Quinta-feira, 30 de Agosto de 2018

Versejando com imagem - Versos íntimos, de Augusto dos Santos

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

VERSOS ÍNTIMOS

depositphotos_25630023-stock-video-man-lighting-up-cigarette-with

 

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão - esta pantera -

Foi tua companheira inseparável!

 

Acostuma-te a lama que te espera!

O Homem que, nesta terra miserável,

Mora entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera

 

Toma um fósforo, acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro.

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

 

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga

Apedreja essa mão vil que te afaga.

Escarra nessa boca de que beija!

 

(Augusto dos Anjos)

 

fe4a8bd7e2147bf77cf707b2803109ac

 

Este é um dos poemas mais conhecidos do poeta brasileiro paraibano, considerado um dos percursores do movimento simbolista no país. Seus versos são cheios de críticas ao egocentrismo da sociedade de seu tempo, e são admirados tanto pelos críticos literários como por meros leigos.

 


publicado por andanhos às 16:55
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês:- Trilho Interpretativo do Megalitismo de Britelo

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

TRILHO INTERPRETATIVO DO MEGALITISMO DE BRITELO

 

16.abril.2018

(De manhã)

01.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (67)

 

 

Deixo-me levar passivamente pelas rodas do carro,

que percorre a serra em todas as direções.

Dou aos olhos plena liberdade sensorial sem lhes pedir

contas da qualidade das sensações recebidas.

Abandono-me à volúpia dum encontro meramente físico com a realidade.

Fragas, matas, rios e ribeiros, tudo entra em mim como a luz pelas vidraças.

Entra e cabe.

Não há imagens no mundo que saciem a pura transparência.

Nada entendo, e nada quero entender.

E sinto paz.

A paz de ser uma simples coisa permeável entre coisas permeáveis.

Paz que o homem primitivo certamente já experimentou,

e que talvez seja o que resta ao homem de sempre.

Atingir na identificação inconsciente com a natureza

a única consciência profunda que dela e de si pode ter.

 

Gerês, 10 de Agosto de 1964

Diário X, Miguel Torga

 

 

Nada mais impressivo do que a entrada, acima citada, de Miguel Torga, no seu Diário, para definir o nosso estado de alma, quando percorríamos este trilho. Particularmente aquela tirada, quando afirma: “Fragas, matas, rios e ribeiros, tudo entra em mim como a luz pelas vidraças”. E a finalizar: “E sinto paz. A paz de ser uma simples coisa permeável entre coisas permeáveis. Paz que o homem primitivo certamente já experimentou, e que talvez seja o que resta ao homem de sempre. Atingir na identificação inconsciente com a natureza a única consciência profunda que dela e de si pode ter”. 

 

Deixámos a serra do Gerês e penetrámos na serra Amarela.

 

Mas, o trilho, de interpretativo, no seu percurso, tem muito pouco, ou quase nada: apenas a simples sinalização.

 

O nome do trilho prometia um voltar à idade primeva, quase próxima dos homens das cavernas. Mas, nada disso aconteceu! Sim, muita pedra.

 

De verdadeiro megalitismo, em boa verdade, apenas uma anta!

 

E a serra já quase nada tem da sua vegetação primitiva!

 

O eucalipto

02a.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (188)

e o pinheiro

03.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (57)

ergueram aqui o seu «lar». Com mato à mistura…

 

O trabalho de limpeza do monte, perante arbustivas tão maduras, era bem patente, particularmente nas imediações da Anta da Lapa da Moura

04.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (55)

e no Chão de Cabanos.

 

A campanha de limpeza por causa dos incêndios também aqui chegou. Mas ficou-se pelo lugar mais emblemático do percurso – o Chão de Cabanos.

05.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (54)

As árvores autóctones aqui são raridades, digam o que disserem… Só no alto, aqui

06.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (141)

e ali, particularmente nas proximidades de Mosteirô, é que verdadeiramente as encontrámos Mas poucas e isoladas!

07.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (187)

Abstraímo-nos das expectativas que o trilho nos criou e, enquanto o percorríamos, fomos congeminando como este território antigamente seria e qual a vida das suas mulheres e homens, que nele habitavam, na sua luta pela sobrevivência. E apenas nos restaram, uma vez concluído o trilho, duas palavras – paz e tranquilidade.

 

Bem razão tinha Torga, já em 1964!

 

Vamos agora dar uma ideia dos passos que demos neste, que dizem, território mítico dos nossos antepassados.

 

Mostremos primeiramente o mapa do nosso itinerário, retirado do folheto oficial, referente ao Trilho Interpretativo do Megalitismo de Britelo.

MAQUETE_MEGALITISMO.cdr

Mas o nosso trilho não começa, nem acaba, ou sequer passa em Britelo. Britelo é a sede de freguesia, da qual Mosteirô, local donde partimos, faz parte.

 

Terras interiores, e encravadas nas serras, sofrem do mesmo mal – a desertificação.

 

E Mosteirô não escapa a esta sina!

 

Aparcámos no largo da aldeia, onde se encontra o tanque e lavadouro público.

09.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (2)

Apenas nos cruzámos e metemos conversa com um senhor velhote, que, encostado a uma das paredes que suportam o tanque, tranquilamente fumava o seu cigarro.

 

Saímos pela rua do Portal

10.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (3)

e, deixando os subúrbios da aldeia, com os seus campo agrícolas,

11.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (5)

percorrendo uma calçada antiga,

12.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (7)

progressivamente, afastando-nos, cada vez mais da aldeia, e passando por um apiário e ao pé de um eucaliptal,

13.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (16)

começámos a embrenharmo-nos no planalto da serra Amarela,

14.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (22)

indo ao encontro da ribeira da Abelheira.

15.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (29)

Trepando,

16.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (31)

alcançámos o cume do planalto.

17.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (45)

Florens sobe até ao fraguedo para melhor apreciar a paisagem circundante.

18.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (47)

No Vale da Coelheira pastava o gado.

19.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (48)

Contristados saímos deste lugar, depois de assistirmos ao resvalo de uma vaca para uma cova, donde não conseguia sair. Tivemos receio em na ajudar e torcemos para que o pobre animal saísse daquele «flagelo» ilesa, onde se deixou cair.

 

Não era esta,

20.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (51)

que nos pareceu mais expedita. Era outra. Esta, aparentando ser humana, olhava, para o cenário que tinha em frente, contristada.

 

E chegámos ao Chão de Cabanos, onde cavalos se entretinham, pacatamente, a pastar numa restolha de mato cegado e já seco, por nos parecer que, há poucos dias, por via do(s) (medo) incêndios, e não só, ter sido cortado.

21.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (64)

E, neste chão, eis a Anta da Lapa da Moura.

22.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (65)

Não nos perguntem qual a razão de tal designação para este monumento!... Não a encontrámos. Mas que há uma explicação, isso há! O povo tem explicação para tudo!

 

Imediatamente à nossa esquerda, num grande penedo, cravado no solo, aparecem-nos as gravuras rupestres.

23.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (74)

Se, quanto à Anta da Lapa da Moura, não havia qualquer painel informativo para nos elucidar sobre a origem do nome e antiguidade do núcleo megalítico deste necrópole de Britelo – apenas o folheto acima referido –, o qual nos elucida que “será dos maiores monumentos funerários megalíticos da serra Amarela” , quanto às gravuras, no mesmo Chão de Cabanos, a informação é ainda mais escassa. Apenas, uma vez mais, o mesmo folheto nos diz que, neste afloramento granítico, estão umas gravuras, onde prevalecem as fossetes

25.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (83)

e os motivos cruciformes,

24.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (81)

revelando, frisa o mesmo folheto, uma longa ocupação desde a pré-história às épocas, possivelmente, medievais.

 

E, neste chão, indiferentes a tanta e tão longa história, pastoreavam, pacatamente, as nossas vaquinhas, em solo pobre que, ainda por cima, o homem o privou de um alimento mais suculento.

26.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (84)

Deixámos este chão «histórico» e, subindo, por um estradão florestal, embrenhámo-nos ainda mais na serra.

27.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (85)

No cimo deste lugar da serra Amarela, deitámos um olhar para uma das suas irmãs, que nos está em frente – a do Gerês.

28.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (87)

Até que, neste abrigo, que tem pouco menos que a nossa idade,

29.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (89)

parámos para descansar um pouco, hidratar-nos e tomarmos o nosso habitual reforço do pequeno-almoço.

30.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (91)

Saídos do abrigo, retomámos o nosso percurso.

 

A certa altura, chamou-nos a atenção uma formação rochosa, encimada por um pequeno penedo, que mais parece a cabeça de uma velha, com um nariz fortemente adunco.

31.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (97)

Estamos agora em pleno planalto da serra,

32.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (122)

com mato e um ou outro afloramento de árvores autóctones, principalmente de carvalho alvarinho,

33.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (99)

onde as linhas de água não faltam

34.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (111)

e, por entre o mato, salienta-se o omnipresente pinheiro, mesmo que solitário.

35.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (112)

O sol, por entre as nuvens, já quase a pino, começava a aquecer o ambiente. E nós começávamos a suar mais…

36.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (120)

E mais uma passagem por uma zona designada Chã da Escusalha, onde se encontram muitas pedras, aos montões, e que, porventura, outrora serviram para o culto mortuário, mas que hoje foram aproveitadas para abrigo dos pastores.

37.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (128)

Provavelmente, estes montões de pedras,

38.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (132)

e mais estes,

39.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (146)

teriam também sido utilizados para a construção de antas. Vá-se lá agora saber…

 

Daqui, do extremo da Chã da Escusalha, tomámos um caminho de pé posto

40.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (150)

e dirigimo-nos para a ribeira da Abelheira, num local mais a montante da mesma.

41.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (163)

Florens, sempre atento aos pequenos pormenores, faz uma pequena pausa para tirar umas quantas fotos.

42.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (167)

Atravessada a ribeira,

43.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (174)

começámos a descer para Mosteirô.

 

Enquanto iniciávamos a descida, ao fundo, o rio Lima.

44.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (181)

Estávamos nas proximidades já de Mosteirô. E é por estas paragens que avistámos, agora em mais quantidade, quer o carvalho alvarinho, quer o castanheiro, quer uma ou outro freixo, à mistura com o eucalipto e o pinheiro bravo.

45.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (184)

Um enorme penedo chamou-nos a atenção. Ele era muito parecido com aquela primeira silha que, no Trilho das Silhas dos Ursos, na serra do Gerês, vimos. Com certeza, o seu patamar cimeiro serviu para mais um abrigo e proteção das colmeias de abelhas, por causa dos ursos.

46.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (195)

Aproximávamo-nos cada vez mais das imediações de Mosteirô.

47.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (206)

Atravessada a Lameirada, fomos ao encontro do tanque ou poça de retenção de água para a rega das hortas de Mosteirô e de moinhos, que dizem que havia, mas que agora só existem ruínas, mas cujos destroços nem sequer chamou a nossa atenção!

48.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (210)

Percorremos esta ancestral vereda

49.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (215)

até ao cimo da aldeia,

50.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (217)

acompanhando o pequeno regueiro de água.

51.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (228)

Chegámos a Mosteirô pela sua parte alta. E íamos tirando uma ou outra fotografia ao seu casario antigo.

52.- 2018.- Trilho Interp. do Megalitismo de Britelo (230)

Atravessada a aldeia, chegávamos ao local donde, duas horas e vinte e cinco minutos antes, tínhamos partido, percorrendo a distância de sete quilómetros e cento e cinquenta metros,

53.- IMG-20180416-WA0001

à velocidade e com a elevação que o gráfico abaixo mostra.

54.- IMG-20180416-WA0002

Enquanto atravessávamos a aldeia, nem vivalma vimos!

 

O senhor que estava no tanque, aquando da nossa partida, tinha-se recolhido.

 

Na verdade, o calor começava a apertar…

 

E nós, entrando na viatura, fomos saber do almoço.

 

De tarde, tínhamos o último trilho a percorrer nesta temporada primaveril no Parque Nacional da Peneda-Gerês – o de Germil.

 

Deste trilho feito, que, em certo sentido, face ao nome que carrega, nos desiludiu um pouco, ficou-nos de mais real e palpável aquilo que já no início deste post dizíamos -  a paz e a tranquilidade sentidas, enquanto o percorríamos, pensando em como seria por aqui a vida dos nossos antepassados…


publicado por andanhos às 10:43
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito (2)
Segunda-feira, 13 de Agosto de 2018

Ao Acaso... O que resta de três extintas capelas de Santa Maria Maior/Chaves

 

AO ACASO…

 

… O QUE RESTA DE TRÊS EXTINTAS CAPELAS DE SANTA MARIA MAIOR - CHAVES

 

 

De tão habituados que estamos ao meio que nos rodeia, desde sempre, que nem sequer nos apercebemos em pequenos pormenores ou certas peculiaridades das nossas ruas da cidade e do seu casario. Passamos por elas, damos por elas mas… seguimos em frente!

 

Até que um dia, Ao Acaso..., algo nos desperta a curiosidade.

 

Quanto ao assunto, que hoje aqui nos traz a escrever este post, foi uma publicação, escondida entre muitos títulos da nossa biblioteca, espalhados poe três casas, que nos despertou a curiosidade.

 

A publicação em questão é o nº 8 dos «Estudos Transmontanos e Durienses», do Arquivo Distrital de Vila Real, de 1999, contendo o artigo «Roteiro dos edifícios religiosos do Concelho de Chaves», de Sofia Isabel Lourenço Mendonça.

 

A autora, naquele seu artigo refere que “para o estudo das capelas situadas nestas duas freguesias urbanas da cidade (Santa Maria Maior e Madalena) socorremo-nos, essencialmente,  da transcrição efetuada por Firmino Aires [«As capelas de Chaves», levantamento ínsito na Revista Aquae Flaviae, julho de 1990, e retirado] do livro manuscrito de Tomé de Távora e Abreu (1722-1723) – Notícias Geographicas e historicas  da provincia de Trás dos Montes”.

 

Como é evidente, não é nossa intenção reproduzir, ou sequer acrescentar, o estudo de Sofia Mendonça.

 

Para o caso em questão, e no que concerne à freguesia de Santa Maria Maior, referiremos 3 capelas que, a partir daquela data, e até hoje, foram extintas, apresentando simplesmente o que, em termos de edificado, perdurou até aos dias de hoje.

 

Comecemos pela Capela de Nossa Senhora da Encarnação.

 

Diz Sofia Mendonça, atendendo à(s) sua(s) fonte(s), no seu estudo/inventário, que a Capela de Nossa Senhora da Encarnação foi fundada no ano de 1564 pelo Licenciado Duarte Teixeira Chaves na rua da Cadeia [hoje Bispo Idácio], junto das suas casas com todos osa seus bens vinculados à mesma capela, nomeando aquele licenciado, como primeiro administrador, seu irmão Sebastião Pequeno Chaves, sendo hoje [no tempo de Tomé de Távora e Abreu] do seu 4º neto, Duarte Teixeira Chaves, fidalgo da Casa de Sua Majestade.

 

Passámos pelo local.

01.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (20)

 Do exterior, podemos ver um grande frontão triangular.

02.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (18)

No topo, dois pináculos nas extremidades do telhado, com duas volutas ao centro, a ladear um outro elemento que, tal como Sofia Mendonça, não conseguimos identificar.

03.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (19)

Deixemos o que resta desta antiga capela dedicada a Nossa Senhora da Encarnação,

04.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (17)

e dirijamo-nos para o Largo do Anjo.

05.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (16)

Encostada à Casa Joal, eis o que resta da antiga Capela do Anjo.

06.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (12)

Como se pode verificar, hoje serve de área habitacional.

07.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (13)

Diz Tomé de Távora e Abreu, citado por Sofia Mendonça: “Esta capela tem o onorifico de que vay o senado da camara desta V.a asestir às vesporas e misa cantada no domingo que se faz a festa do Anjo da Goarda, e da mesma capela say a procissão que he huã das festas do anno que se lembraõ nesta terra (…)”.

08.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (14)

Do Largo do Anjo descemos para a Avenida Tenente Valadim.

 

Passámos pelo edifício da PEEIE, L.tda, uma conceituada empresa de eletricidade da nossa terra, propriedade dos irmãos Louçanos.

09.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (5)

Sempre nos chamos a atenção, naquele edifício, este frontal de uma antiga edificação religiosa.

10.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (1)

Na construção do atual edifício, os irmãos Louçanos fizeram questão de deixar esta fachada, de uma forma digna e bem preservada.

 

Eis, pois, o que resta da antiga Capela do Nicho.

11.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (5a)

Julga-se que esta capela teria feito “parte da Via Sacra que começava na Igreja Mariz e terminava no alto do Calvário. No seu entabulamento tem esta inscrição «este paso o fizerao os irmaos Joao Carneiro vieira e Joao Carneiro de Moraes e o Neto em (‘) ano 1747»”. Dado que o entabulamento é posterior ao manuscrito de Tomé de Távora e Abreu, é provável que se trate de um melhoramento; contudo, nos termos em que está escrito, é mesmo provável que esta capela tenha sido construída nesta data e a fonte não seja a do manuscrito daquele autor, mas de um outro, cujo nome desconhecemos. Possivelmente do Almanaque «O Comércio de Chaves», de 1937, referido na bibliografia do estudo/inventário da autora Sofia, acima referida...

12.- Três extintas capelas de Santa Maria Maior-Chaves (3)

O acaso e, Ao Acaso…, levou-nos a descortinar um pouco da história e do património religioso que foi da nossa cidade.

 

E aqui fica para quem não tem tempo e paciência de «vasculhar» artigos de revistas especializadas, de mais folgo, ou em trabalhos manuscritos, de complicada e difícil leitura, como o referido de Tomé de Távora e Abreu.


publicado por andanhos às 18:32
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 7 de Agosto de 2018

Versejando com imagem - Amor, Álvares de Azevedo

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

AMOR

 

Design-sem-nome-152

 

Amemos! Quero de amor 
Viver no teu coração! 
Sofrer e amar essa dor 
Que desmaia de paixão! 
Na tu’alma, em teus encantos 
E na tua palidez 
E nos teus ardentes prantos 
Suspirar de languidez! 

Quero em teus lábios beber 
Os teus amores do céu, 
Quero em teu seio morrer 
No enlevo do seio teu! 
Quero viver d’esperança, 
Quero tremer e sentir! 
Na tua cheirosa trança 
Quero sonhar e dormir! 

Vem, anjo, minha donzela, 
Minha’alma, meu coração! 
Que noite, que noite bela! 
Como é doce a viração! 
E entre os suspiros do vento 
Da noite ao mole frescor, 
Quero viver um momento, 
Morrer contigo de amor!

 

(Álvares de Azevedo)

 

NB - Considerado um ultrarromântico, Álvares de Azevedo é um poeta típico da segunda fase do Romantismo Brasileiro, também conhecido como o “Mal do Século”.

Mesmo abordando o lado mais trágico e pessimista do amor, o autor não deixa de conquistar os corações e almas daqueles que leem a sua curta, mas intensa obra (Álvares de Azevedo morreu com apenas 21 anos, vítima de tuberculose).


publicado por andanhos às 11:22
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 6 de Agosto de 2018

Versejando com imagem - José, Carlos Drummond de Andrade

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

JOSÉ

4251161515_c74f744b2d_b

 

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?

 

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?

 

E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, - e agora?

 

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?

 

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja do galope,

você marcha, José!

José, para onde?

 

(Carlos Drummond de Andrade)

 

NB - Graças ao poema de Drummond de Andrade - outro que está no rol dos mais populares da literatura nacional – surgiu a famosa gíria “e agora, José?”, utilizada ainda hoje para expressar a indecisão perante situações difíceis.


publicado por andanhos às 19:25
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 2 de Agosto de 2018

Versejando com imagem - Canção do exílio, de Gonçalves Dias

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

CANÇÃO DO EXÍLIO

 

6197547_x720

 

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar — sozinho, à noite —

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

 

Gonçalves Dias


publicado por andanhos às 11:41
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 10 seguidores

.rádio

ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

.Dezembro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


.posts recentes

. Palavras soltas... Braga ...

. Versejando com imagem - D...

. Versejando com imagem - A...

. Versejando com imagem - E...

. Ao Acaso... Caminhar, a p...

. Versejando com imagem - C...

. Versejando com imagem - P...

. Ao Acaso...O espírito bar...

. Versejando com imagem - I...

. Memória de um andarilho p...

.arquivos

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Julho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Agosto 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2010

.tags

. todas as tags

.A espreitar

online

.links

.StatCounter


View My Stats
blog-logo