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andanhos

22
Mar20

Por terras da Ibéria - Hermisende (Ermesende) e seus povos de fronteira na Alta Sanábria - A Fraga (ou Penedo) dos Três Reinos

andanhos

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

HERMISENDE E SEUS POVOS DE FRONTEIRA NA ALTA SANÁBRIA

 

- A FRAGA DOS TRÊS REINOS - 

 

01a.- 2019.- Fraga dos três reinos (14)

Em distanciamento social forçado, e em estado de emergência nacional, em virtude da pandemia provocada pelo SARS- CoV-2 (Coronavírus 19) , que está flagelando a quase totalidade dos países do nosso Planeta, resta agora tempo para reflexão sobre a(s) nossa(s) vida(s) e a vida que, em sociedade, todos nós vivemos.

 

Olho para os livros que, ordenadamente, se encontram na estante à espera de uma primeira leitura, e cuja vida apressada em que vivemos, não nos deu grande oportunidade de ainda os ler. Mas perguntamo-nos: será de depois disto tudo por que estamos passando, estes temas que versam, verdadeiramente terão importância, terão alguma utilidade para os tempos daqueles que conseguirem escapar deste inimigo invisível e para o tempo futuro que nos espera?

 

Para além das tarefas urgentes e imediatas que esta pandemia nos obriga a atuar, criemos, todos, neste prolongado tempo de espera, um espaço para, com profundidade e seriedade, pensarmos na vida que todos vivemos e na sociedade que verdadeiramente estávamos construindo e na que devemos construir.

 

Neste compasso de espera, e enquanto se fala em isolamento e restabelecimento do fecho de fronteiras, pensemos nas «fronteiras» que fomos criando e falemos daquelas, reais, que, ao longo da nosso história comum peninsular, fomos criando e delimitando.

 

Vem, assim, hoje ao caso, numa rota que demos no passado mês de dezembro do ano passado com o nosso amigo Pablo Serrano – amigo indispensável nos périplos pela Ibéria galega e castelhana – a um concello da Alta Sanábria: Hermisende ou Ermesende, em galego.

 

Depois de termos estado no Santuário da Virgem de “La Alcobilla” e no seu secular souto, que lhe está adjacente, tomámos conhecimento que, pelas bandas de Hermisende (Zamora) existiam alguns soutos com castanheiros possivelmente até mais antigos que o da Virgem de “La Alcobilla”, embora não tão concentrados como aqui. E, ao tomarmos conhecimento que havia um pequeno percurso pedestre que propiciava a contemplação deste castanheiro,

02.- Ruta de los castaños y prados de Hermisende

propusemos a Pablo que, logo que o tempo – sem muito frio e neve – propiciasse, fizéssemos aquela rota.

 

Ficámos encantado com o texto e fotografias de Javier Prieto Gallego, sob o título «El castañar de Hermisende (Zamora)», bem assim do seu subtítulo «Los árboles que soñaban en três idiomas», no seu blogue «Siempre Paso», de 21 de novembro de 2017.

 

Simultaneamente, dada a proximidade, mostrámos também gosto em ir até à Fraga dos Três Reinos que, por motivos da nossa agenda e afazeres pessoais e familiares, não tivemos oportunidade de visitar, aquando do XIX Encontro de Fotógrafos e Blogues, realizado a 8 de junho de 2013 (veja-se a reportagem no blogue «Chaves»).

03.- XIX Encontro de Fotógrafos e Blogues

 Assim, a 4 de dezembro do mês e ano passado, dirigimo-nos a Hermisende (Ermesende).

 

Pablo logo noa avisou que fazer o percurso a pé e conhecer San Ciprian e Castromil e ir à Fraga dos Três Reinos não era possível fazer tudo num só dia.

 

Aceitámos não fazer a pé a «Ruta de los castanhos y prados de Hermisende» e, de carro, percorrer parte do território do concello de Hermisende e irmos ao Penedo ou Fraga dos Três Reinos.

04.- Ruta de los castaños y prados de Hermisende 01

Chegámos a Hermisende por volta das 10: 30 minutos e ainda se fazia sentir os efeitos da geada que tinha formado de noite.

05.- 2019.- Hermisende (46)

Parámos nas proximidades do cemitério da povoação de Hermisende, sede do concello. Ao lado, um souto.

06.- 2019.- Hermisende (19)

Penetrámos nele.

07.- 2019.- Hermisende (23)

(Perspetiva I)

08.- 2019.- Hermisende (26)

(Perspetiva II)

09.- 2019.- Hermisende (34)

(Perspetiva III)

10.- 2019.- Hermisende (40)

(Perspetiva IV)

11.- 2019.- Hermisende (43)

(Perspetiva V)

12.- 2019.- Hermisende (39)

(Pormenor I)

13.- 2019.- Hermisende (37)

(Pormenor II)

14.- 2019.- Hermisende (28)

(Pormenor III)

16.- 2019.- Hermisende (42)

(Pormenor IV)

Saímos do souto e, junto à placa da localidade, avistámos uma anexa do concello de HermisendeSan Ciprian.

18.- 2019.- Hermisende (47)

Antes de nos dirigirmos ao centro de Hermisende, falemos um pouco deste pequeno concello da Alta Sanábria, pertencente à província de Zamora, e integrado na Comunidade Autónoma de Castilla y León.

 

A Alta Sanábria é formada pelos municípios de Porto, Pías, Lubián e Hermisende, conforme mapa de que mostra.

19.- Municipios_de_la_Alta_Sanabria

Diz-nos a Wikipedia (Hermisende) que é um dos municípios bilingues da província de Zamora, dado que os seus habitantes utilizam habitualmente tanto o idioma espanhol (castelhano) como o galego-português.

 

Positivamente, um dos aspetos mais chamativos deste município é a singularidade da sua fala, surgida em consequência de fatores históricos e socioculturais derivados da sua posição fronteiriça com a Galiza e Portugal e que atualmente mostra clara evidência de uma notável influência recebida da língua galega e portuguesa. A sua localização geográfica gerou uma fala cuja procedência criou, mesmo nos seus habitantes, dúvidas, e surpresas aos visitantes, face à sua notável singularidade, resultante de um cruzamento de influências das três línguas – galega, portuguesa e castelhana.

 

Poder-se-á dizer que se trata de um outro idioma ou um dialeto?

 

Deixemos esta questão para os linguistas, no que respeita ao enquadramento e peculiaridade da fala dos ermesindenses, bem assim dos habitantes das suas anexas (La Tejera, San Ciprián, Castrelos e Castromil).

 

A existência de um castro da época tardo antiga em Hermisende confirma que a localidade esteve também ocupada no período final da época de dominação romana e a chegada dos visigodos. A origem do seu topónimo é germânica, da época visigótica.

 

A mesma Wikipédia (Hermisende) elucida-nos que a existência de nomes femininos similares nas casas reais asturiana e leonesa, na alta Idade Média, poderia relacionar a origem do nome da localidade de Hermisende com alguma das mulheres assim chamadas, como Ermesinda, esposa de Afonso I das Astúrias ou Ermesenda, segunda esposa de Ordonho II de León.

 

Ainda segundo a mesma Wikipédia (Hermisende), após o nascimento do Reino de León, em 910, Hermisende ficou integrada neste reino, sendo depois disputada a sua pertença, no século XII, por Portugal, quando se tornou independente. Perante este facto, em algumas épocas da sua historiografia, não se encontra uma adscrição territorial clara de Hermisende.

 

Por isso, alguns autores dizem que Hermisende pertenceu a Portugal até à Guerra da Restauração Portuguesa (1640-1668). E, a partir desta altura, com D. João IV, português, e com o consentimento dos habitantes da província de Trás-os-Montes, transferiu a soberania do território deste concello para Espanha, ficando, assim, até aos dias de hoje.

 

Uma outra fileira de autores afirma que Hermisende sempre pertenceu ao Reino de León, mesmo antes da Guerra da Restauração Portuguesa. Comprovam a sua tese com a circunstância da existência de documentação coetânea no que respeita à existência de pleitos na Real Chancelaria de Valladolid, na qual se reconhece explicitamente a pertença de Hermisende ao Reino de León.

 

Independentemente das teses dos autores em pleito, o certo é que, depois da Guerra da Restauração Portuguesa, não há qualquer dúvida que Hermisende pertence a Espanha e, aos criarem-se as atuais províncias, em 1833, integra a província de Zamora, dentro da Região Leonesa, sem que, nessa altura, sobre este concello, exista qualquer tipo de competência ou órgão comum que o agrupasse.

 

Com a Constituição espanhola de 1978, e mais propiamente com a legislação reguladora da mesma, Hermisende faz parte da Comunidade Autónoma de Castela e León e o seu município ficou adstrito à província de Zamora.

 

Hermisende concello é um território encravado na raia seca. Em 1900, a sua população era, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística espanhol,  de 1487 habitantes; a partir da década de 50 do século passado, veio perdendo ininterruptamente população, ao ponto de, hoje em dia, possuir apenas 228 habitantes.

 

Fomos descendo para o fundo do povo, onde se localiza a Igreja Matriz, deixando a viatura no largo contíguo à Igreja.

 

E dirigimo-nos, subindo a pé, até à Casa do Concello.

 

Ali fomos encontrar apenas duas funcionárias, uma delas técnica superior (assistente social). Vêm de outras localidades. Não habitam em Hermisende. E a Casa do Concello não está aberta ao público todos os dias da semana, nem, obviamente, está presente o seu alcaide.

 

Prestaram-nos toda a informação solicitada; deram-nos os panfletos e mapas ali disponíveis e ficámos com os respetivos endereços das suas redes sociais.

 

Voltámos ao largo contíguo à Igreja Matriz, não deixando de captar um ou outro pormenor do seu casario.

20.- 2019.- Hermisende (57)

(Pormenor I do Casario de Hermisende)

21.- 2019.- Hermisende (67)

(Pormenor II do Casario de Hermisende)

22.- 2019.- Hermisende (59)

(Pormenor III do Casario de Hermisende)

E, outra vez chegados ao largo adjacente à Igreja Matriz, não deixámos de ficar com uma imagem exterior deste belo exemplar,

23.- 2019.- Hermisende (62)

bem assim do pormenor do seu campanário.

24.- 2019.- Hermisende (60)

Reparámos que nos arredores da Igreja a geada ainda se fazia sentir na encosta de um souto

25.- 2019.- Hermisende (71)

e, de pronto, entrámos no café da localidade para tomarmos um café e uma água.

26.- Hermisende+S. Ciprian+3 Reinos (4)

Pouca gente, por estas paragens!

 

Saímos do café e, da povoação de Hermisende, fomos ao encontro de uma sua anexa – San Ciprián.

 

Mas antes tínhamos de passar um obstáculo – o rio Tuela, afluente do rio Tua, cuja foz de encontra a 4 Km a montante da cidade de Mirandela, Portugal,

27.- 2019.- Hermisende (93)

(Pormenor I)

28.-.2019.- Hermisende (87)

(Pormenor II)

29.- 2019.- Hermisende (77)

(Pormenor III)

bem assim a sua ponte, de talha medieval,

30.- 2019.- Hermisende (83)

(Pormenor I)

31.- 2019.- Hermisende (80)

(Pormenor II)

32.- 2019.- Hermisende (76)

(Pormenor III)

por onde,

33.- 2019.- Hermisende (90)

recentemente, uma viatura pesada, por aqui tinha passado, danificando duas pedras incrustadas com duas inscrições.

34.- 2019.- Hermisende (91)

(Inscrição I)

35.- 2019.- Hermisende (92)

(Inscrição II)

Em escassos minutos, por uma estrada que corria entre soutos, chegávamos, subindo, a San Ciprián.

 

Situada no meio de uma ladeira, logo que chegámos, damos de caras com a sua Igreja.

36.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (1)

Subimos a um dos seus soutos.

37.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (13)

(Pormenor I)

38.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (25)

(Pormenor II)

39.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (29)

(Pormenor III)

40.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (7)

(Pormenor IV)

41.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (37)

(Pormenor V)

O alto do souto oferece-nos esta panorâmica: a Igreja de San Ciprián, com o seu orago – San Ciprián – na fachada principal; o seu casario e, lá ao fundo, o casario de Hermisdende.

42.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (26)

Saímos de San Ciprián, continuando a subir estrada, deixando, definitivamente, no horizonte, o casario de Hermisende.

43.- 2019.- San Ciprian (Hermisende) (55)

Já se fazia tarde. E Castromil esperava-nos.

 

Mal chegámos às suas proximidades, Pablo sugeriu que aqui parássemos.

44.- 2019.- Castromil (4)

Olhámos para a nossa esquerda e vimos um aglomerado nitidamente dividido em dois bairros: o de baixo, samorano (castelhano) e o de cima, galego, embora administrativamente toda a localidade pertença à província de Zamora (Castela e León).

45.- 2019.- Castromil (1)

O amigo Pablo, enquanto não entravamos na aldeia, explicou-nos as particularidades e especificidades desta terra e destas suas gentes. Mas deixamos aos(às) nossos(as) leitores(as) para, numa deslocação a um destes recônditos lugares desta nossa Ibéria, as descubra. Nós, infelizmente, pelo adiantado da hora e porque ainda queríamos ir à Fraga dos Três Reinos, não tivemos oportunidade e explorar e trocar impressões, nos dois bairros que compõem esta localidade, com as suas – poucas – gentes para aquilatar deste modo peculiar de falar e viver em conjunto.

 

Teremos, por isso, de um dia aqui regressar e, na volta, fazer também uma visita à aldeia raiana portuguesa de Moimenta, concelho de Vinhais, que não lhe fica muito longe daqui.

 

Aos amigos Lumbudus de boa cepa, que em 2013 não tiveram oportunidade de se integrarem no XIX Convívio de Fotógrafos e Blogues, deixamos-lhes o endereço da reportagem que Fernando DC Ribeiro fez no seu blogue «Chaves», a 17 de junho de 2013. 

 

Entrámos em Castromil pelo bairro zamorano.

46.- 2019.- Castromil (5)

Foi uma passagem muito rápida. Apenas um velho carvalho, uma horta e, entre as ramos do carvalho, vislumbrámos um pouco do seu casario remodelado.

47.- 2019.- Castromil (7)

De pronto, fomos ter a um largo do bairro galego. E aqui fizemos uma pequena paragem.

48.- 2019.- Castromil (8)

Conversámos com esta senhora,

49.- 2019.- Castromil (9)

que, na varanda de sua casa, tinha a roupa a secar.

50.- 2019.- Castromil (10)

Não reparamos diferenças significativas no linguajar desta senhora na conversa que entabulou connosco.

 

Enquanto o amigo Pablo continuava a conversar com a senhora, dirigimo-nos à Igreja.

51.- 2019.- Castromil (14)

Se tivermos em conta a Igreja do bairro de baixo (zamorano) – a de Santa Marina, que não fomos visitar – esta não nos parece tão primorosamente trabalhada, mas, se compararmos as suas respetivas imagens (veja-se Igreja de Santa Marina em Castromil [Zamora]), as suas respetivas «talhas» não andam muito longe. Poderá o cruzeiro da Igreja de Santa Marina samorano ter mais «fama», mas à Igreja do bairro galego também o mesmo não lhe falta!

52.- 2019.- Castromil (15)

Foi mesmo uma passagem relâmpago, esta que fizemos em Castromil

 

Deixámos o largo deste bairro galego, onde Pablo continuava a falar com a senhora, com esta «carantonha», na parede de uma casa, a olhar para nós.

53.- 2019.- Castromil (17)

E, de imediato, entrámos em território galego para nos dirigirmos à Fraga dos Três Reinos.

 

De Cádavos fomos até Monzalvos. Em Monzalvos, no Café António tomámos outro café e uma água. O seu proprietário, de nome Antón (António), casado com uma portuguesa, cremos, oriunda de uma das aldeias portuguesas da Castanheira, concelho de Chaves, é um velho conhecido madeireiro de Pablo, com quem contactou quando este esteve no ativo. Falaram um pouco das suas vidas dessa altura e indicou-nos o melhor caminho para chegarmos até à Fraga (ou Penedo) dos Três Reinos.

 

Tomando um estradão, e atravessando a aldeia, caminhámos mais de 3/5 do percurso, de viatura, até ao local que pretendíamos visitar. Mas, a partir de certa altura, os terrenos começaram a aparecer encharcadas por via da chuva caída nos últimos dias. E geada também. Tornando-se complicado seguirmos por este meio, parámos a viatura no meio do estradão e seguimos caminho a pé.

54.- 2019.- Fraga dos três reinos (1)

Caminhávamos em território galego,

55.- 2019.- Fraga dos três reinos (4)

dando-nos a indicação do local que pretendíamos visitar.

56.- 2019.- Fraga dos três reinos (3)

E, quanto mais nos aproximávamos do local, mais o caminho se apresentava encharcado de água, denotando a sua abundância deste elemento por estas paragens.

57.- 2019.- Fraga dos três reinos (9)

(Perspetiva I)

58.- 2019.- Fraga dos três reinos (10)

(Perspetiva II)

Ao longe, mas não muito distante, começa a desenhar-se a Fraga (ou Penedo) perante os nossos olhos, por entre um terreno que denunciava ter sido vítima de incêndio recente.

59.- 2019.- Fraga dos três reinos (12)

Eis a primeira impressão com que ficámos da silhueta da Fraga (ou Penedo).

60.- 2019.- Fraga dos três reinos (18)

Aproximámo-nos da Fraga, onde no seu topo, se encontra o marco de delimitação de fronteiras: o marco fronteiriço nº 350, que estabelece os limites do território português,

61.- 2019.- Fraga dos três reinos (25)

vislumbrando-se à sua frente os terrenos de Moimenta, do concelho de Vinhais, Portugal.

62.- 2019.- Fraga dos três reinos (21)

Do outro, o marco fronteiriço nº 350 aponta-nos para Espanha,

63.- 2019.- Fraga dos três reinos (16)

com os terrenos zamoranos de Castromil à nossa frente.

64.- 2019.- Fraga dos três reinos (36)

Ás nossas costas, as terras ou território galego, por onde viemos para aqui chegar.

 

Aqui chegados, falemos então um pouco sobre esta Fraga (ou Penedo) dos Três Reinos.

 

E vejamos o que a história e a tradição nos dizem quanto a esta Fraga (ou Penedo), denominado dos Três Reinos.

 

Segundo o sítio da web do Concello de A Mezquita, quando se refere em «O Penedo dos Três Reinos», diz-nos que se trata de uma elevação de 1 025 metros de altitude, integrada no sistema montanhoso da serra de Marabón, na fronteira entre os três velhos reinos medievais Portugal, Castela e Galiza. Existe uma fonte chamada de “Os três Reinos”, onde o gado das três localidades limítrofes vão beber.

 

A Fraga (ou Penedo) situa-se na fronteira entre a freguesia de Moimenta, no concelho português de Vinhais, o concello de A Mezquita, na província de Ourense (Comunidade Autónoma da Galiza) e o concello de Hermisende, na província de Zamora (Comunidade Autónoma de Castela e León)

 

Em 1864, com o traçado definitivo, realizado pela Comissão de Limites, das fronteiras entre Portugal e Espanha, manteve-se a fronteira de séculos nesta região. Apesar de hoje em dia os três reinos, que deram o nome à Fraga ou Frágua (ou ainda Penedo) já não existam, porquanto Portugal tornou-se uma república e a Galiza e León foram integrados no reino de Espanha, a sua velha e secular designação manteve-se inalterada.

 

O vocábulo fraga é equivalente a penedo, no dito dialeto galego do sul oriental, tal como em português. Fragua corresponde a uma deformação popular.

 

Ainda segundo o blogue Tovi, no seu post «Penedo dos Três Reinos», de 8 de maio de 2012, reza a tradição que, em tempos mais remotos, o rei português D. Afonso III passou pela localidade Moimenta, onde se hospedou por alguns dias.  Aí deixou uma carta de “foro” e outros privilégios escritos em pergaminho. Não se sabe ao certo quando foi, mas supõe-se que foi em 1253, ano em que foi dado foral á vila de Vinhais e Bragança. Conta ainda a tradição que havia “questões” fronteiriças com as aldeias de Moimenta, em Portugal, Cádavos, na Galiza, e Castromil, em Castela e León. Tudo em consequência da existência das fontes que nascem junto à linha da Raia e se estendem para Portugal. Os reinos da atual Espanha reclamavam a sua posse.

 

 A Fonte do Moço, por exemplo, que nasce bem abaixo da Raia, em terreno português, no verão secava, mas a Fonte dos Três Reinos nunca secava e era de grande importância para os gados beberem.


Quando o rei português veio à Moimenta, convocou uma reunião - os três reis - para solucionarem esse problema. Chegaram então a um acordo, criando uma área de aproximadamente 1 000m2, com um bebedouro comum aos três povos. Ainda hoje existe na povoação espanhola de A Mesquita e na de Moimenta, portuguesa, um documento escrito pelas autoridades fronteiriças, aquando da colocação dos “marcos intermédios”, a fazer referência ao dito bebedouro.


Por outro lado, na aldeia de Moimenta, encontra-se um rochedo conhecido por A Fraga dos Três Reinos, onde existem três cruzes esculpidas numa rocha, cada qual voltada para o seu reino, e que teriam sido mandadas contruir pelos três monarcas. Na documentação encontrada faz-se ainda referência a uma merenda dos monarcas, onde se teria dito: “bebemos da mesma fonte, comemos na mesma mesa” - Fraga dos Três Reinos -, cada um voltado para o seu reino.

 

Tendo em conta este facto histórico e/ou tradição, Portugal, junto à Fraga ou Penedo dos Três Reinos, mandou erigir um modesto monumento, em pedra de granito, simbolizando, os três maiores blocos, os três reis; os 11 blocos mais pequenos, a linha de fronteira, e o bebedouro comum, como se pode ver na imagem que abaixo se mostra.

65.- 2019.- Fraga dos três reinos (55)

Saciada a nossa curiosidade quanto à Fraga (ou Penedo) dos Três Reinos, fomos até à nossa viatura e, do local onde a deixámos, dirigimo-nos, no concello de A Mezquita, a um restaurante, no Pereiro.

 

Ali comemos a tão desejada posta chachena.

 

De seguida, tomámos rumo a Verín, de retorno a nossas casas, com mais uma página da nossa história comum observada e registada.

 

E hoje, dia em que redigimos esta reportagem, deixamos uma singela reflexão.

 

Os nossos antepassados, mesmo em momentos de luta quanto ao alargamento dos territórios sob o seu domínio, os sensantos, nunca deixaram de ser solidários para com aqueles que, para viverem, necessitavam de bens essenciais para que as suas vidas prosseguissem. Sendo a pastoricia e o lavor da terra a base da sua sobrevivência, apesar do estabelecimento de fronteiras, nunca deixaram que, à falta de recursos, os mesmos - mesmo que escassos - pudessem ser utilizados em benefício de todos os habitantes de um mesmo território. Apesar das barreiras que fizeram para os separarem - que eles constantemente quebravam, porque filhos do mesmo território e da mesma Humanidade, criaram espaços comuns de sã cooperação.

 

Assim foi, em certos períodos, na nossa Ibéria.

 

Hoje somos obrigados a voltar a estabelecer, cerrar barreiras, fronteiras, perante um inimigo comum e invisível para a toda a Humanidade que, ferindo-nos de morte, a todos nos traz aterrados, cheios de medo.

 

Repetimos, que este momento por que passamos sirva para refletirmos sobre a vida que nós, individualmente e como comunidades, levamos. Ergamos fronteiras à falta de solidariedade, à prepotência, aos egoismos, à desenfreada procura e exploração dos recursos parcos do nosso Planeta, sem cuidarmos da vida das gerações futuras, aos ódios, vinganças, xenofobias e sede desmedida de poder.

 

Usemos este fechamento a que estamos sujeitos e obrigados, em nossas casas e nos mais diversos lugares de acolhimento, para, quando for a hora da saída, saiamos todos mais rebostucedios, lúcidos, empenhados e solidários na construção, com lealdade e espírito de cooperação, de uma sociedade outra, de um outro Homem, num outro Mundo, mais respeitador da Humanidade e do nosso Planeta, berço que nos acolhe. 

 

20
Mar20

Por terras da Ibéria - uma viagem a Portugal com as obras de José Rodrigues no espaço público - A lenda de Santa Comba (dos Vales)

andanhos

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

UMA VIAGEM A PORTUGAL COM AS OBRAS DE JOSÉ RODRIGUES NO ESPAÇO PÚBLICO

 

A LENDA DE SANTA COMBA (DOS VALES)

VALPAÇOS – ALTO TÂMEGA – NORTE DE PORTUGAL

 

01.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (06)

 

Senhora Santa Combinha,

Rei Mouro te perseguiu.

Não triunfando de Vós,

A fraga se vos abriu.

 

Aldeia de Vales,

José Joaquim Pereira (Sr. Zezinho),

recolhida Por Medeiros Freitas

 

No último post subordinado a esta rubrica, prometíamos que, logo que nos deslocássemos a Valpaços, publicaríamos a obra do falecido escultor José Rodrigues, patente naquela cidade.

 

Feita a deslocação, vamos, então, apresentar a obra.

 

Mas, para o efeito, necessitamos de fazer o seu enquadramento.

 

Na obra «Valpaços – Joia de Trás-os-Montes», de José António Silva, pode ler-se:

“Na literatura, uma figura maior do Classicismo português, António Ferreira, autor da «Tragédia Castro», foi o primeiro a verter em escrita a lenda de S.ta Comba dos Vales [nos «Poemas Lusitanos»].

 

Nascido em Lisboa em 1528, o discípulo de Sá de Miranda, introdutor do soneto em Portugal, tomou conhecimento da referida lenda, que verteu em versos, após ter contraído segundas núpcias com D. Maria Leite, natural de Lamas de Orelhão, concelho de Mirandela, embora o Santuário de S.ta Comba se situe na parte do monte que pertence ao concelho de Valpaços.

 

Resumidamente, quando o território ainda se encontrava sob a domínio Mouro, ainda antes da fundação da nacionalidade, Comba era uma jovem e belíssima pastora que, com seu irmão Leonardo, apascentava os rebanhos na encosta do monte. Possuidora de rara beleza, de imediato despertou o interesse do rei Mouro que reinava na região de Lamas, que poe ela se apaixonou perdidamente. Porém, o rei era medonho e feio, com uma orelha de asno e outra de cão, a quem chamavam «Orelhão».

 

A bela Comba ficava horrorizada só de pensar no rei e, cheia de fé, implora auxílio divino para permanecer pura e casta.  O rei Mouro completamente cego de desejo ameaça a pobre pastorinha, e esta, indiferente às súplicas e ameaças, refugia-se mais na dedicação a Deus. Ferido no orgulho, o rei persegue Comba de lança em punho. Perseguida e encurralada entre a lança e um penedo, a pastorinha implora pelo auxílio dos Céus, ao que, miraculosamente, a fraga abre recolhendo a pastorinha e fechando-se de seguida, numa manifestação de poder Divino.

 

Enraivecido, o Rei vinga-se no inocente irmão de Comba, estripando-o e lançando-o a um charco.. António Ferreira assegura que a ferradura do cavalo com que o Rei perseguiu a pastorinha, bem como a lança com que matou Leonardo, ficaram marcadas na fraga, e a água em que foi lançado o corpo de Leonardo, tornou-se numa fonte milagrosa que ainda hoje brota água fresca”.

 

Há vários autores que nos apresentam esta lenda. Contudo, todos eles, dão-nos o essencial da mesma. Não existem diferenças significativas no seu conteúdo essencial. Para além da obra acima citada, podemo-la constatar no blogue «Clube de História de Valpaços (Para a divulgação do património histórico e cultural)», no post subordinado ao tema «As serras e as lendas – a lenda de São Leonardo e Santa Comba dos Vales», publicado a 3 de março de 2012; no post «Lendas do Rei de Orelhão», publicado no blogue «AVIDAGOS», a 9 de abril de 2013; no «Montejunto Portugal – Lenda de Santa Comba dos Vales»; no post «Serra de Santa Comba», publicado no blogue «Farol da nossa terra»,  a 17 de junho de 2014, de Teixeira da Silva; no post «Santa Comba e o rei Orelhão», no blogue «Memórias… e outras coisas… Bragança», publicado a 10 de outubro de 2016  entre outros.

 

No post, acima referido, «As serras e as lendas – a lenda de São Leonardo e Santa Comba dos Vales», a certa altura, diz-se que  “se há lendas que desde há séculos têm merecido a atenção de insignes escritores etnólogos [como José Leite de Vasconcelos (1858 – 1941), na sua grandiosa obra “Religiões da Lusitânia”] e historiadores e ainda continuam a andar de boca em boca entre os versejadores populares, uma das mais belas é a Lenda de Santa Comba dos Vales e do Rei Mouro “Orilhão” de Lamas, religiosamente guardada pela população da atual aldeia e freguesia de São Nicolau dos Vales, concelho de Valpaços que está situada nas faldas da serra de Santa Comba (…), paróquia de antiquíssima fundação, provavelmente pré-nacional (como admite Veloso Martins) que nos séculos XII e XIII ainda era designada por Santa Comba de Orelhão ou dos Vales, contemporânea e vizinha, mas distinta, da paróquia de Santa Cruz de Lamas de Orelhão, que é atualmente freguesia de Mirandela. Como bem anotou A. Veloso Martins na sua Monografia de Valpaços, é uma ‘das mais belas lendas fixadas a ouro fino na história da literatura portuguesa’”.

 

E podemos ainda ler, naquele post acima citado, que “de tal modo a força da tradição veio impondo a indissociabilidade das duas lendas [de Santa Comba e de São Leonardo] que elas se fundiram numa só, o que se vê pela forma como foram contadas, em 1999, na cerimónia de inauguração da Ampliação e Remodelação dos Paços do Concelhos,

02.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (5)

na entrada de cujo edifício foi erigida uma bela escultura em bronze da autoria de José Rodrigues representando o Rei Orelhão e pastora Comba”.

03.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (08)

E, mais à frente, este post prossegue, dizendo que “este ato evocativo, celebrado pela Câmara Municipal de Valpaços, com o apoio da «Árvore, Cooperativa das Atividades Artísticas C. R. L.» [da qual o escultor José Rodrigues era um dos sócios cooperantes mais ativo] constitui a materialização do orgulho há muito sentido pelos valpacenses em possuir «intramuros o cenário [a serra de Santa Comba] e o motivo [o trágico fim dos pastores irmãos] de uma das mais belas lendas» de Portugal – parafraseando o autor da “Monografia de Valpaços”, A. Veloso Martins no que já havia observado, em 1990, data da 2.ª edição desta sua obra”.

 

A obra, escultura figurativa em bronze patinado e polido em alto relevo, adossada ao muro do átrio da Câmara Municipal de Valpaços, começou em 1997 e José Rodrigues

04.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (07)

contou com o contributo de José Emídio no revestimento dos muros do átrio.

 

Assim, esta obra de José Rodrigues deve entender-se associada ao conjunto de pinturas cerâmicas murais de José Emídio, as quais nos conta a lenda de Santa Comba (dos Vales), que, de seguida, apresentamos aos(às) nossos(as) leitores(as), sob a forma de «painéis».

05.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (11)

(Painel I)

06.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (12)

(Painel I – Pormenor)

07.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (18)

(Painel II)

09.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (14)

(Painel II – Pormenor)

10.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (09)

(Painel III)

11.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (10)

(Painel III – Pormenor)

12.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (19)

(Painel IV)

13.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (17)

(Painel IV – Pormenor)

14.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (13)

(Pormenor I)

15.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (15)

(Pormenor II)

Como os(as) nossos(as) leitores(as)0 poderão verificar, não conseguimos apresentar-lhes o conjunto de painéis de uma forma sequencial – com os seus respetivos pormenores – nos quais pudéssemos seguir a «história» da lenda.

 

Naturalmente que tem a ver com a nossa competência como fotógrafo, bem assim dos meios que, naquela altura, tínhamos ao nosso dispor.

 

Contudo, julgamos que a maior razão não apenas reside aqui.

 

Louvamos a iniciativa da autarquia em plasmar em obra de arte e na Casa do Concelho de Valpaços uma tão bonita lenda cujo palco é o seu território.

 

Mas não podemos aplaudir o que fomos encontrar, neste ano da graça de 2020, no átrio da Câmara.

 

No nosso modesto entendimento, trata-se de um confrangedor mau gosto, ou melhor, uma enorme falta de sensibilidade para as coisas da arte.

 

É um átrio no qual está aposta uma obra de arte, que muito tem a ver com a cultura, o património e a religiosidade das gentes do concelho de Valpaços.

 

Que deve ser contemplada e bem apreciada.

 

E tal contemplação é possível?

 

A nosso ver, não!

 

Colocar ao centro do átrio uma estrutura (gabinete) metálica com vidro para colocar um funcionário(a) que vai atender os munícipes, é uma clara falta de gosto e de sensibilidade para a arte.

 

Porventura, nas dependências laterais do átrio, não se podia cumprir essa função?

 

Compreendemos que sejam dadas aos funcionários(as) as melhores condições de trabalho. Mas desta forma?

 

Aquela obra é para se contemplar e apreciar livre de entraves visuais.

 

Assim, a obra não «brilha».

 

E é pena!...

 

16.- 2020.- C.M. Valpaços+José Rodrigues (1)

19
Mar20

Memórias de um andarilho - Vale do Lima (Límia) - Parte IV - A Lagoa de Antela (ou Lago Beón)

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

 

VALE DO LIMA (LIMIA) – GALIZA

 

 

PARTE IV

 

A LAGOA DE ANTELA (OU LAGO BEÓN)

 

01.- Lagoa de Antela

(Fonte:- «A Lagoa de Antela reclama o seu lugar 60 anos depois»)

 

A grande e pestilenta poça da lagoa de Antela,

 inimigo declarado da indústria agrícola,

da pecuária e da mesma humanidade ...

 (...), poça inútil e prejudicial, germe de podridão e mortalidade…

 

Cardeal Juan Manuel Bedoya (1831)

 

 

Introdução

 

Quando, a 17 de novembro do ano passado, efetuámos a caminhada, com os amigos Sendeiristas de Monterrei, pelas «areeiras» da Límia, e disso dávamos conta, neste blogue, no dia 5 de fevereiro passado, estávamos convencido de que no sítio daquelas «pozas» teria estado a tão falada Lagoa de Antela (ou Lago Beón), razão pela qual, passados 10 dias, no dia 27 de novembro de 2019, juntamente com o nosso amigo Pablo Serrano, subimos até à ermida/capela de São Bieito, no monte de Uceira, para, dali, observarmos e termos uma panorâmica não só do vale da Límia, como também das «areeiras», conforme demos também conta no nosso post de 8 de fevereiro do corrente ano.

 

Contudo, na conversa que, entretanto, entabulávamos com Pablo, este nosso amigo afirmava-nos que a antiga Lagoa de Antela não se situava no território onde se encontram as atuais «areeiras»,

02a.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (116)

outrossim um pouco mais a norte e, daquele ponto, não poderíamos ver o «centro geográfico» da antiga Lagoa de Antela. Havia que penetrar pelo vale da Límia e subir até à Torre da Portela ou de Pena para termos uma perspetiva exata do local onde se situava a Lagoa.

03.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (34)

A 5 de fevereiro do corrente ano foi o que fizemos.

 

Deixamos, aqui, aos(às) nossos(as) leitores(as) o que a nossa objetiva captou do lugar em que outrora estava localizada a Lagoa de Antela (ou Lago Beón).

04.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (1)

(Panorâmica)

05.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (21)

(Perspetiva I)

06.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (6)

(Perspetiva II)

07.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (29)

(Perspetiva III)

Feita esta pequena Introdução/explicação sobre a localização da antiga Lagoa de Antela, falemos, agora, sobre a origem (ou história) da Lagoa.

 

 

1.- História de uma lagoa

 

Na comarca da Límia situa-se um grande vale, através do qual corre o rio Lima. A ele vão desaguar uma quantidade de afluentes, como o rio Piñera, o Trasmiras e o Padroso, entre outros.

 

Porque será que esta zona é (era) importante e interessante?

 

Primeiro, porque historicamente, na Idade Média, esta zona foi muito disputada pelo recém criado reino de Portugal e pelo reino de Castela; por outro, e é este o assunto que hoje mais nos interessa abordar, porque aqui existe – diga-se, existia – uma Lagoa, uma zona onde a água se encontrava estancada: era a célebre Lagoa de Antela, que se tipifica como uma bacia semi endorreica.

08.- Mapa de las Laguna en 1866

(Fonte:- Lagoa de Antela – Pesquisa de Trabalho https://blaslandscape.wordpress.com/2018/10/08/assignment-research/)

Como se formou esta Lagoa?

 

A sua origem ocorreu há cerca de 66 milhões de anos. E pensa-se que se deve à fragmentação dos materiais de substrato, propiciada por um choque entre placas tectónicas que deu origem à formação de montanhas - a serra de São Mamede, a norte; o Larouco, a sudeste -, ocorrido durante o período de orogenia alpina.

09.- A história da Lagoa de Antela 01

(Adaptado do obra «Introdução ao património geológico de Espanha»)

Como podemos ver na infografia supra, blocos fraturados de substrato fundiram-se, formando uma fossa tectónica e outros (blocos) elevaram-se, formando montanhas. Posteriormente, a erosão das montanhas causou a decomposição das rochas e a sua deposição nas águas mais abaixo, na fossa tectónica. Na zona mais profunda da fossa, o lento decorrer do rio e o caráter impermeável dos sedimentos do fundo, determinaram a formação da Lagoa de Antela.

 

A Lagoa de Antela chegou a alcançar uma superfície aproximada de 3.600 hectares, considerando-se uma das maiores lagoas da Península Ibérica.

 

Os materiais que preencheram a Lagoa de Antela não são contínuos em profundidade, o que originou que esta massa de água, subterraneamente, se divida em dois aquíferos diferentes: um superior, de regime livre; outro, inferior, confinado, e separado por uma formação semipermeável, constituída por argilas, limos, plaquetas carbonosas e lenhitos.

 

Foram inúmeros os intentos para dessecar a Lagoa. No primeiro terço do século II, o Imperador romano Adriano mandou construir um canal para retirar as águas da Lagoa,

10.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (114)

(Local de uma «areeira»)

11.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (118)

(Local de desague do antigo canal romano, perto da «areeira» que se mostra acima)

 

mas, com o tempo, a própria natureza devolveu a água ao seu leito natural (original).

 

Houve outros intentos nos séculos XVIII e XIX.

 

Um decreto do ano de 1956 fez com que se levasse a cabo um processo de dessecação intensivo, levado a cabo nos finais dos anos 50 e começo dos anos 60 do século passado pela administração do Estado franquista que propôs um plano de colonização da Lagoa e cujo objetivo principal era, por um lado, obter novas terras de cultivo e, por outro, erradicar o suposto foco de insalubridade, que provocaria surtos de paludismo e febres, como a tifoide e a amarela, ainda que não seja de todo certo que se tenha estabelecido a relação direta da Lagoa com o suposto foco de insalubridade. Segundo muitos autores, qualquer desculpa era boa para dessecar a Lagoa, particularmente esta zona húmida e pantanosa!

 

Os primeiros trabalhos de canalização começaram no ano de 1958.

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(Fonte:- «A Lagoa de Antela reclama o seu lugar 60 anos depois»)

Precisando melhor, a Lagoa de Antela possuía, aproximadamente, 7 Km de longitude e 6 de largura, tendo uma profundidade que oscilava entre os 0,60 cm e os 3 metros.

 

Nesta Lagoa existia uma grande variedade de espécies, tanto animais, como vegetais.

 

Da sua riqueza biológica destaca-se um enorme número de aves aquáticas, que a utilizavam durante o ano. Muitos autores comparavam esta zona húmida com Doñana, no sul da Península.

 

Alguns técnicos agrícolas valorizam negativamente a dessecação da Lagoa, porquanto deixou a terra seca e sem a humidade necessária para a fertilidade da mesma.

 

A Lagoa, depois de dessecada, ficou como um canal.

 

Tem uma comporta como a das albufeiras, que controla o caudal. Esta comporta situa-se no Km 202 da N-525.

13.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (44)

Apesar de dessecada, na época das chuvas, todas as zonas da antiga Lagoa encharcam-se.

 

Na parte sul da Lagoa, instalaram-se, a partir de 1972, várias empresas dedicadas à extração de areia, muito apreciada para a construção civil e para a indústria do vidro.

 

A exploração de arreias no Concello de Sandiás criou posteriormente pequenas lagoas que, uma vez cessada a exploração, ficaram abandonadas.

 

Por via da exploração das «areeiras», formaram-se grandes «pozas», poços artificiais. Ao seu redor, estendem-se amplos campos de batatas e cereais. As «pozas», poços, originadas pela exploração de areia, acabaram-se por permanecer no terreno, acolhendo agora uma grande variedade de aves. Mais de 70 espécies.

 

Neste momento, as «areeiras» encontram-se numa extensão de terreno propício ao turismo, ao mesmo tempo que se estão criando zonas acondicionadas para a criação de aves, como as cegonhas.

 

Neste outono/inverno, a Límia, a água reclama o seu reino.

 

Nem a dessecação da Lagoa nem a concentração parcelária frearam a natureza. A água vinga-se.

Marcos Pérez Pena, no passado dia 26 de dezembro, sob o título «A Lagoa de Antela reclama o seu lugar 60 anos depois», escrevia na PRAZA:

“Uma das consequências que deixou a sucessão de temporais que, nas últimas semanas, afetaram a Galiza foi o renascimento da Lagoa de Antela, na Límia, 61 anos depois da sua dessecação.

As imagens de amplas zonas da veiga limiana cobertas pelas águas, por volta de 2.000 hectares, trouxeram de volta a recordação da velha Lagoa de Antela, precisamente quando acabam de se cumprir 60 anos do início dos trabalhos de dessecação, que começaram a 8 de setembro de 1958, por impulso das autoridades franquistas. Anos mais tarde já não restava nada da maior extensão de água do interior da Galiza e o terceiro maior espaço lacustre de toda a Península, logo a seguir a Doñana e à Albufeira de Valência.

14.- OA8C4F2_2

(Fonte:- «A Lagoa de Antela, 60 años de añoranza»)

‘Era uma enorme massa de água que ajudava a regular o clima da Límia: tínhamos verões menos quentes e invernos menos duros”, assinalava no ano passado o historiador André Taboada Casteleiro, vice-presidente do Padroado do Museu da Límia, quando falava para a PRAZA, concluindo que a «agressão» deste meio ambiente não se viu compensada com uma melhor produção no setor agropecuário’.

No ano passado, coincidindo com o 60º aniversário do início das obras de dessecação, organizaram-se distintas atividades para lembrar a Lagoa e os trabalhos para a fazer desaparecer. O Concello de Xinzo organizou uma homenagem aos trabalhadores que trabalharam no terreno para fazer desaparecer dos mapas futuros a Lagoa de Antela. O Museu da Límia, por seu lado, organizou uma jornada de debate sobre o presente e o futuro da Lagoa, procurando ‘impulsionar uma reflexão coletiva sobre as consequências daquela decisão dos governantes franquistas’, alertando de que, no que diz respeito à Lagoa,’houve uma espécie de amnésia coletiva, no sentido em que não se podia tocar no tema’. A melhor forma de trazer à atualidade a própria Lagoa, bem assim as reflexões e debates sobre a sua história foi a própria recuperação temporal da mesma. A natureza reclamou o que era dela e, por uns dias, a Lagoa de Antela voltou a existir para além das violentas margens que a aprisiona(ra)m.

Contudo, a Límia conta de forma permanente com zonas húmidas e, neste sentido, a Lagoa de Antela, de alguma forma, sobrevive. Zonas essas que, nos últimos anos estão a experimentar um crescimento, graças ao trabalho ativo de entidades como a Sociedade Galega de História Natural (SGHN). Esta entidade leva quase uma década lutando para recuperar as zonas húmidas da comarca limiana desaparecidas com a Lagoa de Antela e que, hoje em dia, têm continuidade em lugares como na Poza dos arieiros, a veiga de Vilaseca, o humedal Antonio Villarino ou a Veiga de Gomareite.

Assim, a SGHN aposta na recuperação das veigas e chãs assoladas que desapareceram (e que reaparecem a cada temporada de chuvas), assim como das massas arbóreas e a atividade de pastoreio. Especialmente o importante trabalho desenvolvido na Veiga de Gomareite (Vilar de Barrio), uma antiga veiga assolada pelas águas da Lagoa de Antela e que, nas últimas décadas, ficou convertida num vazadouro de entulho e lixo.

Agora, numa parte dessa veiga, está a desenvolver-se um projeto de  pastorícia extensiva, procurando recuperar-se a flora e a fauna preexistente.

Delmar Blasco, secretário-geral da Convenção de Ramsar, entre 1994 e 2001, afirmou há anos que ‘só falta que alguém, com capacidade de liderança e aglutinação de vontades, lance o processo que devolva à Galiza e aos galegos, ainda que seja em parte, os valores e funções que se perderam quando se dessecou a Lagoa de Antela”.

 

Por outro lado, Sindo Martínez, a 8 de abril de 2018, na A Voz de Galícia, sob o título «A Lagoa de Antela, 60 anos de saudade», dizia no seu artigo:

“Faz agora seis décadas, em 1958, o governo franquista começo a executar uma lei iluminada, com um par de anos antes, que pôs fim a um ecossistema com milénios de história.

Os de Franco declararam o «alto interesse nacional» da dessecação e colonização do pântano e decretaram  o fim da Lagoa de Antela. Este foi o quadro legal de uma obra cujos trabalhos foram levados a cabo durante quatro anos. A superfície afetada pelos trabalhos de dessecação do pântano e a sua canalização foi enorme. Afetou 3.165 hectares.

Os trabalhos tiveram um custo de 92 milhões de pesetas, que supunham a habilitação de uma superfície fértil que agora acolhe a principal zona produtora de cereal e batata da Galiza. Moveram-se mais de dois milhões de metros cúbicos de terra e criaram-se mais de 28 Km de canais. A preços de hoje em dia, esta faraónica obra teve um investimento superior a 70 milhões de euros, a maior atuação pública do passado na comarca antelana.

A obra foi equiparável, para não dizer superior, à construção da autovia das Rías Baixas, na década de 90.

14a.- grafico

(Fonte:- «Lagoa de Antela – Pesquisa de Trabalho»)

A nova zona colonizada foi alugada a um preço módico aos colonizadores, vizinhos dos cinco concellos que a Lagoa abarcava – Xinzo de Límia, Sarreaus, Sandiás, Vilar de Barrio e Xunqueira de Ambia (…).

Para trás ficou o beón, - daí também o nome que se dá à Lagoa: Lago Beón - uma espécie de junco que ladeava as margens da Lagoa, para além de muitas outras espécies, uma história milenária que alimentou mitos, como o do Galo de Antioquia, ou realidades como a proliferação de palafitos ou pequenas ilhotas construídas pelo ser humano no interior da Lagoa. No esquecimento ficaram também as viagens em barca de milhares de limianos durante séculos para pescar no pântano.

15.- Pescador na Lagoa

(Fonte:- «Lagoa de Antela – Pesquisa de Trabalho»)

Sessenta anos depois, a decisão de dessecação continua sendo valorada de formas muitos diversas. Para alguns, tal obra foi um desastre ecológico e o fim de um ecossistema formado na época do terciário, milhões de anos atrás. Para outros, foi a possibilidade de poder lavrar novas terras, evitando que uma geração continuasse na miséria, na dura época do pós franquismo, numa zona muito subdesenvolvida nos finais dos anos 50 do século passado.

Um octogenário de Xinzo, José Martínez, que viveu a sua meninice e juventude na época do esplendor da Lagoa, rememora: «Havia gente que retirava da Lagoa o beón e deitava-o nas cortes do gado para depois o usar como esterco nas terras (…)»”.

O presidente da Sociedade Galega de História Natural, Serafín González, tem uma opinião muito negativa daquela obra feita nos anos 50 e 60 do século passado. Foi um desastre ecológico enorme, com consequências demográficas, económicas e sociais negativas, acrescentando que se extinguiram dez espécies de aves na Límia e uma a nível Ibérico – o ganso comum. Muitas outras espécies ficaram muito «tocadas» a nível da Galiza, já que, em tempos, o número delas era muito mais abundante, como o caso da cegonha ou o sapo de esporas, assim como uma grande quantidade de peixes e invertebrados que viviam nessa Lagoa de água doce, diz Serafín González ao jornalista Sindo Martínez.

 

No «Lagoa de Antela - Pesquisa de Trabalho»podemos ler que “O modelo de agricultura e pecuária intensivo está causando uma crise hidrológica e ambiental na região, a ponto de afetar a potabilidade da água: Os pântanos da Baixa Límia sofrem uma invasão de cianobactérias tóxicas devido ao mau gerenciamento da quantidade gigantesca de resíduos de gado, equivalentes a metade do esgoto da Galiza, mas concentrados em 1% da superfície”.

 

Na opinião de Carmen Cid Manzano, cujo  seu vídeo «A Lagoa de Antela», seguimos atentamente, a dessecação da Lagoa foi um ato de terrorismo ambiental, numa das maiores zonas húmidas e pantanosas da Península Ibérica.

 

Infelizmente hoje é impossível recuperar por completo a Lagoa de Antela!

 

 

2.- Lendas, mitos e tradições à volta da Lagoa de Antela (ou Lago Beón)

 

À volta da Lagoa de Antela circulam algumas lendas, mitos e tradições.

 

Obviamente não vamos falar deles todos. Naturalmente apenas os mais falados, que nos foram transmitidos por colonos que viviam em «palafitas», antes da chegada dos romanos.

 

A uma das lendas já acima nos referimos: a cidade de Antioquia. Uma cidade mágica e esplêndida, que existiu há 3 000 anos, com grandes ruas e edifícios altos. Por tal circunstância, era objeto de cobiça dos seus inimigos. Um deles, um «caudilho» Galo, quis conquistá-la, mas, quando chegou a noite e teve que descansar com o seu exército, às portas da cidade, ao despertar, à sua frente, só viu um imenso lago. Conta ainda a lenda que, ao amanhecer, ainda se podem ouvir os sinos da cidade.

 

Uma outra versão conta que Jesus, um dia baixou à Terra e, ao comprovar que a cidade estava cheia de gente arrogante e infiel, decidiu transformá-la em lago. Apenas se salvou uma velhinha que o ajudou, quando se aproximou de Antioquia, sob a aparência de um mendigo.

 

Aqui esta lenda tem fortes semelhanças com a que se conta quanto ao Lago de Sanábria.

 

Também se diz que, quando as tropas do general romano Brutus, chegaram às margens do rio Lima (rio Lethes ou rio do Esquecimento), recusaram-se a atravessá-lo, por medo de perderem a memória. Para provar o contrário, o general atravessou o rio em primeiro lugar e, das suas margens, chamou cada um de seus soldados pelo nome. Desde 2001, o festival Esquecemento (Olvido) é celebrado na cidade de Xinzo de Límia.

 

 Os exércitos do rei Arthur também vagavam por estes lugares em busca do Santo Graal, mas um encantamento transformou os seus soldados em mosquitos.

 

Outra lenda conta que sob a Lagoa há um túnel, que une duas das torres da região (Pena

16.- 2020.- Torre de Pena+Monasterio de Bon Xesús de Trandeiras (17)

e Sandiás).

17.- 2020.- Pedra Alta (Antela)+Torre Sandiás (87)

Veja-se, desde a Torre de Sandiás, a Torre de Pena.

18.- 2020.- Pedra Alta (Antela)+Torre Sandiás (71)

e que é cheio de tesouros, mas é protegido, nada menos que pelos cavaleiros-mosquitos do rei. Arthur.

 

 

3.- Razão do nome «Antela»

 

Segundo «O menhir da Pedra Alta de Antela»,  por definição, entende-se que um menir é um monumento megalítico formado por uma pedra assente no chão. À cultura megalítica pertence o menir achado nas imediações da Lagoa de Antela,

19.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (40)

conhecido como Pedra Alta.

20.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (29)

Hoje situa-se fora da sua localização original, que se desconhece qual seja. É um dos mais altos do Noroeste Peninsular. É formado por uma pedra de grandes dimensões incrustada no chão: um bloco de granito de 3,47 metros de altura. Tem diversas inscrições, sobrepostas umas sobre as outras, que não conseguimos decifrar bem. Apenas detetámos nitidamente uma cruz de braços com 25 cm.

 

Tomás Vega, que consegui detetar algumas inscrições, referido no artigo supra citado, diz que pode tratar-se de uma inscrição cristã e que – aquele cruz – pode ter sido feita entre os séculos IX e XII. As inscrições, segundo este autor, podem assim ser interpretadas: I(n) D(omini) N(ostri) IHESU VIMARA EBURONI. Na parte posterior tem outras três cruzes mais pequenas e a letra E, inscrições estas que parecem mais recentes. A superposição das inscrições indica a possível dedicação da Pedra a dois fins: a função que tinha como menir na época megalítica; as cruzes podem ser indiciadoras de diversas paróquias, função essa desempenhada pela Pedra e anterior à delimitação dos termos municipais. A fórmula cristã da inscrição faz-nos pensar na possibilidade de se  por fim a um anterior e ancestral culto indígena, cuja origem, ainda segundo Tomás Veja, pode situar-se na época megalítica.

 

Sobre este menir correm algumas lendas, que podemos ler no artigo citado acima e que vimos seguindo.

 

A Pedra Alta, deslocada durante a dessecação da Lagoa, foi colocada na sua localização atual no dia 27 de janeiro de 1987.

21.- 2020.- Perdra Alta (Antela)+Torre Sandiás (32)

No blogue «Dolmenes», sob o post «Pedrafita – menir a Pedra Alta. Xinzo de Límia, Ourense», é-nos fornecida a informação como chegar à Pedra Alta de Antela. Assim como nos é mostrada uma imagem do local onde a Pedra, antes da dessecação da Lagoa, se localizava.

22.- Antiga pedrafita Pena Alta

(Fonte:- «Pedrafita – menir a Pedra Alta. Xinzo de Limia, Ourense»)

Mas, repete-se, desconhece-se a sua localização original.

 

Aqui se afirma que os habitantes que viviam à volta da Lagoa conheciam-na como «anta» ou «antela» e, como acontece com quase todas as pedras galegas (e do Norte de Portugal), a Pedra Alta serve (serviu) de marco aos termos dos concellos de Xunqeira de Ambia, Vilar de Barrio e Sarreaus.

 

Não teria sido este menir que deu o nome à Lagoa?

 

Não encontramos resposta explicita na pequena pesquisa que fizemos, mas não nos repugna aceitar que assim seja.

 

Deixamos ao(á) leitor(a) um conjunto de sítios da web, caso queira aprofundar melhor toda a história relacionada com a Límia e sua antiga Lagoa de Antela (ou Lago Beón).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

13
Mar20

Por terras da Ibéria - IV Festa do Bolo Podre (Animação) - Santa Maria de Émeres - Valpaços

andanhos

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

IV FESTA DO BOLO PODRE (ANIMAÇÃO)

 

SANTA MARIA DE ÉMERES – VALPAÇOS

ALTO TÂMEGA – NORTE DE PORTUGAL

 

08.março.2020

01a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (459)

Antes de entrarmos nos três «pratos» principais que constituiu a Animação da tarde, vamos falar de outros «pratos».

 

Segundo supomos saber, este evento pretende divulgar os produtos da terra de Santa Maria de Émeres.

 

Já falámos, no post anterior, do Bolo Podre – a coqueluche da Festa – e do mel. Mas, pelos vistos, a caça – e os seus produtos – também por aqui não faltam. Particularmente o javali. Parece que os caçadores da zona

02.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (367)

presentearam os caminheiros com uns tantos javalis. E as exímias(os) cozinheiras(os) com eles fizeram uma «esquisitíssima» caldeirada.

03.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (351)

Os nossos(as) amigos(as) galegos(as) não se fartavam de a gabar.

 

Fazer de comer para cerca, ou mais, de 600 pessoas foi obra!

04a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (327)

A refeição foi servida nas instalações da Junta de Freguesia e numa tenda ao lado, montada para o efeito.

04.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (346)

Antes da «janta», começaram a atuar os da «Bandinha – Amigos da música», de Óbidos.

05.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (324)

E, de imediato, o nosso pessoal, o galego, em que nos integrávamos, ao som da «Bandinha», começa por dar o seu pé de dança.

06.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (342)

(Momento I)

07.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (329)

(Momento II)

08.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (335)

(Momento III)

A seguir à caldeirada de javali, veio o «rancho». Também muito bem apaladado.

 

Após o almoço deixámos o espaço da Junta de Freguesia

09.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (338)

para assistirmos a outros «pratos», no Largo da aldeia, acompanhando o Grupo de Gaitas,

09a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (364)

que ali começou a atuar.

10.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (372)

A certa altura, alguns elementos do Grupo fazem um baile com algumas «dançarinas» presentes. Vejamos alguns momentos da atuação do Grupo de Gaitas.

11.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (375)

(Momento I)

11a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (396)

(Momento II)

11b.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (408)

(Momento III)

11c.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (407)

(Momento IV)

11d.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (406)

(Momento V)

11e.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (411)

(Momento VI)

11f.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (405)

(Momento VII)

Enquanto isso, a pequenada «mascara-se».

12.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (386)

(«Educadora» pintando)

13.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (389)

(Menina exibindo o seu «enfeite»)

Junto ao Largo, um «senhor reco», com cerca de 80 Kg, dizia-nos Pablo, começava a assar no espeto.

14.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (358)

Logo após a atuação do Grupo de Gaitas no Largo, entra em ação a «Bandinha».

15.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (320)

Enquanto a «Bandinha» atuava, os «Ás da Concertina» esperavam pela sua hora.

16.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (412)

Atentemo-nos a seis momentos da sua atuação.

17.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (421)

(Momento I)

18.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (461)

(Momento II)

19.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (473)

(Momento III)

20.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (417)

(Momento IV)

21.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (429)

(Momento V)

22.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (468)

(Momento VI)

No final da atuação, amigo Pablo segredava-nos ao ouvido, no seu galego peculiar, que uma das instrumentistas «tocava com paixão».

 

A tarde já ia longa. Havia que partir. Mas, antes, tínhamos que levar algum produto da terra emerense . Obviamente que, no nosso pequeno cabaz, não podia faltar o bolo podre!

23.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (488)

Deixámos a repórter Ana, da RTP, entrevistando pessoas das barraquinhas da Feira

23a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (550)

fazendo reportagem, em conjunto com outros seus colegas, em direto, e de outras partes deste nosso pequeno Portugal.

24.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (526)

Despedindo-nos desta vizinha anciã,

25.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (535)

saímos daquele recinto de Animação.

 

Mas ainda deu para darmos uma espreitadela ao «reco» do espeto,

26.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (483)

donde grande número de visitantes e vizinhos aproveitavam para comer um «papo seco» com aquela deliciosa carne, dizia-nos um amigo, servindo-se de dois «bijous», depois de ter estado 20 minutos na bicha («cola»).

 

Terras fartas, estas de Valpaços!

 

Apresenta-se, para visualização dos nossos(as) leitores(as), um vídeo sobre a Animação da tarde.

IV FESTA DO BOLO PODRE (ANIMAÇÃO)

PS.- Segundo um nosso leitor desconhecido, afinal a carne para a caldeirada foi comprada e os comensais foram 1 300 pessoas. Aqui fica a retificação e um muito obrigado ao nosso Leitor Desconhecido.

12
Mar20

Memórias de um andarilho - Caminhada - Rota da Amendoeira em flor, IV Festa do Bolo Podre, Santa Maria de Émeres-Valpaços

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADA – ROTA DA AMENDOEIRA EM FLOR

INSERIDA NA IV FESTA DO BOLO PODRE

 

SANTA MARIA DE ÉMERES – VALPAÇOS

 

08.março.2020

00.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (98)

Quando tomámos conhecimento da «Convocatória» do Clube de Sendeiristas de Monterrei para a caminhada «Rota da amendoeira em flor», em Santa Maria de Émeres, Valpaços, Alto Tâmega-Norte de Portugal, a realizar no dia 8 de março passado, estávamos bem longe de calcular a dimensão – projeção – que esta pequena Rota já tinha alcançado fama.

00a.-

É certo, que no cartaz que nos foi enviado, nele se dizia que a caminhada estava inserida na IV Festa do Bolo Podre – uma promoção dos produtos da freguesia de Santa Maria de Émeres, em especial do seu célebre Bolo podre e do mel – e que a caminhada tinha um percurso com duas versões: uma, mais pequena, de um pouco mais de 8 Km; e outra, maior, com mais de 12 Kim. Nela está incluído: pequeno almoço; almoço, t-shirt e animação.

 

Prometia-se uma melhor logística.

 

Tudo bem. Tratando-se de uma organização levada a cabo por uma Junta de Freguesia e, ainda por cima, com o apoio da sua Câmara Municipal, contávamos com um evento vocacionado para o seu sucesso.

 

Todavia, pelo cartaz não calculávamos a dimensão da «coisa». Fundamentalmente, no que respeitava à caminhada.

 

Para o efeito, para se ter acesso à t-shirt e almoço, exigia-se prévia inscrição.

02.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (7)

Inscrição que se fazia exatamente no local ao lado da Junta de Freguesia, onde, no seu interior, impera a imagem da Santa.

02a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (322)

No Largo, ao lado, começaram-se a juntar os caminheiros,

03.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (53)

destacando-se, naquela multidão que se ia formando, os Sendeiristas de Monterrei e de Xinzo.

04.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (46)

O pequeno almoço foi variado e farto, não faltando o célebre folar, as bebidas e a fruta, que iam desaparecendo num ápice.

05.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (45)

O nosso galego da Chaves TV não faltou, associando-se à comezaina.

06.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (24)

E, para arrematar o lauto pequeno almoço, uma bifana, para quem quisesse.

07.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (33)

Com tanta fartura e tanta gente, não admira que o início da caminhada se tivesse atrasado mais de uma hora. Até que, eram sensivelmente 10h e 15 m, ao sinal dos membros da organização, toda a minha gente se preparou para a partida.

 

Sensibilizou-nos este casal, que não faltou à «Convocatória», levando, o pai, seu filho às costas.

08.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (49)

Bem assim, este jovem, devidamente apetrechado com a equipagem de suporte para transportar o petiz durante a caminhada.

09.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (60)

A partida foi do Largo da aldeia. Rostos felizes, está-se vendo!

10.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (70)

Na verdade, uma freguesia em movimento...

10a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (72)

Pelos dados que a Junta de Freguesia de Émeres nos forneceu, inscreveram-se nesta Rota 554 caminheiros. Isto, números oficiais; mas alguém alvitrava que eram mais de 610, pois alguns não se inscreveram.

 

Eles aqui vão, espalhando-se ao longo do trilho devidamente sinalizado,

11.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (103)

ladeado por campos de amendoeiras,

12.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (110)

monte e vinhas

13.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (149)

e oliveiras.

14.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (153)

Decorridos cerca de 2,5 Km, um primeiro abastecimento de água e fruta.

15.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (158)

E a serpente humana, contando com várias gerações de caminheiros, percorria o trilho da Rota da Amendoeira em flor, por terras de Santa Maria de Émeres.

16.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (173)

(Pormenor I)

17.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (171)

(Pormenor II)

A certa altura, o nosso sendeirista Adelino, qual pastor atento ao seu rebanho, ao lado de um campo de amendoeiras, estava a contemplar (ou contar?) a multidão dos aficionados, tal como ele, pelo caminhar.

18.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (95)

E nós perseguíamos os campos, captando as amendoeiras em flor.

19.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (93)

(Pormenor I)

20.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (96)

(Pormenor II)

22.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (117)

(Pormenor III)

23.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (122)

(Pormenor IV)

24.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (165)

(Pormenor V)

25.-- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (172)

(Pormenor VI)

Até que, a determinada altura, o percurso, por um trilho cascalhento, começa a descer em direção ao pequeno vale,

26.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (183)

para, em poucos minutos, entre os caminheiros, se formar uma fila indiana.

27.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (191)

Tentámos averiguar a razão de tal facto e a resposta foi pronta: uma descida e passagem de um pequeno ribeiro, na qual se exigia um pouco mais de cuidado para evitar quedas.

29.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (220)

(Pormenor I)

30.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (221)

(Pormenor II)

Logo a seguir, há que ultrapassar outro.

31.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (225)

(Pormenor I)

32.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (223)

(Pormenor II)

E mais outro.

33.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (233)

(Pormenor I)

34.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (235)

(Pormenor II)

E, finalmente, o último.

35.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (237)

(Pormenor I)

36.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (241)

(Pormenor II)

Ultrapassados os ribeiros do estreito e cingido vale, há que subir agora.

38.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (246)

Depois de feito mais um pequeno esforço, veio a recompensa de mais um abastecimento de água e fruta,

39.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (255)

exatamente no sítio em que se tem de fazer uma opção: ou se vira à direita e fazemos o percurso mais longo de 12 quilómetros e tal; ou, então, continuamos em frente, cumprindo apenas pouco mais de 8 Km.

40.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (258)

Seguimos a segunda opção, conforme registo do nosso app SHealth.

IMG-20200308-WA0001

Uma centena de metros mais à frente, em pleno meio rural, ao cimo, avistámos o casario da freguesia de Santa Maria de Émeres.

41.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (261)

Nesta parte do percurso, começam a aparecer-nos, mais assiduamente, os amendoais floridos,

42.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (264)

(Pormenor I)

43.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (272)

(Pormenor II)

44.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (274)

(Pormenor III)

45.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (285)

(Pormenor IV)

46.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (291)

(Pormenor V)

entremeados por olivais, plantados em tapetes de flores.

47.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (270)

Estávamos perto do nosso ponto de chegada e da aldeia de Santa Maria de Émeres.

 

Mas, antes, tínhamos um pequeno troço de caminho público a percorrer, ladeado por muros de xisto.

48.-2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (295)

Em poucos minutos, entrávamos no aglomerado urbano de Santa Maria de Émeres, onde, a par desta casa brasonada,

49.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (303)

e da sua singela igreja,

50.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (305)

Impera algum casario tradicional,

51.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (306)

(Pormenor I)

52.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (308)

(Pormenor II)

E, agora sim, chegávamos ao centro da aldeia e junto do seu coreto,

53.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (309)

onde, a partir daqui, damo-nos conta das barracas da Feira Franca, que agora estava montada.

 

Depois de um início de caminhada ora ameaçando chuva, ora chovendo miudinho, acabámos o nosso percurso com um bonito dia de sol. São Pedro estava «abençoando» este dia para estes mais de 600 caminheiros.

 

Deixamos aos nossos(as) leitores(as) algumas imagens/paisagens do entorno do nosso percurso,

54a.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (192)

(Paisagem I)

55.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (116)

(Paisagem II)

56.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (125)

(Paisagem III)

57.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (166)

(Paisagem IV)

58.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (175)

(Paisagem V)

59.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (251)

(Paisagem VI)

Bem assim de alguns «rostos» com quem nos cruzámos e andámos.

60.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (179)

(Rostos I)

61.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (189)

(Rostos II)

62.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (197)

(Rostos III)

63.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (203)

(Rostos IV)

64.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (224)

(Rostos V)

65.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (228)

(Rostos VI)

66.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (230)

(Rostos VII)

67.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (231)

(Rostos VIII)

68.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (232)

(Rostos IX)

69.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (300)

(Rostos X)

70.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (299)

(Rostos XI)

71.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (301)

(Rostos XII)

Mas não só de sorrisos se fez o percurso. Também houve um ou outro percalço. Embora de pouca monta.

72.- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (205)

E com a presença constante dos Bombeiros Voluntários.

Na chegada, não apenas aves de rapina nos esperava. Também este lindo sorriso de Ana, repórter da RTP presente, acompanhando, neste domingo o evento, em Santa Maria de Émeres.

73.- .- 2020.- Caminhada - Santa Maria de Émeres-IV Festa do Bolo Podre (316)

A tarde prometia…

 

Mas deixemos agora o almoço e a animação para um outro post e demos por finda esta reportagem, que já vai longa em imagens, principalmente, e concluamos.

 

Habitualmente não gostamos de caminhar com muita gente. Acima de 4 pessoas, para nós, já é uma multidão. Mas dá-se o caso, e bem vistas as coisas, esta até foi interessante e agradável. Não apenas pela boa comida e pela sua abundância, mas pela quebra, no nosso modo de caminhar, de rotinas. Ás vezes faz falta!

 

Parabéns a Santa Maria de Émeres pela organização deste evento!

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