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31
Mai20

Memórias de um andarilho - Caminhada nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor - 7ª etapa :- Sanhoane-Sendim

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR 

7ª ETAPA

SANHOANE-SENDIM 

 (01.maio.2012)

01.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 162

(Pormenor da antiga Estação de Urrós)

 

"Contemplar a paisagem sob o ponto de vista da infinitude,

leva-nos a protestar contra

o modo puramente utilitarista de contemplar a realidade,

característica da visão técnico-científica dos dias de hoje.”

(R. Assunto).

A contemplação da paisagem

pode valorizar a beleza como finalidade em si,

e não somente a utilidade das coisas reais.

A paisagem é um objeto estético,

consequência da filosofia da Arte e da Natureza. (…)

A ideia da paisagem

concebe-se como uma forma da Natureza

ao constituir-se como objeto estético. (…

A paisagem enquanto objeto estético

 provoca em nós reações intelectuais ou sensoriais. (…)"

 

Luísa Genésio

 

Saímos de casa de nosso filho, Tópê, em Miranda do Douro, em direção a Sanhoane.

 

Já o sol começava a raiar, quando demos início à jornada de hoje, com a distância de 12,5 Km.

02.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 026

Caminhávamos em pleno planalto mirandês, por entre troços retos, rodeados de cor verde e amarela, espalhada pelos campos, debaixo de um céu azul, coberto de muitas nuvens brancas, carregadas.

03.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 027

A determinada altura, o canal da antiga Linha é interrompido, dando-nos a sensação da existência de uma passagem, ligando dois campos de lameiro.

04.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 036

Percorrendo a antiga Linha pelo planalto, sozinho, apenas, nos primeiros quilómetros que percorremos, deparámos com os cenários de um pasto, que exibimos aos(às) nossos(as) leitores(as).

05.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 045

(Cenário I)

06.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 047

(Cenário II)

07.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 037

(Cenário III)

08.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 043

(Cenário IV)

09.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 040

(Cenário V)

Foi o a observação desta cria, aninhada junto de sua mãe, que nos fez com que nos viesse à lembrança as palavras, supra citadas, de Luísa Genésio – «A paisagem mirandesa – uma leitura» -, professora do Instituto Politécnico de Bragança, ínsitas na publicação «Estudos Mirandeses – Balanço e orientações», conjunto de estudos ou textos coordenados por José Francisco Meirinhos, editada pela Granito, Editores e Livreiros, uma publicação de Homenagem a António Maria Mourinho (Atas do Colóquio Internacional: Porto, 26 e 27 de março de 1999), e que tínhamos lido uns dias antes.

 

Relembremos: “A contemplação da paisagem pode valorizar a beleza como finalidade em si, e não somente a utilidade das coisas reais”.

 

A paisagem ou os seus cenários que, andando, víamos, naquele preciso momento da nossa passagem não representava somente um aspeto utilitário, que tinha a ver com a exploração dos recursos, nomeadamente estes de natureza pecuária. Oferecia(m)-se aos nossos olhos como um objeto efetivamente estético. Despertava-nos sensações. Fazia-nos pensar não apenas na Natureza, outrossim na simbiose entre Natureza e Arte. Na verdade, estamos com Luísa Genésio quando, logo a seguir, nos afirma que “A ideia da paisagem [ou dos seus diferentes cenários] concebe-se como uma forma da Natureza ao constituir-se como objeto estético”.

 

Era congeminando sobre estas questões, quando passávamos pelo estreito canal, onde, durante umas boas centenas de metros, a esteva (Cistus ladanifer), umas em botão, outras já completamente floridas de noivas, vestidas de branco, se estendiam em tapete à nossa passagem.

10.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 051

A páginas tantas, porque andando na planura, a passo estugado, tivemos de parar, perante este obstáculo.

11.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 052

Ficámos com a sensação que estávamos perante um abuso de um particular. Estávamos em 2012. A Linha, é certo, já tinha encerrado há uns bons anos, mais precisamente em 1988. Mas, que nos constasse, naquela altura, apesar de todo o material fico ter sido arrancado e estar totalmente abandonada, aquele canal, porque pertença do domínio público do Estado – e, consequentemente, insuscetível de apropriação privada – não podia ser objeto de uso privado, mesmo que se quisesse usar o instituto jurídico da posse, constante do nosso Código Civil. Mas, em Portugal, as coisas acontecem… Por incúria e negligência de uns e por usura e abuso de outros. Infelizmente!

 

Lá conseguimos saltar a vedação e, mais à frente, continuámos a circular no trilho daquela que foi uma linha de caminho de ferro.

12.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 056

De um lado e de outro, apresenta-se-nos, em toda a sua pujança primaveril, o planalto cerealífero, multicolorido.

13.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 059

(Cenário I)

14.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 063

(Cenário II)

15.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 065

(Cenário III)

E, mais uma vez, nos ocorria à mente a reflexão de Luísa Genésio, citando R. Assunto: “Contemplar a paisagem sob o ponto de vista da infinitude, leva-nos a protestar contra o modo puramente utilitarista de contemplar a realidade, característica da visão técnico-científica dos dias de hoje”.

 

Somos um urbano, mas nómada até ao tutano. E profundo amante da «viagem». Como tal, esta paisagem, com os seus diferentes cenários, que pela primeira vez contemplávamos, provocava, essencialmente em nós, reações intelectuais e sensoriais. Puramente. Mesmo trazendo à mente a labuta diária do agricultor para a adornar. Cultivando-a. Transformando-a, a nossos olhos, num verdadeiro objeto cultural. Digna de ser vista!

 

E enquanto trazíamos à nossa mente estas reflexões, continuávamos, pé firme, percorrendo este canal, que resta da antiga Linha,

16.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 069

adivinhando vida, quando vislumbrávamos, no fundo do horizonte, a serra e o planalto, a fundir-se com todos os elementos do povoado que passava à nossa frente.

17.-2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 073

Estancámos o passo para contemplar, no cocuruto dos ramos de uma árvore, esta linda ave.

18.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 078

Mas, umas centenas de metros mais à frente, sobe por nós acima uma certa indignação.

19.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 079

Não há civismo em certas pessoas. Para já não falar na completa ausência de sensibilidade para as coisas que, porque de todos nós, para nossa fruição, deveriam ser tratadas com mais cuidado e carinho. Uma lixeira!...

 

Continuávamos agora a caminhar no meio de uma antiga Linha, agora tomada por um verdadeiro giestal.

20.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 081

Percorridos umas centenas de metros, e passando por debaixo deste viaduto de estrada,

21.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 090

avistávamos a Estação de Urrós.

22.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 097

Passámos pelo antigo armazém de mercadorias 

23.-- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 099

e pelo exterior do edifício da antiga Estação.

24.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 102

E reparámos no antigo Depósito de Água para abastecer as locomotivas a vapor.

25.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 113

Apreciámos este painel de azulejos.

27.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 103

E não perdemos este pormenor do edifício.

26.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 108

Uma bonita arquitetura ao completo abandono! Sem qualquer cuidado, sendo palco do mais puro desleixo e incúria de quem devia de cuidar de um património que foi palco, testemunha, da Vida de muitas gentes. Cheio de História.

 

Entrámos.

28.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 106

E ficámos verdadeiramente escandalizados!

 

Saímos de imediato. E, não sabemos porquê, mas de imediato nos veio à lembrança uma experiência tida num dos países europeus em que um dos responsáveis pelo património nacional nos dizia que grande parte significativa dos proventos provenientes dos jogos de azar e fortuna (que é o mesmo que dizer dos lucros da nossa Santa Casa da Misericórdia de Lisboa), em vez de irem para o futebol, como cá acontece, iam para serem investidos na recuperação, valorização e manutenção do património (nacional).

 

Aqui, neste nosso Portugal à beira mar plantado, valoriza-se mais «Os três F» - Futebol, Fado e Fátima, popularmente referidos, no pós 25 de Abril, como os três pilares da ditadura salazarista que, na realidade, era a trilogia – Deus, Pátria e Fátima

 

O que nos encheu a alma, andando uns bons metros à frente, foi o encontro com esta linda poupa ou boubela (Upupa sp.).

29.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 117

Continuávamos a nossa jornada, agora sobre piso duro, ao qual ainda não havia sido retirado o cascalho.

30.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 123

Tínhamos a sensação que estávamos nas alturas, com o céu a colar-se à terra.

31.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 129

Não sabíamos, ao todo, quantos quilómetros já tínhamos andado nesta Linha a pé. Mas, esta placa, uma sobrevivente a voragem do tempo e do Homem, encarregou-se de nos avivar a memória.

32.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 134

Aqui e ali, a cultura da videira e do vinho, vai, lentamente, tomando conta de pedaços da antiga Linha.

33.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 152

Uma pista, agora mais larga, desimpedida e cuidada,

34.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 144

correndo ao lado das vias rodoviárias novas, ou entretanto melhoradas,

35.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 145

indicava-nos que nos encontrávamos muito perto de Sendim.

 

E, a antiga Estação, em poucos minutos, oferecia-se-nos a nossos olhos.

36.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 156

O mesmo abandono e incúria de um património cuidado a «tratos de polé».

37.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 160

Mas a cultura viva do quotidiano rural destes povos do planalto mirandês, plasmada nestes painéis de azulejos azuis,

38.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 167

(Painel I)

39.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 172

(Painel II)

40.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 173

(Painel III)

resiste à voracidade do tempo e aos desleixo dos homens! Um misto de admiração e tristeza nos invadiu quando, aqui, demos por finda a nossa etapa de hoje e contemplávamos esta Estação.

 

Abandonámos este lugar, em direção ao centro da vila, onde tínhamos combinado encontrar-nos com o nosso filho.

 

Na despedida da antiga Estação de Sendim,

41.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 186

não deixámos de reparar no pormenor desta cornija do edifício.

42.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 177

Mesmo linda!

 

Enquanto esperávamos por Tópê para nos levar a Sanhoane buscar nossa viatura, demos uma olhadela pelo centro de Sendim.

 

Nele destaca-se o Pavilhão Multiusos,

43.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 207

três painéis de azulejos, representando o passado

44.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 208

(Painel I)

45.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 209

(Painel II)

e o futuro de Sendim.

46.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 210

(Painel III)

Ainda nos deu tempo para ver a Igreja Matriz, também conhecida como Igreja de Santa Bárbara, de planta longitudinal, de uma só nave e com capela-mor retangular.

47.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 217

A sua fachada principal é rasgada por um portal de arco completo, assente em duas pilastras, encimada por arquitrave. Sobrepõe-se-lhe um nicho com a imagem de Santa Bárbara, ladeado por dois pináculos. Está encimada por uma dupla sineira. No meio, uma mais pequena.

48.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 212

Também, muito à pressa, não deixámos de reparar no seu casario mais antigo

49.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 213

bem como noutro recuperado.

50.- 2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 218

Numa última olhadela para o património de Sendim, quando Tópê, o nosso filho, já se encontrava junto de nós, para repararmos nesta Capela do Senhor da Boa Morte.

2012 - Linha do Sabor (Sanhoane-Sendim) 214

E, por se falar em morte, veio-nos à memória uns versos de um ilustre filho desta terra, aqui nascido – António Maria Mourinho.

 

Este erudito e culto filho de Sendim, grande dinamizador da cultura mirandesa e da sua língua – o mirandês -, a pouco tempo do seu passamento, quando completava 79 anos de idade, escrevia, a 14 de fevereiro de 1996:

Anos!... hoje eu faço anos, ainda vivo!

E tantos já!... setenta e nove!...

Oitenta menos um!... e não mais tornam,

Na onda irreversível que se move!

 

A vida e o tempo

 

São como o vento…

Como se fosse um remoinho à solta!

Assim eu vou correndo, sem parar,

Em solenidade cônscia e saudosa

De tantas coisas gastas, dia a dia

Em mágoas e tormentos (e alegria).

Que assim a vida é feita até findar.

Ai mocidade em flor… Ai! Plena de vida!...

De esforços e canseiras… a sonhar…

Que já lai vai, mal gasta e mal perdida!

 

Apresentamos o diaporama desta etapa, realizado em março de 2013.

 

LINHA DO SABOR – 7ª ETAPA:- SANHOANE-SENDIM

 

29
Mai20

Memórias de um andarilho - Caminhadas nas vias férreas portuguesas abandonadas - linha do Sabor - 6ª etapa - Mogadouro-Sanhoane

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

  

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

  

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

6ª ETAPA:- MOGADOURO-SANHOANE

(30.abril.2012)

01.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (12)

(Estação de Variz)

Como já demos conta, estamos a seguir esta Linha do Sabor no sentido ascendente, do Pocinho para Duas Igrejas. Embora esta etapa - de apenas 9 Km -, apareça como a , na verdade, em termos reais, ela foia a , depois de termos efetuado Pocinho-Torre de Moncorvo; Torre de Moncorvo- Freixo de Espada à Cinta e Freixo de Espada à Cinta-Lagoaça, feitas, respetivamente, de 2 a 4 de abril de 2012. As etapas Bruçó-Lagoaça e Mogadouro-Bruçó, feitas respetivamente a 28 e 27 de junho, no sentido descendente, mas que aparecem nas reportagens feitas em sentido ascendente, ou seja, Lagoaça-Bruçó e Bruçó-Mogadouro, pelas razões expostas nas respetivas reportagens neste blogue, embora aparecem como e , porque feitas posteriormente, deveriam aparecer com e , respetivamente.

 

Não acontece assim, porquanto – e como já explicámos – estamos a seguir a lógica da Linha percorrida em sentido ascendente, tal como a iniciámos.

 

Como também já demos conta, estas últimas três etapas, que percorremos de Mogadouro até Duas Igrejas, foram realizadas sozinho e com o apoio logístico de nosso filho que, nesta altura estava em serviço na Barragem de Picote e alojado em Miranda do Douro.

 

***

 

Foi uma caminhada feita em pleno Planalto mirandês na qual não  nos cruzámos com viv’alma de gente. Apenas a primavera em plena força.

 

Num silêncio profundo apenas quebrado pelos sons dos animais – principalmente aves – percorrendo os céus e embrenhando-se nas árvores e arvoredos.

 

Uma caminhada convidando à paz e tranquilidade de espírito. E a reflexão. Sobre a Natureza. Sobre o Homem. Sobre o que o homem faz na Natureza. Sobre o pouco respeito que temos pelo legado dos nossos antepassados. Pelo suor que tiveram de verter para que o dito Progresso aqui também chegasse, pago a peso de ouro pelos – sempre os mesmos – coitados. Os quais, a páginas tantas, em desespero de causa, outro remédio não tiveram senão que abandonar as poucas e parcas leiras que trabalhavam. Saíram do «berço» onde nasceram, procurando uma vida melhor noutras paragens por esse Mundo fora, principalmente dessa Europa dita rica, e que, invariavelmente, todos os anos aqui regressam para matar saudades da terra que deixaram e dos seus entes queridos – pouco e já idosos – que ainda aqui resistem em viver.

 

Pobre país este!

 

Cada quilómetro percorrido era como uma espécie de fita de cinema que, no nosso íntimo, íamos observando ao longo dos diferentes cenários por onde passávamos, depois de deixarmos a Estação de Mogadouro para trás

02.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (2)

e, à medida que dela nos afastávamos, a observávamos de longe.

03.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (18)

Em pouco tempo, e compenetrado nas nossas cogitações, só interrompidas por um ou outro obstáculo,

04.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (5)

passávamos pela estação de Variz.

 

Deixamos aqui quatro perspetivas desta bonita, embora singela, Estação,

05.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (6)

(Perspetiva I)

06.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (9)

(Perspetiva II)

07.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (11)

(Perspetiva III)

08.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (10)

(Perspetiva IV)

e mais dois pormenores da mesma, nos quais, aqui, é o bonito azulejo que sobressai.

09.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (15)

(Pormenor I)

10.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (16)

(Pormenor II)

Fizemos uma pequena paragem técnica em Variz para nos hidratarmos, comermos frutos secos e ver a sua Igreja.

11.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (17)

E continuámos: ora observando os diferentes cenários do planalto,

12.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (19)

(Cenário I)

13.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (24)

(Cenário II)

14.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (22)

(Cenário III)

15.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (27)

(Cenário IV)

16.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (23)

(Cenário V)

17.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (20)

(Cenário VI)

ora o trilho  percorrido do canal da Linha.

18.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (21)

(Trilho I)

19.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (25)

(Trilho II)

20.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (26)

(Trilho III)

21.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (28)

(Trilho IV)

O tempo das giestas floridas, por estas paragens, e nesta altura, já tinha passado.

 

No meio do silêncio do planalto, chegávamos a Sanhoane.

22.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (29)

Combinámos com o Tópê, nosso filho, que nos encontraríamos nesta paragem de autocarros.

23.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (30)

Enquanto Tópê não chegava, demos uma pequena volta à aldeia. Nela se destaca a sua Igreja Matriz.

24.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (32)

Observámos o seu velho e casario tipicamente transmontano,

25.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (34)

(Perspetiva I)

26.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (35)

(Perspetiva II)

despedindo-nos deste quadro rural, enquanto íamos para a «Paragem» ao encontro de nosso filho.

27.- 2012 - Linha do Sabor -Mogadouro-Sanhoane (36)

Foi, positivamente, uma caminhada suave, em pleno planalto, sentindo-nos do topo do mundo, e em completa reflexão sobre nós, a Natureza e a condição Humana.

 

Apresentamos o diaporama desta etapa realizado em março de 2013.

 

LINHA DO SABOR – 6ª ETAPA:- MOGADOURO-SANHOANE

27
Mai20

Memórias de um andarilho - Caminhadas nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor 5ª etapa - Destaque - Mogadouro

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CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

 

5ª ETAPA:- BRUÇÓ-ESTAÇÃO DE MOGADOURO

DESTAQUE – MOGADOURO

 

(27.junho.2012)

01.- 2012 - Mogadouro 020

A antiga Estação de Caminho de Ferro de Mogadouro dista cerca de 5 Km da vila com o mesmo nome.

 

Enquanto fazíamos o percurso pela Linha, não tivemos oportunidade de a visitar.

 

Num nosso post, neste mesmo blogue, de 26 de janeiro de 2013, subordinado ao título «Gallaecia – Por terras da Gallaecia – Adeus à Ponte de Remondes e rio Sabor!», a determinada altura, dizíamos:

No passado 3 de Maio, vindo dos lados de Miranda do Douro, onde fomos visitar um familiar, depois de termos terminado, a pé, a antiga Linha de Caminho de Ferro do Sabor, passámos por aquele local em direcção a Izeda, onde nunca ainda tínhamos parado, apesar de por lá passarmos uma ou duas vezes (…).

Das nossas caminhadas pelas «Travessas e Linhas Abandonadas» deste nosso Reino Maravilhoso, para além de conhecermos o rio Douro, do Pocinho à Barca d’Alba, o rio Tua e o Corgo, que correm paralelos às respetivas linhas, estávamos ansioso também por conhecermos o Sabor. Razão pela qual nos aventurámos a fazer também aquela linha, desde o Pocinho até Duas Igrejas, término da mesma.

Mas, quando se percorre esta Linha, o rio anda muito afastado de nós, a não ser entre Pocinho e Torre de Moncorvo, nas proximidades daquela vila.

Para quem vinha de fazer uma Linha com o nome de um rio, ainda por cima com a fama, tal como o Tua, que corria em «estilo natural» e sem qualquer intervenção humana que o desfigurasse no seu aspeto e estrutura natural, mas que, praticamente, nunca o tínhamos visto, hoje entendemos aquela nossa atitude de pararmos ali à saída da Ponte de Remondes e «botar» pernas rio acima, num forte impulso para o melhor conhecermos e sentirmos, depois da frustração de termos feito a Linha que levava o seu nome e quase nem sequer termos visto - em toda a sua extensão - as suas águas”.

 

E, tal como já aconteceu em 26 de janeiro de 2013, deixamos aqui aos nossos(as) leitores(as) os excelentes cenários que, então, ali observámos.

02.- 2012 - Mogadouro 031

(Cenário I – Na descida de Mogadouro para Macedo de Cavaleiros pela EN 216)

03.- 2012 - Mogadouro 026

(Cenário II – Na descida de Mogadouro para Macedo de Cavaleiros pela EN 216)

04.- 2012 - Mogadouro 030

(Cenário III – Arquitetura tipicamente transmontana de uma casa)

05.- 2012 - Mogadouro 037

(Cenário IV – Rio Sabor nas proximidades da antiga Ponte de Remondes)

06.- 2012 - Mogadouro 041

(Cenário V – Foz do rio Azibo perto da antiga Ponte de Remondes e Ponte de Meirinhos sobre o rio Azibo)

07.-012 - Mogadouro 042

(Cenário VI – Ponte de Meirinhos sobre o rio Azibo)

07a.- 2012 - Mogadouro 061

(Cenário VII – Rio Sabor e antiga Ponte de Remondes ao fundo)

08.- 2012 - Mogadouro 062

(Cenário VIII – rio Sabor e antiga Ponte de Remondes)

08a.- 2012 - Mogadouro 044

(Cenário IX – Perspetiva I da antiga Ponte de Remondes)

09.- 2012 - Mogadouro 048

(Cenário X – Perspetiva II da antiga Ponte de Remondes)

10.- 2012 - Mogadouro 057

(Cenário XI – Perspetiva I pelo rio Sabor acima)

11.- 2012 - Mogadouro 078

(Cenário XII – Perspetiva II pelo rio Sabor acima)

Todas as imagens que acima foram exibidas foram tiradas em maio de 2012.

 

Atualmente, a antiga Ponte de Remondes, com a construção do Empreendimento Hidroelétrico do Baixo Sabor, ficou submersa e foi substituída por esta:

12.- 2012 - Mogadouro 049

(Perspetiva I da atual Ponte de Remondes)

13.- 2012 - Mogadouro 050

(Perspetiva II da atual Ponte de Remondes)

Desde janeiro de 2016 que deixou de ser possível atravessar a antiga Ponte de Remondes. A atual ponte foi construída a montante da antiga, permitindo desfrutar de todo o panorama a montante e a jusante.

 

Contudo, para nós, não é a mesma coisa!...

 

***

 

Na nossa aproximação à vila de Mogadouro, ei-la alcandorada num morro do Planalto Mirandês.

14.- 2012 - Mogadouro 001

Quando, a 3 de maio de 2012, nos aproximámos do centro urbano de Mogadouro, deparámos logo com esta rotunda,

15.- 2012 - Mogadouro 006

ao lado da Capela da Senhora do Caminho,

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que fica situada no início da avenida com o mesmo nome. Este templo religioso foi edificado no século XVII, vindo a sofrer alterações no decorrer dos tempos.

 

A atual configuração foi obtida com as obras realizadas no século XIX.

 

De  Mogadouro vamos falar, principalmente, da sua história.

 

Mogadouro é um povoado antigo e anterior à fundação do Condado Portucalense. O topónimo Mogadouro, será de origem árabe - Macaduron.

 

É um concelho eminentemente rural. Agreste, mas doce. A sua gente é sã, afável e laboriosa. E herdeira de um carácter nobre e de uma história rica e antiga. Está situado no Nordeste Transmontano, no Planalto Mirandês, entre os rios Douro e Sabor. Está limitado pelos concelhos de Vimioso, Miranda do Douro, Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta. E também  pelos Ayuntamientos ribeirinhos do Douro, de Salamanca e Zamora.

 

Foi ocupado pelos Romanos. Dominada mais tarde pelos Visigodos, até à conquista por parte dos Muçulmanos.

 

Na Reconquista Cristã, na Península Ibérica, Mogadouro, ainda com D. Afonso Henriques, passa a integrar o Reino de Portugal. O nosso primeiro rei entrega esta terra de Mogadouro à Ordem dos Templários. Por volta de 1145.

 

Em 1272, D. Afonso III concedeu o primeiro foral a Mogadouro, tendo sido renovado no ano seguinte. Mais tarde, em 1512, D. Manuel concedeu novo foral. Em 1433, a vila de Mogadouro é doada a Álvaro Pires de Távora, passando a estar desde então ligada à família dos Távoras.

 

Contudo, só  a partir do século XVI é que Mogadouro teve algum progresso de relevância, quando a família dos Távoras toma o comando da vila e da sua fortaleza e coopera de tal forma que a vila desenvolve-se imenso.

 

Para tal feito contribuíram obras como a fundação da Santa Casa da Misericórdia e também do seu templo, renascentista, cuja portada principal é formada por duas pilastras dóricas

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e frontão tem sobre a arquitrave um nicho em forma de conha – onde se encontra uma bela pietá – e é ladeado por duas aletas,

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bem assim a ponte entre Valverde e Meirinhos ou a ponte de Remondes entre Mogadouro e Macedo de Cavaleiros, de que já acima falámos.

 

Diz-nos «Mogadouro, mais que imagina» que, na vila de Mogadouro, é indispensável uma visita ao seu Centro Histórico, onde encontramos o Castelo, do século XII,

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(Torre do Castelo; ao lado, a Torre do Relógio)

e de que hoje, como podemos ver, do original, apenas existe uma das torres,

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[Sobre o Castelo de Mogadouro, e para quem queira aprofundar mais este tema, recomenda-se a leitura dos sítios da internet «Fortalezas.org – Castelo de Mogadouro» e «Viagem à Natureza – Castelo de Mogadouro» que nos dizem que Mogadouro, localizada na vertente norte da serra de Mogadouro, era uma antiga vila, que, juntamente com seu castelo, constituíram, nos alvores da nacionalidade, um importante ponto estratégico sobre a linha lindeira em Trás-os-Montes, juntamente com os castelos de Algoso, Miranda do Douro, Outeiro, Penas Róias e Vimioso. Comenda da Ordem do Templo, posteriormente foi sucedida pela Ordem de Cristo].

 

a Igreja Matriz, de S. Mamede, de origem românica, apesar de ter sido substituída pelo templo que hoje podemos apreciar

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e cuja fundação remete para as primeiras décadas do século XVII, devendo-se também a D. Luis Álvares de Távora, tal Igreja da Misericórdia (século XVI), o Convento de São Francisco (1620-1682),

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contíguo à igreja com o mesmo nome, cuja fundação remete para as primeiras décadas do século XVII e, uma vez mais,  se deve a D. Luis Álvares de Távora,

23. Igreja do convento de S. Francisco

(Fonte:- «Mogadouro, mais que imagina»)

e o pelourinho.

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Embora estivéssemos no Castelo e no pelourinho da vila, na altura, não conseguimos, no meio daquelas ruínas, distinguir o antigo Solar dos Pegados, próximo do pelourinho.

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(Fonte:- Viagem a Portugal [Janeiro - Trás-os-montes e alto Douro Vinhateiro - O início da aventura])

Se se quiser ver o que resta deste Solar, consulte-se o blogue «Mogadouro (ho mogadoyro)», de 26 de julho de 2011.

 

Diz-nos mais «Mogadouro, mais que imagina» que a Sala Museu de Arqueologia do Município de Mogadouro abriu nos finais década de 80 do século XX, resultante das campanhas arqueológicas realizadas no concelho durante a referida década, e que, no seu interior, conservam-se peças que mostram a história das culturas passadas, que habitaram no atual concelho de Mogadouro. Os artefactos expostos e guardados, antes de se converterem em peças de Museu, foram objetos do quotidiano dos nossos antepassados. E que, das primeiras formas de manifestações dos rituais funerários, chegaram até aos nossos dias os monumentos megalíticos da Pena Mosqueira e do Barreiro, dos quais foram recolhidos artefactos de índole quotidiano e de manifestações artísticas.

 

E continua: dispersos pelo concelho, os castros, as igrejas com, origens românicas, como Algosinho e Azinhoso, os pelourinhos, e as próprias construções tradicionais que podemos descobrir pelas aldeias do concelho são marcas indeléveis de um património vasto e extremamente rico.

 

O concelho vive principalmente da agropecuária.

 

Produz cereais e explora a amendoeira, a vinha, a oliveira, o castanheiro e o sobreiro. E cria gado para produção de carne – bovino, caprino e ovino  - para a produção de lã, leite e também carne.

 

Existem no concelho coutos onde se pode praticar a caça ao coelho, à lebre e à perdiz. O setor secundário é dominado principalmente pela construção civil e pelo fabrico de cerâmica.

 

O turismo começa agora a ganhar alguma relevância em relação a outras épocas, estando o concelho inserido na Região de Turismo do Nordeste Transmontano.

 

A gastronomia é uma das riquezas da região, assim como em todo o Planalto Mirandês, onde se destacam a posta mirandesa, o bulho com cascas, a feijoada à transmontana, a marrã, os chichos, o javali, o cabrito assado, as costeletas de borrego grelhadas, a caça, os peixinhos do rio de escabeche, as sopas de Xis e de Cegada, os queijos de ovelha, o mel e claro o fumeiro.

 

A ocasião ideal para visitar esta região é fevereiro/março, quando as amendoeiras estão em flor cobrindo os campos com um manto branco, podendo-se admirar as belíssimas paisagens, a partir da serra da Castanheira ou do castelo de Penas Róias, nas redondezas.

 

Os bordados e as rendas são sem dúvida o mais vulgarizado artesanato local dada a facilidade com que o podemos encontrar. Nas aldeias, frequentemente encontramos as senhoras sentadas na soleira da porta de suas casas fazendo os seus bordados e rendas, ao mesmo tempo que desfrutam do bom tempo.

 

Uma vez que Mogadouro fica junto do Parque Natural do Douro Internacional, podem-se realizar passeios de barco, num troço do rio Douro, que estabelece a fronteira entre Portugal e Espanha, observando-se as suas imponentes arribas - margens rochosas e abruptas que atingem, em alguns pontos, mais de 200 metros de altura.

 

Remata o sítio que vimos seguindo que, para além do português, nesta região, também se fala o mirandês. Quando por lá passámos não nos demos conta de tal!

 

No coração desta vila transmontana, ao lado do Convento e da torre da Igreja de S. Francisco,

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está  erigido um monumento a um célebre escritor da terra – (José Francisco) Trindade Coelho.

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Quem quiser conhecer a detalhe a vida e obra de (José Francisco) Trindade Coelho, descarregue a dissertação de doutoramento de João dos Santos Cabrita de Encarnação - «Trindade Coelho: Estudo Crítico e Arquivo Documental de um polígrafo Finissecular», em pdf.

 

As suas duas obras principais são: o livro de contos - «Os Meus Amores» e «In illo tempore».

 

Do autor do blogue «Letras são papeis – Trindade Coelho», de 31 de março de 2009, a certa altura, diz-nos:

Porque vivi muito tempo a dois passos da casa onde ele nasceu e porque da minha janela, como da dele, se via a torre da igreja do Convento de S. Francisco, cedo despertou em mim o gosto pelo autor.

O primeiro contacto com as palavras do autor veio-me pela boca de uma amiga mais velha, que nos lia, aos que ainda não sabíamos ler, excertos da autobiografia do autor, inserta no volume de contos Os Meus Amores. Só na adolescência, li esse e outros títulos. Deliciei-me com O Senhor Sete, que constitui uma recolha de exemplares da cultura popular (adivinhas, provérbios, lengalengas, superstições), alguns dos quais relacionados com a simbologia do número sete.

Trindade Coelho foi considerado, por alguns homens de letras do seu tempo (e por alguns atuais), um escritor menor, sobretudo pela ruralidade que perpassa nas suas obras (temas, personagens e linguagem), talvez por isso as comemorações dos cem anos da sua morte, em 2008, não tenham tido o eco merecido".

 

É pena, porquanto, na sua obra, perpassa muito do espírito, tradições, usos e costumes do transmontano de antanho, do qual nós, os de cá do Marão, como seus legítimos herdeiros,  temos entranhado(s) no nosso «ADN».

 

Deixamos aqui um pequeno excerto da obra «Os Meus amores» de Trindade Coelho (que não devemos confundir com «Amores Novos», de seu filho, Henrique Trindade Coelho):

 "Desembarcaram num largo. Era o ponto mais central da terra – “a praça”. Aqui e ali, ao acaso, algumas árvores enfezadas, quase tudo olmos brancos, vegetavam a medo, com os troncos protegidos por velhas grades de madeira, desmanteladas. Era um terreiro vasto, muito chato, com casas em volta – o que na vila havia de melhor em construções. Ficava ao meio o pelourinho, exótico, mutilado, de uma pedra grosseira e muito negra. Era uma alta coluna de oito faces, com o seu anel de ferro ao meio e uma argola pendente do anel. A coluna que se elevava sobre um pedestal de três degraus, em hexágono, terminava ao alto num grande X de pedra deitado horizontalmente. Um espigão de ferro, de três gumes como os floretes de esgrima, irrompia hostilmente do meio do X, perfurando o espaço. Em volta, a casaria era triste, sem estilo, sem gosto, sem cal. Algumas pedras de armas em velhas paredes decrépitas, desequilibradas, hidrópicas, atestavam aristocracias remotas, agora de todo extintas. Ao alto, dominando a negrura chamuscada dos telhados, o velho castelo, romano de origem, fazia tristeza com as suas ameias derrocadas e as grossas paredes em ruínas. Ao lado do castelo erguia-se destacadamente a velha torre do relógio, de uma arquitetura primitiva. Tinham dado onze horas, mas eram apenas sete: aquele “estafermo” é que não andava nunca direito. De dia ninguém o entendia, com o seu ponteiro de ferro girando num mostrador sem letras, de uma pedra azulada. De noite fartava-se de badalar, alvoroçando a povoação como se fosse a fogo, ora atrasado, ora adiantado, dando meia-noite quando eram quatro da tarde, e meio-dia mal despontava o Sol.

Eram as sete. Àquela hora é que os «figuros» da terra, quase tudo empregados públicos, vinham para o largo, à fresca".

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Para finalizar, e para termos uma ideia geral sobre a vila do Mogadouro, visualizemos este interessante vídeo

 

MOGADOURO E OS TEMPLÁRIOS|PORTUGAL

CARICATURA DE (JOSÉ FRANCISCO) TRINDADE COELHO

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25
Mai20

Memórias de um andarilho - Caminhada nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor - 5ª etapa :- Bruçó-Mogadouro

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO 

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS 

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR 

5ª ETAPA:- BRUÇÓ - MOGADOURO 

(27.junho.2012)

 

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(Estação de Mogadouro)

Embora esta etapa apareça como a 5ª na Linha, como referimos no post anterior, o certo é que foi a antepenúltima que realizámos.

 

Feitos este reparo, comecemos então a reportagem da caminhada desta etapa, de 14,8 Km, nesta  Linha abandonada.

 

E façamos já aqui um pequeno reparo. Embora a distância entre Bruçó e Mogadouro seja de 13, 759 Km, contudo, sabendo nós que os amigos companheiros – Florens e Tiago Pinto – que vinham de Duas Igrejas, já se encontravam nas proximidades de Mogadouro, algures entre Variz e Mogadouro, fomos ao seu encontro. Decorrido 1 Km, encontrámo-nos os três.

 

Fica aqui o registo. Primeiro, da nossa paragem, quando, via telemóvel, os dois nos avisavam que estavam perto.

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Depois a paragem técnica para descanso dos pés e hidratação, face à canícula que fazia, de Tiago

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 Florens.

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Após uma pequena paragem, mochila às costas,

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voltávamos ao caminho, em direção à Estação de Mogadouro, por onde tínhamos passado há pouco tempo.

 

Acabámos os três na Estação de Mogadouro, onde tirámos uma série de fotos, que aqui deixamos aos nossos(as) leitores(as).

 

Continuámos com a máquina de filmar, por isso, as imagens não apresentam grande qualidade.

 

Das fotos tiradas com os nossos dois amigos – Flores e Tiago -, primeiro, apresentamos uma na nossa aproximação à antiga Estação de Mogadouro, onde, usando o zoom, se vê ao longe Mogadouro, a cerca de 5 Km da Estação;

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depois, chegávamos à antiga Estação.

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(Perspetiva I)

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(Perspetiva II)

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(Um pormenor do edifício)

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(Estação, tendo por detrás, grandes silos de cereal)

Entrámos no edifício abandonado e em ruínas.

 

Linda arquitetura e bonitos interiores.

 

Mas, ficámos com um verdadeiro «dói de alma».

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Que lastimável estado em que estas instalações se encontra(va)m!

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***

 

Fizemos esta caminhada sozinho, à exceção, como acabámos de referir, do encontro com os doía amigos antes da Estação de Mogadouro.

 

Saíamos, de Bruçó, começava a raiar o sol.

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Veja-se a Estação de Bruçó, infelizmente como a totalidade de todas as estações e apeadeiros desta antiga Linha, no estado lastimável em que se encontra(va)!

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(Perspetiva I)

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(Perspetiva II)

Deixámos a antiga Estação.

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O canal da Linha, já não tem qualquer estrutura que indicie algum material fixo da mesma. Todo ele é tomado pela vegetação autóctone.

 

Tudo ao completo abandono!

 

Estamos no verão. No planalto transmontano é tempo da colheita do cereal. Aqui os campos não apresentam qualquer incúria ou abandono. Produzem e são úteis!

 

Eis, entre muitos, os cenários captados ao longo do percurso de hoje.

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(Cenário I)

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(Cenário II)

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(Cenário III)

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(Cenário IV)

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(Cenário V, com um característico pombal)

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(Cenário VII)

Aproximávamo-nos,

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a passos largos,

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da modesta povoação de Vilar do Rei, onde impera a sua Igreja.

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Nesta aldeia, chamou-nos a atenção este pombo, de entre muitos que víamos enquanto caminhávamos, em cima do telhado de uma casa.

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Embora caminhássemos com pé estugado, não deixámos de comtemplar esta linda flor,

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bem assim esta viçosa flor de cardo que, uma vez seca, dado o seu poder coagulante, é utilizada para o fabrico de queijo.

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O Apeadeiro de Vilar do Rei, um pouco mais à frente, aparece-nos.

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Passámos por ele, mas não pudemos entrar, tal a quantidade de silvedo que o envolvia!

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Continuámos o nosso percurso, num canal de linha, deplorável, onde não se podia passar, e totalmente votado ao abandono,

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até que chegávamos à Estação de Mogadouro.

 

A partir daqui, já os nossos(as) leitores(as) conhecem a nossa história do restante da etapa de hoje.

 

Apresentamos o diaporama desta etapa realizado em março de 2013.

 

LINHA DO SABOR – 5ª ETAPA:- BRUÇÓ-MOGADOURO

 

11
Mai20

Memórias de um andarilho - Caminhada nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor - 4ª etapa :- Lagoaça-Bruçó

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

  

4ª ETAPA:- LAGOAÇA - BRUÇÓ

(28.junho.2012)

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(Estação de Lagoaça)

 

A reportagem desta caminhada pelas «Travessas da linha do Sabor» está sendo, para nós, um parto difícil.

 

A razão é simples de explicar.

 

Esta linha abandonada foi feita a pé na primavera e princípio de verão de 2012.

 

Mas não foi uma caminhada, por etapas, feitas todas de seguida. Foi realizada em três fases. A primeira fase, composta de três etapas -  do Pocinho a Lagoaça, acompanhado pelo nosso amigo Neca e pelo Edu, nosso sobrinho neto, com apoio de viatura do nosso cunhado -, foi efetuada em três dias seguidos.

 

Por via de compromissos, deixámos as restantes etapas até Duas Igrejas, término da linha, para uma outra ocasião.

 

De 30 de abril a 2 de maio de 2012, aproveitando a estadia de nosso filho, em serviço no Picote, Miranda do Douro, aproveitámos para fazer a segunda fase, ou seja, as etapas – Mogadouro-Sanhoane, Sanhoane-Sendim e Sendim-Duas Igrejas.

 

Por questões logísticas, uma vez que a caminhada é linear, de manhã íamos até ao início da cada etapa com a nossa viatura e, à tarde, nosso filho, com a sua,  ia ter connosco ao término da mesma para nos levar ao início, a fim que pegarmos no nosso carro.

 

Para completarmos todo o troço da linha, faltava-nos fazer agora as etapas, que constituíam a terceira fase – Lagoaça –Bruçó e Bruçó – Mogadouro.

 

No dia 27 de junho de 2012, o nosso companheiro de muitas caminhadas, Florens, nosso sobrinho, juntamente com um amigo e colega de trabalho, Tiago Pinto, tentaram fazer a linha, via descendente, começando por Duas Igrejas.

 

Assim, no dia 27 de junho, iniciámos sozinho a etapa Bruçó até Mogadouro, via ascendente, ao encontro do Florens e do Tiago.

 

Entretanto Florens lesionou-se, nas proximidades de Mogadouro. Os dois amigos interromperam a caminhada por toda a Linha até ao Pocinho.

 

E como a nós apenas nos faltava fazer na Linha escassos 9,4 Km, de Lagoaça a Bruçó, Tiago e Florens esperaram por nós, para nos dar apoio, ou seja, nos ajudar a ir a Bruçó para irmos buscar a nossa viatura.

 

Em Lagoaça, na sua estação, almoçámos os três, do farnel que levávamos. A etapa Bruçó-Lagoaça foi a única que fizemos em sentido descendente, embora a apresentemos neste post como se fosse ascendente. E foi feita sozinho.

 

Na segunda quinzena de março de 2013, efetuámos um conjunto de oito diaporamas – um por cada etapa – oito etapas realizadas ao longo desta Linha do Sabor, que batizámos como «Pelas Travessas da linha do Sabor», apresentando-se agora a respetiva programação e os sítios da internet (Youtube), onde se podem visualizar.

 

PELAS TRAVESSAS DA LINHA DO SABOR

 

* 02.abril.2012:

- 1ª etapa:- Pocinho-Torre de Moncorvohttps://www.youtube.com/watch?v=TxoTf91PTAs

 

* 03.abril.2012 :

- 2ª etapa:- Torre de Moncorvo-Freixo de Espada à Cintahttps://www.youtube.com/watch?v=CK00-Qw4-BE

 

* 04.abril.2012

3ª etapa:- Freixo de Espada à Cinta-Lagoaçahttps://www.youtube.com/watch?v=mKTxkvzCJ7o

 

* 28.Junho.2012

- 4ª etapa:- Lagoaça-Bruçó - https://www.youtube.com/watch?v=iiV-pwC-Ofc

 

* 27.Junho.2012

5ª etapa:- Bruçó-Mogadourohttps://www.youtube.com/watch?v=X7EQJbP9rMM&feature=youtu.be

 

* 30.Abril.2012

- 6ª etapa:- Mogadouro-Sanhoanehttps://www.youtube.com/watch?v=jdpMuv0ragg&feature=youtu.be

 

* 01.Maio.2012

- 7ª etapa:- Sanhoane-Sendimhttps://www.youtube.com/watch?v=1yD4dihrpKU&feature=youtu.be

 

02.Maio.2012

- 8ª e última etapa:- Sendim-Duas Igrejashttps://www.youtube.com/watch?v=mWnsanAOmjI&feature=youtu.be

 

Para uma melhor visão da antiga Linha do Sabor, com o seu início e respetivo término, bem assim as suas estações e apeadeiros e quilómetros, apresenta-se a Legenda da mesma, obtido através da Wikipédia.

01a.- Linha do Sabor

Acresce a esta «via crucis» desta caminhada, na antiga Linha do Sabor, e no que respeita à sua reportagem, a circunstância de termos perdido o Bloco de Notas, no qual apontámos a impressões que para ele vertemos sobre cada etapa que realizámos, nomeadamente da segunda e terceira fase da caminhada nesta Linha, aliás como é nosso hábito fazermos em todas as caminhadas que efetuámos. Depois de tanto procurarmos, não conseguimos dar com ele!

 

Fica, aqui, assim, a reportagem apenas com as memórias que, passados oito anos, as imagens que captámos, nos suscitam!...

 

Embora esta etapa apareça como a 4ª na Linha, como se pode ver pela programação acima apresentada, o certo é que foi a última que realizámos. Embora as imagens que apresentamos apareçam no sentido Lagoaça-Bruçó, na verdade, elas foram tiradas – e, por isso, devem ser vistas – como realizadas enquanto caminhávamos no sentido descendente, ou seja, Bruçó para Lagoaça, aliás como acima informámos.

 

Feitos estes reparos, e dadas estas informações, vamos então começar a reportagem da caminhada desta linha abandonada que foi interrompida a 19 de fevereiro do corrente ano e iniciada a 22 de janeiro de 2017 com a 1ª etapa Pocinho-Torre e Moncorvo.

 

Esclarecendo que as imagens que vão ser exibidas não serem de boa qualidade: foram realizadas com uma máquina de filmar, em vez da máquina fotográfica que habitualmente usamos quando caminhamos.

 

***

 

Partimos de Bruçó ainda não eram bem oito horas da manhã. E, nesta etapa, percorremos apenas 9, 4 Km.

 

Num dia de verão.

 

Passada uma hora de caminho, começava-se já a sentir os efeitos do calor para estas paragens.

 

Tivemos que nos hidratar várias vezes.

 

Apresentam-se 4 imagens do trilho, um pouco antes da Estação de Lagoaça.

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(Troço I)

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(Troço II)

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(Troço III)

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(Troço IV)

Como se pode verificar, um total abandono a que este canal da antiga linha foi votado!

 

Bem patente no derrube deste poste de informação da antiga linha.

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A povoação de Lagoaça começou a ficar-nos para trás.

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E começávamos a entrar em pleno meio rural, numa zona que começava a antecipar o planalto.

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Em relativamente pouco tempo, passávamos ao lado da subestação de Lagoaça.

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E o planalto, configurando-se, cada vez mais, nítido,

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começa-nos a aparecer, cortado pelo traço da antiga Linha.

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(Perspetiva I)

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(Perspetiva II)

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(Perspetiva III)

Seria esta ruina de construção um antigo abrigo de pastor(es)?

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O tempo de que dispúnhamos, dava-nos azo à contemplação da Natureza e dos muitos elementos que a compõem.

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Até que, a determinada altura, o canal, por onde caminhávamos, é interrompido.

15.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 031

Tivemos de contornar todo este lugar, transformado em pedreira,

17.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 022

Bons blocos de granito!

18.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 023

Do outro lado da pedreira, um grande bloco de granito a interromper a antiga Linha.

19.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 019

Abuso ou permissão? Neste reino português, vai-se lá saber como é que as coisas acontecem (ou se tecem)!...

 

Uma paisagem quente e rochosa, esta por onde passávamos.

 

Onde apenas medram os pequenos arbustos. E o zimbro que começa a aparecer.

20.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 018

(Cenário I)

20a.-2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 012

(Cenário II)

20b.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 011

(Cenário III)

Deixámos a pedreira com os seus amontoados de pedra

21.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 015

e seguimos caminho. Num dia de caminhada solitária, dado a muitas reflexões, à contemplação de pequenos insetos

21b.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 007

que a Natureza nos ia proporcionando.

21a.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 009

E com o calor a apertar cada vez mais. Bem diz o adágio popular que, para estas paragens, são «nove meses de inverno e três de inferno»! Estávamos no primeiro dos três.

 

Nas proximidades de Bruçó, esta sinalização de «Pare, Escute e Olhe»

26.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 006

Parar, parámos: estávamos no fim (isto é, os leitores sabem, no princípio) da nossa jornada de hoje; Escutar, já não ouvíamos, infelizmente, o estridente apito das antigas locomotivas; Olhar, olhamos – este estado desolador em que a estação/apeadeiro de Bruçó se tinha transformado!

 

Tanto dinheiro de todos nós ao desbarato! Uma tristeza.

27.- 2012 - Linha do Sabor - 7 (Bruçó-Lagoaça) 001

Como tristes e solitários, sem encontrar viv’alma, foram todos os trechos por onde hoje passámos. A não ser os pouco trabalhadores da pedreira, que nos olhavam como se fossemos um extraterrestre. Mais os nossos dois companheiros – Florens e Tiago – que nos esperavam na Estação de Lagoaça.

 

Pobres e abandonadas terras, estas!!!

 

Apresentamos o diaporama desta etapa realizado em março de 2013.

 

4ª ETAPA:- LAGOAÇA-BRUÇÓ

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