castelos eram os seus principais baluartes. De fato, neste lugar nos recuados e conturbados tempos da Reconquista deve ter havido um castelo, ainda que rudimentar, que deu o nome à localidade. Verdadeiramente fantásticas e muito raras são as estelas dos finais da Idade do Bronze achadas no lugar do “Alto dos Castelões”, hoje expostas no centro da aldeia e que nos mostram como as tribos de há cerca de três mil anos marcavam os territórios. (…)”

03.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (13a)

Ficamos muito contente e satisfeito que as populações locais apreciem e tratem bem os vestígios do seu passado longínquo, como este. Mas para apreciar estas tão belas «estelas estremenhas» ou «estelas de guerreiro», dos finais da Idade do Bronze, com cerca de 3 000 anos de existência, não era necessário «embelezá-las» pondo-lhes um pote a meio! Sendo, como Manuel António Martins nos diz em «avivar», um dos principais vestígios arqueológicos do concelho e, porventura, até do Norte de Portugal, o referido pote não lhe acrescenta mais valor, ou sequer, melhor estética… Elas valem por si!

 

Antes de iniciarmos o nosso percurso de hoje, ao lado do seu início, fomos dar uma olhadela à capela de São Pedro de Castelões.

 

António Manuel Martins, na obra que foi patrocinada pelo Orçamento Participativo do Município de Chaves, em 2017, diz que “A igreja de S. Pedro, em Castelões, é o reflexo da arquitetura de cariz popular, marcada pela sua simplicidade decorativa e arquitetónica. A sua construção deve remontar aos séculos XVII ou XVIII. Contudo, a intervenção ocorrida, em 1817, conferiu-lhe o aspeto atual de nave única e capela-mor mais baixa e estreita com sacristia anexa ao lado esquerdo. A fachada é dominada ao centro pela dupla sineira tão característica nesta região”.

04.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (14)

Não entrámos no seu interior, pois, ao inicio da tarde de um dia quente de verão, pouca gente se via pelas ruas da aldeia e, nem tão pouco, encontrámos a zeladora da capela para no-la abrir e deitarmos uma vista de olhos.

 

Prosseguimos então caminho, percorrendo as ruas da aldeia, de acordo com a sinalética do Trilho.

 

Poucos passos decorridos, encontrámos o velho forno comunitário.

05.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (25)

A porta estava aberta. Entrámos. O forno comunitário ainda tem uso!

06.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (23)

Logo a seguir, deparámos com o Cruzeiro de Castelões ou do Senhor da Piedade.

07.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (27)

É datado de 1879. Trata-se de um impressivo exemplo da cultura popular, conservado durante gerações, primando a sua arquitetura pela decoração simbólica, a começar pela cobertura do alpendre, em madeira pintada, representando os instrumentos da Paixão.

08.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (29)

Protegido pelo alpendre, ao centro está o cruzeiro, repousando num plinto quadrangular, composto por uma coluna com fustes e capitel ornamentado com cabeças aladas de anjos, rematado por uma cruz latina, ostentando na face frontal o grupo escultório da Virgem em pé, com Cristo no regaço, e na face oposta Cristo Crucificado encimado pela insígnia INRI.

09.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (33)

Verdadeiramente «naif».

 

Saímos sozinho da aldeia. Mas fizemos o percurso ao contrário do que o itinerário do folheto do percurso nos indica: em vez de irmos diretamente para Seara Velha, fomos ter a Calvão.

 

Deixamos aqui dois cenários do nosso percurso,

10.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (45)

(Cenário I)

11.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (58)

(Cenário II)

Uma vista de Castelões,

12.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (46)

quando nos começámos a embrenhar mais em territórios de Calvão, protegida pela serra da Panadeira, vislumbrando no seu regaço a aldeia e a sua altaneira Igreja.

13.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (52)

Entrámos na aldeia de Calvão por esta rua, onde, do lado direito, impera uma casa tipo senhorial, com uma Alminhas encrustadas, e, do lado esquerdo, a entrada posterior da Igreja Matriz de Santa Maria de Calvão, a que se tem acesso por uma meia dúzia de escadas.

14.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (70)

A Igreja atual é da década 40 do século passado. O anterior templo vive envolto em lenda. Vale a pena conhecer a lenda de «Maria Mantela», apelando aos nossos(as) leitores(as) a que recorram ao blog do nosso amigo Fernando DC Ribeiro, «CHAVES», de 15 de março de 2007, sob a epígrafe «Chaves e a Lenda de Maria Mantela»  onde, aqui, entre muitos outros, poderão conhecê-la, se ainda não a conhecem.

 

Como podemos constatar, segundo esta lenda, a criação desta Igreja deve a um dos sete filhos padres de Fernão Gralho e Maria Mantela. Tudo isto, segundo parece, dá-se em pleno século XII.

 

Como nota curiosa, quanto a esta lenda: depois de todos os filhos de Maria Mantela terem falecido, numa sepultura rasa, na Igreja Matriz de Chaves, defronte do altar de Sant’Ana, lia-se o seguinte epitáfio: “Aqui jaz Maria Mantela com sete filhos ao redor dela”.

 

Tivemos sorte: a Igreja Matriz de Santa Maria de Calvão estava aberta. Entrámos.

15.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (77)

No retábulo do altar-mor, esta bela imagem da Virgem Maria.

16.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (80)

Saímos do seu interior da Igreja e fomos observar a sua fachada principal, remodelada naquela década de 40 do século passado, depois de um vendaval/ciclone a ter destruído parcialmente.

17.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (87)

Saímos da povoação de Calvão sem visitarmos a Capela de Nossa Senhora do Amparo, Deixamos, contudo, aqui, o que «avivar» nos diz quanto a ela:

A capela de Nossa Senhora do Amparo é uma das mais antigas de Calvão. A capela, em 1617, era dedicada a Nossa Senhora do Rosário, alterando-se o seu orago em data desconhecida. A sua arquitetura é particularmente simples, um apanágio dos modelos executados no século XVII. À capela de Nossa Senhora do Amparo está associado o primeiro campo-santo, ou cemitério do povo em Calvão registado em Novembro de 1835. O fuste de uma coluna da época romana a suportar uma pia batismal, atesta a antiguidade desta aldeia”.

 

Atravessámos o ribeiro do «Crasto», já na saída na povoação. Antes de subirmos para o cabeço, onde esta a Capela de São José, não nos deixou indiferente as ruínas desta antiga capela, cujo nome desconhecemos.

18.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (94)

Chamou-nos a atenção este nicho, na sua frontaria, onde se encontra pintada umas Alminhas já bem deterioradas.

19.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (96)

Enquanto subíamos em direção à Capela de São José, olhando para trás, dávamos as despedidas ao casario de Calvão.

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Aqui, no recinto, à volta da Capela de São José, resultante do empenho do Padre Gregório Domingues que, em 1752, a mandou edificar para nela ser sepultado, aproveitámos para descansar um bocadinho, à sombra das árvores que a rodeiam.

21.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (106)

Estamos de acordo com António Manuel Martins, quando, na obra supra citada - «avivar – Nos Trilhos das Memórias de Chaves» nos refere que a morte do Padre Gregório ocorreu em dezembro de 1780, tendo o mesmo deixado no seu testamento rendimentos para a conservação do templo «enquanto o mundo for mundo». “A simplicidade arquitetónica do templo de uma só nave manifesta a vontade do seu instituidor que pretendeu ser sepultado rodeado de um ambiente bucólico”.

 

Embora a porta da capela estivesse fechada, por uma das suas frestas das duas janelas da porta, conseguimos ver o singelo retábulo do altar com a imagem de São José.

22.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (111)

A partir daqui, foi um prolongado troço do caminho do Trilho até Seara Velha. Fácil de fazer, embora relativamente desprotegido quanto ao sol que escaldava.

23.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (131)

Logo que chegamos a Seara Velha, o que mais nis chama a atenção é este Cruzeiro, que se encontra num eixo de vias de dão acesso à aldeia.

24.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (146)

Este Cruzeiro, ao contrário do tradicional capitel, possui um globo, que se encontra rematado por uma cruz latina.

 

Na base tem adossada umas Alminhas em granito, de remate triangular e moldura inscrita em arco de volta perfeita, com cruz ao centro. No seu interior, um impressivo painel de azulejos, representando as almas no fogo do Purgatório “a serem resgatadas por anjos que ladeiam a figura da Virgem com o menino, que irrompe entre as nuvens cheia de luz”.

25.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (149)

Subimos por entre o casario, ora um, com casas já velhas,

26.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (159)

ora outro, em que se nota um esforço genuíno de recuperação,

27.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (162)

até à sua Igreja Mariz.

28.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (164)

Seara Velha está na rota de peregrinação para Santiago de Compostela, através da via que partia de Vilar de Perdizes. “As serras e os vales eram cruzados por peregrinos das mais variadas origens, imbuídos de fé, em direção a Compostela (…)” mas “A ligação a Santiago não se fica somente nos caminhos que atravessam a freguesia, nem no geo-monumento [o conhecido cofre de Santiago, um bloco de granito que se encontra no caminho que separa Soutelo de Seara Velha, imediatamente a seguir à escola primária]. O orago e patrono da freguesia é, também, Santiago, cuja Igreja paroquial dignifica a sua figura”.

29.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (171)

Refere António Manuel Martins, “(…) a fachada do templo recebe visitantes e fiéis com uma interessante representação iconográfica. As edículas apresentam as figuras de S. Tiago montado a cavalo, do lado esquerdo,

30.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (173)

e Santa Bárbara, com a sua tradicional iconografia, a torre e a palma, no lado direito”.

31.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (174)

Não podemos entrar no interior da Igreja. Deixamos, contudo, o alçado exterior direito da mesma.

32.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (172)

A 25 de julho, a aldeia de Seara Velha celebra o seu padroeiro S. Tiago, engalanando-se.

 

Nas escadas de uma casa, contígua à Igreja, parámos um pouco para aí descansarmos um pouco, hidratarmo-nos e mudarmos a roupa do tronco, toda alagada em suor. E continuámos caminho, por entre o seu casario

33.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (177)

típico, de granito.

34.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (178)

Não somos muito propenso a fotografar cemitérios.

35.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (182)

Há, contudo, de reconhecer que a Morte é parte integrante da Vida. Por isso, aceitá-la, pensamos, é meio caminho andado para se encontrar um melhor modo de viver. As «almas» que aqui repousam não podiam ter melhor envolvência, em termos de paz. Nós próprio ficámos «arrebatado» com esta magnifica paisagem!

36.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (183)

Ao deixarmos Seara Velha, subindo sempre rumo à Senhora da Aparecida,

37.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (198)

não podíamos deixar de frisar mais um dos aspetos ligados a este lugar, que nos é referido pelo próprio António Manuel Martins: “A romanização da área sente-se pela passagem de uma via romana no alto da Mortiça. A Idade Média encontra-se disfarçada nas paredes das casas da aldeia, mas pode ainda ser sentida nos vestígios de um lagar escavado na rocha no Bairro das Lajes ou nas múltiplas sepulturas escavadas na rocha”.

 

Enquanto subíamos, do nosso lado esquerdo, aquela paisagem granítica fascinava-nos. E, a determinada altura, este cenário impressionou-nos.

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Reavivámos nossa memória e percebemos de que se tratava de o Outeiro dos Mouros.

 

Outeiro dos Mourosé um dos mais impressionantes castros da Idade do Ferro do concelho de Chaves. Destacado e imponente, este povoado apresenta três linhas de muralhas, de aparelho faceado que em alguns pontos apresenta ainda três metros de altura.

A sua implantação estratégica de controlo e a existência das linhas de muralhas demonstra bem o cuidado que estas populações da Idade do Ferro tiveram em se defender e de controlar o território envolvente. Defendiam-se de animais, é certo, mas sobretudo de outras comunidades com que manteriam atritos. Estávamos num período onde existiam grupos humanos organizados em tribos que já dominavam o ferro. Isso mesmo demonstram algumas peças aqui achadas que podem ser enquadradas entre o séc. III e o I a. C., como mós manuais rotativas, um cossoiro decorado com círculos e pontos, e uma fíbula. O achado de moinhos de naveta ou de “vai e vem” pode pressupor uma ocupação mais antiga, talvez dos finais da Idade do Bronze”.

 

Estamos, outra vez, em terras de Calvão. E, no trilho no qual prosseguíamos, à nossa direita, aparece-nos o Santuário da Senhora da Aparecida.

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Mostra-se o topo da sua fachada principal da sua Igreja, com campanário típico da zona galaico-portuguesa,

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o alçado posterior e lateral direito

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e, a nível do cimo da capelinha, onde conseguimos, a custo, com o nosso telemóvel fotografar a imagem da Senhora,

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O púlpito usado, no grande dia festivo da Senhora – no segundo domingo de setembro de cada ano -, para o «sermão» do pregador da Festa.

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Ainda tentámos provar a água desta fonte

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que, dizem, ser muito fresquinha. Mas não lhe vimos pinga.

 

Parámos neste Santuário, no cimo da capelinha, mais um bocadinho. A subida que, até aqui efetuámos, desde Seara Velha, com poucas sombras, apesar de estarmos com o cair da tarde, fez com que tivéssemos de mudar, outra vez mais,  de roupa, pois estávamos todo encharcado de suor. Mudada a roupa, continuámos a nossa jornada, despedindo-nos deste Santuário, a partir deste Cruzeiro.

45.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (230)

Segundo a tradição popular, em 1833, a Senhora teria aparecido a três pequenos pastores: Manuel, Maria rosa e Teresa Fernandes. Tal acontecimento gerou uma profunda devoção junto da comunidade local que rapidamente se prestou a sacralizar o espaço. Com efeito, em 1833, o povo levantou ali uma capela. Em 1842 construiu outra de maiores dimensões, ligada à primitiva por um terreiro, e em 1880, uma terceira em forma de nicho”, diz-nos António Maria Martins.

46.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (205)

Subindo até Castelões, indo ter à capela/Santuário de Nossa Senhora do Engaranho, através de um bom e largo troço de caminho, foi um deleitoso espanto que, quer à nossa esquerda, quer em frente, a própria natureza mais agreste nos propicia, trazendo-nos uma verdadeira e autêntica paz de alma. Eis os seus cenários:

47.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (244)

(Cenário I)

48.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (247)

(Cenário II)

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(Cenário III)

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(Cenário IV)

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(Cenário V)

Na subida, entretanto, íamo-nos despedindo de Calvão

52.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (250)

e, num outro quadro, e mais ao fundo, parte da cidade de Chaves, encostada à imponente serra do Brunheiro, local para onde, brevemente, nos dirigiríamos.

53.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (251)

Mais uma vez, fomos ao encontro da Capela/Santuário de Nossa Senhora do Engaranho ou das Necessidades.

54.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (265)

Ainda segundo António Maria Martins, na obra «avivar – Nos Trilhos das Memórias de Chaves» “é um dos mais importantes do seu género na região flaviense. O motivo prende-se, essencialmente, por a santa ser a advogada das crianças com problemas de crescimento. Manda o ritual que, na piscina que se forma no penedo junto da capela, se lave a criança e troque a roupa que tem vestida por uma nova e regresse a casa por um caminho diferente daquele que a conduziu ao santuário de maneira a processar-se a cura dos males.

O culto à Senhora do Engaranho deve ter começado no curso do século XVII/XVIII quando foi edificada a pequena capela que hoje em dia se conserva. A sua simples estrutura é a imagem da simplicidade devocional e da crença que ao longo dos tempos foi crescendo e angariando devotos. Planta de nave única apresenta no seu interior um retábulo de talha policromada a branco apresentando no eixo central a imagem da padroeira. Foi, contudo, no século XX que alguns beneméritos beneficiaram o santuário com novas capelas como são o caso das invocações a São Caetano, São Brás e São Bento. Mais recente é a fonte dedicada a São Tiago. Não menos importante é o cruzeiro que compõe o santuário. A sua simplicidade arquitetónica é coroada por uma singela cruz latina. O penedo onde está a pia (piscina) tem gravada uma serpente que nos remete para cultos ancestrais, provavelmente da Idade do Ferro, relacionado com a água e a vida”.

 

Já se fazia tarde para regressarmos a Chaves. Descemos pela zona do Parque de Merendas,

55.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (284)

observando um velho carvalho nascido num penedo,

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observando a entrada principal do Santuário, com o seu típico Cruzeiro.

57.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (285)

Tomámos a estrada de asfalto até Castelões,

58.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (289)

sem que antes não tivéssemos reparado no desconforto deste animal asinino perante a «invasão» de tantas moscas sobre o seu focinho.

59.- 2020.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões (295)

Chegado ao lugar onde deixámos a nossa viatura, sem praticamente nenhuma gente a «receber-nos» no Largo, encetámos caminho de volta a casa.

 

Mais um percurso que se aconselha a fazer em dias de primavera e outono. E, se bem que não muito difícil de efetuar, o seu perfil altimétrico, conforme se vai mostrar, é de ora sobe, ora desce. Apenas nas proximidades de Seara Velha é que temos uma interessante «ladeira».

 

Para finalizar, já que se trata de percursos de visitação do património natural e cultural do concelho de Chaves. Esperamos que apareçam outros que cubram a totalidade do vasto e rico património que o concelho de Chaves tem.

 

E agora mesmo para acabar. Gostamos da recolha das «memórias». Em tempos, tínhamos um projeto ambicioso, que era levar a cabo um conjunto de «histórias de vida», que cobrisse a totalidade das «falas» das gentes do nosso mundo rural. Não tivemos tempo de o levar por diante, quiçá, porque não dizê-lo também, engenho e arte suficiente para o impor «politicamente» aos nossos «pares» da equipa que entretanto fazíamos parte! É que quanto mais tarde aparecer, menos «histórias de vida» e menos «memórias» teremos…

 

Pensamos brevemente levar a cabo a variante PR 7.1 CHV, cobrindo, mais em pormenor, os dois Santuários, nas aldeias da Freguesia de Calvão (Calvão e Castelões).

 

Apresenta-se o itinerário do Trilho,

60.- PR 7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões

bem assim o perfil da sua altimetria.

61.- PR7 CHV - Trilho de Seara Velha-Castelões 002

 

14
Jul20

Memórias de um andarilho - PR9 CHV Trilho de Castelo de Monforte

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PR9 CHV – TRILHO DE CASTELO DE MONFORTE

(29.junho.2020)

01.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (66)

Do lado do Levante, além defronte,

Um castelo fiel, medieval,

Espreita atentamente para o vale

Do cocuruto sáfaro do Monte.

 

Já não existe agora quem nos conte

Façanhas do seu tempo marcial,

Em que mão de guerreiro mais brutal

Lhe punha cicatrizes pela fronte!

 

Mas creio que tivesse glória e fama,

Abatendo os rebeldes da Mourama,

E as hordas que vinham lá do norte!

 

Hoje não tem ocupação alguma.

As pedras vão caindo uma a uma…

Vai morrendo o Castelo de Monforte!

 

Artur Maria Afonso

Chaves, 17-10-40

In «Auras perfumadas»

 

Diz-se nos órgãos de comunicação local que, no passado dia 9 do corrente, teve lugar na Biblioteca Municipal de Chaves a apresentação do resultado da investigação cultural realizada no âmbito do projeto AVIVAR, com a apresentação do Livro «AVIVAR - Nos trilhos das memórias de Chaves» e uma Exposição Fotográfica temática, produto da recolha foto etnográfica da cultura popular flaviense, que estará patente ao público até ao próximo dia 31 de agosto.

Este projeto foi o resultado da candidatura apresentada por António Manuel Martins no Orçamento Participativo (OP) de Chaves 2017, sendo a proposta vencedora da Componente 2 – Promoção e Dinamização – Projetos de âmbito Cultural e Desportivo, informam-nos a respetiva nota de imprensa.

Na mesma «nota de imprensa» diz-se que, com este trabalho, pretende-se  “divulgar e registar o património material e imaterial existente no meio rural do concelho”, procedendo-se “à recolha dos aspetos mais marcantes da cultura popular, através de entrevistas realizadas nas localidades de Águas Frias, Calvão e Soutelinho da Raia, Eiras, S. Julião e Cela, São Pedro de Agostém, Soutelo e Seara Velha, Vidago, Arcossó, Selhariz, Vilarinho das Paranheiras e Vilarelho da Raia”.

Tivemos previamente acesso a este trabalho, o qual apresenta “seis roteiros pedestres turísticos culturais do concelho que perpetuam a memória ancestral da cultura flaviense, através da divulgação de caraterísticas peculiares que podem também ser conhecidas através do site criado para o efeito, em www.avivar.pt”.

Ficámos, assim, a saber que os seis percursos pedestres que se projetaram e executaram no âmbito do concelho de Chaves, têm aqui a sua raiz. Não com o nome com que aparecem, todavia, o seu trajeto essencial é o mesmo.

E, pelo que deduzimos, com a apresentação da obra «AVIVAR – Nos Trilhos das Memórias de Chaves» e a Exposição Fotográfica temática, foram, deste modo, também inaugurados os seis percursos pedestres de pequena rota, assim designados  – PR2 CHV – Trilho de Vidago-Arcossó; PR6 CHV – Trilho de Quinta do Rebentão; PR7 CHV – Trilho de Seara Velha-Castelões; PR8 CHV – Trilho de Vilarelho da Raia; PR9 CHV – Trilho de Castelo de Monforte e PR10 CHV – Trilho de Moinhos de São Lourenço.

Não é aqui o lugar para fazermos uma apreciação à obra que foi lançada no passado dia 9, nem tão pouco à Exposição Fotográfica temática. Demos-lhe apenas uma vista de olhos em diagonal, por isso, não seria sério da nossa parte, fazer qualquer apreciação sobre a mesma. Mas sempre diremos, à parte o trabalho fotográfico ínsito na obra, no que diz respeito a “divulgar e registar o património material e imaterial existente no meio rural do concelho”, que gostamos mais daquela obra mais modesta, e com recursos bem mais parcos, que fomos encontrar no «Roteiro de Chaves», de 1998, do Grupo cultural Aquae Flaviae. Trata-se de uma obra feita «pro bono», com a participação dos mais diversos autores flavienses, ou que aqui vivem, com dispêndio de muitos menos recursos – fundamentalmente financeiros – e cobrindo a generalidade de todas as aldeias do concelho de Chaves.

Feita esta pequena introdução, ou aparte, debrucemo-nos sobre o nosso trilho de hoje.

E dizermos que, se em relação à maioria dos nomes dos mesmos somos muito crítico quanto ao nome que lhes foi dado, quanto a este não. Assenta-lhe bem. Não poderia ter outra designação senão esta. É que aparte a visitação que fazemos à aldeia de Avelelas, nomeadamente à sua pequena Igreja Matriz

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– de Nossa Senhora da Natividade – e à capela de Santa Bárbara, bem assim, em Sobreira, à capela de São Miguel, o que mais se destaca neste percurso de 10 Km é o Castelo de Monforte de Rio Livre.

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Por esta circunstância, vamos demorar-nos aqui um pouco mais para falarmos sobre este classificado Monumento Nacional.

Sabemos que há uma boa bibliografia que trata sobre este Castelo, que dentro das suas muralhas teve vila e que, de 1273 a 1853, foi sede de concelho com o nome de «Monforte de Rio Livre». Mas não é sobre aquele antigo concelho que vamos falar. Para quem esteja interessado, existe uma interessante obra «Monforte de Rio Livre – História, Lugares e Afetos (1273-1853)», de Maria Aline Ferreira, na qual poderão inteirar-se sobre o nascimento, vicissitudes e «morte» deste velho concelho.

Falemos, tão somente, deste velho Castelo. E peguemos em alguns excertos do trabalho dos finalistas da licenciatura em Arqueologia da Universidade do Minho – João Mário Martins da Fonte e Ismael Basto Cardoso, com a designação de «Castelo de Monforte de Rio Livre», sito na «adenda electrónica, nº 13|julho de 2005». 

Referindo-se ao contexto histórico e geográfico, os autores afirmam que o Castelo  encontra-se “implantado no alto de um outeiro da Serra do Brunheiro, aproveitando os afloramentos rochosos existentes no local, isolado e em contexto rural, perto da confluência da ribeira de Águas Frias. Destaca-se na paisagem e beneficia de uma privilegiada posição geoestratégica, com ampla visibilidade, em particular sobre a veiga de Chaves. (…). O antigo Castelo, de que hoje restam apenas ruínas, abrigava nas suas muralhas de sólida alvenaria em granito uma pequena povoação, a vila de Monforte de Rio Livre, sede de concelho do mesmo nome, que abrangia a área de várias freguesias, hoje pertencentes aos concelhos de Chaves e Valpaços (…) foi extinto no século XIX, mais propriamente a 31 de Dezembro de 1853, data em que foi dissolvido em proveito dos concelhos de Chaves e de Valpaços. O topónimo «Monforte» tem origem no latim «mons fortis», literalmente «monte forte». O topónimo «rio livre« pode ter origem no facto de o Castelo estar a salvo das cheias dos rios Tâmega e Rabaçal, estar, portanto, «livre de rio» ou «sem rio» (…). Outros, porém, como relata João Vaz de Amorim, afirmam que o topónimo «rio livre» se refere a um antigo privilégio dos habitantes desta região, que era o de poderem pescar livremente durante todo o ano nas águas do rio Rabaçal, usufruindo delas para rega, entre outras coisas. O conjunto classificado é constituído pelas ruínas da vila de Monforte de Rio Livre, compreendendo o Castelo propriamente dito, com a torre de menagem e o respetivo pátio, implantado na zona mais elevada, e a cerca vilã, que define um recinto subelíptico, estendendo-se ao longo da encosta declivosa, com um traçado algo irregular adaptado à topografia do terreno. A origem do castelo propriamente dito, enquanto estrutura muralhada que define um pequeno espaço, deve procurar-se nos primórdios da Reconquista Cristã. Eram estruturas exclusivamente militares, bastante rudimentares, quase sempre fruto da iniciativa das populações locais, implantadas em locais elevados e acidentados, privilegiando o campo de visão, ocupando, muitas vezes, antigos povoados fortificados. Estes castelos roqueiros dos primórdios da Reconquista foram a resposta encontrada pelas populações locais face às razias muçulmanas e incursões normandas (…). O século IX ficou marcado por um avanço significativo da Reconquista Cristã, graças à ação de Afonso III das Astúrias, que levou a cabo uma série de presúrias. A presúria de Chaves no ano de 872 pelo Conde Odoário garantiu o controlo pelas forças cristãs de um eixo de circulação vital − a bacia tectónica Régua-Verín −, que permitia o acesso até junto do Douro (…). Este processo foi acompanhado de perto por uma reorganização militar e administrativa com base nos condados (unidades políticas), nos territoria (unidades eclesiásticas) e nas civitates (unidades militares e administrativas). Importa destacar as civitates, que eram grandes unidades territoriais dirigidas por condes, onde um castelo presidia aos destinos militares, estando dele dependentes uma série de estruturas castelares. A fase das civitates foi, de resto, o período áureo do “incastelamento” do Norte de Portugal, multiplicando-se a construção de estruturas militares (…). A bibliografia tradicional refere a construção do Castelo de Monforte por D. Afonso Henriques, após conquista aos Mouros em 1139, embora tal não passe de uma mitificação historiográfica. A mais antiga referência ao Castelo de Monforte de Rio Livre, que primeiramente se denominaria S. Pedro de Batocas, data de finais do século XI. No referido documento do Liber Fidei da Sé de Braga consta: «civitatem Batocas […] in territorio Flaviensis discurrente rivulo Tamica» (…). Noutro documento do Liber Fidei pode ler-se: «territorio Flabias subtus mons Batocas discurrente flúmen Tamice in villa quod vocitant Sancti Stephani» e «[…] per mediatorio de Marius […] et inde per Aquas Frígidas et sub ipsa civitatelia de Batocas». Já no século XII, noutro documento do Liber Fidei surgem novas referências a Batocas: «in villa que vocatur Turris sub monte Batocas discurrente flamine Tamice territorio Flavias» e «in villa Sancti Stephani de Flabias sub monte Batocas aquis discurrentibus ad flumen Tamice». Na documentação da época os sítios eram inúmeras vezes localizados no espaço geográfico pela proximidade ou dependência de uma estrutura militar. As expressões «subtus», «sub», etc., são muito comuns na definição dessa relação de dependência militar e espacial, sendo acompanhadas, muitas vezes, da indicação do território em que se implantam e da proximidade de cursos fluviais mais importantes (…), como se pode constatar no anteriormente exposto, em que o «monte Batocas» é utilizado como ponto de referência. A insistente referência ao monte Batocas parece indiciar o carácter fortificado do local, onde se deverá ter erguido um castelo, com maiores ou menores arranjos defensivos (…). A designação de civitate e civitatelia com que também é referido o sítio poderá atestar uma ocupação recuada no tempo, sobretudo como expressão da memória de ali ter existido um povoado fortificado da Idade do Ferro ou um aldeamento/acampamento romano (…). Num outro documento do século XII do Liber Fidei, há referência a um nobre tenente do castelo: «domnus Gonsalvus de Sousa, tenens Montem Fortem supra Flavias»(…), pelo que, provavelmente, o Castelo de Monforte de Rio Livre seria castelo cabeça-de-terra. No século XIII, com a progressiva afirmação e centralização do poder régio, o sistema baseado nas terras começa a entrar em decadência e os tenentes a ser esvaziados das suas funções. Paulatinamente, essas nomenclaturas começam a desaparecer na documentação, passando, nos finais do século XIII, a haver referências aos julgados, espaços civis e judiciais, confiados a juízes de nomeação régia (…). Se as civitates corresponderam a um modelo condal e as terras a um modelo senhorial, os julgados corresponderam à afirmação do modelo régio, ou seja, à política de centralização do poder e de controlo da nobreza, levada a cabo por Afonso III e por D. Dinis (…). A partir de meados do século XIII começam a surgir nos castelos portugueses novas soluções arquitetónicas, vocacionando-os agora para uma “defesa ativa”, característica do castelo gótico, feito não só para resistir aos assédios inimigos, mas também para contra-atacar. Em 1258, nas Inquirições de D. Afonso III relativas ao julgado de Rio Livre (Batocas), surge a referência ao nome de uma paróquia: «parrochia Sancti Petri de Batocas” (…), que se identifica com o mons/monte ou civitate/civitatelia de Batocas. No século XIII, surgem as vilas fortificadas de iniciativa régia, com funções de capitalidade sobre um território mais ou menos vasto, o respetivo termo. Em 1273, D. Afonso III concedeu carta de foral a «hominibus populatoribus de villa mea de Monte forti de Rio Livre» (…), na tentativa de fomentar o seu povoamento, denominando-se agora Monforte de Rio Livre. No reinado do mesmo monarca, procedeu-se à reconstrução do Castelo e das suas muralhas após as guerras contra Leão. Esta reconstrução foi concluída no reinado de D. Dinis, ficando o Castelo dotado de torre de menagem e sendo ampliada a muralha da vila. Face ao carácter de vila fronteiriça, a fundação da mesma parece representar uma iniciativa associada à estabilização e consolidação da fronteira Norte do Reino, defendendo um eixo natural de penetração no território nacional (…). O Castelo de Monforte sofreu várias obras de recuperação militar e civil nos séculos seguintes, nomeadamente nos reinados de D. Fernando, D. João I e D. Manuel I. As dificuldades de manutenção e povoamento da vila encontram-se bem evidentes quando em 1420 foi instituído o couto de homiziados, por D. João I, pois «dicta vjlla he muj desfraudade por seer mujto no stremo e por razam das guerras passadas» (…), com o propósito de aumentar o povoamento e garantir a defesa do território à custa dos homiziados, que, em contrapartida, logravam alcançar o perdão (…), ou quando D. João II determina que «os moradores das aldeias e casais a uma légua de distancia, se recolhessem e viessem morar continuamente muros adentro da vila» (…). Em 1512, foi concedido novo foral à vila por D. Manuel I, na tentativa de evitar o seu despovoamento. Os forais outorgados a um território despovoado ou raiano, como no caso de Monforte de Rio Livre, apresentam como particularidade uma certa ligeireza fiscal, com o intuito de favorecer a fixação das populações nas zonas mais agrestes (…). No numeramento de 1527-1532, viviam na vila apenas trinta moradores, quando vários lugares do seu extenso termo, com 862 moradores distribuídos por 44 aldeias, ultrapassavam já aquele número (…). Em 1796, a vila encontrava-se «quasi despovoada e arruinada, pois não tem mais do que cinco moradores, três dentro dos demolidos muros e dous da parte de fora» (…). A vila persistiu até meados do século XIX, embora nunca tenha sido demasiado povoada, até que, em 1853, foi abandonada devido à extinção do concelho de Monforte de Rio Livre, em consequência das reformas administrativas de Mouzinho da Silveira. Há uma lenda que se refere ao êxodo da população da vila. O Castelo e a vila de Monforte de Rio Livre foram um senhorio do irmão de D. João V, o príncipe D. Francisco. Este era famoso pelo seu mau carácter, associado à falta de juízo. Por ocasião de uma visita do senhor aos seus domínios, os homens bons do concelho quiseram presenteá-lo com produtos da região. Porém, a terra era pobre e apenas conseguiram obter figos e pinhas, cujas colheitas se efetuavam na altura. Na dúvida, decidiram oferecer-lhe os figos, que sempre seriam mais apreciados, pensaram. O infante considerou esta generosa oferta como uma afronta à sua real pessoa. Decidiu então castigar o autor da ideia: mandou-o amarrar a um poste e ordenou aos seus soldados que lhe atirassem, um a um, todos os figos. Consta que no fim do exercício de tiro ao alvo, o infeliz homem, afogado em figos esborrachados, desabafou com os seus pares: «Olha se tínhamos oferecido as pinhas!» Diz a tradição que, apesar do humor da vítima, os munícipes ficaram muito desgostosos com esta atitude do senhor, e que esta foi uma das causas determinantes do êxodo da população da vila, que poucos anos depois ficou deserta”.

Atentemo-nos, agora, sobre o que os autores nos dizem quanto à caracterização arquitetónica.

A torre de menagem encontra-se implantada de forma proeminente na zona mais elevada,

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dominando todo o conjunto defensivo. Data do século XIV e serviria de residência ao alcaide, funcionando, em caso de perigo eminente, como um último e quase inexpugnável reduto de resistência aos ataques dos adversários. Possui planta quadrangular, com entrada por uma porta de arco de volta perfeita situado ao nível do primeiro andar, acessível pelo adarve ou caminho de ronda,

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ao qual se acede por uma escadaria bastante arruinada encostada à muralha interior do pátio da torre de menagem. Sobre a porta sobressaem os negativos de um possível alpendre desaparecido. O rés-do-chão da torre de menagem é ocupado por uma cisterna com abertura superior situada no centro do pavimento do primeiro andar. O teto atual deste primeiro andar é formado por uma abóbada de berço em granito, situada a grande altura e que outrora terá provavelmente constituído o teto de um pavimento intermédio, que seria o segundo andar, vendo-se ainda as estruturas de apoio do sobrado e os vãos nas paredes que iluminavam o andar: duas frestas e uma janela de dupla fresta em arco de volta quebrada. Num dos ângulos deste desaparecido segundo andar desenvolve-se uma escada em caracol, de granito, integrada na espessura da parede. O topo da torre encontra-se atualmente ocupado por um telhado de construção moderna. Externamente, o topo da torre é coroado a toda a volta por mísulas, que serviriam de suporte ao já desaparecido machicoulis, que era um balcão corrido a toda a volta do topo da torre, suportado pelas mísulas, intervaladas por matacães, e coroado por ameias, permitindo o tiro vertical. No topo da torre, existem também duas gárgulas de escoamento de águas pluviais. A encimar tudo isto, está um marco geodésico de construção moderna.

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O pátio da torre de menagem apresenta uma planta sub-rectangular, com um aparelho elevado de silhares bem aparelhados, em aparelho pseudo-isódomo. Seria possivelmente aí que se localizariam as cavalariças e instalações para serviçais, entre outras. O acesso é feito do exterior da fortaleza por uma porta de arco de volta perfeita, situada na face Sul.

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Uma outra porta, mais larga e também em arco de volta quebrada, situada na face Oeste, liga diretamente o pátio da torre de menagem à antiga vila.

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Existem duas portas principais na cerca da vila: a porta para Galiza e a porta para Bragança, junto da qual se localizava a Igreja Matriz, existindo ainda outros postigos, dos quais apenas restam as aberturas no pano de muralhas. As portas que ligam o interior com o exterior do recinto convertem-se em pontos-chave na organização do traçado intramuros. As vias que unem as diversas portas constituem o esqueleto da forma urbana. As portas surgem como sistema gerador dos eixos viários intramuros, em que há uma bifurcação de ruas a partir das mesmas (…). As ruas, que constituem a estrutura urbana, convergem para as portas da muralha. A cerca medieval que envolve a vila define um recinto que está atualmente coberto de vegetação, que esconde e dificulta a leitura e perceção dos arruamentos, das habitações, da Casa da Câmara, da Cadeia, da Igreja Matriz e da Capela da Senhora do Prado. A cerca apresenta um formato irregular, adaptado à topografia do local, e tem aproximadamente 180 metros de comprimento máximo e 120 metros de largura máxima. O traçado das muralhas estava condicionado pelas próprias características irregulares do terreno, o que impedia que a superfície do recinto fosse muito alargada e condicionava fortemente as opções em matéria de «desenho» do amuralhamento (…).

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De referir também uma muralha interior, que separava a vila do castelo propriamente dito e suas diversas dependências. Será também provável a existência de uma barbacã a circundar parcialmente a área do castelo, na zona de mais difícil defesa. Tratava-se de um muro de altura mais baixa do que a muralha, construído no exterior desta, visando oferecer um primeiro obstáculo àqueles que pretendiam assaltar a praça, como é possível verificar-se no Livro das Fortalezas, de Duarte de Armas. É mais que provável a existência de um fosso ou cava que circundaria todo o perímetro do Castelo ou se circunscreveria a uma determinada zona mais sensível. Seria também importante averiguar acerca das remodelações realizadas no Castelo em meados do século XVII, por alturas da Restauração da Independência, havendo referência à construção de baluartes, mas que já não se encontram visíveis. A antiga vila de Monforte de Rio Livre teve o seu brasão de armas, que se encontra numa das salas da Câmara Municipal de Valpaços (…). O fuste do seu pelourinho encontra-se depositado no Museu da Região Flaviense (...). No decorrer do século XX foram realizadas uma série de obras no Castelo, nomeadamente a consolidação e restauro das suas muralhas, a construção, nos anos 80, do telhado que coroa a torre de menagem e, nos anos 90, o arranjo dos espaços exteriores, dotando-os de parque automóvel, zonas verdes e de lazer e iluminação dos panos de muralha. O Castelo de Monforte de Rio Livre é um excecional exemplar de uma arquitetura militar gótica, preparado para uma “defesa ativa”, com torre de menagem e respetivo pátio e aglomerado urbano fortificado, abandonado e em ruína. A maior parte do conjunto atualmente edificado data de finais do século XIII e primeira metade do seguinte. Foi uma vila com uma função essencialmente defensivo-militar, criada por iniciativa régia, numa região em que se procuravam atrair populações mediante a concessão de privilégios. É um núcleo fortificado de pequenas dimensões e planta irregular, situado num local estratégico (…).

Diz-nos o sítio «Portugal torrão natal», de 15 de dezembro de 2010, sob a epígrafe «Águas Frias»  que “ (…) Do estado atual do castelo ninguém é culpado, mas todos o são e como tal, com culpas distribuídas por todos, o mais certo é que um monumento nacional continue entregue ao completo abandono…a nós, que ninguém nos liga, resta-nos denunciar e lamentar, ter pena que também ele sofra da sua ruralidade que embora bem visível a léguas, ninguém o veja no seu maior interesse Mas embora o Castelo tenha a sua importância, historicamente a freguesia tem mais a dizer, pois tudo indica que o seu povoamento remonte, pelo menos, à proto-histórica Cultura Castreja do Noroeste Peninsular, pelo menos é o que tudo indica o topónimo «Monforte» e que o mesmo se relacione com um dos numerosos  povoados fortificados da idade do Ferro e Romanização ligado no aro concelhio flaviense, por onde se supõe também que passaria a Via Augusta (calçada romana) que ligava Braga a Astorga, ou seja uma daquelas que seria uma autoestrada da época romana”. 

Estamos com os autores que vimos citando:O Castelo de Monforte tem um enorme atrativo turístico e patrimonial, aliado ao seu excecional enquadramento paisagístico, pelo que urge potenciar este sítio, tornando-o inteligível ao cidadão comum e permitindo o seu usufruto. É indispensável um projeto multidisciplinar de estudo e salvaguarda do local. O desenvolvimento do interior terá de passar pela recuperação e valorização do seu Património histórico e arqueológico, sendo importante a participação ativa das populações locais e a aposta nos recursos endógenos. É importante integrar este Património na vida das pessoas, que até defendem o monumento, mas tendem a ignorá-lo, já que não tiram benefícios dele. O turismo cultural deve, cada vez mais, ser encarado como um sustentáculo para a economia local, pelo que se deve fomentar a indústria do Património”.

As obras que atualmente estão a ser levadas a cabo – Restauro da muralha e acesso à Torre de Menagem – através do Norte 2020, é muito pouco!

Não podemos pensar que um singelo percurso pedestre, que é contemplado pela sua passagem, seja suficiente para o dinamizar. Trata-se apenas de uma simples e singela iniciativa!

***

Vamos, agora sim, dar início ao nosso percurso pedestre, que tem o seu início na aldeia de Avelelas.

Deste Largo, partimos para calcorrear o Trilho do Castelo de Monforte.

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Socorremo-nos da obra «avivar – Nos Trilhos das Memorias de Chaves»: 

Quem cruza as terras de Monforte de Rio Livre não pode ficar indiferente a Avelelas. O lugar é detentor de um património que se perde na memória, apenas preservado por uma epígrafe ou pelo sulco gravado no granito. Disso é exemplo a ara romana que se conserva na igreja de Nossa Senhora da Natividade que, por sua vez, data de 1699.

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No coração de Avelelas reside um marco da religiosidade popular: a capela de Santa Bárbara.

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Por entre ruas tortuosas e casario típico, a capela ocupa um pequeno largo através das suas formas simples da arquitetura tradicional. Eventualmente remodelada em 1898, como assinala a data no lintel na porta principal, o templo apresenta uma arquitetura simples com cunhais em cantaria de granito e a fachada rematada em frontão triangular. Na parte superior do lintel, uma cartela apresenta uma epigrafe desgastada pelo tempo. No interior [a que não tivemos acesso], a beleza decorativa cinge-se ao retábulo de expressão neoclássica marcado pelo branco e dourado cuja arquitetura é representada pelas colunas e entablamento reto com os florões. Ao centro do retábulo abre-se um nicho que alberga as singelas figuras de Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e da Virgem. Na base do retábulo, Cristo crucificado domina o cenário de fé e devoção”.

Ainda segundo a mesma obra, a “história da aldeia está fortemente ligada ao Castelo de Monforte e às suas importantes e famosas feiras, que em termos cronológicos, perduraram até tempos não muito antigos. A forte devoção a Santa Bárbara é bem evidente pela existência de uma capela em honra da mesma, e que em dias de trovoada acolhe todos aqueles que se queiram abrigar da tempestade”.

E, continuando com a mesma obra, “Na acolhedora e pacata aldeia de Avelelas foi edificada, em 1699, a igreja matriz dedicada a Nossa Senhora da Natividade.

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No seu interior, o retábulo de formas barrocas decorado com uma linguagem profundamente cristã, marcada pelas parras e pelas uvas,

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guarda a imagem da Virgem à qual os paroquianos veneram.

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Muito interessante é a reutilização como pia de água benta de uma ara romana dedicada a uma divindade pagã, provavelmente proveniente da zona de Lampaça, junto à aldeia, que ilustra a antiguidade da aldeia e a memória da presença romana. Neste altar podemos ler, segundo Rodriguez Colmenero: DEBARO / NI MVCE / AICAECO / FVSCINVS / FVSCI F(ilius) / V(otum) L(ibens) A(nimo) S(olvit)”.

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Repare-se no teto do altar-mor desta singela Igreja.

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Visto o património mais importante de Avelelas –  o lagar rupestre fica para uma outra oportunidade – por entre um casario ora velho, ora novo, ora com casas recuperadas,

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onde, à frente de uma delas, não falta o tanque

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para dar de beber ao gado,

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Atravessámos a estrada e embrenhámo-nos no trilho, depois de passarmos pela sua velha Escola Primária.

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Umas centenas de metros percorridos, olhando para trás, observámos o casario de Avelelas.

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Outros tantos metros percorridos, por entre terrenos cultivados de centeio, em pleno período estival,

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(Cenário I)

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(Cenário II)

eis a silhueta do Castelo de Monforte de Rio Livre.

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Aproximávamo-nos.

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E, logo, logo, entrávamos no seu perímetro, depois de atravessarmos a zona de lazer.

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Demo-nos conta que havia trabalhadores a operar na reconstrução da muralha. Perante o calor que fazia, descansavam um pouco, até porque o horário de serviço estava a aproximar-se. A porta principal, do lado sul do Castelo, estava fechada. Contornámos a muralha e entrámos no antigo recinto da vila pelo lado onde estavam montados andaimes. Felizmente que a porta da vila estava aberta. Entrámos no recinto.

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Subimos ao primeiro andar do Castelo, acessível pelo adarve ou «caminho de ronda» – uma escadaria encostada à muralha.

Positivamente este Castelo é (era) um lugar privilegiado para observação dos movimentos do «inimigo». Hoje oferece-nos belas vistas panorâmicas. Deixemos aqui aquelas que, para nós, foram mais impressivas, a saber:

A aldeia de Águas Frias, sede da freguesia com o mesmo nome, da qual o Castelo de Monforte de Rio Livre faz parte integrante.

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Num plano mais aproximado da aldeia, a Igreja Matriz, ocupando o centro da imagem.

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A poente, a albufeira de Nogueirinhas (Barragem de Arcossó).

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Agora vista num plano mais aproximado.

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Para os lados de nascente, as terras cerealíferas de Monforte.

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Depois de alguns minutos no cimo do primeiro andar deste Castelo, contemplando todo este entorno daquelas que outrora foram as terras do extinto concelho de Monforte de Rio Livre, descemos aquelas íngremes escadas e, atravessando de novo o recinto da antiga vila, saímos das muralhas pelos mesmos andaimes.

Saído do perímetro do Castelo e da sua zona de lazer, onde aproveitámos para nos hidratar-nos e mudar de roupa do tronco, toda já encharcada de suor, tomámos a direção (recomendada) de Sobreira.

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Continuámos a atravessar campos de centeio, já pronto para a ceifa,

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e, depois, a sinalética manda-nos por este troço de caminho,

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que, na nossa opinião, não tem razão de ser. São apenas umas dezenas ou uma centena de metros de um caminho mau, com muita vegetação e que, no outono ou no inverno, está alagado e, possivelmente, intransitável.

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A alternativa, melhor e muito mais cómoda, neste pequeno troço, seria o mesmo caminho que nos levou ao Castelo. Fica aqui a sugestão, simples de emendar..

Despedimo-nos, finalmente do Castelo de Monforte de Rio Livre

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e, agora sim, rumámos a Sobreira, por entre campos de centeio.

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(Cenário I)

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(Cenário II)

Atravessado este largo estradão, e subindo, mais à frente o asfalto, depois de atravessarmos a estrada,

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entrámos em Sobreira.

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Sobreira, cremos, mais até que Avelelas, apresenta uma dúplice realidade: casas novas, na linha da estrada, uma ou outra recuperada, e, mais no «miolo» da aldeia, outras a ficar em ruína, ou prestes.

46.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (174)

Fica aqui um pormenor que, logo que o vimos, nos despertou a curiosidade: para quê uma casa com uma sebe tão alta a rodeá-la?

47.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (169)

Transcorridos uns metros, percebemos a razão: o «medo» de estar perante a Morte; é que, mesmo ao seu lado, está o cemitério da aldeia!..

Observado o exterior da capela de São Miguel, pois não encontrámos vivalma que nos facilitasse o acesso ao seu interior,

48.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (178)

(Perspetiva I)

49.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (176)

(Perspetiva II)

mesmo à entrada do centro da aldeia.

50.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (171)

 Deixamos aos nossos leitores este pormenor da «torre» do relógio.

51.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (184)

Sem a sinalética nos mandar para o «miolo» da aldeia, virámos, nas proximidades da capela logo à esquerda, em direção as Avelelas.

52.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (187)

 À saída da aldeia, a antiga Escola Primária.

53.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (186)

Entre soutos, mato, campos de centeio e pequenas hortas,

54.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (192)

(Cenário I)

55.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (195)

(Cenário II)

chegámos a Avelelas.

56.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (213)

Para finalizar a reportagem deste Trilho, que já vai longa, deixamos dois cenários, que tem muito a ver com a realidade das nossas aldeias deste nosso interior (transmontano): por um lado, os modelos de construção, importados da emigração;

56.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (213)

por outro, a continuidade de um «mundo», que teima a desaparecer.

58.- 2020.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte (236)

Apresenta-se o itinerário do Trilho,

59.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte - Percurso

bem assim o perfil da sua altimetria.

60.- PR9 CHV - Trilho de Castelo de Monforte  - Perfil de Altimetria

01
Jul20

Memórias de um andarilho - PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PR 10 CHV – TRILHO DE MOINHOS DE SÃO LOURENÇO

(23.junho.2020)

01.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (186)

Prometemos a nós mesmo que, durante este verão, iriamos fazer os novos seis trilhos que o Município de Chaves, na área do seu território concelhio, brevemente irá inaugurar.

 

Já calcorreámos o PR6 CHV «Quinta do Rebentão», parte do de «Vilarelho da Raia» (o PR78.1 CHV), dia 29 do corrente, o PR9 CHV «Castelo de Monforte» e, no passado dia 23 do corrente, o PR10 CHV, «Moinhos de São Lourenço».

 

É, a propósito deste Trilho, que nasce a reportagem de hoje.

 

Teve início na povoação de São Lourenço, partindo das proximidades do seu chafariz,

02.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (3)

para, logo de seguida, e virando à esquerda, descendo,

03.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (7)

nos dirigirmos para a povoação de Cela.

 

Deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) este recorte do percurso

04.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (9)

e, logo a seguir, a nossa passagem pelo(a) ribeiro(s) de Avelãs, que, aqui, toma o nome de São Julião.

05.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (12)

Tínhamos decidido fazer este Trilho hoje. Como acordámos tarde, deixámo-lo para a parte de tarde. Só que o dia de hoje estava uma autêntica brasa! Mesmo assim, por volta das 15 horas, resolvemos fazê-lo. Íamos a contar com um Trilho com muita sombra. Enganámo-nos. Embora, aqui e ali, sob o «manto» dos carvalhos,

06.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (16)

aparecesse uma ou outra sombra, e, obviamente, em pleno cauce encaixado  do(a) ribeiro(a) das Avelãs, o certo é que, no restante, o sol e o calor faziam-se sentir bem. Valeu, aqui e ali, uma pequena paragem, sob uma pequenina sombra, e a captura de uma ou outra imagem, como esta, na subida para Cela, do casario de São Lourenço.

07.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (19)

Chegado a Cela, uma das primeiras coisas que nos chamaram a atenção foi a «sucata», que foi um barco.

08.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (22)

De imediato nos veio à lembrança uma sessão fotográfica noturna que, sozinho, fizemos, tal como o nosso percurso de hoje, tendo como pano cenário esta velha ruína. Foi numa noite de agosto de 2015. E deixamos aos (ás) nosso(as) leotires(as) duas imagens dessa sessão fotográfica de iniciação a fotografia noturna.

09.- Astrofotografia - Cela Barco Horizontal 01

(Cenário I)

10.- AZS_9055

(Cenário II)

Virando, neste ponto, à direita, dirigimo-nos em direção à Igreja Matriz de Cela. Antes, porém, aparece-nos este Cruzeiro.

11.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (25)

O «Crucificado» é igual a tantos outros que encontramos repartidos pelo concelho de Chaves.

 

De seguida, aparece-nos a velha Escola Primária, deserta, porque aqui as crianças escasseiam.

12.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (27)

E, virando-nos para a direita, mais uma imagem da povoação de São Lourenço e do seu entorno.

13.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (29)

Até que passámos por este pequeno, tosco e singelo cemitério da aldeia,

14.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (31)

bem como pela sua Igreja Matriz,

15.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (37)

que teve honras de referência num placar ali colocado. Diz o seguinte:

“Igreja de Nossa Senhora das Neves

Igreja paroquial quinhentista da extinta freguesia de Cela, composta por nave única e capela-mor. Pertenceu ao Arcebispado de Braga e comarca de Chaves, encontrando-se atualmente anexa à paróquia de São Julião e, desde 1922, ao arciprestado de Chaves e à diocese de Vila Real. Segundo as Memórias Paroquiais de 1758m a igreja tinha uma nave e três altares: altar-mor do orago, o da parte norte de São Sebastião e o da parte sul de Santo António. Cela era curato apresentado pelo reitor de São Miguel de Nogueira da Montanha, por estar anexa aquela igreja, com a obrigação de cada dois anos ele se examinar à Relação de Braga. Em 1862 era vigararia independente da apresentação do Conde do Rio Pardo, no termo de Chaves, surgindo em 1878 no julgado moreiras. A 5 de Agosto é festejada a sua padroeira”.

 

Quanto à questão da extinção da freguesia de Cela, temos algumas dúvidas. Aliás, a reforma administrativa de 2013, tratou-se de uma verdadeira «salsichada»! Se a freguesia de Cela foi extinta, da mesma forma também foram extintas as freguesias de Eiras (com as suas aldeias de Eiras, Castelo e São Lourenço) e São Julião de Montenegro, passando, esta nova realidade administrativa, a designar-se de «União de freguesias de Eiras, São Julião de Montenegro e Cela». Pelo que deduzimos, as três freguesias continuam a existir. A forma como administrativamente são geridas é que mudou. Estaremos enganados?

 

Prosseguimos caminho, passando por este outro Cruzeiro,

16.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (43)

por esta arquitetura rústica,

17.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (46)

e por este local bem bucólico.

18.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (47)

Antes de começarmos a descer para a Ribeira de Sampaio, eis este belo panorama, tendo como protagonista principal a cidade de Chaves, com a sua veiga, as terras da União de Freguesias de Eiras, São Julião de Montenegro e Cela, e, no horizonte mais longínquo, as serras do Barroso e da Galiza.

19.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (51)

E, agora sim, começámos a descer

20.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (54)

para a Ribeira de Sampaio.

21.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (63)

Nesta altura do ano, a ribeira de Sampaio – o mesmo que dizer das Avelãs -, leva já pouca água.

 

Mesmo que tivéssemos aqui mós, estas ruínas de moinhos, e prontas para moer, não seria esta água que as faria rodar!

22.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (66)

Este lugar tão ermo, mas tão bucólico, bem podia estar melhor tratado! Mas cada um faz como pode, tem e sabe!

23.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (71)

Seguimos caminho e, agora, ultrapassada a subida que nos levou até à EN 213, atravessando a estrada, chegámos ao Miradouro de São Lourenço, que também teve o direito a um placar, que nos informa:

Miradouro de São Lourenço

O Miradouro de São Lourenço é um local privilegiado para se apreciar a cidade e a extensa veiga de Chaves, e lançar vistas para as montanhas e serras que se perdem no horizonte, já em terras do Barroso ou da Galiza. É também um local onde nos dias frios de inverno se pode apanhar sol, quando ovale está coberto por um manto de nevoeiro, e no verão um pouco de ar fresco após se apreciar o pôr do sol”.

 

Como nos apela à contemplação das belas vistas sobre Chaves e os seus horizontes próximos e mais distantes, aqui ficam duas imagens panorâmicas.

24.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (81)

(Panorâmica I)

25.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (87)

(Panorâmica II)

Não deixámos, depois, escapar este grande construção «acastelada», no Castelo. Oxalá, feita a obra, a mesma se enquadre dentro do contexto da paisagem que a cerca.

26.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (82)

Não problematizamos o «Castelo». Porque não uma habitação acastelada em pleno século XXI! O que importa é a sua inserção e adequação ao meio, ao lugar.

 

Do Miradouro de São Lourenço, descemos em direção à calçada romana.

27.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (103)

Enquanto descíamos pela calçada, mais uma pequena pausa. O contexto próximo, juntamente com a silhueta da Casa do Dória, a cidade de Chaves e toda a sua envolvente, com as serras, como pano de fundo, no último horizonte, mereciam que ficassem retidas neste momento, à nossa passagem.

28.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (104)

Até que chegámos a este cruzamento.

29.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (105)

Aqui, optámos pelo sentido recomendado.

 

Descendo, à nossa frente, o vale/pequeno desfiladeiro do(a) ribeiro(a) das Avelãs e a serra do Brunheiro.

31.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (107)

Neste preciso lugar, ou ponto,

32.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (112)

não seguimos em frente. Se o fizéssemos, iríamos ter à Ribeira do Pinheiro. Mais um outro nome! Virámos à direita e, com extrema cautela,

33.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (114)

começámos a descer para o (a) ribeiro(a) das Avelãs vermos a ribeira, os dois moinhos e os passadiços.

 

Mais uma vez!

 

Comecemos pelos passadiços.

34.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (121)

(Cenário I)

35.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (127)

(Cenário II)

36.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (165)

(Cenário III)

37.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (166)

(Cenário IV)

38.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (171)

(Cenário V)

39.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (173)

(Cenário VI)

Agora o seu primeiro moinho.

40.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (124)

(Perspetiva I)

41.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (126)

(Perspetiva II)

Trepando,

42.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (163)

vamos agora ao encontro do segundo moinho. Observemos este mais atentamente.

43.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (178)

(Perspetiva I)

44.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (179)

(Perspetiva II)

45.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (183)

(Perspetiva III)

46.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (188)

(Pormenor – uma roda/mó)

A ribeira com a sua água, já pouca, que corre pelo seu leito pedregoso.

47.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (146)

(Cenário I)

48.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (149)

(Cenário II)

49.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (175)

(Cenário III)

Satisfeita, uma vez mais,  a nossa curiosidade sobre estes passadiços e estes dois moinhos – ou o que deles resta -, neste(a) ribeiro(a), saímos deste local para voltarmos, de novo, à calçada romana.

50.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (189)

Pelo caminho, eis que nos aparece o tão falado e dito «Mosteiro» no lugar do Convento, de que no post anterior tão demoradamente abordámos.

51.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (194)

Até que chegámos à Capela da Senhora dos Aflitos.

 

E, porque aqui fizemos uma mais longa pausa, vamos falar um pouco sobre esta calçada romana pela qual já passámos, pelos menos, umas três ou quatro vezes.

 

Julgamos ser de interesse aqui referir o site «Itinerários das Vias romanas em Portugal» , lançado em 2004, seu objetivo vai na tentativa de fixar no Mapa de Portugal os pontos de passagem das vias romanas, de modo a criar rotas de viagem. Diz-se: “Contém todos os itinerários de forma descritiva de forma a ser facilmente consultada, sendo depois apoiado em outras páginas complementares com informações sobre a "Viação Romana", o histórico de «Evolução» do site e o projeto de «Georreferenciação» dos achados viários e a progressiva cartografia dos traçados. Para além da evidência arqueológica, existem cópias medievais do incorretamente chamado « Itinerário de Antonino» que constitui um documento essencial para entender a viação nesse período. Trata-se de uma preciosa compilação dos principais itinerários romanos indicando as estações viárias e as respetivas distâncias intermédias expressas em milhas. São apresentadas propostas de traçado para os 11 itinerários respeitantes ao atual território nacional, bem como muitos outras vias que compunham a extensa rede viária utlizada durante o período romano. Os itinerários aqui descritos estão em constante evolução à medida que avançamos no estudo da viação romana em Portugal. Não devem por isso ser lidos como propostas definitivas, mas antes como um documento dinâmico, alvo de constantes correções e acertos que vai evoluindo com o avanço do nosso conhecimento sobre o tema”.

 

Assim, de acordo com aquela página, em Portugal, havia «XI Itinerários de Antonino», a saber:

 

A.- De Braga partiam 5 itinerários:

Itinerário XVI - BRACARA (Braga) a OLISIPO (Lisboa);

Itinerário XVII - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) por AQUAE FLAVIAE (Chaves); Itinerário XVIII - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) pela SALANIANA (Serra do Gerês) - Via Nova;

Itinerário XIX - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) por LIMIA (Ponte de Lima) e TUDAE (Tui);

Itinerário XX - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) por AQUIS CELENIS (Santa Tecla?) - per loca marítima.

 

B.- De Lisboa partiam 3 itinerários para Mérida:

  Itinerário XII - OLISIPO (Lisboa) a EMERITA (Mérida) por EBORA (Évora);

  Itinerário XIV - OLISIPO (Lisboa) a EMERITA (Mérida) por ABELTERIO (Alter do Chão);

  Itinerário XV - OLISIPO (Lisboa) a EMERITA (Mérida) por FRAXINUM (Monte da Pedra?).

 

C.- No território nacional existem ainda os 3 seguintes itinerários:

 Itinerário XIII - OSSONOBA (Faro) a SALACIA (Alcácer do Sal);

 Itinerário XXI - BAESURIS (Foz do Guadiana) a PAX IULIA (Beja) por SALACIA (Alcácer do Sal);

 Itinerário XXII - BAESURIS (Foz do Guadiana) a PAX IULIA (Beja) por MYRTILIS (Mértola).

 

Quando falamos da «Calçada de São Lourenço», estamos, obviamente, a referirmo-nos a uma variante do Itinerário XVII que, de Braga, passando por Chaves, ia para Astorga.

 

A consulta à página do site, acima referido, assim nos sugere. E o mesmo diz-nos que, atendendo ao grande número de miliários e pontes romanas encontradas, é hoje consensual que a Via (romana) XVII, uma das suas variantes, de Chaves, [a outra seguia imediatamente para território galego], seguia pela região de Valpaços até Castro de Avelãs, às portas de Bragança.

 

Assim, partindo de Chaves, a via atravessava o rio Tâmega, sobre a magnífica Ponte Romana de Trajano, uma das poucas pontes romanas sobreviventes, que mantém o desenho original, apesar de dois dos seus arcos terem sido toscamente reconstruídos, sendo, positivamente, uma obra monumental e surpreendente.

 

Após atravessar o Tâmega, a via seguia inicialmente a EN103, desviando pela rua da Senhora da Boa Morte até ao Cruzeiro, onde estaria o miliário I, de Constâncio I, que apareceu no lugar de Eiras. Logo após o canal, segue à esquerda e logo à direita, iniciando a subida do Alto de São Lourenço, pela rua da «Calçada Romana», troço da via ainda bem preservada, que passa na Capela da Senhora dos Aflitos,

52.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (200)

(A humilde capelinha)

53.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (201)

(Vista de parte do seu interior)

vencendo aqui a milha II.

 

Nesta caminhada, ao contrário do percurso que fizemos com o nosso amigo Rui Queirós, os portões da Casa do Dória, na Quinta do Germano, estavam abertos. Entrámos. Parámos uns 15 minutos, dentro do logradouro da Casa do Dória, à sombra destes dois ciprestes, para mudarmos a roupa do tronco, que vinha toda encharcada de suor, e hidratarmo-nos. Daqui observámos a capelinha da Senhora dos Aflitos.

54.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (212)

Embora bem modesta, bem era escusada a companhia do «mamarracho» que lhe está ao lado.

 

Eis uma casa já em plena ruina.

55.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (204)

e contemplámos o pequeno lago aqui existente.

56.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (209)

(Perspetiva I)

57.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (210)

(Perspetiva II)

Demos uma volta à Casa e apercebemo-nos de uns postes ali existentes, que nos parecia não nos serem estranhos, pois já os tínhamos visto noutros lugares.

58.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (203)

Indagando a sua origem - «Eureka!» - eram afinal os que tínhamos visto, quer no Largo General Silveira, ou das Freiras, e nas Caldas, quando, nos finais da década de 60 do século passado, viemos para Chaves.

 

Em São Lourenço, sobe-se a encosta pela Calçada de São Lourenço, troço lajeado onde Argote identificou um miliário anepígrafo deitado na berma da calçada ainda observado por Barradas em 1958, mas hoje desaparecido. Este miliário indicava certamente a milha III. A via continua depois pela Casa dos Ferradores, Largo do Cruzeiro, milha IV, rua da Travessa, até à EN 213.

59.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (216)

(Calçada Romana – Troço I)

60.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (219)

(Calçada Romana – Troço II)

61.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (221)

(Calçada Romana – Troço III)

Ao contrário do que a sinalização do Trilho nos indicava, ou seja, voltarmos outra vez, ao Miradouro de São Lourenço,

62.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (223)

«desobedecemos», e virámos à esquerda, continuando na «Calçada Romana», por onde passa a GR 117 – «Vias Augustas XVII».

63.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (224)

O percurso pedestre  GR117 (Grande Rota)  está inserido no trajeto das Vias Augustas XVII. Tem uma extensão de 800 km e abrange um total de 18 cidades (Portugal e Espanha).

 

Esta via Augusta XVII foi integrada numa Grande Rota de Percursos Pedestres, sob o número 117, tendo por objetivo a promoção do património natural e cultural dos municípios envolvidos, contribuindo desta forma para o incremento do Desporto e Turismo de Natureza e por consequência o desenvolvimento das comunidades rurais. E passa por aqui,

64.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (226)

até à EN 213, já no começo do casario de São Lourenço.

65.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (229)

Sob um sol escaldante, trilhámos asfalto que atravessa a povoação de São Lourenço até ao nosso ponto de partida. E, como manda o itinerário do Trilho, percorrendo o Cimo do Povo, e pelo Juncal,

66.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (234)

para dirigimo-nos à Ponte Romana de São Lourenço ou Ponte do Arco, com um só arco, a 500 metros da aldeia, sobre a ribeira de S. Julião/Cabanas/Palheiros .

 

Como se pode ver pela imagem que se exibe,

68.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (241)

é uma pena esta singela ponte romana não estar com outra cara. O volume de vegetação que a cerca não deixa ver o seu pequeno arco.

67.- 2020.- PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço  (240)

 

No local existe um placar informativo que, na nossa modesta opinião, face ao que para cima está dito, deveria ser mais específico. Diz o seguinte:

 “Ponte do Arco:

Ponte romana sobre o ribeiro do Caneiro [aqui é «Caneiro»!], na encosta da serra do Brunheiro, onde surgem vestígios de uma via romana que ligava Chaves a Astorga, junto à EN 213 e próxima do miradouro sobre o vale de Chaves, ainda utilizada como caminho agrícola, sendo, até ao início do século XX, única via de acesso à Serra. A ponte conserva o primitivo arco, com tabuleiro sobre um arco de volta perfeita, constituído por aduelas almofadadas sem qualquer tipo de enchimento. Piso constituído por grandes lajes de granito, delimitado por lajes faceadas lateralmente, sendo o alicerce, aparentemente, original. Alguns silhares apresentam almofada e marca de fórfex (D.G.P.C.)

A título de curiosidade, em São Julião de Montenegro, na Igreja Paroquial apareceram 4 miliários, dois estão dentro da Igreja, o miliário de Macrino ou Carino e o miliário de Décio indicando a milha VI a Chaves. O miliário anepígrafo está no adro da Igreja e um fragmento de um miliário de Flávio Dalmácio foi para a casa do Pe. Fernando Pereira, em Vilar de Nantes, segundo a mesma fonte acima referida.

 

A calçada romana segue por Arco e Lama, adentrando-se depois no concelho de Valpaços.

 

Apresenta-se o itinerário do Trilho,

PR 10 CHV - Trilho deMoinhos de São lourenço

bem assim o perfil da sua altimetria.

PR10 CHV - Trilho de Moinhos de São Lourenço - Perfil de altimetria

Parámos num dos cafés da aldeia para tomar uma água. Dirigimo-nos depois para a nossa viatura e regressámos a casa.

 

Como apreciação final, e, na nossa modesta opiuniãoi, não ter a riqueza histórica do trilho que fizemos com o nosso amigo Rui Queirós, trata-se de um percurso agradável, não tanto pela visitação de duas aldeias – Cela e São Lourenço -, por passar por uma calçada romana e por um miradouro, icónico para os habitantes e, quiçá, visitantes de Chaves, mas, fundamentalmente, pelo(a) ribeiro(a) dos «mil e um nomes», e seus passadiços, e pela observação do que resta das cinquenta e tal mós de moinhos.

 

O folheto que levávamos, não faz, aliás como todos os restantes, qualquer referência à fauna e flora do Trilho. Não existe?

 

Apesar de não chegar ao 10Km, não é um Trilho para todas as «máquinas» e para todas as épocas do ano. Há que andar muito devagar. Ter cuidado para não resvalar e fazer entorses. E, para não ser tão penoso, pois o psicológico também conta,  contemplar (apreciar) muito, parando bastantes vezes. Principalmente este(a) ribeiro(a) buliçoso nos períodos de maior caudal de água. Fala-vos, naturalmente, um septuagenário. Para os mais novos, é «canja»!

 

Continuamos a «embirrar» com o nome dado aos trilhos. Este é também um deles. Todavia, no «estado da arte» a que chegámos, é inútil «bater mais no ceguinho»!

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