Sábado, 30 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Os Moinhos de Folón e de Picón

 

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ADARILHO

00.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (74)


- «Andaina» pelos Moinhos de Folón e Picón -

20.maio.2018

 

1.- Os Moinhos de O Folón e O Picon

 

Estamos no Baixo Minho galego.

 

Os moinhos de que vamos falar estão situados nos lugares de Martín e Picón, paróquia de Santa Mariña, município de O Rosal, na encosta do Monte Campo do Couto, por onde corre o rio Cal, (afluente do Tamuxe ou Carballas), que, nas proximidades do Alto dos Olleiros, já no caminho de San Martiño, no Nivel, se divide em dois regatos - o Folón e o Picón.

 

O município de O Rosal, sob o ponto de vista geográfico, está situado entre o oceano Atlântico, o rio Minho e flanqueado por montanhas - a serra do Argallo e o Pico de Poza dos Corvos, que o delimitam e lhe dão a forma de uma vieira.

 

Diz a lenda de que quando Himicón, chefe dos Cartagineses, chegou a este vale de O Rosal, acreditou ter chegado ao Éden, ao Paraíso Terreal.

 

Apesar de O Rosal ser rico em vestígios pré-históricos, o que lhe dá mais fama é o conjunto etnográfico dos Moinhos de Folón e de Picón.

 

Trata-se de um conjunto de 67 moinhos hidráulicos, dispostos em cascata, em duas vertentes: 36, servidos pelas águas do Folón e, noutra vertente, 31 servidos pelas águas do Picón.

 

É considerada a maior concentração de moinhos hidráulicos em toda a Galiza e, porventura, uma das mais importantes concentrações de moinhos fluviais da Europa.

 

A orografia da zona permite-nos disfrutar de uma bonita paisagem e vistas para o Monte de Santa Tecla, para as localidades de Portugal, ribeirinhas com o Minho e com a foz, no Atlântico, do rio Minho.

 

A maioria destes moinhos estruturam-se em dois pisos de pedra, com o moinho situado na parte supeior e, no piso inferior, está localisada toda a maquinaria que move o moinho. Alguns deles possuem um bebedouro para os animais.

 

A maior parte dos moinhos datam dos séculos XVIII e XIX, embora existam referências quanto à sua existência já no século XVII.

 

Este moinhos tinham a função principal de moer o grão do milho maiz, trigo e centeio, embora, excecionalmente, tenha sido utilizado para moer mineral, tendo, por isso, sido mantidos a funcionar até ao século XX, altura em que se dá o quase seu total abandono.

 

Francisco Javier Torres Goberna, a 1 de maio de 2013, no seu blogue «Historia y arqueología. Naturaleza: Flora y fauna. Rutas e itinerarios», quanto a estes moinhos diz-nos que durante muito tempo pensou-se que a sua construção de deveu originalmente aos monjes do Mosteiro de Santa Maria a Real de Oia; contudo, na extensa bibliografia sobre este mosteiro não aparece nenhum documento que o confirme, o que faz pensar que, muito provavelmente, a sua edificação se deve a vizinhos ricos ou às «juradías» (uma forma de organização e distribuição da população durante a Idade Média) de Fornelos e Martín.

 

Aconselha-se vivamente os leitores a que se reportem ao blogue de Francisco Javier Torres Goberna para, aí, se inteirarem de como funcionam estes moinhos hidráulicos.

 

Em 1991, os alunos da Casa de Ofícios de O Rosal começaram os trabalhos de reabilitação dos moinhos de «Rogelio» e «A Duca». no ano de 1996, a Escuela Taller del Concello de O Rosal começou a reabilitação dos moinhos de Folón, que estavam totalmente abandonados.

 

Hoje em dia os moinhos estão cedidos, pelos seus proprietários, ao concelho de O Rosal para a sua exploração turística durante um período de 25 anos.

 

Em 1998, por Decreto 27/1998, de 22 de janeiro, a Consellería de Cultura, Comunicación Social e Turismo, da Xunta da Galicia, declarou este conjunto de moinhos com um BIC (Bem de Interesse Cultural). No diploma que o decreta diz-se que se consideram partes integrantes do lugar de valor etnográfico, para além das próprias edificações, que são os moinhos, também os sistemas hidráulicos para captação, retenção e distribuição das águas, em especial as de lugar de pesca, assim como os canais e regatos que conduzem a água até aos «cubos»; ao mesmo tempo, a ermida de San Martiño também será protegida, bem assim os caminhos tradicionais, em especial o de San Martiño, no qual ainda se conserva algum «posadero» e uma parte de pavimento aberto pela própria pedra com fundas rodeiras dos carros de bois. Sendo, desta feita, também parte integrante da proteção BIC - em termos de conservação, funcionalidade e localização - os caminhos de Martín e Cereixeira (onde estão situados e dispostos, em escada, no primeiro e segundo lanço, os moinhos do Folón).

 

Como nota final, o incêndio que assolou O Rosal, em 2013, após a posterior limpeza da zona, acometida à comunidade de montes, deixou a descoberto as pedreiras onde foi extraída a pedra para o conjunto de moinhos que estamos tratando. As primeiras pedras encontram-se perto do rio Cal, entre o Alto da Carboeira e o Rego da Enxubligada. São duas pedreiras donde se extrairam as pedras para os pés e para as mós dos moinhos, desde o século XVII até meados do século XX, quando deixaram de funcionar.

 

2.- O percurso


Saímos já um pouco tarde do Parque Natural do Monte Aloia e, o nosso percurso circular, entre 3,5 a 4 Km, com 205 metros de desnível, ao longo dos Moinhos de Folón e de Picón não se pode fazer com o tempo e a calma que mais desejaríamos para apreciar não só este belo conjunto como todo o seu entorno. Nomeadamente, e infelizmente, não tivemos tempo de ir visitar a capela de San Martiño bem assim, no rio Cal, as poças e saltos (cascatas de água).

 

Apresenta-se o Plano do nosso circuito.

01.- Plano-del-circuito

Esclarece-se que este trilho está homologado pela Federação Galega de Montanhismo como «ruta de senderismo» PR-G 94.

 

De autocarro, chegámos ao parque de estacionamento da «Ponte das Penas».

02.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (5)

 De imediato, começámos o nosso percurso, iniciando-o pelo lado esquerdo, no sentido dos Moinhos do Folón.

 

Imediatamente aparece-nos o Moinho das Laxes, onde se localiza o Posto de Informação Turística, que estava fechado.

03.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (2)

No início do nosso percurso,

04.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (10)

que corre paralelo ao ribeiro de Padín, começam a aparecer os moinhos,

05.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (9)

designados como Moinhos de Padín.

06.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (11)

Num deles, - explorado como bar, que não estava em funcionamento -, identificado como o nº 5, deste vertente do Folón, possui(a) uma estrutura para guarda ou recolha de animais.

07.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (13)

Cruzada uma pequena ponte de madeira,

08.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (21)

vamos ao encontro dos Moinhos de Maceira.

09.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (19)

O local, com o regato do Folón acompanhando-nos, com sua vegetação autóctone

10.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (31)

e suas pequenas cascatas, é encantador.

 

Vamos, agora, subindo mais um pouco.

11.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (33)

E os Moinhos de Maceira continuam a acompanhar-nos.

12.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (36)

Veja-se o rego de água que leva ao «cubo» do moinho que vimos na imagem anterior.

13.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (38)

Ultrapassada mais uma pequena ponte de madeira e uma pequena cascata de água, entrámos no Chan de Martín e

14.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (53)

eis os célebres Moinhos de O Folón, em cascata, no seu primeiro lanço!

15.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (49)

O nosso pessoal começa a trepar pelas escadas.

16.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (60)

 (Cenário I)

17.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (66)

(Cenário II)

Passámos pelo moinho nº 16, do conjunto de 36 desta vertente. Na ombreira da sua porta uma data - 1715.

18.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (58)

Ultrapassado o primeiro lanço de moinhos em cascata, e atravessado o Folón, com a sua pequena cascata,

19.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (78)

enfrentámos o segundo lanço de moinhos, também em cascata, no Chan da Cereixeira.

20.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (72)

Sensivelmente a meio deste segundo lanço, há uma espécie de miradouro. Deste miradouro, captámos, um primeiro cenário, com uma perspetiva dos seus moinhos;

21.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (80)

 um segundo cenário, tendo, ao fundo, a passagem do primeiro lanço de moinhos para o segundo lanço, ultrapassando o Folón;

22.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (91)

um terceiro cenário, com a perspetiva de alguns dos nossos companheiros a subirem esta ladeira pedregosa;

23.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (100)

um quatro cenário - uma pausa para descanso, pois a subida não é «pêra doce»!

24.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (101)

Deste miradouro, virando um pouco o nosso olhar para a esquerda - o Monte de Santa Tecla -, envolto em nevoeiro; ao fundo o vale de O Rosal.

25.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (109)

Continuámos trepando pelo Chan da Cereixeira acima, passando pelos últimos moinhos deste segundo lanço.

26.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (110)

Este moinho, datado, cremos, de 1848, tem uma inscrição, mas não sabemos o que seja.

27.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (116)

Estes são os dois últimos moinhos do segundo lanço de O Folón, no Chan da Cereixeira, já muitíssimo perto do Alto dos Olleiros.

28.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (120)

Muito perto deste último moinho do segundo lanço de Moinhos de O Folón,

29.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (145)

aproveitámos para descansar e esperar pelos mais retardadores, ainda, em dificuldades, subindo esta íngreme encosta.

30.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (143)

(Perspetiva I)

31.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (151)

(Perspetiva II)

32.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (153)

 (Perspectiva III)

Enquanto esperávamos e descansávamos, nossa objetiva não parava de trabalhar: veja-se, do Alto dos Olleiros, o primeiro lanço, em cascata, dos Moinhos de O Folón. Um espetáculo!

33.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (138)

Foi pena não termos virado à esquerda e, como já referido, não termos ido visitar a capela ou ermida de San Martiño...

 

Todos chegados ao Alto, e um pouco mais revigorados pelo descanso no fresco da erva, virando à direita, começámos a percorrer a segunda vertente do Monte Campo do Couto, indo ao encontro do caminho de San Martiño e aos 31 Moinhos de O Picón, também em cascata, mas mais dispersos, pelo meio de um pinhal.

34.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (155)

Por aqui passa o rio Cal e, exatamente neste local, perto destes dois moinhos, é o conhecido Nivel, onde, num pequeno depósito, e com o mesmo nível, são divididas as águas - para evitar as disputas dos vizinhos -, que vão formar o regato do Folón, para a esquerda, e o do Picón, para a direita.

35.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (157)

Vejamos mais em pormenor:

35a.- WDS.

O companheiro Adelino, à saída do pequeno depósito do regato do Picón, aproveita para beber água fresca e abastecer-nos.

36.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (162)

Já alguém dizia que este trajeto, por onde agora passamos, é de uma grande beleza. Concordamos. Não só pelo caminho em si, mas, fundamentalmente, pelas vistas que nos oferece, entre as quais, o vale de O Rosal e o Monte de Santa Tecla neste dia envolto de nuvens.

37.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (168)

Começámos a descer

38.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (173)

pelo caminho de San Martiño, uma antiga via por onde transitaram os carros de bois que transportavam o grão e a farinha,

39.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (182)

deixando gravadas na rocha as marcas das suas rodas (rodeiras).

40.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (180)

Uma nota. Em cada 11 de novembro, por este caminho,

41.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (194)

sobem os crentes de San Martiño, que vão em romaria até à sua capela/ermida.

 

Deixamos aos nossos leitores dois cenários referentes aos Moinhos de O Picón,

42.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (191)

(Cenário I)

43.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (198)

(Cenário II)

bem assim o término do caminho mais declivoso de San Martiño,

44.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (203)

no final do qual, o nosso amigo e companheiro Lucas, ao lado de Adelino, já vem com uma certa dificuldade.

45.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (210)

Mesmo quase no final do percurso, em frente à Casa da Pintora, o atleta Luís espera pelo grupo.

46.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (213)

Eis o grupo chegando.

47.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (217)

Rosa, feliz, embeleza-se ainda mais com as flores de uma sebe.

48.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (218)

Registámos, neste lugar, estas pinturas murais, referentes aos Moinhos.

49.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (215)

(Pintura I)

50.-. Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (216)

(Pintura II)

51.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (219)

(Pintura III)

Estávamos todos com pressa. Não só porque já se fazia tarde, mas também porque as empadas que o Lucas nos ofereceu para comermos no final do nosso dia, comemorando o seu dia de «cumpleaños», estavam impacientes para serem comidas. E que delíca estavam!

52.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (228)

Contas feitas: neste trilho, percorremos a distância de 3, 540 Km, numa hora e 13 minutos,

53.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (228)a

à velocidade e com a elevação que o quadro abaixo mostra.

54.- Rota dos Moinhos O Folón e O Picón (228)b

 

 

3.- Notas finais

 

Este trilho, apesar de ser pequeno, merece um dia inteiro a ele dedicado, não só pelo conjunto de moinhos em si e pelo percurso, mas também pelo seu entorno e pelas paisagens que dele disfrutamos.

 

Para os amantes de fotografia é um local ideal para se captarem boas imagens: com calma e paciência.

 

E estamos com o autor do post PR - G 94 - Muíños de Folón e Picón [Galiza] (darasola), quando lhe dá 5 estrelas e considera este PR um "must do".

 

Para a elaboração deste post, servimo-nos da seguinte literatura:


* De Francisco Xavier Torres Goberna - Muíños de O Folón y O Picón (O Rosal) no seu blogue «Historia y arqueología. Naturaleza: Flora y fauna. Rutas e itinerarios», foi o texto mais consultado. E depois:

Cultura de Galicia - Todos los molinos do Folón y do Picón (O Rosal) son ya Lugar de Interés Etnográfico

Destino Infinito

El País - La ladera de los molinos

Galicia Máxica - Molinos de O Folón | GALICIA MAXICA

PR - G94 - Muíños de Folón e Picón [Galiza] (darasola)

Geocaching - Muiños de Folón-Picón

La Ruta de los Muiños do Folón e do Picón - Paisajes bucólicas e historia viva

La Voz de Galicia - Una reparadora escalada a los molinos de O Picón e O Folón

La Voz de Galicia - Localizan las canteras de las ruedas de los molinos del Folón y el Picón


Unarutacadadia - Molinos del Folón y del Picón

* Vigo en Familia - Muiños do Folón e do Picón. Una ruta única en Europa

VISITA A LOS MOLINOS DE O FOLÓN Y DE O PICÓN

Wikipedia - Molinos del Folón y del Picón

55.- WDS 02.- Molinos_del_Folón_y_del_Picón_-_Folón_&_Picón_watermills


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Sexta-feira, 29 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Parque Natural do Monte Aloia (III)

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

49a.- Rota do Monte Aloia (498)

 

- «Andaina» pelo Parque Natural Monte Aloia -


20.maio.2018

 

"Unha paisaxe chamativa
é o esqueleto que aproveitan
moitos pobos primitivos
para ergue-los seus mitos de importancia social".

 

KevinLynch

 


C.- TROÇOS («TRAMOS») DA PARTE DE TARDE


6.- Trilho Botânico

 

Este troço («tramo») da nossa «andaina» atravessa o «arboreto ilustrado» do Parque Natural,

50.- Rota do Monte Aloia (441)

onde a mão do Eng. Rafael Areses aqui teve mais intervenção, como seja, a introdução de espécies exóticas.

51.-Rota do Monte Aloia (451)

Percorrendo este troço, onde os regos de água não faltam,

52.- Rota do Monte Aloia (527)

em especial o ribeiro Tabernas,

53.- Rota do Monte Aloia (484)

 com as suas pequenas quedas de água e poças.

54.- Rota do Monte Aloia (513)

Através dos placares informativos, podemos identificar e conhecer as diversas espécies exóticas, à mistura com as autóctones.

55.- Rota do Monte Aloia (456)

Percorrido o pequeno trilho botânico, com o calor a apertar, apesar das sombras, um ou outro caminheiro(a) aproveita, nos vários bancos pelo percurso espalhados, para descansar.

56.- Rota do Monte Aloia (532)

No final do trilho, vamos ao encontro da Casa dos Engenheiros Florestais (do Monte)

57.- Rota do Monte Aloia (511)

bem assim do Centro de Receção e de Interpretação do Parque - «Casa Engenheiro Rafael Areses».

58.- Rota do Monte Aloia (501)

Aqui nos demoramos um bocadinho a ver este edifício tão característico e, saindo definitivamente do bosque botânico,

59.- Rota do Monte Aloia (539)

juntámo-nos para percorrer um outro troço («tramo») - o trilho do Rego de Pedra.

60.- Rota do Monte Aloia (537)

Mas os nossos amigos caminheiros de AndaTui não nos deixaram sair deste local sem, com um pequeno desvio, ir ver uma das «joias da coroa» do «seu» Parque - a Faia.

61.- Rota do Monte Aloia (553)

Estará muito perto dos 100 anos, dizem. A sua copa cobre mais de 40 metros de superfície. O seu tronco, é o que se vê,

62.- Rota do Monte Aloia (556)

com, estas duas caminheiras, entre muitas outras, a abraçarem o seu tronco.

 

7.- Trilho do Rego de Pedra


O Rego da Pedra

63.- Rota do Monte Aloia (589)

 que dá o nome a este troço, bem assim a um trilho, foi construído entre 1955 e 1958. A sua finalidade era o transporte de água para os campo de cultivo de Frinxo.

64.- Rota do Monte Aloia (592)

Hoje em dia, é apenas uma memória. Percorrendo este trilho,

65.- Rota do Monte Aloia (600)

quer o seu «rego»,

66.- Rota do Monte Aloia (593)

quer os pequenos «embalses», que o constituíam,

67.- Rota do Monte Aloia (605)

(«Embalse» I)

68.- Rota do Monte Aloia (603)

(«Embalse» II)

estão totalmente secos.


Gostámos de ver, no final da descida, em Frinxo, a sua bonita capela, com uma linda oliveira, por perto.

69.- Rota do Monte Aloia (608)

 

8.- Trilho dos Moinhos de Tripes


O rio Tripes, conhecido geograficamente como o «Rego Cotarel»,

70.- Rota do Monte Aloia (748)

 nasce no Monte Aloia, no Alto de San Xiao. É um afluente do rio Minho e divide as paróquias tudenses de Pazos de Reis e Randufe.

 

Os Moinhos de Tripes estão situados na parte inferior do Parque Natural do Monte Aloia, perto do Castro do Monte dos Castros (que, infelizmente, não tivemos tempo de visitar).

 

As suas margens estão salpicadas de moinhos

71.- Rota do Monte Aloia (668)

atravessando bosques,

72.- Rota do Monte Aloia (623)

com vegetação variada.

73.- Rota do Monte Aloia (671)

Fizemos este percurso, a partir de Frinxo, descendo.

 

A maior parte destes moinhos tê mais de 200 anos,

74.- Rota do Monte Aloia (647)

bem como uma ou outra casa, que fomos encontrando, - são casas-moinho.

75.- Rota do Monte Aloia (714)

Valeu a pena fazermos uma ou outra paragem - apesar da pressa e da horas tardia -, pois ainda tínhamos um percurso pedestre para fazer, para contemplarmos a beleza destes moinhos,

76.- Rota do Monte Aloia (710)

pelos quais correm águas cristalinas,

77.- Rota do Monte Aloia (684)

as suas pontes de madeira e passarelas

78.- Rota do Monte Aloia (627)

e as suas cascatas.

79.- Rota do Monte Aloia (662)

Na parte final do nosso troço («tramo») - início oficial do trilho dos Moinhos de Tripes -, existe esta curiosa varanda («balcón»). Nela, uma imagem.

80.- Rota do Monte Aloia (734)

Em frente a esta varanda, um moinho, casario, campos de cultivo, vinhedo e uma ponte.

81.- Rota do Monte Aloia (718)

(Perspetiva I)

82.- Rota do Monte Aloia (732)

(Perspetiva II)

Feito o troço («tramo») dos Moinhos de Tripes, há que regressar ao autocarro

83.- Rota do Monte Aloia (755)

para, conforme Mapa abaixo, sairmos do ponto 1 - Parque Natural do Monte Aloia - nos deslocarmos ao ponte 2 - O Rosal -, para, em final de dia, ainda fazermos um pequeno percurso de 4 Km, para visitarmos e contemplarmos um conjunto de moinhos espetaculares - os Moinhos do ribeiro O Folón e os Moinhos do ribeiro O Picón.

84.- Mapa das andainas Monte Aloia e Molinos O Folón e O Picón

O nosso percurso pelo Parque Natural do Monte Aloia foi de 17, 8 Km, conforme app do nosso S Health indica,

85.- IMG-20180619-WA0003

com uma velocidade e um desnível que o quadro abaixo exibe.

86.- IMG-20180619-WA0005

 


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Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Parque Natural do Monte Aloia (II)

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

00.-

 (Fonte:- https://spotlight.it-notes.ru/images/eaaeab9bfd03bb68bb9a1835b51b6882)


- «Andaina» pelo Parque Natural Monte Aloia -


20.maio.2018

 

 

"Hoy el Monte Aloia es una sinfonía de color en las alturas
que cambia con cada estación:
el amarillo del tojo y la retama, el blanco de la jara, el lilaz del brezo...".

 

 


B.- TROÇOS («TRAMOS») DA PARTE DA MANHÃ

 

Os percursos pedestres, no Parque Natural Monte Aloia, na sua maior parte, partem da Casa do Engenheiro Rafael Areses Vidal ou Casa Forestal Enxeñeiro Areses, construída em 1921, atual Centro de Receção de Visitantes e Centro de Interpretación de la Naturaleza.

 

Oficialmente são conhecidos os seguintes:


* Trilho de Cabaciñas - Poza de Cabanas: uma pequena subida ao miradouro de Cabaciñas;
* Trilho dos Moinhos de Paredes: parte da Casa Florestal Eng. Rafael Areses, visitando o lugar de Paredes.
* Trilho do Rego da Pedra: atravessamento do sulco ou Rego de Pedra e pela «Senda» Botânica.
* Trilho do Castro Alto dos Cubos: vai desde Frinxo, subindo até às excavações do Castro.
* Trilho dos Moinhos de Tripes: percurso paralelo ao rio Tripes, visitando seus moinhos.
* «Senda» Botánica: em 400 metros, e mediante jogos, mostra-se a variedade da flora do Parque.
* PR-G1 Galiñeiro: desde este pico Galiñeiro (709 m) domina-se um extenso panorama do sul da província de Pontevedra.
* PR-G2 Aloia: bonito e fácil percurso que nos conduz, de norte a sul, pelas encostas da serra do Galiñeiro, finalizando no Monte Aloia ou de San Xiao (São Julião).

 

O Club de Sendeiristas de Monterrei, em colaboração com os amigos(as) caminheiros(as) do Club Deportivo AndaTui RegodaPedra, no passado dia 20 de maio, organizou um conjunto de troços («tramos») que nos permitiu, a pé, conhecer, na sua glabalidade, o essencial do Parque Natural Monte Aloia.

 

Neste sentido, vamos dar a conhecer aos nossos leitores - muito esquematicamente - o que foi o nosso percurso («andaina»), por troços («tramos») ao longo do Parque Natural Monte Aloia:

 

01.- Rota do Monte Aloia (4)

 

1.- Trilho dos moinhos de Paredes ou de O Deique

 

02.- Rota do Monte Aloia (6)

 Começámos o nosso percurso pedestre no Parque Natural do Monte Aloia seguindo este trilho, que se desenvolve por um conjunto de 7 moinhos,

03.- Rota do Monte Aloia (18)

 (Aspeto de um dos moinhos)

04.- Rota do Monte Aloia (28)

 (Aspeto de outro moinho)

ao longo do ribeiro O Deique, um afluente do rio Louro, que nasce no Monte Aloia,

05.- Rota do Monte Aloia (25)

correndo por entre uma abundante vegetação, em que primam, pela sua presença, estes fetos endémicos.

06.- Rota do Monte Aloia (16)

Mas com subidas de meter respeito!

07.- Rota do Monte Aloia (15)

 

2.- Dos moinhos de Paredes à capela de San Fins


Foi um percurso menos aliciante.

08.- Rota do Monte Aloia (53)

A vegetação era pouco apelativa para o nosso gosto. Neste troço, a vertente da exploração do monte, para fins vincadamente económicos, é bem patente, imperando, particularmente, as espécies como o eucalipto e o pinheiro bravo.

09.- Rota do Monte Aloia (64)

Seria de todo bem melhor continuarmos ao longo das margens de O Deique. Para o efeito, seria necessário o seu desmate e limpeza. Aqui fica uma sugestão.

 

Valeu, contudo, a boa disposição

10.- Rota do Monte Aloia (78)

e a camaradagem das gentes do Club de AndaTui,

11.- Rota do Monte Aloia (55)

bem assim, à chegada, por uma estrada local asfaltada,

12.- Rota do Monte Aloia (98)

o reencontro com o ribeiro de O Deique, com a sua água cristalina

13.- Rota do Monte Aloia (87)

e a zona de lazer, onde se encontra a capela de San Fins.

14.- Rota do Monte Aloia (114)

 

3.- Da capela de San Fins à Pedra do Acordo


Saindo da aprazível zona de lazer da capela de San Fins,

15.- Rota do Monte Aloia (121)

há que, atravessando a estrada local, saltar para o monte.

16.- Rota do Monte Aloia (125)

este troço foi mais aprazível, não só quanto ao esforço

17.- Rota do Monte Aloia (138)

como à paisagem envolvente, acompanhada de curiosas formações rochosas.

18.- Rota do Monte Aloia (151)

Num «tiro»,

19.- Rota do Monte Aloia (141)

fomos ter à Pedra do Acordo.

20.- Rota do Monte Aloia (158)

Nesta Pedra

21.- Rota do Monte Aloia (162)

se estabelecem os limites de 3 concelhos - Gondomar, Porriño e Tui - e de 5 paróquias - Malvas, Pazos de Reis, Rebordans, Morgadans e Chenlo. As informações que obtivemos dos amigos caminheiros de AndaTui apontavam para as seguintes paróquias: Rebordans, Malvas, Randufe, Pazos de Reis e San Xosé de Prado.

 

Esta Pedra, que parece insignificante, tem 10 séculos de história.

 

4.- Percurso dos Miradouros


4.1.- Miradouro Cabaciñas


Da Pedra do Acordo, o nosso percurso agora decorre pela zona dos miradouros. Decidiu-se não fazer todos os miradouros, mas apenas três, percorrendo um trilho a subir, no qual, para além de formações rochosos tão peculiares como esta,

22.- Rota do Monte Aloia (168)

à nossa direita, encontrávamos o pico mais alto da serra do Galiñeiro.

23.- Rota do Monte Aloia (177)

Até que, numa ligeira subida, vamos ao encontro do miradouro natural de Cabaciñas.

24.- Rota do Monte Aloia (188)

(Perspetiva I)

25.- Rota do Monte Aloia (208)

 (Perspetiva II)

Ao longe, o encontro de terras portuguesas e galegas, através da ponte internacional, tendo como fronteira natural o rio Minho.

26.- Rota do Monte Aloia (189)

À saída deste promomtório, uma figura granítica sui generis, aparentada com uns socos holandeses.

27.- Rota do Monte Aloia (226)


4.2.- Miradouro Eng. Areses


Em breve trecho, naproximámo-nos do Miradouro do Engenheiro Rafael Areses Vidal.

28.- Rota do Monte Aloia (265)

Gravada na enorme rocha que o suporta, esta citação:

 

"El arbol es la belleza en las cumbres,
Es la abundancia y la fertilidad en los valles,
Es pan y riqueza en las regiones"


                                                       Acervino

29.- Rota do Monte Aloia (248)

Eis o miradouro, trabalhado, artisticamente, em cimento.

30.- Rota do Monte Aloia (259)

E algumas das «belezas» do grupo aqui possando para a objetiva.

31.- Rota do Monte Aloia (254)

Deste miradouro, a panorâmica não é grande coisa. Possivelmente, a frondosa vegetação que o rodeia tirou-lhe as vistas.

32.- Rota do Monte Aloia (261)

 

4.3.- Miradouro Grande Cruz de Pedra

 

É o mais conhecido. Nele se encontra uma grande cruz, construída em 1900, para celebrar, naquele ano, o Ano Santo.

33.- Rota do Monte Aloia (302)

Daqui pode-se contemplar, numa ampla panorâmica, todo o vale do rio Minho.

34.- Panorâmica desde o Miradouro da Cruz - Monte Aloia

(Cenário I)

35.- Rota do Monte Aloia (350)

(Cenário II)

Antes de aqui chegarmos, temos de fazer a nossa via crucis,

36.- Rota do Monte Aloia (294)

ladeada de variado arvoredo.

37.- Rota do Monte Aloia (300)

E, como não podia deixar de ser, num lugar como destes, a fotografia da praxe do grupo.

38.- Rota do Monte Aloia (344)

À saída do miradouro, não faltaram as incrições, na pedra granítica, de exaltação à árvore.

39.- Rota do Monte Aloia (355)

E, à vinda para o Santuário/Ermida de San Xiao, de Nossa Senhora das Angústias e de San Fins, onde, numa das suas dependências, se realizou o nosso almoço, não deixámos de dar uma olhadela para a «cama de San Xiao».

40.- Rota do Monte Aloia (360)


5.- Santuário de San Xiao, San Fins e Nossa Senhora das Angústias


Este lugar é o mais conhecido e visitado no Parque Natural Monte Aloia. Não só por ser um recinto de peregrinação, festa e romaria , mas por ser também uma área recreativa, com apoio de serviços, nomeadamente, restaurante com café/bar.

41.- Rota do Monte Aloia (433)

Como já aludimos, é um Santuário/Ermida,simples, de origem românica, reconstruido no século XVIII, e no qual se veneram três santos: San Xiao (São Julião), a Virgem das Angúatias e San Fins.

42.- Rota do Monte Aloia (393)

Vejamos agora dois pormenores desta Ermida, como a sua fachada principal,

43.- Rota do Monte Aloia (401)

e, na mesma, lateralmente, um relógio de sol.

44.- Rota do Monte Aloia (408)

Nas suas proximidades, e nas imediações da área de serviços, umas largas e longas escadas levam-nos à Fonte do Santo (San Xiao) ou, como também é mais conhecida, a Fonte do Bispo.

45.- Rota do Monte Aloia (369)

Perante o porte de algumas das suas árvores neste lugar, algumas das nossas companheiras/caminheiras não resistiram em abraçá-las.

46.- Rota do Monte Aloia (377)

Foi numa das dependências do Santuário /Ermida que foi servido o nosso repasto.

47.- Rota do Monte Aloia (411)

No fim do mesmo, cantámos os parabéns ao companheiro/caminheiro Lucas que neste dia fazia anos.

48.- Rota do Monte Aloia (423)

Quantos? Não sabemos. Melhor, sabemos, mas não dizemos. A partir de certa altura, a idade já não conta. A experiência é que vale tudo. E, no nosso club, as funções de ecónomo e de amunuense é com ele. Não tem rival!

49.- Rota do Monte Aloia (418)


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Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

Gallaecia - Memórias de um andarilho:- Parque Natural do Monte Aloia (I)

 

 

GALLAECIA - MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

B.- Foto 3

 (Fonte:- https://wall.alphacoders.com/big.php?i=777992&lang=German)


- «Andaina» pelo Parque Natural Monte Aloia -
20.maio.2018

 

A.- Rota do Monte Aloia (276)

 

"Quero morrer
fundirme no chan
pudirme todo
antre a terra.

 

Esquecerme da lus
e da choiva,
non lembrar xa
os solpores vermellos
e que de min
o que antes fora eu
naza un carvallo..."

 

Xan Bouzada
Poemas Xóvenes galegos

 

 

A.- PALAVRAS PRÉVIAS

 

Era uma vez...

 

É assim que invariavelmente começamos qualquer história que queremos contar aos nossos filhos e/ou netos pequeninos, quandos os queremos adormecer.

 

Nosso intento de hoje não é adormecer o leitor. É mesmo contar uma breve e simples história. De um lugar galego, fronteiriço com terras portuguesas que, entre muitas das suas atrações, dá para, em certos dias, aproveitar para, num dos seus muitos recantos, adormecer.

 

Mas não só.

 

Vamos então à história.

 

Era uma vez uma elevação montanhosa que faz parte, a sul, da serra do Galiñeiro, no concelho de Tui, província de Pontevedra, declarada Parque Natural a 4 de dezembro de 1978 - o primeiro da Galiza. Está também declarado LIC (Lugar de Interesse Comunitário) e Sítio Natural de Interesse Nacional (1935), Zona de Especial Proteção de Valores Naturais e espaço da Rede Natura 2000.

 

Pergunta natural: a que se deve tantos apodos?

 

Comecemos pelo monte. Nele encontramos vegetação com valores naturais destacáveis, uma flora autóctone, misturada com espécies atlânticas e mediterrâneas, algumas espécies endémicas e espécies florestais exóticas, alheias a este meio ambiente, como os ciprestes e os cedros do Líbano, entre outras, dando, desta feita, a este lugar uma enorme diversidade arbórea.

 

O responsável por este estado de coisas, ou seja, pela circunstância de 746, 29 ha do monte, propriedade da Comunidad Veciñal de Montes en Man Común de Rebordáns e de la Entidad local Menor de Pazos de Reis, 81% estar coberto de árvores, foi o engenheiro de Montes (florestal), natural de Tui, Rafael Areses Vidal, membro do Distrito Florestal de Pontevedra-A Coruña, que, a partir de 1910, o mandou repovoar, mudando por completo a antiga fisionomia rochosa que este monte apresentava.

 

Convém, desde já, informar o leitor que o engenheiro tudense, Rafael Areses Vidal, não era um fervoroso adepto da dita silvicultura gernâmica, teoria predominante na 2ª metade do século XIX, que considerava as árvores como elementos fundamentais de um equilíbrio natural, numa visão humboldtiana; pelo contrário, Areses Vidal foi, enquanto responsável florestal, o intérprete do monte ou bosque como fornecedor de madeira (função essencialmente económica, com poucas preocupações sociais), na esteira do pensamento todo poderoso de Otavio Elorrieta, Diretor Geral dos Montes na Ditadura de Primo de Rivera, que fazia a apologia da plantação na floresta de espécies de crescimento rápido, aplicando-se e defedendo-se, assim, para a silvicultura «mediterrânea» uma gestão privada do monte face à pública, compatibilizando os diferentes usos (agricultura e pastorícia) no mesmo espaço florestal.

 

Contudo, apesar de se saber que Rafael Areses Vidal era um defensor do predomínio das explorações florestais de espécies de crescimento rápido, como o pinheiro bravo, não esqueceu, todavia, as espécies tradicionais, como o carvalho e o castanheiro, propondo, para o efeito, uma repovoação seletiva nos sítios mais apropriados, defendendo o valor das massas arbóreas mistas, de um ponto de vista ecológico e sanitário.

 

É exatamente esta visão que verificamos quando, percorrendo o Parque Naural Monte Aloia, nele vemos espelhada. O Monte Aloia tem um predomínio absorvente da silvicultura intensiva, com intuito de trazer rendimentoa a curto prazo.

 

Os endemismos, as espécies autóctones e as exóticas não passam de simples «nichos» no Monte Aloia, apesar de constatarmos, no pensamento final do engenheiro Rafael Areses, uma maior sensibilidade para as funções sociais do bosque, ao mesmo tempo que defendia a valorização estética do mesmo, propondo que, nas repovoações, se harmonizasse o «útil com o belo».

 

Em suma, há que ver o Monte Aloia, sob o ponto de vista florestal, não só no pensamento vigente à época da sua intervenção, em particular da do seu principal agente «criador».

 

Concordando-se ou não com o engenheiro Rafael Areses Vidal, e particularmente com aquilo que o Parque Natural Monte Aloia hoje é, sob o ponto de vista florestal, para os nossos vizinhos galegos, ele constitui uma paisagem de singular beleza.

 

E quem somos nós, meros e simples curiosos da natureza, para discordar?...

 

O Parque Natural Monte Aloia apresenta hoje em dia uma grande diversidade arbustiva que, em conjunto com os seus regatos, criaram uma importante fauna e flora.

D.- Foto

 (Fonte:- http://www.turismo.gal/que-visitar/espazos-naturais/parques-naturais/monte-aloia?langId=pt_PT)


No que respeita à flora, o Monte contém cerca de 450 espécies, das quais, 30 são endemismos da Península Ibérica. Nos matagais, destacam-se a Linaria saxatalis, Halimium lasianthum e a centaura aloiana. Quanto a árvores, destacam-se o pinheiro (bravo), o azevinho, o carvalho (robur), o castanheiro, o sobreiro, o salgueiro, o amieiro, o vidoeiro e o loureiro, entre outras, para além das espécies exóticas introduzidas pelo engenheiro Rafael Areses Vidal, como já referido.

 

Também é interessante a abundância de «hongos» (Tricholoma pseudoalbum gallaecicum), como é só conhecido na Galiza. Os líquens estão representados por 10 espécies.

 

Um dos grupos de animais que são únicos em Aloia são os anfíbios e reptéis, presentes nas rochas, regos e charcos, face à abundância de precipitação durante grande parte do ano. Enumeramos alguns: o sapo corredor (Bufo calamita), o tritão ibérico e jaspeado, a salamandra rabilarga, comúm, a rã ibérica (Rana iberica), a salamandra lusitânica (Chioglossa lusitanica) o largarto de água (Lacerta schreiberi), o licranço (Anguis fragilis), a cobra-de-pernas-pentadáctila (Chalcides bedriaga), a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), a cobrade-água-viperina (Natrix maura), de colar, o lagarto ocelado, o verde e negro, e a lagartixa de Bocage (Podarcis bocagei) são as espécies mais destacadas. Face à abundância destes animais, esta zona foi considerada como de interesse herpetológico.

 

Entre as aves destacam-se o gavião, o açor, o milhafre , o búteo, o mocho e a coruja.

 

Quanto aos mamíferos, vemos a Desmana moschata pirenáica, a rata de água, o ésquilo, o javali, a raposa, a fuinha, o morcego, o cavalo selvagem, entre outros.

E.- Foto

 (Fonte:- http://www.turismo.gal/que-visitar/espazos-naturais/parques-naturais/monte-aloia?langId=pt_PT)


No que respeita a peixes, são abundantes as bogas (Chondostroma arcasii).

 

Mas o Parque Natural Monte Aloia não é só massa arbórea, monte ou floresta, com a sua específica flora e fauna.

C.- Foto 1

 (Fonte:- http://www.nonstop.es/acercate-contemplar-el-parque-natural-monte-aloia/)


É um lugar onde podemos disfrutar de amplas vistas, nos seus mais diversos miradouros, em que o Monte de Santa Tecla, as serras de Groba e do Galiñeiro, o vale do rio Louro, os montes de Budiño e a Paranta e, no seu pólo sul, o rio Minho e as terras fronteiriças portuguesas, com Tui a nossos pés, são lugares de eleição para nossa contemplação.

 

Mas também não é só de espaço natural e de belas panorâmicas, de que Monte Aloia é feito. É repositório de restos históricos e etnográficos, desde moinhos, com condução de águas, povoados pré-históricos (Castro do Alto de Cubos), achados arqueológicos, uma muralha ciclópica de 1 250 metros de longitude - uma citânia com 20 000 anos -, que rodeia a meseta superior do Pico de San Xiao, onde se localiza o Santuário/Ermida de San Xiao (São Julião), San Fins e Nossa Senhora das Angústias.

 

No Parque Natural Monte Aloia não faltam as lendas. As mais conhecidas são a da cama de San Xiao, onde, ao seu redor, a erva não medra, e a que se conta acerca das éguas do Monte Aloia que são fecundadas pelo vento. Este é também conhecido como o mítico Monte Medulio, cenário da coletiva das tribos celtas, que preferiram o suicídio a cairem nas mãos dos romanos.

 

O Parque Natural Monte Aloia, no seu alto, é um lugar de peregrinação. No Alto de San Xiao, à altitude de 631 metros, e no seu Santuário ou Ermida, de origem românica, reconstruída no século XVIII, celebram-se três festas ou romarias tradicionais: em 27 de janeiro, em honra de San Xiao (São Julião), em que a tradição manda os crentes virem a pé, desde a cidade de Tui até à Ermida; no primeiro domingo de julho, à Virgem das Angústias e, finalmente, no primeiro de agosto, a San Fins.

 

Nas proximidades deste Santuário encontra-se umas longas e largas escadas que nos conduzem até à Fonte do Santo (San Xiao) - também chamada Fonte do Bispo, de Tui - ladeadas de mesas merendeiras e árvores de grande porte.

 

Por último, o Parque Natural Monte Aloia, situado numa zona densamente povoada da Galiza e do Norte de Portugal, orienta-o para atividades de educação ambiental e, como não podia deixar de ser, para atividades de ócio ao ar livre, destacando-se, fundamentalmente, os percursos pedestres.


Para os leitores que queiram informar-se mais pormenorizadamente, e a fundo, sobre este primeiro Parque Natural da Galiza, e que por nós foram atentamente lidos, segue-se uma lista de sítios da internet, que, também, podem consultar para o efeito:


Parque Natural Monte Aloia/Galicia, o bom camino - Xunta da Galicia

Parque Natural Monte Aloia

O Monte Aloia, Vida y Naturaleza

Galicia, Natural e Única

DescubreCadaDía

Galicia Mágica.eu

Entidad local Menor - Pazos de Reis


Plan Reitor de Uso e Xestión - Parque Natural do Monte Aloia


 Do homem que deixou ligado o seu nome ao Parque Natural do Monte Aloia, Eng. de Montes (Florestal), o tudense Rafael Areses Vidal, eis também os sítios, onde podem obter um maior conhecimento da sua vida e da sua atividade profissional:


Os comezos da repoboación forestal en Galicia

Rafael Areses Vidal - Wikipédia

Pazos de Reis - Monte Aloia


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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

Memórias de um andarilho - Parque Nacional da Peneda-Gerês - Trilho da Águia do Sarilhão

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

PELO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS (PNPG)

01.- vestigios_desenho_gerês_2

 (Fonte:- https://www.wilder.pt/divirta-se/medronheiros-carvalhos-e-lagartos-dagua-no-trilho-da-aguia-do-sarilhao/)

 

TRILHO DA ÁGUIA DO SARILHÃO

 

10.abril.2018

 

 

 

Estas pequenas comunidades que nos restam,
Rio de Onor, Vilarinho da Furna, Laboreiro,etc., estão na última agonia.
o estado já não as pode tolerar, alheias à vida da nação,
estrangeiras dentro do próprio território.
Por isso, manda-lhes ao coração o golpe de uma estrada
e a isca de uma camioneta dum sardinheiro.
E assim, um a um se vão apagando estes pequenos enclaves,
não digo de paradisíaca felicidade, mas de uma humana e natural liberdade.
Uma vida social assim, apenas acrescida de ciência e cultura, seria ideal.
Antes de mais, o homem começou aqui a formar uma consciência cívica e fraterna,
fundada em amor, e fez depois as reformas consoantes.
Mas parece que se resolveu matar primeiro o homem e a sua harmonia espontânea,
e construir então sobre cadáveres o futuro.

 

Castro Laboreiro, 24 de Agosto de 1948
Diário IV, Miguel Torga

 


Estou a vingar-me mais uma vez, a olhar esta Jeira Romana e os seus marcos delidos.
Estou a vingar-me de quantos Césares o mundo tem dado,
convencidos de que basta mandar fazer calçadas e pontes,
gravar uma coluna a era e o nome,
para que a eternidade fique por conta deles.
Os palermas! Pois venham cá ver a eternidade!
Uma estrada mais larga e menos dura ao lado da velha,
e as datas e os nomes apagados no granito.

 

Gerês, Bouça da Mó, 15 de Agosto de 1948
Diário IV, Miguel Torga

 

 


Ao contrário do que tem acontecido nestes últimos anos, entre os meses de abril e maio, que, com o Florens, percorríamos os Caminhos de Santiago, na Gallaecia (Ibéria), este ano mudámos de rumo e fomos ao encontro do nosso Portugal mais profundo.

 

O nosso destino foi o Parque Nacional da Peneda-Gerês, mais particularmente a serra do Gerês, nas Terras de Bouro, com assento na vila termal do Gerês.

 

Gerês, uma das primeiras instâncias para onde o nosso poeta maior transmontano, religiosamente, durante alguns anos, para lá se dirigia para tratar os seus achaques.

 

Andarilho que era, nestas suas estadias percorreu, muitas vezes sem parar, todos os escaninhos (ou andanhos) deste Parque Nacional, constituído pelas serras da Peneda, do Soajo, da Amarela e do Gerês.

02.- Mapa_PenedaGeres

(Fonte:- https://gotoportugal.eu/pt/sitios-a-visitar-parque-nacional-da-peneda-geres/)

Por tal facto, não é de estranhar que, no seu Diário, nos deixe algumas das suas impressões, não só sobre as gentes que, por essas serranias viviam, e com quem se cruzava, como pelo território, sua história, cultura e natureza e que alguma da sua poesia tenha sido inspirada por estes lugares.

 

E não é, por isso, de estranhar que este trilho - com a designação PR 5 - Águia do Sarilhão - pertença a uma rede de percursos pedestres do Parque Nacional intitulada “Na Senda de Miguel Torga”, criada em homenagem ao escritor.

 

Logo que nos acomodámos e almoçámos, de tarde, começámos a andar.

 

Começámos o Trilho da Águia do Sarilhão nas imediações do Parque de Campismo da Cerdeira (Campo do Gerês), da freguesia de S. João do Campo, embora, antes, tenhamos ido à Porta do Campo de Gerês, Terras do Bouro.

03.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (128)

Não é nosso intento falar aqui detalhadamente sobre os diferentes troços do trilho. Mas não podemos deixar de frisar que na Porta do Campo de Gerês se encontra o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna,

04.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (133)

e que, ao sairmos da Porta e do Museu, chamou-nos a atenção este cruzeiro da freguesia de Campo do Gerês.

05.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (131a)

Vendo-o mais em pormenor,

06.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (131)

realçamos uma constatação - a junção do «mundo» romano, com os seus miliários, (da Via XVIII ou Geira) com o «mundo» cristão, simbolizado no crucifixo. (*)

 

E foi precisamente refletindo sobre estes dois «mundos» que, enquanto caminhávamos pelas veredas do trilho,

07.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (6)

seguindo atrás do Florens,

08.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (7)

umas vezes, tendo cuidado com as enormes torgas floridas que, aqui e ali, entupiam a mal reparada vereda, onde também podemos encontrar áreas de mato e pinhal, de vegetação ribeirinha, de medronhal (Arbutus unedo) e de carvalhal (Quercus robur), mas também mas também termentelo (Thymus caespititius), erva-dos-piolhos (Pedicularis sylvatica) e algumas margaridas-do-monte (Chamaemelum nobile),

09.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (15)

outras vezes, estando atento às diferentes linhas de água que, atravessando o pedregoso caminho,

10.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (22)

íam dar ao ribeiro de Roda,

11.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (9)

e, outras vezes ainda, observando o curioso Florens, captando os pequenos pormenores da natureza por onde passávamos,

12.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (13)

avistamos a Fraga do Sarilhão, onde a águia-real (Aquila chrysaetos) construía os seus ninhos. É uma espécie com estatuto de proteção, em perigo de extinção, característica de vales alcantilados e de zonas de fragas, onde, habitualmente, constrói os ninhos.

13.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (25)

Hoje em dia a águia já não anda por estas paragens. Apenas pudemos apreciar parte do seu entorno.

14.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (28)

Nem tão pouco vimos as Silhas dos Ursos, estruturas que protegiam os cortiços do apetite por mel do urso-pardo (Ursus arctos) que vagueou por estas terras até meados do século XVII. Amanhã vamo-nos aproximar de duas.

 

Mais um pouco a descer, sob intensa chuvada, e estávamos num caminho florestal, em frente à albufeira de Vilarinho da Furna.

15.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (36)

Aqui, mesmo preocupado com a chuva, que caía intensamente, não esquecíamos as palavras de Miguel Torga, vertidas no seu Diario, a 24 de agosto de 1948. Ainda, nessa altura, o nosso grande poeta transmontano falava das terras, como Vilarinho da Furna, como estando na última agonia, estrangeiras dentro do seu próprio território, estes enclaves de genuína cultura lusitana, onde, apesar da extrema pobreza, estavam prenhes de uma humana e natural liberdade, a que apenas lhes faltava, para termos comunidades ideais, a ciência e a cultura, porquanto o verdadeiro ser português, feito de consciência cívica e fraterna, fundada em amor, ali estava!

 

E, no final da entrada deste dia 24 de agosto de 1948, Miguel Torga queixava-se que se tinha resolvido matar primeiro o homem e a sua harmonia espontânea e, depois, construir então, sobre cadáveres, o futuro!

 

Olhámos uma vez mais para esta albufeira,

16.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (35)

(Cenário I)

17.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (43)

(Cenário II)

18.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (54)

(Cenário III)

nossos olhos, neste mês chuvoso de abril, nem sequer já vimos o cadáver de todo o património edificado de uma comunidade, que ficou soterrada nas águas do rio Homem, a partir de maio de 1972, espalhando as poucas gentes que tinha pelos quatro cantos de Portugal e do mundo!

 

Apenas restou o testemunho (etnográfico) de uma vida genuinamente portuguesa (e ibérica) - o comunitarismo...

 

Estamos com Manuel Azevedo, Lucinda Coutinho Duarte e João Pedro Reino, do CEPAD - Centro de Estudos da População, Ambiente e Desenvolvimento, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, quando, numa comunicação ao IV Congresso Ibérico sobre Gestão Planificação da Água (8 a 12 de dezembro de 2004, Tortosa, Espanha), sob o título «Barragens em Portugal: de Vilarinho da Furna à Aldeiad a Luz, com passagem pelo Douro Internacional», quando, a certo passo da comunicação, dizem: "Não fosse a sua riqueza etnográfica e a construção da barragem que pôs termo à sua existência e Vilarinho da Furna seria hoje uma aldeia esquecida, anónima como o seu passado, qual pérola perdida na vastidão das serras do Minho. Mas tal não aconteceu porque os olhos dos etnólogos descobriram em Vilarinho uma relíquia da velha organização comunitária, hoje agonizante, mas outrora muito difundida na Europa. Mesmo sem ser um caso único, o comunitarismo de Vilarinho era, pelo menos, um caso invulgar".

 

É, manifestamente, uma constatação!

 

Mas já não estamos com o otimismo que, na mesma comunicação, os autores evidenciam, ao afirmarem que: "Apesar da destruição da aldeia, que ocasionou a dispersão da população, a morte transformou-se no princípio de uma vida nova para os Desenraizados de Vilarinho da Furna. Os anos passaram e, hoje, essa população está organizada n’AFURNA – Associação dos Antigos Habitantes de Vilarinho da Furna, criada em Outubro de 1985, que tem por objectivo a defesa, valorização e promoção do património cultural, colectivo e/ou comunitário do antigo povo de Vilarinho. Esse património é fundamentalmente constituído pelas componentes histórico-cultural e sócio-económica. Daí as tarefas e/ou acções a desenvolver nas áreas da cultura, da formação, da investigação científica e do desenvolvimento económico-social. O que trará consigo, além do mais, a criação de um pólo de desenvolvimento regional, com incalculáveis benefícios para o próprio país".

 

14 anos passados sobre estas palavras e pouco de realizações no terreno vimos. O Interior português, a matriz mais autêntica da nossa portugalidade, onde aí podíamos conhecer e beber, mais a fundo, a nossa própria identidade, está desaparecendo!...

 

E todos nós, sem exceção, somos responsáveis!

 

Enquanto efetuávamos este percurso, sob ainda uma intensa chuvada,

19.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (40)

não parava de nos azucrinar aos ouvidos as palavras do nosso Torga quando também entrámos na Geira [uma via romana, nome dado à Via XVIII do Itinerário Antonino, que era uma estrada militar construída, provavelmente, no último terço do séc. I d. C., ligando Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga, em Espanha). Um dos troços melhor conservados situa-se neste Parque Nacional, entre Campo do Gerês e Portela do Homem. Nesse percurso é possível obervar vestígios arqueológicos, tais como os marcos miliários (que assinalavam a milha romana, em grande parte epigrafados), ruínas de pontes, mutatios (estações de muda) e mansions (locais de descanso, mas que foram cobertos pelas águas da albufeira de Vilarinho da Furna)].

21.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (52)

Era um destes,

22.- 2009 -  Geira Romana(sony) 010

de entre muitos marcos, gravados e delidos, de que o poeta nos fala;

22a.- 800px-Trilho_da_Águia_do_Sarilhão_(4742862788)

era esta uma das muitas pontes - a Ponte de Eixões -

23.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (120)

(Perspetiva I)

24.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (121)

(Perspetiva II)

25.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (125)

(Perspetiva III)

dos romanos, a quem ele chama de palermas.

 

Percebe-se a ironia do nosso poeta. É bem verdade que paralela a esta via, corre uma outra bem mais larga! Mas estes vestígios aqui estão, dando prova do que foi a civilização romana por estas bandas e a luta tremenda dos povos autóctones na defesa do seu rincão.

 

Por todo o lado, enquanto caminhávamos, a constância do carvalho,

26.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (49)

da pedra e do verde,

27.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (56)

nas suas mais variadas situações.

28.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (74)

Agora percorremos o trilho em pleno asfalto.

29- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (58)

E aqui parámos, recolhendo-nos junto a este observatório de aves.

30.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (60)

Tendo aliviado um bocadinho a chuva, começámos a tirar fotos à albufeira/cemitério do lugar de uma comunidade,

31.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (61)

tendo à nossa frente a serra Amarela,

32.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (67)

correndo por ela um regato que, na aproximação ao lago artificial, nele se esvai em cascata.

33.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (68)

Mais um pouco, ao fundo, o paredão, em betão armado.

34.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (83)

Agora, nosso destino era a aldeia de Campo do Gerês. O verde sempre em nossa perseguição.

35.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (90)

Entrámos na aldeia.

36.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (94)

E deixamos aqui 5 cenários da mesma e do seu entorno:

37.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (95)

(Cenário I)

38.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (98)

(Cenário II)

39.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (103)

 (Cenário III)

40.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (106)

(Cenário IV)

41.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (112)

(Cenário V)

A saída da aldeia foi um pouco problemática por causa da sinalização deficiente e de árvores caídas. Mas conseguimos sair em direção ao nosso ponto de partida, por entre o verde

42.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (117)

e as constantes correntes de água,

43.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (115)

passando por uma área recreativa, com escola de equitação, nas proximidades da Porta.

44.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (142)

E, pasme-se, aqui fomos encontrar uma antiga aluna - Ana Sofia Machado - do Curso de Licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo, aqui a trabalhar.

44a.- 20180410_175356

Pastagens,

45.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (154)

e, como não podia deixar de faltar, uma legítima representante da raça barrosã, olhando-nos altiva, do alto do seu pasto.

46.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (143)

É indubitável que esta zona de Terras de Bouro está sendo recuperada para o turismo cultural e de naturaza.

 

E gostamos da forma como a construção é feita, aliando o aspeto arquitetónico com os nateriais endógenos - o granito.

47.- 2018.- Vila do Gerês+Trilho Águia do Sarilhão (157)

 Dados técnicos:

48.- IMG-20180622-WA0000

Distância e horas gastas a percorrer o trilho.

49.- Trilho Águi

Velocidade e elevação do trilho.

(*) Cruzeiro de São João do Campo 


O cruzeiro de Campo do Gerês, levantado num cruzamento de estradas da localidade, resulta do aproveitamento de um marco miliário romano do século III, facto curioso, mas ainda assim frequente ao longo das vias romanas. O miliário assinala a milha XXVII (desde Braga) da Geira ou Via Nova, ligando Braga (Bracara Augusta) a Astorga (Asturica), passando pelo Gerês. A Geira é a via romana melhor preservada em Portugal, contando com uns inéditos 230 miliários ao longo do seu percurso total; nas proximidades deste cruzeiro ergue-se ainda outro marco da mesma via, visível na berma da estrada. De resto, toda a região é abundante em vestígios de construções romanas, como pontes, vários padrões, e algumas ruínas de fortificações fronteiriças. Erguido durante a governação do Imperador Décio (249-251), o marco, epigrafado e de secção circular, exibe a seguinte inscrição latina: IMP CAES / G MISSO TR / DACO NVTO / PIO FEL AVG / P MAX TR P / PC IIII C II / P C A BRAC / M P / XXVII. Levanta-se actualmente sobre uma larga plataforma de três degraus circulares, baixos, sendo o conjunto abrigado por uma cobertura triangular em zinco vermelho, forrada a madeira no interior, e assente sobre três colunas dórico-romanas, com ligeira entasis. O crucifixo assenta directamente sobre o marco, sendo composto por uma cruz latina em granito, pintada num ocre terroso, onde figura um Cristo ingénuo e de proporções um pouco atarracadas.SML [Património Cultural (Direção-Geral do Património Cultural)]


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Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

Versejando com imagem - Sou um homem só, Benjamim Ferreira

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

SOU UM HOMEM SÓ

1772049


tenho a alma reumática de amargura
tenho o corpo hirto
cansado de aventura

caminho
sonolento
tropeçando em cada passo
em neve dura

que quero?

Talvez uma vida cheia de ternura
A balbuciar da criança só e nua
a alegria das gentes lá da rua

isso que tu sabes
só isso
a vida
mas é tua

 


benjamim ferreira,

Corpo Quebrado


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Sábado, 16 de Junho de 2018

Ao Acaso... Galáxia de Gutenberg - Chaves e Faro

 

 

AO ACASO...

 

GALÁXIA DE GUTENBERG - CHAVES E FARO

 

 

Enquanto dávamos uma vista de olhos ao livro «Portugal de Norte a Sul pela mítica Estrada Nacional 2», da Editorial Papa-Figos, coleção «Foge comigo!» - Guias de destinos, revivendo alguns dos seus troços que, nos anos 70 fizemos, quando  nos dirigíamos ao Algarve para passar férias, Ao Acaso, na etapa 20, a páginas 336, deparamo-nos com a seguinte notícia:

 

"Foi em Faro, no ano de 1487, que ocorreu a primeira impressão de um livro em Portugal. O tipógrafo Samuel Gacon, membro da comunidade judaica da cidade, foi o primeiro seguidor da técnica de impressão desenvolvida por Gutenberg, pelo ano de 1450, aplicando-a na impressão de um único exemplar do Pentateuco em caracteres hebraicos.

Este livro foi roubado por Francis Drake em 1587, quando este corsário atacou e saqueou Faro, levando o livro para Inglaterra.

Por coincidência, o segundo livro impresso em Portugal tevo como local de impressão... Chaves, no ano de 1489. Trata-se de o Tratado de confissom e foi o primeiro livro cristão impresso em Portugal utilizando a mesma técnica".

 

Vejamos, agora, o que nos diz a Wikipédia quanto a este Tratado de Confissom:

 

"O Tratado de Confissom, impresso em Chaves em Agosto de 1489, foi descoberto em 1965 por Tarcísio Trindade, alfarrabista natural de Alcobaça. Pina Martins publicou-o em edição diplomática em 1973 com um estudo introdutório. Em 2003 foi objecto de uma edição semi-diplomática e de um estudo linguístico, a cargo de José Barbosa Machado.

O Tratado de Confissom, o primeiro livro impresso em língua portuguesa,  (negrito nosso), que se conhece, é uma obra de cariz pastoral dirigida aos sacerdotes com a responsabilidade de ministrar o sacramento da penitência, ou seja, a confissão.

Desconhece-se o seu autor, talvez pelo facto de ao único exemplar existente (Biblioteca Nacional de Lisboa) faltar a página de rosto.

A presença de diversos castelhanismos no texto faz suspeitar de que a obra seja a tradução de uma obra castelhana até ao momento não identificada".

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 É certo que já nos encontramos noutra «galáxia». A de Gutenberg, embora perdure, vai, lentamente, ficando para os anais da História. Ainda não no nosso tempo, pois o prazer de uma boa leitura não dispensa o tocar num livro, desfolhando as suas páginas de papel!...

 

De qualquer dos modos, aqui fica a curiosidade: duas cidades, uma, no topo norte de Portugal (Chaves); outra, no extremo sul (Faro), foram as duas protagonistas, em solo luso, de um novo intrumento de divulgação cultural em massa - o aparecimento do livro na forma que hoje o conhecemos.

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Quinta-feira, 14 de Junho de 2018

Palavras soltas - Peña Trevinca - Desafios e Divagações (Dar voz aos territórios)

 

PALAVRAS SOLTAS

 

PEÑA TREVINA – DESAFIOS E DIVAGAÇÕES

- DAR VOZ AOS TERRITÓRIOS -

 

02.junho.2018

00.- 2018.- VI TransTrevinca (377)

 

(…) partilhamos (…) uma profunda empatia com a natureza,

 dela obtendo alimento emocional e psicológico”.

 

(…) ‘paisagem’ é um espaço misto de natureza e cultura,

onde o homem projeta ideais,

 necessidades e valores, numa relação de influência mútua”.

 

(…) certas experiencias e (…) certos caminhos nos apontam

 um melhor conhecimento dos outros e sobretudo de nós mesmos”.

 

(…) paisagens (…) nunca surgem apenas como ornamento,

antes como uma força poderosa tão marcante quanto uma personagem (…).

 

Isabel Alves,

«Fragmentos de Memória e Arte

- Os Jardins na ficção de Willa Cather»

 

 

Ao cume de Peña Trevinca já o ano passado, em agosto, tínhamos lá chegado, vindos de Porto de Sanábria. Quanto a esta caminhada os leitores(as) podem, querendo, consultar os seguintes sítios em que vem a reportagem que, na altura, fizemos:

 

  • Por terras da Ibéria – Caminhada do Porto de Sanábria a Peña Trevinca (Ida e Volta)

         I Parte – Ao longo do vale do rio Bibei;

  • Por terras da Ibéria – Caminhada do Porto de Sanábria a Peña Trvinca (Ida e Volta)

          II Parte – Ao encontro do rio Xares, por entre os «Montes mel»

  • Por terras da Ibéria – Caminhada do Porto de Sanábria a Peña Trevinca (Ida e Volta)

          III Parte – Epílogo

 

Naquele agosto de 2017, daquele que os nossos vizinhos galegos (partilhando com os zamoranos e leoneses) chamam o teto da Galiza, podemos observar, deslumbrados, o vale glaciar do rio Tera. Na altura, ficámos com «ganas» de o percorrer, de lés a lés.

01.- 993.- Peña Trevinca

A oportunidade propiciou-nos a VI TransTrevinca, no passado dia 2 de junho – uma caminhada ou percurso de grande curso, que começou à meia-noite em Bragança e, percorrendo-se mais de 90 Km, foi até ao cume de Peña Trevinca, com regresso a Laguna de los Peces, cerca das 20 horas.

02.- 2018.- VI TransTrevinca (47)

Um percurso, na verdade, para jovens, «pesos leves», verdadeiros montanhistas. Nós, os mais velhos, «pesos pesados», ficámos pela etapa que liga a Laguna de los Peces até Peña Trevinca, cerca de 22 Km.

 

Se bem que também o nosso objetivo passasse , uma vez mais, por atingir a «cumbre» de Peña Trevinca, todavia, nosso desiderato maior, como acima referimos, era mais ir até ao encontro do circo glaciar do rio Tera e percorrê-lo, pelo menos, até às faldas de Peña Trevinca.

03.- 2018.- VI TransTrevinca (364)

Ao encetarmos esta caminhada, retinia na nossa memória o eco da leitura, feita na véspera, da obra de Isabel Alves, «Fragmentos de Memória e Arte – os Jardins na ficção de Willa Carther», quando, a dado passo, a autora diz que “partilhamos (…) uma profunda empatia com a natureza, dela obtendo alimento emocional e psicológico”.

 

Para nós, nada mais verdadeiro!

 

Por nós, andaríamos a maior parte do tempo de mochila às costas, embrenhando-nos pelos diferentes trilhos e veredas da Natureza, em especial da nossa Ibéria, indo ao encontro da matriz, das nossas raízes, da nossa história primeva – do território e das suas gentes - por entre o silêncio, a paz e a tranquilidade de espírito que ela nos proporciona. Sempre que trilhamos qualquer caminho da Ibéria, ele representa, a nossos olhos, ao nosso pulsar mais fundo, como um grande lenitivo, que nos faz sentir não só verdadeiramente vivos, como, dentro da pobreza do território que partilhamos, verdadeiramente grandes.

 

Sabemos que, em pleno século XXI, o Homem, na sua fulgurante arrogância de conquista incessante, quase sempre a qualquer custo ou preço, do nosso planeta Terra, poucos lugares deixou incólumes, verdadeiramente selvagens (wilderness, no sentido norte-americano do termo). As paisagens que vemos e os recantos que percorremos, em bom rigor, não é a verdadeira natureza que os nossos antepassados mais remotos conheceram. A natureza que hoje temos é já um «construto» humano. E não só:  um produto dos mais diversos fenómenos naturais que sobre ela, ao longo de milhões de anos, sobre ela atuaram. Mas é, precisamente, nesses pedaços de natureza ainda quase virgens que, percorrendo-os, meditamos, e neles projetando ideias, necessidades e valores, vamos não só informando-nos e conhecendo-os melhor como, consciencializando-nos, criamos e pugnamos por uma verdadeira postura ecológica.

04.- 2018.- VI TransTrevinca (270)

Parafraseando Isabel Alves, uma ética ambiental que apela “sobretudo no que respeita à espoliação dos recursos naturais do planeta e à fragilidade dos ecossistemas, demonstrando a necessidade de preservar a diversidade ecológica e incrementar a coexistência harmoniosa entre as formas naturais e as que são criadas pelo homem”.

 

E quão verdadeira é aquela asserção de Isabel Alves quando olhávamos extasiados o circo glaciar do Tera e o seu entorno, ao afirmar que as paisagens nunca surgem apenas como ornamento mas antes como uma força poderosa tão marcante quanto uma personagem…

05.- 2018.- VI TransTrevinca (164)

Conhecendo, ao longo dos milhões de anos, como se formou este território que pisámos, na verdade, ele, a nossos olhos, impõe-se com uma identidade forte, bem vincada, não deixando nenhum ser humano, que o percorre, indiferente.

 

É, manifestamente, face à nossa pequenez humana, uma poderosa personagem!

06.- 2018.- VI TransTrevinca (183)

E nós tivemos o feliz privilégio de estar com ela. De, com ela, e com quem nos acompanhava, de partilharmos um melhor conhecimento, não só do mundo, como de cada um de nós mesmos. Numa simbiose total entre o Homem e a Natureza. Ambos se influenciando.

07.- 2018.- VI TransTrevinca (116)

Nada melhor como nos encontrarmos connosco próprios. De embrenharmo-nos, profundamente, nos mais escaninhos lugares da mãe-natureza!

 

Lugares como este, da Sanábria, da nossa Ibéria, são, com efeito, lugares privilegiados.

08.- 2018.- VI TransTrevinca (243)

Não vai daí que sejamos um acérrimo iberista, tal como Oliveira Martins, no século XIX.

 

Não vamos falar do iberismo como teoria política, que apela ao unitarismo peninsular.

 

Mas também não estamos com a teoria de António Sardinha, embora concordemos quando ele afirma que nós vemos, a todo o instante, os nossos dois países – Portugal e Espanha - por mais desavindos que andem, regressarem, pela força das circunstâncias e dos acontecimentos, a um princípio de colaboração e entendimento, que antigos fatores de divisão não deixam depois consumar-se em consequências duradouras ou fecundas.

 

Estamos com António Sérgio, Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Fidelino de Figueiredo - entre outros intelectuais - marcados pela perspetiva peninsular de Oliveira Martins. Todos eles estavam bem conscientes da necessidade de situar a história e a cultura portuguesas num contexto peninsular. Todos (exceto Almada) consideraram a diversidade de culturas ibéricas nacionais – a unidade alimenta-se da diversidade -, embora as suas posições fossem bem diversas.

 

Ou seja, estamos, como afirma Sérgio Campos Matos, no seu artigo «Conceitos de Iberismo em Portugal» com aqueles que procuram “valorizar os nexos entre as ibéricas para a afirmação de um ‘nó cultural’ entre autores de Portugal, Brasil, ex-colónias portuguesas, Espanha e América Hispânica; das expressões espirituais e afetivas de Miguel Torga, em diversos passos da sua obra de poeta e prosador, com destaque para o seu Diário (…)”.

 

E, particularmente concordamos com António Sérgio quando afirma que a península Ibérica constitui um todo, dos mais diferenciados e caracterizados; um mundo por si, de diversidades e contrastes.

 

Em suma, no nosso entendimento, o que, positivamente, nos une – pese embora as diversas culturas e línguas que praticamos - é o mesmo território (comum) e as diferentes sagas que, entre nós, e contra terceiros, ao longo da História, tivemos.

 

E temos pena que alguns dos poucos amigos flavienses que temos, acérrimos defensores da sua identidade transmontana – e particularmente barrosã – quando os acompanhamos à descoberta das gentes – pouca, que resta – e do património – pouco, que sobra e do muito em ruína -, nos apelide «depreciativamente» de duriense.

 

Com muito orgulho afirmamos sermos nato nas terras berço da nossa nacionalidade, do Reino Maravilhoso que Torga fala, que é o nosso Trás-os-Montes. Do Portugal que somos, vindo de uma luta contra um inimigo comum - o islão -  e criado na luta principalmente contra os nossos irmãos da Ibéria, mais propriamente na peleja com os donos, senhores das terras e de reinos, da antiga Gallaecia romana.

 

Regressemos, para finalizar, ao nosso circo glaciar do rio Tera, na Sanábria para, em jeito de despedida, deixarmos aqui um pensamento final.

 

Segundo Winters, citado por Isabel Alves, referindo-se à autora sobre a qual analisa a sua obra – Willa Cather – “descriptions of landscape help us to understand freedom, imprisonment, immanence, community, connection, isolation, integrity, authenticity, and incommensurability (…) She truly gives the land a voice”.

 

Magistral!

 

995.- Peña Trevinca

 

 

nona


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Terça-feira, 12 de Junho de 2018

Versejando com imagem - A uma oliveira, de António Cabral

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

A UMA OLIVEIRA

 

Manuel Sánchez

 (Foto de Manuel Sánchez)

 

 

Velha oliveira, ó irmã do tempo e do silêncio,

algo de ti se me tornou hoje perceptível;

algo que eu não conhecia e me fez parar

na ténue sombra que teces no caminho;

algo que é uma doce corola de contacto.

 

Já os passos da luz se afastam na colina

e um rumor de pérolas quebradas

desce, lentamente desce por toda a serrania.

Já as aves tuas amigas procuram na folhagem

a doçura acumulada nos favos da noite.

E também já são horas

de nós os homens, nós os que passamos,

suspendermos as cítaras do pensamento.

 

Entretanto, ó canção do crepúsculo, velha oliveira,

eu paro sob os longos cílios da tua ramagem.

Paro e, ao sentir nas mãos o teu enrugado tronco,

e, nos olhos, a serenidade das tuas folhas,

começo a entender uma bela mensagem:

a paz, ah a paz!, a rosa da paz.

 

É como se uma gota de azeite descesse,

Brandamente descesse pelas coisas.

 

 

António Cabral

«Poemas Durienses»


publicado por andanhos às 19:41
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Domingo, 3 de Junho de 2018

Reino Maravilhoso - Barroso:- Covelo do Monte - aldeia fantasma

 

 

REINO MARAVILHOSO – BARROSO

 

COVELO DO MONTE – ALDEIA FANTASMA

01.- 2018.- Covelo do Monte (2)

Cansados de, numa carrinha todo o terreno, andar pelo Gerês barrosão à procura de cascatas, inopinadamente, os nossos dois amigos, que nos acompanham nestes périplos fotográficos por terras barrosãs, dão uma guinada, e viraram-se para a serra de Alturas.

 

Chegados ao parque eólico da serra, começa a descida. E oiço-os falar numa aldeia sem gente vai para 50 anos, deserta, encaixada num estreito vale da serra.

 

Seu nome é Covelo do Monte, do concelho de Boticas.

02.- 2018.- Covelo do Monte (3)

Pelos vistos, os nossos amigos já lá tinham ido, mas não puderam entrar. Estava tudo vedado!

 

E os três interrogávamo-nos como era possível caminhos que outrora eram públicos, serem agora apropriados por privados. Os nossos canhestros conhecimentos de direito procuraram esclarecer que, a menos que não tenham sido desafetados do domínio público, continuariam a ser públicos, objeto, assim, de usufruição por todos.

 

A vedação que antes tinha, agora, pelos vistos, já não existia.

 

E entrámos por ali dentro, até onde a carrinha pode ir.

 

A certa altura, um tronco de uma árvore impediu a nossa progressão.

03.- 2018.- Covelo do Monte (23)

Apeámo-nos.

 

Perdoem-nos agora os legítimos proprietários deste pequeno território se os ferirmos nos seus sacrossantos direitos de possuidores deste património em ruínas, invadindo-o. Compreenderão que a nossa «intrusão» não foi tanto ditada pelo disfrute do alheio, mas o chamar a atenção dos leitores(as) que nos leem para o que foi a destruição de uma memória coletiva na qual todos, com diferentes responsabilidades, é certo, somos cúmplices! Somos respeitadores das leis que nos governam, mesmo que nem sempre concordemos com algumas delas, mas, como democratas que somos, respeitamo-las. Move-nos, contudo, mais os valores e a preservação do nosso património e cultura, o cadinho que faz com que os povos nasçam, vivam e perdurem…

 

Máquinas fotográficas em punho, fomos tirando fotos daquele desértico e solitário lugar, que hoje apenas serve de repouso para o gado, pois de gente não vimos vivalma!

04.- 2018.- Covelo do Monte (29)

(Cenário I)

05.- 2018.- Covelo do Monte (74)

(Cenário II)

06.- 2018.- Covelo do Monte (76)

(Cenário III)

08.- 2018.- Covelo do Monte (80)

(Cenário IV)

09.- 2018.- Covelo do Monte (81)

 (Cenário V)

09a.- 2018.- Covelo do Monte (82)

(Cenário VI)

Positivamente é uma aldeia fantasma, com casas em completa e total ruína.

10.- 2018.- Covelo do Monte (9)

(Ruína I)

11.- 2018.- Covelo do Monte (10)

(Ruína II)

12.- 2018.- Covelo do Monte (11)

(Ruína III)

13.- 2018.- Covelo do Monte (12)

(Ruína IV)

14.- 2018.- Covelo do Monte (14)

(Ruína V)

15.- 2018.- Covelo do Monte (18)

(Ruína VI)

16.- 2018.- Covelo do Monte (33)

(Ruína VII)

17.- 2018.- Covelo do Monte (38)

(Ruína VIII)

 O que ainda se foi mantendo de pé foram dois espigueiros

18.- 2018.- Covelo do Monte (24)

(Espigueiro I)

19.- 2018.- Covelo do Monte (32)

(Espigueiro II)

e aquela, a que passaremos a chamar por «Casa Grande»,

20.- 2018.- Covelo do Monte (31)

21.- 2018.- Covelo do Monte (61)

(Perspetiva II)

22.- 2018.- Covelo do Monte (64)

(Perspetiva III)

23.- 2018.- Covelo do Monte (68)

(Perspetiva IV)

possivelmente dos mais possidentes da aldeia. Sim, porque mesmo no meio da pobreza e da miséria, há diferenças. «Casa Grande» esta, com lindas vistas para o seu entorno.

24.- 2018.- Covelo do Monte (37)

Mas, as suas diferentes dependências no mais completo abandono!

 

A começar pela cozinha,

25.- 2018.- Covelo do Monte (59)

(Cenário I)

26.- 2018.- Covelo do Monte (55)

(Cenário II)

27.- 2018.- Covelo do Monte (54)

(Cenário III)

28.- 2018.- Covelo do Monte (57)

(Cenário IV - Pormenor)

passando pelos quartos,

29.- 2018.- Covelo do Monte (51)

(Pormenor I)

30.- 2018.- Covelo do Monte (50)

(Pormenor II)

31.- 2018.- Covelo do Monte (47)

(Pormenor III)

pela sala, onde fomos encontrar esta «tarandeira»

32.- 2018.- Covelo do Monte (67)

e, à saída, a casa de banho.

33.- 2018.- Covelo do Monte (72)

Nem a humilde capelinha escapou à voragem da destruição.

34.- 2018.- Covelo do Monte (89)

 Captámos a sua singeleza, em diferentes perspetivas ou ângulos,

 

35.- 2018.- Covelo do Monte (86)

(Ângulo I)

36.- 2018.- Covelo do Monte (87)

(Ângulo II)

37.- 2018.- Covelo do Monte (97)

(Ângulo III)

38.- 2018.- Covelo do Monte (98)

(Ângulo IV)

E o seu interior.

39.- 2018.- Covelo do Monte (91)

E, penetrando no pequeno souto, que ladeia a capelinha,

40.- 2018.- Covelo do Monte (106)

(Perspetiva I)

41.- 2018.- Covelo do Monte (100)

(Perspetiva II)

42.- 2018.- Covelo do Monte (101)

(Perspetiva III - Pormenor)

43.- 2018.- Covelo do Monte (102)

(Perspetiva IV - Pormenor)

fomos encontrar o velho tanque.

44.- 2018.- Covelo do Monte (109)

Pelo que vimos, não era, naturalmente, uma aldeia rica, muito pelo contrário. Não entendemos, contudo, porque os seus descendentes a deixaram ao abandono, esquecendo-se de todo o legado – embora pobre que fosse – ali construído pelos seus antanhos!

 

Sinal dos tempos. E que tempos estes, os que vivemos no interior de um país, esquecido por aqueles que daqui partiram, e ostracizado por quem devia ver o país como um todo, com iguais direitos e deveres!

 

Sinal dos tempos. E que tempos estes, que deixam reduzir uma terra com todo o seu legado histórico e cultural, embora que pequeno, a uma pura e mera mercadoria!

 

Sinal dos tempos. E que tempos estes, que tão facilmente se esquece de um  passado que a todos unia, pondo-o com tanta ligeireza na quota de mercado, de uma bolsa de valores qualquer!

 

Sinal dos tempos. E que tempos estes, que troca todo um passado de um povo por uma pressuposta valência turística, na tentativa de construir um condomínio turístico fechado para gente endinheirada, sem qualquer espécie de ligação à terra!

 

Sinal dos tempos. E que tempos estes, que nem com a «terra prometida» da função turística deste lugar, prenhe de passado, mas vazio de gentes, ninguém lhe pega e, todo este património, a cada dia que passa, cada vez mais cai de podre, ao ponto de nem ruínas existirem, porque pasto livre da mãe-natureza!

45.- 2018.- Covelo do Monte (25)

(Cenário I)

46.- 2018.- Covelo do Monte (26)

(Cenário II)

Sinal dos tempos. E que tempos estes, em que nas aldeias abandonadas do nosso interior – onde a nossa portugalidade nasceu – apenas o entorno, com toda a sua beleza e encanto, perdura,

47.- 2018.- Covelo do Monte (39)

(Cenário I)

48.- 2018.- Covelo do Monte (39a)

(Cenário II)

49.- 2018.- Covelo do Monte (40)

(Cenário III - Aproximação)

no meio dos novos deuses dos tempos modernos -  as pás das hélices eólicas,

50.- 2018.- Covelo do Monte (23a)

(Quadro I)

51.- 2018.- Covelo do Monte (27a)

52.- 2018.- Covelo do Monte (43)

(Quadro III)

que geram a energia que faz com que as nossas cidades vivam e pululem de vida!

 

Sinal dos tempos. E que tempos estes, de uma comunidade cuja miséria nela vivida não a desejávamos ver repetida, mas cujo engenho e arte dos homens fosse suficientemente forte e determinado no encontrar novos caminhos, novos futuros, novos portais de esperança para os territórios que foram, e continuam ainda a ser, a matriz do Portugal que hoje somos!

53.- 2018.- Covelo do Monte (120)

Até quando vão parar as aldeias fantasmas deste nosso Portugal como esta – Covelo do Monte?

 

Apresenta-se um diaporama/reportagem sobre

 

COVELO DO MONTE – ALDEIA FANTASMA

 

54.- 2018.- Covelo do Monte (34a)


publicado por andanhos às 15:32
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