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andanhos

29
Mai18

Versejando com imagem - Soneto de Fidelidade, de Vinicius de Moraes

andanhos

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

 

OS SETE POEMAS MAIS LINDOS E MARCANTES DA POESIA BRASILEIRA

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SONETO DE FIDELIDADE

 

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento

E em louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.


E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive): 

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

 

Vinicius de MoraVinicius de Moraes

 

Diz o Pensador: "Sem dúvida um dos poemas mais famosos e lindos da literatura brasileira! O eterno “poetinha” (Vinicius detestava o seu apelido) se transformou em sinônimo da figura tradicional do boêmio apaixonado.

 

Ouçamos o próprio Vinicius de Moraes a declamar seu poema, acompanhado ao piano por Tom Jobim:

25
Mai18

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago - 10ª e última etapa (Outeiro-Santiago de Compostela)

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

13.maio.2017

 

10ª etapa:- Outeiro/Vedra – Santiago de Compostela

00.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (171)

Qualquer informação sobre esta etapa, podemos obtê-la junto dos seguintes sítios da internet, onde nos podemos inteirar sobre os pormenores de cada troço destes 16, 7 Km, que esta etapa tem:

 

Logo após o final desta última etapa do Caminho Português Interior de Santiago, que o iniciámos desde a nossa porta de casa, em Chaves, não fizemos qualquer registo ou apontamento da mesma no nosso Bloco de Notas.

 

Foi necessário termos ido para férias e, no dia 2 de junho de 2017, na praia de Santa Maria, na ilha do Sal, Cabo Verde, e nas vésperas de uma caminhada na ilha de Santo Antão, escrevermos uma sucinta reportagem do essencial desta etapa do Caminho.

 

Levantámo-nos, como de costume, por volta da 7 horas da manhã e, logo após comermos um frugal pequeno-almoço, pusemo-nos a Caminho.

 

O dia, com nuvens densas no céu, ameaçando, não prometia grande coisa.

 

No início, os troços que percorremos eram agradáveis de se andar.

 

Saímos do albergue com o sol  a começar a nascer

01.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (2)

e, com as nossas passadas, Lestedo e Rubial, primeiro, e depois, Deseiro de Arriba, A Susana, Cañoteiro de Marrazos e Vixoi, iam desfilando,

02.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (3)

(Panorama I)

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(Panorama II)

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(Panorama III)

cada uma delas apresentando as suas latadas

05.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (13)

(Panorama I)

06.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (14)

(Panorama II)

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(Panorama III)

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(Panorama IV)

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(Panorama V)

e o infindável verde,

10.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (33)

(Panorama I)

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(Panorama II)

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(Panorama III)

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(Panorama IV)

a lembrar-nos o nosso Minho, e os sempre presentes cruzeiros

14.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (7)

(Cruzeiro I)

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(Cruzeiro II)

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(Cruzeiro III)

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(Cruzeiro IV)

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(Cruzeiro V)

 e marcos jacobeus,

19.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (73)

(Marco dos 6, 386 KM)

20.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (82)

(Marco dos 4, 997 Km)

21.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (112)

(Marco dos 3,949 KM)

tudo feito a, cada vez mais, passadas céleres: não só para chegarmos a Santiago cedo, mas também porque a chuva, cada vez mais, ameaçava fustigar-nos.

22.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (32)

Mas sempre fomos tirando uma ou outra fotografia…

23.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (52)

(Panorama I)

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(Panorama II)

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(Panorama III)

apesar de o nevoeiro impedir-nos de obter panorâmicas do entorno por onde passávamos, ao ponto de não nos ter sido possível ver as torres da Catedral de Santiago quando passávamos pelo «Monte do Gozo» deste Caminho.

 

Na passagem por Vixoi, a capela de Santa Luzia,

26.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (88)

a fonte

27.-CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (90)

e o rio.

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Na passagem pelo Caminho Real de Piñeiro, esta latada ao longo deste troço de Caminho.

29.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (100)

Somente na Calçada do Sar  nos foi possível ver as torres da Catedral.

30.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (126)

(Perspetiva I)

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(Perspetiva II)

Mas, a partir daqui, começou a chover tão intensamente que muito dificilmente podíamos utilizar as câmaras fotográficas.

 

Passámos pela Ponte do Sar,

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nas proximidades da Colegiada de Santa Maria do Sar. Ali estava-se a levantar as tendas da Feira «Sar no Medievo».

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E, na passagem por estas bandas, a chuva caía tão intensamente que tivemos de nos recolher, por uns minutos, debaixo deste viaduto.

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Ao longe, ainda conseguíamos ver edifícios emblemáticos da Cidade da Cultura de Santiago.

35.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (137)

(Edifício I)

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(Edifício II)

Com um tempo assim, não nos interessava captar qualquer pormenor. O que mais desejávamos era chegar à Praça do Obradoiro e à Catedral.

 

Por isso, deixámos o traçado oficial do Caminho na cidade e fomos por aquele que nos pareceu mais direto. Logo, não entrámos pela Porta de Mazarelos, uma das sete que a cidade tinha, e, segundo pensamos, a única que praticamente se encontra de pé.

 

Chegados à Praça do Obradoiro,

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(Perspetiva I)

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(Perspetiva II)

continuando a chover copiosamente, recolhemos nas arcadas do edifício da Presidência da Xunta da Galicia,

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que fica em frente à Catedral, ainda com obras de restauro e conservação.

40.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (140)

Aqui, quer o Zé, quer o Rod mudaram de roupa. Mas de nada lhes valeu. Ao saírem para levantarem a Compostelana, como continuasse a chover, ficaram outra vez molhados.

 

Foi, assim, ainda sob chuva intensa, que nos dirigimos à Oficina do Peregrino, perto das Praça das Praterías, para levantarmos as Compostelanas.

41.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (179)

Mas batemos com o nariz na porta. A Oficina do Peregrino tinha-se mudado!

 

Tivemos, outra vez, de atravessar a Praça do Obradoiro e, pelo início do Caminho que, do Obradoiro, vai a Fisterra, descermos e, na primeira esquina, virarmos à direita. Eram instalações novas. E estava gente em barda para levantarem a sua Compostelana. A chuva continuava a cair, a cair…

 

Agora, como aparte. Isto da Compostelana é tudo uma impostura. Muitos a levantam e, na nossa modesta opinião, nem 30 Km andaram no Caminho. O negócio dos táxis para transporte de «peregrinos» é o que está a dar. Outros, como nós, levantam a Compostelana mas, na verdade, pouco significado, em termos de fé, tem para nós. Confessemos a nossa incongruência!

 

Quanto a este aspeto – bem assim quanto aos troços do Caminho entre Outeiro e Santiago, efetuado em 2007 - damos aqui como inteiramente reproduzidas as considerações que, no dia 10 de março de 2012, fazíamos quanto a este assunto no post daquela que, na altura, foi a nossa 6ª etapa do Caminho da Via de la Plata ou Sanabrês, iniciado em Laza.

 

Em conclusão, gostamos de fazer os Caminhos de Santiago pela boa sinalização das veredas e organizada estrutura dos serviços montados, mas, essencialmente, pelo puro prazer de andarmos pela natureza; atingir objetivos de esforço; conhecer novas gentes. Gente que, como nós, tem a mesma matriz. Costumamos dizer, em tom de brincadeira para os nossos amigos galegos, que nós, portugueses, somos galegos do sul, e que eles, os nossos irmãos galegos, os portugueses do norte. Cremos que, a maioria de nós, é assim que nos sentimos.

 

Qualquer intuito de fé, percorrendo os Caminhos de Santiago, não temos! E não sabemos dizer se feliz ou infelizmente. Cada um é como é. O que interessa é o respeito que a todos devemos, independentemente das convicções ou crenças de cada um!

 

O Zé foi assistir à Missa do Peregrino. Nós estávamos para entrar mas, depois, desistimos. Exigiam-nos três euros para depositarmos as mochilas, pois não podíamos entrar com elas na Catedral. Compreendemos as razões de segurança; não entendemos o negócio que se faz a propósito da mesma. Tudo se paga agora; tudo é reduzido ao vil metal. Numa cidade que se diz de peregrinação! Mas, quanto a isto, o que podemos nós, portugueses, dizer? Não temos Santiago, mas temos Fátima!...

 

Tendo aliviado entretanto o tempo, e enquanto o Zé não saía da Catedral, percorremos algumas lojas da cidade à procura de «flechas» amarelas para a nossa boina. Mas não encontrámos a que queríamos.

 

Fomos, como já é nosso hábito, almoçar à Casa Manolo,

42.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (200)

na Praça Cervantes. Aqui come-se bem e barato. E todos ficam satisfeitos.

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Tendo, finalmente, deixado de chover, depois do almoço, começámos a descer para a Estação de Caminho de Ferro de Santiago para tomarmos o comboio para Ourense, onde ali Bel ficou de nos ir buscar.

 

No percurso até à Estação, íamo-nos despedindo de conhecidos que encontrámos pelo Caminho.

44.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (214)

Dois lugares de passagem em Santiago de Compostela para nós emblemáticos:

  • A estátua de Afonso II, o Casto, o primeiro peregrino de Santiago, ao lado da Faculdade de Geografia e História da Universidade de Santiago de Compostela

45.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (209)

  • e o edifício do Parlamento da Galiza.

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Ficámos no café da estação a fazer horas até ao horário do nosso «Avant» que, em exatamente 38 minutos, nos deixava em Ourense.

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Deixaram-nos em Chaves e os nossos companheiros/peregrinos, depois de uns poucos minutos em nossa casa, partiram para a Vila.

 

Dois apontamentos finais, breves.

 

Este nosso Caminho teve dois andamentos ou dinâmicas: um, de Chaves até Allariz; o outro, de Allariz a Santiago, com a entrada no grupo do Zé. É muito importante as dinâmicas quando se caminha. Não gostamos de caminhar com muita gente. Quatro pareceu-nos o grupo ideal, para além, evidentemente, das personalidades das pessoas que nos acompanham. Apreciamos muito a companhia de Florens – com os mesmos gostos e a mesma passada – que faz dele o nosso companheiro privilegiado de caminhadas pela natureza; gostámos da companhia jovial de Rod, com toda a sua ternura de trato e capacidade de suplantar dificuldades neste seu primeiro Caminho de folgo; foi um privilégio caminhar ao lado do Zé, falando de coisas da vida que nos são comuns, quer em termos pessoais, quer em assuntos base daquilo que foi as nossas ocupações (e preocupações) profissionais.

 

O segundo apontamento. Florens em todos os Caminhos que fizemos, fazia-nos um cajado (o rapaz gosta e tem jeito para estas coisas!). Neste Caminho, a dinâmica mudou – e falou mais alto - com a entrada de Rod, seu filho. Não houve, pois, tempo ou vagar ou paciência para se ocupar do cajado para o «velho».

 

Nesta última etapa, no seu último terço do percurso, num muro, estava pousada uma cana da Índia. O Florens e o Rod ainda pegaram nela. Mas deixaram-na encostada à parede. Nós vínhamos um pouco mais atrás. Pegámos nela e trouxemo-la. A vida é assim. O Florens não nos fez o acostumado cajado do Caminho; o Caminho encarregou-se de no-lo dar. A cana era grande, mas muito boa. Hoje faz parte do espólio deste Caminho, junta com uma vieira e uma cabaça.

 

Cremos que não vamos fazer mais nenhum Caminho com o Florens. Para nós, os Caminhos com ele acabaram aqui. Em princípio… porque não está fora o Caminho Sanabrês desde Granja de Moreruela até Laza e, quem sabe - e se as forças nos permitirem -, o Caminho Francês, desde o seu início até O Cebreiro, na Galiza.

 

Mas, pela nossa parte, em termos de caminhadas de envergadura, estamos agora mais apostados nas veredas de Portugal, em particular no Norte, e na vizinha Galiza.

 

 Apresentam-se os dados desta 10ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

48.- 10ª etapa 01

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

49.- 10ª etapa 02

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) do diaporama sobre esta

 

10ª E ÚLTIMA ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (OUTEIRO – SANTIAGO DE COMPOSTELA)

50.- CPIS - 10ª e Última etapa (Outeiro-Vedra-Santiago) (197)

23
Mai18

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago - 9ª etapa (Silleda-Outeiro/Vedra)

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

12.maio.2017

 

9ª etapa:- Silleda – Outeiro/Vedra

00.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (152)

 A exemplo do que aconteceu com o relato da anterior etapa (Castro de Dozón-silleda), não vamos fazer o relato circunstancial de todos os troços do Caminho por onde passámos nesta etapa. Como não encontrámos uma única etapa que vá de Silleda ao albergue de São Pedro de Vilanova , mais conhecido como do Outeiro, no concello de Vedra, recomenda-se a consulta de dois sítio da internet:

 

Para este post verteremos simplesmente o que o nosso Bloco de Notas registou quando, no albergue de Outeiro, escrevíamos sobre as partes que, para nós, foram mais significativas e de realce nesta etapa.

 

 

***

 

 

Iniciámos esta penúltima etapa do nosso Caminho com chuva, logo nos primeiros quilómetros. Para não variar.

 

Foi um percurso que não ofereceu dificuldades de maior, embora estivéssemos com receio da descida para Ponte de Ulla. Lembrávamo-nos do que nos tinha acontecido há dez anos! Mas, felizmente, os perto de 26 Km desta etapa fizeram-se sem grandes dificuldades.

 

Saímos de Silleda e, percorrendo o seu troço urbano, entrámos no meio rural

01.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (3)

desta Galiza verde,

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Abeirando-nos das aldeias de Foxo, San Fiz e Devesa.

03.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (20)

(Panorama I)

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(Panorama II)

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(Panorama II)

Percorridos 7 Km entrávamos em A Bandeira.

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Num Café/Bar local, já encharcados da água da chuva, parámos para fazer o reforço do nosso pequeno -almoço.

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Quando saímos do Café/Bar, o tempo aliviou um bocadinho.

 

Passámos em frente do edifício do concello de A Bandeira

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e, logo de seguida, penetrávamos, outra vez, no verde,

09.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (34)

enquanto ultrapassávamos um grupo de peregrinos: uns, caminhando compenetrados;

10.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (40)

outros, esperando uns pelos outros.

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Rod e Florens, no meio deles, vinham em amena cavaqueira.

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O nevoeiro começava a levantar-se do chão dos campos, dirigindo-se para os altos.

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Pelas nossas passadas desfilavam as aldeias de Vilariño e Piñeiro.

14.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (48)

(Panorama I)

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(Panorama II)

Até que nos aproximávamos de San Martín de Dornelas.

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Chegados a San Martín de Dornelas,

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cuja sua igreja está integrada na Rota do Românico,

18.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (91)

fizemos uma ligeira pausa para observarmos mais de perto esta igreja.

19.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (92)

Umas centenas de metros à frente, o nosso «speed González» Zé «desembestou» do pelotão e foi estrada.

 

Pelos vistos, Zé dito na véspera ao Florens que, durante esta etapa, iria fazer um troço a «solo». Nós não sabíamos e, não lhe dando mais na vista, ficámos preocupados.

 

Nas proximidades de San Miguel de Castro, encontrando esta «maior»,

20.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (114)

aproveitando uma aberta, tomando sol, parámos para falar com ela, perguntando-lhe se tinha visto um companheiro peregrino. A simpática velhinha, rindo-se, responde-nos: “que ya está bien lejos”…

 

Apenas o fomos encontrar em Ponte de Ulla, calmamente bebendo uma cerveja, num café local, e já com a sua Credencial devidamente selada.

 

Descansámos e entrámos na nossa passada normal.

 

Em San Miguel de Castro, dividindo estradas e informando-nos da direção do nosso Caminho,

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esta singela ermita dedicada a Santiago.

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E começámos a descer para Ponte de Ulla, vislumbrando por entre as árvores do Caminho, lindas paisagens verdejantes.

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(Panorama I)

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(Panorama II)

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(Panorama III)

Até que, a determinada altura, do alto, vislumbrámos a nova ponte ferroviária (do AVE).

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Continuámos a descer. 

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E a ponte nova, em vez da ponte velha, torna-se-nos omnipresente.

27a.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (135)

Já no fundo da descida,

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prestes a entrar em Ponte de Ulla, não nos saía da cabeça as dores no joelho que sentira há dez anos quando por aqui passava.

 

Nas proximidades da ponte rodoviária de Ulla,

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apreciávamos o desvelo com que esta senhora cuidava da sua hortinha!

30.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (141)

Fizemos uma pausa num Bar/Restaurante mesmo perto da ponte rodoviária sobre o rio Ulla.

 

O grande efeito visual da outra ponte, ferroviária foi quebrado pela nova ponte ferroviária do AVE (comboio de alta velocidade espanhol) e pela vegetação que, deste local, onde nos encontrávamos, não deixava ver praticamente nada da antiga.

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Agora a ponte do AVE vê-se razoavelmente e, parece-nos, procura imitar a outra (a velha).

 

Depois de bebermos umas cervejolas e de tirarmos umas fotos com este simpático e comunicativo peregrino de Barcelona,

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almoçámos, provando as boas tortilhas do Café/Restaurante.

 

A bacia do rio Ulla e a segunda mais importante da Galiza. Este rio vai desaguar à ria Arosa, depois de ter percorrido 130 Km.

 

Satisfeitos com a comida e com o bom convívio, faltava-nos fazer o quarto e último troço deste nosso Caminho de hoje – Ponte de Ulla-Outeiro/Vedra. Mas, primeiro, havia que comprar mantimentos, não só para o jantar como para o pequeno-almoço do dia seguinte, pois, na localidade onde se situa o albergue, não existe qualquer serviço.

 

Passando pela Igreja da Madalena, com uns bonitos sinos apoiados, cada um, em sua vieira,

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por este lavadouro

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 e este recanto, pequena área de descano, com o seu cruzeiro,

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dirigimo-nos a um supermercado. Florens sugeriu que fizéssemos à noite uma massinha de atum. Ele e o Zé encarregaram-se de adquirir todos os componentes, não só para o jantar como também para o pequeno-almoço do dia seguinte.

 

Distribuída a carga suplementar dos produtos comprados, pelas mochilas dos quatro, começámos a nossa subida em direção ao albergue.

 

Quando, em 2007, fizemos este Caminho, também ficámos no albergue do Outeiro. Todavia, como tinha ficado lesionado de um joelho na descida para Ponte de Ulla, e tive de ir de táxi, de Ponte de Ulla, para o albergue, não conhecia este último troço da nossa etapa de hoje.

 

Recordo-me que foi com enorme sacrifício que, em 2007, fiz para, durante quase 17 Km, me arrastar de Outeiro/Vedra até Santiago de Compostela

 

Na etapa de hoje não foi assim. Fiz todo o troço a pé. E feliz. Afinal acabava de fazer todos os quilómetros deste Caminho sem qualquer ajuda suplementar.

 

Saindo de Ponte de Ulla, passámos pela ponte-corredor do Pazo de Vistalegre.

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A partir daqui,

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mais uma vez, o Zé «desembestou» por ali acima e não mais o vimos, a não ser já perto do albergue. Um autêntico papa léguas!

 

Logo a seguir à passagem pelo Pazo de Vistalegre, dirigimo-nos para a estrada N-525, donde se tem uma bela vista panorâmica da nova ponte ferroviária sobre o rio Ulla.

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Cruzámo-nos com ele casal de peregrinos,

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que vinham fazendo o Caminho em sentido contrário.

 

Subindo sempre, ora caminhando pelo asfalto, ora por um caminho florestal, chegávamos à fonte

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 e à capela de Santiaguiño, edificada em 1676.

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Faltavam poucos metros para cumprirmos os 4,6 Km oficias deste último troço da etapa e entrarmos no albergue.

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O albergue de São Pedro de Vilanova,

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pertencente ao ayuntamiento de Vedra, pois é assim que oficialmente se chama o do Outeiro, fica num alto. Embora não tenha grandes vistas, embora com um entorno rural muito agradável,

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com os sempre esperados prados verdejantes e o gado a pastar.

45.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (237)

É um albergue de 4,5 estrelas. Para mim não leva 5 porque não tem internet!

 

Depois de resolvidas todas as formalidades administrativas com a simpática albergueira, acomodarmo-nos na camarata, tomado banho, e o Rod ser assistido nas suas feridas dos pés pelo Florens,

46.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (252)

e descansado um pouco, saímos para tirar uma fotos ao exterior do albergue.

47.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (231)

(Pormenor I)

48.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (245)

(Pormenor II)

Enquanto, na camarata, escrevíamos as nossas impressões do dia no nosso Bloco de Notas, o cozinheiro-mor, Florens, fazia-nos a «massinha» como nos dizia. E, por acaso, até estava saborosa. Agora é que não sabemos se era da fome e da habilidade do chef já habituado a estas andanças.

 

Entretanto, ao cair do dia, começa a chover. E o céu pressagiava que a etapa do dia a seguir, para variar, também viria com molho…

 

Deitámo-nos esperançosos. Até porque era a última também.

 

 Apresentam-se os dados desta 9ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

49.- 9ª etapa 01 (1)

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

50.- 9ª etapa 01 (2)

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) do diaporama sobre esta

 

9ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (SILLEDA – OUTEIRO/VEDRA)

 

51.- CPIS - 9ª etapa (Silleda-Outeiro-Vedra) (96)

 

22
Mai18

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda)

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

11.maio.2017

 

8ª etapa:- Castro de Dozón-Silleda

00.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (124)

 Não vamos fazer o relato circunstancial de todos os trajetos por onde passámos nesta etapa. Para o efeito, recomenda-se a consulta de dois sítio da internet:

 

Para este post verteremos simplesmente o que o nosso Bloco de Notas registou quando, no albergue de Silleda, escrevíamos sobre as partes que, para nós, foram mais significativas e de realce nesta etapa.

 

 

***

 

 

De noite choveu torrencialmente. Enquanto não entrámos em sono profundo, pensávamos que o dia a seguir iria correr mal com este tempo assim.

 

Levantámo-nos passava pouco das seis da manhã.

 

Feitas as abluções matinais, descemos para o refeitório do albergue para tomarmos o nosso pequeno-almoço. Na véspera, Florens e Zé tinham comprado no mini local os mantimentos para o nosso repasto matinal (manteiga, sumo de laranja, queijo, compotas e fruta – laranjas e maçãs), contando ainda com o pão de Cea.

 

Saímos do albergue. E chovia…

 

Passámos o Alto de Santo Domingo.

01.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (13)

Olhando à nossa direita, lá está a capelinha que leva o mesmo nome de Santo Domingo.

02.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (15)

Continuava a chover. E foi praticamente assim até ao final desta 8ª etapa.

 

Depois do Alto de Santo Domingo, em pouco tempo, acedemos à pequena aldeia de Puxallos, da paróquia de Santiago de Catasos (concello de Lalín). Como, dez anos volvidos, ainda nos lembrávamos deste cruzeiro

03.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (24)

e deste Santiago.

04.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (23)

Obviamente, tal como nós, mais velhos 10 anos!

 

Entrámos em pleno vale do Deza, com amplas vistas e campos verdejantes.

04a.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (17)

E aparece-nos o primeiro lindo bosque por onde passámos.

05.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (35)

Cruzámos a autopista AP-53, indo ao encontro da aldeia de Pontenoufe. Cruzámos uma ponte sobre o rio Asneiro, passámos por A Xesta, Medelos e Baxán, onde passa a linha do AVE (o comboio de alta velocidade espanhol). Subindo ao nível da linha, este lindo cruzeiro, perto da igreja de San Xoán, paróquia de Botos.

05a.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (39)

Aproximadamente 15 Km volvidos, aparecer-nos Doinsón. No Rincon de Deza parámos.

06.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (45)

Bebemos a «mixórdia» do café que nos serviram, acompanhado com queijo, presunto e embutidos locais. Como a fome, quando aperta, é negra, tudo nos serviu. Mas a «chafarica» não nos pareceu ser de grande limpeza. Paciência… Nestas andanças do Caminho não se espera tratamento VIP ou cinco estrelas. E o que há!

 

Pouco tempo depois de ali estarmos, aparece-nos um casal, ou seja, uma senhora e um cavalheiro, o tal que se tornou amigo do Rod. Confraternizámos. E tiramos umas tantas fotos.

07.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (55)

(Selando as Credenciais do Peregrino)

08.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (61)

(O Rod na sua «praia»)

Saímos do Rincon de Deza.

 

Logo à frente do Rincon de Deza, a Igreja do lugar, dedicada a Santa Eulália, em estilo barroco.

09.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (64)

Os campos, desta Galiza interior tão verde, não nos largavam!

10.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (66)

Continuava a chover.

 

A partir daqui, nosso Caminho penetrou por uma outra trilho muito bonito. Essencialmente constituído por bosque de carvalhos (Quercus robur).

11.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (72)

Aproximámo-nos de Laxe. Vimos o seu albergue, onde, há dez anos, pernoitei com uma grande «febrina». Os dois companheiros de altura foram inexcedíveis no carinho e trato que me dedicaram para poder continuar o Caminho. Outros tempos…

12.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (82)

 E o verde omnipresente…

13.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (90)

Até que chegámos a Taboada , passando pelas suas três pontes,

14.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (96)

 (Primeira ponte)

Foi um momento agradável, aquele que passámos entre as duas primeiras pontes, com uma vereda excecional, constituída por uma sinfonia dos pássaros, cantando à porfia no bosque de carvalhos e o murmurar da água no rio Deza,

15.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (99)

Até que nos aparece a segunda ponte, do caminho de ferro, vendo-se no meio de um arco, a primeira.

16.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (109)

Continuando neste bosque de fadas,

17.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (113)

alegres e felizes,

18.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (116)

mesmo caindo-nos água no «cerro», eis a passarela

19.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (120)

que  nos encaminhou até à terceira ponte – a medieval. E a um dos lugares mais icónicos da Via de la Plata, no seu trajeto galego.

 

A passagem pela ponte medieval mereceu um momento de pausa – para contemplar não só esta vetusta construção, e o local, bem estreito, onde foi construída bem assim o rio que, por debaixo dela passa – o Deza.

20.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (122)

Esta milenária ponte, “testemunho mudo da história”, une os municípios de Lalín e Silleda. Construída no ano  912, em abril do 2012, fez 1.100 anos de existência.

21.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (123)

 (Rio Deza – Pormenor I)

Esta ponte tem um só arco de meio ponto. Foi construída aproveitando a passagem estreita entre as rochas, como a imagem acima mostra.

22.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (129)

(Rio Deza – Pormenor II)

À sua saída,

23.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (130)

à esquerda, uma pedra com a seguinte inscrição:

Laboraverunt ista pontem era DCCCL fuit perfecta pridie kalendas aprilis” (Tradução livre:- Trabalharam esta ponte na era 950 e foi concluída a 31 de março). A  era 950 corresponde ao ano 912.

24.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (136)

Mais à frente, depois de passarmos um bocadinho pelo asfalto, voltámos, outra vez, a pisar mais uma bonita vereda.

24.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (138)

A paisagem, antes de entrarmos em Silleda, torna-se muito agradável: quer quanto ao trilho e seu entorno,

25.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (152)

(Pormenor I)

26.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (157)

(Pormenor II)

27.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (165)

(Pormenor III)

quer quanto ao seu casario.

28.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (162)

Chegados a Silleda, fomos, de imediato, comer. Estávamos encharcados. Qualquer coisa nos serviu. Desta vez foi uma tortilha, acompanhada de pão e cerveja. No final, um café («solo»). Numa pequena esplanada do Café/Bar Porta.

29.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (167)

Num recanto da esplanada, que, cremos, dava para um estabelecimento de ensino, estavam três jovens. Metemos conversa com eles, a propósito de apanhar rede wi-fi. Um dos rapazes deu-nos a senha. E, caso interessante, quando depois de comermos, viemos para o albergue e perguntámos ao albergueiro se no albergue havia wi-fi, este diz-nos que não! Obviamente, tal circunstância, encheu de gáudio o Florens e a nós de alguma tristeza. Contudo, depois de acomodados, de tomarmos banho e pormos as nossas roupas a lavar e a secar, em maquinaria parecida à do albergue de Viladerrei, deitados na cama a descansar um pouco, pegámos no telemóvel. Afinal havia rede! A mesma que utilizámos no Café/Bar Porta! E estava a uma certa distância.

 

Antes de irmos para o albergue, e esperarmos um pouco que o albergueiro chegasse, passando por esta linda pérgola,

30.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (172)

tirámos uma fotos à Igreja local, de Santa Olaia,

31.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (174)

bem assim ao cruzeiro que lhe está num seu recanto,

32.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (177)

Fixando-nos no pormenor da sua imagem.

33.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (179)

Olaia é o nome que, por sinal, leva também o albergue onde ficámos.

34.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (180)

Trata-se de um albergue com bastantes compartimentos, levando, cada um, entre três a cinco camaratas. Infelizmente pouca gente passa por aqui, disse-nos a albergueiro. Era um albergue que antes era pertença da Xunta da Galicia, mas, agora, é da paróquia de Santa Olaia. Tem 3 pisos: no primeiro, sala de estar, comer, cozinha e lavandaria; no segundo, dependências para a Catequese; no terceiro, compartimentos de camaratas para os peregrinos. O albergueiro foi muito atencioso connosco: arranjou-nos um compartimento só para nós os quatro e ensinou-nos como por as máquinas de lavar e secar roupa a funcionar.

 

Foi enquanto a roupa lavava e enxugava que pegámos no nosso Bloco de Notas para rabiscar as linhas que os(as) leitores(as) estão neste preciso momento a ler.

 

Roupa limpa, pronta e arrumada nas mochilas, saímos para irmos à farmácia, levantar dinheiro e, naturalmente, à procura de restaurante para comermos.

 

O nosso itinerário

35.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (181a) (1)

passou pela Casa da Cultura local.

36.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (181a) (3)

Estávamos nas proximidades do Dia das Letras Galegas. Um dia de celebração em torno da língua galega, que começou a celebrar-se no ano de 1963, coincidindo com a celebração do centenário da primeira edição dos Cantares Galegos de Rosalía de Castro (17 de maio). Este ano, no Dia das Letras Galegas, fala-se de Carlos Casares e a este autor se presta uma homenagem.

 

Comemos num restaurante juntamente com outros peregrinos, alojados noutros estabelecimentos.

37.- CPIS - 8ª etapa (Castro de Dozón-Silleda) (181a) (5)

Boa companhia e confraternização, a que não faltou o contacto com os nossos familiares em Portugal.

 

E, do restaurante, fomos para albergue.

 

A etapa de amanhã não tem mais de 24 Km. Vamos ficar no Outeiro. Sábado, a última etapa, não tem mais de 17 Km. Agora, já bem rodados, e com o fim do Caminho à vista, os quilómetros a percorrer até nos pareciam verdadeiras passeatas!

 

Dizíamos no final dos apontamentos do nosso Bloco de Notas que, apesar de termos feito estas duas etapas últimas debaixo de chuva - e, às vezes, bastante – acompanhados de alguns troços menos interessantes pelo asfalto, valeu a pena o «sacrifício»: passámos por veredas de excecional beleza!

 

Neste ponto, tem razão o sítio do Vive el Camino quando nos diz que  entre os pontos favoráveis desta etapa, são os três bosques de carvalho (robles) que nos permitem admirar a beleza desta Galiza verde do interior. Qual o filho que diz mal de sua mãe?!

 

Apresentam-se os dados desta 8ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

38.- 8ª etapa 01

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

39.- 8ª etapa 02

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) do diaporama sobre esta

 

8ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (CASTRO DE DOZÓN-SILLEDA)

20
Mai18

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón)

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

10.maio.2017

 

7ª etapa:- Oseira-Castro de Dozón

000.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (21)

 ORA...

Acordámos com dor de costas. Pensávamos ser outras coisa, mas afinal foi do raio do colchão da cama que fazia uma cova!

 

Zé tinha combinado, na véspera, com a menina de receção, que esta iria chamar, pelas 7 horas e 30 minutos, a malta para, aqueles que quisessem, poderem estar presentes na eucaristia, celebrada na capela do mosteiro.

 

Esperou, esperou-se… e a menina falhou por falta de comparência.

 

Durante o tempo de espera, tomámos o pequeno-almoço a seco, constituído pelo pão que tínhamos comprado na véspera em Cea, fruta e chocolate, estes dois últimos produtos foram adquiridos, também na véspera, na receção do mosteiro.

 

Enquanto se esperava pela menina – que, afinal, não cumpriu, ou então, esqueceu-se – tirámos um conjunto de fotos no albergue:

  • primeiro, uma visão de conjunto do dormitório do albergue;

01.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (15)

  • segundo, à roda das 24 horas dos irmãos do mosteiro e,

02- .- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (12)

  • finalmente, no calafetário, a um conjunto de posts que nos relatam a história do cristianismo.

 

Ainda tirámos uma foto aos nossos três companheiros/peregrinos, junto da roda das horas e do Cristo do Camino

03.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (40)

e, como a menina não aparecia, tomámos a decisão de partir e pormo-nos a Caminho.

 

Hoje não tínhamos pressa. A etapa era uma passeata – mais ou menos 12 Km, de acordo com os dados oficiais. Foi assim planeado pelo Florens para compensar o esforço dos últimos dois dias.

 

Ao sol radiante da véspera, sucedeu um tempo com nuvens, ameaçando chuva, o que, no final da etapa, veio a acontecer.

 

 Logo à saída de Oseira, tivemos pela frente, primeiro, o asfalto,

04.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (49)

depois, por caminho de pé posto, uma dura e abrupta encosta.

05.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (61)

O que valeu foram as belas vistas que se tinha, ao fundo, para o cenóbio.

06.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (59)

A primeira parte desta nossa pequena etapa, decorreu sobre um trilho irregular e pedregoso.

 

Atingimos a altitude de 820 metros, ultrapassando um desnível de 170 metros.

 

Mas estávamos perante um dos troços mais bonitos deste nosso Caminho.

 

Mostremos a subida, a esforço, dos nossos companheiros, particularmente do jovem Rod.

07.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (67)

(Perspetiva I)

08.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (69)

(Perspetiva II)

10.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (70)

(Perspetiva III)

10.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (72)

(Perspetiva IV)

Chegados ao cimo, o nevoeiro era mais abundante, começava a cerrar.

11.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (73)

Zé aproveitou para fazer uma pequena pausa e, sentado no chão, meditar…

12.-CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (75)

A partir daqui, nosso trilho, descendo

13.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (77)

ia ter a uma estrada secundária e, mais uma vez, por uma vereda irregular e perigosa, na qual havia que ter cuidado para não escorregar no piso molhado,

14.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (83)

fomos ter a Vilarello

15.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (84)

para, depois, continuando num trilho estreito, com um solo irregular,

16.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (90)

mas apresentando-nos uma vereda verdadeiramente bela,

17.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (95)

chegávamos a Carballediña, pela estrada provincial OU-0404.

18.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (104)

Carballediña é terra chã, de bons pastos, um verdadeiro enclave, no concello de Piñor.

 

Começava a chuviscar. Há que por os «ponchos».

 

No Caminho encontrámo-nos com este agricultor do lugar. Falou da sua vida. E, naturalmente, dos seus cães.

19.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (106)

Orgulhoso, deixou-se fotografar com um seu predileto, que posou, com olhar calmo, para a nossa objetiva.

20.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (113)

Antes de Outeiro das Coiras, mais uma subida.

21.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (126)

Por estas bandas, deixámos as terras da província de Ourense, entrando nas de Pontevedra.

 

Entre troços bons e maus,

22.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (128)

Subindo e descendo, chegámos às proximidades da Gouxa (concello de Dozón),

23.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (133)

a primeira localidade de Pontevedra.

 

Aqui fizemos uma pausa. Entrámos num café

24.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (144)

e tomámos, agora a sério, com café com leite, o nosso pequeno-almoço, um autêntico e verdadeiro reforço ao do albergue de Oseira, que foi a seco.

 

Por Gouxa passava a via milenária, junto destes alpendres.

25.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (141)

Estes alpendres são construções tradicionais, onde se faziam as feiras e se expunham, a coberto, as mercadorias.

 

Saímos de Gouxa pelas traseiras do café, onde tomámos o pequeno-almoço reforçado e dirigimo-nos até Bidueiros. Terras fartas de gado e pastagens.

26.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (156)

Entre Gouxa e Bidueiros, sensivelmente duzentos a trezentos metros da Gouxa, damo-nos conta que tínhamos perdido o nosso telemóvel. Rod, quse sempre o nosso carro vassoura, quando voltávamos para o procurar, ufano, exibia-o. Pela segunda vez, este «Caça Tesouros», tinha-nos salvo!

 

Caminhando pelo asfalto, dirigimo-nos a San Martiño, atingindo o seu alto, com 816 metros de altitude.

 

Agora era só descer, continuando no asfalto.

 

Ao longe, aparece-nos o povo de Castro de Dozón.

27.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (157)

Em pouco minutos, debaixo de chuva, que começava a ficar cada vez mais intensa, chegávamos a Castro de Dozón, verdadeiramente encharcados.

 

À entrada do povo, entrámos no restaurante para almoçar.

 

Logo após o almoço, fomos para o albergue.

 

No nosso «Bloco de Notas» aparece-nos o comentário de que o albergue de Castro de Dozón é municipal e que a terra é pequena, apenas com um restaurante.

 

Possui uma singela igreja,

28.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (176)

que a visitámos por dentro,

30.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (172)

observando o pormenor do retábulo do seu altar-mor.

29.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (166)

Na volta que demos por este pequeno povo não vimos nada de significativo a realçar. O tempo chuvoso também não dava para muitas deslocações e paragens. Fica apenas, a título de registo, um aspeto do seu entorno.

31.-CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (180)

Ainda no nosso «Bloco de Notas» consta uma crítica não ao albergue, mas ao que nele vimos. Reza assim: “Aqui vêm ter, essencialmente, muitos turi-peregrinos. É um verdadeiro «escândalo»: andar nem sequer meia dúzia de quilómetros a pé, com o táxi a acompanhar o pessoal em sítios nevrálgicos para os levar para os albergues. Quem tem dinheiro para andar de táxi, podia muito bem também ficar em outros alojamentos e deixar em paz, e mais à-vontade, aqueles que, ou por fé ou por verdeiro espírito de caminheiro, andam todas as etapas a pé. Mas o que mais nos choca, particularmente aqui no albergue de Castro Dozón, é fazer-se publicidade deste serviço, em placares apostos nas suas paredes e porta de entrada. Uma vergonha!

 

Obviamente que o que se transcreveu é um desabafo/crítica pessoal, pois compreendemos muito bem no que os caminhos de Santiago de Compostela, hoje em dia, se transformaram…

 

Com este desabafo, hoje ficamos por aqui.

 

Apresentam-se os dados desta 7ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

32.- 7ª etapa 01 (1)

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

33.- 7ª etapa 01 (2)

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) do diaporama sobre esta

 

7ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (OSEIRA-CASTRO DE DOZÓN)

ET LABORA

34.- CPIS - 7ª etapa (Oseira-Castro de Dozón) (10)

19
Mai18

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago:- 6ª etapa (Ourense-Oseira)

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

09.maio.2017

 

6ª etapa:- Ourense-Oseira

 

45.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (405A)

 Saímos muito cedo do albergue de São Francisco. Começava o sol a raiar.

01.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (4)

 (Edifício do Auditório de Ourense)

No primeiro café que encontrámos aberto, tomámos o pequeno-almoço. Ainda não havia pão.

 

Fomos direitos à praça Concepción Arenal e dirigimo-nos para a ponte medieval ou Ponte Vella.

02.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (10)

Da Ponte Vella, olhando à esquerda, aparece-nos, com toda a sua beleza arquitetónica, a Ponte do Milenium.

03.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (9)

Já da outra margem do rio Minho, caminhámos pela avenida de As Caldas, até encontrarmos um cruzamento com um marco em pedra, de Nicanor Carballo.

04.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (20)

Aqui tivemos de tomar uma decisão importante: ou virávamos para a avenida de Santiago, seguindo depois o Caminho Real, ou então, seguindo em frente, optávamos pela alternativa de Quintela. Aos nossos companheiros de Caminho era-lhes indiferente qualquer alternativa. Como já no passado ano de 2007, quando fizemos o Caminho, fomos pelo Caminho Real, sugeri Quintela. E fomos em frente, passando pela Estação de caminhos-de-ferro de Ourense.

05.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (24)

A partir de Cachaxuas, lá tivemos de enfrentar aquela pronunciada subida da costa de Canedo, entre Requeixo e Castro de Beiro e até Amoeiro, depois de passarmos debaixo de um velho viaduto (ponte),

06.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (36)

enquanto observávamos o novo, e bem mais comprido.

07.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (33)

Todo o percurso em asfalto.

08.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (41)

No ar havia fumo intenso e, por cima das nossas cabeças, periodicamente, passavam helicópteros. Algures, próximo, havia incêndio florestal.

09.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (39)

O Caminho Real sabemos que não é pêra fácil. Mas este pedaço de Caminho em nada lhe fica atrás. Nas paragens que íamos fazendo para descansar, houve momentos em que nos arrependemos de tomar esta opção. Contudo, como diz o ditado, “não há mal que sempre dure…”. Com a língua de fora cegámos ao alto da estrada.

 

No final da sua via crucis, eis o nosso Zé, um dos mais frescos, em posição de crucificado.

10.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (61)

A partir daqui, o Caminho, com as suas diferentes veredas, encantou-nos, ao ponto de, enquanto por elas caminhávamos, pensarmos que tinha valido a pena o esforço.

 

Na passagem por Liñares, uma pausa na «Pausa do Peregrino», do amigo César, amante de Portugal e dos portugueses, dizia-nos. No seu humilde bar, em destaque, um placar com estes dizeres:  “non se prohibe falar galego”.

 

É um lugar todo ele recheado de recordações, lembranças e ofertas dos peregrinos que por aqui passam.

11.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (80)

Não bebemos qualquer espécie de bebida alcoólico, apesar de alguns ditos apostos naquele exíguo espaço, como este:

o vinho branco

é meu primo

e o tinto meu parente

non hay millor cousa

que beber

com boa gente”.

 

Limitámo-nos a beber simplesmente café com leite, preparado à «maneira» do ti César…

12.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (91)

Aqui se juntou a nós um amigo, cremos ser natural da Bretanha ou da Provença (?), com quem o jovem Rod  fez amizade.

13.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (102)

Antes de sairmos daquela típico barzinho, um outro dito nos chamou a atenção. Citemo-lo:

A vida é curta

a morte é eterna

hay que morrer

na taberna”.

 

Por estes ditos podemos ver o teor do bar do nosso anfitrião neste bar do nosso Caminho.

 

Feitas as despedidas, com a fotografia da praxe com o ti César,

14.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (96)

Partimos,

15.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (103)

caminhando por uma vereda/avenida lindíssima de carvalhos (robles)

16.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (116)

em direção a Mandrás, onde nos chamou a atenção a sua ponte medieval

17.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (135)

 e a sua fonte, com a cantarinha no cimo.

18.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (142)

À saída desta aldeia, do BNG (Bloco Nacionalista Galego) este «memorial» a Xosé Manuel Quintela González (1957-2007).

19.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (148)

Ultrapassadas as aldeias de Pulledo e Casas Novas, chegámos a Anllo, passando por este, entre outros recantos,

20.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (174)

onde a variante do Caminho Real se encontra com a nossa.

 

Aqui parámos para tomar uma cerveja e comer frutos secos.

 

San Cristovo de Cea estava já muito perto. E esperava-nos.

21.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (191)

Quando, em 2007, fizemos este Caminho ficámos em Cea.

22.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (207)

Chegados a Cea, o que desejávamos era comer. E, no único restaurante do lugar, almoçámos.

23.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (203)

No largo do Relógio (Praça Maior) parámos um bocadinho.

24.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (212)

Havia que, nas proximidades, numa caixa automática, levantar dinheiro.

 

Ao sairmos de Cea em direção a Oseira,– uns bons 8,5 Km ainda –, pela rua Lodairo, não faltou a fotografia tirada à escultura dedicada às padeiras e aos padeiros de Cea, inaugurada na XII Festa da exaltação do pão de Cea, a 6 de julho de 2003, e muito afamado principalmente na galega província de Ourense.

25.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (226)

Não nos arrependemos optar pela variante de Oseira, em vez de irmos pela de Piñor.

26.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (235)

Por esta variante encontrámos veredas muito lindas, não deixando de as captar com a nossa pequena objetiva.

27.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (241)

28.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (260)

(Perspetiva II)

29.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (267)

(Perspetiva III)

Zé, um neófito nestas coisas dos Caminhos de Santiago, feliz pelo que percorria e via!

30.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (266)

Ultrapassado a linda vereda com o seu bosque, entrámos em Silvaboa e passámos por Pieles.

31.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (277)

Entre Silvaboa e Pieles, à borda da estrada, fizemos uma pequena pausa para comermos fruta.

33.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (299)

Florens e Rod andavam felizes.

34.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (324)

Faltava já pouco para chegarmos a Oseira. Era só passar por A Ventela, com a sua igreja matriz à vista da estrada,

34.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (324)

e poucas centenas de metros mais à frente, depois de passarmos por esta fonte,

35.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (330)

com o escudo de Ourense e da Ordem de Cister, entrávamos em Oseira. O «Monasterio de Santa María la Real de Oseira» apresentava-se-nos com toda a sua opulência de oito séculos de história.

36.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (336)

Foram momentos de alegria, espanto e alívio, aqueles que vivemos, junto a esta pequena queda de água do rio Oseira, antes de nos dirigirmos para o albergue, sito numa das dependência do mosteiro.

37.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (342)

Mas confessemos: chegámos, uma vez mais, tal como ontem, todos rotos. Foram 12 longas horas pelo Caminho, embora só 7 horas e 46 minutos a andar.

 

Já conhecíamos Oseira e o seu célebre mosteiro. Inclusive até já aqui nos deslocámos e ficamos na sua Pousada três dias para o conhecer melhor - mosteiro e igreja - e todo o seu entorno, usufruindo da sua paisagem e do seu silêncio. Naquela altura, ainda não havia albergue. Este, foi recentemente aberto.

38.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (358)

É um albergue humilde, aliás como o de Samos, no Caminho Francês, e o de Sobrado dos Monxes, no Caminho do Norte. Mas deu para pernoitar. O termos feito esta variante e os nosso companheiros peregrinos conhecerem este  mosteiro valeu bem o sacrifício!

 

Ficámos 8 no albergue: dois casais, que, segundo nos pareceu, apenas fizeram meia dúzia de quilómetros e, depois, andaram de táxi, e nós os quatro «mosqueteiros».

 

Depois de acomodados, tomado banho e descansarmos um pouco, fomos dar uma volta pelo pequeno lugar. Não entrámos dentro do mosteiro: só com visitas e nós já estávamos já fora das horas de visita. Apenas vimos muito de relance o interior da sua igreja.

 

O mosteiro foi fundado em 1137 pela Ordem de São Bento. Para além do incêndio que o assolou no século XVI, após a desamortização, com o Liberalismo, este enorme complexo, considerado o Escorial galego, sofreu uma enorme devassa e entrou em ruínas. Dada a sua antiguidade, teve, por isso, períodos de luzes e sombras. Nele se podem encontrar vários estilos arquitetónicos, idealizados por reis e abades, com obras executadas pelos artistas mais virtuosos da época.

Dentro dos seus muros escondem-se verdadeiros tesouros.

 

A reabilitação que foi feita, para além de muitos contributos e vontade, deve-se também à circunstancia de, a partir de 1930, os monges voltarem a habitá-lo.

 

Séculos atrás, foi lugar de passagem dos peregrinos para Santiago de Compostela. E os seus monges, para além de cuidarem da alma, ajudavam a curar os pé dos caminhantes, com diversos unguentos ou emplastros, elaborados na «botica» (farmácia) monástica.

 

Mostremos alguns aspetos mais significativos e importantes do exterior, com os seus estilos arquitetónicos, quer do mosteiro, quer da sua igreja.

39.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (391)

(Entrada)

40.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (364)

(Fachada principal do mosteiro)

41.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (369)

(Fachada Principal da Igreja)

42.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (374)

(Entrada para o mosteiro com o escudo da Ordem de Cister)

43.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (383)

 (Pormenor da Fachada da igreja com o escudo da Coroa Espanhola)

Tiradas as fotos da praxe a este belo património, fomos ter a um modesto café/bar «Venezuela», onde jantámos.

44.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (397)

Logo após o jantar, fomos para o albergue.

 

Em 2012, quando fazíamos a reportagem deste Caminho, levado a cabo já em 2007, quanto ao «Monasterio de Santa María la Real de Oseira», fizemos um Destaque, com 2 posts. A exemplo do que aconteceu com o «Destaque» quanto a Ourense, referido na última etapa, entre Allariz e Ourense, temos imensa pena que algumas fotografias  tenham desaparecido dos posts!  Os assuntos abordados foram os seguintes:

 

Se o leitor(a) quiser ter uma informação mais detalhada sobre a variante que vai de Cea até Oseira, aconselha-se a leitura do sítio do Vivecamino, etapa Cea-Castro de Dozón. https://vivecamino.com/etapas/cea-castro-de-dozon/ , particularmente no que se refere ao Mosteiro de Santa Maria de Oseira.

 

Apresentam-se os dados desta 6ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

46.- 6ª etapa 01 (1)

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

47.- 6ª etapa 01 (2)

 

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) do diaporama sobre esta

 

6ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (OURENSE-OSEIRA)

 

 

00.- CPIS - 6ª etapa (Ourense-Oseira) (188)

18
Mai18

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago - 5ª etapa (Allariz-Ourense)

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

08.maio.2017

 

5ª etapa:- Allariz-Ourense

00.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (228)

Tomámos o pequeno-almoço na Pousada Torre Lombarda. Os pastéis de Chaves da véspera fizeram parte do nosso repasto matinal.

01.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (15)

Saímos da Hospedaria Torre Lombarda.

02.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (26)

Demos uma última vista de olhos ao recinto exterior.

03.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (30)

Do alto em que estávamos, víamos o rio Arnoia, lá mais em baixo. E «botámo-nos» a Caminho, atravessando as ruas de Allariz em direção

04.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (35)

à ponte romana de Vilanova.

05.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (33)

(Pormenor)

Depois de Allariz sucede-nos Frieira. Atravessámos a freguesia de Santiago de Folgoso, passando por Roiriz de Abaixo, Roiriz de Acima, Rubiás, Espiñeiros, Turzas e A Vila. São pequenas aldeias. Encantou-nos uma ou outra pela sua cantaria.

06.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (65)

 Infelizmente, a maioria delas, estão abandonadas. Terras de gente velha («maior»), teimando no cuido e amanho das suas courelas.

07.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (69)

Em pouco menos de 8 Km estávamos em Santa Mariña de Augas Santas.

 

Santa Mariña de Augas Santas é uma terra já nossa conhecia, aquando de um passeio realizado pela Associação de Fotografia e Gravura «Lumbudus».

 

Fizemos um ligeiro desvio à nossa «rota» para vermos (e nós revivermos), mais em pormenor, esta terra, com os nossos companheiros de jornada.

 

Fizemos, assim aqui, uma pequena pausa para reforço do nosso pequeno-almoço

08.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (108)

e para vermos o interessante conjunto religioso, (composto pelo seu popular santuário, em estilo românico,

09.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (99)

tendo ao lado o antigo paço de verão do Bispo de Ourense,

10.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (87)

a segunda fonte de Santa Mariña,

11.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (98)

tendo ao lado o seu secular e já carcomido carvalho, com o Rod no seu «ventre»)

12.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (96)

etnográfico

13.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (107)

e arqueológico.

 

Santa Mariña foi uma mártir da época romana. Sua vida se mistura entre a hagiografia, a lenda e a tradição. Trata-se de um culto bem antigo que nos chegou até hoje, como esta terra o prova. Pena foi a Igreja/santuário estar fechada. Nossos companheiros do Caminho teriam gostado do que nela lá se encontra!

 

Como não podia deixar de ser, não podíamos sair desta terra sem vermos, percorrendo o seu espetacular bosque de carvalhos «sagrados»,

14.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (124)

a basílica da Assunción,

15.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (134)

inacabada, do século XIII, com o forno da Santa na sua cripta; a célebre «Pioca» e o «Carvallo»

16.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (128)

e, naturalmente, a sua «rocha-boleto».

17.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (140)

Depois de nos acercarmos do Castro Armea, fomos desembocar na calçada romana, uma derivação da Via XVIII, do Itinerário Antonino, enfiando-nos, no meio de algumas dúvidas, no «trilho» do nosso Caminho.

 

Se o leitor quiser ter uma informação mais pormenorizada acerca deste conjunto de Santa Mariña de Augas Santas, recomendamos vivamente a leitura do sítio da internet – Galicia puebo a puebo – Santa Mariña de Augas Santas, Allariz.

 

O nosso «Bloco de Notas» dá-nos conta que, enquanto andávamos às voltas pelo bosque de carvalhos «sagrados», à procuras das setas ou vieiras do nosso Caminho, perdemos, pela calçada romana, a «pen» onde levámos a música para ouvirmos durante o Caminho. Ficámos desolados. Voltámos à calçada romana para a procurarmos. Mas não a encontrámos. A páginas tantas, na nossa traseira, vem o Rod exibindo o «troféu» na mão. Respirámos de alívio. E comentávamos que o Rod dava bem para «Caça Tesouros».

 

Até aqui estávamos encantados com o percurso do nosso Caminho.

 

De Santa Mariña de Augas Santas a Pereiras percorremos uns escassos 4 Km.

 

É exatamente nesta localidade de Pereiras, onde fizemos uma curta pausa num bar para bebermos uma cerveja,

18.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (158)

que a variante do Caminho da Via de la Plata ou Caminho Sanabrês, vindo de Laza, que desemboca aqui com a nossa variante.

 

A partir de Pereiras (concello de Taboadela), encaminhamo-nos para o município de San Cibrao das Viñas, passando pela A Castellana e a Ponte Nolla.

 

Andar no município de San Cibrao das Viñas, e pelo seu polígono industrial, é uma autêntica «chatura». Só asfalto, asfalto… num nunca mais acabar!

19.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (172)

Deste alto, a cidade de Ourense espera-nos.

20.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (189)

Antes de entrarmos no núcleo urbano de Ourense, passámos por San Breixo de Seixalbo.

 

Deixamos aqui ao leitor(a) algumas imagens deste bonito núcleo de Seixalbo, como este pormenor exterior da sua igreja matriz,

21.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (210)

E do seu casario.

22.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (195)

 (Pormenor I)

23.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (207)

(Pormenor II)

24.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (208)

(Pormenor III)

Depois desta descida,

25.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (217)

em pouco tempo entrávamos em Ourense, pela avenida de Zamora. E continuava o caminhar pelo asfalto, por uma enorme avenida, seguindo-se a rua de Nossa Senhora da Sainza e, mais no alto, a rua de Péña Trevinca.

 

Positivamente, chegámos ao albergue, em São Francisco, que fica nas proximidades do cemitério que leva o mesmo nome, todo roto.

26.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (226)

Um albergue com muita gente. Aqui acabavam-se as mordomias de Verín, Viladerrei e, claro está, da Hospedaria Torre Lombarda, em Allariz.

 

Neste simples, e «à pinha», albergue, acomodámo-nos como pudemos. Tomámos banho. Descansámos um pouco.

 

Após um ligeiro descanso, descendo umas escadas todas «pichadas» de grafites, fomos para o centro da cidade, para o seu centro histórico.

27.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (231)

Pousámos numa esplanada na praça Madalena,

28.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (239)

na qual impera um cruzeiro com a figura da Madalena.

29.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (241)

Sempre que vamos à Catedral de Ourense, o seu zimbório exterior fascina-nos.

30.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (234)

Demos uma volta depois pela Praça Maior,

31.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (244)

(Perspetiva I)

32.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (245)

(Perspetiva II)

33.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (246)

(Perspetiva III)

34.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (248)

(Perspetiva IV)

com a sua «movida» diurna,

35.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (242)

até que fomos ter a uma rua de tapas, onde aí comemos.

 

Não dispensámos uma ida ao célebre e afamado Café Latino.

36.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (255)

Acabados de comer, subimos escadas e fomo-nos deitar.

37.- CPIS - 5ª etapa (Allariz-Ourense) (263)

Em 2012, quando fazíamos a reportagem deste Caminho levado a cabo já em 2007, quanto à cidade de Ourense, fizemos um Destaque, com 6 posts. Temos imensa pena que algumas fotografias  tenham desaparecido dos posts!  Os assuntos abordados foram os seguintes:

 

Caso tenha interesse, deixamos à consideração do leitor(a) algum destes posts.

 

Apresentam-se os dados desta 5ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

38.- 5ª etapa 01

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

39.- 5ª etapa 02

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) o diaporama sobre esta

 

5ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (ALLARIZ-OURENSE)

 

17
Mai18

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz)

andanhos

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

07.maio.2017

 

4ª etapa:- Xinzo de Limia - Allariz

00.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (311)

Tomámos o pequeno-almoço no hotel de Xinzo.

 

Saímos do hotel e percorremos quase, de uma ponta à outra, a vila.

01.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (2)

Foi quase um quilómetro para sair de Xinzo.

 

Andámos, durante quatro quilómetros, em asfalto, para chegarmos a Vilariño das Poldras, já no concello de Sandiás.

 

Este território, em que acabávamos de entrar, é constituído por uma extensa zona de concentração parcelária, constituída por terrenos daquilo que outrora foi a Lagoa de Antela. É um território com casas senhoriais (paços), torres antigas e castelos, que se vislumbram no horizonte, conforme passamos. O percurso de ontem e de hoje é todo ele feito, na sua maior parte, em planura. Na maior planura de toda a Galiza, a par da Terra Chá lucense. E também de antigas calçadas.

 

Em Vilariño das Poldras subimos até ao cimo da aldeia e fizemos uma pequena pausa para descansarmos e fazermos o reforço do nosso pequeno-almoço, junto de um forno do povo ou comunitário.

02.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (58)

Sempre a subir agora, chegávamos a Conso de Limia. Aqui, num café, tomámos meia de leite cada um dos três, uma vez que o reforço do pequeno-almoço tinha sido a seco. A senhora do café, simpática, ofereceu, a cada um, uma «bica», um pequeno bolo com massa muito parecida com o nosso pão-de-ló. Aliás, tal como se usa em Laza, por ocasião do seu Entroido.

 

Seguindo o Caminho, fomos até Sandiás, sede do concello.

 

Por Sandiás cruzava-se a Via Nova romana ou Via XVIII, que comunicava Chaves com Lugo, passando por Ourense. Aqui, em Sandiás, estava localizada uma «mansion» romana – a Geminis da Via Nova.

 

As planícies que rodeiam este território foram palco de importantes lutas entre os nobres e os «irmandiños». E também território disputado por Portugal, que o invadiu várias vezes.

 

Aqui passámos pelo albergue, pela casa do concello, observando o seu pequeno centro urbano.

03.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (95)

Descemos agora. Virando à direita, fomos ver a Igreja Matriz, dedicada a Santo Estêvão, com nítidas influências portuguesas (século XVI).

04.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (122)

Não deixámos de dar uma vista de olho à sua Reitoral

05.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (132)

e ao seu cruzeiro.

06.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (114)

(Pormenor)

Ao longe, mas não muito, a Torre, roqueira, do castelo de Sandiás, onde segundo diz o Vivecamino, se pode ver toda a Lagoa de Antela, a maior de Espanha, com 6x7 Km, com um sapal.

 

07.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (151)

Estávamos para ir lá. Acabámos por não ir. Ainda havia Caminho para andar e o sol já começava a apertar. Ficou para um passeio, noutra ocasião.

 

Pelo asfalto, com o sol apertando, chegávamos a Novaiño, passando pelo Restaurante que leva o mesmo nome.

 

Não demorou muito tempo a chegarmos a Piñeira de Arcos.

 

Aqui fizemos uma paragem para beber água, refrescando-nos. Até porque o que víamos merecia verdadeiramente uma pausa. Não só a sua igreja, com o cemitério e todas as suas construções anexas,

08.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (196)

 principalmente o panorama do entorno que aqui observávamos, tendo sempre a permanente presença da torre roqueira do concello.

09.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (201)

Eram horas para ir à missa.

 

A partir desta localidade deixávamos o concello de Sandiás, embrenhando-nos na zona mais rural e de bosque do concello de Allariz,

10.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (279)

passando pelos limites de Corras del Coedo, Outeiro de Torneiros, Paradiñas, Torneiros e Pegas do Cotorro. Após a passagem por uma vasta zona, com os seus interessantes bosques de carvalho,

11.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (218)

 chegámos a San Salvador de Penedos (e como o nome lhe fica tão bem!).

12.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (298)

Fizemos aqui, nesta aldeia, mais uma pausa. Por dois motivos: o primeiro, porque necessitávamos de nos hidratar, (e estávamos sem água), o que, para o efeito, tivemos de pedir a uma habitante, dos poucos que vimos, que nos desse água da sua torneira de casa;

13.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (312)

 o segundo, porque o seu núcleo habitacional, com o seu casario de pedra, merecia a pena perdermos uns bons minutos para o observarmos. Até a sua singela capela

14.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (317)

e recinto…

15.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (319)

A partir daqui, e até à localidade de Paicordeiro, já nas «barbas» de Allariz, foi um deslumbramento para a vista e um extraordinário prazer caminhar por esta antiga, extraordinária e bela vereda,

16.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (341)

 entre penedias e um espetacular bosque de carvalhos,

17.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (369)

a quem não faltou os sinais antigos das rodeiras dos carros de bois,

18.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (360)

tendo ainda, no seu percurso, um lugar afamado e de tradição – a Fonte do Santo.

19.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (349)

Rod subiu até à nascente.

21.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (357)

Ultrapassado o lugar de Paicordeiro, em poucos minutos, estávamos em Allariz, uma vila galega e das mais belas e conservadas.

 

Diz-nos o blog Toprural  e  a Wikipédia que Allariz fica a 20 Km de Ourense. Tem 6 000 habitantes e é portadora de uma beleza arquitetónica e um encanto, que delicia a todos que por aqui passem.

 

Foi vila medieval e residência de reis, como Alfonso X, o Sábio. Depois de muitos séculos de grandeza, foi perdendo o seu prestígio, particularmente ao longo do século XX, com o declínio das grandes indústrias: primeiro, a do linho; mais tarde, a do couro.

 

Nos finais da década de 70 do século passado, os seus autarcas levaram a cabo um plano de desenvolvimento que converteu esta terra num «idílico» destino turístico.

 

Allariz foi distinguida com dois prémios: Conjunto histórico Artístico, em 1971 e Prémio Europeu de Urbanismo, em 1944. O seu território concelhio está incluído na Reserva da Biosfera.

 

Entretanto o telefone tocava. Tínhamos visitas, esperando-nos em Allariz. E não foi só o prazer da sua presença que nos alegrou. Trouxeram algo que, um bom flaviense, em certas ocasiões, não dispensa de comer, particularmente para quem vinha esfomeado – os nossos pastéis de Chaves.

 

As «madames»

21a.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (402)

convidaram-nos para comer num restaurante, na Praça Maior de Allariz. Enquanto apreciávamos a comida galega, púnhamos-lhes em dia as nossas peripécias das etapas do nosso Caminho.

 

Como diz o ditado, “merenda feita, companhia desfeita”. As nossas visitantes foram para as lojas do «outlet» de Allariz e nós, uma vez que não há albergue de peregrinos em Allariz, pois o único que havia, mesmo ao lado, ou nas dependências do Real Convento de Santa Clara, fechou, fomos ter à Torre Lombarda, o nosso poiso previamente marcado para ficarmos hoje e pernoitarmos e onde, descansando um pouco, esperávamos a vinda do nosso companheiro peregrino que, aqui, se iria juntar a nós e, juntos, caminharmos até Santiago de Compostela – o Zé.

 

O Zé chegou a meio da tarde. Recebemo-lo condignamente numa casa de turismo rural das mais bonitas de Allariz que, em tempos, esteve ligada à indústria de curtumes.

21b.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (414)

Pusemos a escrita em dia e depois fomos à descoberta de Allariz.

 

Nós já somos mais que repetentes, em visita, a esta pequena e linda cidade galega. Nossos companheiros peregrinos nada, ou quse nada, conheciam desta terra. Mas também não era em meia tarde que se conhece, a fundo, Allariz

 

Comigo como cicerone, fomos vagueando com os nossos «compagnons de route», mostrando-lhes o que nos pareceu o essencial, mais significativo e mais importante de Allariz.

 

Aqui fica, pois, os elementos do património natural e construído que nos pareceu mais sugestivo mostrar.

 

Agora, com o Zé como companheiro,

21c-.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (464)

dirigimo-nos ao Campo de la Berreira. Aqui se situam quatro elementos arquitetónicos de grande interesse artístico: o Real Mosteiro de Santa Clara,

22.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (397)

fundado em 1268 pela mulher de Alfonso X, o Sábio; a fonte circular

23.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (387)

 de Ferro Caaveiro, de 1783; a Igreja de São Bento (Benito ou Bieito),

25.- CPIS - 4ª etapa 24.- (Xinzo de Limia-Allariz) (470)

de estilo barroco, e os dois cruzeiros que se encontram à entrada da fachada principal da supra Igreja de São Bento.

26.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (398)

(Pormenor de uma face de um deles)

Se o leitor quiser mais completa informação, descendo a pormenores sobre este património, bem como outro, de Allariz, aconselha-se que se consulte a publicação do Concello de Allariz, que dá pelo nome «Cultura e Tradición no tempo».

 

Continuando o nosso passeio urbano, fomos ter a uma outra igreja, de raiz românica, do 1º terço do século XII, modificada em 1581 – a Igreja Paroquial de Santo Estêvão.

27.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (469)

Diz a página do concello acima citada que a obra da Igreja de Santo Estêvão está feita em silhares vinda do Campo de los Blancos, “com os quais se inicia uma correlação entre a reconstrução das igrejas românicas de Allariz e a destruição das suas fortificações”.

 

Descendo para a rua do Cárcel, encontramos a Igreja de Santiago, situada na Praça Maior. Esta igreja iniciou-se em 1119. E, dizem as nossas fontes de informação consultadas, é um exemplar fundamental do românico popular galego.

28.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (465)

Da Praça Maior, descemos para as margens do rio Arnoia, pelo meio do seu antigo e histórico casario,

29.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (448)

antes de atravessarmos a velha ponte romana – a Ponte de Vilanova.

30.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (438)

À entrada da ponte, mais uma igreja, das seis existentes em Allariz – a Igreja de Vilanova.

31.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (445)

Atravessada a ponte, iniciámos um pequeno passeio ribeirinho, ao longo do Arnoia.

 

No final deste passeio pelo parque fluvial, Florens e Zé detiveram-se a olhar para este cruzeiro.

32.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (472)

Em Allariz não faltam cruzeiros. Foi entre 1575 e 1580, por ocasião da peste bubónica, que mais cruzeiros se construíram, principalmente nas proximidades e à frente das igrejas.

 

Atravessámos a estrada e, mais uma vez, fomos para as margens do Arnoia, indo ter até uma antiga fábrica de curtumes, hoje transformada em restaurante e museu dos curtumes, num espetacular enquadramento com o rio, transformando-se este espaço no Parque Etnográfico do Rio Arnoia.

33.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (421)

Estava feito o nosso périplo. Voltámos para trás. Atravessámos a ponte de Allariz por onde se efetua o seu trânsito rodoviário e, antes de irmos para a Torre Lombarda, o nosso alojamento, passámos pelo edifício do Mercado, e, como não podia deixar de ser, não dispensámos uma visita ao conjunto escultórico que representa a maior festa de Allariz – a Festa do Boi – na praça do Eiró, e que todos os anos, por ocasião do Corpo de Deus, aqui se celebra durante 10 dias.

34.- CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (477)

Porque estando muito perto, ainda fomos dar uma espreitadela à Igreja de São Pedro, também de raiz românica.

 

Deixamos à consideração do leitor(a) um sitio da internet que nos relata a Festa do Boi e as suas origens.

 

Para aqueles que queiram conhecer um pouco mais Allariz e a sua história, recomenda-se o sítio da internet que nos elucida sobre a História de Allariz.

 

E na praça do Eiró, com o conjunto escultórico da Festa do Boi, terminámos o nosso passeio de fim de tarde por Allariz.

 

Muito mais havia que ver, como o Museu de Arte Sacra, sito no Real Mosteiro de Santa Clara, com as duas mais famosas peças – a Virgem Abrideira e a Cruz de Cristal de Roca; o Museu Galego do Brinquedo (Juguete); a Casa Museu Fundação Vicente Risco; parte das suas antigas muralhas; os bairros judeu e de Socastelo; o Museu Iconográfico Aser Seara; Castro Torre de Castro Oxea; a Paneira, mesmo ao lado do edifício do concello, na Praça Maior e, naturalmente, o Penedo da Vella e o Castelo (ou simplesmente o sítio onde ficava), onde se tem uma bel vista sobre Allariz.

 

Finalmente, quanto a lendas que por aqui correm, há a do homem-lobo Manuel Blanco Romasanta  e as «andanças» do Gigante Monchiño de Corvillón.

 

Aconselho vivamente a quem se interesse por Allariz que leia Allariz 25 Miradas.

 

Apresentam-se os dados desta 4ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

35.- 4ª etapa 01

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

36.- 4ª etapa 02

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) do diaporama sobre esta

 

4ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (XINZO DE LIMIA-ALLARIZ)

 

 

37.- - CPIS - 4ª etapa (Xinzo de Limia-Allariz) (179)

16
Mai18

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago (CPIS) - 3ª etapa (Viladerrei - Xinzo de Limia)

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

06.maio.2017

 

3ª etapa:- Viladerrei – Xinzo de Limia

00.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (226)

Levantámo-nos. Fizemos as nossas oblações matinais e fomos tomar o pequeno-almoço ao Restaurante/Café César.

 

O tempo de manhã, não estava claro. E apresentava-se fresco. Bom, pois, para caminhar. Com um dia primaveril todo ele verdejante.

01.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (5)

Num instante estávamos em Trasmiras.

02.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (22)

Fotografamos a capela da Virgem da Gracia e subimos até à Igreja Matriz, onde também tirámos fotos.

03.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (23)

Chamou-nos a atenção este singelo e sugestivo cruzeiro, sito no cemitério, ao lado da Igreja.

04.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (38)

Descemos e entrámos nas grandes retas do vale do Lima,

05.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (49)

com plantações de batatas

06.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (79)

e semeadura de cereais.

07.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (84)

Passámos por Zos

08.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (97)

e subimos até à sua Igreja Matriz, de traça românica.

09.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (105)

E continuámos caminhando pelas retas do vale do rio Lima

10.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (135)

até à aldeia de Boado.

11.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (149)

Subimos também até à Igreja, de matriz também românica.

12.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (160)

Fizemos aqui, nas imediações da Igreja, o reforço do nosso pequeno-almoço, com o farnel que trouxemos do Restaurante/Café César, e descemos até à aldeia para continuarmos pelo trilho do nosso Caminho.

13.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (183)

Cruzámos a A-52 – autovia das Rias Baixas.

 

14.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (192)

Depois foi sempre a andar até Xinzo de Limia, pela margem direita do rio (Lima).

15.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (199)

Em Xinzo, tomámos meia de leite no Café Rudi

16.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (225)

E, depois, fomos saber de hotel para nos acomodar. Em Xinzo Não há albergue!

 

Acomodados no hotel, saímos para comer.

 

E depois foi um vaguear por Xinzo.

 

Fomos ver a Igreja de Santa Marina,

17.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (241)

(Perspetiva I)

18.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (261)

(Perspetiva II)

também de raiz românica e a estátua da «Pantalla»,

19.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (273)

«o símbolo» do Carnaval ou Entroido de Xinzo.

 

Aqui fica situado o Museu Galego do Entroido.

20.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (235)

Andámos a fazer horas, fotografando,

21.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (303)

 até à hora do jantar e, por volta das 17 horas e 30 minutos, na Estação de autocarros, entrámos numa pizaria para jantarmos.

22.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (332)

Foi com enorme calma que fizemos esta etapa do Caminho, sem pingo de água a fustigar-nos, a não ser umas «pinguitas» no final da etapa. Mas coisas de nada.

 

Cinco aspetos a destacar nesta etapa.

 

O primeiro. Quando parámos, por alguns minutos, logo à saída de Tramiras, em plena veiga do Lima,  para vermos três cães que, desalmadamente, corriam à caça de uma lebre. Logo ali se formaram dois partidos: os do que gostavam que a caçada dos cães tivesse sucesso e o desespero de Rod que, com uma pena «humanitária» estava desejoso de não ver aquele «sacrifício» da pobre lebre. Ganhou o Rod: o diabo dos cães, em corrida, não tiveram «peito» para a veloz lebre Inopinadamente abandonaram a «sua» caça. O dono dos cães, por perto, é que não gostou da façanha, do comportamento tão aselha dos seus «peritos».

 

O segundo. A contemplação dos exemplares românicos das igrejas de Zos, Boada e Santa Marina, em Xinzo. Gostámos mesmo de as fotografar!

 

O terceiro. Parra referir que, desgraçadamente, não conseguimos captar, com a nossa objetiva, um veado, quando saíamos do vale do Lima.

 

O quarto. O coaxar das rãs em plenos charcos do rio Lima, nas proximidades já de Xinzo. Até fizemos uma gravação desta «sinfonia»…

 

Por último. Os patos reais a nadarem também no rio Lima, já muito perto da zona urbana de Xinzo.

22.- CPIS - 3ª etapa (Viladerrei-Xinzo de Limia) (203)

Apresentam-se os dados desta 3ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

24.- 3ª etapa 01

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

25.- 3ª etapa 02

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) do diaporama sobre esta

 

3ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (VILADERREI-XINZO DE LIMIA)

15
Mai18

Memórias de um andarilho:- Caminho Português Interior de Santiago (CPIS) - 2ª etapa (Verín-Viladerrei)

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

05.maio.2017

 

2ª etapa:- Verín-Viladerrei

00.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (212)

 

 

Pela manhã, fomos acordados no albergue de Verín, por um violento vendaval, com uma enchente de chuva.

 

Ficámos mais uma hora na cama a ouvir a chuva a cair intensamente no telhado da Casa do Escudo, esperando que o tempo aliviasse mais um bocado.

 

Hoje, pelos vistos, o nosso dia estava talhado para a chuva.

 

A chuva não parecia que fosse parar. Levantámo-nos. Arranjámo-nos. Saímos do albergue.

01.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (2)

Num café depois da ponte sobre o rio Tâmega, tomámos o pequeno-almoço. Mochilas às costas, subimos a calçada

02.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (3)

que nos levou até ao Castelo de Monterrei, caminhando sob intensa chuva. Tirada, mesmo com chuva intensa, a foto da praxe ao castelo,

03.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (4)

no andar por estas bandas, andámos um pouco «aos papéis» até darmos com os marcos que sinalizam as variantes do Caminho Sanabrês ou Moçárabe.

 

Seguimos como havíamos predeterminado, ou seja, pela via da esquerda, em direção a Xinzo de Limia.

 

E continuava a chover.

04.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (23)

E a mesma desolação na paisagem dos vinhedos todos «chisnados» pela geada.

05.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (45)

O que, no meio da chuva e desta confrangedora desolação de paisagem, nos alegrava eram as cores primaveris das flores da giestas

06.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (33)

e da carqueja.

 

Em Albarellos, sede do concello de Monterrei,

07.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (56)

onde impera a torre sineira da sua igreja,

08.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (53)

parámos num café para reforço do nosso pequeno-almoço.

 

Continuámos o nosso Caminho, observando o estado desolador em que os vinhedos estavam.

09.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (71)

Até que chegámos a Infesta.

 

Por Infesta,

10.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (91)

e seus arredores, o Caminho foi duro de roer – sempre a subir. E, agora, ora chovendo, ora reluzindo o sol.

 

Em Infesta, numa aberta, e no alto dos seus montes, fizemos uma paragem, olhando para a linda paisagem que, ao fundo, nos exibia Verín.

12.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (104)

Subindo ainda mais, fomos até ao alto, atravessando a estrada 325.

13.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (118)

Enveredando depois por uma outra estrada local, continuámos o nosso Caminho, até que um marco nos mandou virar à direita.

14.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (119)

Sensivelmente um quilómetro mais acima, pelo asfalto velho e muito deteriorado,

15.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (116)

mais um marco nos mandou virar à esquerda. Mas 100 ou 200 metros mais à frente, não vimos mais nenhum marco ou qualquer sinalização. Seguimos à esquerda numa bifurcação, mas aproximadamente 200 metros a andar, o percurso não nos levava a nada,

16.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (128)

a não ser a terras de cultivo, onde encontrámos um pequeno apiário. Voltámos para trás e, na bifurcação por onde passámos, seguimos a vereda da direita. Era o Caminho correto!

 

Entretanto, o sol que estava brilhando, começou a desaparecer no meio das nuvens. E a chuva a começar a cair, acompanhada do ribombar de trovoadas.  E mais uma curta paragem para tirar da mochila o «poncho».

 

Até que chegámos à aldeia de Rebordondo, sob intensa chuva.

17.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (139)

Pensámos que o pior percurso do Caminho a subir já o tínhamos feito. Desgraçadamente, enganámo-nos – o pior ainda estava para vir – o Alto das Estivadas,

18.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (152)

que nos levaria até Penaverde.

19.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (163)

Atravessada Penaverde, agora já só «moliscando», fizemos a descida de, aproximadamente 3 Km,

20.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (183)

até Viladerrei.

 

Parámos no Restaurante César para almoçar – cozido à galega, que não chega aos calcanhares de qualquer cozido à portuguesa. O Rod focou-se por um bife com batatas fritas e um ovo estrelado.

21.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (197)

Comidos e bebidos, continuámos o nosso Caminho até ao albergue,

22.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (201)

descendo ao longo da estrada, sensivelmente mais 200 metros.

 

Era suposto, àquela hora, o albergue estar aberto, conforme horário aposto que dizia 13 horas. Mas não estava. Tivemos que telefonar à albergueira para nos vir abrir a porta.

 

A Raquel, assim se chamava a nossa albergueira, é uma jovem simpática. Deu-nos entrada, fazendo-nos o registo e respetivo pagamento da estadia, indicando-nos depois todas as dependências da casa.

 

Como o tempo tinha arrefecido, e tínhamos a roupa toda molhada, pedimos-lhe para nos ligar o aquecimento central. E, após isto, foi-se embora. Despedimo-nos dela, dizendo-nos na despedida que apenas viria no outro dia de manhã, às 10 horas, ao albergue, horas essas que já não estaríamos ali, mas possivelmente bem longe. Ficámos, assim, com o albergue só por conta dos três e entregues à nossa sorte.

 

Acomodámo-nos. Tomámos banho. Lavámos e secamos toda a roupa suja e molhada que tínhamos nas máquinas do albergue. De manhã tínhamos uma mochila com a roupa toda limpa e seca.

 

Depois de descansarmos um pouco, viemos para a sala de estar do albergue. Aqui escrevemos as palavras da etapa deste dia que o leitor(a) está lendo.

23.- CPIS - 2ª etapa (Verín-Viladerrei) (210)

Antes de nos deitarmos, fomos ao Restaurante César comer uma sopa. Na conversa entre nós, comentávamos que andávamos a comer mais do que devíamos. Havia que abrandar o ritmo, entrando em regime.

 

Apresentam-se os dados desta 2ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

24.- 2ª etapa 01

bem assim da nossa velocidade e da elevação do percurso.

25.- 2ª etapa 02

 

E, por hoje é tudo.

 

Deixamos ao visionamento dos nossos(as) leitores(as) o diaporama desta

 

2ª ETAPA DO CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO (VERÍN-VILADERREI)

 

14
Mai18

Memórias de um andarilho por terras da Ibéria - Trilho Interpretativo do Tejedelo-Requejo/Sanábria

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO POR TERRAS DA IBÉRIA

 

TRILHO INTERPRETATIVO DO TEJEDELO (OU TEIXEDELO) – REQUEJO (OU REQEIXO)/SANÁBRIA

28.abril.2018

(Manhã)

 

00.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (301)

 

Introdução

 

O «culpado» desta nossa incursão pelo Tejedelo (ou Teixedelo) do Requejo (ou Reqeixo) foi o nosso amigo Pablo quando, no passado outono, numa deslocação que fizemos às Médulas, não se cansava de gabar os atributos e os encantos deste bosque de teixos milenares.

 

Ficámos, assim, curiosos e de, quando a altura se propiciasse, e o Florens pudesse, de marcar uma visita.

 

Entretanto, dificuldades de articulação com o seu calendário e horários profissionais impediram ao Florens de, nesta primavera, nos acompanhar.

 

Pablo ainda tentou encontrar companheiros(as) para ir connosco. Mas não foi possível, face à data que melhor nos convinha – 28 de abril, pela manhã.

 

Enquanto o dia não chegava, fomos obtendo o maior número de informação sobre este bosque de teixos.

 

Numa sociedade em que as tecnologias da informação e da comunicação imperam, como não podia deixar de ser, o nosso centro privilegiado de obtenção de informação foi a internet, com os seus sítios, quer de entidades institucionais, quer os blogues de pessoas ou grupos, particularmente daqueles que já tiveram – e relataram – a experiência de terem percorrido este «recanto» da Ibéria sanábrica.

 

De alguns sítios consultados, aqueles que mais nos retiveram a atenção, foram os seguintes:

 

Institucionais

     

         artigo da autoria de Carlos Fernández Ramírez

        

        

 

Blogues

         

         

Da informação respigada, vamos destacar alguns elementos que, aqui para este post, nos parecem mais pertinentes.

 

 

1.- O teixo (Taxus baccata)

 

É uma árvore conífera, própria de zonas montanhosas. Vive em ambientes frescos e húmidos, em terremos essencialmente calcários. Alguns deles podem atingir a altura de 20 metros. O seu desenvolvimento faz-se de forma muito desigual. A sua copa termina em pirâmide, com abundantes ramos. O seu tronco, com casca delgada, com tiras de cor pardo-avermelhado ou grisácea, é muito grosso, chegando algumas árvores a atingir alguns metros de diâmetro. As suas folhas são perenes, com 10 a 30 mm, dispostas em fileiras opostas, de uma cor verde escura.

01.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (374)

O teixo tem uma madeira muito dura e, por tal facto, era usada para os eixos dos carros de bois, bem como para cozinhar e aquecer as casas.

 

É uma árvore que dura muito tempo. Algumas delas podem atingir mais de 1 500 anos.

 

Árvore sempre verde, ao longo do ano, no outono exibe os seus característicos frutos vermelhos – as «teixas» -, frutos doces como as cerejas. Mas, cuidado! Tudo no teixo é venenoso, principalmente as suas folhas, à exceção da parte exterior vermelha e carnuda da «teixa», delicioso repasto para as aves nos invernos longos e duros.

 

Por debaixo dos seus ramos, podemos encontrar menos 2 ou 3 graus de temperatura no verão, bem assim mais 2 ou 3 graus no inverno, e 15% de humidade ambiental.

 

As copas do teixo, ao mitigarem o calor do verão e os gelos do inverno, são lugares propícios para refúgio de corsos e javalis.

 

No meio da sua ramagem nascem as martas e os gatos monteses.

 

À sua sombra imensa florescem as mais singulares plantas de montanha.

 

Os bosques de teixos são a pátria de musgos e líquenes.

 

O teixo é uma árvore de grande valor ecológico, biogeográfico e cultural.

 

A pressão humana e o fim do clima suave e húmido acabaram com grande parte dos bosques de teixo. Embora antigamente ocupassem grande parte da Europa, Ásia e norte de África, hoje em dia está relegado para uns poucos lugares. Aninhados entre as zonas rochosas da montanha, o teixo está presente em pequenas zonas de Espanha.

 

Do sítio da A.E.C.A.S., da autoria de Carlos Fernández Ramírez, gostaríamos que o(a) leitor(a) atentasse aos «Valores do teixo» como:

  • Uma relíquia botânica que remonta ao jurássico – mais de 100 milhões de anos;
  • Representante da vegetação primeva da Península Ibérica, há mais de um milhão de anos;
  • Uma árvores que vai crescendo toda a vida, sendo uma das espécies que duram muitos mais anos;
  • Uma árvore de germinação difícil, que leva cerca de 40 anos a desenvolver-se e ser fértil;
  • Encontra-se em perigo de extinção na Europa, Ásia e norte de África, em virtude do seu derrube pelo homem; pelos incêndios e pelo clima atual, mais seco e extremo;
  • Um valor cultural – é um símbolo de eternidade, da vida e da morte. Não é por acaso que encontramos alguns exemplares nas praças, igrejas e cemitérios de muitos povos europeus;
  • De grande importância histórica: a sua madeira é de grande dureza e flexibilidade. Foi utilizada na antiguidade para construir armas de guerra e, no Egito, para fazer sarcófagos. Foi também, e como já fizemos referência, utilizada pelos vikings, na época medieval, para o eixo dos seus carros.

 

2.- O bosque do Tejedelo (ou Teixedelo) em Requejo (ou Requeixo)/Sanábria

 

O bosque do Tejedelo (Teixedelo) encontra-se na localidade de Requejo (Requeixo), na província de zamora/Sanábria, numa zona fronteiriça, onde as serras Cabrera e Segundera a separam de Leão, Galiza e Portugal.

 

O bosque do Tejedelo (Teixedelo) está a 1 350 metros de altitude, numa encosta com uma pendente de 20%, orientada a norte. Está acantonado num vale, entre rochas de granito e xisto, escavado pelos glaciares dos gelos quaternários, numa zona sombria, num pequeno rincão entre a serra da Parada e a Gamoneda, em solo ácido e com pouca matéria orgânica.

 

O bosque do Tejedelo (Teixedelo) é uma pequena área de, somente, 139 hectares, estando nele integradas 100 árvores de teixo com mais de mil anos de idade, por entre outros teixos, seus herdeiros mais jovens. A área dos teixos é somente 7,5 e 0,7 hectares. Mas trata-se de uma das manchas de teixo mais importante e melhor conservadas, dizem, de toda a Península Ibérica.

 

Estes 100 velhos, milenares teixos, habitantes deste bosque, encontram-se resguardados num ambiente fresco e húmido, tendo alternância de frio e seca, e, em muitas ocasiões, cobertos de neve.

 

No Tejedelo (Teixedelo) predominam as plantas de distribuição nortenha. No final de contas, trata-se de um bosque misto, dominado essencialmente por carvalhos (robles) [Quercus robur], convivendo com (poucos) azevinhos (Ilex aquifolium), tramazeiras (Sorbus aucaparia), avelaneiras (Corylus avellana), salgueiros (Salix), sanguinhos ((Rhanmus glandulosa) e amieiros (Alnus glutinosa).

 

Quanto à fauna, neste bosque podemos encontrar, para além da marta e do gato montês, alguns passeriformes, como o tordo, os rubins e a cotovia. A águia real, a cegonha branca e o milhafre também por aqui aparecem.

 

No seu ribeiro, o Tejedelo (ou Teixedelo), afluente do rio Castro, que corre mais ao fundo, no vale, nas proximidades de Requejo (Requeixo), e suas linhas de água, a rã de pata larga e a salamandra, são os seus mais assíduos clientes.

 

Podemo-nos dar conta das pegadas dos corsos, martas e raposas. E, com alguma sorte, e se formos em silêncio, pode acontecer que nos cruzemos com algumas destas espécies. Infelizmente, não foi o que aconteceu connosco naquele dia 28 de maio passado.

 

Ainda quanto à fauna, diz o sítio da A.E.C.A.S., que também se podem encontrar exemplares da raça bovina alistano-sanabresa, declarada em perigo de extinção.

 

Diz-se ainda no mesmo sítio, de acordo com a informação de Carlos Fernández Ramírez, que o aproveitamento do bosque do Requejo (Requeixo) era comunal. Dando aos habitantes do seu entorno, entre outras utilidades, lenha, madeira, alimento e cama para o gado, corantes para tingir os tecidos do vestuário, bem assim proteção contra os raios e mau olhado (pondo os seus ramos em suas casas) e, inclusive, substituindo os ramos de oliveira nas janelas no Domingo de Ramos.

 

3.- Como chegar ao bosque de Tejedelo (ou Teixedelo) em Requejo (ou Requeixo)/Sanábria

 

Para se lá chegar, temos que ir ao município de Requejo (Requeixo) de Sanabria.

 

De Verín, seguimos a autovia A52 e saímos dela na «Saída 91», para Requejo (Requeixo), continuando depois pela N-525. Aproximadamente no Km 95 desta estrada, viramos à esquerda, seguindo por uma estrada local na qual podemos ver a indicação de «El Tejedal».

 

Seguimos esta estrada local durante 1, 5 Km até encontrarmos um cruzamento. Neste cruzamento viramos à direita e vamos encontrar um caminho não asfaltado – que, com o carro, há que seguir com cuidado – pois seu piso é irregular e ficou agora mais deteriorado com o movimento das viaturas dos trabalhos da linha do AVE, que passa por aqui, nas proximidades do túnel de Padronelos.

 

Percorremos sensivelmente 3 Km neste caminho e vamos ter a um pequeno parque de estacionamento, lugar onde precisamente começa o nosso trilho.

 

4.- O nosso trilho

 

Aparcámos a nossa viatura no pequeno parque de estacionamento e, contornando esta enorme cancela,

01a.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (3)

iniciámos o nosso trilho, subindo por cima do vale do rio Castro, atravessando antigas pastagens comunais, constituídas compactamente por urzes (brejos) e giestas.

 

Enquanto subíamos, olhávamos para trás, para a nossa direita, e, debaixo da nossa vista, a velha linha de caminho de ferro «carrilhana» que, aquando da sua construção (particularmente o seu túnel, que leva a Padronelo, tantas mortes, aos trabalhadores da zona que nela labutavam, particularmente os de Requejo (Requeixo), causou.

02.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (9)

A seu lado, a construção de uma nova linha, com o respetivo túnel, - a do AVE.

03.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (55)

Fomos subindo devagar. E, pouco a pouco, do alto em que caminhávamos, íamos tirando fotografias para a paisagem que, às nossas costas, lentamente desaparecia.

 

Quanto à paisagem que íamos avistando à subida deste lugar, o autor do blogue «Mareando La Perdiz», lamentando-se, refere o pouco entusiasmo que se pode ter ao aterrar neste lugar tão castigado pelo progresso, por via da construção da(s) linha(s) de caminho de ferro; os golpes feitos na encosta vizinha para a construção da autovia A-52 e o parque eólico. Um impacto brutal! Não só em termos paisagísticos como também nos enormes gastos que, por via do progresso, aqui se teve de efetuar, diz.

 

Mas depressa realmente estas imagens tão impactantes vão ficando para trás, desaparecendo das nossas vistas, conforme íamos subindo. Para quem é amante da natureza pura, tratou-se apenas de um episódico pesadelo.

 

A certa altura, o nosso trilho abranda na subida.

 

Junto a uma área de repouso, com um merendeiro,, aparece-nos uma ponte de madeira sobre o ribeiro do Tejedelo (Teixedelo), rodeado de bétulas.

04.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (15)

Aproveitámos para fazer uma paragem e descansar um pouco.

 

Pela primeira vez, na margem do ribeiro, à nossa esquerda, encontrámos o primeiro, e jovem, teixo.

05.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (18)

 Este lugar encantou-nos. Não deixámos, por isso, de permanecer aqui mais um bocadinho para tirar fotografias ao ribeiro, com sua ponte e entorno. Lugar encantador!

06.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (40)

Não nos lembrou de tirar uma série de fotografias à pequena cascata para fazermos um «gif». Fica aqui, porém, a do autor do blogue «Mareando La Perdiz», que por aqui também andou.

06a.- 15-(58)-ANIMATION

Continuámos a subir,

08.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (44)

acompanhando o monte de antigas pastagens comunais coberto agora quase exclusivamente de urzes.

09.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (66)

Feito o percurso de encosta, a páginas tantas, começou a suavizar e encontrámos um desvio, à direita, com uma placa sinalizadora, dizendo: “Mirador Las Peñas del Veladero».

10.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (87)

Acabava aqui uma primeira parte (quase exclusivamente a subir) do trilho linear, com 1,5 Km percorrido. Neste lugar, começa agora a parte circular do nosso trilho e temos de fazer uma opção: ou seguirmos em frente ao encontro direto dos velhos e milenares teixos e, visitados que sejam bem como o miradouro de «Las Peñas del Veladero», aqui regressarmos, ou então virarmos à direita e, penetrando no jovem bosque de carvalhos,

11.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (110)

sempre a subir, dirigirmo-nos ao tal miradouro de «Las Peñas del Veladero», seguindo depois para o santuário natural dos velhos teixos.

 

Optámos por virar à direita e subir para o miradouro.

 

No meio deste jovem bosque de carvalhos, uma ou outra bétula, desabrochando,

12.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (95)

e, aqui e ali, um solitário azevinho.

13.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (107)

Um belo e jovem carvalhal onde apenas nos é permitido escutar o ruído das nossas pegadas. No tamanho de tanto silêncio, aqui e ali quebrado pelo chilrear de uma ou outra ave.

 

Até que, após uma esforçada, embora relativa, subida, por meio deste belo carvalhal sem folhas, deixando-nos ver todo o seu esplendor, conjugado com um bonito céu azul, chegámos ao miradouro de «Las Peñas del Veladero».

14.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (112)

Daqui observámos o Alto do Cinseiro ou Teixidelo, com 1609 metros de altitude, destacando-se, no seu sopé, o contrafogo, feito em 1989.

15.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (123)

Mais perto da nossa vista, eis parte do bosque do Tejedelo (Teixedelo). Trata-se de um bosque misto, dominado, na sua grande maioria, por carvalhos. No meio distingue-se bem a mancha de teixos, que apresenta copas com uma cor verde mais escura.

16.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (121)

Lemos atentamente os placards informativos ali colocados para melhor entendermos e interpretarmos a paisagem que à nossa frente estava presente. E descemos em direção aos «nossos» teixos milenares.

 

Enquanto descíamos, um ou outro teixo jovem, estendendo-nos os seus ramos, dava-nos as boas vindas,

17.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (168)

enquanto, por entre outros teixos jovens, descendentes dos velhos que iriamos visitar, ouvíamos os sons da correnteza da água de uma linha de água passando a  seu lado, alimentando-os.

18.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (182)

Na aproximação à ponte de madeira que nos conduziria ao santuário natural dos teixos milenares, Pablo pára para acariciar as folhas de um jovem teixo. Ele, que já é avô de dois jovens rapazes, bem sabe a importância do desvelo que devemos ter com as novas gerações para a propagação das espécies. Não fora ele um profissional da floresta e amante da natureza!

20.-2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (205)

Amigo Pablo aproveita para, aqui, levar imagens do lugar,

20a.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (219)

com os seus regatos espalhando as suas águas pelo bosque.

20b.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (227)

Eis a singela e bem enquadrada ponte de madeira,

21.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (229)

último obstáculo à entrada no átrio deste santuário natural e por onde o amigo Pablo passa,

22.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (198)

e nós também passámos

23.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (212)

para o visitarmos e contemplarmos.

 

Entrámos no recinto.

26.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (235)

Pablo não resiste a aproximar-se de um teixo, num gesto de o querer abraçar.

27.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (241)

A modos de jogar às escondidas connosco, tal com fazem as crianças, vai-nos dizendo: “António, vê que velho é este!”

28.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (331)

E, ao longo da passarela, não cessa de tirar fotos a estas velhas catedrais naturais,

29.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (328)

procurando-nos enquadrar na cena.

30.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (246)

Começámos a percorrer, agora mais em pormenor e a fundo, este santuário natural.

31.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (354)

Mas Pablo, qual criança enfeitiçada, não se cansa de fotografar!

32.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (356)

Subimos o escadório que acompanha estes velhos habitantes do bosque,

33.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (272)

que mais nos parecem figuras fantasmagóricas.

33a.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (319)

(Figura fantasmagórica I)

33b.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (324)

(Figura fantasmagórica II)

33c.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (326)

(Figura fantasmagórica II)

33d.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (291)

(Figura fantasmagórica IV)

De repente, do outro lado do trilho por onde viemos, aparece-nos um casal alemão, vivendo em Corunha, de visita também ao lugar. Metemos conversa, falando do encanto deste lugar. Despediram-se de nós, ao lado de dois velhos e milenários guardiões deste templo, seguindo os dois o seu próprio caminho.

34.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (307)

Antes de nos despedirmos deste um pouco mais jovem

35.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (264)

 

bem assim desta mais velha e vetusta catedral natural, agarrada com tantas raízes a esta terra, que tão bem conhece de séculos,

39.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (303)

Pablo, para recordação perene, pede-nos que lhe tiremos uma fotografia no meio destes dois «colossos».

41.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (335)

Feita a sua vontade, despedimo-nos deste tão encantador santuário de teixos, por entre regatos de água cristalina que os alimenta.

42.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (340)

Uma nota crítica, e construtiva, aqui fica, aliás partilhada por outros amigos com quem falámos e outros que lemos: não será exagerada tanta passarela? Nós sabemos que os teixos são o top model deste lugar, contudo não seria necessário tanta imponência de construção em madeira, ofuscando e competindo com tanta beleza natural!...

 

Descemos agora, dirigindo-nos para o bosque de carvalhos e bétulas, povoado de enorme pedras, cobertas de musgo.

43.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (358)

(Perspetiva I)

44.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (391)

(Perspetiva II)

Atravessada esta pequena ponte de madeira,

45.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (383)

onde, de cada um dos lado, à entrada, dois jovens teixos nos aguardam para agradecer a nossa visita

46.- 2018.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo (372)

Daí a uns poucos metros, estávamos outra vez junto à placa sinalizadora que dizia «Mirador Las Peñas del Veladero». Acabava aqui o nosso percurso circular e dávamos início, outra vez, ao mesmo percurso linear que nos trouxe até aqui, agora em sentido contrário, de ida, sempre a descer até ao parque de estacionamento, onde tínhamos iniciado este nosso trilho pelo “El Bosque del Tejedelo”, percorrida que foi a distancia de 5,2 Km.

 

Apresentação os dados sobre a distância e duração do percurso

2018.- 35.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo 02 SH

bem assim a velocidade elação do trilho.

2018.- 35.- Requejo - Caminhada pelo sendero interpretativo del Tejedo ou Teixedo 03 SH

 Temos a agradecer ao nosso amigo Pablo Serrano Moreno pela sugestão deste trilho e pela sua companhia, com a sua habitual boa disposição e útil informação que, constantemente, nos ia prestando.

 

Bem hajas, pois, amigo Pablo!

 

E, já agora, pela nossa parte, amigo Pablo, deixamos-te aqui, entre outras em carteira, uma sugestão:

 

- Que tal visitarmos, em San Justo de Sanabria, no Santuário de La Alcobilla, os exemplares de castanheiros, com mais de 1 500 anos, no próximo outono?...

 

Deixamos, finalmente, à visualização dos nossos leitores um pequeno diaporama sobre este 

 

TRILHO INTERPRETATIVO DO TEJEDELO - REQUELO/SANÁBRIA

 

Genérico do trilho 01

13
Mai18

Memórias de um andarilho - Caminho Português Interior de Santiago (CPIS) - 1ª etapa (Chaves- Verín)

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHO PORTUGUÊS INTERIOR DE SANTIAGO

04.maio.2017

 

1ª etapa:- Chaves – Verín

00.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (20)

 Faz hoje exatamente um ano que chegámos a Santiago de Compostela, debaixo de uma chuva intensa, depois de termos percorrido o Caminho Português Interior de Santiago, de Chaves a Santiago.

 

Embora já no passado ano de 2007 tenhamos feito este Caminho – a que chamam, a partir do Castelo de Monterrei, da Via de la Plata ou Sanabrês – a partir de Laza, desta vez, aceitando o desafio do Florens, voltámos a percorrê-lo, a partir da casa de cada um: nós, de Chaves; o Florens, com o filho Rod, a partir de Vila Real. Só que circunstâncias alheias à vontade do Florens, acabaram por determinar que ele começasse, não em Vila Real, mas também em Chaves, como nós.

 

Para além de nós, do Florens e do Rod, em Allariz, juntou-se-nos um amigo do Florens e do Rod – o Zé.

 

Apesar de sermos repetente neste Caminho, temos a afirmar, face à experiência adquirida, que, por muito idênticas ou iguais que sejam as veredas por onde passemos para chegar a Santiago de Compostela, as vivências são muito diferentes umas das outras.

 

A acrescentar a este aspeto, de cariz mais subjetivo, existem mais dois: em primeiro lugar, ao chegarmos ao Castelo de Monterrei, não fomos por Laza, mas pela variante de Xinzo de Limia; depois, à saída de Ourense, em vez de irmos pelo Caminho Real, como tinha acontecido em 2007, optámos pela variante de Quintela; finalmente, ao chegarmos a San Cristovo de Cea, em vez de irmos pelo Caminho oficial, que vai por Piñor, derivámos para Oseira e ficámos no albuergue do seu mosteiro.

 

Feita esta pequena introdução, entremos então na reportagem das 10 etapas que, de Chaves, nos levaram a Santiago de Compostela.

 

Já há um ano que o Caminho foi efetuado. Muitas das nossas peripécias do Caminho ficaram no esquecimento, sem qualquer memória. Por isso, vamos, tão simplesmente, limitarmo-nos a reproduzir o relato de cada etapa que, no fim de cada uma delas, vertemos para o nosso Bloco de Notas «Moleskine».

 

Avancemos, pois.

 

Saímos de casa cerca das 7 horas da manhã. Ainda estavam as luzes acesas.

01.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (1)

De imediato, dirigimo-nos para o Largo de Camões, onde se situa o edifício da Câmara Municipal e a Igreja Matriz.

 

Tiradas as fotos da praxe para que constasse da reportagem, dirigimo-nos para o Jardim do Bacalhau e para o Monumento. Aqui dirigimo-nos para a avenida do Estádio. No seu final desta avenida, virando à direita, fomos ter à avenida do Tâmega

02.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (15)

em direção a Outeiro Seco.

03.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (25)

Ultrapassámos Outeiro Seco e o Perímetro Industrial de Vilela Seca,

04.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (44)

passámos por Vilarinho da Raia, dando dois dedos de conversa com este amigo pastor,

05.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (53)

Vila Meã, com o seu cruzeiro,

06.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (60)

e Vilarelho da Raia.

 

Em Vilarelho da Raia, fizemos uma pausa para, num café local, e na sua varanda, fazermos o reforço  do nosso pequeno-almoço.

07.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (91)

Saídos de Vilarelho da Raia, entrámos na Galiza,

08.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (99)

dirigindo-nos para Rabal. De Rabal, tomando a estrada 323, fomos ter a Tamaguelos.

09.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (103)

 Aqui parámos para tomar um café e uma água. E conversarmos com um dos locais.

10.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (125)

Até aqui o nosso percurso foi muito chato, nãso só pelo sol que fazia, mas também porque o nosso percurso foi todo feito praticamente em cima do asfalto. A sinalização até aqui estava razoável, mas a do desvio para Tamagos

11.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (150)

e Cabreiroá deixa muito a desejar.

12.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (151)

Pensámos que a etapa seria de 26,1 Km, mas, pelindicação do nosso S Helath, acabámos por andar mais do que isso. Como primeira etapa foi violenta demais, particularmente para o Rod.

 

Ao chegarmos a Verín, e antes de irmos para o albergue, parámos num restaurante para almoçarmos.

 

O albergue fica na Casa do Escudo, à saída de Verín. As instalações são excelentes. Tudo quanto ao albergue diz respeito, nada temos a apontar.

 

Depois de nos instalarmos, tomarmos banho e comunicarmos com a família. E tomámos as nossas notas.

 

Fomos dar uma volta por Verín

13.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (200)

e fazer compras para o pequeno-almoço do dia seguinte,

14.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (211)

e, como não podia deixar de ser, o nosso jantar foi caldo à galega e polvo.

 

Bem comidos e bebidos, fomos para o albergue. Deitámo-nos. E dormimos como anjos.

 

De madrugada choveu e trovejou. Na cama, até nos soube bem a chuva cair no telhado da Casa do Escudo. O pior foi depois de manhã!

 

Como nota final há a acrescentar um pormenor que aos três nos chocou: as vinhas de Verín foram todas queimadas pela enorme geada preta que caiu na noite do dia 28 de abril passado. Foi mesmo de meter dó ver aquele vinhedo todo queimado!

15.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (101)

Uma curiosidade para a reportagem. Enquanto adormecíamos, falava-se dos muitos nomes que a «coisa», delas, tem. Vai daí Florens acrescenta mais uma ao já extenso léxico da «coisa», que lhe foi dito por uma sua velhinha doente. Ele aqui vai – Sufa(fu)la da matrácula.

 

Apresentam-se os dados desta 1ª etapa referentes à distância percorrida e respetiva duração

16.- 1ª etapa 01

bem assim quanto à nossa velocidade e à elevação do percurso.

17.- 1ª etapa 02

 Apresenta-se o diaporama sobre esta primeira etapa do Caminho Português Interior de Santiago - Chaves - Verín.

 

18.- CPIS - 1ª etapa (Chaves-Verín) (220)

09
Mai18

Memórias de um andarilho por terras da Ibéria - Trilho «Os Vados de San Ciprián de Sanabria»

andanhos

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO POR TERRAS DA IBÉRIA

 

 

TRILHO INTERPRETATIVO «OS VADOS DE SAN CIPRIÁN DE SANABRIA» 

28.abril.2018

(Tarde)

01.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (258)

Desde a nossa incursão, no outono passado, pelas Médulas, ficámos entusiasmados em percorrer o bosque milenar de teixos, em Requejo, Sanábria, província de Zamora.

 

O amigo Pablo dizia-nos maravilhas. E nós ficámos entusiasmados em percorrê-lo. Pena foi que Florens não nos tivesse acompanhado. Todavia, a sua vida profissional nem sempre permite fazer as «avarias» que certos «reformados» se podem dar ao luxo de levar a cabo… Ficará, para o Florens, uma outra altura, pois o trilho vale bem a pena percorrê-lo.

 

Apesar de termos feito o Trilho do «Bosque del Teixedo», em Requejo, da parte da manhã, não é sobre ele que, neste post, vamos falar. Virá de seguida.

 

Aqui, e agora, é de um outro trilho que vamos falar. Da tal surpresa com que o amigo Pablo Serrano nos presenteou na tarde de 28 de maio passado.

 

Na véspera, Pablo tinha-nos dito que, em conversa com um jovem geógrafo, de Puebla de Sanabria, Daniel Boyano, que usa o nome de guerra «Daniel Huerto del Pozo», que a sua associação «Cryosananbria», em colaboração com o Ayuntamiento de Puebla de Sanabria, «oficina» de turismo, iam levar a cabo o Trilho Interpretativo «Os Vados de San Ciprián de Sanabria» e que nós os dois nos juntaríamos à iniciativa.

 

Confessamos que, na altura, não sabíamos do que se tratava. Pablo apenas se limitava a dizer que iríamos dar um passeio por San Ciprián. Mas, quanto a «Vados» e onde se localizava San Ciprián, nada sabíamos. Somente depreendemos que era uma pequena caminhada e que se situava na Sanábria.

 

Fomos, assim, na onda. Pablo Serrano, bom amigo, é um especialista em nos aconselhar os recantos mais bonitos da sua querida Ibéria.

 

Encantados por termos percorrido aquele bonito, precioso e milenar bosque de teixos, em Requejo, e depois de almoçarmos em Puebla de Sanabria, dirigimo-nos para San Ciprián, passando por Trefacio.

 

Estacionámos a viatura mesmo ao lado da ermida de Nossa Senhora das Neves.

02.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (9)

 De acordo com a informação da «Red de Espacios Naturales de Castilla y Leon», os «Vados de San Ciprián de Sanabria» é um trilho de ida e volta; todavia, pode regressar-se a San Ciprián, utilizando um caminho que parte do apiário de Faldriego, baixando pela margem esquerda do rio Trefacio (ou Valmiano?).

03.- los vados 1Fonte:- http://comandosenderista.blogspot.pt/2014/10/vados-de-san-ciprian.html

Continua o mesmo placard informativo, dizendo-nos que se trata de um trilho (ruta) de montanha “mais sencilla” do entorno sanabrês, pois nos permite disfrutar dos melhores picos da serra da Cabrera Baixa, como seja, o de Faeda, a 2024 metros de altitude.

 

Eram sensivelmente 17 horas locais quando, aproximadamente, meia centena de pessoas, entre muito pequenos, jovens, adultos e «maiores», se reuniram na praça da aldeia.

 

Foram três os anfitriões que nos propiciaram toda a adequada informação ao longo do trilho:

  • O já referido geógrafo, Daniel, da Associação «Cryosanabria»;

05.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (345)

  • José Luís Rodríguez, técnico da «oficina» de turismo do Ayuntamiento de Puebla de Sanabria

06.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (29)

  • e um especialista em apicultura.

07.- Especialista em abelhas

Façamos, a modos de introdução, uma pequena abordagem a San Ciprián de Sanabria, a partir da informação contida nos folhetos turísticos.

 

San Ciprián é um povo que se situa a norte do Ayuntamiento de San Justo, de que faz parte. Está situado a sul da serra Cabrera e do Pico Faeda. Este pico, com os seus 2024 metros é o mais alto do município. San Ciprián está a 10 Km do Lago de Sanabria  e a 14 Km de Puebla de Sanabria.

 

Diz-se ser um povo tranquilo, aprazível. É uma terra de vales, com vales e abundantes bosques, de montanha e abundante fauna. Os seus vales, bosques e montanha possui uma esplendorosa vegetação milenar – carvalhos (robles), castanheiros, amieiros, choupos, freixos, bétulas (vidoeiros), etc.. E frutos de todo o tipo.

 

As suas gentes vivem do amanho das suas terras e da pecuária, em total harmonia com o seu entorno, onde abunda a fauna selvagem, principalmente constituída por corsos, cervos, javalis, lobos, águias, lontras, etc..

 

É um lugar de gente simples e hospitaleira.

 

Aqui o tempo decorre de forma tranquila e sossegada.

 

Em suma, San Ciprián é um lugar de sonho, em que se pode despertar com o melodioso canto das aves, passear pelos caminhos tradicionais, com trilhos perfeitamente sinalizados, e conhecer os costumes da zona, disfrutando da rica gastronomia sanabresa: carne, trutas, cogumelos…

 

A festa local é a 5 de agosto, dedicada à Virgem das Neves e a festa municipal é a 8 de setembro – Romaria da Virgem de Alcobilla.

 

São positivamente atributos e encantos para não esquecer e disfrutar.

 

Naturalmente que também não podemos esquecer que vivemos num mundo e numa civilização cada vez mais urbana, citadina, em que os valores das paisagens naturais e do mundo rural deixaram de estar em moda. São simplesmente já residuais. E apenas entusiasmantes somente para uns tantos, poucos. A atração citadina deixa os povos entregues à sua sorte, como este que está na periferia das periferias. Lugares quase somente povoados de gente «maior» (velha), à espera que chegue o seu dia…

 

Vivemos agora uma espécie de renascimento por estes territórios afastados e bem periféricos, suscitado pela atividade turística. Mas tal atividade, com a dinamização das atividades tradicionais, será suficiente para manter de pé estas comunidades? Temos fortes dúvidas.

 

Ficámos contente com a gente que se juntou para conhecer esta terra, estas gentes e este magnífico território, apesar de termos bem a consciência de não ser uma tendência generalizada de retorno, embora em moldes diferentes, às origens. Somos apenas uns tantos «maduros», amantes destes especiais recantos. E é pena!...

 

Deixemos este aparte. Continuemos a nossa reportagem.

 

O trilho interpretativo que percorremos elucida-nos sobre a relação tradicional entre as gentes deste lugar e o meio que ocupam e habitam, evidenciando a influência impactante que tem esta peculiar paisagem com a biodiversidade.

 

José Luís Rodríguez, do Ayuntamiento de Puebla, falou-nos que San Ciprián de Sanabria foi um dos povos da comarca que melhor conservou a cultura local, que se manifesta não só no seu património material como no oral, através de palavras e expressões que lhe são muito próprias. Falou-nos ainda do trabalho de D. Ramon Menéndez Pidal e de um seu discípulo, Tomás Navarro Tomás, que, em 1912, se dá conta da singularidade linguística das gentes desta localidade – o «pachueco», um dos redutos mais puros do dialeto leonês. Falou-nos ainda do trabalho do então jovem Ftiz Krüger, que por aqui andou na década 20 do século passado. Trabalho não só linguístico («El dialecto de San Ciprián de Sanabria. Monografia leonesa»), que serviu de base à sua tese de doutoramento, na Escola de Linguistas de Hamburgo, mas também na sua recolha etnográfica.

 

Lente, e sucessivamente, José Luís conduz-nos por meio do casario da aldeia, chamando-nos a atenção sobre um ou outro elemento interessante e característico, não só das tradições de San Ciprián como para alguns elementos da sua específica arquitetura tradicional.

 

Vejamos, ao acaso, alguns desses elementos:

08.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (13)

(Elemento I)

Há que preservar um pouco melhor este pedaço de história feita em pedra!

09.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (26)

(Elemento II)

10.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (31)

(Elemento III)

11.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (41)

(Elemento IV)

12.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (46)

(Elemento V)

13.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (50)

(Porta pintada contra o mau olhado - Elemento VI)

14.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (69)

(Elemento VII)

Atravessando o regato Baillo,

15.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (56)

dirigimo-nos para a periferia da aldeia,

16.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (63)

passando ao lado da sua Igreja Matriz.

17.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (66)

Na saída da aldeia, deparámos com esta velhinha («maior») sanabrina, cuja idade já se tinha esquecido, limpando o caminho, e deixando-nos posar para a nossa objetiva.

18.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (82)

Até que, lentamente, a aldeia de San Ciprián nos vai ficando para trás,

19.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (70)

com a sua bela silhueta, enquadrada pelas sua férteis e amainadas hortas, tendo como guardiã a «sua» serra, ainda com neve.

20.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (76)

Agora, definitivamente, em pleno meio rural e na base da montanha,

21.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (83)

dirigimo-nos para o seu largo vale, nas proximidades de Escuernacabras,

22.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (87)

(Perspetiva I)

23.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (90)

(Perspetiva II)

24.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (97)

(Perspetiva III)

Atravessando a ponte sobre o rio Trefacio

25.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (101)

e fazendo uma curta paragem e concentração aqui,

26.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (106)

ouvindo Daniel Boyano que, chamando-nos a atenção para a paisagem que tínhamos à nossa frente, elucidou-nos sobre o fenómeno do glaciarismo nesta Ferradura de San Ciprián.

 

Feita a explicação sobre uma paisagem construída durante milhões de anos – e que tanto deleite e encanto nos propiciou – encetámos uma ligeira subida,

27.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (114)

tendo à nossa frente, com toda a sua imponência, a serra da Cabrera Baixa

28.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (126)

 e caminhando ao lado do rio Trefacio.

29.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (122)

Até que chegámos ao «El Curmeneiro de Faldriego», um apiário tradicional, que mais nos parece um redil para guardar e proteger o gado.

30.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (148)

No placard informativo, diz-se que “estas paredes de pedra serviam para proteger as colmeias do ataque de várias espécies de animais, dos roubos, do fogo e dos empurrões do gado; também do frio e vento forte. Os apiários situam-se na encosta do monte ou montanha para que as colónias de abelhas recebam melhor os raios solares, evitando os espaços de sombra. Estão orientados ao sul, na procura do sol matinal, porquanto assim favorece-se a atividade das abelhas e reduz-se a mortalidade no inverno. Localiza-se neste lugar, aproveitando a floração das plantas da serra, em especial os brejos e as urzes, com fácil acesso à água, sem necessidade de as abelhas percorrerem grandes distâncias” (tradução livre nossa).

 

Quer o placard informativo bem como o especialista sobre esta matéria que ia connosco, explicaram-nos o que é uma colmeia ou um cortiço, dando-nos conta do ciclo anual da produção das abelhas.

 

Na esquina deste apiário tradicional demo-nos conta que o mesmo é dedicado ou está sob a proteção de Santa Gema.

31.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (152)

Do outro lado do rio, está o moinho de Faldriego, que as gentes do lugar, em homenagem a F. Krüger, e ao seu extraordinário trabalho de levantamento linguístico e etnográfico aqui levado a efeito, o apelidaram de «Molino de Krüger».

 

Antigamente , para ligar as duas margens do rio, havia uma ponte. Uma cheia (riada) destruí-a. E nunca foi mais levantada. Nos períodos de menor caudal, passa-se bem de uma margem para outra.

 

E continuámos a nossa caminhada, tendo à nossa frente, em plena serra da Cabrera Baixa, o Pico Faeda.

32.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (153)

O nosso caminhar torna-se um pouco mais duro, pois, nosso trilho, começa a subir mais.

33.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (171)

Agora, neste percurso, constituído por uma vereda em pedra de xisto, são bem patentes as marcas das rodeiras dos carros puxados essencialmente por vacas que, por aqui passaram, carregados com os produtos da serra.

 

Parámos no placard informativo e ali se pode ler em castelhano vernáculo que “durante muchos años, los carros de San Ciprián han recorrido este caminho cargados com los produtos de la sierra: raíces de brezo, carbón e abono de las majadas veraniegas. Las roderas en la roca

34.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (171a) (2)

son  el símbolo más claro de esse duro trabajo: subidas penosas

35.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (172a) (1)

por la empinada pendiente y bajadas peligrosas, reteniendo el carro com piedras encadenadas o com as ayuda de una mula, en la trasera.

Caminos, carros e vacas han sido vitales en las comunidades de la montaña, en nel transporte de este pais quebrado y pedregoso”.

 

E o placard informativo conclui dizendo que “os caminhos procuravam o nível horizontal num espaço que é vertical, lutando para que a água não destrua o seu piso; o carro «chilón» é ligeiro e resistente, um todo o terreno feito de madeira de freixo e negrilho que, no seu chiar, anunciava a sua passagem pelo vale. As vacas trepavam por aqueles penhascos com agilidade, como servas ungidas ao seu jugo” (tradução livre nossa).

36.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (170a)

Era, sem dúvida, um trabalho duro e árduo. Para as mulheres e homens. E para os animais.

 

Para nós, turistas do século XXI, o chegarmos até aqui, ao cimo deste caminho e quase ao teto da montanha, representou um novo «Aleluia».

37.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (166)

Fomos caminhando.

38.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (190)

Faltava muito pouco para chegarmos ao cimo. Apenas era necessário um último, derradeiro esforço.

38a.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (230)

Aqui nos sentámos.

40.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (206)

A descansar e a observarmos, em toda a sua grandeza e majestade, a serra da Cabrera Baixa.

 

Vimo-la de todos os ângulos. Desde os seus mais escavados declives, por onde o degelo de séculos rasgou a montanha escarpada, por onde passam os seus rios,

41.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (175)

(Perspetiva I)

42.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (197)

(Perspetiva II)

até à sua mais íngreme encosta pedregosa.

43.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (220)

Ao fundo, o rio Trefacio, que, em Tramasaguas (ou Trambasaguas), recebe as águas dos ribeiros Cubiellas e Barcinella, e, ao cimo, o Pico Faeda, apresentam-se-nos com toda a sua majestade natural.

44.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (198)

(Perspetiva I)

45.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (179)

(Perspetiva II)

Num abrir e fechar de olhos, eis-nos chegados a «Os Vados de São Ciprián»!

46.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (268)

Afinal o termo «vado» tem um significado bem simples: quer dizer um lugar para cruzar, vadiar. Na verdade, os enfurecidos ribeiros Valimiano e Barcinella,

47.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (271)

espumando de raiva,

47a.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (252)

ao chegarem aqui a este lugar, onde a bétula (vidoeiro) impera, mesmo no meio do leito,

48.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (253)

despenham-se em cascatas,

49.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (267)

Espalhando-se (vadiando) por todos os lados.

50.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (277)

Aqui permanecemos uns bons minutos, contemplando os tão célebres e afamados «Vados», tirando as fotos da praxe.

 

Havia que regressar.

 

Ao longe começou a aparecer um ameaçador nevoeiro.

51.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (296)

Voltámos pelo caminho por onde viemos.

52.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (303)

A neve ainda começou a cair-nos em cima. Mas foi neve de pouca dura.

 

Ficámos na nossa retina com esta imagem, com a linda paisagem da serra da Cabrera Baixa.

53.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (292)

Num ápice, chegámos ao vale, no lugar de Encuernacabras. Cada um, em grupo, troca as suas impressões

54.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (326)

ou cimenta amizade, como o nosso amigo Pablo, com as bonitas jovens Alicia e Marta (e mais a Carmen, que já ia à nossa frente).

55.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (328)

Ao entrarmos na aldeia de San Ciprián, a eremita da sua padroeira tem o seu lugar principal na cena.

56.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (335)

Atravessando o regato Baillo,

57.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (333)

entrámos no povo.

 

Aqui ficam mais quatro perspetivas dos elementos do seu casario.

58.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (337)

(Perspetiva I)

59.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (338)

(Perspetiva II)

60.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (341)

(Perspetiva III)

61.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (342)

 (Perspetiva IV)

 

Por fim, chegámos à praça da aldeia.

 

A grande maioria dos caminhantes entrou no «Bar la Plaza»: uns, para descansar;

62.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (347)

outros, para beber uma água ou uma cerveja.

 

À porta do bar, bebendo uma cerveja, observávamos, ao longe, uma amena conversa entre a bela granadina-zamorana, Alicia, e José Luís.

63.- 2018.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián (355)

Fizemos boa amizade com a Alicia, a Marta, a Carmen e o José Luís. Cimentámos o nosso conhecimento com Daniel Boyano.

 

Apresenta-se agora os dados quanto à distância e tempo percorrido

2018.- 36.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián 01 SH

bem assim a velocidade e elevação do trilho.

2018.- 36.- Sanábria - Caminhada Vados de San Ciprián 03 SH

 

 

Agradecemos à Associação «Cryosanabria» e ao Ayuntamiento de Puebla de Sanabria pelo belo passeio interpretativo que nos propiciou neste final de tarde primaveril.

 

Um muito obrigado ao nosso grande amigo Pablo Serrano pelo privilégio que nos dá sempre a sua companhia e a sua amizade quando, lado a lado, caminhamos pelas veredas desta nossa amada Ibéria.

 

Deixamos à visualização dos nossos leitores um diaporama sobre o

 

TRILHO INTERPRETATIVO «OS VADOS DE SAN CIPRIÁN»

 

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