Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

andanhos

19
Fev20

Memórias de um andarilho - Caminhadas nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor 3ª etapa - Destaque - Freixo de Espada-à-Cinta

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

  

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

 

3ª ETAPA 

ESTAÇÃO DE FREIXO DE ESPADA-À-CINTA – LAGOAÇA

  

DESTAQUE – FREIXO DE ESPADA-À-CINTA

(4.abril.2012)

 

 

01.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 145

 

Regresso ao Lar

 

Ai, há quantos anos que eu parti chorando

deste meu saudoso, carinhoso lar!...

Foi há vinte?...

Há trinta?...

Nem eu sei já quando!...

Minha velha ama, que me estás fitando,

canta-me cantigas para me eu lembrar!...

 

Dei a volta ao mundo, dei a volta à vida...

Só achei enganos, deceções, pesar... 

Oh, a ingénua alma tão desiludida!...

Minha velha ama, com a voz dorida.

canta-me cantigas de me adormentar!...

 

Trago de amargura o coração desfeito...

Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!

Nunca eu saíra do meu ninho estreito!...

Minha velha ama, que me deste o peito,

canta-me cantigas para me embalar!...

 

Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho

pedrarias de astros, gemas de luar...

Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!...

Minha velha ama, sou um pobrezinho...

Canta-me cantigas de fazer chorar!...

 

Como antigamente, no regaço amado

(Venho morto, morto!...), deixa-me deitar!

Ai o teu menino como está mudado!

Minha velha ama, como está mudado!

Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!...

 

Canta-me cantigas manso, muito manso...

tristes, muito tristes, como à noite o mar...

Canta-me cantigas para ver se alcanço

que a minha alma durma, tenha paz, descanso,

quando a morte, em breve, ma vier buscar!

 

Guerra Junqueiro, in 'Os Simples'

 

 

Quando se fala em Freixo de Espada-à-Cinta vem-nos logo à lembrança o estilo manuelino presente na sua Igreja Matriz, de evocação a S. Miguel – e que mais parece uma sé catedral -,

02.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 149

(Fachada principal)

03.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 132

(Fachada lateral I)

04.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 152

(Fachada lateral II)

05.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 162

(Inscrição relacionada com a sua fundação)

06.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 121

(Um aspeto do seu interior – Um púlpito)

a Capela do Senhor da Rua Nova; a Igreja da Misericórdia;

07.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 134

(Aspeto exterior)

08.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 138

(Aspeto interior – Altar-mor)

09.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 136

(Aspeto interior - Pormenor I do altar-mor)

10.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 141

(Aspeto interior – Pormenor II do altar-mor)

o grande navegador e primeiro cronista do Japão – Jorge Álvares;

11.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 150

a história do seu nome e 

12.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 155

do seu escudo;

13.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 200

o seu Castelo, ou o que dele resta, como a Torre heptagonal, ou Torre do Galo;

14.- 20.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 156

(Perspetiva I)

15.- 21.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 157

(Perspetiva II)

a subida ao topo da Torre,

16.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 179

donde se vislumbram horizontes variados 

17.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 173

(Panorama I)

19.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 161

(Panorama II)

20.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 168

(Panorama III)

18.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 164

(Panorama IV)

e na qual impera o seu sino,

21.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 175

bem assim, onde, aqui, podemos conhecer um pouco da história da vila, com as suas muralhas e as suas torres;

22.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 182

o percorrer as suas ruas,

23.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 189

denotando a presença judaica e o estilo manuelino;

24.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 197

(Trecho I)

25.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 199

(Trecho II)

o seu Museu da Seda e do Território;

26.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 187

a casa do almirante Sarmento Rodrigues, hoje instalações da GNR;

27.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 194

a sua Casa do Concelho ou Câmara Municipal,

28.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 223

onde impera  um lindo pelourinho,

29.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 227

e, no qual, no seu topo, um pormenor nos desperta a atenção;

30.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 225

o edifício da Santa Casa da Misericórdia;

31.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 231

a igreja

32.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 210

e o Convento de São Filipe Nery;

33.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 212

o cruzeiro que lhe fica perto,

34.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 213

com este pormenor do Cristo crucificado;

35.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 217

a festa de Nossa Senhora dos Montes Ermos;

36.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 235

as gravuras rupestres do Mazouco; o Penedo Durão, em Poiares, com as suas aves de rapina, que frequentam as suas arribas; o panorama que nos oferece o lindo jardim rosa, em finais de fevereiro e princípios de março, quando as amendoeiras começam a florir; o Douro Internacional e, também, o belo panorama que, do mesmo Penedo Durão se avista para a barragem de Saucelle e para a ponte sobre o rio Águeda, quando se lança nos braços do Douro; a Calçada de Alpajares ou Calçada dos Mouros onde, nas suas rochas, podemos ver, interpretar e conhecer parte da evolução do nosso planeta Terra, em particular por estes recônditos lugares; a história e presença, aqui, dos judeus; as moradias do Douro Internacional, na Congida; a cultura da seda, enfim, em tantas outras coisas que há, por estas lonjuras, para ver e explorar.

 

Mas, tudo isto, mais que as nossas palavras, pode ser visto e apreciado nos dois vídeos que abaixo apresentamos.

 

PORTUGAL EM 360º - FREIXO DE ESPADA-À-CINTA| VILA MANUELINA|PORTUGA

PORTUGAL DE LÉS A LÉS – FREIXO DE ESPADA À CINTA – DEIXE-SE ENVOLVER

E, para uma visão mais completa, e diversificada, da História, dos Lugares, das Gentes e do Património deste vila e seu concelho, apresentamos aos nossos(as) leitores(as) os seguintes sítios da web, em modos de

 

GUIAS TURÍSTICOS

 

 

 

 

IGREJA MATRIZ

 

 

CULTURA DA SEDA

 

Contudo, hoje apenas queremos, neste post, falar de um dos seus ilustres filhos da terra - Abílio Manuel Guerra Junqueiro.

37.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 220

Não vamos por mais delongas para falar deste poeta e republicano indefetível que, ao longo dos anos, nos habituámos a ler e a apreciar.

 

E, para o efeito, vamos usar as palavras ou conclusões de Carla Alexandra Ferreira do Espírito Santo Guerreiro, na sua tese de mestrado em Ensino da Língua e Literatura Portuguesa, de 2002, sob o título « A mundividência infantil na obra de Guerra Junqueiro».

 

Guerra Junqueiro merece ser considerado um dos mais proeminentes escritores portugueses da segunda metade do século XIX, princípios do XX.   Espírito livre e indómito, este homem, transmontano, por nascimento, e cidadão do mundo, por natureza, ergueu sempre a sua voz para falar e defender aqueles que não a tinham, os simples: as crianças e o povo.   Paladino da defesa da instrução e da educação na infância como panaceia dos males estruturais de que Portugal padecia, fez da sua obra uma arma de arremesso que usou, habilmente, contra a ignorância, a opressão e o abandono dos mais pequeninos e desprotegidos, em suma, os simples.

 

No século XIX português, a chamada Geração de Setenta, grupo de intelectuais que refletiam na literatura a sua ideologia e crenças, assumindo uma atitude de oposição face à ordem sociopolítica estabelecida, agitou a sociedade ao fazer a apologia do carácter profilático-pedagógico da literatura, com as célebres Conferências do Casino Lisbonense. A literatura e os intelectuais, Junqueiro incluído, assumiam e tinham um peso institucional tal que foram consideradas uma ameaça para o poder político e social estabelecido e, por consequência, aquelas Conferências foram  suspensas antes de as últimas se realizarem.

 

Guerra Junqueiro, uma figura no panorama cultural do seu século, impôs-se pelas suas posturas incómodas para o poder laico e religioso, despertando consciências e motivando tomadas de posição. 

 

A ação deste intelectual contribui para justificar o carácter institucional da Literatura, pois que a sua prática literária concreta teve uma função de afirmação e consolidação de valores sociais e morais, desde sempre considerados determinantes. 

 

Guerra Junqueiro era um homem emotivo e impulsivo e, o que transparece claramente na sua obra, é o anticlericalismo, o amor e o ódio, o perdão e a condenação. Humanista, por excelência, preocupado com a condição humana, nomeadamente no que concerne à sua fase embrionária, a infância, a sua vasta obra literária deixa transparecer a ideia de que o homem não será verdadeiramente livre enquanto estiver sujeito aos condicionalismos que o colocam abaixo da condição humana.

 

Por temperamento e educação, por solicitação intrínseca, reforçada pelas influências ambientes, Guerra Junqueiro foi boa parte da sua vida um poeta social e político, atento e crítico relativamente aos desenvolvimentos históricos que se desenrolaram no mundo e em Portugal, numa época em que o nosso  país era ainda mais estruturalmente atrasado e política, social e economicamente num estado caótico.

 

Embora Guerra Junqueiro tenha bebido do contexto histórico e social do seu tempo, ele destacou-se, por ser mentor de uma escrita autónoma. Incapaz de ser estritamente satírico, apenas humanista, somente político ou simplesmente filosófico ou revolucionário, ele conseguiu ser tudo isso e muito mais. Com efeito, a sua escrita fez-se sob o signo do hibridismo e da miscigenação genológica e modal, constituindo a sua criação literária uma unidade perfeita, que evoluiu e progrediu.

 

Junqueiro conseguiu sempre exteriorizar o seu subjetivismo. Daí a sua predileção pelo modo lírico, ao invés do narrativo ou dramático. No entanto, todas as suas obras líricas têm uma característica que as universaliza: é um lirismo voltado para o mundo exterior, o que o rodeia, nomeadamente, para a situação dos mais desprotegidos e esquecidos pelo poder: os pobres e as crianças. Homem e obra constituem um todo harmonioso, onde nacionalismo e universalismo se refletem, de forma complexa, e em que passado, presente e futuro se encontram.

 

Junqueiro foi romântico, realista, simbolista e saudosista, manifestando na sua obra literária o romantismo e cientismo que caracterizaram a época em que viveu. O seu ecletismo cultural e ideológico foi responsável por que a sua escrita se estendesse a várias tendências, escolas e correntes literárias, não se confinando a nenhuma em particular. Com o poder admirável do seu génio literário elaborou todas as possíveis influências, encarnando o ideal apaixonado de libertação e valorização do indivíduo. 

 

O poeta usou a sua obra literária para refletir não só sobre os temas e os assuntos que considerava mais importantes e mais prementes da sua época e país, mas também sobre temas e assuntos, de todas as épocas, porque são atemporais e universais.

 

Deste modo, o tema da Criança é uma constante em toda a sua produção literária. Preocupado com a sua situação de total abandono, a vários níveis, e consciente da importância da sua formação integral para a construção de um Portugal, a par do progresso do resto da Europa, Junqueiro dedicou-lhe a melhor parte da sua obra. 

 

Desta feita, a obra de Guerra Junqueiro refletiu sobre a situação infantil no século XIX português, no concernente aos três pilares essenciais da vida: Família, Sociedade e Escola. Além destes,  outros aspetos assumem, na sua produção literária, um valor relevante: as relações da criança com a Natureza, com o Transcendental e com a Literatura.

 

A obra de Guerra Junqueiro fez parte integrante do cânone literário durante várias décadas, pois, parte dela, foi selecionada pelo poder instituído para figurar nos manuais escolares, e serviu, longo tempo, para transmitir determinados valores e ajudar a formar consciências. 

 

O uso didático dos textos do escritor, no período conhecido por Estado Novo, particularmente na década de 1950, foi sobejamente conhecido. O regime político que vigorava nesta época fez o aproveitamento da obra literária junqueiriana para transmitir os valores e ideias por ele defendidos. A transmissão foi feita de forma subliminar. Mas não nos podemos esquecer que  a instituição escolar funciona como um verdadeiro aparelho ideológico, desempenhando um papel dominante. Deste modo, o seu discurso, embora silencioso, foi eficaz.  

 

Não admira, assim, que a sua obra, quando evidenciava o amor à Terra, ao ruralismo, às atividades primárias, bem como os grandes valores como a Honestidade, o Trabalho, o amor a Deus e à Família, o respeito e obediência às instituições e governantes entrasse nesses manuais escolares.

 

Junqueiro foi tido e conceituado nos anos cinquenta porque a sua presença literária nos livros escolares evidencia a sua faceta de nacionalista crente.  Mas, manifestamente,  "esconde" o seu lado contestatário e iconoclasta.

 

A instituição escolar, como verdadeiro aparelho ideológico, desempenhou e continua a desempenhar o papel de guardiã de ideologias e perpetuadora do cânone literário. Programas escolares, organização dos curricula e manuais escolares são reveladores de uma consciência cultural e nacional.

 

Desta feita,  ao se apresentar certas obras como canónicas, em detrimento de outras, apenas são validadas determinadas experiências culturais e literárias. 

 

De há anos a esta parte Guerra Junqueiro tem sido excluído do contexto escolar. Este facto deve-se, em nosso entender, a mudanças no gosto literário, relacionadas com a reavaliação de géneros representados pelas obras canónicas, bem como à entrada no cânone de muitas obras, graças a bem sucedidas campanhas publicitárias e de propaganda.

 

 O sistema de ensino cumpre, assim, uma função de verdadeira legitimação cultural, pois que converte em cultura legítima, o arbitrário cultural que uma formação social apresenta.

 

Junqueiro, tal como os demais criadores literários, não foi exceção e, vivendo num tempo e espaço definidos, estabeleceu relações dialógicas com a cultura em que estava integrado.

 

Guerra Junqueiro, embora homem de seu tempo, foi um espírito de vanguarda no que respeita às suas reflexões pedagógicas: uma faceta sua menos conhecida.

 

 Por tudo quanto acima deixámos exposto, nós, leitores e educadores, temos por obrigação manter viva a sua memória através do uso e divulgação da sua obra literária.

 

Deixemos, assim, aos nossos(as) leitores(as) as suas obras, para nós, mais significativas para, querendo, as poderem consultar e ler:

A Velhice do padre eterno;

Finis Patriae;

Pátria.

 

O poema «Regresso ao lar», que reproduzimos no início deste post é o que, nesta nossa fase da vida, o que mais nos diz, no que toca a diferentes mensagens, subliminares, que o mesmo nos transmite.

 

Noutras fases da nossa vida, foram outros, que líamos e amávamos.

 

Hoje é, positivamente, este…

 

Saíndo, já pelo fim da tarde de Freixo de Espada-à-Cinta, em direção à Régua, ao longe, despediamo-nos da terra natal de Neca e Augusto.

20a.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 234

18
Fev20

Memórias de um andarilho - Caminhada nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor - 3ª etapa - Destaque - Lagoaça

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

 

3ª ETAPA

ESTAÇÃO DE FREIXO DE ESPADA-À-CINTA – LAGOAÇA

 

DESTAQUE - LAGOAÇA

(4.abril.2012)

 

 

Mato-me a andar.

Mas alguma vida limpa hei-de ter

neste emporcalhado tempo português que me coube.

E assim tenho-a.

Os restolhos escovam-me os pés e a alma

de quanta imundície se lhes colou

em trinta anos de vasa nacional.

 

Miguel Torga

Diário, Lagoaça – 28.outubro.1956

 

O Doiro entoirido pelas primeiras barragens.

É como se na minha própria aorta

Se formassem aneurismas.

 

Miguel Torga

Diário, Lagoaça – 29.outubro.1956

 

01.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 078

Quão atuais as palavras do nosso escritor transmontano, vertidas para o seu Diário, em 28 de outubro de 1956, quando por esta terra de Lagoaça passou!

 

É certo que estávamos no tempo da «outra senhora». Mas, 64 anos volvidos, e apesar de vivermos numa democracia, que aspira a plenos foros de vigorosa adultez, face aos tempos que correm, embora por outros motivos, quanto a sua «reflexão» é hoje tão atual!

 

Nós optámos pelo retiro. Frequentando e percorrendo também as terras do nosso Portugal genuíno e autêntico. Discorrendo sobre o país que fomos no antanho e naquele a que aqui chegámos. Um Portugal dual. Feito de terras tão diferentes e desiguais: umas, prenhas de vida; outras, desertas, abandonadas, entregues à sua sorte, a uma morte lenta, anunciada e inexorável. Porque, sucessivas gerações, atraídas pelo canto de novas sereias, foram, noutras paragens, à procura de melhor vida. Porque, sucessivas gerações foram manifestamente incapazes de, aqui, construírem uma outra vida!

 

Deixado também aqui o nosso «desabafo», continuemos.

 

Lagoaça é uma das maiores aldeias, tipicamente rural, pertencentes ao concelho de Freixo de Espada-à-Cinta. Apesar de aqui se viver de uma agricultura de subsistência, a sua maior riqueza é a produção de azeite e de amêndoa e, em certas zonas, citrinos, laranjas e tangerinas.

 

Teve foral, dado por D. Dinis, em 1286; portanto, há 734 anos.

 

Não deu tempo, face ao adiantado da hora para o almoço, para, em Lagoaça, visitarmos mais pausadamente toda a aldeia e alguns dos seus edifícios e lugares mais emblemáticos.

 

Por exemplo, deixámos por ver a Igreja Matriz; a capela do Senhor da Santa Cruz; o Largo do Eirô; a antiga Escola Primária e a «Cruzinha» - Miradouro panorâmico -, donde se avista as arribas do Douro e o enorme lago em que o Salto de Aldeadávila (albufeira espanhola), aqui, por estas paragens, transformou o rio Doiro (Internacional).

 

Não ficámos particularmente desgostosos por não descermos até à «Cruzinha». Noutra altura já lá havíamos estado, quando fomos até ao Penedo Durão. E por mais de uma vez.

 

E como compreendemos o outro «desabafo» do nosso poeta maior Miguel Torga quando, estando aqui, em outubro de 1956, via uma paisagem do «seu» Doiro, com o seu leito e as suas arribas totalmente modificadas, à custa do tão propalado Progresso.

 

Do café, onde tomámos umas águas, saímos para a Praça da aldeia.

02.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 087

Aqui, não nos passou desapercebida a capela de Santo António,

03.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 094

reparando no Santo

04.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 097

e no seu relógio de sol.

05.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 081

Na Praça,

06.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 079

impera a antiga Fonte.

07.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 088

Ainda na Praça, deixou-nos particularmente sensibilizado o escrito aposto numa das suas árvores, da autoria de Albano Q. Mira Saraiva, sob o título «Súplica da árvore ao viandante».

 

Pena o termos encontrado assim…

07a.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 096

O «meliante» usou possivelmente uma arma de pressão, e, com chumbo, acabou por fazer esta «obra de arte» Possivelmente para «afinar» a sua pontaria, ou então por pura espirito «vândalo». Estaria mais avisado se fosse «investir» noutras artes…

08.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 098

(Cenário I)

09.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 100

(Cenário II)

10.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 101

(Cenário III)

Notava-se um certo «frenesim» e/ou gosto na recuperação do casario.

11.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 102

Particularmente das suas casas nobres ou solarengas.

12.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 077

(Solar I)

13.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 114

(Solar II)

Como esta que, acima exibimos, e que supomos pertencer à família do falecido político e dirigente do PS, Almeida Santos.

 

Os seus solares e casas brasonadas remontam ao tempo dos grandes senhores feudais, diz-nos o Jornal Nordeste.14.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 113

Esta é a designada Rua dos Judeus, onde imperam, não só o solar da família da mulher do falecido Almeida Santos como de outros.

15.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 116

A designação deste nome intrigou-nos e acabámos por descobrir que “Lagoaça foi também um importante centro de Judeus, sendo umha das primeiras povoações a albergar hebreus expulsos dos reinos de Espanha, tendo-se instalado os mais abastados.

 

Depois do Decreto de Expulsom em 1496, em que oficialmente deixaram de existir judeus em Portugal foi nesta e outras localidades mais recônditas de Trás-os-Montes que os depois cristãos-novos se mantiveram e continuaram o seu culto. Ainda assim, diz-se que em Lagoaça desde sempre viveram judeus escondidos ocultando a sua identidade”, relata-nos Ana Catarina Pinto, em 2015, no sítio da internet – «Questom Judaica-Reflexões e Acontecimentos». (http://questomjudaica.blogspot.com/2016/02/lagoaca.html)

 

Quem quiser aprofundar a História da Família Navarro, de Lagoaça, é consultar os 4 volumes, de Filipe Pinheiro de Campo e de António Maria de Assis, da obra - «Judeus – Os Navarros de Lagoaça»,  onde se faz o estudo de 17 gerações de uma família estabelecida em Trás-os-Montes desde os alvores de Quinhentos.

 

Segundo aquela obra, eles eram negociantes de sola, rendeiros e lavradores, negociantes de grosso trato, capitalistas, burgueses nobilitados e fidalgos de velha estirpe,  juristas, médicos, artistas e políticos que povoaram a nossa história comum, é o espaço da Terra Quente Transmontana o primeiro cenário de toda esta trama familiar que daí flui para terras da Beira Alta, de Cima Côa e para os centros urbanos de Lisboa e Porto.

 

Quem quiser aprofundar um pouco mais Lagoaça e a sua História, aconselhamos a que, nomeadamente, consultem os seguintes sítios da internet:

 

E, para finalizar, deixamos aos nossos(as) leitores(as) o seguinte texto de Teresa Almeida, retirado do Blogue «Perfume do Verso», de 15 de outubro de 2011:

 

LAGOAÇA CHEIRA A FLOR DE LARANJEIRA

 

É da assomada que o precipício se desenha

e a beleza se arrepia

 

Profundo, largo e imponente

é o Douro lagoaceiro

 

Entre íngremes montanhas

espraia-se sorridente

 

É uma força que a luz acende

e pinta de um verde sedutor

a folha de oliveira

 

Há uma fragância que sobe as arribas

é de flor de laranjeira.

16.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 082

17
Fev20

Memórias de um andarilho - Caminhadas nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor - 3ª etapa - Freixo-Lagoaça

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

 

01.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 067

3ª ETAPA

ESTAÇÃO DE FREIXO DE ESPADA-À-CINTA – LAGOAÇA

(4.abril.2012)

 

Depois de tomado o pequeno almoço, saímos das Moradias do Douro Internacional, na Congida, Freixo de Espada-à-Cinta, em direção à Estação do Freixo, a tal que os locais a apelidaram de Estação de Vale Ladrões.

 

O Edu hoje acabou por nos acompanhar.

 

Íamos os três bem dispostos, apesar da «estofa» de ontem. O psicológico aqui conta muito: a etapa de hoje apenas constava de 7 Km.

 

Dizia-nos o placard informativo afixado na Estação de Lagoaça que “O percurso da linha ferroviária do Sabor constitui um dos itinerários turísticos, por via pedestre, mais interessante de todo o Parque Do Douro Internacional.

O visitante pode percorrer este vasto espaço rural ao longo de mais de 6 dezenas de quilómetros, envolvido por campos agrícolas, pastagens naturais, matos, bosques e contemplando a fauna, a flora e os numerosos elementos do património histórico e arquitetónico desta área protegida”.

02.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 071

Não temos dúvida que este discurso se aplique à grande maioria do da envolvente ao trilho/percurso da linha.

 

Quanto ao trilho, do canal da antiga via férrea, positivamente, tamanhos elogios ou encómios não se podem aplicar.

 

E não só quanto ao que fizemos hoje - uns escassos 7 Km -. O mesmo se pode aplicar, na sua grande maioria, ao péssimo estado dos restantes troços até Duas Igrejas.

 

Deixámos as ruínas da antiga Estação de Vale Ladrões (Freixo), abandonada, para trás.

03.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 004

E, se bem que, no que respeita ao entorno do troço até Lagoaça, se possa afirmar que íamos rodeados de bons campos agrícolas, pastagens naturais, matos e bosques,

04.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 005

(Cenário I)

05.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 010

(Cenário II)

06.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 013

(Cenário III)

07.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 026

(Cenário IV)

08.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 011

Cenário V)

embora, alguns deles, tisnados pelos incêndios, repetimos, outro tanto não podemos dizer quanto ao trilho do antigo canal ferroviário.

 

Socorremo-nos, mais uma vez, do nosso bloco de notas do dia de hoje. Escrevíamos: “7 longos e penosos quilómetros. Se os últimos 9 Km de ontem foram de caminhada forçada e num piso duro, os de hoje valeram por vinte quilómetros de ontem: o piso era praticamente o mesmo dos últimos 9 Km de ontem – com giestas e gravilha ou cascalho grosso,

09.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 001

acrescido agora de repleto de silvado quase impenetrável, ao ponto de, em várias ocasiões, sermos obrigados a sair do trilho da linha e invadirmos, caminhando, os terrenos de particulares, adjacentes, tal era a pujança da vegetação – particularmente giestas e silva – que não nos deixava caminhar pelo trilho do antigo canal ferroviário.

10.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 018

Para já não falar quando o canal era transformado em vazadouro de lixo.

11.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 023

Aqui e ali, quando podíamos circular pelo trilho da antiga linha, eramos obrigados a andar fora do trilho, pois a chamusca dos incêndios punha-nos a roupa totalmente preta, enfarruscada.

12.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 028

Uma vez por outra, afortunadamente, lá encontrávamos o trilho razoavelmente transitável”.

13.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 015

(Troço I)

14.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 035

(Troço II)

Às vezes, o trilho quase desaparecia para dar lugar a terra lavrada.

15.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 029

A certa altura, começámos a entrar em pleno planalto. E começámos a sentir um pouco de vento frio, apesar do sol.

 

Até que, depois deste pequeno «calvário», chegávamos ao apeadeiro de Fornos/Sabor.

16.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 032

Como se pode ver, a mesma ruína, na qual o silvado começa a tomar conta do lugar.

 

Deixámos a aldeia de Fornos à nossa direita

17.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 041

e continuámos o nosso percurso em idênticas condições que as anteriores:

18.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 048

a mesma invasão do espaço canal por particulares,

19.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 053

o mesmo piso, que ultrapassávamos, praticamente intransitável.

20.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 056

Bem assim a mesma desolação provocada pelo abandono e pelos incêndios.

21.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 058

A determinada altura, o casario da povoação de Lagoaça aparece-nos do nosso lado direito.

22.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 060

Mas temos que andar mais umas centenas de metros para que o nosso  objetivo de hoje seja alcançado – a Estação de Lagoaça.

 

Para chegarmos à Estação de Lagoaça, valeu-nos a circunstância de terem, há bem pouco tempo, andado a cortar o giestal que cobria, por inteiro, o trilho da linha;

23.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 062

doutra forma, não poderíamos passar por ele!

 

E, finalmente, chegávamos à Estação de Lagoaça,

24.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 069

completamente encharcados de suor. Não pela lonjura ou comprimento da etapa, mas pelo esforço que despendemos para ultrapassar os obstáculos que, constantemente, se interpunham à nossa frente.

 

Valeu-nos, nesta Estação restaurada, uma bica de água. Ali, com o sol do meio dia a pino, tomámos banho e mudámos de roupa.

 

Augusto, que já estava aqui à nossa espera, levou-nos até ao centro de Lagoaça.

 

Fizemos um pequeno percurso turístico pela aldeia. Num café hidratámo-nos, bebendo água, porquanto, a que levávamos, tinha-se acabado. E, visitada a aldeia, fomos de abalada para Freixo de Espada-à-Cinta. Almoçar. E depois dar uma volta pela vila.

 

A reportagem da nossa visita a Lagoaça e Freixo será objeto de dois posts, que publicaremos brevemente.

 

Apresenta-se agora o diaporama desta etapa realizada em março de 2013.

 

14
Fev20

Memórias de um andarilho - Caminhadas nas vias férreas portuguesas abandonadas - Linha do Sabor - 2ª etapa:- Moncorvo-Freixo

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

00.- 2012 - Linha do Sabor (Freixo-Lagoaça) 154

2ª ETAPA

TORRE DE MONCORVO – FREIXO DE ESPADA-À-CINTA

 

(3.abril.2012)

 

Introdução

 

Percorremos esta linha desativada a pé em 2012.

 

No primeiro trimestre de 2013, publicámos um vídeo de cada etapa.

 

Como temos feito em relação a todas as caminhadas que fazemos, a 27 de janeiro de 2017 publicámos, embora tardiamente, um post sobre a primeira etapa – PocinhoTorre de Moncorvo.

 

Por circunstâncias várias, entre elas o esquecimento, não continuámos com a publicação da reportagem das restantes etapas.

 

Vamos ver se desta vez é mesmo de vez! E, assim, darmos por terminada, ainda neste trimestre, a reportagem completa sobre todas as etapas que efetuámos nesta Linha até ao seu términus, em Duas Igrejas.

 

Dado que se trata de um percurso linear, ou temos apoio logístico no final de cada etapa planeada, nomeadamente lugar para comer e dormir ou, então, temos de usar dois meios de transporte – um, que fica no local de inicio da etapa; o outro, no fim –; ou, então, temos de ter alguém que nos acompanhe por estrada e nos transporte a um lugar que fique relativamente central em relação à totalidade do percurso que pretendemos efetuar. O uso de táxi não nos pareceu adequado, não só pelo facto de não podermos ter cobertura de rede, como, face aos lugares por onde efetuamos os trilhos, nem sempre ser fácil encontra-los.

 

Optámos, desta feita, por ficarmos alojados mas Moradias da Praia da Congida, em Freixo de Espada-à-Cinta e o nosso cunhado Augusto, por estrada, acompanhou-nos de carro.

 

Nesta segunda etapa – Torre de Moncorvo-Estação de Freixo de Espada-à-Cinta – acompanhou-nos o amigo Neca, irmão de nosso cunhado e o jovem/adolescente (hoje já um homem feito) Edu, nosso sobrinho neto.

 

Eram 7 horas e 30 minutos quando, em Torre de Moncorvo, demos início ao percurso desta 2ª etapa.

 

 

1º Troço – Torre de Moncorvo-Carvalhal

 

Este primeiro troço está transformado em ecopista. A primeira a ser realizada numa linha de caminho de ferro, em Portugal, desativada.

 

Começámos a etapa na antiga Estação de Caminho de Ferro de Torre de Moncorvo, recuperada.

02.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 005

Ao partirmos, o amigo Neca «ensina» a Edu como eram as estações de caminho de ferro; como eram e funcionavam os comboios a vapor.

03.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 013

Dada a «lição», prosseguimos caminho,

04.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 023

acompanhados de arvoredo e da cultura da vinha e da oliveira, nas margens do nosso corredor.

05.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 024

Foi um início de percurso agradável, o andar pela ecopista.

06.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 026

Esta ecopista, à data da nossa caminhada, em 2012, possuía, até Carviçais, pontos de água, postes de iluminação, de quando em quanto, sinalização e contagem dos metros de 500 a 500 metros, pontos de observação da paisagem, bancos para as pessoas se sentarem e descansarem.

06a.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 033

A determinada altura, foi o que Neca e Edu fizeram.

07.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 030

Andou-se mesmo bem por esta ecopista, na qual, ao longo do percurso, não faltavam os típicos pombais,

08.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 037

e alguns sobreiros. Muitos deles já velhos e praticamente sem vida

09a.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 041

Até que, depois de passarmos pela quinta da Ferreira e pela Ponte da Quinta d’Água,

09b.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 035

chegámos à reta do Convento. Á nossa direita, do lado de cima do nosso trilho, aparece-nos o Convento.

10.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 046

É o Convento das Carmelitas. Foi iniciado em 1948 e ficou concluído em 1990. É também conhecido por Carmelo da Sagrada Família, pertencente à Ordem do Carmo.

 

Em pouco tempo, chegávamos à Estação/Apeadeiro de Larinho.

11.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 052

Esta Estação/Apeadeiro foi reabilitada e aqui foi instalada uma cafetaria que, quando por ela passámos, estava fechada.

 

Continuámos o nosso percurso.

12.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 059

E aqui, junto a este eucalipto, Edu não aguentou mais. Desistiu. Apenas andou cerca de 7Km. O carro-vassoura do seu avô, Augusto, veio recolhê-lo. A partir daqui, a etapa só contou com dois caminheiros – nós e o Neca.

12a.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 061

Ao Km 19, 4, passámos pelo apeadeiro de Lamelas.

13.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 073

Neca tomava a dianteira, marcando o ritmo,

14.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 074

Enquanto nós entretínhamo-nos com a observação do entorno.

15.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 079

Incêndio recente tisnou a paisagem.

16.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 086

(Pormenor I)

17.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 087

(Pormenor II)

Percorridos cerca de 9 Km desta etapa, entrávamos em Quinta Nova,

18.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 088

passando pelo seu apeadeiro.

19.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 094

Em menos de um quilómetro, estávamos em Carvalhal.

20.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 105

Nas notas que sempre fazemos no final de cada etapa das nossas caminhadas, a certa altura, escrevíamos: “Foi agradável passar na Estação de Carvalhal e ouvir a explicação do Neca quanto à forma como o minério vinha da serra do Reboredo para os vagões do comboio. Ainda tirei uma ou duas fotografias das plataformas em que assentavam os mecanismos para as vagonetes, que vinham da exploração, despejarem o minério nos vagões dos comboios”.

21.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 108

O que resta é muito pouco para termos uma noção exata de como tudo aquilo ali funcionava.

 

Ficam aqui quatro perspetivas do que captámos na Estação.

22.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 111

(Perspetiva I)

23.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 118

(Perspetiva II)

24.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 119

(Perspetiva III)

25.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 121

(Perspetiva IV)

 

2º Troço – Carvalhal – Carviçais

 

Desde Torre de Moncorvo até Carvalhal percorremos, sensivelmente, 10 Km e 350 metros. Para chegarmos a Carviçais teríamos de percorrer, aproximadamente, 10 Km e 800 metros, por entre uma paisagem já não tão deslumbrante como aquela por onde tínhamos passado.

 

Nesta zona, logo a seguir a Carvalhal, predomina o pinheiro

26.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 135

e os apeadeiros por onde passávamos encontravam-se em completa ruína, como este, do Cabeço da Mua.

27.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 136

A pista cá está. Bem tratada.

27a.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 155

Mas toda e qualquer construção ao longo do seu troço estão em perfeita decomposição, ruína.

28.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 143

O mesmo se passa com o apeadeiro de Souto da Velha

28a.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 158

(Perspetiva I)

28b.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 161

(Perspetiva II)

Salvam-se os campos. Bem tratados.

29.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 147

(Pormenor I)

30.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 175

(Pormenor II)

31.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 166

(Pequeno souto de castanheiros velhos)

Bem assim, nas proximidades de Felgar, este Santuário – de Nossa Senhora do Amparo.

 

Leiamos o que «Geocaching - LINHA DO SABOR: Miranda - Duas Igrejas» nos diz, quando chegamos a este ponto da Linha:

"A Linha do Sabor possui a maior rampa ferroviária contínua em Portugal, sendo que nos 12 km que vão da estação do Pocinho à de Torre de Moncorvo se vencem 280 metros de desnível, num traçado sinuoso, sendo que a meio deste percurso era mesmo necessária uma paragem técnica na denominada "estação da Gricha", para que as locomotivas a vapor pudessem recuperar pressão e continuar a longa subida. De Moncorvo até Felgar a rampa continuava, vencendo-se em 13 km 260 m de desnível, o que perfaz uma rampa contínua de 25 km, vencendo 540 m de desnível, para que os comboios subissem do Douro, contornassem a Serra do Reboredo, e pudessem entrar no longo planalto mirandês".

32.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 150

Com a primavera, e as árvores a florirem,

33.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 178

Neca apresenta-nos este sorriso.

34.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 177

Deslumbrado com a mãe-natureza a desabrochar e florir!

35.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 204

Nós, por outro lado, reparávamos na albufeira de Vale de Ferreiros, que se nos apresentava do nosso lado esquerdo.

36.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 182

E, aqui, à borda desta água, fazíamos uma pequena pausa.

 

Augusto veio ao nosso encontro, juntamente com seu neto, Edu. E trazia-nos uma bola de azeite, comprada numa padaria por onde tinha passado. Comemos, pois nunca tínhamos comido e achámos um pitéu. Já estavamos com uma certa larica.

 

Urgia prosseguir caminho. E era estugar o passo agora sem parar. Só apenas este velho castanheiro, com forma tão estranha, é que nos fez parar por uns momentos para, a sua silhueta, constar para memória futura.

37.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 192

(Perspetiva I)

38.- 2012 - Linha Sabor 38.- (Moncorvo-Freixo) 193

(Perspetiva II)

Estávamo-nos a aproximar de Carviçais.

39.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 199

Agora, ao longo do nosso trilho, ia-nos aparecendo o casario de um só piso, quase colado à antiga linha.

 

Numa humilde casa o forno estava aceso. Cheirava a qualquer coisa… Metemos conversa com as senhoras que guardavam o forno. E, conversa puxa conversa, a porta do forno abre-se. O que começa a sair de lá espantou-nos – eram «bolinhos económicos». Os olhos de Neca brilhavam, pois é «louco» por esta iguaria. Uma das senhoras apercebeu-se e, vai daí, ofereceu-nos meia dúzia deles. Neca não se continha em si de contente. Abençoada senhora, dizia. Sabiam a anis.

 

Despedimo-nos amável e agradecidamente da gente da casa e prosseguimos a nossa jornada, ao longo do casario típico de Carviçais.

40.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 215

Até que passávamos pela Estação de Carviçais.

41.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 214

(Perspetiva I)

42.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 217

(Perspetiva II)

43.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 216

(Perspetiva III)

Em pouco minutos, estávamos no Restaurante Artur.

44.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 228

Neste restaurante parámos para almoçar. A posta, está-se mesmo a ver!...

 

E, para sermos fiel no relato do nosso almoço, vamos citar o que, no fim da etapa, escrevíamos: “Há muito que não comíamos uma posta tão tenrinha. Todavia o serviço deixou a desejar. As toalhas bem podiam ter outra apresentação; os guardanapos eram de papel e, para quem vinha cansado e com fome, a espera foi uma despaciência. Já para não falar da conta: um exagero!... Esta gente não se enxerga ou então… «ganha fama e deita-te na cama»”.

 

Acabámos de comer já passava das 14 horas e 30 minutos.

 

Tínhamos combinado que, chegados à Estação de Freixo de Espada-à-Cinta, iriamos fazer uma pequena visita turística e cultural à vila de Freixo, que dista da Estação 14 Km. Mas Tópê, funcionário da EDP, que estava a trabalhar no reforço de potência de Picote (Picote II), telefonou-nos e convidou-nos para irmos até lá com Edu e os tios para vermos os trabalhos da Central.

 

Ficámos de lhe dar uma resposta quando chegássemos à Estação de Freixo.

 

Nesta precisa altura, quer nós, quer Neca, começámos a ponderar se, assim, deveríamos prosseguir até à Estação de Freixo ou se ficaríamos por aqui, por Carviçais, deixando o troço que nos faltava para amanhã, desde este ponto e até Lagoaça.

 

Neca, como sempre, entusiasmado por andar – que apesar da idade, acha-se ainda fresco – desafiou-nos a prosseguir.

 

Cada um, com a sua mochila às costas, lá prosseguimos por mais sensivelmente 9 Km, enquanto Augusto e Edu, de carro, se dirigiram para a Estação de Freixo, à nossa espera.

 

3º Troço – Carviçais-Estação de Freixo de Espada-à-Cinta

 

Durante 2 Km o piso continuava igual ao da ecopista até Carviçais,

45.- 012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 235

Com paisagens de horizontes sem acabar;

46.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 238

campos de amendoeiras bem tratados e

47.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 239

bonitos pombais – embora a precisarem de reformas -.

48.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 231

Mas, a partir daí…

 

Bem. Primeiro eram as obras que estavam a ser levadas a efeito, no antigo canal da Linha, com a colocação de cabos para telecomunicações, supomos.

49.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 251

(Perspetiva I)

50.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 253

(Perspetiva II)

51.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 255

(Perspetiva III)

Todo o troço assim. Durante 3 Km.

 

Findo o limite do concelho de Torre de Moncorvo, o antigo canal da Linha apresentava-se coberto de giestas

52.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 259

e cascalho.

53.-2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 276

Grosso.

54.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 277

Já nem sequer se viam os carris, a não ser um pouco mais à frente, neste cruzamento por uma estrada, asfaltada, já relativamente perto da Estação de Freixo.

55.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 267

Aqui e ali uma placa do «Pare, Escute e Olhe», típicas das linhas de caminho de ferro.

56.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 260

A certa altura, havia trechos do antigo canal ferroviário que já não se reconheciam, ao ponto de andarmos pelas suas margens. Fomo-nos dando conta que, partes do antigo canal ferroviário tinham sido objeto de apropriação privada, porquanto se encontravam lavrados.

 

Não vimos vivalma, a não ser este operário, esperando provavelmente por boleia, exibindo um sorriso tristonho para nós. Talvez estivesse, naquele instante, pensando com os seus botões: “eu, aqui a mourejar e estes «bacanos»…” Sabe-se lá o que o homem pensava!... Demos-lhe as boas tardes e continuamos caminho.

57.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 242a

O antigo canal ferroviário até às proximidades da Estação de Freixo continuava a exibir um piso coberto de cascalho grosso.

58.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 269

Ficámos com «burras» (bolhas) nos pés.

 

Faltavam poucas centenas de metros para atingirmos a nossa meta e,

59.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 275

num instante,

60.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 281

chegámos à Estação de Freixo. A quem a gente da terra, segundo Neca e Augusto que nasceram por estas bandas - mais propriamente em Poiares - lhe chamavam Vale de Ladrões.

61.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 285

Doridos pelas «burras» feitas neste último troço.

 

Augusto e Edu estavam à nossa espera.

62.- 2012 - Linha Sabor (Moncorvo-Freixo) 292

Como se pode verificar, a Estação de Freixo estava em plena ruína e coberta de silvas. Descuido. Incúria. De um património que foi longamente pago por sucessivas gerações de portugueses e que é de todos nós.

 

Aqui mudámo-nos. Vínhamos todo encharcado de suor.

 

Depois de combinarmos com Tópê que, afinal, íamos a Picote, de carro, lá nos dirigimos Aquelas paragens. Nós, pessoalmente, já lá tínhamos estado há uns 4 ou cinco meses antes. Mas, agora, a envolvente da Central estava completamente diferente; desapareceram as escombreiras e as dezenas de contentores e os terrenos à sua volta, devidamente regularizados, estavam cobertos de árvores. Trabalho bem feito.

 

Tópê acompanhou-nos à Central. Uma autêntica visita guiada. Edu, Augusto e Neca gostaram. Nós já conhecíamos a obra.

 

O que, na verdade, mais pessoalmente apreciámos foi a aldeia, com as suas casas, os edifícios públicos, nomeadamente a Igreja e a Estalagem, construções da década 50 do século passado.

 

Qual será o destino de tudo isto, interrogávamo-nos…

 

Esperamos que a especulação não vá destruir algo que faz parte da história não só da empresa, mas também de um local.

 

A ver vamos…

 

Enfim, fizemos hoje cerca de 30 Km. E focámos de rastos.

 

Amanhã, a próxima etapa – Estação do Freixo-Lagoaça – será apenas de 7 Km. Para compensar o esforço de hoje.

 

Depois de chegarmos à Estação de Lagoaça, fizemos uma visita à aldeia e depois dirigir-nos-emos para  Freixo, a fim de realizarmos o planeado passeio turístico e cultural a esta vila manuelina.

 

Realizada a visita, fomos levantar bivaque, na Congida e… ala para casa.

 

Deixamos à visualização das(os) nossas(os) leitoras(es) o vídeo sobre esta etapa, já realizado e exibido em março de 2013.

 

2ª ETAPA DA LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR – MONCORVO-FREIXO

 

13
Fev20

Memória de um andarilho - Vale do Lima (Limia) - Galiza) - Parte III - As Eiras («Airas») de Congostro

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

VALE DO LIMA (LIMIA) – GALIZA

 

PARTE III

AS EIRAS («AIRAS») DE CONGOSTRO

01.- 2019.- Hórreos de Congostro (35)

Da ermida/capela de San Bieito de Uceira, continuando a percorrer a planura de A Limia,

02.- 2019.- Hórreos de Congostro (14)

amigo Pablo Serrano leva-nos até à aldeia de Congostro, um povo com encanto, diz-nos La Voz de Galicia.

 

Congostro, já em Baixa Limia, pertence ao concello de Rairiz de Veiga. E perto da antiga estrada romana Via Nova.

 

O seu encanto advém-lhe da circunstância de a aldeia de Congostro ser constituída por numerosas eiras («airas»), grandes e pequenas, com uma grande quantidade de espigueiros ou canastros («hórreos»).

 

É exatamente por esta sua tipicidade que esta aldeia está a ser objeto de melhoramentos nos seus diferentes espaços públicos, transformando-a num verdadeiro museu etnográfico.

 

Mas vejamos o que a nossa objetiva foi captando, enquanto percorríamos as suas ruas e casario.

03.- 2019.- Hórreos de Congostro (101)

Logo à entrada, o forno do povo.

04.- 2019.- Hórreos de Congostro (21)

Depois fomos diretos à eira principal da aldeia,

05.- 2019.- Hórreos de Congostro (31)

através de uma rua com novo empedramento.

06.- 2019.- Hórreos de Congostro (39)

(Uma perspetiva ampla da eira)

07.- 2019.- Hórreos de Congostro (38)

(Perspetiva I – Pormenor 01)

08.- 2019.- Hórreos de Congostro (40)

(Perspetiva II – Pormenor 02)

Amigo Pablo aproveita a oportunidade para fazer um pouco de exercício, pedalando, junto a um dos espigueiros.

09.- 2019.- Hórreos de Congostro (46)

E, daqui, fomos dar uma espreitadela à igreja, que ficava próxima da eira grande.

10.- 2019.- Hórreos de Congostro (49)

passando ainda por uma pequena eira, cujo nome não fixámos.

11.- 2019.- Hórreos de Congostro (55)

Descendo para o fundo do povo,

12.- 2019.- Hórreos de Congostro (60)

à nossa frente, a planura de A Limia.

13.- 2019.- Hórreos de Congostro (64)

Mais uma pequena eira.

14.- 2019.- Hórreos de Congostro (74)

E mais outra – a «Aira das Fontes» -

15.- 2019.- Hórreos de Congostro (117)

e o Campo da Fonte,

16.- 2019.- Hórreos de Congostro (113)

com mais espigueiros ou canastros

16a.- 2019.- Hórreos de Congostro (108)

Aqui, em Congostro, iniciam-se ou acabam e passam percursos pedestres.

 

Eis um deles, bem sugestivo.

17.- 2019.- Hórreos de Congostro (79)

Percorrendo o fundo do povo, uma outra perspetiva da sua igreja.

18.- 2019.- Hórreos de Congostro (82)

Mas não se pense que esta aldeia, apresentando-se como uma aldeia-museu, está totalmente recuperada. Há muito trabalho ainda a fazer no seu casario!

 

Se não, vejamos, entre muitas outras, as seguintes casas:

19.- 2019.- Hórreos de Congostro (103)

(Casa I)

20.- 2019.- Hórreos de Congostro (105)

(Casa II)

21.- 2019.- Hórreos de Congostro (94)

(Casa III)

22.- 2019.- Hórreos de Congostro (28)

(Casa IV)

Passámos por uma, feita em alvenaria – boa, e bem trabalhada, pedra de granito – que, supomos, ser a (antiga) residência paroquial («rectoral»).

23.- 2019.- Hórreos de Congostro (114)

Antes de abandonámos Congostro, ainda demos uma espreitadela para a sua eira principal.

24.- 2019.- Hórreos de Congostro (88)

Já se fazia tarde. Começava a anoitecer, pois os dias de inverno são pequenos. E deixámos, assim, para trás a aldeia-eira.

25.- Congostro

(Fonte:- Voz de Galicia)

Tivemos pena de não termos ido a dois lugares:

  • Ao Centro Interpretativo da aldeia e,
  • um pouco mais acima da aldeia, sobre as pequenas aldeias de Santo André e São Miguel, a Celme, vermos aquilo que resta (ruínas) – apenas alguns silhares –

27.- Silhares de Celme

(Fonte:- Desconhecida)

de uma fortaleza mandada construir pelo nosso rei D. Afonso Henriques.

 

Celme fazia parte de uma série de fortalezas, construídas entre os séculos XI e XII, e espalhadas por toda a A Limia galega. Uma vez na posse dos reis de Castela, constituía uma das quatro mais importantes  - a par da de Pena ou Portela, Forxa ou Porqueira e Castro, em Sandiás -, e cujo objetivo era prevenir os «instintos» de invasão, e consequente posse de A Limia e sua famosa Lagoa de Antela, por parte dos reis portugueses, durante a primeira dinastia e período da Reconquista da Ibéria aos Mouros (e, pelos vistos, não só!).

 

O castelo e fortaleza de Celme foi assaltada pelo duque (inglês) de Lencastre, cuja filha casou com D. João, iniciando a segunda dinastia portuguesa. Foi derrubada pelos Irmandinos e, em 1529, foi reconstruída por D. Álvaro de Oca. As últimas informações de que temos notícia são advindas dos escritos de Gonzalo de Ulloa, no século XVIII, em que assinalam a sua pertença à Casa de Monterrei. Naquela altura apenas já conservava a torre, que acabou por desaparecer. Os seus últimos proprietários foram os marqueses de Valladares.

 

Segundo consta, dali, de Celme, numa posição bem mais alta, a panorâmica sobre A Limia é única e simplesmente impressionante.

 

Talvez venhamos a falar das torres e fortalezas de A Limia. E, quem sabe, voltemos a Congostro para subirmos até Celme.

 

Mas, para já, o próximo post, irá debruçar-se sobre a Lagoa de Antela.

10
Fev20

Por terras da Ibéria - Uma viagem a Portugal com as obras de José Rodrigues no espaço público (Rotunda do Noro - Boticas-Norte de Portugal)

andanhos

 

POR TERRAS DA IBÉRIA

 

 

UMA VIAGEM A PORTUGAL COM AS OBRAS DE JOSÉ RODRIGUES NO ESPAÇO PÚBLICO

 

BOTICAS – BARROSO/NORTE DE PORTUGAL

 

MENINO DA ROTUNDA DO NORO

01.- 2020.- Boticas (Rotunda do Noro+Ribeiro do Fontão) - Nikon (3)

No Museu Digital da Universidade do Porto, sob o título «Uma Viagem por Portugal com as Obras de José Rodrigues no Espaço Público», sobre esta obra do escultor José Rodrigues, diz-se:

 

“O Menino da Rotunda do Noro, de 2003, é uma escultura de vulto em bronze integrada em conjunto arquitetónico. A parede de blocos de granito

02.- 2020.- Boticas (Rotunda do Noro+Ribeiro do Fontão) - Nikon (5)

 suspensa por quatro colunas de água é evocativa do passado e o menino adolescente com uma bola sentado sobre o muro

03.- 2020.- Boticas (Rotunda do Noro+Ribeiro do Fontão) - Nikon (8)

simboliza a ligação entre o passado e o presente, olhando na direção de uma velha oliveira. Esta obra foi integrada na proposta de arranjo urbanístico da Ribeira do Noro, projeto datado de 2001”, promovido pela Câmara Municipal de Boticas, com arquitetura de Barbosa & Guimarães – Arquitetura, sendo construtora Santana, S.A, e inaugurado em 10 de agosto de 2003.

 

Por seu lado, na informação afixada no conjunto escultórico, pode ler-se:

04.- 2020.- Boticas (Rotunda do Noro+Ribeiro do Fontão) - Nikon (12)

“Os grandes blocos graníticos significam a rudeza das serranias do Concelho e o aço representa a «mestria» com que o povo se adapta às duras realidades da vida, moldando as matérias primas existentes na região e delas tirando grande parte do seu sustento.

A escultura em bronze de um adolescente segurando um globo na mão

05.- 2020.- Boticas (Rotunda do Noro+Ribeiro do Fontão) - Nikon (14)

estabelece a relação entre o passado e o presente e é uma homenagem às viagens de emigrantes botiquenses espalhados pelos quatro cantos do mundo. [Dos jovens que vão; dos velhos que restam!...]

A oliveira velha [que já foi substituída por uma outra mais nova, porventura por ter secado], para a qual o «adolescente» está a olhar, representa as memórias do passado do povo do Concelho de Boticas”.

06.- 2020.- Boticas (Rotunda do Noro+Ribeiro do Fontão) - Nikon (16)

Compreendemos a explicação que nos é dada quanto ao conjunto, contudo, consideramos que, em vez da oliveira, cultura pouco significativa em Boticas, e em todo o Barroso, consideramos que haveria outro(s) elemento(s) que fosse mais representativo do Barroso e/ou da sua cultura.

 

Trata-se, obviamente da nossa opinião....

 

Tínhamos prometido, aquando dum post sobre Vila do Conde (Porto), que iríamos falar da arte de José Rodrigues no espaço público, pois aqui estamos a apresentar uma outra, em terras do Reino Maravilhoso, no Barroso.

 

Sabem os leitores(as) do grande apreço que temos pela obra do falecido escultor José Rodrigues. Assim, no próximo post sobre a arte do escultor, e logo que tenhamos oportunidade, deslocar-nos-emos até Valpaços, Alto Tâmega, também Reino Maravilhoso, do nosso Norte de Portugal, para apresentarmos mais uma sua obra.

 

Até lá!...

07.- 2020.- Boticas (Rotunda do Noro+Ribeiro do Fontão) GOPRO (6)

08
Fev20

Memórias de um andarilho - Vale do Lima (Limia) - Galiza - Parte II - Ermida/capela de San Bieito

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

VALE DO LIMA (LIMIA) – GALIZA

 

PARTE II

  

ERMIDA/CAPELA DE SAN BIEITO

01.- 2019.- São Bieito de Uceira (11)

Quando, a 27 de novembro de 2019, com o amigo Pablo Serrano, penetrámos no vale do Lima (Limia) e subimos até ao monte da Uceira, paróquia de Santo Estêvão de Sandiás, no Alto Limia/Ourense, desta singela ermida/capela de San Bieito, outro intento não tínhamos senão, daquele local, podermos observar, numa visão de conjunto, as tais «areeiras do Limia», hoje transformadas em mais de 40 (pequenos e médios) lagos/reservatórios de água, em terra chã, pantanosa, provenientes da exploração de areia durante cerca de duas décadas e meia.

 

Inesperadamente, o tempo mudou um pouco e começou a chover.

 

Assim, foi um pouco à pressa que entrámos no recinto daquela ermida,

02.- 2019.- São Bieito de Uceira (2)

cuja romaria se realiza todas as segundas-feiras a seguir ao domingo de Páscoa e no segundo domingo de julho.

 

A fama deste santo – San Bieito – vem de ser milagreiro, especialista e advogado para aqueles que sofrem de enfermidades relacionadas com a pele (verrugas).

 

Gostámos do pequeno e aprazível recinto, onde impera não só a imagem do santo,

03.- 2019.- São Bieito de Uceira (40)

mas também um bonito cruzeiro

04.- 2019.- São Bieito de Uceira (28)

e várias espécies de árvores e arbustos.

05.- 2019.- São Bieito de Uceira (3)

Espalhados pelo pequeno recinto, encontram-se bancos e assentos de pedra (granito) onde, depois das missa campal, celebrada neste espaço, em frente à capelinha,

06.- 2019.- São Bieito de Uceira (9)

os devotos/peregrinos comem o célebre «pulpo» à galega e outras iguarias bem assim dançam e divertem-se.

 

Gostámos do lugar, apesar de, como referimos, quando chegámos, começar a chover mais intensamente.

 

Dos parapeitos altos do recinto da ermida, tendo em primeiro plano um bosque denso de carvalhos (robles), apesar da chuva e de algum nevoeiro, que nos tirava uma boa visibilidade, ainda pudemos ver parte da «chaira» (chã, veiga) do Alto Lima e, ao centro, a torre de menagem do castelo medieval de Sandiás.

07.- 2019.- São Bieito de Uceira (14)

(Perspetiva I)

08.- 2019.- São Bieito de Uceira (56)

(Perspetiva II)

Contudo, as célebres «areeiras do Limia», face à meteorologia do dia, e à chuva incomodativa, não puderam ser vistas como gostaríamos.

 

Aqui fica, mesmo assim, uma simples imagem das mesmas.

09.- 2019.- São Bieito de Uceira (48)

À saída do recinto da ermida de San Bieito, deixámos para trás este pequeno e bonito – mas venenoso – Amanita muscaria (conhecido em Portugal por vários nomes, desde agário-das-moscas ou mata moscas, rosalgar, mata-bois ou frades-de-sapo).

10.- 2019.- São Bieito de Uceira (1)

Ao descermos para a veiga,

11.- 2019.- São Bieito de Uceira (63)

ficou-nos na retina este lindo bosque de carvalhos (robles),

12.- 2019.- São Bieito de Uceira (76)

a quem não resistimos, antes de partir, de ficarmos com um registo.

13.- 2019.- São Bieito de Uceira (92)

Falava-nos o amigo Pablo Serrano que agora as «areeiras do Limia» estão a ser objeto de proteção ambiental, com a proibição da extração de areias.

 

É muito possível que este objetivo venha a ser prosseguido e conseguido. Todavia, a «chaira limiana» de antanho, definitivamente, desapareceu, juntamente com a sua célebre Lagoa de Antela e os seus bosques de carvalhos (robles).

 

Estávamos convencido que a célebre Lagoa de Antela se localizava, mais ou menos, naquele território das «areeiras». De pronto Pablo nos informou que não: a Lagoa de Antela localizava-se mais a norte da Alta Límia.

 

Ficámos de um dia, do castelo ou torre da Pena, a podermos observar.

 

E como ainda não era tarde, apesar de estarmos em pleno outono, Pablo quis-nos levar a uma aldeia típica da «Limia» - Congostro.

 

Mas Congostro vai ter direito a um post próprio.

05
Fev20

Memórias de um andarilho - Vale do Lima (Limia) - Parte I - Pelas «areeiras do Limia»

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

VALE DO LIMA (LIMIA) – GALIZA

 

PARTE I

 

 PELAS «AREEIRAS DA LIMIA»

 

01.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (20)

Durante o ano de 2019, mercê de circunstâncias várias, levámos a cabo poucas caminhadas. A mias importante delas – feita pela segunda vez, mas seguindo um itinerário diferente – foi a do Caminho de Santiago – Epílogo (Santiago de CompostelaFinisterra e FinisterraMuxia). A última do ano – pequena – foi a que realizámos com as(os) amigas(os) do Club de Sendeiristas de Monterrei, pelas terras do Lima (Limia), mais propriamente no entorno de Xinzo de Limia, no dia 17 de novembro, aliás num dia sombrio e chuvoso.

 

Pensávamos que seria uma curtíssima caminhada de convívio apenas. Afinal, no computo geral do percurso pelas terras chãs por onde passa o rio Lima, andámos 11,5 Km.

02.- Ruta das areeiras da Limia

Partimos do café/bar Antioquía,

03.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (72)

defronte do Mercado de Xinzo e, sob chuva miudinha, na primeira parte do trilho, cerca de um terço, gizado pelas amigas e amigos sendeiristas de Xinzo, fizemo-lo ao longo da margem esquerda do rio Lima.

04.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (5)

(Perspetiva I)

05.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (4)

 

(Perspetiva II)

Terra chã, como referimos.

06.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (9)

 

As terras chãs do Lima (Limia) não era a primeira vez que as pisávamos.

 

Lembramo-nos que, em 2007, quando fazíamos o Caminho Sanabrês de Santiago, termos percorrido esta zona.

 

Recorremo-la, pela segunda vez, quando fizemos o Caminho Português Interior de Santiago, quando optámos não seguir a variante de Laza, outrossim seguir por Xinzo de Limia.

 

Pareceram-nos quilómetros infindáveis aqueles que percorremos por estas extensas terras planas.

 

A chuva, embora não muito intensa, não nos largava. Assim como estes dois cães, que fizeram connosco o percurso todo,

07.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (13)

ziguezagueando  por caminhos e estradas da veiga.

 

A certa altura, demos de caras, quer de um lado, quer de outro do nosso percurso, com, ora pequenas, ora mais largas, áreas cobertas de água.

08.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (35)

Curioso, procurámos saber do que se tratava. A resposta veio pronta do nosso amigo Pablo Serrano, que sempre nos acompanha na maior parte das caminhadas que fazemos pela nossa Ibéria, em especial na Galiza: são dezenas de laguinhos e lagoas, resultantes da exploração de areia e que agora, com a proibição massiva da sua exploração – e sua respetiva proteção – acabaram por se transformarem em reservatórios de água, numa zona tão pantanosa como é esta. Aliás, tal como aconteceu no rio Tâmega, em Chaves.

09.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (50)

Numa determinada altura, fizemos um desvio, conforme mapa acima mostra. E fomos ter a um observatório de aves.

10.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (31)

Mas, deste observatório, poucas aves podemos ver: a vegetação à nossa frente era alta e muito densa.

 

Mais um pouco de caminho, um outro desvio, um outro lago e mais um outro observatório de aves. Aqui o ângulo de visão era maior,

11.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (44)

mas, os corvos marinhos, as aves que mais vimos, encontravam-se bem afastados, no cimo de uma árvore, bem afastados de nós.

 

Continuámos caminho, por terrenos alagados de água e, aqui e ali, os célebres «robles» (Quercus robur) que,

12.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (55)

outrora, juntamente com a célebre Lagoa de Antela, eram o ex-libris destas limianas terras.

 

Regressados à zona urbana de Xinzo de Limia,

13.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (62)

e passando pelo seu centro mais antigo,

14.- 2019.- Ruta das areeiras da Limia (Xinzo de Limia) (68)

fomos almoçar e conviver todos o caminheiros num restaurante local.

 

O amigo Pablo mostrou-nos gosto em nos mostrar, um pouco mais em pormenor, estas terras do Limia, e as suas «areeiras», tendo como epicentro Xinzo de Limia. E, assim, ficou decidido que, num dia próximo, logo que as condições meteorológicos destes dias finais de outono chuvoso e frio o propiciassem, faríamos um pequeno périplo, de carro, por estas terras, conhecendo-as mais em pormenor.

 

Passados dez dias, a 27 de novembro, assim aconteceu.

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Eu dirigi-me directamente aos serviços da Câmara.

  • Anónimo

    Boa tardeSabe dizer-me onde posso encontrar as des...

  • Anónimo

    Na verdade...Um grande abraço,A. Souza e Silva

  • Vagueando

    Concordo plenamente consigo quando refere que a pa...

  • Joaquim Machado

    TERRA DE MEUS PAIS[

A espreitar

online

rádio

ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
blog-logo